METODOLOGIA PARA MAPEAMENTO DE TERRENOS QUATERNÁRIOS NO MUNICÍPIO DE CANANÉIA, LITORAL SUL DO ESTADO DE SÃO PAULO

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1 METODOLOGIA PARA MAPEAMENTO DE TERRENOS QUATERNÁRIOS NO MUNICÍPIO DE CANANÉIA, LITORAL SUL DO ESTADO DE SÃO PAULO *Thomaz Alvisi de Oliveira 1 ; Paulina Setti Riedel 2 ; Célia Regina de Gouveia Souza Depto. de Geografia/UNESP. Av. 24 A., 1515 CEP: Rio Claro-SP. 2 - Depto. Geologia Aplicada/UNESP-Rio Claro-SP. 3 - Instituto Geológico-IG/São Paulo e Depto. Geografia Física-FFLCH/USP. 1. INTRODUÇÃO Número considerável de trabalhos, voltados ao mapeamento e caracterização da zona costeira do litoral brasileiro, tem sido elaborado e apresentado à sociedade visando subsidiar atividades futuras no âmbito do planejamento territorial. Especial destaque têm os terrenos pertencentes à planície costeira do Estado de São Paulo, uma vez que apresentam sérios problemas de urbanização e necessitam acompanhamento e orientação constante no que tange à ocupação de seu espaço, fundamentada no conhecimento do arcabouço geológico e dos atributos e processos geomorfológicos. Destacam-se, nessa linha, os trabalhos de Fúlfaro et al. (1974), Martin e Suguio (1976), IPT (1981a;1981b), Ab Saber (1985;2000), Souza (2007) e Souza & Luna (2008). Todos eles disponibilizam informações relevantes quanto aos temas acima abordados. A porção sul da planície costeira do Estado de São Paulo exibe estruturas urbanas limitadas quanto ao tamanho, se comparada às porções centrais e norte. Torna-se, portanto, objeto interessante para a aplicação de técnicas de mapeamento baseadas na análise e interpretação de imagens de sensores remotos, direcionadas à orientação do seu crescimento e expansão. Foi nessa porção do território paulista, mais especificamente no município de Cananéia, que o trabalho aqui apresentado se desenvolveu. Priorizou o levantamento de informações sobre a geologia e a geomorfologia dos terrenos quaternários inseridos na planície costeira do município, a partir da interpretação de imagem TM-Landsat7 ETM+ e da análise morfométrica do relevo calcada na interpretação de cartas topográficas. Culminou na elaboração de um mapa de Unidades Fisiográficas. Essas informações deram suporte a trabalhos posteriores relacionados à compartimentação fisiográfica dos terrenos inseridos no contexto do município de Cananéia-SP e ao comportamento geotécnico desses terrenos. 2. ÁREA DE ESTUDO O município de Cananéia, Litoral Sul do Estado de São Paulo é parte intergrante da região adminstrativa de Registro (IBGE, 2000) e município limítrofe com o Estado do Paraná. Porção significativa do município encontra-se, geomorfologicamente, na Província Costeira (IPT, 1981) e é formada por planícies aluviais, planícies de maré terraços marinhos e cordões litorâneos (Figura 1). Inserem-se aí areias marinhas, sedimentos areno-argilosos fluviolagunares, de fundo de baía e de mangues atuais, relacionados à formação Cananéia (Suguio & Martin, 1976). *Financiado pela FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO-FAPESP

2 3. MATERIAIS Para a elaboração do trabalho utilizou-se, além dos equipamentos de uso corriqueiro em campo, como GPS e câmera fotográfica, as folhas topográficas SG22-X-B-VI-4, SG22-X-D- III-4, SG22-X-D-III-2, SG23-V-C-I-1, SG23-V-A-IV-3, SG23-V-A-IV-4 elaboradas pelo IBGE entre 1973 e 1974 e pela DSG em 1971, uma imagem em papel do TM-Landsat7 ETM+, de 21/04/2000, 4R5G2b e Pan, escala 1: e bibliografia de apoio representada pelos mapeamentos geológicos e geomórfológicos em escalas 1: elaboradas por Ramalho (1974) no âmbito do Projeto SUDELPA e 1: elaboradas pelo Instituto Tecnológico de Pesquisas do estado de São Paulo-IPT (1981). Figura 1- Localização da área de estudo. 4. MÉTODO As primeiras informações referentes à geologia e geomorfologia da área estudada partiram da consulta bibliográfica e compilação dos dados. Assim, foram referência os trabalhos do IPT (1981 a e b) e Ramalho (1974). Em sequência, deu-se a intepretação visual dos elementos de relevo e drenagem da imagem do TM-Landsat7 ETM+, em acordo com as orientações de Veneziani e Anjos (1982). Essa metodologia já fora testada em trabalhos realizados por Vedovello (1993;2001). Uma etapa terceira foi representada pelas atividades de campo, intercaladas com os mapeamentos efetuados em laboratório. A etapa de campo foi fundamental para a calibragem das informações. Em conclusão a essas etapas, foram definidas as classes hieráquicas de mapeamento: Zona Morfológica, Domínio Geológico, Subzona Morfológica e Unidades, com expressão espacial apresentada sobre a forma de um mapa.

3 4.1 Zona Morfológica Dada a necessidade em separar os terrenos sedimentares dos terrenos cristalinos no âmbito do município considerado, foram classificadas duas Zonas Morfológicas. Uma delas foi a Zona de Planície. Essa Zona engloba terrenos locados entre as cotas de 20 metros e o nível do mar. Apresenta, em alguns setores, processos de deposição fluvial, sendo que, nesses pontos, o limite da Zona foi alterado para cotas superiores a 20 metros, chegando até a 40 metros. 4.2 Domínios Geológicos Os Domínios Geológicos representaram o contexto geológico local, embasado nos trabalhos do projeto SUDELPA (1974) e do IPT (1981) com calibragem e ajuste das informações em campo. Assim, foram mapeados quatro Domínios Geológicos, constituídos por depósitos de colúvio/talus, depósitos marinhos, depósitos fluviais e depósitos fluvio-marinhos. 4.3 Subzonas Morfológicas Expressaram as características das formas presentes na zona morfológica em foco. Essas áreas compõem-se de: morros isolados, cordões litorâneos, terraços, depressões de planície, planícies aluvionares e praias. A relação entre a Zona Morfológica, os Domínios Geológicos e as Subzonas Morfológicas é apresentada na Tabela 1. Tabela 1 Relação entre as classes hierárquicas de mapeamento. Zona Morfológica Domínio Geológico Subzona Morfológica Depósitos de colúvio/talus Morros isolados Cordões litorâneos Planície Depósitos marinhos Terraços marinhos Depósitos fluviais Depressões de Planície Depósitos flúvio-marinhos Planícies aluvionares Praias A Zona Morfológica englobou todos os quatro Domínios Geológicos e cada um desses apresentou uma ou mais Subzonas Morfológicas. Essas últimas estão automaticamente subordinadas à classe hierarquicamente maior, a Zona Morfológica. 4.4 Unidades Nível hieráquico de grau mais inferior representou a menor porção do terreno onde as características texturais observadas na imagem mostraram-se semelhantes. Para sua identificação foram considerados cinco elementos de análise: densidade de drenagem, orientação dos elementos de textura, declividade e tonalidade, classificados de acordo com seus diferentes padrões Densidade de Drenagem Interpretada de forma qualitativa, representa a quantidade de canais de drenagem por área analisada. Foi classificada em: muito alta, alta, média, baixa e muito baixa.

4 4.4.2 Orientação dos Elementos de Textura Os elementos de textura foram representados pelo relevo e pela drenagem. As classes de análise consideradas foram: muito orientada, orientada, pouco orientada e não orientada Declividade Inferida de forma qualitativa, foi considerada tendo como base a interpretação da proximidade das curvas de nível das folhas topográficas. Suas classes foram definidas como: alta, média e baixa Tonalidade A tonalidade foi o elemento diferenciador entre algumas subzonas morfológicas. Tonalidades mais escuras diferenciaram, por exemplo, terraços de planícies aluvionares. 5. RESULTADOS Como resultado da aplicação dessa técnica de mapeamento, obteve-se a subdivisão do terreno em Unidades Fisiográficas, tal como apresentado na Figura 2. Figura 2 Unidade Fisiográfica decorrente de mapeamento da Zona Morfológica de Planície, município de Cananéia-SP. Aliados a outros resultados adquiridos no mapeamento das porções do terreno locadas em outra Zona Geomorfológica, de Planalto, subsidiaram trabalho posterior, relacionado à compartimentação fisiográfica dos terrenos inseridos no contexto do município de Cananéia, desenvolvido por Oliveira et al. (2007).

5 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Ab Saber, A. N., Fundamentos da Geomorfologia Costeira do Brasil Atlântico Inter e Subtropical. Revista Brasileira de Geomorfologia, São Paulo, v.1, n.1, p Ab Saber, A. N., O Ribeira do Iguape: uma setorização endereçada ao planejamento regional. Boletim Técnico SUDELPA, São Paulo, n 1, p Fúlfaro, J. V., Suguio, K. & Ponçano, W. L., A gênese das planícies costeiras paulistas. In: XXVIII Congresso Brasileiro de Geologia. Anais Porto Alegre, SBG, p Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, Censo demográfico 2000 Malha digital municipal do Brasil, Disponível em Acesso em 22 de abril de Instituto de Pesquisas Tecnológicas do estado de São Paulo-IPT, Mapa Geológico do estado de São Paulo. IPT, v. 1, São Paulo. Escala 1: Instituto de Pesquisas Tecnológicas do estado de São Paulo-IPT, Mapa Geomorfológico do estado de São Paulo. IPT, v. 1, São Paulo. Escala 1: Martin, L. & Suguio, K., 1976 O quaternário marinho do litoral do estado de São Paulo. In: XXIX Congresso Brasileiro de Geologia. Anais Ouro Preto, SBG, p Oliveira, T. A. et al, Utilização de técnicas de fotointerpretação na compartimentação fisiográfica do município de Cananéia, SP apoio ao planejamento territorial e urbano. Geociências, UNESP, São Paulo, v. 26, n, 1, p Ramalho, R., Planejamento minerário na ocupação do solo em área de atuação da SUDELPA. Anexo 1, Geomorfologia, CPRM. Souza, C.R. de G., Ambientes sedimentares de planície costeira e baixa-média encosta em Bertioga (SP). In: XI Congresso da Associação Brasileira de Estudos do Quaternário ABEQUA, Belém, PA, 4 a 11 de novembro de Anais..., CD-ROM. Souza, C. R. de G. & Luna, G.C., Unidades quaternárias e vegetação nativa de planície costeira e baixa encosta no litoral Norte de São Paulo. Revista do Instituto Geológico, 29 (1/2): p (também disponível em: Suguio, K. & Martin, L., Mecanismos de gênese das planícies sedimentares quaternárias do litoral do estado de São Paulo. In: XXIX Congresso Brasileiro de Geologia. Anais...Ouro Preto, SBG, p Vedovello, R., Zoneamento geotécnico, por sensoriamento remoto, para estudos de planejamento do meio físico aplicação em expansão urbana. Dissertação (Mestrado). Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais-INPE, São José dos Campos, 90 p. Vedovello, R., Zoneamentos geotécnicos aplicados à gestão ambiental, a partir de Unidades Básicas de Compartimentação-UBCs. Tese (Doutorado). Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 154 p. Veneziani, P. & Anjos, C. E., Metodologia de interpretação de dados de sensoriamento remoto e aplicações em geologia. São José dos Campos, INPE, 54 p.

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