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1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS UNICAMP ANÁLISE DOS CONFLITOS ENTRE ÁREAS DE USO E OCUPAÇÃO DOS SOLOS E ÁREAS DE CONSERVAÇÃO NO MUNICÍPIO DE ILHA COMPRIDA (SP). Viviane Gomes de Araújo INTRODUÇÃO O presente trabalho está sendo realizado a partir de um projeto de iniciação científica. Seu início se deu em abril de 2014 e está em desenvolvimento, com prazo para término até abril de Vimos que a crescente ocupação do espaço costeiro e sua utilização econômica geraram e continuam gerando impactos, cuja somatória tende a provocar alterações que levam a degradação da paisagem e dos ecossistemas, podendo chegar a própria inviabilização das atividades econômicas. Desperta-se na sociedade a convicção da necessidade de através da pesquisa científica e de ações de gerenciamento, monitoramento e educação ambiental, encontrar uma situação de equilíbrio entre uso e preservação do meio ambiente (MUEHE, 1998). A concentração de atividades degradantes localizadas em uma área costeira gera o aumento da fragilidade ambiental expondo problemas que necessitam de atenção e cuidados especiais por parte das autoridades públicas e da sociedade. Situação semelhante pode ser observada em nossa área de estudo, Ilha Comprida, litoral sul de São Paulo. Sabemos que as intensas atividades desenvolvidas pela ação humana nos litorais alteram as dinâmicas e processos ambientais da região, resultando em diversos problemas sociais e ambientais. Afonso (1999), afirma que: os padrões ocupacionais, ao invés de permitirem o desenvolvimento sustentável, tem causado um quadro de degradação ambiental mais grave quanto mais intensa a utilização humana. Ou seja, os

2 padrões atuais de desenvolvimento aliados à intensa atividade industrial e urbana provocam desmatamentos, destinação incorreta do lixo, falta do tratamento de efluentes, assim como outros danos que causam grandes desequilíbrios ambientais em uma área que já apresenta em razão de sua gênese níveis diversos de fragilidade. Nas últimas décadas, por conta deste conflito entre os impactos da ocupação humana e a conservação da biodiversidade, áreas naturais protegidas estão sendo criadas como medida de preservação e conservação dos ecossistemas. A busca de novas alternativas de ocupação em conjunto a conscientização individual e ao cumprimento da legislação ambiental são passos fundamentais para a minimização dos efeitos impactantes da ação antrópica ao meio e vem sendo cada vez mais procuradas. As unidades de conservação são áreas naturais protegidas pelo poder público e/ou pela iniciativa privada, destinadas à conservação da biodiversidade e outros fins. A criação destas unidades de conservação vem se constituindo atualmente em uma das principais formas de intervenção governamental, cujo objetivo visa reduzir as perdas da biodiversidade face à degradação ambiental imposta pela sociedade. (Vallejo, 2003) O crescimento da consciência popular diante das questões ecológicas globais ampliou o número de pessoas participantes nas discussões sobre qualidade de vida humana e sobre o meio ambiente. Conforme houve aumento no engajamento acerca de questões ambientais, as unidades de conservação passaram também a ser mais discutidas e avaliadas em vários âmbitos da sociedade. Além disso, observa-se maior pressão por parte da sociedade junto aos governos para a constituição de novas políticas conservacionistas. Cada vez mais, dentro de um contexto de degradação do meio ambiente, o estudo das áreas de conservação ganha importância e assume relevância para a preservação do meio ambiente. Isso o torna um interesse para a sociedade em geral, visto que possibilita maior clareza sobre os reflexos dos impactos humanos na natureza. A partir do avanço das pesquisas, podem-se gerar alternativas para minimizar os impactos ambientais causados pela ação antrópica, assim como incentivar em uma

3 maior reflexão sobre os atuais conflitos entre áreas de unidades de conservação e áreas de uso diverso pelo homem. Espera-se que com o conjunto de procedimentos que serão realizados neste trabalho de iniciação científica seja possível levantar dados que permitam discussão sobre a complexa relação das legislações ambientais e os dinâmicos processos de apropriações humanas das paisagens da área de estudo. OBJETIVOS O objetivo principal desta pesquisa é diagnosticar a partir de construção e análise cartográfica, bibliográfica e através de visitas a campo, os conflitos entre formas de uso humano da paisagem e unidades de conservação do município de Ilha Comprida (SP). Para isso o levantamento do histórico de ocupação geral do município de Ilha Comprida (SP) se torna imprescindível, pois posteriormente será confeccionado o primeiro mapa temático que abordará as formas de uso atuais do município de Ilha Comprida (SP). O segundo mapa temático a se produzir abordará as unidades de conservação do município de Ilha Comprida (SP) e o terceiro mapa abordará documentação cartográfica síntese, sendo este último o responsável por demonstrar a correlação entre o uso e as áreas de unidades de conservação, definindo quais são os principais limites de conflitos existentes na área. METODOLOGIAS O trabalho irá inicialmente realizar ampla revisão bibliográfica sobre os processos gerais de apropriação humana da natureza no município de Ilha Comprida e das legislações de uso da terra, sobretudo o levantamento de eventuais leis municipais e

4 da nova edição do Código Florestal. Seguido a este procedimento inicial será realizado trabalho de campo para fins de reconhecimento geral da área. Após os trabalhos iniciais será realizada a elaboração de material cartográfico temático. Serão elaborados três mapas temáticos distintos. O primeiro abrangerá delimitar as principais categorias de uso e ocupação dos solos no município de Ilha Comprida. O segundo incluíra delimitar os diversos tipos de áreas com restrições legais ambientais de usos, tais como APPS (Áreas de Preservação Permanente), ecossistemas de manguezais ou reservas ecológicas particulares, dentre outros e por fim o mapa síntese pretende apresentar a correlação entre a informação levantada na produção anterior e a delimitação de áreas críticas onde os conflitos de uso se mostram aparentes. A fonte primária dos dados para confecção do material cartográfico será o conjunto de imagens de satélite IKONOS de 2010 com resolução de 5 metros, a mesma em que serão elaborados os mapas temáticos. As imagens em questão serão digitalizadas e inseridas em Sistema de Informações Georreferenciadas (SIG) onde por meio do software Arcgis serão usadas como base para confecção do material mencionado. Ambos os mapeamentos serão realizados por meio da classificação não supervisionada de imagens (Crosta, 1993). A classificação não supervisionada envolve a correlação manual de padrões registrados nas imagens e tipos de usos afins. Face tamanho diminuto e relativa heterogeneidade da área de estudo (Papy, 1957) não consideramos necessário ou adequado o uso de classificação supervisionada, onde procura-se atribuir valores espectrais característicos a categorias a serem delimitadas. Uma vez concluídos os dois primeiros mapas, será realizada a comparação entre eles. Buscaremos identificar áreas de sobreposição de restrições de usos ambientais e de ocupação humana já efetivada. A sobreposição dos dois conjuntos dará origem a um terceiro mapa temático, no qual será possível identificar os segmentos onde imperam conflitos de uso.

5 Ao término das atividades de confecção cartográfica será realizada nova atividade de campo a fim de calibrar limites das categorias delimitadas e realizar registro fotográfico das áreas de conflito de uso identificadas. A região do Litoral Sul do Estado de São Paulo, que se encontra localizada na província costeira do Estado de São Paulo, apresenta uma diversidade de uso e ocupação da terra desde longa data. Foi uma das primeiras regiões a ser colonizadas pelos portugueses, que sob um modelo de apropriação do espaço tem como resultado níveis diversos de desequilíbrio ambiental. RESULTADOS PRELIMINARES A Ilha Comprida apresenta ambientes de elevada fragilidade ambiental, como manguezais, campo de dunas e vegetação de restingas. Segundo Souza (2013), as maiores alterações nas classes de uso do solo de Ilha Comprida estão associadas ao crescimento da área urbana, que resultou na retirada de vegetação de restinga, no aumento de áreas ocupadas por gramíneas e surgimento de manchas de solo exposto. A situação do município tende a piorar cada vez mais já que em épocas de alta temporada, nas quais a população local tende a triplicar, os impactos ambientais gerados por lixos urbanos e esgotos domésticos tendem a atingir intensidades significativamente altas, se não forem administrados corretamente. (LIMA, 2013) A preservação destes elementos naturais constituintes da paisagem natural da Ilha Comprida é resultante da Área de Proteção Ambiental APA Ilha Comprida, através do Decreto Estadual nº , de 11 de março de É importante ressaltar ainda que conforme o artigo primeiro do decreto de criação da APA nº de 1987: É declarada Área de proteção Ambiental todo o território de Ilha Comprida nos municípios de Iguape e Cananéia, respeitada a legislação municipal. O fato de todo o território ter sido declarado como APA

6 representa um caso único no Brasil e determinou alguns problemas de ordem política e social no desenvolvimento local. (Brasil. Decreto Estadual n , de 11 de março de 1987.). A criação da APA Ilha Comprida gera conflitos com relação ao uso e ocupação da terra, pois sua existência, voltada para a conservação dos recursos naturais, impede ou dificulta a realização de atividades econômicas que podem ser responsáveis pelo desenvolvimento econômico do município (BECEAGATO; SUGUIU, 2007). Mesmo com a delimitação da APA em Ilha Comprida foi possível observar conflitos. A partir das visitas a campo realizadas na região da área de estudo e a leitura de alguns trabalhos sobre o tema, identificamos que existe conflito entre as áreas de uso e ocupação com as áreas de preservação ambiental em Ilha Comprida. Porém ainda precisamos desenvolver mais a pesquisa para podermos afirmar isto com mais clareza através dos dados que serão conseguidos através da aplicação da metodologia prescrita neste projeto de iniciação cientifica. Em suma, o trabalho está em fase inicial, por isso ainda não foram feitas grandes conclusões acerca do tema proposto, mas a identificação e observação desses conflitos de uso e ocupação com áreas de preservação já indicam que a pesquisa se justifica e que o restante das atividades propostas na metodologia da mesma serão importantes para discussões posteriores e sua conclusão final. BIBLIOGRAFIA AFONSO, C. M.; Uso e ocupação do solo na zona costeira do Estado de São Paulo: uma analise ambiental. São Paulo: Edusp, 1999.

7 BECEGATO, J. L.; SUGUIU, K. Impacto ambiental antrópico na APA (Área de Proteção Ambiental) da Ilha Comprida (SP): da pré história à atualidade. Revista UnG Geociências, v. 6, n.1, p , BRASIL. Decreto estadual n 26881/1987, Criação da APA de Ilha Comprida. Disponível em Acesso em Junho de CROSTA, A. P.; - Processamento Digital de Imagens de Sensoriamento Remoto. Ed. Rev. -Campinas, SP: IG/UNICAMP, LIMA, C. O.; A criação da APA de Ilha Comprida e seus desdobramentos no atual processo de desenvolvimento local. Trabalho apresentado no 14º EGAL Encontro de Geógrafos da América Latina, MUEHE, G. de C.; O Litoral Brasileiro e sua Compartimentação IN: CUNHA, S.B. e GUERRA, A. Geomorfologia do Brasil, Rio de Janeiro, Bertrand Brasileiro, PAPY, L.; A margem do Império do café - a fachada atlântica de São Paulo. Boletim Geográfico, ano 15, n. 137, p , SOUZA, T. A.; Análise das Alterações de Uso da Terra no Trecho Nordeste do Município de Ilha Comprida (SP). Trabalho apresentado no XV Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada, VALLEJO, L. R.; Unidades de Conservação: Uma Discussão Teórica à Luz dos Conceitos de Território e de Políticas Públicas. GEOgraphia (UFF), Rio de Janeiro, v. Ano 4, n.nº 8, p , 2003.

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