SUPERANDO A DEPRESSÃO RESUMO

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1 SUPERANDO A DEPRESSÃO Andreza do Ouro Corrêa - Mayara Cristina Costa Mariângela Pinto da Silva Gislaine Lima da Silva - Curso de Psicologia Unisalesiano/ Lins RESUMO Experiência de Estágio de Núcleo Básico III no Centro de Referência e Assistencial Social para pessoas com Depressão. OBJETIVO: Amenizar, encarar o problema e viver de forma mais agradável. METODOLOGIA: entrevistas, dinâmicas e informações. RESULTADOS E DISCUSSÃO: mudanças no comportamento nos encontros e na família. Melhora na capacidade de se expressar e no humor. Diminuição da agressividade com a família. Ampliação da visão das possibilidades de trabalho. A participação em grupo e a troca de experiências proporcionaram mudanças no comportamento. Nesse grupo a depressão está relacionada com as perdas familiares, infância com pais agressivos, perda de emprego. PALAVRAS CHAVE: Depressão, CRAS (Centro de Referência e Assistência Social), Grupo. INTRODUÇÃO O Estágio de Núcleo Básico III realizou-se no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). O CRAS é a unidade básica de atendimento e promoção de ações do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). É a porta de entrada do cidadão à rede de proteção social básica. Trabalha na perspectiva da prevenção e minimização e/ou superação das desigualdades sociais. Os serviços desenvolvidos no CRAS funcionam por meio de uma rede básica de ações articuladas e serviços próximos à sua localização. Cada unidade do CRAS conta com: coordenador, assistentes sociais, psicólogos e auxiliar administrativo. Todo o trabalho visa promover a emancipação social das famílias, devolvendo a cidadania para cada um de seus membros. O CRAS desenvolve ações de inclusão sócio-familiar-comunitário por meio de: Acolhida e recepção; Escuta e encaminhamento; Oficinas de geração de renda; Grupos diversos (criança, adolescente, adulta e idosa); Dentre outros 1/5

2 No Estágio de Núcleo Básico III considerou-se a demanda da instituição de realizar um projeto para trabalhar com um grupo de pessoas que sofrem com o mesmo problema, chamado Depressão. Depressão é uma doença que se caracteriza por afetar o estado de humor da pessoa, deixando-a com um predomínio anormal de tristeza. Todas as pessoas, homens e mulheres, de qualquer faixa etária, podem ser atingidas, porém mulheres são duas vezes mais afetadas que os homens. Em crianças e idosos a doença tem características particulares, sendo a sua ocorrência em ambos os grupos também freqüente. Na depressão como doença (transtorno depressivo), nem sempre é possível haver clareza sobre quais acontecimentos da vida levaram a pessoa a ficar deprimida, diferentemente das reações depressivas normais e das reações de ajustamento depressivo, nas quais é possível localizar o evento desencadeador. (KOCH; ROCHA, 2001) As causas de depressão são múltiplas, de maneira que somadas podem iniciar a doença. Deve-se a questões constitucionais da pessoa, com fatores genéticos e neuroquímicos (neurotransmissores cerebrais) somados a fatores ambientais, sociais e psicológicos, como: estresse, estilo de vida e acontecimentos vitais, tais como crises e separações conjugais, morte na família, climatério, crise da meia-idade, entre outros. De início, pode-se descrevê-la a partir do exterior, por meio duma observação clínica, antes de entrar no interior do deprimido. O termo depressão não designa uma doença única, mas um número variado de doenças ou estados psíquicos. Contudo podemos descrever a estrutura da síndrome de depressão: o estado psíquico invade a totalidade da pessoa, seu pensamento, sua vontade, seus sentimentos, sua personalidade (GELLMAN, p. 11, 1983). A Depressão é, portanto, uma doença afetiva ou do humor, não é simplesmente estar na "fossa" ou com "baixo astral" passageiro. Também não é sinal de fraqueza, de falta de pensamentos positivos ou uma condição que possa ser superada apenas pela força de vontade ou com esforço. As pessoas com doença depressiva (estima-se que 17% das pessoas adultas sofram de uma doença depressiva em algum período da vida) não podem, simplesmente, melhorar por conta própria e através dos pensamentos positivos, conhecendo pessoas novas, viajando, passeando ou tirando férias. Sem tratamento, os sintomas podem durar semanas, meses ou anos. O tratamento adequado, entretanto, pode ajudar a maioria das pessoas que sofrem de depressão. A pessoa deprimida sabe e tem consciência das coisas boas de sua vida, sabe que tudo poderia ser bem pior, pode até saber que os motivos para seu estado sentimental não são tão importantes assim, entretanto, apesar de saber isso tudo e de não desejar estar dessa forma, continua muito deprimido. (BALLONE, 2010) Considerando que o objetivo do CRAS não é apenas suprir e prestar assistência material, financeira aos indivíduos em condições precárias, de alta vulnerabilidade, mas o principal é promover a saúde em todos os aspectos, possibilitando que os indivíduos sintam-se em condições para continuar tendo uma vida mais digna propôs-se a intervenção em grupo. As intervenções psicoterápicas podem ser de diferentes formatos, como psicoterapia de apoio, psicodinâmica breve, terapia interpessoal, comportamental, cognitiva comportamental, de grupo, de casais e de família. Fatores que 2/5

3 influenciam no sucesso psicoterápico incluem: motivação, depressão leve ou moderada, ambiente estável e capacidade para insight. Mudanças no estilo de vida deverão ser debatidas com cada paciente, objetivando uma melhor qualidade de vida. (SOUZA, s/n, 1999). Este projeto voltado especialmente para pessoas em crise de depressão proporcionou um espaço dirigido para que elas compartilhassem experiências de vida e o direito de tentarem resgatar uma boa auto-estima, recuperando assim a vontade de viver. OBJETIVO GERAL Ajudar as pessoas com depressão a amenizar este problema, contribuindo para que possam ter um bem-estar e melhorar auto-estima, podendo viver no meio social de uma forma mais aprazível. OBJETIVO ESPECÍFICO Oferecer oportunidade de mudança com relação a sua condição. Apresentar um espaço agradável para que cada um possa expressar o seu problema com a depressão. Apresentar aos participantes informações sobre a depressão, de uma maneira simplificada e orientação quanto às instituições e profissionais para acesso ao tratamento. Resgatar nos praticantes a percepção que foi perdida de si mesmos, do mundo e principalmente do outro. METODOLOGIA Para formar o grupo utilizou-se de entrevistas para conhecer as participantes e avaliar a possibilidade de serem inseridas no grupo específico sobre depressão. No desenvolvimento do grupo empregou-se dinâmicas, dentre as quais com o objetivo de fazer com que cada participante do grupo pudesse ter seu espaço e se sentir a vontade de expressar e de dividir seu problema mediante a depressão. Também se utilizou de recursos para que pudesse resgatar a percepção do depressivo perante o mundo. O projeto foi desenvolvido com um grupo com 07 participantes. Os grupos foram realizados uma vez por semana com duração de 2 horas. A média da faixa etária dos participantes do grupo é de 25 a 40 anos de idade. A maioria possui o estado civil de casado e tem filhos. Alguns já fazem tratamentos. Cronograma 1ª Sessão: Apresentação 2ª Sessão: Caixinha de Sugestões 3ª Sessão: Percepção de Si e do Outro 4ª Sessão: Juventude e Comunicação 3/5

4 5ª Sessão: Balão de Mensagens 6ª Sessão: Uma simples Confraternização RESULTADOS E DISCUSSÃO: Conheceu-se a história de vida de cada participante relacionada às perdas como o falecimento do marido de uma das participantes e a dificuldade de elaborar o luto; uma participante que relatou ter Depressão Bipolar; outra relatou que teve uma infância difícil com o pai severo e agressivo e percebeu que descontava na filha agredindo-a; uma participante que não encontra apoio familiar para lidar com a doença e um único participante do sexo masculino que se encontrava desempregado. A participação de todos durante as dinâmicas foi colaborativa para melhor desenvolvimento do grupo e também das discussões na apresentação das informações sobre depressão. Discutiu-se a questão da importância da família, de tentar manter um vínculo familiar positivo com amor, respeito, fé, solidariedade, companheirismo e outros valores e sentimentos. A conscientização de que a família não é perfeita. Falou-se também da importância de lutar para alcançar um objetivo, mesmo quando algumas situações externas não favoreçam a caminhada de cada um. Ocorreram mudanças de comportamento no grupo perceptíveis ao longo do seu desenvolvimento e no convívio familiar. Uma das participantes que chegou chorosa e sem conseguir se expressar, no final já conseguiu se expressar e até sorrir das situações. Outra participante que descontava as frustrações na filha agredindo, relatou que parou de agredi-la. Um participante que estava desempregado percebeu que estava se restringindo a procurar na cidade onde morava e aceitou uma proposta de trabalho em outra cidade. A participação em grupo e a troca de experiências proporcionaram um olhar diferenciado e mudanças no comportamento mesmo quando as pessoas têm uma doença como a depressão. Nesse grupo a depressão está relacionada com as perdas familiares, problemas na infância com pais agressivos, perda de posição social (emprego). A avaliação realizada foi positiva e gerou sugestões de continuar o trabalho em grupo com outros temas como auto-estima para poder incluir um maior número de pessoas participantes, considerando que o tema depressão só permite a participação de pessoas com depressão. A depressão sendo considerada uma doença da contemporaneidade torna importante um trabalho ético e efetivo do psicólogo no sentido de proporcionar a possibilidade de conhecer a doença e alternativas comportamentais que minimizem os efeitos do problema e contribuam com a melhora do quadro e da qualidade de vida dos participantes do grupo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ANDREOLA, B. A. Dinâmica de Grupo: Jogo da Vida e Didática do Futuro. 5ª Edição. Petrópolis: Vozes, /5

5 BALLONE, G. J. Perguntas Sobre Depressão. São Paulo, [2010]. Disponível em: < >. Acesso em: 16 de Fevereiro de COUTINHO, M. P. L. As Representações Sociais da Depressão em Adolescentes no Contexto do Ensino Médio. Estudos de Psicologia (Campinas) vol.23, nº. 1. Campinas Jan./Mar GELLMAN, C. Como Compreender a Própria Depressão. São Paulo: Edições Loyola, KOCH, A. S. Dra.; ROCHA, D. D. Dra. ABC da Saúde - Depressão. São Paulo, 01 de Novembro de Disponível em: <http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?102>. Acesso em: 15 de Fevereiro de SOUZA, F. G. de M. Tratamento da depressão - Revista Brasileira de Psiquiatria, vol.21 s.1 São Paulo Maio, YOZO, R. Y. K. 100 Jogos Para Grupos Uma Abordagem Psicodramática Para Empresas, Escolas e Clínicas. São Paulo: Editora Ágora, /5

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