Diagnóstico das Áreas de Gestão, Qualidade e Ergonomia: Estudo de Caso em MPEs do Arranjo Produtivo Local de Confecção de Maringá

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1 Diagnóstico das Áreas de Gestão, Qualidade e Ergonomia: Estudo de Caso em MPEs do Arranjo Produtivo Local de Confecção de Maringá Ariana Martins Vieira (UEM) - Henrique Mello (UEM) Isabela Silva Gerin (UEM) Júlia Soares (UEM) Maria de Lourdes Santiago Luz (UEM) Renan Megiani (UEM) Resumo Este artigo relata os principais resultados coletados por meio do diagnóstico realizado em Micro e Pequenas Empresas (MPEs) inscritas no projeto Introdução de práticas de inovação contínua nas Micro e Pequenas Empresas do Arranjo Produtivo Local (APL) do Vestuário de Maringá. O projeto está vinculado ao Programa Universidade sem Fronteiras: Extensão Tecnológica Empresarial, fruto de uma ação articulada entre o Governo de Estado do Paraná, através da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e a Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná. O diagnóstico foi realizado nas áreas de gestão da produção, qualidade e ergonomia. Como base para a elaboração dos questionários foi utilizado o modelo de check list de Moura (1998) e o Programa D-olho na Qualidade do Sebrae de Oliveira (1997). O desenvolvimento da pesquisa de campo caracterizou-se como exploratória e descritiva. O escopo deste trabalho restringiu o diagnóstico ao nível operacional. Pode-se observar na obtenção e análise dos dados que as MPEs apresentam uma carência de gestão nas três áreas de atuação do projeto. Entretanto, como preliminar; a ação se iniciará principalmente nas áreas de gestão da produção e utilização dos 5 sensos. Conclui-se que as empresas inscritas no projeto não apresentam uma sistemática de inovação tecnológica e ações de inovação ou melhoria contínua, o que vem a viabilizar a implantação destas ações de forma a contribuir com o desenvolvimento do APL. Neste sentido, ações de melhorias podem estimular a cooperação e o fortalecimento do arranjo produtivo, através da implantação dos módulos de atendimento. 1. Introdução A partir da interação prévia dos pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá com dois atores de governança local (SEBRAE/PR e SINDIVEST) e empresários do setor do vestuário, desenvolveu-se um projeto com o propósito de introduzir ações de inovação ou tecnologias de gestão da produção, qualidade e ergonomia. O projeto denominado Introdução de práticas de inovação contínua nas Micro e Pequenas Empresas (MPEs) do arranjo produtivo local do vestuário de Maringá visa estimular a cooperação empresarial e promover a inovação contínua nos processos de gestão empresarial e manufatura das Micro e Pequenas Empresas do arranjo produtivo do setor do vestuário. As ações de inovação e melhoria contínua ou tecnologias têm como premissa atender as necessidades demandadas que as MPEs enfrentam nas áreas de gestão empresarial e manufatura. Este trabalho propõe apresentar os principais resultados diagnosticado junto às 1

2 MPEs nas áreas de gestão da produção, qualidade e ergonomia. A proposta está limitada às atividades inseridas na etapa de planejamento do plano de ações tecnológicas, cujo objetivo está na caracterização das empresas inscritas no projeto e a elucidação das ações de extensão e inovação tecnológica. 2. Metodologia O público alvo deste projeto de extensão tecnológica empresarial se restringe às MPEs do APL do vestuário de Maringá e região. A seleção desse arranjo produtivo foi realizada em função de alguns critérios: 1) existe a oportunidade de integrar conhecimentos desenvolvidos na universidade (ofertas de tecnologias) com as demandas de tecnologias das MPEs localizadas no arranjo produtivo de Maringá; 2) esforços foram realizados pelos participantes para integrar as demandas e ofertas tecnológicas e 3) o domínio de atuação dos pesquisadores está relacionado com as demandas de tecnologias que promovem o desempenho nas áreas de gestão empresarial, produção e qualidade das MPEs. O diagnóstico foi realizado em vinte empresas: uma em Astorga, uma em Umuarama, uma em Marialva, seis em Cianorte e onze em Maringá. Todas localizadas na região noroeste do estado do Paraná. O tipo de abordagem da metodologia possuiu um caráter qualitativo e seu desenvolvimento pode ser dividido em duas etapas. A primeira sendo exploratório e descritivo - escopo deste artigo através da pesquisa de campo. A segunda etapa da pesquisa pode ser classificada como aplicada, pois tem como objetivo a aplicação prática dos conhecimentos para a solução do problema a partir da validação da proposta a partir de uma pesquisa-ação. 3. Planejamento do plano de ações tecnológicas Nesta etapa, foi elaborado um diagnóstico empresarial no arranjo produtivo. Esta atividade foi realizada em parceria com o SINDVEST e SEBRAE-PR. O projeto foi divulgado entre os associados do sindicato, no período de janeiro e fevereiro de 2009 e os interessados receberam as visitas técnicas da equipe do projeto, neste período. As técnicas utilizadas para a coleta de dados foram feitas por meio de questionário/check-list, entrevistas, observações diretas no chão de fábrica e análise documental, compreendendo os meses de março a abril de O questionário foi estratificado em três áreas: gestão da produção, gestão da qualidade e ergonomia/segurança do trabalho. Como base para a elaboração dos questionários foi utilizado o modelo de check list de Moura (1998) e o Programa D-olho na Qualidade do Sebrae de Oliveira (1997). Através do diagnóstico foi possível identificar as carências tecnológicas por empresa e a realização de propostas para o plano de ações de inovação. A entrevista e a aplicação do questionário ocorreram em todas as empresas simultaneamente. Em cada empresa, foi designado um funcionário responsável por receber a equipe técnica para acompanhamento, fornecimento de dados e contato. Com base no resultado da análise dos diagnósticos, foi desenvolvido pelos pesquisadores, um fluxograma com os módulos de atuação para elaboração do plano de ação. Cada empresa terá, inicialmente, um módulo como prioridade para implantação e os outros módulos serão implantados de acordo com a especificidade de cada empresa. 2

3 4. Resultados e considerações finais Conforme ilustra o Quadro 1, a maioria das empresas apontam a existência de um setor de PCP, porém, conforme constatado, nota-se que estas não apresentam um setor formalizado de PCP, mas sim um controle informal do sistema produtivo, apresentando carências de softwares específicos e métodos produtivos explícitos para este setor. Outra característica detectada no diagnóstico, está na carência de conhecimento, utilização e implantação de teorias de gestão e inovação nas diferentes áreas da produção. Isto se deve a falta de informações e referências para aplicação de técnicas de gestão baseada na filosofia JIT e metodologias como Kanban, TQM (Gerenciamento de Qualidade Total), certificações como ISO 9000, programas de melhorias contínuas Kaizen, CEQ (Controle Estatístico de Qualidade), entre outras. Neste contexto, somente duas empresas utilizam estes métodos, sendo que uma utiliza a ferramenta Kanban e outra a gestão da produção baseada na filosofia JIT. Pouco mais da metade das empresas fazem controle de matéria-prima, o que demonstra a necessidade de melhor planejamento e controle da produção das empresas visitadas. Quanto aos prazos de entrega, nota-se que 50% das empresas não atendem estes prazos devido a falta de planejamento da produção e de insumos, aliado a falta de critérios no estabelecimento da programação de entrega visando o comprometimento como estratégia. O Quadro 1 destaca os fatores relevantes em relação a área Gestão da Produção. Questões na área de Gestão da Produção Possui setor de PCP 65% 35% Utiliza algum modelo de gestão 10% 90% Controle de matéria-prima 65% 35% Atendimento aos prazos de entrega 50% 50% Quadro 1- Diagnóstico de Gestão da Produção. Diante das vinte empresas diagnosticadas, 45% realizam algum tipo de qualificação e capacitação para os funcionários. Sendo que a maioria destas qualificações são realizadas na empresa, com o apoio dos encarregados; utiliza-se também de cursos oferecidos pelo Sebrae, Sindvest e por consultores locais. A questão do diagnóstico referente aos Programas de Qualidade tais como: PDCA, Controle da Qualidade, Programa 5 Sensos e Defeito Zero, adotados pelas empresas participantes do projeto foi nula. Observa-se que este resultado está relacionado ao porte das empresas que carecem de uma infra-estrutura suficiente e mão-de-obra qualificada. Outro aspecto está na falta de conhecimento desses programas e ausência de treinamentos para tal, uma vez que esses programas são desenvolvidos para empresas de grande porte. Diante da realidade destas indústrias, este projeto pretende contribuir para que seja feita uma implantação eficaz das tecnologias de inovação de acordo com a estrutura das empresas do arranjo produtivo. Apenas 10% das empresas estudadas utilizam indicador de desempenho, se restringindo apenas a produtividade. Elas não utilizam indicadores de desempenho como forma de auxiliar a gestão empresarial, constatado pela ausência de técnicas e métodos de gestão e atendimento aos prazos de entrega como forma de obtenção de informações para o melhoramento contínuo das mesmas. Observou-se que isto se deve ao fato dos empresários não conhecerem estes indicadores e também da falta de pessoas preparadas com instruções necessárias para 3

4 desenvolvê-los. O Quadro 2 destaca as principais questões a área Gestão da Qualidade. Questões na área de Gestão da Qualidade Qualificação dos funcionários 45% 65% Adota programas de qualidade 0% 100% Utiliza indicadores de desempenho 10% 90% Quadro 2- Diagnóstico de Gestão da Qualidade. O Quadro 3 apresenta os resultados de três das doze questões respondidas pelas empresas participantes quanto a área de Ergonomia e Segurança do Trabalho. A maioria dos funcionários das empesas fazem uso de Equipamentos de Proteção Individual EPIs, como luvas para o setor de corte, máscaras no setor de acabamento e protetores auriculares. Quanto as condições do ambiente de trabalho sentidas pelos funcionários, 40% das empresas tiveram resultados satisfatórios. Dentre as vinte empresas, 40% apontaram a temperatura como problema e 30% a ventilação. Apenas uma empresa apontou o ruído como fator de reclamação referente as condições ambientais de trabalho e uma ressaltou a iluminação. A equipe técnica observou que, as empresas de micro e pequeno porte não possuem o conhecimento específico na área de ergonomia. Pode-se analisar através do diagnóstico que a rotatividade de funcionários nas empresas é significativa, sendo que 70% sentem o impacto desta rotatividade em sua produtividade. A variação da produção foi apontado por 45% das empresas, neste caso, observou-se uma sazonalidade da produção tanto com admissão quanto a demissão de funcionários e também na realocação de funcionários entre setores, dentro da própria empresa, 25% pela falta de qualificação do funcionário principalmente no setor de costura e apenas 10% com o absenteísmo. O Quadro 3 destaca as principais questões analisadas. Questões na área de Ergonomia e Segurança do Trabalho Utilização de EPIs 45% 65% Necessidades do ambiente de trabalho 60% 40% Rotatividade 70% 30% Quadro 3- Diagnóstico de Ergonomia e Segurança do Trabalho. Pode-se observar na obtenção e análise dos dados do diagnóstico que as empresas apresentam uma carência de atuação nas três áreas do projeto. Entretanto, como preliminar; a ação se iniciará principalmente nas áreas de gestão da produção e utilização dos 5 sensos. A atuação no APL vem a contribuir de forma a organizar o ambiente de trabalho e também de conscientização dos empresários e funcionários quanto a uma sistemática de utilização dos recursos disponíveis de acordo com o porte da empresa, sejam estes recursos financeiros, operacionais, mão-de-obra, entre outros. Diante da análise dos dados coletados, constatou-se que inexistem técnicas e práticas precisas na gestão estratégica da produção. Conclui-se que as empresas inscritas no projeto não apresentam uma sistemática de inovação tecnológica e ações de inovação ou melhoria contínua, o que vem a viabilizar a implantação destas ações de forma a contribuir com o desenvolvimento do APL. Neste sentido, ações de 4

5 melhorias podem estimular a cooperação e o fortalecimento do arranjo produtivo, através da implantação posterior dos módulos compra coletiva, melhoria contínua e avaliação de desempenho. Referências MOURA, R. A. Check sua logística interna. São Paulo: Imam, OLIVEIRA, J.A.S. (coord.). D-olho na qualidade. Brasília: Ed. Sebrae,

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