História. As Capitanias Hereditárias. Professor Thiago Scott.

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1 História As Capitanias Hereditárias Professor Thiago Scott

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3 História AS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS (1534) A expedição de Martim Afonso de Sousa ( ) marca o início dessa nova fase. Patrulhar a costa, estabelecer uma colônia através da concessão não-hereditária de terras aos povoadores que trazia (São Vicente, 1532) e explorar a terra foram seus objetivos. Dom João III optou então pelo uso das Capitanias Hereditárias, 15 quinhões entregues aos capitães-donatários (pequena nobreza, burocratas e comerciantes, todos ligados com a Coroa. Entre os donatários, Martim Afonso, experiente navegador, Duarte Coelho, militar no Oriente, com êxito em Pernambuco, Jorge Figueiredo Correia, comerciante e escrivão e Pero do Campo Tourinho. Antes de 1532, Fernão de Noronha recebeu a primeira capitania no Brasil. Como o comércio com as Índias e com as ilhas do Atlântico era mais atrativo, a grande nobreza acabou não participando da ocupação inicial do território. 3

4 Recebendo a posse, e não a propriedade da terra, os donatários tinham extensos poderes econômicos (arrecadação de tributos) e administrativos. A instalação de engenhos de açúcar e de moinhos de água e o uso de depósitos de sal dependiam do pagamento de direitos; parte dos tributos devidos à Coroa pela exploração do pau-brasil, de metais preciosos e de derivados da pesca cabiam também aos donatários. Do ponto de vista administrativo, eles tinham o monopólio da justiça, autorização para fundar vilas, doar sesmarias (extensão de terra virgem doada a um sesmeiro, com a obrigação raramente cumprida de cultivá-la no prazo de cinco anos e de pagar o tributo devido à Coroa), alistar colonos para fins militares e formar milícias sob seu comando. Assim, o sistema de capitanias hereditárias reproduzia algumas relações da sociedade medieval no Brasil, como o uso das banalidades, entre outros. (Boris Fausto) As capitanias, imensos tratos de terra, foram distribuídas entre fidalgos da pequena nobreza já que os grandes se interessavam mais pelas Índias ou por ter terras no Reino e suas ilhas adjacentes e funcionários da burocracia monárquica, muitos de extração burguesa, e, mesmo, com estreitas ligações com cristãos-novos, judeus recém-convertidos. A Carta de Doação e o Foral asseguraram, juridicamente, a ocupação da terra. A primeira cedia ao donatário 10 léguas a partir da costa, divididas em lotes, isentos de tributação, com exceção do dízimo. Possibilitava a fabricação de moendas e moinhos de água e garantia a posse da terra no restante da capitania. O Foral tinha por objetivo definir o percentual do lucro do donatário em relação à exploração do solo e subsolo. As Capitanias de São Vicente e Pernambuco Doada a Duarte Coelho, com larga experiência no Oriente, a capitania de Pernambuco foi organizada com o capital proveniente da venda de suas terras em Portugal. Auxiliado por emigrantes portugueses com experiência agrícola, introduziu a cana-de-açúcar no Brasil. Por volta de 1570, 30 dos 65 engenhos brasileiros encontravam-se em Pernambuco. Martim Afonso de Sousa introduziu o cultivo da cana na capitania de São Vicente. Contudo, por ser um ponto bastante avançado em direção ao sul, a região rapidamente estabeleceu fortes relações comerciais com a região do Prata, que comprava da capitania escravos índios, provavelmente usados nas minas do Peru e na plantação de mate, no Paraguai. Dois documento básicos conforme a tradição do povoamento de terras no Portugal da Reconquista, regiam o sistema de capitanias: a carta de doação e o foral, que garantiam os direitos do capitão-donatário e suas obrigações frente à Coroa, na seguinte forma: a) o capitãodonatário tinha o senhorio, conforme o costume medieval, das moendas de água, engenhos de açúcar e das marinhas de sal, cujo acesso obrigava os colonos ao pagamento de direitos; b) tinha o direito de escravizar e mandar vender, em Portugal, 24 peças índios apresados por ano; c) ficava com a vintena (5%) sobre o valor da exportação do pau-brasil, metade da dízima do pescado, a redízima (1/10) das rendas da Coroa, a dízima dos metais e os direitos de passagens dos rios, portos e outras águas. 4

5 História As Capitanias Hereditárias Prof. Thiago Scott Mais importantes, no processo de colonização, eram os amplos poderes de que dispunham os capitães no tocante à administração pública: a) tinham o monopólio da alta e da baixa justiça; b) visando promover o povoamento tinham o direito de doar sesmarias; c) tinham, ainda, o comando militar e o direito de alistar os colonos e formar milícias. A falta de recursos, desentendimentos internos, inexperiência, ataques dos índios e a descentralização administrativa acabaram levando ao fracasso desse modelo, com a sabida exceção das capitanias de São Vicente e Pernambuco. Aos poucos, as capitanias foram sendo recuperadas pela Coroa e, entre 1552 e 1554, o Marquês de Pombal completou a passagem do domínio privado para o público. 5

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