Custos hospitalares associados às IACS. Anabela Almeida

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1 Custos hospitalares associados às IACS

2 Introdução Definição de Infecção Associada aos Cuidados de Saúde (IACS) É uma infecção que ocorre num utente durante a prestação de cuidados no hospital, ou em qualquer outra instituição prestadora de cuidados de saúde, a qual não estava presente ou em incubação no momento da admissão. Estão também incluídas as infecções adquiridas no hospital e que só se manifestam após a alta e também inclui as Infecções ocupacionais nos profissionais de saúde. Ducel et al (2002)

3 Introdução Os custos e o impacto real das IACS são limitados e subvalorizados por falta de dados fiáveis e validados. Fora do contexto hospitalar ausência de dados. É uma realidade transversal a todos os países.

4 Introdução As IACS são a complicação mais comum nos doentes hospitalizados e afectam principalmente as vias urinárias, o local cirúrgico, as vias respiratórias e a corrente sanguínea. As IACS não só prolongam o internamento hospitalar e são responsáveis por um aumento substancial de custos, mas também aumentam a morbilidade e mortalidade (Hernandez, 2001).

5 Introdução Morbilidade e mortalidade As IACS para além de serem uma importante causa de morbilidade e mortalidade nos doentes e por vezes tão o são para os profissionais de saúde (Gould, 2006). Podem afectar entre 5-15 em 100 doentes internados e podem levar a complicações em 25-50% dos doentes internados em unidades de cuidados intensivos.

6 Introdução Na maioria dos casos as IACS são evitáveis. É necessário determinar uma quantificação precisa dos custos envolvidos para justificar os custos das medidas de prevenção e controlo de infecção, as quais podem prevenir cerca de 30% das IACS. No seu conjunto representam uma das 10 principais causas de morte nos EUA; Desde Outubro de 2008 o Medicare não suporta os custos resultantes das IACS.

7 Introdução Todas as unidades de saúde devem ter uma comissão de controlo de infecção (CCI) dotada dos recursos adequados, de acordo com os normativos da Direcção-Geral da Saúde. As CCI promovem a vigilância das infecções, a formação dos profissionais e as boas práticas para prevenir as IACS.

8 Estudos Em Portugal este problema tem sido discutido, mas ainda pouco estudado, apesar do reconhecimento da sua importância, sendo utilizados resultados de estudos internacionais com o objetivo de sensibilizar os prestadores de cuidados de saúde para esta temática.

9 Estudos Em Portugal este problema tem sido discutido, mas ainda pouco estudado, apesar do reconhecimento da sua importância, sendo utilizados resultados de estudos internacionais com o objetivo de sensibilizar os prestadores de cuidados de saúde para esta temática. Estes estudos envolvem não só os custos diretos com o tratamento das infeções, mas também os custos indiretos e os intangíveis, sendo estes os que mais afetam os doentes e seus familiares, mas muito mais difíceis de contabilizar.

10 Estudos Um estudo efetuado nos HUC (1990), abordou a problemática dos custos em três vertentes: - os custos da infeção, - os custos dos programas de controlo de infeção e - a análise custos/benefícios dos programas de controlo de infeção, apontando já para a necessidade de se desenvolver e implementar: - uma política de antibióticos nos hospitais e - para a importância de reduzir os custos com a prevenção sem aumentar os riscos.

11 Estudos Num estudo publicado na revista Referência (2007), realizado no CHCB, em que o problema dos custos das infeções foi abordado em serviços de diferentes caraterísticas (Medicina Interna, Cirurgia geral, Urologia e UCI) concluiu que - a infeção hospitalar é um fenómeno grave e - dispendioso para a comunidade pelo aumento dos dias de internamento e custos associados,

12 Estudos Mais se concluiu que: - os doentes que adquiriram infecção tiveram uma Demora Média 2,4 vezes superior ao dos doentes sem infecção, - a média global de custos do internamento por serviço nos casos foi 2 vezes superior aos controlos, - nos doentes com infecção, os custos globais com os antibióticos foram 2,5 vezes superiores, sendo os custos adicionais de 1.389,40 face aos doentes sem infecção. - as culturas microbiológicas cerca de 9 vezes mais, - as análises de patologia clínica 2 vezes superiores e - a imagiologia 2 vezes superiores aos dos doentes que não adquiriram infecção.

13 Estudos Conclui também que há A necessidade de definir estratégias de intervenção a nível da racionalização de antibióticos e de sensibilização dos profissionais de saúde para a mudança de comportamentos. Martins (2007)

14 Estudos Outro estudo foi delineado para determinar a prevalência de infecções associadas aos cuidados de saúde (IACS) e de infecções adquiridas na comunidade (IC) e a sua distribuição por topografia, por microrganismos e respectivas susceptibilidades aos antimicrobianos. Através deste estudo, realizado em 114 hospitais, o que corresponde 80 % dos hospitais públicos e 34% dos hospitais privados, obteve-se uma prevalência de doentes com IACS de 9,8% e de doentes com IC de 20,3%.

15 Estudos As localizações predominantes quer das infecções nosocomiais, quer das infecções da comunidade foram as vias respiratórias e as vias urinárias. Foi nos doentes com 70 e mais anos, sobretudo acima dos 79, que se verificaram as maiores taxas de infecção. Foram estes 3 microrganismos mais frequentemente isolados: - o Staphylococcus aureus meticilina resistente, - a Escherichia coli e - a Pseudomonas aeruginosa.

16 Importância É estimada uma perda na economia do Reino Unido entre 3 biliões e 11 biliões anualmente (Smith et al, 2005) e contribuem para pelo menos 5000 mortes (Lynch et al, 2007). De referir que estes dados apenas dizem respeito às infecções adquiridas em hospitais de agudos e não têm em conta as que ocorreram noutras instituições de saúde pelo que estes dados podem ser ainda mais alarmantes.

17 Estudos Taxas de infecção mundiais Cerca 1.4 milhões de pessoas no mundo sofrem de IACS. Nos hospitais modernos, 5-10% dos utentes adquirem uma ou mais infecções. No IP de 2003 realizado em Portugal, 8.4 em cada 100 doentes tinham pelo menos uma IACS. Nas UCI s as IACS afectam cerca de 30% dos doentes e a mortalidade atribuível ronda os 44%.

18 - o ano do estudo. Estudos É tentador comparar os resultados internacionais e analisar as diferenças nas taxas de prevalência como se tratasse de diferenças reais. No entanto existem inúmeras variáveis que influenciam um estudo de prevalência e que podem originar viezes. Os principais factores são: - a selecção dos doentes e dos hospitais; - a qualificação e o treino dos investigadores; - os métodos utilizados para identificar as infecções nosocomiais e

19 Importância Os custos extra associados a infecções hospitalares, num Hospital Belga, eram de por paciente (Pirson et al, 2005). O estudo refere ainda a importância dos departamentos em reconhecerem custos extra das infecções hospitalares uma vez que se prevê que a locação de recursos seja efectuada baseada no case mix, em que hospitais com maiores taxas de infecções nosocomiais sejam economicamente penalizados.

20 Importância Torna-se cada vez mais importante compreender o impacto económico da IACS como também evidenciar a relação custo-efectividade da investigação tecnológica, serviços e dos programas que tenham como objectivo de reduzir IACS, morbilidade e mortalidade (Stone, Braccia, Larson, 2005).

21 Importância Determinar os custos acarreta grandes dificuldades uma vez que existem dados de difícil mensuração e devido a falhas nos registos que permitam o cálculo de taxas de incidência e da intensificação terapêutica resultante da IACS

22 Importância A actual sociedade exige cada vez mais um serviço de saúde com qualidade assistencial e mais orientada para a eficiência. Neste sentido torna-se fundamental que as instituições de saúde procurem melhorar os seus recursos, evitar procedimentos prejudiciais para a saúde e que aumentem os custos, suprimir procedimentos ineficazes e onerosos e substitui-los por outros que revelem eficácia e menor custo.

23 Importância O sistema de financiamento prospectivo cada vez mais aplicado, exige um conhecimento mais profundo dos custos variáveis. A redução das taxas de infecção nosocomial pode contribuir para a melhoria significativa na eficiência e efectividade para garantir a sustentabilidade do novo sistema de saúde.

24 O custo das IACS O custo é um dado complexo, que engloba elementos mensuráveis, aos quais são atribuídos valores financeiros, que podem ser classificados em diretos, indiretos, fixos e variáveis.

25 Custos diretos Os custos diretos são os custos associados diretamente na produção de um serviço: -aumento do tempo de internamento e quarto de isolamento, -equipamento de protecção individual -aumento da demora média de atendimento a outros doentes. -produtos farmacêuticos gerais, material de consumo clínico, hoteleiro, administrativo e manutenção e conservação. -transporte de doentes. -meios complementares de diagnostico -medidas para precauções e outros exames. -ordenados e salários. -também devem ser considerados os costs saved pela redução da transmissão de infecção Moutinho (1990) e Esquivel (1995) -Implicam retirada financeira real e imediata.

26 Custos diretos Consumo de antibióticos Num estudo de infecções nosocomiais num hospital em Madrid, mais de 80% de doentes foram medicados com antibióticos durante o seu internamento (Lopes e Fernandez, 2005). Actualmente surge outra preocupação no que diz respeito a politica de uso de antibióticos: o surgimento de novos padrões de resistência.

27 Custos diretos Aumento de medidas diagnósticas e terapêuticas Os doentes que apresentam uma infecção nosocomial frequentemente requerem mais medidas diagnosticas e terapêuticas e a duração do uso de diapositivos invasivos é também mais larga nos pacientes infectados desde que surge a infecção do que nos não infectados.

28 Custos diretos Demora média Os pacientes com infecção nosocomial têm o internamento prolongado por uma média de 4 a 9 dias, com os consequentes gastos hospitalares. López e Fernandez (2005) O internamento prolongado tem também outras consequências: o aumento de reservatório de microrganismos com consequente aumento do risco para outros pacientes, favorecido pela proximidade física com outros pacientes. Num estudo efectuado no CHCB, verificou que os doentes com infecção (casos) tiveram média de internamento de 19,64 dias e os doentes sem infecção (controlos), de 8,31 dias. Martins (2005)

29 Custos indiretos Os custos indiretos são comuns a diversos procedimentos ou serviços, não sendo atribuídos a um serviço ou produto exclusivo, e a sua distribuição é proporcional ao volume de produção. devem ser quantificados por ocorrência (de pedido de exame, diária de hospitalização, consultas e outros), utilizando-se o preço referencial dado pelas tabelas de reembolso do Sistema de Saúde. os custos indiretos estão incluídos: utilização de outros "auxiliares de apoio clínico" (cuidados intensivos, bloco operatório, patologia clínica e outros), utilização de outros "auxiliares de apoio geral" (serviços de instalações e equipamentos e serviços hoteleiros) e as secções administrativas e são agrupados por centro de custo.

30 Podemos igualmente referir os custos indirectos sob o ponto de vista da utente/sociedade: são os custos devido à pausa ou descontinuidade do trabalho e da produção pelo doente, relacionados com as perdas para o utente/doente e entidade patronal: - maior absentismo no trabalho; - menor rendimento económico (familiar e empresarial); e - diminuição de produtividade por sequelas.

31 Custos intangíveis Os Custos intangíveis são os custos relacionados com as alterações afectivas, emocionais, psicológicas decorrentes da doença, dor, sofrimento, isolamento, perda da produtividade, diminuição da qualidade de vida, entre outros. são os mais difíceis de medir e/ou quantificar Dependem, unicamente, da perceção que o doente tem sobre os seus problemas de saúde e as consequências sociais, como o isolamento. Geralmente, estes custos não são incluídos nas análises de custos, provavelmente, por existir ainda grande controvérsia sobre a metodologia para a obtenção dos mesmos.

32 O Manual de Operacionalização do PNCI, (Ministério da Saúde, 2008) propõe indicadores para a monitorização, e que melhor traduzem a eficácia das actividades de prevenção e controlo de infecção. Assim as taxas de IACS estratificadas - por níveis de risco, - número de dias de internamento - número de dias de exposição aos dispositivos invasivos e - taxas de infecção por microrganismos significantes (ex. MRSA).

33 São também enumerados indicadores de estrutura de vigilância dentro dos quais se destaca a monitorização de - consumo de sabão líquido - SABA, - estruturas para a higiene das mãos e - procedimentos.

34 CDC (2002), os indicadores recomendados para medição de melhoria na adesão à lavagem das mãos nos hospitais são: Monitorizações periódicas e registo da adesão consoante de acordo com a relação entre os episódios de higiene das mãos por profissional e as oportunidades para a higiene das mãos segundo o serviço. (Deve também ser dado o feedback aos profissionais da sua performance.) Monitorização do volume de sabão líquido e de solução alcoólica usado por 1000 dias de doentes. Monitorização da adesão às normas relacionada com o uso de unhas artificiais. Em casos de surtos de infecção avaliar a adequação dos profissionais de saúde à higiene das mãos.

35 Fundação Calouste Gulbenkian lançou a 5 de fevereiro de 2013 a iniciativa Plataforma Gulbenkian para um Sistema de Saúde Sustentável - Health in Portugal: a challenge for the future LANÇAMENTO DO RELATÓRIO - 23 de setembro 2014 Apresentação das recomendações do estudo sobre a Saúde em Portugal elaborado por uma Comissão liderada por Lord Nigel Crisp e com vasta audição de instituições e personalidades públicas e privadas.

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38 As infecções hospitalares são um problema importante, pois retardam a recuperação do doente, aumentam a duração do internamento ou dão origem à readmissão no hospital, com consequências económicas óbvias.

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40 FIM OBRIGADO!

41 Centro Medico Académico

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