ESTADO DE SANTA CATARINA SECRETARIA DE ESTADO DA ASSISTENCIA SOCIAL, TRABALHO E HABITAÇÃO

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1 NOTA TÉCNICA 001/2012 Aprovada em Reunião Ordinária da CIB/SC realizada em 28 de Maio de Florianópolis, 28 de Maio de ORIENTAÇÕES PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO TÉCNICO DE CENTRO-DIA PARA IDOSOS DESCRIÇÃO SERVIÇO: A Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (RESOLUÇÃO CNAS nº 109, 11/11/2009) prevê a atenção à pessoa idosa em situação de dependência e suas famílias no escopo das competências do Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias. Este serviço prevê: oferta de atendimento especializado a famílias com pessoas com deficiência e idosos com algum grau de dependência, que tiveram suas limitações agravadas por violações de direitos, tais como: exploração da imagem, isolamento, confinamento, atitudes discriminatórias e preconceituosas no seio da família, falta de cuidados adequados por parte do cuidador, alto grau de estresse do cuidador, desvalorização da potencialidade/capacidade da pessoa, dentre outras que agravam a dependência e comprometem o desenvolvimento da autonomia. (RESOLUÇÃO CNAS nº 109, 11/11/2009) O trabalho essencial deste serviço consiste em: Acolhida; escuta; informação, comunicação e defesa de direitos; articulação com os serviços de políticas públicas setoriais; articulação da rede de serviços socioassistenciais; articulação interinstitucional com o Sistema de Garantia de Direitos; atividades de convívio e de organização da vida cotidiana; orientação e encaminhamento para a rede de serviços locais; referência e contrarreferência; construção de plano individual e/ou familiar de

2 atendimento; orientação sociofamiliar; estudo social; diagnóstico socioeconômico; cuidados pessoais; desenvolvimento do convívio familiar, grupal e social; acesso à documentação pessoal; apoio à família na sua função protetiva; mobilização de família extensa ou ampliada; mobilização e fortalecimento do convívio e de redes sociais de apoio; mobilização para o exercício da cidadania; elaboração de relatórios e/ou prontuários. (RESOLUÇÃO CNAS nº 109, 11/11/2009) A oferta deste serviço poderá ser materializada pelo CREAS, Centro-dia ou outras Unidades Referenciadas, incluindo a oferta de atenção nas Unidades e no domicílio dos usuários. OBJETIVOS Geral Estabelecer ações para a melhoria da qualidade de vida e a garantia dos direitos de pessoas idosas com dependência, seus cuidadores e suas famílias. Específicos Desenvolver ações especializadas para a superação das situações violadoras de direitos que contribuem para a intensificação da dependência; Prevenir o acolhimento e a segregação dos usuários do serviço, assegurando o direito à convivência familiar e comunitária; Diligenciar para que os usuários tenham acesso aos benefícios, programas de transferência de renda e outros serviços socioassistenciais, das demais políticas públicas setoriais e do Sistema de Garantia de Direitos; Construir, com as famílias, estratégias de apoio na sua tarefa de cuidar, diminuindo a sobrecarga de trabalho e utilizando meios que visem à autonomia dos envolvidos e não somente cuidados de manutenção;

3 Acompanhar o deslocamento, viabilizar o desenvolvimento do usuário e o acesso a serviços básicos, tais como: bancos, mercados, farmácias, etc., conforme necessidades; Prevenir situações de sobrecarga e desgaste de vínculos provenientes da relação de prestação/demanda de cuidados permanentes/prolongados. (RESOLUÇÃO CNAS nº 109, 11/11/2009) Oferecer campo de estágio, para alunos de universidades próximas com projetos de extensão; (PROJETO SST/DIAS, CEI e CEAS, 2011) Constituir um núcleo de geração de conhecimento. (PROJETO SST/DIAS, CEI e CEAS, 2011) USUÁRIOS/PÚBLICO ALVO: Prioritariamente para pessoas idosas e suas famílias/cuidadores que tiveram suas limitações agravadas por violações de direitos, tais como: exploração da imagem, isolamento, confinamento, atitudes discriminatórias e preconceituosas no seio da família, falta de cuidado adequado por parte do cuidador, alto grau de estresse do cuidador, desvalorização da potencialidade/capacidade da pessoa, dentre outras que agravam a dependência 1 e comprometem o desenvolvimento da autonomia (vide Resolução CIB nº 8/2012). 1 A Dependência é um conceito relacional. Resulta da relação entre a pessoa com deficiência e o meio onde vive e as barreiras existentes na sociedade [...] A situação de dependência é um fenômeno multidimensional que varia de acordo com a deficiência (física, intelectual, auditiva, visual, autismo, TGD, e múltipla), idade, sexo, meio ambiente e suas barreiras. O nível de dependência é avaliado considerando as interações da pessoa com deficiência no domicílio, com a família, na vida diária, na escola, no trabalho e na comunidade, a dependência vivenciada por ela e a necessidade de suportes e apoios [...] para sua autonomia no cotidiano. Os apoios são em duas dimensões: básica e instrumental. A dimensão básica diz respeito a apoio nas tarefas de autocuidados, tais como arrumar-se, vestir-se, comer, fazer higiene pessoal, locomover-se, etc [...] e instrumental diz respeito a apoio para atividades importantes para o desenvolvimento pessoal e social, i.é, levar a vida da forma mais independente possível, favorecendo a integração e a participação do indivíduo no seu entorno, em grupos sociais e relacionam-se com tarefas como fazer compras, pagar contas, manter compromissos sociais, usar meio de transporte, comunicar-se, cuidar da própria saúde e manter a sua integridade e segurança. A identificação da situação de dependência deve considerar: as demandas do usuário por suportes e apoios, os tipos de apoio, a freqüência em horas, dias ou semanas em que se manifestam estas necessidades, as áreas requeridas, se o apoio se refere presença de outras pessoas cuidadores/atendentes pessoais ou tecnologias assistivas. Por fim, a situação de dependência associada à extrema pobreza,

4 Conforme Resolução CIT nº7, de 10/09/09, deve-se priorizar o atendimento de idosos beneficiários do BPC ou em situação de pobreza inseridos no CadÚnico. Sugere-se que o Centro-dia atenda idosos com Graus de Dependência I e II. CAPACIDADE DE ATENDIMENTO: Até 25 usuários por turno, prioritariamente idosos. HORÁRIO DE ATENDIMENTO: Pelo menos cinco dias da semana, de oito a doze horas diárias, incluindo o horário de almoço. O horário de permanência do usuário poderá ser flexibilizado e dividido por turno. Recomenda-se a permanência mínima de dois turnos por semana. Ver possibilidade de atendimento em feriados e finais de semana (Plano Viver Sem Limite). EQUIPE TÉCNICA Conforme NOB/RH/SUAS e Resolução CNAS nº 17/2010 (ver relação usuários/idosos para estipular o número de profissionais de nível médio para os cuidados No Plano Viver Sem Limite está estipulado 10 profissionais de nível médio para 30 usuários) Conforme NOB/RH/SUAS e Resolução CNAS nº 17/2010: 1 coordenador (assistente social, psicólogo ou pedagogo) convívio com o preconceito, isolamento e exclusão social agravam os riscos por violação dos direitos demandando da política de proteção social ações de superação desta condição. (Documento MDS, Plano Viver Sem Limites) Conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa, RDC nº 283/2005, o grau de dependência do idoso é classificado em: a) Grau de Dependência I - idosos independentes, mesmo que requeiram uso de equipamentos de auto-ajuda; b) Grau de Dependência II - idosos com dependência em até três atividades de autocuidado para a vida diária tais como: alimentação, mobilidade, higiene; sem comprometimento cognitivo ou com alteração cognitiva controlada; c) Grau de Dependência III - idosos com dependência que requeiram assistência em todas as atividades de autocuidado para a vida diária e ou com comprometimento cognitivo. Observação: Para instituições de longa permanência para idosos com elevado grau de dependência, a Vigilância Sanitária de SC exige profissionais da saúde na equipe.

5 1 assistente social 1 psicólogo 1 terapeuta ocupacional ou pedagogo 06 profissionais (03 por turno), no mínimo, de nível médio do SUAS responsáveis pelas atividades de cuidados pessoais e atividades socioeducativas 1 profissional de nível médio do SUAS para a realização de atividades de apoio administrativo 1 motorista cozinheira e serviços gerais Equipe intersetorial (articulação com profissionais do SUS, da Educação, entre outras políticas públicas) 1 Técnica em enfermagem 1 Professor de Educação Física ou Fisioterapeuta Considerar, no perfil dos profissionais a ser contratado, sua especialização/formação/experiência no trabalho com idosos. Prever capacitação para os cuidados. Compreendendo que o Centro Dia é o equipamento para a instalação do Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias que, neste momento de instalação do referido Centro demandará a organização do serviço, o estabelecimento dos fluxos de atendimento, da rede parceira, da metodologia de atendimento aos idosos, seus familiares/cuidadores, num processo de execução/aprendizado dado que é serviço que conta tão somente com o disposto na Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais para orientação de seu ordenamento ainda insuficiente como manual orientador, acordou-se que a equipe técnica do Serviço no Centro Dia atenderá àqueles 25 usuários por turno e seus

6 familiares/cuidadores, bem como o estabelecimento de ações para a completa operacionalização do Serviço e que, outras demandas relativas à média complexidade que tenham idosos e pessoas com deficiências e respectivos familiares/cuidadores, serão atendidos por equipe distinta aportada no CREAS ou em outra unidade a ele referenciada. Entretanto, a equipe do Centro Dia deverá referenciar-se àquele CREAS, onde, com a outra equipe, construirá as ferramentas para a qualificação desse serviço no município. ESTRUTURA FÍSICA Recomenda-se tomar como referência o Manual de instruções, diretrizes e procedimentos operacionais para contratação e execução de programas e ações da Secretaria Nacional de Assistência Social (2010, p.25), em relação à metragem mínima do equipamento, considerando a previsão de atendimento de 25 idosos por turno. Este Manual tem como referência a Portaria nº 73, de maio de 2001, da Secretaria de Políticas de Assistência Social/Ministério da Previdência e Assistência Social, que dispõe sobre as normas de funcionamento de serviços de atenção ao idoso no Brasil. Observar também as normas da ABNT e da ANVISA. usuários: Recomenda-se criar espaços que ofereçam sigilo, conforto e acessibilidade aos Recepção Banheiros com chuveiro masc./fem. Refeitório Cozinha Despensa de alimentos Despensa para materiais para manutenção dos serviços/base física Lavanderia

7 Sala para equipe de referência e coordenação Sala para atendimento individual/familiar Sala para atendimento em grupo Espaço de lazer e atividade física, externa e interna Espaço para atividades socioeducativas (informática, trabalhos manuais, oficinas artísticas e culturais, biblioteca, videoteca, jogos, etc) Salas para descanso Quartos para descanso (femininos e masculinos), com no mínimo 06 (seis) camas em cada quarto. Orientações preliminares da SES/Diretoria Estadual de Vigilância Sanitária Dra. Maika Arno Roeder - Divisão de Estabelecimentos de Interesse a Saúde que foram repassadas à GEPES por telefone em 03/05: Com relação à alimentação dos usuários: há que o município definir se efetuará a manipulação do alimento (o preparo) no Centro Dia ou se terceirizará (marmita) e no local fará somente o fracionamento dos alimentos. Nos dois casos, há que seguirem as normativas da ANVISA a respeito, compondo a cozinha de telas, tinta lavável nas paredes, pias: uma para a lavação das mãos, outra para lavação de louça e outra ainda para a lavação dos alimentos (se possível, duas); que os profissionais, nos dois casos, devem ser curso atualizado de manipulação de alimentos Consultar o Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação, aprovado pela Resolução - RDC nº 216, de 15 de setembro de 2004, que abrange os procedimentos a serem adotados nos serviços de alimentação, a fim de garantir as condições higiênico-sanitárias do alimento preparado; Que no refeitório deve haver pia para os usuários com sabonete líquido e papel toalha;

8 Que o piso deve ser antiderrapante, corrimão nas paredes, ver largura das portas, banheiros acessíveis; As poltronas e colchões para descanso devem ser revestidas com material de fácil higienização, laváveis; Os degraus devem ser todos sinalizados, com material anti-reflexo; As cadeiras não podem ser de plástico e devem possuir braço; Devem deixar disponíveis contatos telefônicos para emergências; Sobre a administração de medicamentos: para aqueles que tiverem dificuldades em se auto administrar (casos especiais), deverá haver um armário com chave e definido qual o profissional (pode ser o de nível médio) que fará a administração do medicamento, seguindo o prescrito na cópia da receita médica. O Centro Dia deverá oferecer copo descartável e água potável para a administração medicamentosa. Os demais usuários que tiverem condições de auto administrar, o farão. Atentar para as demais normativas inclusive as da ABNT NBR 9050:2004; Maika sugeriu que os municípios peçam orientações às respectivas Secretarias Municipais de Saúde/Vigilância Sanitária, que poderão acompanhar a elaboração do processo de elaboração do projeto/construção e instalação do Centro Dia. ETAPAS DE IMPLANTAÇÃO a) 1º ano: Identificar os usuários prioritários atendimentos CREAS, BPC e CADUN; Estabelecer o número mínimo de dez atendimentos por turno, estabelecendo o número de profissionais de nível médio para os cuidados e atividades socioeducativas correlatos.

9 b) 2º ano: ampliar capacidade de atendimento por turno - -atingindo 75% dos 25 usuários previstos com ampliação do número de profissionais de nível médio em igual proporcionalidade. c) 3º ano: Atingir a capacidade instalada de 25 usuários por turno (observada a relação técnico x usuário) Obs.: A capacidade instalada por turno será objeto de monitoramento e avaliação permanente por parte da SST/DIAS/GEPES e dos municípios. Metodologia: Sugere-se que, para além do Plano Individual/Familiar de Acompanhamento a ser elaborado entre a equipe e o usuário e seus familiares/cuidadores, seja estabelecido um Termo de Compromisso, em que sejam estabelecidas as regras a serem seguidas pelo usuário/familiares/cuidadores, esclarecendo quais os serviços a serem prestados pelo Centro Dia, a ser assinado também pelos familiares. Modelo do Termo será encaminhado pela SST/DIAS/GEPES a partir do disponibilizado pela Prefeitura de Joinville com revisões da Conselheira CEI e CEAS, Kátia Freitas. RELAÇÃO SUAS X SUS Definir atribuições da política de saúde - NASF e ESF no Centro Dia e especificamente no domicílio do usuário. RELAÇÃO SUAS E OUTRAS POLÍTICAS PÚBLICAS: Estabelecer, baseado nas demandas dos usuários e equipe.

10 INDICADORES: ESTADO DE SANTA CATARINA Estabelecer indicadores a partir dos objetivos específicos e/ou do Impacto Social Esperado conforme disposto na Tipificação MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO: Elaborar relatórios de avaliação, utilizando os indicadores previstos que serão encaminhados ao CMAS, CMIdoso e SST. Observação: A SST encaminhará relatórios do cumprimento do objeto ao CEAS, CEIdoso e MDS. Estabelecido que os municípios encaminhem relatórios trimestrais à GEPES e que serão realizadas reuniões quadrimestrais entre os municípios, GEPES e outros para trocas de experiências e avaliações necessárias. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E DOCUMENTAIS UTILIZADAS Projeto: Atenção à pessoa idosa em Santa Catarina construção de espaços de convivência Centro Dia. Elaborado por: SST/DIAS, CEAS e CEI em novembro de revisado pela secretária executiva do CEI e da SST/DIAS/GEPES em 27/04/2012 a partir das referências citadas abaixo e contatos com MDS/Proteção Social Especial. NERIS, Mariana de Sousa Machado. Atendimento em centro-dia para idosos em situação de dependência: alternativa de serviço da Política Nacional de Assistência Social? Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Dissertação (Mestrado). MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE A FOME MDS. Secretaria Nacional de Assistência Social. Diretoria Executiva do Fundo Nacional

11 de Assistência Social. Manual de instruções, diretrizes e procedimentos operacionais para contratação e execução de programas e ações da Secretaria Nacional de Assistência Social (Exercício de 2010). Brasília, setembro de Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência Decreto de 17/11/2011: Viver sem limite. Pactuação do cofinanciamento federal para Centro-Dia e Residência Inclusiva Reunião da CIT 12/04/2012. Política Nacional do Idoso (Artigo 10) Lei n.º de 04 de janeiro de 1994 As presentes orientações incluem as alterações pontuadas na reunião realizada na SST em 03/05/2012 entre os municípios de Joinville e Lages, representante da câmara técnica da CIB, SST/DIAS/Gerência de Proteção Social Especial e representantes do Conselho Estadual do Idoso.

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