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1 - Expedição ~cieiltuica,!\ooseveit-}\oildoil RELA TQRIQ APRESENTADO AO Sr,0 Goronol Ganmdo Mariano da SUva Rondon Chefe da Commissão Brasileira PELO Capitão Amilcar Armando Botelho de Magalhães Ajudante da Expedição RIO DE JANEIRO 1916

2 RELA TORIO

3 Expedição pcieil ririe&. 1\ooseileI r-1\cildril APHESF.:'fr ADO AO Sr. Coronel Candido Mariano da Silva Rondon Capitão Amilcar Armando Bo~~lho de Magalhãc~ '\iud~nle da E.petliç:\o..~ ~.. ~ BIO ne.'aneiho 1916 CA TALOGACION

4 INTRODUCÇAO Por proposta vossa apn:sentada ao Sr. Ministro da Cuerra, por intermedio do Sr. Ministro do Extc rior, aquella autoridade, em aviso de I4 de Outllbro de 1913 ordenou él minha passagem Ú disposição do Ministerio da Viação como ajudante da Commissào de Linhas TcIegraphicas Estrategicas de Matto- Crosso ao Amazonas, para () fim especial de tomar parte na expedi<;'ào que o Coverno o;-ganizaria, soo vossa chefia, com o objectivo de acompanhar o Sr. Theodore Rooscvelt através do sertão do Brasil. A 2 I desse mcsmo mez apresentei-me por tal motivo ao ('sni ptorio ccn trai daq ue IIa C omm issão, afim de aguardar vossas ordens. Dada a pressa ('om que era nccessario consegllir os c!ementos indispensaveis á projectada travessia c de accordo com as ordens tdegraphicas que transmittistes, quando em viagem ele :\1anÚos para o Rio de Janeiro, iniciei desde logo nesta ('apital as providencias mais urgentes em rela,'ào á ;}rquisi-,'ão da munição de borra, material de acampanlc'nto c instrumentos de engenharia, etc" estahelecendo as

5 6 l'ulldî<~ùes a que ckvia obedecer a respectiva emhalagem, visto que o official indicado para o servi<;o de intendencia achava-se em Matto-C;rosso, onde aguardava a passagem da expedi<;'ãu, sem tempo ahsolutamente de vir ao Rio de Janeiro. Assim é que em 25 de Novembro embarcavam nesta Capital alguns membros cia ('ommissào Brasileira e com elles seguiam 221 volume~ de carga pertencente á [~xpedi<;'ãu < ue ficara designada officialmente com o titulo de Expcdi<:ão Scientiti.ca Roosevelt-Rondon. O atrazo com que foi elltrt',~'uc parte do numerario destinado <is despesas da expedição, impedindo-vos de partir com os demais membros pelo ultimo paquete transatlantico que vos permittiria alcan\~ar Corumbá antes da chegada ali do Sr. Roo-,..,eve]t. determinou a viagem expressa por terra, do Rio de J ancirn ao rio Paraguay. utilisando-sc para l'sse fim das vias ferrèas Central do Brasil, Sorocabana e Noroeste, para cujo percurso era bem exiguo t, tempo disponivel. muito mais quando nesta ultima havia cerca de 40 Ieg:UélS de marcha a cavallo, além cc um grande tn'('ho apenas trafegado pplos trens de lastro. A. espc( tati\'a dessa viagem por terra dcixaval10s entrever c1araml'nte que nos 'iubmetteriamos a Ilma clura prm'a ell' resistencia sol> as vossas vistas immediatas, mas não havia ('orno fug-ir a uma tal situa~'ão (' prcpar;ímos o ('spirito para subjugar as deflcencias do vigor physico que em :'aso algum poderia emparelhar o ('om o \'OSSo. pur mais arrogante que fossl' a nossa vaidade pessoal. :\ssim desenhou-se a perspectiva do primeiro trillllto que l'u pa~'aria pela enorme distinc\,ão com

6 7 que fôra abalada a minha modestia ao ser cul1\'idado para tomar parte nessa Expedição. Cabe aqui meu sincero reconhecimento pela vossa lembrança do meu nome para auxiliar tão delicados trabalhos e podeis estar certo de que o meu desvanecimento na acccitação de tal convite só fôra possivcl porque de envolta levava n'alma a certeza de qllc a influencia da vossa direcção nürtearia a minha acção, não permittindo que cu sllccumhisse ;1 pressão das minhas proprias falhas. Sob a vossa C:\PITULO r chefia irnrnediata Em ] de Ikzt'mbro dessc mesmo anno, obede ccndo a tão honrosa indicaç'ão parti em vossa com panhia pelo nocturno de luxo; ás 2 I horas e 30 minutos do dia :; chegámos a S. Paulo com um atrazo dt, ::? horas l' 20 minutos l' ;1S 20 hor;ls (' 3 minutos partimos pela Estrada de Ferro Soroca-»;:l1a: Ús 10 horas e 30 minutos do dia 4 chegámos á cstal,'ào Balln' onde nos aguardava um trem especial posto ;i \"ljssa disposição; Ús I I hora's l~.10 minutos partimos de BallrLI e ;is 2 I horas dcsemharcámos em :\ral,:atllba, onde pernoitámos visto não ('star em certo trecho consolidada a linha de modo a permittir que sc' viajasse Ú TIoute. Em caminho para Araçatuba fo-se uma pequena parada na cstal;ão provisoria «Ileitor I,eg-ruc )J, onde os indios Kai-gang-s, esses I111'SmOSconsiderados ferozes e cllja pacificação foi teita pessoalmente por V('lS em epocha bem reccnte, \"ieram documentar \'ivamcnte a inju<;tj<:a deqw'

7 8 :',am vlctlmas, kstejando a nossa passagem pelas suas terras, A 's 3 hor;}s cio dia S partimos para tapura onde apenas demodmos 20 minutos; ;ís l) horas desembarcámos na esta~'ã() pr()\'isoria df' J upiá: A's 12 horas desa tracou o " fer- boot Il cond uzi ndo-nos para a margem direita do rio Paraná, o que vale dizer, transport~ndo-nos do Estado de S, Paulo para () de Matto-Crosso, Reorganizado () trem sobre os trilhos da outra margc'm, partimos ás 14 horas para Tres l,agôas onde almoçámos ás 14 horas c 30 minutos, A's I S horas e 30 minutos retomámos o trc'm C' ás 20 horas (',w minutos desc'mbarcámos na estal,'ão de Rio- Verde, ultima ('sta~'ão inaugurada nesse trccho (' na qual hzl'mos a nossa sc.g-unda f( fei<;ão, A's) horas de () partimos para a ponta dos trilhos: ;ls B horas s;,ltámos do «wagon Il e ás <) horas l' 30 minutos partimos montados da ponta dos trilhos com destino élo rio Pardo, onde apeámos ás I h horas c S minutos, Em Rio Pardo onde ás Il; horas fïzemos a unjca refeição desse dia ag-uardámos a chf'gada d;t tropa, <[uc só apparec('u ás 22 horas, r('c('bendo ordem vossa de pro~eguir viagem, substituindo-se alguns anin1aes cargueiros que davam mostras de (';~nsa~'o 1\'S 2 horas do dia ï iniciámos a nova marcha aprovf'itanclo él claridade d"s f'strcllas e :ís 10 horas ( S minutos apf';ímos junto ao corrc'g'() Campo..-\lcgrc onde tomámos a llnica rdci<:ão dess~' dia; ;ls le) horas e la minutos proseguimos viagem C' no di;.\ k :í.s 2 horas c 30 minutos apeámos em um sitio wrtencf'nte ao ('orone! Sehastião df' I.ima, a uma leg'ua de ('ampo-cranclc, ahi pernoitando.

8 9 A's X horas c 3~ minutos do mesmo dia dia X chq.;ámos á villa de Campo-Grande, onde aguardámos a vinda dos cargueiros que conduziam nossa bag-ag'cm, o que só se deu ás 13 horas. Nesse mesmo dia partimos ás 1 S horas c a 1 hora do dia () cheg{tmos ao acampamento da construcção do outro trecho da Estrada de Ferro Noroeste. Ainda a l), ;Is () horas e 1 ~ minutos partiu o trem especial posto <Í nos,:;~l disposição para vos conduzir él Porto- ~s )('ra nça. Adeante da villa de Aquidauana o trem parou alguns minutos, junto ;í. csta<,'ão provisoria " Visconde de Taunay ", onde um numeroso gtu[>o de indios " Terenas ", soltando foguetes e cantando na St:;~ ling'ua, dava mostras do (jllanto os alegrava él vossa pre~en\a ('I1tr(~ elles. N ão me posso furtar ao dc\'c:- dc' citar ('pisodios ('orno essc, visto envolver as~llmpt() de tão g-rande interesse para a nossa Patria, ferindo o g-randc problema das rda\,õcs do homem civilizado com o homem (jut' habita as selvas. E t curioso a~signalar, como not,,', probatoria do prestij.óo em que (. tida a vossa pessôa entre elles, o farto de trazcrem as mães os seus filhinhos rccem.. nascidos para re('(:lwrem o osclllo affectuoso que J!ws imprimieis, facto a que tambem se lig'a o sentimento affcctivo do indio, I )csemb;;rc;'lmos ;ls 22 horas, em Port,) Espc ranl.;a, passando-nos com as nossas bag-ag-ens para ordo do paquete Nyoac, onde afinal a urg-encia da marcha permittiu que fosse tom;: da uma rf'feil:ào l1(,s~c dia. A's 23 horas e 30 minutos partia () N\'lJ;}c rio Parug'uay abaixo com de'stino ;\. foz do rio Apa. ;\Jo

9 10 dia JO ás 4 horas parámos defronte ao nosso legendario forte de Coimbra, glorioso baluarte da honra nacional, theatro de um choque armado da bravu:-a p;lraguaya contra a br;,vura brasileira e onde St' immortalizaram Portocarrl'ro c o pequeno grupo de obscuros mas heroicos defensores da nossa Patria. A. 's S horas (' 30 minutos proseg'uimos viagem a hmdo elo :\I }'O<lC C no dia I I,ís.) horas c 30 minutos ;,rri;ímos ferros em fr('ntc a Porto Murti; ho, peqlleno!)()\();~do mattogrosscnse da man.;cm esquerda do rio Paraguay. De Porto :Vll1rtinho partimos ;is H horas c ~ minutos (' :ts 9 lwras (' 50 minutos cncontrúm(ls I'.avegando contra n(')5 o paljllcte «Brasil )) de CUjl) ljordo retidmos as nossas malas de fardamento fino, ('mbarcadas no Rio de Janeiro con junctamente com ;1 carga destinada ;Î r~xpl'dição, fazcnoo-!1os ao larg- J l10vamente ás 10 horas l' 30 minutos. Ancorámos ás 13 horas e 30 minutos do dia Il, ddronte á embocadura do rio Apa onde aguardá mos él chegada do Sr. Roosevelt, olhando simulta ih:amcnte as terras brasileira~ da sua margem direita e as terras paragllayas de ~ua margem esquerda. Nessa cspectativa passámos a noite do dia I I, esta }wlccendo o serviço de vigilancia e conservando-nos de «promptidão» segundo a technologia militar. Nr dia 12 ás 10 horas e 40 minutos foi assignalada, a jusante, a fumaça de um navio no extremo do cstirâo em que nos encontravamos c ;is I I horas e 10 minutos ancorava a bombordo a canhoneira paraguaya «Adolpho Rcquiclmc )), em que viajava () Sr. Roosevelt. Após os cumprimentos do estylo, levados a hordo da «Riquiclmc )), partimos ás 12

10 11 hura~ e 10 minutos comboiando com o Nyoa:..: aqudle navio de guerra, Durante o trajecto para CorumlJá, a mal~ ampla cordialidade orientou a nossa (l('(:ão rclativ,.! mente ao ex-presidente e sua comitiva, No dia I 3 á~ () horas e IS minutos, ancorámo:"> ao lado da canhoneira defronte ao forte Olympo, onde o.!:overno dl) Parag-uay mantem uma guarnição militar. Em retribuição á visita que vus foi kit a ('m nome do Sr. Coronel Crisostomo Machucas, commandante dessa guarnição, a este fui levar pessoa: mente os agradecimentos apresentando-lhe os vos sos cumprimentos cordialissimos, bem como os da C'ommissão Brasileira sob vossa chefia. A's 10 horas e 45 minutos continuámos a suijir o rio Paraguay, montando ás 13 huras e 55 minutos él pyramide de base quadrada <[ue, a p()uros metros da margem direita, assignala os limites do Brasil com a Bolivia,,\'s :; horas parámos junto ao porto de Coimbra. No dia 15 ás 12 horas e 50 minutos pas savamos pela povoação do l,adario e ás I:; horél~ estavamos junto ás altas barrancas de C:orumb;í. onde ás 16 horas desembarcámos acompanhando" Commissão Americana á terra. No dia I ï ás ï horas e 20 minutos partia L N yoac rio P aragua y abaixo com destino ao ne Taquary. em cuja bocea de jusante denominada " Riozinho II penetdmos atl~ o porto da fazenda rias Palmeiras, atracando no mesmo dia (is 9 horas c ahi pernoitando. No dia 18 ás ï horas c 10 minutos partia él. comitiva ('om destino á fazenda das Palmeiras, ah; <1pcando ás 12 horas e 40 minutos t' tendo eu ex:'

11 12,'utado ('umvos('o o kvantamcnto expedito da estrada percorrida, através do pantanal. Desde () d ia I~ até 23 de Dezembro esteve a Expedi\'ào acantonada na rderida fazenda, onde as ('ommissões americana e brasileira adquiriram varias pe(:as zóologicas para os museus respectivos de Ne\y-York e Rio de Janeiro, A 23, pelas Il horas (: T S minutos partiu a carreta conduzindo as bagagens ~' ;ís 14 horas t' 4S minutos partiu a comitiva da I'::':jl('di\ào através dos campos alag'ados. de reg'resso ao porto do Riozinho (bra(:o do rio Taquary) onde recmbarcou todo pes~oal no paquete i\yoac. que ahi aguardava essa cheg:ada. A 24, conforme ordem vo!:sa fiz tripular uma can<îa e iniciei ao cbrear do dia Il levantamento expedito do Riozinho desde o P~)rt(1 cm que estavamos atracados, até sua fl'lz no rio Par;,~'uay. tendo antes medido uma base de 600 :lletros ;Í margem direita e percorrendo-a tres ve%('s a favor da corrente, procurando :nanter quanto possi\'e! uma \'c!ocidade approximada da que emprc- :.:,'aria na descida, afim de avaliar convenientemente :I~rc!a\'õcs de tempo e distancia vencida. A's 8 horas alcancei o rio Paraguay, concluindo ahi o levanta- 'TIente e aguardando junto;í margem cs<juerda a descida do paquete N )'oac, para cujo bordo passei :í.s X horas e 20 minutos, continuando a subir o rio Paraguay. Quatro horas depois passavamos pela sq.(unda bucca do rio Taquar)', A's r 4 horas esta, vamos montando o Parag-uaymirim, ccle1lrt" pela pa!"sagem de tropas embarcadas, vindas d(' CuyabÚ, sob () commando do Ceneral JOS(~ Maria ('oclho e que, gré1<:é1sú ligação desse 1>ra(;o de rio ('Om o proprio 1,'urSO do Parag'lIay acima de ('orllmb;', ('onsc-

12 13 g"uiram, com tal movimento retomar csta cidade das mãos do inimigo, ao tempo da gucrra com o Para guay. A's 16 horas e IS minutos passámos Ladaril' e ;ís J ï horas atraca vamos a Corumb;í. Cumprindo vossas determinaçôc's saltei em terra acompanhando a pessôa do Sr. Corond Roosevelt, regressando Ús Il) horas para bordo. A's 22 horas o N yoac suspc'ndc'u ferro e sc'g-uimos cm dc'stino á fazc'nda de S. João, onde se encontrava S. Exa. o Sr. Presidente do Estado de Matto-Crosso com o fim df' aguardar ahi a chf'gada do Sr. Coronel Roosevelt. No dia 26 ás 4 horas começámos a viajar em aguas do rio S. I.ouren<;"o e ás 2 I horas c l.:'i min utos encf't;ímos él subida do rio Cuyabá. A's 20 horas c 30 minutos parúmos ddronte ao «Atcrradinho H, pequcna habita<;'ão;í margem esquerda do rio Cuyab;í, onde agllardámos o tempo sufticiente para quc a chegada da Expcc1i<;'ào á L zenda de S. João não se verificass(' durante a noite. i':' muito interessante assignalar que o terreno, justit1cando perfeitamente o nome dado él essc log'at, (~ahi constituido por camadas de aterro sulwrpostas provavelmentt' pelos primitivos habitantes indigcnas dessa zona. J ustif)('a as hypotheses a exccp<:ão de qual id adt, (' posição das terras ncsse pon to, como em outras semclhant<'m('nte constituidas artificialmente, assim como a descoherta dc' fragmentos ek objectos da <"('ramica c]ementar dos aborig'clws, fragmentos ('sses encontrados nas excavaçôt's loc;ws. A's h horas c 30 minutos dc' 2R partimos CI11 dint(:ão a S. João, onde chegámos ;ís X horas (' 3(: minutos. Ahi!)('rmanCCClI a Expedição até: o dia 30, clata em < \It' partimos él bordo do Nyo;[(' ('om destine'

13 14 élo rio S. Lourt"nço, CUJO curso começámos a subir ;ís 13 horas (' 30 minutos. afim de levar él eheito diversas caçadas em projecto. I~ffcctuadas estas, regressou c' Nyoac a 2 de Janeim de desccndo o rio ~. Lourenço c passando a subir li rio Paraguay ás JC) horas c 15 minu tos. em demanda de S. l.uis de Caceres, onde che- ~ámos ;'ts I ï hc)ras (' 30 minutos do dia S do mesmo me'!..-\"s J.') horas elo di;) h partiu o ~:');;C, rio Par;] ~'uay ;[(" ma,!)('n('trando ('m seg'uida pelo curso do ~er()tuha, (' no dia seguintr' ;ís 1.') horas c 4S minutos par;l\a junto ;'{ fazcnda do Porto do Campo, ollde pela primeira n~z [oram armadas as barracas d<' campanha. Da orckm do elia Il. J. d( ;, publicada por V(')S (m Porto do ('ampo, dando org-anização definitiva aos din'rsos scrvi(:os el; I~.\:p('di\ão, consta a minha )]om('a(:ào para ('xcntr o carg-o de secretario, na parte administrativa, assim como a incumbencia, na parle tc('hnic'a, dos ~('rvi\'os de meteorologia e topo- ~Taphia. Tenclo quc prosq.;uir no mesmo clia com ; maior part(' do c ontingcnte. CI seu respectivo commandante, assumi a ï cie Janeiro as funcçc)es de seu cargo em relação ao pessoal que ficou destacado nessa fazenda, como consta da ordem do dia n. I dac uella clata. Conforme as vossas ordens iniciei df>sde log-o os trahalhos de preparação do acampamento em uma faixa clo terreno de roo por 200 metrus, dimensões do rectangulo capinado para esse fim na vargem da fazenda. Foram assim armadas 14 barracas, duas de dupla cobertura, grandes, destinadas ao Sr. Corone} Roosevelt e a vós. occupando

14 15 (I centro do alinhamento euja ala direita era collsti tuida pela C:ommissão Americana, ficando a hrasi kira na ala esquerda, o qlle significa ;1 colloc<lc:ão daquella no logar de honra, de accordo com as disposis'ões dos nossos reg'ulamentos em relac:ão á pre ('('dencia militar, estahelecendo que se deve dar <,cmpre a direita ao superior hicrarchico. Em frente ;'IS duas harracas-chefe tremulavëlm r('~pcctivanwnte o pavilhão americano e () Pé vilhão í )rasileiro. Nesse l." ;ltampamcntl! I)('rmanecemos att', o dia 13. ci;)ta ('m que ás 1 I horas partimos na lanc:ha «Anjo da Ventura Il e em uma ('hata a n-hoque, afim de proseg'uir o ;}('cesso du Sepotuba, em demanda de Tapirapoan. onde desembarcúmos ;ís I I horas (. 30 minutos de 16 e acampámos pela seg-llncb VC7..,,\hi em Tapirapoan org'anizci, de ac('ordo ('om as vossas instrun:i)es as cargas que flélrtiriam com as tres tropas que se destinavam ;'1 l'xpediç?o do rio da Duvida e ao transporte de mercadorias (' hag-agcns das duas turmas em que r1ividistcs a (~xpcdição. Pelas I ~ horas de J g c pela marlrug-arla de It) sahi ram os quatro lotes de tropa do rio da Duvida, com :)4 bois carg-ueiros conduzindo 136 \"olllmes dos quaes 99 da Commissão Amcric:ana, <) de barracas de campanha, 11m com as tabolctas desig'nativas dos rios Roosevelt <.: Kermit c 28 com g-eneros destinados él alimentação do pessoal da tropa (' com SII;J.S r('spectivas bagagens. Convem dizer aqui, a proposito, duas palavras em relação a esses 99 volumes americ:anos : Quasi todos elles eram constituidos de substancias alimenticias, acondicionadas de modo que él

15 16 ('ada um dos dias da semana ('orrespondia um ('erto JII(,lllf, encerrado em pequenos caixotes dentro dos quat's estavam as conservas e petrec.hos divididos em duas caixas de zinco hermeticamente soldadas, Exteriormente viam-se inscriptos os ns, r a ï para assig"nalar os dias da semana de domingo a sabbado, respectivamente, Os caixotes continham assim almo\'ü e jantar para dous dias, cada lata representando as duas rcfei~'ões de um só dia para f) homens, l~cram calculadas de tal modo que a rcla<:ão de peso c de volume determinaria a sua ti uctuação se por a('aso cahissem n'ag'ua, No dia 21 pela manhã partiu a tropa ck :;4- Flrros que conduziria as cargas de I," tlirma soh él ('hefia de honra do Sr, ('( ronel Roosevelt. A's 13 horas partia o pessoal technico ci(~ \." turma ao qual ;lcompanhci até meia legua de distancia, retro('e" dendo então a Tapirapoan, depois de apresentar as minhas despedidas á ('ommissão Americana (- demais membros componcntes da primeira llirma Chefiando uma turma RegTcssando a Tapirapo,m comelti desde l g"o a activar os preparativos de oq.~"a!,iza<:ão da minha turma, desig"nada por lc sl',glinrla)) conforme fez publico a ordem do dia n, 2, de I () de J anl'iro de 1<}14. Mandei immcdiatamenlc ('hamar ;'1 Minha n'" Se H:a o cncarn'g"ado g"eral das tropas de minha turma

16 17 Antcnor Rodrigues Gonçalves, e os arrieiros de cada uma das tropas, Pedra Augusto de Figueircdo, da de bois e João da Cruz Gomes da de burros, transmittindo-ihcs ordcns terminantes para que tudo estivesse prompto no dia seguinte. Apesar, porém, dos meus esforços, só ás 16 horas de 22 partia o 1. lote de 10 bois rargueiws, sahindo o derradeiro lote de tropa ás d~ horas c.10 minutos. A tropa que servia ás necessidades da minha turma era constituida de' 97 animaes quando sani df' Tapirapoan, sendo: TROPA DF: Bors \nimaes carguciros (mansos) Il "para ; dpxtrar " adcstros para córte l\ l\ carreta. 23 S () 6 Total. TROPA DE MUARES Cavallo madrinha. Animaes cargueiros 40» para montada de offieiaes 12» "r.ampeio de gado 4 Total. 57 Pouco antes da partida do 1. lote de bois. partiram o tcnente Rcis (photographo e einematographista) e o Sr. Hoehne (botanieo) e pouco depois

17 18 os taxidermistas Blake e Reinisch e o addido Joaquim Horta _. todos com destino ao Salto. A's 12 horas e 20 minutos sahiu o 1. lotc de burros com I I animaes e um tocador montado; ás 16 e 2S minutos o 2. com outro tocador montado, ás 17 horas e 25 minutos partiu o 3 com I I animaes de cangalha c 2 tocadores montados e ás 17 horas e -+5 minutos o ultimo lote de muares com uma mula adestra; ás 19 horas sahiu finalmente a derradeira fracção da tropa o o 2. lote de bois cargueiros com ; 3 animaes, tocando-se quasi ao mesmo tempo os I ï hais adestras. Do que foi o inicio da minha marcha no dia 22 ; carta que vos dirigi em 25 do mesmo mez, fornece ideia aproximada (V. s?lfl}lrlll{,ll!o II [). Verificando pessoalmente a situação de todas as tropas e mandando descarreg'ar um lotc em meio do cerrado, para que os prejuizos fossem menores, retrocedi et.fapirapoan acompanhado do medico da turma Dr. Fernando Soledadc c do Tenente Vieira de ;\{ello, commandante do de5tacam{'nto,,~ombinando tudo de modo que ao clarear do dia seguinte pudessemos marchar com todas as tropes e concentrai-as em Salto da Felicidade, ponto naturalmente e!cito para primf'iro pouso (24 kilometros de Tapirapoan). Assim aconteceu; (ts :) horas e 30 minutos cio dia 23 estava sendo arriado o meu animal de montaria c em seguida partia eu acompanhado do Dr. So!cdade deixando em Tapirapoan o Tenente l\-1elloque fazia a rdag-uarda da columna para providenciar sobre o transporte, em carroça, de todas as cargas que fosse encontrando em caminho e que á heira da estrada seriam mandadas arrumar por mim.

18 19 Taes carg-as ahi collocadas indicariam não ter sido encontmdo o animal cargueiro quc as havia derrubado, na vespera, corcoveando, A's ï horas chegámos ao pouso do lot<.: de burros que na vespera fizera acampar no œrrado e ahi esperei que terminassem os tropeiros os preparativos de marcha, assistindo ainda carregar os animaes, emquanto o Or. Solcdade proseguía viagem para o SaIto da Felicidade. A's 7 horas e 30 minutos puz-mc em marcha escoltando o lote agora reduzido a ~ animal's, e is 7 horas c 45 minutos encontrei a rarga de um dos cargueiros desapparecidos, mandando desmontar um dos tocadores para utilizar él sua montada ('orno cargueiro c fazendo distribuir por alguns dôbros as difft'n'l1tes pe(,'as de ~éll arreamento. }\'s 13 horas alcancei (J «Salto» ('om as tropas d(~ bois (' de burros que vim arrebanhanrlo pelél estrada, comc(,'alldo pessoalmente a dirig-ir a passagem de toda" ellas (' as car,~-as respectivas para a outra margem (direita) do S('potuha, utilizando a balsa ahí existente. Durélnte esse tempo rhcg-ou de Tapir8.- )Joan o Tenente Tvr ello (' ;ís 16 horas e.~s minuto.'; tinhamos pas~ad() carg-as e animal's para o outre lado, dirigindo-nos então ao rancho em que acantonavam os demais membros superiores da 2." turm~,..'\0 encontrar ('om esses companheiros é que fui ler com attc'nção él carta que vos dirigiram, soiici tando suas exolwrações, documento ('sse que consti tue () sltppl{,!/l(,l1!o Il. 2 e que ag-iu sohre o meu espirito como a mais formidavcl das der:cpçõcs qlw póde ter um homem no cumprimento de seus deveres. A pedido dos demissionarios fiz seguir um esta

19 20 feta muntado levando um animal adestro, afim de conduzir a impatriotica e irritante missiva ao vosso acampamento que se encontrava a 57 kilometros além; o portador tinha ordem de regressar no dia immediato para o que viajaria dia e noite. A carta antipathica sq;uiu sem escolta de palavras minhas: nenhum commcntario bordei ás idéas que continha aquelje verdadeiro auto-libella, para não influir absolutamente sobre o vosso julgamento, como tarn- bem para não augmentar mais a aversão que despertaria em todos quantos viessem a ter conhecimento de seu conteudo. J ulg'o porém aqui chegada a hora de respigar friamente esse documento, com a mais imparcial justiça. Antes que tudo, nenhum commentario se deve accrescentar ao facto de ter assignado a carta I) Dr. Fernando Solcdade, medico da turma, bastanda para prof1ig-ar semelhante acta, simplesmente relatai-a, expol-o assim nu aos olhos de todos. De accorda com a vossa ordem do dia n. 2 lida por mim no circulo de officiaes, quando a expedição se encontrava em Tapirapoan, foi o Dr. Soledade induido na minha turma com as responsabilidades de medico, funcção essa de que se investiu, marchando em minha rompanhia de Tapirapoan ao Salto da Felicidade (24 kilometrns). Compunha-se a minha turma nessa o('(:asião de 56 fig'uras, sendo: PC'ssoaI te'chnir.o (' allxiliart's (supplemrnto n. 3), ï Contingente de praças do Exercito (supplementa n. 4), 16. Encarregado, arrieiros e tropeiros (supplemento ns. 5 e 6), 2 r.

20 21 Pessoal da tropa do rio da Duvida (supplcmento n. 7), 12. Teriamos que aggregar ao contingente mais um inferior e dez praças que se achavam em Aldeia Queimada; iriamos atravessar uma zona onde reinava o paludismo e estavamos tambcm sujeitos cvi dentemente a todos os accidentes que se pódcm produzir no sertão; não possuiamos nem pharmaceutico, nem um pratico que o substituisse; final mente, apesar da cxpedição disp()r de um outro medico que acompanhava a I." turma, partiramos de Tapirapoan na convicção de que não tinhamos necessidade d( pcdir-ihe explic<!(jjcs sobre é~ utili zaçãu dos medicamentos mais csscnciacs. Foi nestas condições que él 2: turma ficou pri vada de medico desde o segundo dia de marc:ha no sertão matogross('nsc, chamado pelos proprios demissionarios I( um dos mais aridos do Brasil )l. Quanto ao reg-rcsso dos demais memhros c discutindo a atitude dc]]e~~,em these, começaremos por analysar él primeira razão apresentada, pela qual se consideravam dispensados do encarf!;o de acompé) nhar a turma, por havcrdcs constituido rr uma 2.~ ('xpcdiç:ão )l com afim de facilitar a locomoção por pequenos w upnfi. A insinuação só teria cabi:ncnto se fosse 3pïescntada no momcnto mesmo cm C]1)e tiveram conhecimcnto dessa divisão cm turrnas, o que não fizeram nem cm seg-uida ;Í lcil1"'~ da respcrtiva crdcm do dia, nem com a min:ma objecção dc;1ois da cxpnsição verbal que lhes fizcstes, des envolvendo o assumpto, log-o após essa Jeitura, quando aind;, nos encontravamos em Tapiraporm. A alleg-ação de que ao primeiro dia de marcha

21 22 havia ficado em Tapirapoan parte ùos mantimentos c bagagens indispcnsaveis á subsistencia da turma - - não deixando perder de vista o considerando feito mais abaixo e pelo qual se affirma que cc ao mesmo tempo segue parallelamcnte uma commissão estrangeira melhor constituida de tropas e recursos)) -- deve ser traduzido do seguinte modo: a)- Mantimentos indispcnsaveis significa ahi, não o feijão, a farinha de mandioca, o arroz, a carne fresca, as farinhas de aveia, o leite condensado, o café, o assucar, o sal as cebolas, mas as conservas finas de peixe e fructas, os dores crystallisados da confeitaria Colombo, as latas de biscoutos da fabrica Jacob, o chocolate, as bolachas de agua e sal; b) - Bagagens indispensaveis deviam ser, na mesma proporção duplicatas de redt~s e mosquiteiros, sobresalcntcs de peças do vestuario, exagerada car~a de munições de guerra c cartuchos para caça, superfluidades proprias de quem, desconhecendo o sertão, propunha-se a atravessal-o em condições de conforto relativamente opulentas. Ao primeiro consic\l'rando referente ás necessiclac\l's de suhsistencia c locomo\~ão para o desempenho de suas diffcrrntes esp('cialidades, direi que semelhante affirmativa seria irrisoria se não fôra insidiosa, porquanto, os primf'iros animacs escalados para () serviço da turma () foram desig-nadamentc par;] attendcr ás exigencias da photographia. do taxidermista e do hotanico. na conformidade das requisições apresentadas por cada nm dos encarregados cie tacs sf'rviços, a meu pedido, feito embora com a razoahilissima rccommenda(:ão de que rf'duzissf'm ao minimo essa requisição. Quanto Ú sub-

22 23 sistencia, linhas atrás ficou cabalmente demonstrado a que proporções se reduz, quando não faltou á turma genero algum de primeira necessidade, desdl' sua partida até o termo de sua viagem, ap'-~sar de cu haver cedido, parte dos generos que conduzia, Ú l.' turma, por nos não fazerem falta. O caminhamento parallelo de uma ('ommissâo estrangeira (da qual fazia parte o Chefe da Commissão Brasileira, o medico brasileiro, o nosso geo logo nascido no Estado de Minas Geraes e mais dous officiaes do Exercito Brasileiro, em um total de 5 nacionaes para 8 norte-americanos) - Il melho, constituida de tropas e recursos», em primeiro logar deveria despertar da parte dos nossos compatriotas a lembrança das injuncções da hospitalidade, de comezinha obrigação moral para quem conhece os deveres de gentileza, sem falar nos deveres deco'."- rentes da organização official da expedição; em segundo logar, desprezada a mclhoria de l( recursos», em tudo eguaes aos que possuia a l.a turma, sem contar com a munição de algumas iguarias mais finas em conserva, como já foi dito e justificado, teremos ainda a oppôr alg'uns algarismos para bem avaliar em que consiste a superioridade das tropas. Sabido que a tropa do rio da Duvida foi constituida com () objectivo especial de conduzir de Tapirapoan ao rio da Duvida a carga de generas em conserva destinada á exploração projectada desse rio e confrontando o numero de animaes de que dispunha cada uma das turmas ao partir de Tapirapoan, teremos: I." turma a turma 79.

23 24 Donde resulta para aquella turma um excesso de 10 animaes, compensado pelo facto de ser de [4 pessoas () seu estado-maior (mais ï por conseguinte do quc as da 2. a turma) e pela necessidade de fornecer uma segunda montada ao Sr. Coronel Roosevelt e dotls animaes ainda, um para o ordenança do Sr. Roosevelt, outro para o elo Sr. Coro- Ilel Rondon. E note-se que a 1. a turma tinha de conduzir recursos de bocca para um pessoal assim accrescido do seu estado-maior e dispunha além disso de 2S praças c 20 tropeiros num total de 45 homens, contra um total de 37 de que na mesma occasião dispunha a 2. a turma. Da presumida superioridade das tropas só resta provar que nem em qualidade a tropa da 2. a turma t~ra inferior ~l da [.\ ('orno o não era em quantidadt. Or<1, de todos os animaes empregados ahi para (l transporte o mais resistente para essa zona é o bovino, em segundo logar () muar c em ultimo o cavallar; a 2." turma possuia 23 bois cargueiros c a I,ll nenhum; a 2. a turma dispunha de 56 muares cargueiros c de sella c a 1. dispunha parailclamenk rh- 66 animal's para o mesmo nm, sendü 5 cavallos_ Ainda quanto aos muares cargueiros c de sella. apesar de ser muito diffieil determinar. em condi- <J>es Œo disscmclhantcs, para que lado pendia essa 5upcrioridadc, os s21pplnl1r'll!os 8 e 9 comparados (om es pirita amplamente ncutral d(:'ixa1ticlaro flue lima tropa valia hem él outra. Finalm nte, p;;ra (>omplctar esta dissecação. ;Ibordemos o ultimo considerando agcitado a mar tdlo c a facão nessa peça heteroge!1ea. Comn ('m resistenr.ia ciels matni;ws se calcula

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