Ato Médico, exame de avaliação e denuncismo

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1 ISSN Ato Médico, exame de avaliação e denuncismo Temas polêmicos que exigem atenção e engajamento da categoria em 2013

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3 Editorial ISSN Bem-vindo 2013! O ano começa quente nas esferas da área da Saúde e a Médico em Dia está alerta aos principais debates e novidades que borbulham na mídia e nos bastidores. O Ato Médico continua sua jornada no Senado em prol da regulamentação da profissão médica e o Dr. Lairson Rabelo nos fala com propriedade sobre a principal polêmica do tema. Confira na editoria Tribuna. Ato Médico, exame de avaliação e denuncismo Temas polêmicos que exigem atenção e engajamento da categoria em 2013 Não menos importante, o Ponto e Contraponto tratou da questão do exame de avaliação dos alunos de medicina aplicado ao final do curso. O assunto divide opiniões não tanto pelo conceito, mas pela forma de aplicação. Além do mais, a discussão transcende a questão da avaliação em si e adentra por meandros bem mais complexos, que envolve a quantidade e a qualidade de escolas de medicina que surgem no país. Qual a sua opinião? Falando de viver mais e de forma mais saudável, apresentamos o projeto Salve Saúde. O Futuro Promete. Chegue Bem Lá, uma iniciativa da Associação Médica Brasileira e do Conselho Federal de Medicina que abre novas perspectivas para as ações preventivas e educativas em todo o Brasil. Conheça o projeto na editoria Especial. Como o verão ainda está em alta e a garotada em férias, veja as alternativas que a AMBr oferece a seus associados para o lazer e a prática de esportes de toda a família. No mês de fevereiro tem escolinhas esportivas gratuitas na Associação para ocupar a garotada até 12 anos. As inscrições estão abertas! Cirurgia Plástica, doação de órgãos e Robótica são temas tratados com seriedade na Médico em Dia. A Dra. Kátia Tôrres Batista, Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica no Distrito Federal, alerta sobre os riscos que envolvem a cirurgia plástica e para a necessidade de se procurar especialista titulado pela SBCP/AMB. Em outro enfoque, a Dra. Elza Dias Tosta da Silva fala sobre a pesquisa do neurocirurgião brasileiro Miguel Nicolelis para desenvolvimento de próteses comandadas por impulsos cerebrais. Um avanço que é aguardado com expectativas em todo o mundo. Saiba também que o Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo, realizando 95% das cirurgias no SUS, mas que apresenta grandes disparidades regionais. O médico pioneiro Dr. José Luiz Veloso Barbosa é nosso homenageado na editoria Perfil. Já para os que não perdem um capítulo de nossas colunas culturais, conheça um pouco sobre a Igreja e o Convento de São Francisco em Salvador, na Medicina e Arte, e o artigo sobre Herivelto Martins na editoria História da Música. Não acaba por aqui. A Médico em Dia tem muito mais notícias e dicas para seus leitores de todas as idades. Leiam e confiram. Paulo Feitosa, Diretor de Comunicação da AMBr

4 Diretoria Executiva Dr. Luciano Gonçalves de Souza Carvalho Presidente Dr. Evaldo Trajano Filho Vice-Presidente Dr. Jorge Gomes de Araujo Diretor Administrativo Dr. Carlos Jose Sabino Costa Diretor Econômico-Financeiro Dr. Elias Couto e Almeida Filho Diretor de Planejamento Dr. Paulo Henrique Ramos Feitosa Diretor de Comunicação e Divulgação Dr. Luiz Augusto Casulari Roxo da Motta Diretor de Editoração Científica Dra. Ana Patrícia de Paula Diretora Científica e de Ensino Médico Continuado Dr. Fernando Fernandes Correia Diretor Social e de Atividades Culturais Dra. Olimpia Alves Teixeira Lima Diretora de Relações com a Comunidade Conselho Fiscal TITULAR Dr. Márcio de Castro Morem Dra. Alba Mirindiba Bonfim Palmeira Dr. Ognev Meireles Cosac SUPLENTE Dra. Elza Dias Tosta da Silva Dr. Alexandre Barbosa Sotero Caio Dr. Bolivar Leite Coutinho Delegados EFETIVOS Dra. Edna Marcia Xavier Dr. Alexandre Morales Castillo Olmedo Dr. Jose Nava Rodrigues Neto Dr. Carlos Alberto de Santa Ritta Filho Dr. Eudes Fernandes de Andrade Dr. Sergio Tamura Dr. Aloísio Nalon Queiroz SUPLENTES Dr. Adalberto Amorim de M. Junior Dr. Antonio Geraldo da Silva Dr. Bruno Vilalva Mestrinho Dr. Baelon Pereira Alves Dr. Roberto Cavalcanti Gomes de Barros Dr. Roberto Nicolau Cavalcanti de Souza Dr. Alcides de Oliveira Dourado Filho Conselho Editorial Dr. Luciano Gonçalves de Souza Carvalho Dr. Evaldo Trajano Filho Dr. Paulo Henrique Ramos Feitosa Dr. Luiz Augusto Casulari Roxo da Motta DIRETOR RESPONSÁVEL Paulo Henrique R. Feitosa EDITORA-CHEFE Cristiane Rodrigues Kozovits JORNALISTA RESPONSÁVEL Marina Gomes Barbosa (RP: /2011 DF) REVISÃO Cristiane Kozovits Maria Carolina Lopes ESTAGIÁRIO André Sahid FOTOGRAFIA André Muniz EDITORAÇÃO Grifo Design COMERCIALIZAÇÃO AMBr Glória Santana (61) (61) IMPRESSÃO Ideal Gráfica e Editora TIRAGEM exemplares Médico em Dia é uma publicação da Associação Médica de Brasília AMBr SCES Trecho 3 Conj. 6 (61) REDAÇÃO Revista cultural de distribuição gratuita. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.

5 Sumário 12 Direto do Cérebro Uma matéria sobre a pesquisa que desenvolve membros mecânicos comandados por impulsos elétricos emitidos diretamente do cérebro. Uma revolução aguardada para os próximos anos. 18 Especialidade Médica A presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica no Distrito Federal, Dra. Kátia Tôrres Batista, fala sobre o aumento no número de cirurgias plásticas estéticas e a necessidade de se procurar um especialista antes de se submeter ao procedimento. 28 Ponto e Contraponto O presidente da Associação Médica Brasileira, Dr. Florentino de Araújo Cardoso Filho, e a presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes, Dra. Beatriz Costa, debatem o exame aplicado pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) aos recém-graduados em medicina. 34 Perfil A história do médico nefrologista pioneiro em Brasília Dr. José Luiz Veloso Barbosa que fez parte da equipe que realizou o primeiro transplante de rim da capital. 24 Especial: Ato Médico O senador Cássio Cunha Lima, relator na Comissão de Educação do projeto do Ato Médico, e o Dr. Lairson Rabelo falam sobre a proposta que regulamenta o exercício da Medicina e define as atividades privativas da profissão. Radar 16 Medicina e Arte 22 Jovem Médico 27 Gourmet 39 Destinos 42

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7 Palavra do Presidente Presidente da Associação Médica de Brasília AMBr Salve médico! Salve o médico Com tanta pressão sobre a atividade de saúde que converge,no final, para a figura do médico, é fundamental que o segmento e as instituições médicas aprofundem a discussão sobre o momento nacional e a questão do direito à saúde garantido pela Constituição Federal. A AMBr, preocupada com os ataques diuturnos ao segmento da saúde que refletem diretamente no médico, tem convocado insistentemente as representações e os profissionais a se unirem em nome da defesa da boa prática da ciência médica. Diversos pontos, em rol não exaustivo, podem ser destacados para identificação de atuais algozes dos médicos, tais como: operadoras de seguro saúde; seguradoras que oferecem seguros contra erro médico; o setor especulativo financeiro (bancos que compram hospitais, laboratórios, clínicas etc.); a judicialização da saúde sem consulta às práticas ou protocolos e diretrizes médicas e o denuncismo permanente de setores da mídia, em nome da população, mas a serviço dos especuladores e dos vendedores de insumos de saúde. Até mesmo certos políticos, como um dos nossos senadores que, diante da solicitação de apoio à aprovação da regulamentação da profissão médica, disse que o médico tem apenas a razão, mas não a força, e as próprias políticas públicas que dispõem, muitas vezes, de instrumentos de gestão inapropriados à execução das ações promotoras de saúde para a população. Todos esses elementos pressionam e fragilizam o profissional médico, deslocando o foco de sua vocação humanista e da essência doadora de tão nobre profissão. Vários grupos da sociedade organizada têm interesse direto na prática da promoção de saúde e na assistência à doença quando identificam o potencial econômico do setor. O receituário médico é a ordem de serviço que movimenta a maior parte desse segmento, por isso amplamente ambicionado. Os grupos interessados não podem prescindir do profissional médico, mas tendem a subjugá-lo. A AMBr, preocupada com os ataques diuturnos ao segmento da saúde que refletem diretamente no médico, tem convocado insistentemente as representações e os profissionais a se unirem em nome da defesa da boa prática da ciência médica. Compreendemos que precisamos reagir e salvaguardar o médico e a profissão, resgatando e garantindo a tranquilidade que ele precisa no relacionamento com os pacientes, também vítimas da especulação insana. A única ferramenta para essa ação é a união dos médicos em torno do movimento necessário para regular a profissão, discutir e interferir na forma de certificar e formar novos médicos, avaliar continuamente os já certificados, defender o valor do Ato Médico, criar representação ativa junto aos poderes constituídos e nos fazer ouvir e respeitar. Para isso é preciso do endosso e engajamento dos onze mil médicos em atividade no DF e dos quase quatrocentos mil em todo Brasil. Precisamos saldar o médico. Salve médico! Devemos socorrer o médico. Salve o bom médico. 7

8 8 Salve Saúde O Futuro Promete. Chegue Bem Lá. A população brasileira está vivendo mais a cada dia. Indicadores oficiais apontam que, atualmente, o brasileiro nasce com expectativa de vida de aproximadamente 73 anos. Em 1980 a idade girava em torno de 63 anos. Ou seja, em pouco mais de três décadas, passamos a viver 10 anos a mais em média. O aumento da expectativa de vida do brasileiro é resultado da ampliação das redes de saneamento básico, maior cobertura de assistência médica e acesso à informação. Também colaboram para os resultados as campanhas de vacinação, implantação de programas de nutrição e de assistência às gestantes e o incentivo ao aleitamento materno. Consonante com o aumento nas taxas de expectativa de vida está a constante redução das taxas de mortalidade infantil. Embora os índices no Brasil estejam melhorando a cada ano, ainda há muito que fazer. Os países com maiores expectativas de vida hoje são Noruega, Cuba e Estados Unidos, com 81,1; 79,1 e 78,5 anos respectivamente. Até mesmo nossos vizinhos Uruguai e Argentina estão mais bem posicionados: pela ordem, 77 e 75,9 anos. Na outra ponta do estudo, fica a República Democrática do Congo, com 48,4 anos. A questão, porém, é mais complexa do que simplesmente alcançar uma vida mais longa, é preciso viver mais, porém com saúde. Pensando nisso, a Associação Médica Brasileira (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) lançaram, no dia 4 de dezembro em Brasília, o programa Salve Saúde O futuro promete. Chegue bem lá, com o objetivo de reduzir a incidência de doenças crônicas não transmissíveis na população brasileira e fornecer informação sobre saúde e qualidade de vida à população. A iniciativa busca estimular mudanças de hábito na vida cotidiana dos brasileiros: alimentar-se de forma saudável,

9 EXPECTATIVA DE VIDA: Brasil 73 anos Brasil: em 1980 a expectativa de vida era de 63 anos. Em pouco mais de três décadas, passamos a viver, em média, 10 anos a mais. Uruguai Argentina 77 anos 75,9 anos PAÍSES COM MAIORES EXPECTATIVAS DE VIDA: DOENÇAS CARDÍACAS 12 milhões de mortes por ano DOENÇAS CARDIOVASCULARES 29,4 % de todas as mortes em um ano Noruega Cuba PAÍS COM PIOR EXPECTATIVA DE VIDA: Congo 48,4 anos 81,1 anos 79,1 anos As doenças cardíacas lideram os rankings de mortalidade e de internações hospitalares. São mais de 12 milhões mortes ao ano em virtude de infartos, acidente vascular cerebral, angina, hipertensão arterial, entre outras. As doenças cardiovasculares são responsáveis por 29,4% de todas as mortes registradas no país em um ano. Mais de 308 mil pessoas faleceram principalmente de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). A alta frequência do problema coloca o Brasil entre os 10 países com maior índice de mortes por doenças cardiovasculares. A hipertensão arterial atinge em média 20% dos adultos entre 40 e 50 anos de idade. Fonte: AMB e Ministério da Saúde praticar exercícios físicos regularmente, descansar adequadamente, tomar mais água, entre outras. A ideia é mostrar que o futuro é viável e promissor, mas que exige um esforço de cada um para a adoção de hábitos mais saudáveis e atitude preventiva. No lançamento da campanha, foi apresentado o site um dos principais canais do programa, que irá fornecer informação confiável a respeito dos hábitos que podem contribuir para o bem-estar e a longevidade das pessoas. Queremos levar conteúdos baseados em evidência científica, escritos e chancelados pelas Sociedades de Especialidade. O Brasil espera, a partir de 2030, a diminuição do ritmo de crescimento da população, o que gerará um pico de envelhecimento em Graças aos avanços da medicina e ao desenvolvimento do país, os brasileiros viverão mais. Desejamos que envelheçam mais saudáveis e, para os que já desenvolveram doenças crônicas não transmissíveis, que consigam controlá-las melhor e viver com mais qualidade. Tenho convicção que chegaremos bem ao futuro se assim o fizermos, diz o presidente da AMB, Florentino Cardoso. educativo dos pacientes, e convencer a população sobre os benefícios de aderir a essa importante iniciativa. Todos sabem da importância de hábitos saudáveis e de exercícios regulares. Falam deles e os defendem. Só que, na prática, ainda fazem bem pouco por si mesmo. Isso tem de mudar já. Nossa meta é atingir o maior número de profissionais da saúde para trocar informações entre a comunidade médica e os pacientes. Manter o médico atualizado e levar informação de qualidade para a população é o caminho para o sucesso do projeto, reforça o presidente da AMB. Ele lembra ainda que o site é aberto à contribuição das Sociedades de Especialidade. Os médicos podem enviar novas informações a qualquer momento. Além disso, é possível colocar vídeos e relatos de experiências inspiradoras de pessoas que se beneficiaram com a adoção de hábitos mais saudáveis, diz. No site, a população tem disponível informações sobre gestação, saúde da criança, saúde da mulher, do homem e do idoso, alimentação saudável, cuidados com o coração, tabagismo, câncer de pele, alcoolismo, entre outros. De acordo com Cardoso o profissional de saúde é um dos principais influenciadores e agentes da mudança de hábito e visão de futuro dos brasileiros, no que tange a saúde. No entanto, ainda há muito mais a fazer, como qualificar melhor os médicos, para que engajem mais no processo Queremos construir um grande portal de informação científica de referência para a população, com linguagem acessível e didática. Lá todos poderão tirar suas dúvidas sobre doenças, sintomas, prevenção, novas tecnologias e tratamentos, finaliza Cardoso. 9

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11 Cultura Atenção às Vacinas O autor Dr. Rui Nogueira destaca no livro a importância da vacina e seu poder de prevenção. Ele esclarece que as vacinas devem ser tomadas de forma preventiva para melhorar a imunidade do corpo e evitar a multiplicação bacteriana. O livro ainda alerta sobre a importância do cartão de vacina e apresenta informações sobre o Sistema de Saúde Pública. Guia prático: Plano de Marketing para clínicas e consultórios O planejamento é algo imprescindível para qualquer negócio. Na saúde, vale a mesma regra. Por isso é tão importante que o profissional tenha em mente o quão importante é elaborar um plano de marketing. O livro é verdadeiramente um guia prático, que apresentará brevemente os principais itens para o planejamento de negócios em saúde. Ter esses conceitos em mente na hora de montar um consultório ou clínica fará toda a diferença e mudará a maneira como os profissionais de saúde enxergam o mercado, suas oportunidades e o próprio termo marketing. Mamãe é Médica Mamãe é Médica surge como um livro essencial a todas as crianças que convivem com a mãe médica e fazem dessa relação uma prova de carinho, amor e respeito. Escrito por Flávia Custódio e com ilustrações de Clara Gavilan, o livro trata de uma deliciosa história infantil que esclarece, de maneira ilustrativa, todas as questões que envolvem o dia a dia da mãe médica e a percepção das crianças sobre a importância desta profissão. 11

12 12 Direto do Cérebro

13 Com o avanço da tecnologia aliada à medicina, as próteses mecânicas para membros inferiores e superiores estão cada vez mais próximas de uma revolução inédita: o comando por impulsos cerebrais. Ainda fora do mercado de consumo, é uma promessa e uma expectativa para os próximos anos. O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, de 45 anos, comanda uma super equipe na Universidade de Duke, na Carolina do Norte (EUA), que há mais de oito anos trabalha na evolução dos membros mecânicos comandados por impulsos cerebrais. O experimento revolucionário já está em testes. E, hoje, na reta final, conta com um chip que pode ser acionado por impulsos elétricos emitidos diretamente do cérebro, acionando o membro mecânico que reage automaticamente. Em um futuro próximo, espera-se que a novidade venha auxiliar na recuperação de paraplégicos e tetraplégicos que necessitam de próteses em todo o mundo. O trabalho do cientista entrou numa nova fase em julho de 2012, quando começaram testes completos com pessoas, abrangendo todo o ciclo da experiência. Agora faremos a conexão direta entre os pacientes e membros robóticos por cerca de uma hora e meia, diz Nicolelis. Antes, os exames eram parciais e o tempo de execução não ultrapassava dez minutos. A Médico em Dia ouviu a doutora Elza Dias Tosta da Silva, ex-presidente da Academia Brasileira de Neurologia, graduada pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Pós-Doutorado pela Universidade de Londres, além de ser atualmente neurologista do Hospital de Base do Distrito Federal. Em sua opinião, o sucesso dessa pesquisa trará grande esperança para muitas pessoas que dependem de uma prótese. Tenho acompanhado o trabalho do Dr. Nicolelis e a expectativa é de que poderá facilitar significativamente a vida de pessoas paraplégicas que precisam de membros mecânicos, dando-lhes maior agilidade e independência. Acredito que esse é um trabalho de peso, pois vários países estão aguardando uma conclusão positiva, afirma. No Brasil, as próteses são bem evoluídas e várias empresas já comercializam membros mecânicos em todos os estados. Mesmo não tendo o movimento do membro coordenado pelo cérebro, os pacientes já se sentem satisfeitos por poderem utilizar o equipamento para a locomoção e por razões estéticas também. PREOCUPAÇÃO COM O CUSTO Nos primeiros seis anos após seu lançamento, o custo de um equipamento é muito elevado. Muitas vezes inviável para a maioria dos pacientes. Essa é uma preocupação da neurologista Elza Tosta. É perturbadora a certeza do alto custo para adquirir uma prótese dessas,movida por impulsos cerebrais. Na minha opinião, todos deveriam ter acesso. Outro obstáculo é que que essa nova tecnologia, após lançada, vai precisar ser aprovada pelas agências reguladoras. Depois disso, esperamos que o governo tente viabilizar esses equipamentos para as pessoas que não têm condições de adquiri-las, defende. Para o uso dessas próteses, o paciente terá que passar por uma avaliação minuciosa que vai definir que tipo de lesão contribuiu para a paralisação de determinado membro. As lesões podem ser originadas na medula, no nervo periférico ou numa lesão cerebral. Cada caso determina um tipo específico de tratamento. 13

14 Olhar Social Doação de Órgãos 14 O Brasil apresenta enormes disparidades nas estatísticas de doações e transplantes de órgãos. Enquanto alguns estados há anos alcançam números comparáveis aos melhores no mundo, outros chegam ao final do ano sem realizar um transplante sequer.

15 Nosso país possui o maior sistema público de transplantes do mundo, o Sistema Único de Saúde (SUS) que oferece assistência integral ao paciente transplantado, incluindo exames periódicos e medicamentos pós-transplante. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), de janeiro a junho de 2012 foram identificados potenciais doadores de órgãos e tecidos no Brasil. Deste total, somente se tornaram doadores efetivos. A recusa da família ainda é a principal barreira. Neste ano, 63% dos familiares entrevistados em todo o Brasil negaram a doação, especialmente por desconhecer a vontade de seu parente. DOAÇÃO DE OSSOS TAMBÉM É POSSÍVEL O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) informa aos doadores de órgãos que não só rins, fígado, coração e córneas podem ser doados. Os ossos também podem e são capazes de evitar amputações de membros e devolver a qualidade de vida a muitos pacientes que necessitam de transplante e de enxertos ósseos. Cerca de 30 pessoas podem ser beneficiadas com apenas um doador de ossos. O Into mantém um Banco de Tecidos, único público do país, responsável pela captação, processamento e distribuição de ossos, tendões e meniscos para utilização em cirurgias de transplante ósseo e de enxerto ortopédico no Rio de Janeiro e em outros estados. Os casos clínicos mais frequentes são de perdas ósseas decorrentes de tumores, trocas de prótese e traumatismo, além de pacientes com deformidades congênitas e de coluna e com problemas odontológicos. COMO SER UM DOADOR? O passo principal para você se tornar um doador é conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. A doação de órgãos pode ocorrer a partir do momento da constatação da morte encefálica. Também existe a doação de órgãos em vida. O médico poderá avaliar a história clínica da pessoa e as doenças anteriores. A compatibilidade sangüínea é primordial em todos os casos. Há também testes especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso. Os doadores vivos são aqueles que doam um órgão duplo como o rim, uma parte do fígado, pâncreas ou pulmão, ou um tecido como a medula óssea, para que se possa ser transplantado em alguém de sua família ou amigo. Este tipo de doação só acontece se não representar nenhum problema de saúde para a pessoa que doa. Com informações do Ministério da Saúde Tipos de Transplante PULMÃO 100% CORAÇÃO 29% FÍGADO 13% CÓRNEA 13% Estados que mais se destacaram quanto ao índice de crescimento da doação de órgãos: UF Maiores altas Acre 1.033% Amazonas 217% Pará 104% RIM 14% MEDULA ÓSSEA 17% Distrito Federal 76% Pernambuco 74% 15

16 Radar FORMAÇÃO Dois serviços da capital iniciam em 2013 mais um ciclo de especialização médica. O Hospital Pacini promoverá uma nova turma do Programa de Fellowship, que oferece a médicos já titulados em oftalmologia a oportunidade de aperfeiçoar conhecimentos e práticas em diversas subespecialidades. Informações: Já o Grupo Núcleos inicia mais uma turma de residência em medicina nuclear. Informações: Dasa abre vagas para residência médica OPORTUNIDADE É VOLTADA PARA AS ÁREAS DE PATOLOGIA CLÍNICA E MEDICINA LABORATORIAL. 16 O DASA, um dos quatro maiores grupos de medicina diagnóstica do mundo, abre vagas para residência médica em Patologia Clínica e Medicina Laboratorial. Os interessados no curso, que é realizado em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) e homologado pelo Ministério da Educação (MEC), podem inscrever-se a partir do dia 7 de janeiro no Canal do Médico, localizado no laboratório Exame, na Quadra 716, bloco B, Asa Sul. As inscrições devem ser presenciais para quem mora no Distrito Federal. Os candidatos que residem fora poderão solicitar inscrição por meio de procuração específica registrada em cartório, ou via SEDEX. ONA É da capital federal a primeira clínica de oncologia das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste certificada pela ONA/Ministério da Saúde em Nível 3 o mais elevado. Trata-se do Centro de Câncer de Brasília Cettro, fundado há 10 anos. Informações: SERVIÇO RESIDÊNCIA MÉDICA EM PATOLOGIA CLÍNICA DASA-UNB Endereço: SHLS 716 Sul, bloco B, subsolo Canal do Médico DASA/Brasília Para acessar o edital e a ficha de inscrição: Informações: Rubenildo Queiroz Silva Tel.: (61)

17 Vacina do HPV será administrada em adolescentes do DF Em ação pioneira no país, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal vai vacinar meninas entre 11 e 13 anos contra o vírus papiloma humano, mais conhecido como HPV, que é a principal causa do câncer do colo de útero. A secretaria pretende iniciar a vacinação no mês de março, e imunizar mais de 60 mil meninas em todas as escolas públicas e particulares do DF. Fonte: Cláudio Humberto - 17/01/ planos de saúde suspensos pela ANS Saúde identifica irregularidades e suspende repasse de recursos a 12 municípios Portarias do Ministério da Saúde publicadas no Diário Oficial da União suspendem a transferência de incentivos financeiros referentes à Estratégia de Saúde da Família a 12 municípios brasileiros Pendências (RN), Balsas (MA), Axixá do Tocantins (TO), Taquarana (AL), Surubim (PE), Manoel Urbano (AC), Feliz Deserto (AL), Sapucaia (RJ), Miracema (RJ), Sítio Novo do Tocantins (TO), Aparecida do Rio Negro (TO) e Brejinho de Nazaré (TO). De acordo com as publicações, a decisão foi tomada com base em irregularidades na gestão identificadas pela Controladoria-Geral da União (CGU), sobretudo no que se refere ao descumprimento da carga horária de médicos e dentistas vinculados à Estratégia Saúde da Família, conforme preconiza a Política Nacional de Atenção Básica. Desde o dia 14 de janeiro, 225 planos de saúde administrados por 28 operadoras estão proibidos de serem comercializados em todo o Brasil. De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a decisão foi tomada em razão do descumprimento dos prazos máximos fixados para a marcação de consultas, exames e cirurgias. A venda dos planos ficará suspensa até março, podendo ser prorrogada em caso de reincidência. Quem já é beneficiário dos planos suspensos não terá o atendimento prejudicado, uma vez que a penalidade consiste em impedir a venda a novos segurados. Veja a lista dos planos suspensos em O ministério informou que a decisão de suspender a transferência de recursos será mantida até que as irregularidades detectadas tenham sido sanadas. Fonte: EBC 17

18 Especialidade Médica Presidente SBCP-DF Cirurgia Plástica No século XXI a tendência a associar atrativos físicos à inteligência, à competência social e as maiores chances de sucesso, aliados a procedimentos cirúrgicos cada vez mais seguros, tem motivado mais pessoas a realizarem cada vez mais Cirurgias Plásticas. Entre 2001 e 2008, de acordo com dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), 97% dos médicos denunciados ao órgão por erros ou imperícia durante a realização de cirurgias plásticas não tinham o título de especialização na área. Isso acontece porque a legislação brasileira permite que o médico exerça qualquer especialidade, mesmo que não tenha título de especialista na área. Assim, encontramos médicos realizando procedimentos para o qual não possuem preparo adequado. Dos 289 médicos que respondem a processos ético-profissionais no Estado de São Paulo, ligados à lipoaspiração, plástica de rosto, aumento de mama e outros procedimentos estéticos, só seis tinham título de especialista em cirurgia plástica, situação semelhante ocorre no DF. Ainda sobre a pesquisa do CFM, quase metade dos médicos (139) não tinham título algum. Ou seja, após cursar os seis anos de medicina, se especializam em psiquiatria, endoscopia, medicina preventiva, neurologia, anestesiologia e outras especialidades que não ensinam a fazer procedimentos estéticos ou reparadores de cirurgia plástica. As publicidades médicas são outros motivos frequentes para denúncias. Estas devem obedecer exclusivamente a princípios éticos de orientação educativa, mas alguns cirurgiões ultrapassam os limites permitidos. Para estes já há ajustes de conduta, campanhas educativas e fóruns de discussões. 18 As outras queixas relacionam-se aos resultados obtidos com as cirurgias. Vale ressaltar que toda intervenção cirúrgica, inclusive cirurgias plásticas estéticas, pode apresentar resultados não esperados, mesmo na ausência de erro médico.

19 É fato comprovado nas estatísticas e publicações médicas: não é possível alcançar 100% de sucesso nas cirurgias. Porém, o especialista deve informar e discutir com o paciente o procedimento proposto, estabelecendo uma relação de confiança entre médico e paciente, obter o termo de consentimento livre e esclarecido de informações compartilhadas. Normalmente o que motiva alguém a se submeter a uma cirurgia plástica é esperança de ficar mais satisfeito com sua aparência e melhorar a auto-estima. Supõe-se que uma cirurgia plástica bem sucedida melhore a imagem corporal. Por isso, atua-se no corpo por meio de procedimentos invasivos. Se o resultado da cirurgia está de acordo com a expectativa do paciente, espera-se que haveria como conseqüência a melhora da imagem corporal. No entanto, o paciente procura, com a cirurgia plástica, também melhorar sua auto-estima e seu estado psicológico. Isso é algo mais complexo já que a média de satisfação com uma cirurgia plástica nessas condições é em torno de 70%. Sendo que 90% dos pacientes satisfeitos com uma cirurgia optariam novamente pelo procedimento e outros 3% decidiriam por não fazê-la novamente. As pessoas que possuem problemas físicos (obesidade, diabetes, tabagistas, distúrbios da coagulação ), psicológicos (depressão, síndrome do pânico, ansiedade, síndrome do dismorfismo corporal e outros) e de baixa auto-estima antes da cirurgia têm uma tendência de ter menor satisfação com o resultado cirúrgico, isso vale para qualquer procedimento realizado. Isso é importante como alerta para o profissional que irá atender e avaliar um paciente. No pré-operatório, quando detectado problemas físicos e psicológicos descompensados, é recomendável desaconselhar a cirurgia. No mais, é importante ter zelo no atendimento, no registro dos dados no prontuário e sempre obter o termo de consentimento livre e esclarecido. Para as pessoas que querem se submeter a uma cirurgia plástica, vale lembrar que todos os procedimentos cirúrgicos envolvem riscos de complicações, de reações adversas e deixam cicatrizes. Recomenda-se minimizar os riscos procurando se consultar com cirurgião plástico especialista pela SBCP, disponivel nos sites e estar inscrito no CRM, disponível no site somos 140 em Brasilia. Além disso, procurar operar em clínica ou hospital adequado ao porte do procedimento. As cirurgias plásticas são autorizadas em quatro tipos de estabelecimentos médicos divididos em procedimentos de porte tipo 1, 2, 3 e 4. No tipo 1, são cirurgias simples, como biópsias, infiltração e sutura de ferimentos. No tipo dois,são as de pequeno porte que necessitam de centro cirúrgico, desde que utilizem anestesia local. As do tipo 3, são de médio porte, necessitam do anestesiologista e o paciente só pode ficar internado em recuperação até 60 horas. As do tipo quatro, ou de grande porte e conjugadas, só poderão ser feitas em hospitais. Vale ressaltar que entre os riscos menores estão as cicatrizes, elas são a evolução normal e o resultado de qualquer procedimento cirúrgico, tenta-se camuflá-las ou obter a cicatriz de melhor qualidade, mas muitas dependem da reação normal do organismo. A experiência com a cicatriz, mesmo que esclarecidos antes do procedimento, pode ocasionar alterações no bem estar, no comportamento e gerar conflitos entre o paciente e o médico. GRÁFICOS CIRURGIAS PLÁSTICAS % 20% FINS ESTÉTICOS Homens Mulheres 50% 50% REPARADORAS Homens Mulheres O número total de cirurgias plásticas realizadas por ano esteve em torno de entre 2007 e 2008 no país, sendo 80% em mulheres e 20% em homens nas cirurgias para fins estéticos; 50% dos homens e 50% mulheres nas reparadoras; correspondendo a operações estéticas realizadas por dia; 471 cirurgias reparadoras registradas ao dia. Dessas, 202/dia foram após casos de câncer e 60/dia por violência; 96 mil procedimentos foram implantes de silicone, com aumento de 400% desde 2001; 3% dos procedimentos estéticos foram realizados em pacientes estrangeiros. Vale lembrar que em 2004 o número de cirurgias plástica realizados no Brasil era de , sendo com finalidade estética e reparadora. Os casos de câncer de pele e de mama, por exemplo, responderam por 74 mil operações registradas na pesquisa realizada naquela ocasião(202 ao dia), os casos de violência e acidentes geraram 22 mil cirurgias, ficando à frente, por exemplo dos procedimentos causados por defeitos congênitos (21 mil), queimaduras (21 mil) e acidentes domésticos (12 mil). 19

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