VIDA URBANA NO FUTURO

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1 SIVA MAGAZINE Nº 15 Trimestral Outono VIDA URBANA NO FUTURO Audi promove ideias arrojadas LOJAS DE LUXO Um passeio pela Avenida VOLKSWAGEN SHARAN O orgulho de nascer em Portugal

2 Editorial A VIDA É BELA! O reconhecimento como prémio pelo valor dos serviços prestados é uma parte muito importante na vida das pessoas, das empresas e das instituições. E hoje, face ao difícil momento que atravessamos, essa afirmação tem um peso bem mais expressivo, como um tónico suplementar para atravessar com sucesso os enormes desafios que se colocam às pessoas e organizações em Portugal. Por isso queremos partilhar com os nossos leitores a alegria que tivemos ao ver a SIVA distinguida como o Melhor Importador Volkswagen, com o que significa para uma empresa portuguesa virada para o mercado português, que vive tempos particularmente exigentes, e no contexto do grandioso mundo Volkswagen. E se o fazemos não é por vaidade, mas como prova que uma equipa dedicada, entusiasta e orgulhosa em torno de um projecto vivido intensamente com os nossos Parceiros e Concessionários, virada para o mercado e para os clientes e com uma visão para o futuro, foi reconhecida pela Volkswagen. Por razões semelhantes, destacamos o lançamento do novo Volkswagen Sharan, no mercado português e a nível internacional, que assinala uma nova etapa na renovação do forte investimento que o Grupo Volkswagen faz no nosso país, através da Autoeuropa. Motivo para ouvirmos o seu novo responsável, António Pires, neste momento de grande importância para a empresa, para a Marca e para o País. É de realçar que o Grupo Volkswagen regista um valor de exportações de quase o dobro das importações, e tem um peso muito expressivo na balança comercial portuguesa, vector indispensável para o relançamento do crescimento sustentado da economia. E como o sonho é também fundamental à vida, para não nos limitarmos ao futuro imediatista, trazemos até si um artigo sobre as diferentes visões do futuro da mobilidade e do desenvolvimento urbano para o Mundo de 2030, um interessante debate de ideias que a Audi está a patrocinar já hoje. Mais do que nunca precisamos de ter presente que a vida é bela! FERNANDO MONTEIRO Administrador OUTONO

3 EM DESTAQUE Sumário p.6 especial LOJAS DE LUXO p.26 viagens DESTINOS EM RISCO p.50 lançamento VW SHARAN p.20 prémio IMPORTADOR DO ANO p.38 aniversário SOCIEDADE HÍPICA p.54 mobilidade FUTURO URBANO p.6 especial LOJAS DE LUXO p.12 entrevista PADRE LINO MAIA p.16 efeméride CENTENÁRIO DA REPÚBLICA p.20 prémio IMPORTADOR DO ANO p.22 entrevista ALAIN FAVEY p.24 notícias SALÃO DE PARIS p.26 viagens DESTINOS EM RISCO p.32 ensaio AUDI A1 p.36 eventos A1 EM FESTA p.38 aniversário SOCIEDADE HÍPICA p.44 apresentação VOLKSWAGEN AMAROK p.46 evento WORLD BIKE TOUR p.50 lançamento VOLKSWAGEN SHARAN p.52 entrevista ANTÓNIO PIRES p.54 mobilidade AUDI URBAN FUTURE AWARD p.59 pausa para café CAMANÉ p.60 notícias PESSOAS E EVENTOS p.62 boas ideias COMPRAS p.64 contactos LISTA DE CONCESSIONÁRIOS p.66 a fechar SIRVA-SE Ficha técnica Directora: Mafalda Correia. Redacção, Paginação e Produção: Motorpress Lisboa S.A., Rua Policarpo Anjos, nº4, CRUZ QUEBRADA/DAFUNDO; Tel , Fax ; com o capital social de euros, registada no Registo Comercial de Cascais, nº08613, contribuinte nº Propriedade: SIVA - Sociedade de Importação de Veículos Automóveis S.A., Apartado 9, AZAMBUJA; Tel , Fax ; Publicidade: Dpto. Comercial Motorpress Lisboa; Tel ; Impressão: Fernandes & Terceiro Lda. - Rua Nossa Senhora da Conceição, Carnaxide. Depósito Legal /06. Publicação registada na Entidade Reguladora para a Comunicação Social sob o nº Periodicidade: Trimestral. Quer que um amigo receba a Exclusiva? ESCREVA-NOS PARA: 4 EXCLUSIVA

4 ESPECIAL LOJAS DE LUXO DA AVENIDA DA LIBERDADE Um passeio pela AVENIDA Consta dos rankings mundiais das ruas mais luxuosas, em 35º lugar. A Avenida da Liberdade, em Lisboa, é cada vez mais procurada pelas grandes marcas, que só vivem em terrenos nobres. Siga-nos num passeio pela elegância e o luxo. PRADA, Nº216 Ainda cheira a novo a mais recente loja da Avenida da Liberdade. Depois de um ano inteiro a viver escondida sob tapumes, a primeira loja Prada em Portugal está finalmente de portas abertas. Foram precisos três anos de estudo sobre a melhor localização e de espera para que a inauguração do ano em Lisboa há mesmo quem arrisque, do país se concretizasse. Esse dia chegou no passado mês de Junho. A loja Prada fica no piso térreo do número 216, mas todo o edifício histórico onde se situa sofreu obras de recuperação. O projecto, com 650 metros quadrados distribuídos por dois andares, assinado pelo arquitecto italiano Roberto Baciocchi, tem duas entradas e quatro montras que mostram um interior clássico, em muito semelhante a outras lojas Prada do mundo, com paredes num tom chá verde que dão o mote para que seja incluída no lote das chamadas Prada Green Stores (por oposição aos Prada Epicenters, ex-libris da marca). A música lounge dá as boas-vindas a quem entra neste espaço que, durante anos, albergou um concessionário automóvel. Uma alcatifa alta e suave ampara os passos de quem ali entra. As colunas de mármore originais mantêm-se e jogam na perfeição com o chão, também em mármore preto. Há já algum tempo que a marca italiana queria instalar-se em Portugal. Finalmente, para todos os fãs da melhor moda mundial, esse dia chegou. DOLCE & GABBANA, Nº 258 Antes da chegada da Prada a Lisboa, a loja D&G tinha sido a última grande sensação da Avenida. Em 2007, no segmento de luxo democrático, a dupla italiana de criadores Domenico Dolce & Stefano Gabbana trouxe para Portugal a sua linha mais jovem e acessível, a D&G. Não sendo um espaço gigantesco, os 200 metros quadrados estão bem aproveitados e guardam as linhas D&G Women, D&G Men, D&G Beachwear, D&G Underwear e D&G Sunglasses. O jogo de espelhos e envidraçados ajuda à ilusão de prolongamento da loja, que faz lembrar o deck de um navio. Dividida em três níveis, à entrada salta à vista o puxador da porta, com a palavra Push em letras garrafais. Em frente, em enormes parangonas, o Prada Prada Dolce & Gabbana Dolce & Gabbana fl > 6 EXCLUSIVA OUTONO

5 LOJAS DE LUXO DA AVENIDA DA LIBERDADE omnipresente logo D&G no balcão de atendimento dá as boas vindas ao cliente. O universo trendy e colorido de um mix de culturas, música, pessoas, moda e estilo, bem patentes na filosofia da D&G, estão presentes em todo o espaço. Até mesmo no melhor spot da loja: um pequeno jardim interior, revestido a madeira e pontuado com grandes bambus, que, nos dias mais amenos, é o sítio ideal para um momento chill out, potenciado pela música de fundo. LOUIS VUITTON, Nº 190 Quando fez 150 anos, em 2004, a Louis Vuitton também celebrou a data em Portugal, com a abertura de uma loja na Avenida da Liberdade. Representada no país desde 1988, a marca deixou para trás o espaço que tinha na Rua Augusta para abrir portas na avenida mais luxuosa de Lisboa. Não é exagero dizer que se a Avenida é conhecida como a rua das lojas de luxo, deve-o, em grande parte, à Vuitton. São 400 metros quadrados de área que nunca estão vazios. Mesmo sem fazer saldos ou promoções, é raro estar sem clientes. A exclusividade e qualidade dos produtos Louis Vuitton justificam a procura, assim como o sonho que a marca assegura através de uma imagem sólida construída através dos tempos. É esse sonho, aliás, que faz com que estas duas poderosas letras do alfabeto (LV) sejam capazes de levar mulheres de todo o mundo a ficar numa fila de espera para comprar uma mala com um valor que ultrapassa facilmente os três dígitos. Marc Jacobs, director criativo da marca, já garantiu uma nova loucura para este Inverno: a colecção inclui várias reinterpretações da icónica mala de mão Speedy, em pele de jacaré, pele de vitela encerada ou tela monograma coberta de lantejoulas. ROSA & TEIXEIRA, Nº 204 Quem entra na Rosa & Teixeira não imagina que para lá da loja se estende um mundo de corte e costura. Uma das casas mais conceituadas de Lisboa, ícone da alfaiataria, este espaço guarda, todos os dias, imagens do antigamente, com o mestre alfaiate a receber os clientes que procuram fatos à medida, dois alfaiates oficiais e uma dúzia de costureiras sentadas em cadeiras baixinhas e de costas curvadas sobre calças, casacos e coletes. A profissão pode estar a extinguirse, mas não aqui, em que há alturas em que não há mãos a medir com tantas encomendas. Fatos, casacas, capotes, togas, tudo o que faz parte da indumentária masculina pode, na Rosa & Teixeira, ser feito à mão. Até mesmo fatos de senhora. Habilidade que se Rosa & Teixeira preserva desde o século XIX, quando Manuel Amieiro regressou a Lisboa, depois de uma temporada em Paris, na Rue Royale, o então epicentro da moda. Desde essa altura até à actualidade, foram várias as remodelações feitas na casa que afinaram o cenário de alta-costura, que é hoje verdadeiramente incontestável. CAROLINA HERRERA, Nº 150 Aos 70 anos, Carolina Herrera não perde o foco. Prova disso, a colecção Outono/Inverno 2010 que chegou recentemente à loja da Avenida da Liberdade, e que se desenha sob as características mais evidentes da estilista venezuelana: elegância, descrição e estilo. As vitrinas, essas, voltam a ser decoradas com glamour, outro elemento do qual Carolina Herrera não abdica. A próxima colecção está cheia de tecidos nobres, e, no feminino, de cinturas marcadas e vestidos no melhor estilo ladylike. Na cartela de cores, mais uma vez as preferidas da estilista, os tons vermelho e vinho, sempre em contraste com bege e mostarda, típicos do Inverno de Herrera. Além da riqueza de tecidos, como tweeds e lãs inglesas, a estilista tem reservado um efeito metalizado, típico dos anos 80, com bordados e cristais. Desenhos decorativos dividem o protagonismo com esboços gráficos aplicados em seda. Mais ainda, neste Inverno, a mulher Herrera vai ganhar um toque retro, com chapéus, golas em pele, meias-calças e luvas. Nos homens, predomina a sobriedade, pontuada com toques de irreverência. O frio vai saber bem. Carolina Herrera FASHION CLINIC, Nº 180 É a primeira concept store da marca conhecida por representar em Portugal os mais famosos estilistas. A Fashion Clinic da Avenida reúne alguns dos melhores nomes, como Balmain, Cristian Louboutin, Dior, Prada, Tom Ford, YSL, Bottega Veneta, Jimmy Choo, Givenchy ou Diane Von Furstenberg. Desde roupa, sapatos, acessórios, malas, cosméticos e velas, a jóias, óculos de sol, livros e música, nas prateleiras parece não faltar nada. A música tem, aliás, lugar de destaque neste espaço. Num dos cantos da loja, estão disponíveis os melhores sons do house, do groove ou do funky, que podem ser ouvidos com um ipod audition colocado ali a pensar nos clientes. A Fashion Clinic foi inaugurada em 2006 e tem cerca de 400 metros quadrados, decorados por Manuela Roxo, num projecto que evidencia o branco e articula as várias áreas da loja numa fluidez de contornos suaves, que apelam à descoberta de cada um dos produtos expostos. BRASSERIE FLO, Nº 185 Não é por acaso que o Hotel Tivoli se tornou também numa referência da Avenida da Liberdade. Além de assegurar o conforto das noites, aliado a um serviço cinco estrelas, também oferece à cidade o melhor da restauração, como atesta a Brasserie Flo, a primeira em Portugal. Ostras e champanhe são as novas atracções de um palco que outrora pertenceu à brilhante Beatriz Costa. Maneira de falar, claro, porque à saudosa actriz ninguém tira lugar, apenas se transformou o restaurante ao qual emprestava o seu nome. E apesar de, numa análise semântica, brasserie não ser mais do que uma cervejaria luxuosa, a análise de conteúdo deixa perceber que este espaço é muito mais do que isso. A cerveja é substituída por champanhe e os bifes com ovo a cavalo por ostras, na sua maioria de origem francesa. Na verdade, Portugal está apenas representado pelas ostras de Setúbal e do Algarve, sendo que as restantes chegam, então, de França. Sendo as ostras a maior especialidade da Brasserie Flo, é possível, logo à entrada, fazer uma visita ao compartimento refrigerado, que permite aos mais curiosos ver de perto a arte do chef acailler que, com mestria, abre as ostras e tempera-as, enquanto conta histórias e tira dúvidas aos gourmets. O Hotel Tivoli, f iel à responsabilidade das suas cinco estrelas, oferece-nos dois dos mais exclusivos espaços de restauração da Avenida da Liberdade: a Brasserie Flo e o Sky Bar. Fashion Clinic Brasserie Flo, Hotel Tivoli SKY BAR, Nº 185 O nome percebe-se, pois está-se mesmo mais pertinho do céu. E continuamos no Hotel Tivoli, desta feita no nono andar, onde o Sky Bar se juntou este ano ao grupo das melhores esplanadas panorâmicas da cidade. Com vista sobre o Castelo de São Jorge, a Baixa e o Tejo, este bar, que foi um hot spot do Verão que agora terminou, tem três divisões distintas. A entrada é mais formal e está ligada ao restaurante Terraço. O segundo recanto é mais descontraído e está decorado com um estilo marroquino, com grandes almofadões e cachimbos de água. Por último, o espaço lounge, com confortáveis sofás. Como se tudo isto não bastasse, eis que Paulo Pinto é o chef responsável pela carta e Aníbal Coutinho o enólogo responsável pela garrafeira. O requinte e a variedade es- fl > 8 EXCLUSIVA

6 LOJAS DE LUXO DA AVENIDA DA LIBERDADE Nem só de roupa vivem as compras de luxo. A David Rosas Joalheiro oferece as marcas mais conceituadas e peças próprias. David Rosas Sky Bar, Hotel Tivoli David Rosas tão, portanto, assegurados. Existem cocktails exclusivos, como o Tiger Rouge (inclui Leblon limoncello, chambord, ananás, limão, framboesa e manjericão) e, para petiscar, vale a pena provar, por exemplo, o brioche com foie gras. DAVID ROSAS JOALHEIRO, Nº 69 Nem só de roupa vive a Avenida da Liberdade. Prova disso, a David Rosas Joalheiro, que cumpre anos de tradição. Jóias e relógios brilham nas vitrinas. Bulgari, Dior, Dhin Van, H. Stern, Rolex, Chaumet ou Cartier vivem em nobre casa concebida pelo mais famoso arquitecto português, Siza Vieira. O convite foi um desafio e uma aposta em criar uma imagem moderna, fundamental para quem quer romper com os tradicionalismos de outrora. As jóias estão ordeiramente distribuídas pelos escaparates iluminados e, lá dentro, a própria claridade do espaço confere conforto a quem o visita. Saltam à vista as marcas topo-de-gama, mas chama também a atenção as produções David Rosas, que continuam a ser a maior aposta da família, reconhecida pela qualidade e exclusividade que impõem às peças. Modelos desenhados por Maria Luisa Rosas, mãe de Pedro Rosas, actual responsável pelo negócio da família, são objectos de sedução exclusivos. EMPORIO ARMANI, Nº 220 Talvez poucas pessoas saibam que a história de Giorgio Armani se cruza com a da Ermenegildo Zegna. Foi nesta empresa italiana que o estilista, também ele italiano, começou a trabalhar, como freelancer, em Uma escola que provou ser valiosa para Armani, que se iniciou a solo quatro anos depois. Hoje, tem um império. A loja Emporio Armani, na Avenida, é a única referência do estilista em Portugal. Giorgio criou esta linha, a Emporio Armani, em 1981, quando, em conjunto com o seu sócio Galeotti, constatou que o vestuário de topo que desenhava não era acessível a todas as bolsas. Este luxo mais democrá- Joana Fernandez e Gonçalo Gomes, da Just Academia, maquilhados e penteados por Cristina Almeida; Fotos: Luís Duarte; Agradecemos a colaboração do Hotel Tivoli /Sky Bar As histórias de Ermenegildo Zegna e Giorgio Armani cruzam-se em Hoje, ambos têm as suas marcas representadas na mais luxuosa avenida portuguesa, embora em lados opostos. tico foi a opção, que não deixa de ter a imagem forte do estilista e que passou a ser a sua linha mais conhecida. Fatos, sportwear, jeans, acessórios e perfumes, tudo isto se pode encontrar na loja do número 220, que nas vitrinas tem o familiar rosto de Cristiano Ronaldo, a cara escolhida por Giorgio Armani para a colecção Empório Armani Outono/Inverno Ermenegildo Zegna ERMENEGILDO ZEGNA, Nº 151 Quando se fala em elegância masculina, fala-se de Ermenegildo Zegna, que já conquistou um público fiel, interessado no design, na qualidade e no conforto. Este ano, a marca italiana celebra o centésimo aniversário. Uma marca com tradição, que se tornou líder no sector da moda masculina de luxo. Desde o começo do século XX que o negó- cio nunca parou de crescer e o nome Zegna tornou-se global, principalmente por ter mantido a arte da alfaiataria. Com tecidos de fabricação exclusiva, a Zegna investiu, nos últimos anos, no serviço su misura, que está disponível também na loja em Lisboa. Com roupas de todos os estilos, desde o mais formal, ao desportivo, sem esquecer os jeans, os sapatos e os acessórios, a marca italiana fez quatro lançamentos este ano, de edição limitada, para comemorar o aniversário de número redondo: o Relógio Centenário; a Caneta Tinteiro, revestida a ouro rosa; o Vellus Aureum, o velo de lã mais refinado do ano; e o Tecido Número Um, produzido com uma lã super fina, que pesa 720 gramas por metro e que é utilizada na alfaiataria por medida. VISITE TAMBÉM Rosa Clará, nº63 Além de linhas próprias, esta marca espanhola de vestidos de noiva vende criações de estilistas como Christian Lacroix ou Karl Lagerfeld. Maria João Bahia, nº102 Atelier onde a criadora desenvolve o conceito de jóia de autor. Montblanc, nº107 Escrever com estilo e luxo e até com diamantes. Hugo Boss, nº141 Uma marca de charme para homens sempre na moda. Adolfo Dominguez, nº180 Moda espanhola de estilo informal, para ele e para ela. Loewe, nº185 Uma das mais exclusivas marcas de acessórios em pele. Longchamp, nº190 Malas de viagem e acessórios com sotaque francês. Furla, nº196 Acessórios de luxo para mulheres exigentes. Burberry, nº196 Todos conhecem o padrão axadrezado desta marca britânica. Le Salon, nº262 Uma casa antiga transformada num salão de beleza de luxo. fi fl 10 EXCLUSIVA OUTONO

7 ENTREVISTA LINO MAIA Somos pessoas de DIREITOS, mas também de DEVERES fl Q uando a crise bate à porta das famílias, elas vêem-se muitas vezes obrigadas a bater à porta das instituições de solidariedade social. No terreno, as condições são difíceis e a maioria dos voluntários arregaça as mangas só pela vontade de ajudar os outros. O problema é que na acção social não basta a vontade, é preciso somar meios e formação. No Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social, Lino Maia, presidente da CNIS (Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade), sublinha a importância do trabalho de mais de três mil instituições que todos os dias dão resposta a um número crescente de solicitações. Para o futuro, este padre que iniciou o seu primeiro projecto social na década de 80, deixa três desejos: que o Estado não se torne autista, que a comunidade seja solidária e que as crianças continuem a sorrir. Quais são os grandes desafios das instituições de solidariedade social (IPSS)? O primeiro grande desafio é o da inclusão. Quando intervêm, particularmente no apoio à infância, como uma acção educativa e não apenas social, as instituições estão a promover a inclusão. O segundo desafio é o do desenvolvimento local, sobretudo nas regiões mais deprimidas do país. Finalmente, há o desafio da harmonização social, especialmente nas zonas limite das grandes cidades onde se localizam bairros sociais com ambientes conflituosos e onde as instituições são muitas vezes chamadas a apoiar a harmonização social. Em 2007, já falava de dificuldades económicas nas IPSS. Com o agravar da crise, qual é a situação actual? É bastante difícil. Se, da parte do Estado, o financiamento tem-se mantido estabilizado, os restantes 58 por cento das despesas, que estão dependentes das dádivas de dirigentes da comunidade local e de comparticipações dos utentes, têm diminuído muito, com o aumento do desemprego e o endividamento das famílias. Como se trata de instituições que já estavam no fio da navalha, agora estão com dificuldades acrescidas. As dificuldades das instituições aumentam na mesma altura em que as solicitações, por causa da crise, também crescem Sim, o acompanhamento dos desempregados e o fornecimento de refeições está a crescer muito. Entre 31 de Março e 30 de Julho, houve um aumento de 30 por cento de solicitações de serviços extraordinários. De onde vêm estas novas solicitações? São sobretudo de dois tipos: os excessivamente endividados de ontem e desempregados de hoje que, por vezes, até tinham um bom estatuto social, mas de repente se viram em situações muito precárias. Depois há uma retracção normal na comunidade que, na base, ia apoiando muitos carenciados. Sem este apoio, os pobres viram-se mais insistentemente para as instituições. Mas temo que a situação se agrave ainda mais nos próximos tempos, com a diminuição dos apoios sociais. Entre 31 de Março e 30 de Julho, houve um aumento de 30 por cento nas solicitações de ajuda. Que consequências podem ter estas novas regras para os apoios sociais, que entraram em vigor no início de Agosto? Sou bastante crítico em relação ao que se está a passar. Nos últimos anos, anunciaram-se apoios sociais com pompa e circunstância e, hoje, parece que os que beneficiaram desses apoios são vistos como quem estava a abusar deles. Os mesmos que ontem anunciaram esses apoios falam agora de rigor. Mas esta medida do Governo não é de rigor, são cortes. Vamos adoptar a linguagem real! Tratam-se de pessoas que, mesmo com os apoios sociais, não passavam de pobres. Estou bastante apreensivo com estes cortes. O Estado podia cortar no próprio Estado, que é pesado, caro, tem institutos a mais, sociedades mistas (públicas e privadas) a mais, pareceres a mais talvez aí se pudesse, de facto, cortar. Há algum tempo alertou para a possibilidade deste cenário ter como resultado o agravamento da violência e das tensões sociais, como já aconteceu noutros países da Europa. Esta questão ainda se coloca? Coloco-a hoje mais do que ontem, porque vou tendo alguns alertas. É preciso perceber que, com os apoios sociais, antes dos cortes, as pessoas não passavam de pobres a remediadas e muito menos a ricas, apenas encontravam algum apoio para o pagamento da renda, para acompanhamento dos filhos. Com o corte desses apoios, as pessoas vão precisar de meios. Não estou a aconselhar à violência, mas é preciso que quem tem responsabilidades nesta matéria desperte. Não podemos ter um Estado autista. No terreno, o Estado e as instituições de solidariedade são parceiros? São parceiros, sim. E cooperantes. As instituições são solução e não problema, mas em alguns departamentos ainda são vistas como instituições lucrativas que querem defender o seu tacho, o seu vencimento, quando, no fundo, todos os dirigentes e voluntários querem é contribuir para a solução dos problemas da comunidade e não promover o seu estatuto. > 12 EXCLUSIVA OUTONO

8 LINO MAIA Às vezes fica-se com a sensação de que estas instituições têm tanto de boa vontade como de falta de formação. Concorda? Em parte concordo. Há um grande esforço para dar formação aos dirigentes das IPSS. Mas, porque não tem havido suficiente cativação do voluntariado, às vezes, surgem dirigentes à força, para tapar buracos. De um modo geral são voluntários que têm sobretudo coração, mas que devem fazer um esforço de formação. Às vezes, há quem pense que, por ser voluntário, tudo o que faz é bem feito. Nem sempre é assim, pode até haver alguma economia se as coisas forem bem feitas. Tem de haver uma grande aposta na formação, sobretudo das instituições que representam o universo do voluntariado social: a União das Mutualidades (120 filiadas), a União das Misericórdias (300 filiadas) e a CNIS (2700 filiadas). O objectivo é ter gente mais qualificada? Entre as filiadas na CNIS há mais de 150 mil trabalhadores, muitos com altas qualificações. Nas instituições de apoio a pessoas com deficiência, por exemplo, há pessoal altamente qualificado, que tem feito um progresso extraordinário: psicólogos, assistentes sociais, economistas, pessoas formadas na área de Direito, Sociologia Temos de continuar a apostar na integração de pessoas com qualificações e, quanto aos dirigentes, temos de continuar a formar. Também devíamos apostar em captar pessoas que estejam na pré-reforma. Ser dirigente de uma instituição de solidariedade é muito bom e dá qualidade de vida às pessoas. Apresentámos recentemente uma proposta para que os funcionários públicos na pré-reforma tenham um ano de adaptação ao exercício do voluntariado, eventualmente, para serem dirigentes. Nessa área, temos até protocolos com instituições bancárias, que têm pessoal muito qualificado. Para estes quadros é bom ser voluntário, porque não ter nada para fazer é precipitar o fim. Quando sentimos que podemos ajudar os outros, começamos a ter outra motivação. Um dos objectivos do seu primeiro mandato à frente da CNIS era fazer com que a comunidade conhecesse melhor o trabalho das instituições. Conseguiu? É sempre possível fazer mais. Mas parece-me que agora o país conhece melhor as IPSS e os seus objectivos. As instituições já faziam muito, mas não se davam a conhecer. Hoje, passaram a ser conhecidas e vistas com mais respeito e consideração, mesmo junto do poder político e económico. Esse maior conhecimento tem resultado num maior envolvimento das pessoas no trabalho voluntário? É possível e necessário dar mais passos. Durante muitos anos passou-se a ideia de que havia muitos cidadãos de direitos e poucos de deveres. O exercício da cidadania não foi muito cultivado e, nas comunidades, ainda se olha para estas organizações como instituições públicas que têm a obrigação de prestar serviços. Às vezes, as pessoas envolvem-se muito Os voluntários têm sobretudo coração, mas há que fazer um esforço de formação. na implementação das instituições e até na edificação de equipamentos, mas, quando as instituições são apoiadas pelo Estado, a comunidade pensa que acaba aí a sua função, o Estado que as suporte! Quando a grande bondade destas instituições está em não serem públicas, mas da comunidade. Ainda que o Estado pudesse suportar financeiramente e integralmente estas instituições, não queria que isso acontecesse. Todos devemos ser construtores e não apenas espectadores ou beneficiários. Por isso, ainda há um trabalho a fazer, logo a começar pelos bancos das escolas. Ainda não há uma boa educação para a cidadania, nem uma boa educação para a solidariedade e para o voluntariado. É uma característica portuguesa, essa de esperar que o Estado e as instituições façam tudo por nós? As pessoas foram educadas para isso, para serem apenas cidadãos de direitos. Mas são também cidadãos de deveres e temos condições para alterar esta mentalidade, pois, comparado com outros países, Portugal tem muito mais cultura de solidariedade. Os portugueses são, de facto, solidários? Muito. 68,6 por cento do que se faz em acção social é feito por IPSS ligadas à CNIS. Mais: 73,6 por cento do que se faz neste país em apoio à infância, juventude, idosos, pessoas com deficiência, é feito por estas instituições, ou seja, pela comunidade. É muito e com meios muito precários. Tendemos a associar o trabalho social à igreja, mas ele também existe fora dela... A igreja faz muito, e, além disso, também inspirou muito do que se faz. Na CNIS, 41 por cento das instituições estão ligadas à Igreja Católica. Mas as 59 por cento restantes estão ligadas a igrejas não católicas e a outras organizações não confessionais. Na direcção da CNIS que não é da Igreja Católica, apesar de eu ser padre existem dirigentes nacionais católicos, não católicos, agnósticos, e até com alguma reserva em relação à Igreja. O que está na acção solidária é a alma portuguesa. O que ainda quer fazer até ao final deste mandato na CNIS? Há um programa a que nos estamos a sujeitar, mas muitas vezes os desafios não são programados. Há claramente três apostas em que me queria empenhar a fundo: num combate real à pobreza, que para mim só terá êxito se houver uma aposta na educação, no apoio às famílias, na promoção das condições de vida das pessoas e no empreendedorismo. A outra aposta é na promoção efectiva da qualidade do que é feito na área social. Está a fazer-se muito e muito bem, as instituições estão altamente empenhadas, mas às vezes ainda há a ideia de que o que é feito por caridade Às vezes sinto revolta pela indiferença que encontro, mas não desisto: o que se faz pelas pessoas tem valor de eternidade. ou solidariedade pode ser feito de qualquer maneira. Eu defendo que tem de ser feito muitíssimo bem. A última aposta tem a ver com a forma como se fala dos beneficiários do RSI (Rendimento Social de Inserção), dizendo que são pessoas que vivem à tripa-forra. Pergunto: quem consegue viver com 108 euros por mês? E quem é que, neste país, dá emprego a estas pessoas? Um beneficiário deste subsídio tem poucas hipóteses de êxito. Como se pode combater esse preconceito? Estamos a trabalhar com estas pessoas para que elas sejam promotoras da sua autonomia. Provavelmente, nunca serão trabalhadores por conta de outrem, mas podem ter autonomia. Está a ser feito um trabalho muito interessante nesta área, com o apoio de algumas associações empresariais e da Associação Nacional de Direito ao Crédito. É uma aposta clara. Está a falar de microcrédito? Sim, esta é uma aposta com a qual quero muito avançar. Se conseguir que alguns destes beneficiários do RSI comecem a ser agentes da sua autonomia, ficarei muito satisfeito. Há casos de sucesso nesta área? Temos alguns, sempre coisas muito simples. Uma pessoa que estava a receber o RSI e que montou uma pequena sapataria (para conserto de calçado porque, com a crise, as pessoas já pensam duas vezes se compram um par de sapatos ou arranjam os velhos). Outros costuram, outros ainda cozinham refeições que vendem à comunidade ou a restaurantes. Continua a haver alguma resistência a deixar de receber o subsídio - que é seguro - para arriscar num negócio? Inicialmente é assim. Até porque o exercício desta autonomia tem de ser acompanhado. As pessoas temem pelo amanhã, se o negócio se vai aguentar Aqui o Estado também poderia fazer mais, permitindo um corte gradual do RSI à medida que a pessoa vai tendo mais condições de subsistência. Há abertura do Governo nesse sentido? Tenho encontrado uma grande abertura, mas para os cortes... Com tantas adversidades nunca teve vontade de baixar os braços? Pelo contrário. Às vezes sinto alguma revolta pela indiferença de quem devia reconhecer que o serviço à causa comum é o serviço mais nobre que podemos ter. As pessoas são o que há de mais belo. Encontrar uma criança a sorrir e um idoso a abraçar não há nada que pague isso! Desistir não, porque o que se faz pelas pessoas tem valor de eternidade. fi fl 14 EXCLUSIVA OUTONO

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