Nesta Edição. Expediente. Editorial. Regionais. Jornadas. Artigos. Parecer Técnico. Calendário Científico Oficial 21. Memórias do Congresso Mundial

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3 Expediente Anestesia em revista é uma publicação da Sociedade Brasileira de Anestesiologia Departamento de Anestesiologia da Associação Médica Brasileira Rua Professor Alfredo Gomes, 36 Botafogo - Rio de Janeiro - RJ CEP: Tel.: (21) Fax: (21) Conselho Editorial: Jurandir Coan Turazzi Luiz Antônio Vane Carlos Eduardo Lopes Nunes Henri Braunstein Nádia Maria da Conceição Duarte José Mariano Soares de Moraes Airton Bagatini Diretor Responsável: Airton Bagatini Foto da capa: 42ª JASB Programação Visual: Ito Oliveira Lopes DRT/RJ Wellington Luís Rocha Lopes Equipe Editorial: José Bredariol Jr Marcelo Marinho Marcelo Sperle Mercedes Azevedo Rodrigo Matos Impressão e Acabamento: MasterGraph Tiragem: exemplares Distribuição gratuita IMPORTANTE: Cadastre seu na SBA Visite o site da SBA na Internet: Nesta Edição Editorial As Comissões Permanentes e a Teia 4 Regionais SARGS discute o tema Consciência Transoperatória 5 Simpósio Internacional de Vias Aéreas da Sociedade Paranaense de Anestesiologia 7 Jornadas XXXII JONNA 8 43ª Josulbra 9 Artigos Uma visão sobre o passado, presente e o futuro da Anestesiologia 11 PRIMO NON NOCERE. Um princípio esquecido? 14 Parecer Técnico Recomendações sobre o Relatório de Anestesia 16 XXXVI Encontro dos Conselhos de Medicina da Região Nordeste e IV Seminário sobre Responsabilidade Médica 18 Panorama atual do trabalho das Comissões permanentes da SBA 19 Calendário Científico Oficial 21 Memórias do Congresso Mundial 14 o Congresso Mundial de Anestesiologia 22 Provas da SBA Vitória recebe anestesiologistas de todo país para a 42ª JASB em junho 24 Novos Membros 28 Resposabilidade Social 30

4 Editorial Sociedade Brasileira de Anestesiologia As Comissões Permanentes e a Teia As Sociedades de Especialidades Médicas são sociedades civis, sem fins lucrativos, organizadas em torno de grupos de afinidades, que enfrentam um constante desafio: manterem-se fortes diante de um contexto de escassez de fontes de financiamento e de diminuição na crença em soluções coletivas para as demandas dos indivíduos que compõem estes grupos. Neste cenário, a maior ou menor capacidade de ampliar sua atuação dependerá basicamente de sua solidez interna, que pode ser quantificada através de diversos parâmetros, sendo talvez o mais importante deles, o grau de participação de seus membros na trama de sustentação desta instituição, tal qual os finos fios de uma teia, que conferem ao conjunto, uma resistência superior à soma das resistências individuais. A SBA fornece um excelente exemplo deste grau de envolvimento. Basta somarmos o número de colegas que participam dos processos internos da instituição, desde as Diretorias de Regionais, os instrutores, co-responsáveis e responsáveis pelos Centros de Ensino e Treinamento, até os membros das Comissões Permanentes e Comitês, que chegaremos a uma cifra que ultrapassa os novecentos membros. Isto quer dizer que, num universo de associados, cerca de 12% estão, de alguma maneira, trabalhando pela instituição, o que, sem dúvida alguma, é uma força considerável. As Comissões Permanentes da SBA enquadram-se perfeitamente nesse contexto. Atualmente em número de oito, abrangem diversos aspectos dos processos internos da SBA, desde a formação profissional até assuntos relacionados à saúde ocupacional do anestesiologista. São elas: Comissão de Ensino e Trei- Dr. Carlos Eduardo Lopes Nunes Secretário Geral namento, Comissão do Título Superior em Anestesiologia, Comissão de Educação Continuada, Comissão de Normas Técnicas e Segurança em Anestesiologia, Comissão de Estatuto, Regulamentos e Regimentos, Comissão de Honorários Médicos, Comissão de Saúde Ocupacional e Comissão de Sindicância de Processos Administrativos. São estas Comissões que, em seus respectivos campos de atuação, assessoram a diretoria executiva na elaboração de projetos e solução de problemas. Mantendo o caráter representativo de todos os cargos na SBA, estas comissões são renovadas à proporção de um terço de seus membros a cada ano, pela Assembléia de Representantes. Isso significa que o mandato de cada membro de comissão é de três anos, mas também que, ano após ano, a maioria dos membros de cada comissão dois terços, permanece no cargo, caracterizando um processo que é de renovação, mas com a preocupação clara de preservação da experiência acumulada, evitando-se começar da estaca zero a cada ano. Gostaríamos de enaltecer o trabalho destas Comissões, cuja anônima assessoria é fundamental para o processo de tomada de decisões da Diretoria da SBA. É importante que as Regionais, berço das futuras candidaturas a membro de Comissões Permanentes, divulguem aos seus associados a importância deste trabalho, e busquem entre eles, novos valores para esta tarefa. A grande e resistente teia que é a SBA terá muito a ganhar com isto. Dr. Carlos Eduardo Lopes Nunes Secretário Geral 4 - Anestesia em revista - março/abril, 2008

5 Regionais No dia 3 de abril, a Sociedade de Anestesiologia do Rio Grande do Sul (SARGS), em parceria com o Hospital Ernesto Dornelles (HED) e com a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), promoveu a pré-estréia do filme AWAKE A Vida por um Fio, com um debate a respeito do tema após a exibição do filme. O evento, ocorrido no Cinesystem do Shopping Total, teve como objetivo esclarecer as dúvidas do público leigo a respeito da anestesiologia. O filme trata do despertar de um paciente no período transoperatório. Sua exibição nos Estados Unidos causou uma péssima repercussão junto ao público leigo, que não conhece as práticas e condutas dos médicos anestesiologistas. O debate teve como painelistas o diretor social e de marketing da SARGS, Paulo Evangelista; o membro do Comitê Executivo da World Federation of Sociedade Brasileira de Anestesiologia SARGS discute o tema Consciência Transoperatória Da esquerda para direita: Drs. Paulo Evangelista, Airton Bagatini, Florentino Mendes, Jurandir Turazzi, Gastão Duval Neto e Marco Aurélio Costa Debate após a exibição do filme Societies of Anesthesiologists (WFSA), Gastão Fernandes Duval Neto; o Presidente da SARGS, Florentino Mendes, e o Presidente da SBA, Jurandir Turazzi. A mediação ficou a cargo do diretor do departamento administrativo da SBA e ex-presidente da SARGS, Airton Bagatini, responsável pela idealização do encontro. Durante a conversa, o público presente pôde esclarecer dúvidas sobre a ocorrência da Anestesia Consciente. No filme, Clay Beresford (Hayden Christensen), mesmo tendo recebido a anestesia, permanece consciente e sentindo dor durante a operação de transplante de coração. No entanto, ele não consegue se mover ou gritar por socorro. É o que os médicos chamam de Consciência Transoperatória ou Anestesia Consciente, quando um paciente consegue lembrar de conversas da sala de cirurgia, não necessariamente com a presença de dor. A chance de ocorrência é de 0,1% dos casos. Segundo Evangelista, não há garantias de que isso não aconteça, mas o profissional deve estar cuidando do paciente minuto a minuto, o que não acontece no filme. Com a monitoração e a tecnologia que temos hoje, são muito raros os casos em que essa situação ocorre. Além disso, o paciente faz Anestesia em revista - março/abril,

6 parte da equipe médica. O médico reage de acordo com os sinais emitidos pelo paciente. Os palestrantes, de maneira geral, alertam que o filme é um desserviço à medicina, já que expõe práticas não realizadas pelos médicos, que assumem posturas Público presente no evento (cinesystem) antiéticas. Mendes afirma que como médico, o filme choca, pois trata-se de uma conspiração de médicos. O longa é encarado como uma oportunidade de discussão do tema. Não estamos aqui para avaliar a qualidade do filme, mas para discutirmos os efeitos da consciência transoperatória, constata Turazzi. Bagatini iniciou o seminário com citações de pacientes que foram operados antes de 1846 (data da descoberta da anestesia), mostrando a importância da anestesia bem aplicada. As pessoas têm mais medo da anestesia que do ato cirúrgico. Por isso, a conversa representa um importante passo para o esclarecimento a respeito da especialidade. Após a abertura, os debatedores apresentaram a sua visão da profissão, do filme e do futuro da especialidade. Em seguida, a palavra foi dada ao público presente, que aproveitou a oportunidade para esclarecer os pontos que causavam mais dúvidas. O evento foi encerrado com agradecimento a presença de todos e lembrado que quanto mais se conhece um tema, menos fantasias faz-se sobre ele. Sociedade de Anestesiologia do Estado do Amazonas Diretoria 2008/2009 Presidente: Dra. Neuzimar de Souza Freire Silva Vice: Dra. Emily Santos Montarroyos Secretária: Dra. Rosária de Fátima Bernardes Rabelo Tesoureiro: Dr. Raimundo Nonato Souza Vieira Diretor Defesa Profissional: Dr. Álvaro Luiz Salgado Pinto Diretora Administrativa: Dra. Adriane Alves Byron de Souza Diretor Cientifico: Dr. Lindomar Fernandes de Souza Presidente: Dra. Maria Célia Ferreira da Costa Vice-Presidente: Dr. Bruno Santos Afonso de Melo 1º Tesoureiro: Dr. José Antonio de Freitas Neto 2º Tesoureiro: Dr. Sérgio Correia Soares Quintas Secretário Geral: Dr. Valdir Cavalcanti Rizzuto COOPANEST- RJ: A Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Estado do Rio de Janeiro Ltda Diretoria 2008/2010 Conselho Fiscal 2008/2009: Diretor Presidente: Carlos Alberto Pereira de Moura Diretor Secretário: Paulo Renato B. da Fonseca Diretor Tesoureiro: José Antonio Costa Diretoria 2008/2010: Conselho Fiscal: Albertino Guedes Henrique Antonio José Marquesi Chavantes Luiz Fernando Saubermann Suplentes: Alfredo Mesquita de Lima Carlos Alberto Dias Flavio Santos de Souza SBA divulga o resultado de enquete A Sociedade Brasileira de Anestesiologia informa o resultado da enquete disponibilizada no site da entidade, no período de março/abril- 2008: Você está satisfeito com o Programa de Educação Continuada da SBA? Resultado: 766 associados responderam a enquete, sendo que destes 715 estão satisfeitos com o programa, ou seja, 93%. A próxima enquete, que já está disponível no site, questiona sobre a satisfação do sócio com a publicação da SBA: Anestesia em Revista. Participe respondendo, pois sua opinião é muito importante para nós. Diretoria 6 - Anestesia em revista - março/abril, 2008

7 Simpósio Internacional de Vias Aéreas da Sociedade Paranaense de Anestesiologia Numa parceria entre a Sociedade Paranaense de Anestesiologia e o Departamento de Anestesia da Universidade de Stanford, a cidade de Curitiba sediará, entre os dias 9 e 11 de maio de 2008, um curso de imersão sobre o manejo das vias aéreas que contará com a participação de nove professores desta conceituada universidade norte-americana, liderados pelo Dr. Vladimir Nekhendzy, responsável pelo Serviço de Anestesia para Otorrinolaringologia e Vias Aéreas Difíceis. Por apresentar exatamente a mesma formatação dos cursos promovidos nos Estados Unidos, o evento também receberá a denominação de THE STANFORD DIFFICULT AIRWAY COURSE. Na ocasião, estarão também presentes alguns renomados especialistas brasileiros, entre eles Dra. Cláudia Lutke (SP), Dr. Márcio Pinho (RJ), Dr. Macius Cerqueira (BA) e Dr. Fábio Topolski (PR). O curso é composto por duas etapas: um módulo teórico, onde são abordados os novos conceitos vigentes e as novas tecnologias já disponíveis aos anestesiologistas de Stanford, e que consta ainda com uma revisão dos guidelines da American Society of Anesthesiologists sobre o assunto; além disso, acontece um módulo prático, com duração de 10 horas, composto por nove estações no estilo hands-on, onde os participantes entram em contato com um diversificado arsenal de equipamentos úteis no manejo da via aérea, como Máscara laríngea, CTrach, AirQ, ProSeal, Gum elastic bougie, Introdutor Frova, Vídeolaringoscópio e Laringoscópio ótico VideoMAc, Glidescope, Videolaringoscópio McGrath, Pentax Airway Scope, AirTraq, Cateter Aintree, Fibrobroncoscópio flexível, Fibroscópio rígido, Bullard Scope, Estilete retromolar de Bonfils, Trachlight, Jet-ventilation trans-traqueal, Bloqueadores brônquicos de Arndt e de Cohen, entre outros. O número de inscrições foi limitado pelos organizadores do curso em somente seis por estação, distribuídos em dois dias de atividades práticas, visando proporcionar um treinamento personalizado e de grande retorno para todos os participantes. Em resposta à divulgação feita inicialmente apenas aos sócios da SPA, todas as 110 vagas foram preenchidas rapidamente apenas por paranaenses, o que impediu a extensão do curso para os sócios das demais regionais da SBA. Para os associados da SPA, o curso foi oferecido gratuitamente. Na seção de abertura do Simpósio, estará presente o Dr. Jurandir C. Turazzi, Presidente da SBA, e também será outorgado o título de Sócio Honorário da SPA ao Dr. Vladimir Nekhendzy. Dr. Clóvis Corso Presidente SPA Anestesia em revista - março/abril,

8 Jornadas Drs. Leonicio Silva, Regis Manata, Rogério Carvalho, Jurandir Turazzi, Marcos Albuquerque, Marcos Ramos, José Ferreira e Mário Fascio XXXII JONNA Em março realizamos a 32ª JONNA, 4ª Jornada Norte-Nordeste de Dor e 1º Fórum de Cooperativismo, com o tema central Consen- sos, Controvérsias e Perspectivas. Discutiu-se de 27 a 29 de março, uma variedade de temas relacionados à nossa especialidade, e entre outros temas de Cooperativismo. A SAESE sentiu-se honrada em sediar tão importante evento, que na realidade serviu como laboratório para preparação do Congresso Brasileiro de Anestesiologia, em Estiveram presentes renomados anestesiologistas, Diretoria da SBA, secretaria executiva da SBA - Mercedes Azevedo, Presidentes de Regionais, e colegas de todo Brasil. A todos nosso muito obrigado. Foi muito bom tê-los conosco. Na programação científica discutimos Medicina Baseada em Evidências, Anestesia Venosa, Anestesia para Cirurgia Bariátrica, Videolaparosocpia, Anestesia para Procedimentos Fora do Centro Cirúrgico, Anestesia em Obstetrícia, Medicina Perioperatória, temas na área de Dor e na parte associativa discutimos temas de cooperativismo. Na programação ainda tivemos três workshops Gasman, Ultra-som e bloqueios periféricos e Dor, e um simpósio satélite sobre a levobupivacaína. As empresas farmacêuticas e de materiais médicos apoiaram ativamente o evento e desde já nossos agradecimentos. Foi a 4ª vez que sediamos a jornada, sempre buscando associar a parte cientifica, a momentos de lazer. Foi um momento de reencontrar amigos, reciclar e ampliar conhecimentos. Execução do Hino Nacional pela Orquestra Sanfônica de Sergipe 8 - Anestesia em revista - março/abril, 2008

9 43ª Josulbra, maior evento de anestesiologia do sul do país, reuniu cerca de 500 participantes Autoridades presentes na cerimônia de abertura da 43 ª JOSULBRA A Jornada Sulbrasileira de Anestesiologia (Josulbra), promovida pela Sociedade de Anestesiologia do Rio Grande do Sul (SARGS) de 18 a 20 de abril, em Bento Gonçalves, reuniu cerca de 500 participantes. Nesta edição, o evento teve como tema central Medicina Perioperatória: foco no resultado. Em várias apresentações foram discutidos temas mostrando a importância do anestesiologista ampliar sua visão sobre a especialidade. Indicadores, gestão, formas de atuar, segurança do paciente, cultura organizacional, gerenciamento de carreira, contratos e negociações, entre outros temas, compuseram a grade da programação que se mostrou inovadora nesta edição com relação a estas questões. Também foram abordados temas técnicos como o valor da estratificação do risco pré-operatório nos desfechos cardíaco, pulmonar e renal; situações críticas em obstetrícia; anestesia fora do bloco cirúrgico; proteção cerebral; entre muitos outros. Simultaneamente, foram realizados a XIX Jornada de Anestesiologia do Rio Grande do Sul, a II Jornada de Dor da SARGS, o III Curso de Atualização e Capacitação em Ventilação Mecânica Aplicada à Anetsesiologia e à Medicina Perioperatória e o VII Fórum de Ensino dos Centros de Especialização em Anestesiologia da Região Sul. Uma definição ampliada do papel do anestesiologista foi discutida em diversos momentos, a começar pela conferência de abertura, ministrada, pela presidente do evento, Dra. Elaine A. Felix Fortis, que levantou a questão com o tema: Medicina perioperatória: é o futuro da especialidade? Segundo ela, este é sim o futuro e ele depende das ações de hoje e dos resultados obtidos. Temos que sair do anonimato sob o risco de desaparecermos como especialidade. A transformação de um serviço de anestesia em de medicina perioperatória depende de tempo e persistência, podendo levar mais de uma geração de médicos; exige esforços especiais e expansão dos programas de educação, afirma. Para Dra. Elaine, é possível trabalhar com quatro hipóteses: 1) A prática limitada da anestesia, que levará o anestesiologista a ser visto como um técnico da sala de cirurgia e matar a especialidade; 2) Anestesiologistas se tornarem reconhecidos como experts no entendimento e no controle da fisiologia alterada associada com o período perioperatório; 3) Expandir a defi- Anestesia em revista - março/abril,

10 nição de complicações anestésicas, incluir qualquer coisa que se manifeste no intra ou pós-operatório, qualquer evento que é menos provável de acontecer nesse período baseado em alguma decisão ou intervenção; e 4) Ao se tornar expert em controlar alterações fisiológicas no período perioperatório e trabalhar para reduzir de forma global a mortalidade e morbidade perioperatórias, o anestesiologista não apenas sobreviverá como especialidade mas ela crescerá, destacou. Após a conferência inaugural, ocorreu a solenidade de abertura, que contou com a presença do Prefeito de Bento Gonçalves, Alcindo Gabrielli; do coordenador da Ouvidoria do Cremers, representando o presidente, Dr. Antônio Celso Ayub; do presidente da SBA, Dr. Jurandir Coan Turazzi; da presidente da 43ª Josulbra, Dra. Elaine Felix Fortis; do presidente da Sociedade de Anestesiologia do RS, Dr. Florentino Mendes; do presidente da Sociedade de Anestesiologia do PR, Dr. Clovis Marcelo Corso; do presidente da Sociedade de Anestesiologia de SC, Dr. Jorge Hamilton Soares; entre outras autoridades. Nosso dever será cumprido avaliando a anestesiologia, a Medicina e o Brasil. Como ciência, a anestesiologia vai muito bem. Progressos da indústria química, dos equipamentos e aparelhos são apresentados todos os dias. Existe um enorme caminho a conquistar quando pensamos em condições de trabalho, respeito profissional e contrapartida justa. Maior ainda é o abismo, e, por conseguinte a luta, quando o objetivo é estender a todos os benefícios da anestesiologia, sem restrições. O descaso, a omissão e a indiferença com o que está acontecendo assustam e constrangem. A SBA, as Regionais e os CET exercem constante esforço para oferecer a melhor formação para os futuros anestesiologistas. Qual o futuro deles, a persistir o quadro atual?, indagou Dr. Florentino Mendes, em seu discurso. Na abertura, a presidente do evento, Dra. Elaine Fortis, também destacou: o anestesiologista precisa sair do seu recanto protegido, a sala de cirurgia, e se expor. Já o presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), Dr. Jurandir Turazzi, disse estar emo- cionado pela escolha do tema medicina perioperatória, por sua relevância. Esta é a chance que o anestesiologista tem de realmente ser reconhecido como médico, salientou. Para ele, a medicina perioperatória é um tema muito abrangente e está ligado diretamente com o que deverá ser o exercício da anestesiologia em médio prazo. III Curso de Atualização e Capacitação em Ventilação Mecânica Aplicada à Anetsesiologia e à Medicina Perioperatória Durante a Josulbra, também foi realizado o III Curso de Atualização e Capacitação em Ventilação Mecânica Aplicada à Anestesiologia e à Medicina Perioperatória, que buscou atualizar os participantes sobre as melhorias da ventilação. Precisamos discutir, entender e difundir o conhecimento e as mudanças que vêm ocorrendo com relação à ventilação e a recente mudança de tecnologia de ventiladores, passando de mecânicos para eletrônicos, afirmou o coordenador do evento, Dr. Fábio A. Ribas. Um segundo ponto importante debatido, segundo ele, foi a mudança do aspecto científico relacionado ao sistema respiratório, ou seja, a forma de ventilar. Existem diversas mudanças relacionadas a este tema, derivadas da terapia intensiva, e que estão sendo incorporados à anestesia. Isso é recente e precisamos discutir até que ponto estas alterações devem ser aplicadas em anestesia. De acordo com Ribas, estas são mudanças claras que ocorreram e que o curso buscou difundir. Estas novas tecnologias geram, sem dúvida, maior segurança e menor morbidade aos pacientes, conclui. VII Fórum de Ensino dos Centros de Especialização em Anestesiologia da Região Sul Coordenado pelos anestesiologistas Dra. Elaine Felix Fortis e Dr. Airton Bagatini, o VII Fórum de Ensino dos Centros de Especialização em Anestesiologia da Região Sul contou com representantes dos 11 centros de ensino do Sul do País e foi realizado no último dia da Josulbra. A novidade desta edição é que introduzimos os médicos em especialização, os ME, como palestrantes. Quando um docente ministrava a aula, eles estavam em número maior na mesa de debates e vice-versa. E os novos talentos como palestrantes foram um sucesso, conta Dra. Elaine. O curso abordou temas como mercado de trabalho, situação atual do ensino da anestesiologia no Brasil, gerenciamento de carreira, cooperativismo, novos fármacos e atualizações técnicas em anestesia. No início, Dra. Elaine apresentou uma retrospectiva de todas as edições do Fórum, desde quando foi criado, em Anestesia em revista - março/abril, 2008

11 Artigo Sociedade Brasileira de Anestesiologia Uma visão sobre o passado, presente e o futuro da Anestesiologia No dia 16 de Outubro de 1846, pouco depois das dez horas, o Dr. Warren JC dizia: Senhores, isto não é uma farsa. A dor estava banida da sala de cirurgia, pois a ciência havia reservado para a cirurgia e para a medicina o começo de uma nova era: Estava descoberta a anestesia! Muito se havia estudado até que este dia pudesse ser anunciado e passar para a história da medicina como um evento tão importante quanto a descoberta da penicilina. Após eras de feitiçaria, utilização de ervas, apelos religiosos e outros recursos mágicos surgiram alguns precursores que são considerados profetas da anestesia devido aos relevantes trabalhos realizados e publicados. O primeiro deles foi Priestley J, um cidadão Inglês que era pastor e químico, foi o descobridor do oxigênio e, do óxido nitroso por volta de 1771 e Nesta época, a Revolução Francesa começava a ecoar, Priestley escolheu o lado errado e foi perseguido. Sua casa e todos os seus trabalhos foram queimados. Foi então que outro Inglês, Davy H, estudioso dos trabalhos de Priestley, desenvolveu o óxido nitroso e resolveu experimentar nele mesmo. Embora, na época, fosse dito que ele morreria, o que aconteceu foi um ataque de riso e euforia. A partir daí, ele promovia reuniões em sua casa onde diversos amigos inalavam o gás como divertimento. Uma noite, em uma destas festas ele acometido de uma terrível dor de dente notou que a dor havia desaparecido após inalar o gás. Passou vários anos postulando que, talvez, este gás pudesse ser utilizado em cirurgias. Em 1824, Hickmann HH, solicitou a Academia Francesa de Medicina permissão para demonstrar que poderia abolir a dor com uma mistura de Gás Carbônico e Gás Hilariante. Teve seu pedido negado, foi chamado de louco e morreu aos 29 anos. Segundo Velpeau, O bisturí e a dor eram figuras inseparáveis em uma sala de cirurgia. Por volta de 1830 surgiram nos Estados Unidos as Ether-Parties, festas embaladas pelo éter ou pelo gás hilariante onde todos pulavam e dançavam alegremente. Em algumas destas festas, alguns se machucavam, mas nada sentiam. Crawford Willianson Long, em 30 de Março de 1842, extirpou um tumor do pescoço de um paciente, sob ação do éter. Não teve seu trabalho divulgado. Horace Wells, após assistir um destes shows, solicitou que lhe fosse extraído um dente sob ação do gás hilariante. Nada sentiu. Rumou a Universidade Boston para uma demonstração, mas como não dominava a técnica e ficou com medo de errar, administrou uma quantidade pequena e o paciente urrou de dor, saiu da cidade sendo chamado de charlatão. Fez outras demonstrações, desta vez quase levando os pacientes a morte o que fez com que Wells desistisse do uso do gás hilariante. Foi quando outro dentista, Thomas William Green Morton, começava a ver seu negócio de próteses dentárias ir a bancarrota, pois descobríra uma forma de prender as dentaduras com um cimento especial, o único problema era a dor insuportável a que os pacientes eram submetidos o que fazia com que a maioria desistisse do tratamento.como ele não sabia utilizar o éter e já havia fracassado com o uso do óxido nitroso, resolveu estudar. Primeiro utilizou em seu cão, após no peixe, mais tarde em galinhas e nele mesmo. Fora encontrado pela es- Dr. Fernando Squeff Nora posa na sala de sua casa, adormecido. Após algumas peripécias com alunos de medicina que covardemente fugiam das pesquisas posteriores ele administrou éter em um colega para extração de um dente com sucesso. Ele então registrou o invento em cartório sob protestos e consultório lotado!! No dia 16 de Outubro de 1846, em Massachusetts, seria operado Gilbert Abott, portador de um tumor na maxila. Era a chance de demonstrar ao mundo sua habilidade. Nervoso, ficou estudando na noite anterior e se atrasou para a cirurgia, agendada para as 10 horas. Chegou as 10:15hs e a cirurgia praticamente já estava pronta para começar pelo método tradicional: à força!! Anestesiou o paciente e disse ao cirurgião: Senhor, o paciente é seu. A cirurgia foi realizada e ao final ele diz: Senhores, isto não é uma farsa. Por sugestão de Holmes, poeta, aquela prática passou a ser chamada de Anestesia, do Grego ausência de sensações. Por ironia do destino Morton e Wells tiveram experiên- Anestesia em revista - março/abril,

12 cias exitosas e desastrosas com o mesmo agente. A diferença foi que um dos pacientes era magro e fácil de anestesiar, o outro muito forte e difícil de ser anestesiado. Esta seja talvez a primeira descrição da história onde se fala em variabilidade farmacológica entre pacientes, tão comum nos dias atuais. As tentativas posteriores em utilizar a mesma técnica para cirurgias maiores falharam até que algumas Gotas de Ópio começaram a ser utilizadas pelos cirurgiões o que fez com que o sucesso do óxido nitroso e do éter perdurassem por mais alguns anos. A sala onde Morton realizou a primeira anestesia ainda existe e está intacta como na época. Amargurado, Wells acabou viciado em Éter e clorofórmio, pois somente assim sentia-se feliz. Após jogar vidros em algumas jovens na Broadway, foi preso e, após inalar clorofórmio, suicidou-se com uma incisão com auxílio de um vidro, na artéria femoral aos 33 anos. Acabou sendo condecorado pela Academia Francesa de Medicina com o título de Benfeitor da Humanidade. Até hoje, muitos de nós, sem saber, dizemos, após anestesiar um paciente: Senhor, o paciente é seu. Definindo Anestesia: A primeira definição de anestesia que se conhece está descrita no dicionário Bailey s como: Defect in Sensation. Termo sem tradução adequado para o português tem sido definido por alguns autores como privação das sensações. Anestesia é realizada a mais de 150 anos. A sua definição bem como os mecanismos de ação pelo qual uma anestesia se estabelece são ainda motivo de estudos por diversos autores. Muitos aspectos já foram explicados, mas diversos outros permanecem mal entendidos. Plomley, em 1847 em carta enviada a revista Lancet, identificou 03 estágios pelo qual o paciente passava a medida que o éter ia sendo administrado durante anestesia geral: Intoxicação, excitação e narcose. Através da procura incansável em manter o paciente livre da dor durante procedimentos cirúrgicos, foi introduzido na prática médica o uso do éter. O processo no qual administrava-se éter com o intuito de tornar o indivíduo insensível a dor chamava-se Eterização. Os termos anestesia (do Grego: Without feeling) e narcose (do Grego: Estupor, paralisia) foram utilizados logo após o uso do termo eterização. Assim, com a descoberta das propriedades anestésicas do éter inicialmente utilizado como combustível de motores a diesel e meio de extração para concentrar ácidos Guedell, em 1937 descreveu os estágios pelos quais os pacientes passavam durante a administração de éter durante anestesia geral. Identificavam-se 04 estágios: sendo que o estágio denominado como o de número 3 era o desejado para a realização da anestesia. O estágio 4 era considerado narcose profunda e muito perigoso, pois o paciente apresentava Sinais de intoxicação profunda. As posições oculares e os diâmetros pupilares já eram observados como forma de identificar um estágio específico de anestesia. O pulso e os batimentos cardíacos, a medida que ficavam mais lentos e mais fracos também eram um sinal incontestável de intoxicação anestésica desejável até certo ponto, mas perigoso e indesejável se fora de controle. Durante muitos anos discutiu-se a necessidade da utilização de analgésicos potentes uma vez que: se o paciente estava inconsciente, não poderia ter percepção da dor, sendo assim, com que propósito deveríamos utilizar analgésicos? Mas alguma coisa não se encaixava bem, pois os pacientes eram anestesiados adequadamente, estavam inconscientes, mas quando ocorria o estímulo nociceptivo a freqüência cardíaca aumentava, a pressão arterial também e, com alguma freqüência, os pacientes se movimentavam. Rees e Gray, em 1948, descreveram a tríade anestésica: Relaxamento muscular, narcose e analgesia. Iniciava a busca por indicadores mais precisos que pudessem estabelecer um objetivo concreto a ser alcançado durante anestesia geral. Pela primeira vez na história, foi descrita, de forma separada, a compartimentalização dos componentes da anestesia. Talvez este seja o primeiro registro que conhecemos onde um autor descreveu que não bastava apenas narcose ou, como conhecemos nos dias atuais, inconsciência, era necessário promover analgesia ausência de dor. Somente a partir de 1957, com Woodbridge e a sua Tétrade Anestésica é que os conceitos atuais começaram a ser introduzidos. Ele descreve 04 componentes da anestesia geral: Bloqueio mental, sensorial, motor e abolição dos reflexos autonômicos. Woodbridge, sugeriu a utilização do termo Nothria cujo significado grego era torpor(inatividade motora e mental associada a insensibilidade). Paralelamente a necessidade de definir e quantificar o ato anestésico para que este pudesse ser adequadamente compreendido e, portanto, monitorizado, ocorreu a necessidade de obtenção de relaxamento muscular para que cirurgias intracavitárias pudessem ser realizadas com mais conforto por parte dos cirurgiões. Assim, em Janeiro de 1942, Griffith e Jonhson publicaram os primeiros relatos da utilização de bloqueadores neuromusculares. Alguns anos após a introdução destes fármacos, Beecher e Todd, analisando 600 mil procedimentos anestésicos, concluíram que o curare tinha aumentado em 6 vezes o número de mortes em anestesia. A estas alturas a famosa tríade anestésica, esta já em voga nos tempos mais modernos e recentes, era composta de: Inconsciência, analgesia e relaxamento muscular. Em 1987, Prys-Roberts, define a anestesia geral da seguinte forma: É o estado de inconsciência induzida por drogas no qual o paciente não sente nem lembra de um estímulo nociceptivo. Em seu artigo, entitulado Anaesthesia: A practical or impractical construct?, ele vai mais além descrevendo que a consciência é o elemento fundamental e que ela depende de um 12 - Anestesia em revista - março/abril, 2008

13 fenômeno chamado Tudo-ounada. Com esta afirmativa, acreditava ele que um indivíduo não pode estar meio acordado ou meio dormindo. Ou ele está inconsciente ou ele está consciente. Assim um paciente passa da mais absoluta inconsciência para o estado alerta sem que existam planos mais ou menos profundos. Além disto, Prys-Roberts descreveu que existem apenas 02 componentes na anestesia geral: Inconsciência e Analgesia. O relaxamento muscular é descrito por ele como um coadjuvante da anestesia. É utilizado para o cirurgião e não para o anestesiologista ou para o paciente. Talvez por este motivo, Jones tenha descrito que A indução farmacológica à paralisia muscular, é a mais profunda transgressão fisiológica. O curare não mata, a despeito das observações de Beecher e Todd, mas sim o seu uso inapropriado. Após este breve histórico, fica fácil compreender que a necessidade de quantificar e definir a anestesia geral é uma busca incansável de diversos autores e continua sendo nos dias atuais. Vickers, em 1987, apimentou a discussão a respeito dos estados de inconsciência descritos por Prys- Roberts descrevendo que existem estágios de inconsciência e estados de não inconsciência durante anestesia geral. Este relato deu início aos estudos sobre memória transoperatória. Jones, em 1989, descreveu 02 tipos de memória transoperatória: Memória Explícita ou declarativa na qual o paciente verbaliza espontaneamente um episódio transoperatório vivenciado e, Memória Implícita ou não declarativa, onde o paciente não verbaliza qualquer fato concreto, mas apresenta indícios de memória subjetiva a alguma experiência vivida durante o evento. Tais pacientes passam a ter pesadelos, fobias, mudanças de comportamento e alterações mentais associativas onde, passam a desenvolver medo em realizar tarefas antes realizadas como, por exemplo, utilizar uma furadeira para colocar um prego em uma parede. A associação desta com alguma situação vivenciada durante o procedimento cirúrgico faz com que este paciente passe a desenvolver medo sempre que escuta o mesmo som. O exemplo acima descreve uma entidade chamada Síndrome de Stress pós-traumático. Todo o entendimento a cerca dos componentes da anestesia, como alcançá-los e, principalmente, como monitorizá-los adequadamente tem levado a uma verdadeira revolução conceitual e laboratorial da Anestesiologia moderna. A dor foi finalmente compreendida como uma síndrome e não apenas como um sintoma onde o paciente percebe que algo desagradável está lhe incomodando e retira vigorosamente o membro em contato com o agressor. Esta visão permitiu estabelecer um conceito mais amplo e multifatorial para a dor. Através do entendimento de que a dor é uma síndrome capaz de desencadear a liberação de diversas substâncias, tais como hormônios e neurotransmissores, foi possível estabelecer que a analgesia é um componente importante da anestesia da mesma forma que é a inconsciência. Reader, em 1996, descreveu alguns locais de ação das nossas drogas em anestesia a fim de determinar os sítios anatômicos de atuação de cada uma delas. Uma vez estabelecidas as metas, através da determinação mais precisa do que deveríamos obter para realizar anestesia geral, foi que iniciaram os estudos que desenvolveram as formas de monitorizar estes componentes. A partir de uma regra básica foi possível o desenvolvimento de monitores específicos para quantificar e qualificar a anestesia. Esta regra baseia-se no substrato anatômico de ação de um determinado fármaco. Uma vez determinado com exatidão qual o local de ação de um fármaco, pode-se desenvolver um monitor específico para ele. O problema é quando o fármaco age em diversos locais, pois isto dificulta a determinação de um sítio de ação a ser monitorizado. A partir de 1996 e 1997, com autores como Heier T, Sebel PS e Glass OS e Kissin I, o termo profundidade da anestesia começou a ser questionado e iniciou-se o que os autores definiram como a procura por um indicador seguro de anestesia adequada. Descreveram que a anestesia não pode ser mais ou menos profunda e sim adequada ou não. O anestesiologista administra fármacos a fim de bloquear determinados efeitos causados pelo trauma cirúrgico. Esta procura por um indicador seguro de anestesia adequada deveria ser realizada procurando-se índices separados para cada componente. A American Board of Anesthesiology define a anestesia como o processo onde se faz com que o paciente seja mantido insensível a dor quando submetido a um estímulo nociceptivo. Sendo insensibilidade a dor não necessariamente associada a inconsciência. Assim, um bloqueio regional onde, através da utilização de anestésicos locais, tornamos uma determinada região insensível a dor, é chamada de anestesia. Durante anestesia o paciente deve ter seus sinais vitais e homeostase completamente vigiados e adequadamente monitorizados e mantidos dentro da normalidade, função que compete ao Anestesiologista. Estamos passando de um momento histórico onde éramos meros observadores de uma ação farmacológica através de um desfecho clínico previsto para uma atitude pró-ativa onde, através, do conhecimento científico e farmacológico administramos um fármaco, prevemos o seu efeito, seu tempo de ação, efeitos adversos e recuperação de forma muito estreita, fidedigna e segura. Não somos mais meros espectadores. O antigo e o novo se misturam e se agregam de forma que o antigo não seja velho o bastante para deixar de ser utilizado e o novo não seja tão experimental que ainda não possa ser tentado e introduzido em nosso meio. Boas Anestesias!! Dr. Fernando Squeff Nora Anestesia em revista - março/abril,

14 Artigo Sociedade Brasileira de Anestesiologia PRIMO NON NOCERE. Um princípio esquecido? Numa análise publicada no livro To err is human, editado pelo Instituto de Medicina, National Academy Press, Washingon, D.C., 2.000, sob a responsabilidade de Kohn Linda e Dondaldson Molla, em sua página 1, se declara que aproximadamente cem mil indivíduos morrem a cada ano nos Estados Unidos, vítimas de erros médicos grosseiros, tais como troca de medicamentos, dosagens erradas, cirurgias feitas por engano, troca de pacientes e daí por diante, mostrando que a lei de Murphy reina livre em nossa profissão. Em anestesia, somente nestes últimos anos tem sido relatados acidentes absurdos, tais como os que ocorreram na Inglaterra em 2006, publicados pelo The Sunday Times, em 18 de junho, onde foram citadas 200 ocorrências de convulsões pela bupivacaína, com três mortes, num período de vários meses, sem que fossem tomadas, desde seu inicio, as providências necessárias para evitar as falhas elementares que causaram o problema e tratar corretamente esta complicação. As vítimas foram mulheres que receberam cateteres peridurais, para procedimentos obstétricos (cesareana). Estes foram mantidos nas primeiras 24/ 48 horas, para tratatamento de dor pós-operatória, com gotejo do anestésico, acondicionado em bolsas plásticas, sob a responsabilidade de parteiras. Todos estes casos foram devidos à introdução inadvertida da solução de bupivacaína na veia, confundida com soro glicosado ou Ringer Lactato. ISTO ACONTECEU NO REINO UNIDO! No Brasil foram publicados dezenas de incidentes onde ampolas para raquianestesia ou peridural foram confundidas com todos os tipos de produtos: formol, tiopental, cedilanide, morfina, relaxantes musculares, dipirona, ácido mefênamico e várias outros, resultando em mortes ou lesões graves, numa série enorme de erros inadmissíveis por negligência e pouco caso por parte do profissional responsável (Fortuna, A: Acidentes e complicações em anestesia regional, 35º CBA, Belém, Pará. Fortuna A., Toxicidade dos Anestésicos Locais, Nov. 29, 1988, 53º CBA, Goiânia, Aproveitamento de restos de ampolas e frascos de produtos utilizados para anestesia raquidea ou peridural, como constatamos durante a guerra civil na Nicarágua, na década de 80, foram responsáveis por 34 casos de lesões neurológicas graves, tais como aracnoidite adesiva, resultando em paraplegia, tetraplegia e mortes. Contaminação, por falta de esterilização completa das ampolas dos anestésicos, por dentro de por fora, foi também um fator significativo. Nossa ida a Nicarágua foi patrocinada pelo governo francês o pelos Medecins du Monde. Vide Anais do Congresso Mundial de Anestesiologia,Washington, D.C., USA. Maio 15-18, A lista destes erros e tragédias, com suas variações é imensa. Gostaríamos de sugerir aqui uma ação efetiva de todos, para retornarmos aos princípios do primo non nocere, pela adoção Dr. Armando Fortuna de rotinas simples e rígidas no manejo de atos anestésico-cirúrgicos. Basicamente seriam os seguintes: Visita pré-anestésica pelo menos no dia anterior e consentimento informado. Nas urgências, comunicação aos familiares sempre que possível. 1) Seguir o exemplo da Mayo Clinic, onde toda a equipe cirúrgica se apresenta ao paciente, para verificar se não houve engano em relação ao procedimento e ao enfermo. Isto evitaria craniotomias em lugar de cirurgia de membro inferior, plástica de esfíncter anal onde o problema era um fratura de pé e não incontinência fecal e assim por diante. 2) A adoção de uma pulseira com código de barras, com leitor na sala de operações, seria uma medida extra de segurança. Em sua falta, uma etiqueta escrita com o nome do paciente e a intervenção programada. 3) Nenhum método de anestesia regional poderia ser executado sem a prévia garantia de uma veia permeável e com monitores colocados, além de material de reanimação sempre presente. 4) Rotina básica para tratamento de convulsões devidas a anestésicos locais: succinilcolina/02 (preparada numa seringa, bem marcada), bolsa auto inflável para possibilitar respiração controlada, a ser iniciada no máximo 30 segundos após os primeiros sintomas. Vasopressores quando necessários. 5) Nenhuma droga ou agente deverá ser usada sem que uma segunda pessoa presente verifique o nome do mesmo, sua validade e a dosagem que será utilizada. 6) Pelo menos reuniões quinzenais da equipe de 14 - Anestesia em revista - março/abril, 2008

15 anestesia para discutir eventuais problemas ocorridos no hospital. Protocolos e fichas de anestesia claras e detalhadas. 7) Criação, pela SBA e pela CLASA de um banco de dados sobre acidentes, complicações, mortes em anestesia e near misses. Isto seria seguido por um grande esforço promocional, para que se tornasse uma ação efetiva. Temos no Brasil uma iniciativa desta natureza, feita pela Anvisa, que está em seus primeiros passos. Nosso banco de dados seria baseado no da ASA, das Closed Claims e de outros afins, da Inglaterra, Austrália e França. 8) Dedicar sempre, em nossos Congressos, um espaço importante para discussão de eventos adversos, aspectos legais e éticos de nossa especialidade, além dos progressos que tem sido feito no mundo inteiro em relação a preceitos de segurança. 9) Insistir com os Centros de Ensino e Treinamento da SBA de que o tema mais importante em anestesia é o fator vigilância. Acentuar o Primo non nocere e o KISS, como principios básicos no manejo dos pacientes. O KISS, lema adotado pelos Seals, corpo de elite da marinha americana, reza o seguinte: keep it simple, stupid... Ou seja, mantenha seus métodos sempre os mais simples possíveis, evitando sopas de pedra ou coisas afins. Quanto mais complicada um ato anestésico, mais chance das coisas darem erradas. 10) Adoção de exercícios periódicos de segurança no Centro Cirúrgico O que fazer no caso de incêndio? Quantos conhecem a localização dos extintores? Rota de evacuação? A inspeção rotineira dos sistemas elétricos deveria ser feita pelo menos a cada três meses. 11) Insistir para que os fabricantes de cateteres para bloqueios apresentem o produto identificado por cores vivas ou que tenham terminações que não aceitem seringas comuns. Ampolas de agentes anestésicos com rótulos claros e bandas coloridas para fácil verificação. Prazo de validade marcado pelo fabricante. Em caso de bolsas plásticas, para serem usadas com anestésico local, cores de identificação serão indispensáveis. 12) Reutilização de seringas e material descartável nem pensar. Vejam as noticias do mês passado, sobre um Centro de Endoscopia de Southern Nevada, onde alguns indivíduos, entre março de 2004 a Janeiro de 2008, foram contaminados por hepatite B e C além da suspeita de HIV. A causa do desastre foi à reutilização de seringas entre enfermos pacientes estão sendo investigados. Tudo isto para aproveitar seringas que custam 25 centavos de dólares, utilizando a mesma solução para diferentes enfermos. A ação proposta na Justiça do Estado está demandando mais de 10 mil dólares por cada ocorrência. Há muitos itens que poderiam ser acrescentados. Fica aqui a sugestão de que outros colegas colaborem neste tema e este esforço conjunto possa ser o ponto de partida para a confecção de um manual simples, Cuidados Obrigatórios de Segurança e Vigilância em Anestesia, a ser editado e distribuído pela SBA, a todos os membros da nossa Sociedade. Seria uma maneira de retornarmos ao Primo non nocere... Prof. Armando Fortuna, TSA, OAB SP. OBITUÁRIO NOME MATR. REGIONAL Dra. Denise Sacramento Kunzler SARGS Dr. João Lopes Vieira SAESP Dr. Raphael Augusto Bellini SAESP Homenagem, Agradecimento e Despedida O verdadeiro Médico é o Anestesiologista: Por vivermos num mundo tão pobre em reconhecimento e gratidão, quero hoje homenagear alguém: humilde, amante da anestesiologia, do trabalho e, acima de tudo, do paciente. Aquele que guardarei com muitas saudades dos anos de minha residência...aprendi muito com tanto dinamismo, disposição e entusiasmo, com todo aquele jeito simples, agitado e talvez ingênuo de ser, de transmitir auto confiança e paixão pela anestesiologia ; desde então, passei a admirá-lo por ser corajoso nos procedimentos, incansável, competente, perseverante, dominador de seu stress, ágil em suas ações, sempre seguro, aquele que lutava sempre um pouco mais pela vida e estudava muito... Os meus dois anos se passaram e ele muito me ensinou...nada escondia. E a cada erro me repreendia com rapidez e sem cerimônia... Exerceu uma grande contribuição para esta Sociedade de Anestesiologia, para todos os residentes que tiveram o prazer de conhecê-lo e muito mais pelos inúmeros pacientes por ele atendidos... Nesse momento ele deve estar sentado em alguma nuvem esperando um aparelho de anestesia para poder mudar a história da vida de alguém, afinal de contas, ele sempre dizia que o verdadeiro Médico é o Anestesiologista... Muito obrigada Dr. João Lopes Vieira. Dra. Mônica da Cunha Gobbo TSA MD Responsável- CET HMCP.PONT.UNIV. CATÓLICA DE CAMPINAS Informação importante para os Responsáveis por CET Prazo para envio do Relatório Anual referente ao ano 2007 até 30/06/2008. O CD-Rom com o Programa para preenchimento já foi encaminhado pelo correio. Também disponível na área restrita aos Responsáveis no Portal/SBA. Anestesia em revista - março/abril,

16 Parecer Técnico Sociedade Brasileira de Anestesiologia Recomendações sobre o Relatório de Anestesia A CNTSA/SBA considera alguns itens importantes na RECOMENDAÇÃO ao CORRETO PREENCHIMEN- TO DO RELATÓRIO DA ANESTESIOLOGIA: 1. Considera que o alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional; 2. Que o médico anestesiologista é o responsável pelo posicionamento do paciente, bem como do acesso vascular e equipamentos de monitorização necessários e recomendados ao procedimento proposto, pela intubação traqueal, administração de agentes (sedativos e anestésicos), drogas, fluidos intravenosos e oxigênio, e pela monitorização e avaliação do balanço hídrico, incluindo débito urinário e perda sangüínea; 3. Que todas estas funções devam ser registradas em ficha descritiva em intervalos para descrever sinais vitais, fluidos, agentes e drogas administradas. 4. Que as funções dos registros de anestesia devem auxiliar de forma ótima à: Documentação cronológica e precisa de posologias, procedimentos e suas evoluções e conseqüências sobre o paciente tratado no âmbito do período assistido pelo(s) anestesiologista(s) responsáveis. Assim posto RECOMENDAMOS: a observância rigorosa das determinações do Conselho Federal de Medicina conforme resolução 1802/06 em que seus termos: Art. 1º Determinar aos médicos anestesiologistas que: III A documentação mínima dos procedimentos anestésicos deverá incluir obrigatoriamente informações relativas à avaliação e prescrição préanestésicas, evolução clínica e tratamento intra e pós-anestésico (ANEXO I). ANEXO I 2. Ficha de anestesia, incluindo: a. Identificação do(s) anestesiologista(s) responsável (is) e, se for o caso, registro do momento de transferência de responsabilidade durante o procedimento b. Identificação do paciente c. Início e término do procedimento d. Técnica de anestesia empregada e. Recursos de monitoração adotados f. Registro da oxigenação, gás carbônico expirado final (nas situações onde foi utilizado), pressão arterial e freqüência cardíaca a intervalos não superiores a dez minutos g. Soluções e fármacos administrados (momento de administração, via e dose) h. Intercorrências e eventos adversos associados ou não à anestesia Art. 3º Entende-se por condições mínimas de segurança para a prática da anestesia a disponibilidade de: I - Monitoração da circulação, incluindo a determinação da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, e determinação contínua do ritmo cardíaco, incluindo cardioscopia; II - Monitoração contínua da oxigenação do sangue arterial, incluindo a oximetria de pulso; III - Monitoração contínua da ventilação, incluindo os teores de gás carbônico exalados nas seguintes situações: anestesia sob via aérea artificial (como intubação traqueal, brônquica ou máscara laríngea) e/ou ventilação artificial e/ou exposição a agentes capazes de desencadear hipertermia maligna. Acrescentadas também as seguintes resoluções: a. Resolução do CFM nº 1.409/94 que regulamenta a prática da cirurgia ambulatorial que: Art. 1º - Determinar aos médicos que, na prática de atos cirúrgicos e ou endoscópicos em regime ambulatorial, quando em unidade independente do Hospital, obedeçam às seguintes condições: b) registro de todos os procedimentos realizados; b. Resolução do CFM nº 1.670/03 Art.1 - Nos ambientes em que se praticam procedimentos sob sedação consciente ou níveis mais profundos de sedação, devem estar disponíveis: 1. III.Material para documentação completa do procedimento, devendo ficar registrado o uso das medicações, suas doses e efeitos; 2. Que a Ficha de Registro de Anestesia, em seu original, deve ser exclusivamente utilizada como parte integrante e indivisível do prontuário médico, tendo como objetivos auxiliar de forma ótima à documentação cronológica e precisa de posologias, procedimentos e suas evoluções e conseqüências sobre o paciente tratado no âmbito do período assistido pelo(s) anestesiologista(s) responsáveis 3. Que, quando necessário, o médico anestesiologista deve utilizar formulários padronizados pela instituição como integrantes do prontuário médico para realizar anotações 4. Que a Ficha de Registro de Anestesia deve ter as seguintes informações mínimas necessárias: A - FRENTE ou CAPA 1. Informações Identificadoras do Paciente a) Nome completo b) Data de nascimento 16 - Anestesia em revista - março/abril, 2008

17 c) Idade atual d) Número de Identificação (número do prontuário médico) e) Sexo f) Raça/cor g) Peso h) Altura i) Outros (de acordo com necessidades da instituição) 2. Informações prévias a) Cirurgia proposta (incluir se possível, todas as informações pertinentes sobre o ato cirúrgico, como posicionamento, etc...) b) Cirurgia realizada c) Equipe cirúrgica responsável d) Médico(s) anestesiologista(s) responsável(is) e) Descrição da avaliação pré-anestésica e informações clínicas do paciente I - II - As informações podem ser apresentadas em modo descritivo (mais recomendado), ou através da utilização de lacunas (método dirigido) Sugere-se que esta sessão deva conter o maior número de informações possíveis sobre o paciente III - Deve haver conclusão da avaliação e utilização do Estado Físico-Anestésico (classificação da ASA), além de outros índices, se forem pertinentes e consagrados IV - As informações aqui registradas não eximem o médico anestesiologista de registrar a Visita Pré- Anestésica, seja em Folha de Evolução Médica do prontuário ou ficha própria da instituição f) Descrição de medicamentos prescritos e administrados e/ou procedimentos realizados após a avaliação pré-anestésica, incluindo efeitos esperados ou não, efeitos adversos ou intercorrências g) Espaço para anotações a) Espaço para descrição de informações sobre eventos ocorridos no período perioperatório b) Espaço para assinatura do(s) médico(s) anestesiologista(s) responsável(is) B - FACE GRÁFICA 1. Tabulação Gráfica Geral a) O sentido da Ficha de Registro de Anestesia (tipo retrato ou paisagem ) deve seguir as características da instituição b) Recomenda-se as utilização da relação 01 quadrado = 05 minutos c) A interface gráfica deve ser obrigatoriamente constituida de: I - II - Espaço para registro da escala de tempo contínua Espaço para drogas, gases e vapores de uso contínuo III - Espaço para registro de administração de fluidos endovenosos IV - Espaço para registro contínuo da monitorização mínima obrigatória Eletrocardiografia Pressão arterial SpO 2 Capnografia e capnometria V - Espaço para registro de monitorização adicional (o espaço deve variar de acordo com as características e necessidades da instituição) VI - Espaço para registro contínuo dos métodos de ventilação, incluindo da oxigenoterapia ou parâmetros do ventilador, se utilizados. VII - Espaço para identificar eventos específicos, utilizando a simbologia consagrada, que deve incluir: Início e término da anestesia Início e término da cirurgia Administração de drogas Mudanças de posicionamento intercorrências Outros eventos, se pertinentes. 2. Espaços específicos a) Descrição dos procedimentos: deve haver espaço próprio e suficiente para a descrição minuciosa e sequencial de procedimentos realizados pelo anestesiologista I - II - Condições de admissão na sala de cirurgia Início e término da anestesia: inicia-se na ADMIS- SÃO do paciente na sala de cirurgia e termina em sua ALTA para a Sala de Recuperação Pós- Anestésica ou outro setor do hospital onde permanecerá em seu período pós-operatório inicial (baseado no fato que é de responsabilidade do médico anestesiologista a avaliação das condições do paciente à cirurgia proposta, representada pela sua admissão ou não na sala de cirurgia, bem como sua condição de alta da mesma) III - Início e término da cirurgia: inicia-se no momento da incisão, ou quando iniciar-se o procedimento diagnóstico ou terapêutico; seu término é condicionado a avaliação do cirurgião IV - Administração de medicamentos Nome Via Dose e concentração Horário Efeito adverso (ex., rash cutâneo após antibiótico) a. Segundo recomendação da ANVISA, a descrição de medicamentos no prontuário médico deverá utilizar somente o nome da substância ( princípio ativo ) (vedado o uso de qualquer nome comercial) b. Devem seguir ordem cronológica, utilizando simbologia para evidenciar no gráfico o momento de sua administração c. Se for de uso contínuo, deverá ser registrado no espaço gráfico apropriado d. Todos os medicamentos administrados devem ser descritos, inclusive aqueles utilizados pelo cirurgião (anestésico local, adrenalina, etc..), auxiliares de cirurgia (azul de metileno) ou aqueles solicitados por outros (como antibióticos, manitol, etc..). Sugere-se colocar observação sobre quem indicou sua utilização (caso não seja o anestesiologista) e. Somente medicamentos administrados devem ser descritos na ficha de anestesia (não devem ser descritos, por exemplo, a atropina aspirada mas não utilizada) V - Procedimentos VI - Outros VII- Condições de alta da sala de cirurgia Estado clínico Patência da via aérea Ventilação Acessos vasculares Monitorização Suportes especiais outros Anestesia em revista - março/abril,

18 VIII - Destino após a alta da sala de cirurgia IMPORTANTE: a Escala de Aldrette-Kroullick, em sua forma original ou modificada, NÃO se aplica a quantificar as condições de alta do paciente da sala de cirurgia, (somentes as condições de alta da sala de recuperação pós-anestésica), portanto não deve ser utilizada aqui b) Descrição de técnica anestésica; deve haver espaço suficiente para a descrição da técnica utilizada I - Tipos de anestesia (classificação recomendada pela SBA) Geral Condutiva Sedação local c) Descrição do equipamento de anestesia utilizado I - Sistema de ventilação e método de absorção de CO 2 (utilizar classificação recomendada pela SBA) Sistemas com reabsorção de CO 2 1. Circulares a. Valvulares b. avalvulares 2. Não-circulares a. Valvulares b. avalvulares Sistemas sem reabsorção de CO 2 1. Valvulares 2. avalvulares II - Vaporizadores (utilizar classificação recomendada pela SBA) Universais calibrados III - Fluxo e concentração de gases e vapores IV - Métodos de reabsorção de CO 2 V - outros d. Descrição dos métodos de manutenção da patência das vias aéreas, incluindo acesso, dificuldades e intercorrências: e. Descrição da Monitorização I - Monitorização Mínima utilizada (conforme Resolução CFM 1802/06 ) a. Eletrocardiografia (sugere-se descrever as derivações utilizadas) b. Pressão arterial (com a descrição do tipo de aferição da pressão arterial ex. Manual ou auscultatória, tonooscilométrica ou direta ou invasiva) c. Oxímetro de pulso d. Capnografia e capnometria II. Monitores adicionais (para casos selecionados) f) Proteção adotada no paciente I - Posição e mudanças II - Proteções ao posicionamento (uso de coxins, proteção ocular, almofadas, etc..) III - Segurança elétrica para proteger equipamentos (ex: aterramento) IV - Outras g) Registro gráfico ou tendência continua: I - obrigatórios. Gases e vapores Medicamentos de uso contínuo Fluidos endovenosos Monitorização obrigatória e específica Parâmetros ventilatórios e de oxigenoterapia intecorrências outros h) RESUMOS: (podem ser adaptados de acordo com as necessidades da instituição) I - Medicamentos (doses totais) II - Balanço hídrico final Fluidos administrados (podem ser especificados) Fluidos perdidos (podem ser especificados) i) Espaço para descrições adicionais Março de 2008 CNTSA/SBA Dr. Carlos Rogério Degrandi Dr. Marcio Augusto Lacerda Dr. Neuber M. Fonseca XXXVI Encontro dos Conselhos de Medicina da Região Nordeste IV Seminário sobre Responsabilidade Médica E R R A T A Da esquerda para direita: Jurandir Turazzi e José Abelardo Meneses No período de 24 a 26 de abril próximo passado, a Sociedade Brasileira de Anestesiologia esteve representada no XXXVI Encontro dos Conselhos de Medicina da Região Nordeste e IV Seminário sobre Responsabilidade Médica, através de seu Presidente - Jurandir Coan Turazzi e Diretor do Departamento de Defesa Profissional - José Mariano Soares de Moraes, quando nesta oportunidade foi destacada a importância do registro de documentação nos procedimentos médicos. Durante este evento foi lançado o Livro RESPONSABILI- DADE CIVIL MÉDICO-HOSPITALAR E A QUESTÃO DA CULPA NO DIREITO BRASILEIRO, cujo autor Professor Leonardo Vieira Santos, pós-graduado em Direito pela Universidade Federal da Bahia UFBa, participou do SE- MINÁRIO na qualidade de Palestrante. Na Anestesia em Revista nº 01/2008 a matéria da página 11, foi publicado um erro no título, assim sendo, onde lê-se Poluição Ambiental de Anestésicos Locais, leia-se Poluição Ambiental por Anestésicos Inalatórios Anestesia em revista - março/abril, 2008

19 Panorama atual do trabalho das Comissões permanentes da SBA Comissão de Normas Técnicas e Segurança em Anestesia (CNTSA) 1 Participação na CB 26 COMITÊ BRASILEIRO ODONTO MÉDICO HOSPITALAR SC 26:060 SUBCOMITÊ DE EQUIPAMENTO, FORNECIMENTO E ACESSÓRIOS DE RESPIRAÇÃO E ANESTESIA, CE 26: COMISSÃO DE ESTUDO EQUIPAMENTO RESPIRATÓRIO E DE ANESTESIA, na sede social da ABIMO, localizada à Av. Paulista, º -conj São Paulo SP, para Revisão da Norma ABNT NBR ISO 11195:2000 Misturador de gases para uso medicinal Misturador de gases independentes e Análise da ISO International Organization for Standardization. 2 Parecer da Consulta Pública nº 109 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), em reunião realizada no dia 14 de Novembro de 2007, para proposta do Regulamento Técnico para Serviços de Atenção Obstétrica e Neonatal, publicada no D.O.U de 20/11/ 2007 pela Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 3 Parecer Técnico (PE-1255/2008), sobre o Relato de Caso publicado na Revista Brasileira de Anestesiologia, 2008;58(1):63-68, e à réplica da empresa HB Hospitalar Ind. E Com Ltda, fabricante do Aparelho Conquest Dr. Antonio Roberto Carraretto Presidente da CEC/SBA 4 Resposta ao parecer técnico sobre anestesia regional associada com dexametasona. 5 Elaboração e recomendação das diretrizes e necessidades básicas para o relatório da anestesia com sugestão de ficha padrão a ser disponibilizada aos sócios da SBA. 6 Elaboração de tema da área de atuação da CNTSA/SBA, abordando o tópico conforme meta proposta para o ano de 2008: Recomendações sobre exposição a agentes anestésicos (Poluição ambiental). Comissão de Educação Continuada (CEC) Os principais objetivos da CEC-SBA são o assessoramento da Diretoria sobre a Educação Continuada, a criação de programas de ensino para o anestesiologista e a participação junto a Comissão Nacional de Acreditação (CNA) AMB-CFM provendo os mecanismos para a revalidação do Certificado de Atualização Profissional (CAP). Neste ano, 2008, apresentamos um projeto para a criação de vídeo-aulas, com o conteúdo do programa dos CET, para possibilitar a padronização do programa e facilitar a divulgação do conhecimento em todos os CET do Brasil. Estas vídeo-aulas, ministradas por especialistas de renomado conhecimento sobre o assunto, permitirão o complemento do programa de determinados CET. A primeira aula já foi ao ar, por meio de vídeo conferência (Web Meeting) pela Internet, e encontra-se disponível para ser assistida a qualquer momento, pelo site da SBA. Continuamos com o programa de Web Educação, com a renovação da parceria com a Eurofarma, para mais nove Dr. Neuber Martins Fonseca - Presidente da CNTSA/SBA Abril de 2008 Membros da CNTSA/SBA 2008 Dr. Carlos Rogério Degrandi - SP Dr. Marcio Augusto Lacerda - RJ Dr. Neuber Martins Fonseca - MG aulas em A primeira aula já está disponível pelo site da SBA e oportunamente somarão créditos para o CAP. O Curso Ensino à Distância (no site: Educação Continuada/Curso Ensino à Distância) contém dezenas de testes relacionados aos capítulos do Curso de Educação à Distância em Anestesiologia (Volumes I a VII). Estamos recebendo dos Comitês os capítulos para a editoração do VIII Curso de Educação à Distância em Anestesiologia, lembrando que as avaliações dos capítulos de 2007 estão sendo progressivamente publicadas no site da SBA, para o estudo e a resposta do questionário de avaliação que pontua créditos junto a CNA. Temos participação ativa junto a CNA (AMB-CFM), para a aprovação e pontuação dos eventos e programas de educação continuada, relativos a nossa área. A CEC-SBA agradece aos membros que participam deste processo de atualização profissional e encontra-se ao dispor para sugestões que possam aprimorar o desenvolvimento de nossa especialidade. Comissão de Educação Continuada SBA Dr. Antonio Roberto Carraretto ES Dr. Daniel Volquind RS Dr. Pedro Thadeu Galvão Vianna SP Anestesia em revista - março/abril,

20 Comissão de Ensino e Treinamento (CET) A presidente da CET, Dra Ligia Mathias, esteve presente à reunião da Diretoria da SBA com os presidentes das comissões e comitês e em outras reuniões, na sede da SBA, na AMB e na FMUSP, quando foi abordado o tema O Futuro das Escolas Médicas. A presidente, o secretário da CET - Dr. João Abrão e os membros da CET, Drs. Ana Maria M. Caetano, Getúlio Rodrigues e Mary Neide Romero estiveram na JONNA e JOSULBRA, onde realizaram reuniões com os Responsáveis por CET e Médicos em Especialização das regiões Norte-Nordeste e Sul. Nesta ocasião foi disponibilizada para todos os Responsáveis a oportunidade de reuniões individuais para discutir eventuais dúvidas, o que deverá acontecer em todas as jornadas regionais. A presidente, o secretário da CET e a editora da RBA, Dra Judymara L. Gozzani, estiveram presentes ao Congresso Mundial de Anestesiologia quando participaram do Simpósio do British Journal of Anaesthesia denominado BJA Research and Writing, que contou com o corpo editorial do BJA e do simpósio inovações no ensino da anestesiologia na graduação. A presidente da CET ministrou a primeira videoaula de 2008 com o tema Avaliação Pré-Anestésica e moderou a segunda aula com o tema Monitorização da Função Cardiovascular. A Comissão de Saúde Ocupacional da SBA vem trabalhando com base nos seguintes objetivos : Estruturação de Pesquisa Epidemiológica em Saúde Ocupacional do Anestesiologista Brasileiro; Divulgação do tema durante eventos científicos; Participação como Chair de um Grupo de Estudos na WFSA sobre o tema Saúde Ocupacional em Anestesiologia ( Projeto da Comissão de Saúde Ocupacional da SBA Correlação entre as Condições de Trabalho do Anestesiologista Brasileiro e o Índice de Stress Ocupacional Objetivo e estruturação: Dra. Ligia Mathias Presidente da CET/SBA Além disso, a Comissão de Ensino e Treinamento teve quatro reuniões na sede da SBA, em fevereiro, março, abril e maio. Fruto destas reuniões e do trabalho diário dos membros desta Comissão, já foi entregue pronta à secretaria da SBA, a prova do TEA. A prova de ME1 já está sendo finalizada, começando em maio a finalização da prova de ME2. Foram também realizadas de fevereiro até abril nove vistorias e já entregues os relatórios à Diretoria Científica da SBA. Está em fase final a análise dos questionários dos ME de 2007, que será apresentada na reunião plenária do CBA A CET tem debatido internamente desde o começo do ano, dois assuntos, que vêm cada vez com maior freqüência, sendo levados a ela pelos Responsáveis ou pelos próprios ME, que são os trabalhos de conclusão de curso e as faltas disciplinares. Estes assuntos já foram levantados e discutidos na JONNA e JOSULBRA e serão abordados em todas as outras jornadas regionais e na plenária do CBA. Comissão de Saúde Ocupacional (CSO) A pesquisa proposta tem como principal objetivo a aplicação de dois questionários (WOCCQ e PSSM-A) no sentido de avaliar a correlação acima citada, inicialmente em uma população alvo composta de todos os integrantes dos Centro de Ensino e Treinamento da SBA, incluindo residentes (R1, R2 e R3) e os seus preceptores. Os referidos questionários foram elaborados pelos Membros do Department of Work Psychology, of Faculty of Phychology and Education Sciences University of Liege (Belgium) na avaliação desta correlação. Os referidos questionários são considerados como os instrumentos metodológicos de avaliação do presente projeto de pesquisa, sendo os mesmos, o WOCCQ que afere, de maneira escalonada, as condições de trabalho e, o PSSM- A que viabiliza a aferição do nível de estresse causado pela prática clínica da anestesiologia em específicas situações. Dr. Gastão F. Duval Neto Presidente da CSO/SBA Dra. Ligia Andrade da Silva Telles Mathias - SP Dr. João Abrão - SP Dr. Edno Magalhães - DF Dra. Mary Neide Romero - CE Dr. Getúlio Rodrigues de Oliveira Filho - SC Dra. Ana Maria Menezes Caetano - PE Os Professores Membros deste Department que estão comprometidos, de maneira espontânea, com a validação em português dos questionários e a posterior orientação na estruturação de um banco de dados e análise estatística dos resultados armazenados (Programa SPSS), são os Drs. Stéphanie Peters, Véronique De Keiser e Isabelle Hansez. O cronograma de desenvolvimento do Projeto esta estruturado da seguinte forma: Tradução dos questionários por tradutores oficiais (do francês para o português e do português para o francês por diferentes tradutores); Avaliação da tradução do português para o francês pela Dra. Peters, no Department of Work Psychology, of Faculty of Phychology and Education Sciences University of Liege (Belgium); Avaliação pelo Comitê de Ética da Faculdade de Medicina da UFPel; Impressão dos questionários; Distribuição, aplicação e recolhimento dos questionários para todos os CET s brasileiros (residentes e preceptores); Estruturação do banco de dados no Programa SPSS; Análise estatística dos dados e resultados; Publicação dos resultados com sugestões de melhorias da prática anestesiológica no Brasil. Situação atual do projeto em pauta: Em fase de estruturação do texto para publicação. Dr. Gastão Fernandes Duval Neto - RS Dr. André Luiz Braga das Dores - GO Dr. Railton Cesar Gonçalves de Abrantes - SP

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