ENSINANDO HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DO CEARÁ E DO CARIRI CEARENSE: PESQUISA E ENSINO NA GRADUAÇÃO RESUMO

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1 1069 ENSINANDO HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DO CEARÁ E DO CARIRI CEARENSE: PESQUISA E ENSINO NA GRADUAÇÃO Zuleide Fernandes de Queiroz Universidade Regional do Cariri RESUMO Durante nossos estudos de Doutoramento tivemos a necessidade de resgatar a história da educação na região do Cariri Cearense. Naquele momento nos deparamos com a falta de estudos sistematizados acerca da temática ocasionando, no primeiro momento, a construção de um trabalho que, hoje, o consideramos fragmentado. A experiência nos motivou ao desafio de lecionarmos, no Curso de Pedagogia a Disciplina Historia da Educação no Ceará e no Cariri, situação oportuna para registrarmos a história das instituições educacionais e de professores dos municípios da região do Cariri, tomando por base os estudos de Magalhães (1999) sobre histórias de instituições educacionais. Foi assim que em 2003, com o apoio dos alunos da graduação matriculados na disciplina iniciamos a experiência de articulação ensino e pesquisa. Através de um Projeto Matricial intitulado História da Educação no Cariri: resgatando história de instituições e de professores estamos resgatando a história da educação no Ceará buscando registros oficiais e particulares da história da educação da região - a história das instituições educacionais e seus principais sujeitos, via fontes oficiais e orais. A primeira etapa da pesquisa se dá com o levantamento das fontes já construídas de estudos anteriores, autores locais, pesquisas de outras universidades, documentos, etc. Em seguida apresentamos na forma de Seminário as pesquisas realizadas pelos alunos do Curso que anteriormente cursaram a Disciplina. Nesta ocasião eles relatam suas experiências, sua motivação e as dificuldades oportunizando aos novos pesquisadores o conhecimento novo e a imensidão de oportunidades de resgate histórico na área de educação. Na seqüência, os alunos em suas localidades vão buscar conhecer as instituições e suas histórias, a partir do relato dos mais velhos, de políticos e/ou de familiares. Durante as aulas os alunos trazem esses resultados e em grupos ajudamos a definir o objeto de estudo de cada um ou de grupos constituídos por alunos que residem no mesmo município. Nas aulas também construímos os roteiros de pesquisa - roteiro de história de vida e de instituições, roteiro de pesquisa em arquivos públicos e particulares e carta de apresentação da pesquisa. Iniciamos todas as pesquisas e conciliamos as sessões das aulas em revisão de literatura acerca do referencial teórico-metodológico e apresentação das etapas de execução do estudo. Ao final de cada semestre realizamos Seminário de apresentação dos resultados daquele momento e os registros escritos compõem o acervo construído pela Pesquisa Matricial. A referida pesquisa vem registrando a educação no Cariri Cearense envolvendo, levantamento documental oficial e privado, a memória de políticos, educadores e educandos, através de entrevistas, histórias de vida, biografias, autobiografias e iconografias, que são gravadas e/ou filmadas e fotografadas, adquirindo, assim, o caráter de documento e fonte de pesquisa histórica para constituição de um acervo, com a função de alimentar e ampliar permanentemente a área de pesquisa, bem como o uso público do acervo catalogado pelos pesquisadores, professores, estudantes, estagiários, bolsistas e público em geral. Vale salientar que, dentro de nossos objetivos também contemplamos a idéia de formar um acervo iconográfico que poderá constituir um pequeno museu da memória da educação nesta região do Estado. Até o momento resgatamos a história de 57 instituições educacionais e de 30 professores que datam dos séculos IX e XX. Entendemos que a pesquisa histórica no campo educacional tem dupla valia: tanto pode recuperar o passado educacional de uma região, quanto alimentar o sistema local e estadual de planejamento educacional, em relação às necessidades presentes e futuras da sociedade. É uma prática de pesquisa que tende a envolver diversos segmentos da sociedade de forma interessada a ponto de extrapolar os muros da universidade. Como área de múltiplos interesses, a história educacional pode envolver professores e alunos da área de história, geografia, sociologia, antropologia, letras, engenharia, saúde, etc. Do ponto de vista do seu aprimoramento metodológico, a área só tem a ganhar com a formação de equipes multidisciplinares, desde que não perca de vista a sua função primordial de reconstrução do passado educacional como fonte de reflexão para uma prática futura. O espaço regional não é visto como um espaço social isolado, mas parte de uma teia de relações de mobilidade espacial e cultural, material e simbólica da

2 1070 atividade social que acabam por ligar todos os lugares e tempos do mundo. O resgate da História Educacional tem, neste contexto, um papel relevante a ser considerado - a formação do professorpesquisador. Observamos que a experiência tem permitido a formação de um professor que busca conhecer sua realidade local, suas relações com as outras realidades e a construção de sua identidade de professor que conhece e vivencia a sua história. 1 Ensino de História da Educação TRABALHO COMPLETO Introdução Sabendo da necessidade de ter uma visão mais integrada das diversas instituições educacionais existentes na região, sentimos a necessidade de conhecer as origens de suas formações. Saber da importância de conhecer esta história nos remete à leitura do trabalho de Magalhães, fundamental para a definição dos atores a serem pesquisados as instituições educativas, no caso específico, as instituições educacionais da região do Cariri, que ao longo do seu desenvolvimento foram responsáveis pela formação escolar de seu povo. Nosso interesse pelo tema tem como referência os trabalhos já publicados e as reflexões acumuladas na área. Magalhães afirma que um estudo desta natureza é carregado de significado, pois assim se: [...] constrói um projeto pedagógico, indo ao encontro de um determinado público, constituindo-se, deste modo, a relação e a razão fundamentais para a manutenção e desenvolvimento do seu projeto educativo um processo que envolve dimensões humanas, culturais e profissionais de diversas naturezas: dimensões pedagógicas, sociológicas, administrativas, relações de poder e de 1 comunicação, relações de transmissão e apropriação do saber (MAGALHÃES, 1999, p. 69). A escolha do estudo de instituições se deveu ao fato de podermos conhecer a história educacional. Ou seja, saímos do nível das idéias e intenções e passarmos a visitar ou revisitar o cotidiano das instituições educacionais e da vida dos atores envolvidos, podendo assim, gerar novos estudos acerca de uma temática tão importante para a história de um lugar. Pois: O quotidiano de uma instituição educativa é um acúmulo de comunicação, tomada de decisões e de participação, cuja representação e memória apenas em parte ficam vertidas a escrito, ou traduzidas noutro tipo de registros, mas boa parte das quais se apagam, quer por se integrar em rotinas, quer pela sua freqüência, não constituem um objecto de registro próprio, quer porque se inserem num processo continuado, tendendo a fixar-se-lhe o princípio e o fim, sendo este, em regra, assinalado por um registro dos resultados. É assim com o processo de ensino-aprendizagem; os alunos inscrevem-se através de um termo de matrícula e o seu percurso escolar fica assinalado e numa certificação final. Do processo de ensino, para além destes mesmos resultados, fica apenas uma memória analógica suportada pelos sumários. De facto, o cotidiano de uma instituição educativa fica representado por defeito, nos registros e fontes de informação, havendo mesmo dimensões desse quotidiano, cuja memória se apaga com a mudança dos actores e muitas outras que são regularmente destruídas. (MAGALHÃES, 1999, p. 69). Na verdade, o estudo da história das instituições pode tomar um sentido de pesquisa em nível interno e externo, em suas relações sócio-político-econômicas com o poder local. Em nível interno, o estudo das instituições leva as próprias instituições a uma avaliação da sua trajetória e o 1 Magalhães, Justino Pereira. Breve Apontamento para a história das instituições educativas. São Paulo: Cortez, 1999.

3 1071 pesquisador ao entendimento das relações destas com a política governamental, nos casos em estudo. Nesse sentido, o estudo poderá objetivar ainda: [...] conhecer e caracterizar os órgãos de gestão, direcção, explicar como se efetua a comunicação interna e externamente; conhecer e caracterizar as relações de poder, as hierarquias e as instâncias com capacidade de decisão; conhecer e caracterizar o corpo docente, administrativo e auxiliar; conhecer e avaliar as formas de participação por parte dos diversos actores, a título individual, grupal ou de representação; conhecer a relação e a participação da comunidade envolvente; as relações com o poder central e com os poderes regionais e locais (Ibid. p. 71). O estudo se situa num determinado local e com uma temporalidade marcada por situações próprias da sua realidade. No caso, estamos falando de uma pesquisa realizada no sul do Ceará, mais especificamente da região do Cariri, espaço marcado por muitas lutas políticas e lugar de destaque na economia do Estado. Durante nosso Doutoramento tivemos a necessidade de resgatar a história da educação na região do Cariri Cearense. Naquele momento, nos deparamos com a falta de estudos sistematizados acerca da temática ocasionando, no primeiro momento, a construção de um trabalho que, hoje, o consideramos fragmentado. A experiência nos motivou ao desafio de lecionarmos, no Curso de Pedagogia a Disciplina Historia da Educação no Ceará e no Cariri, situação oportuna para registrarmos a história das instituições educacionais e de professores dos municípios da região, tomando por base os estudos sobre histórias de instituições educacionais. Foi assim que em 2003, com o apoio dos alunos da graduação matriculados na disciplina iniciamos a experiência de articulação ensino e pesquisa, através de um Projeto Matricial intitulado: História da Educação no Cariri: resgatando história de instituições e de professores. A Pesquisa em História da Educação na Graduação Estamos resgatando a história da educação no Ceará buscando registros oficiais e particulares da história da educação da região do Cariri-a história das instituições educacionais e seus principais sujeitos via fontes oficiais e orais. A primeira etapa da pesquisa se dá com o levantamento das fontes já construídas de estudos anteriores, autores locais, pesquisas de outras universidades, documentos, etc. Em seguida apresentamos na forma de Seminário as pesquisas realizadas pelos alunos do Curso que anteriormente cursaram a Disciplina. Nesta ocasião eles relatam suas experiências, sua motivação e as dificuldades permitindo aos novos pesquisadores o conhecimento adquirido e a imensidão de oportunidades de resgate histórico na área de educação. Na seqüência, os alunos em suas localidades vão buscar conhecer as instituições e suas histórias, a partir do relato dos mais velhos, de políticos e/ou de familiares. Durante as aulas os alunos traziam esses resultados e, em grupos, ajudávamos a definir o objeto de estudo de cada um, mantendo a interlocução entre os grupos. Por vezes, alguns alunos realizavam, individualmente ou mesmo em grupos constituídos por alunos que residiam no mesmo município. Nas aulas também construímos os roteiros de pesquisa - roteiro de história de vida e de instituições, roteiro de pesquisa em arquivos públicos e particulares e carta de apresentação da pesquisa. Iniciamos todas as pesquisas e conciliamos as sessões das aulas em revisão de literatura acerca do referencial teórico-metodológico e apresentação das etapas de execução do estudo. Ao final de cada semestre realizávamos Seminários de apresentação dos resultados daqueles momentos, bem como os registros escritos para que pudessem compor o acervo construído pela Pesquisa Matricial. Registrando a História da Educação no Cariri Cearense A referida pesquisa vem registrando a educação no Cariri Cearense envolvendo levantamento documental oficial e privado, a memória de políticos, educadores e educandos, através de entrevistas, histórias de vida, biografias, autobiografias e iconografias, que são gravadas e/ou filmadas e fotografadas, adquirindo, assim, o caráter de documento e fonte de pesquisa histórica para

4 1072 constituição de um acervo, com a função de alimentar e ampliar permanentemente a área de pesquisa, bem como o uso público do acervo catalogado pelos pesquisadores, professores, estudantes, estagiários e público em geral. Vale salientar que, dentro de nossos objetivos, também contemplamos a idéia de formar um acervo iconográfico que poderá constituir um pequeno museu da memória da educação nesta região do Estado. Até o momento resgatamos a história de 57 instituições educacionais e de 30 professores que datam dos séculos IX e XX. Apresentamos aqui os primeiros registros da pesquisa realizados nos três principais municípios que compõem a região. A Educação na Vila do Crato Situando a história de emancipação da Região, lançamos mão de conhecer sua história educacional. Figueiredo Filho (1966) registra a chegada ao Crato, em 1864, do Padre Ibiapina que realizou obras caritativas nos setores social e educacional e a criação do Seminário São José, em Este, era orientado pelos Padres Lazaristas, que difundiam a filosofia cristã através da formação de quadros para a Igreja e através dos seus colégios de 1º e 2º Graus para formar a elite intelectual para a região. Visitando o Vale, nesse período, Padre Ibiapina disseminou, na região, o que seria sua grande obra: as Casas de Caridade. Na ocasião fundou casas em Crato, Barbalha, Milagres e Missão Velha. As casas de caridade destinavam-se: [...] a servir, simultaneamente, de escolas para as filhas dos fazendeiros e comerciantes ricos, de orfanatos para as crianças das classes mais pobres, de centro para a manufatura de tecidos baratos e, consoante a própria ambição de Ibiapina, de convento para a sua congregação de freiras (DELLA CAVA, 1976, p. 34). É importante registrar que suas obras atendiam as duas classes sociais, que aos utilizaremse dos serviços das casas de caridade, pagavam com doações de terras e rendas e com serviços, este último reservado aos pobres (Ibid., p. 34). Ficou sob a responsabilidade da Comarca do Crato a implementação da educação sistematizada, sob a vigilância da Igreja Católica. Com essa intenção foi criado o Seminário São José, sendo a primeira escola de ensino superior, para formar quadros para a região. É por isso que Cavalcante (1995) faz menção ao livro do Professor Raimundo de Oliveira Borges intitulado O Crato Intelectual, publicado em Na ocasião, o mencionado Professor salienta: Crato exerce, desde os seus primórdios, marcante influência sobre as demais localidades do Cariri, e, até mais longe, em toda a vasta hinterlândia nordestina. É por isso uma cidade grande. Não em extensão. Tamanho só não é sinal de grandeza; grandeza é conteúdo, e o Crato tem conteúdo (BORGES, 1995, p. 23). O Seminário São José foi construído em 1874, por ordem de D. Luís, primeiro Bispo do Ceará. 2 Também pela Diocese, foi fundado, em 1909, o Colégio São José, posteriormente chamado de Gymnásio do Crato, em O referido Ginásio tinha sede própria e tinha como proprietário o Padre Francisco de Assis Pita. Entretanto, em 1935, foi vendido para a Diocese do Crato que o equipou como o Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, para atrair os filhos da classe alta da região. No momento de instalação do Seminário Della Cava (1976) registra, período de dificuldade vivida, em função da seca de 1877 a 1879, levando o a cerrar as portas, sendo reaberta somente em 1888 (Ibid., p. 38). Sua importância é crucial como detentora da instrução em todo o Vale. 2 Ainda hoje o Seminário funciona formando quadros em Teologia e Filosofia, porém este último curso encontra-se comprometido por falta de seu reconhecimento pelo Conselho de Educação do Ceará.

5 1073 Além desse fato, a construção de um Seminário no interior significou a tomada de posição da igreja brasileira ao conflito entre uma igreja romanizada e as forças secularizantes da sociedade brasileira (op cit, p. 38). 3 O Colégio Santa Teresa de Jesus foi também uma instituição criada para formar as filhos da elite daquele período. Sua criação foi obra de Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, em Seu objetivo, de início, era formar as moças da região para não precisarem se deslocar para outras cidades. Porém, em 1970, também começa a atender alunos do sexo masculino, obedecendo às novas necessidades que se apresentavam na região. Na década de 1960 a Diocese aglutina suas obras missionárias criando a Fundação Padre Ibiapina. Criada em 1963, suas ações eram direcionadas para as áreas de Educação, Saúde e Comunicação. Foram três instituições privadas: para a classe alta, a Faculdade de Filosofia do Crato e para os filhos de família de baixa renda mantém o Patronato Padre Ibiapina e a Escola Santa Madalena. Na área de saúde, funda o hospital São Francisco de Assis, a Maternidade do Crato e o Hospital Infantil. Na área de educação informal e comunicação, cria a Escola de Líderes Rurais, o Programa do MEB, a Pastoral da Infância e as Escolas Radiofônicas. 4 A Escola de Música do Crato é outro feito que não pode ser esquecido, por contribuir para a educação de jovens cratenses, principalmente aqueles oriundos da classe baixa. A Escola de música foi criada em 1967, pelo Padre Ágio Augusto Moreira, no Sítio Belmonte, na Serra do Araripe. Suas ações foram desenvolvidas no sentido de proporcionar ao homem rural o desenvolvimento das suas habilidades artísticas. Ao longo da sua história, esta teve que se ampliar, oferecendo serviços como teatro, pintura e escultura. Atualmente, ela funciona como Sociedade Lírica, ainda sob a direção do Padre Ágio. A história da Faculdade de Filosofia do Crato é atribuída, em seu nascedouro, ao Reitor da UFC, Prof. Antônio Martins Filho. Criada em 1960, a Faculdade vem, na posição de Chagas, responder ao desafio de formar recursos humanos intelectuais no interior do estado. Assim ele afirma: Com efeito, a Faculdade de Filosofia do Crato, adentrando-se na polimorfia cultural do interior de nosso Estado, repositório de uma riqueza diversificada de valores humanos e naturais, formando uma individualidade própria inconfundível, era a regionalização da Universidade e traduzia, experimentalmente, o lema O Universal pelo Regional com que esse extraordinário Reitor definira sua política universitária (CHAGAS, 1993, p. 98). A Faculdade teve como primeiro Diretor o Professor José Newton Alves de Sousa, vindo, na ocasião, de Salvador a convite do Reitor Martins Filho para assumir a missão. Porém, a criação da Faculdade se deu pela busca de todos, ficando seu desenvolvimento e expansão numa situação indefinida. Chagas denuncia: Urge registrar e repetir sempre, por causa das confusões e egoísmo do mundo moderno, que esta Faculdade nasceu com idéia e sob a égide da Diocese do Crato, quando lhe presidia o trono episcopal o Antístite da Oração [...] (Ibidem: p ). Na mesma denúncia, o autor coloca a difícil situação da primeira instituição de ensino superior da região, que dirigida pela Universidade Federal, fica sem apoio financeiro: 3 4 [...] Tais intenções tinham sido, em parte, inspiradas pelas mudanças que se operavam na Europa, onde as tropas de uma monarquia italiana liberal haviam derrotado os Estados Papais e se apoderado de Roma, em Em todo o mundo católico os eclesiásticos condenavam a violência audaciosa dirigida contra a Sé de Pedro; sintomaticamente, no Ceará, Dom Luís divulgou uma Carta Pastoral de protesto contra a invasão dos Estados Papais. Em 1872, irrompeu o primeiro conflito importante entre a Igreja brasileira e a Nação. Conhecido pelo nome de questão religiosa, surgiu o conflito quando o monarca Dom Pedro II mandou prender dois bispos, processá-los e sentenciá-los pela posição que tomavam, sem autorização, contra a maçonaria (DELLA CAVA, 1976, p. 38). Informações retiradas do artigo escrito pelas professoras da URCA, Lireda de Alencar Noronha e Otonite de Oliveira Cortez, publicado na Revista A Província, Nº 06, de janeiro de 1994.

6 1074 [...] De fato, a coisa era feia mesmo quando se falava em dinheiro. Basta dizer que a Universidade Federal (e não invoco argumentos jurídicos em favor de ninguém) descobriu uma forma, digamos de engabelar... Assumiu somente a direção didática da Faculdade, o que, praticamente e evidentemente, significava nada para nada vezes nada, em relação ao que tangia, o barco. Pior ainda: a Entidade mantenedora (outra palavra bonita) era a Diocese, não alguma da Alemanha, mas a do Crato, pobre, a qual, já nas mãos, sagradas de D. Vicente... todos sabiam: Roma locuta, causa finita. E, como não havia dinheiro, a não ser sobras aleatórias daqui e dali, é claro que não havia, nem a palavra, orçamento, mas, para substituí-la, a pesquisa dialetal, a cargo do curso de letras, engendrou o homófono ossamento, que em matéria de política monetária e trabalhista significa ossicação dos que, pelo trabalho, são remunerados simbolicamente (Ibidem, p. 100). O autor ratifica a importância da Faculdade e a necessidade de uma definição no que diz respeito ao financiamento. Na realidade, o que se assistiu foi à cobrança de mensalidade para os alunos e interessados em cursar a faculdade. E a possibilidade de uma Faculdade gratuita foi esquecida. Sobre a importância dessa faculdade o autor salienta: Elevar até 1960, o ensino de nossa zona só chegava ao nível médio, exceção ao seminário Diocesano, onde, outrora, funcionou o Curso Superior. A Faculdade permitiu, mais facilmente, o funcionamento do 3º ano colegial. Reforçou os quadros docentes. Trouxe à região o selo da vida universitária. Despertou e aproveitou vocações docentes, preparando-as e fixando-as no próprio meio, implantou procedimentos e hábitos intelectuais, grandemente proveitosos à cultura (Ibid, p. 102). Também é importante registrar a criação de uma Escola fruto de uma luta política da comunidade o Colégio Wilson Gonçalves, conforme relata Brito: Em reunião ordinária na sede do Cariri Sport Club o presidente lança a idéia de uma campanha para a criação de um colégio estadual no Crato a fim de atender às classes menos favorecidas economicamente. [...] Aprovada a idéia, organizamos grande passeata estudantil, com faixas e banda de música, com destino à residência do Dr. Wilson Gonçalves, então Vice- Governador do Estado (BRITO, 1994, p. 111). Fundado em 1961, o Colégio vinha representar os anseios da classe média assalariada do Cariri que não tinha condições de colocar seus filhos nas escolas privadas da Diocese desinteressada de uma educação profissionalizante, como era o caso da educação oferecida pelo Colégio Agrícola do Crato e pela Escola Técnica do Comércio. Na realidade, essa classe buscava um ensino de qualidade que preparasse seus filhos para os cursos superiores ofertados pelos grandes centros ou pela própria Faculdade de Filosofia do Crato. Com relação ao Colégio Wilson Gonçalves, a realidade não foi diferente. No seu nascedouro, o Colégio buscava primar pela tradição das boas escolas da época, onde o conteudismo e a disciplina eram primados. No período da ditadura, mudanças ocorreram na legislação do ensino. Com a implantação da Lei 5692/71, o Colégio Estadual, como é chamado, deixou de oferecer as disciplinas Filosofia e Latim. Estas ficaram reservadas ao estudo dos padres e das elites dirigentes. Na realidade, o Estadual passou a oferecer aos seus alunos, cursos profissionalizantes nas áreas de eletricidade, eletrônica e em magistério. Para lecionar as disciplinas técnicas, não importava ser professor, o importante era ter

7 1075 experiência e domínio técnico. Relembra Noronha: 5 A nível de 2º Grau, o projeto dá ao ensino caráter profissionalizante, universal e compulsório, tendo a clara finalidade de preparar mão-de-obra barata para o mercado de trabalho, qualificada tecnicamente mas disciplinada, dócil e ajustada as necessidades do sistema econômico em vigência (NORONHA, 1993, p. 73). Na década de 1960, a Cidade do Crato, de acordo com Leitinho foi marcada por: [...] um contexto cultural e educacional bastante rico em atividades e instituições. Dados fornecidos pela Diocese do Crato e pelo IBGE (1969) revelam que só no município do Crato existiam 2 seminários, 3 colégios, 12 ginásios, 2 instituições culturais, 2 jornais, 15 bibliotecas, 5 livrarias, 3 cinemas, 3 tipografias, vários conjuntos musicais, grupos de teatro e folclore, além do bandeirantismo e do escotismo, atividades consideradas de cunho formativo e educacional. Contava o município, à época, com 660 professores e alunos (LEITINHO, 2000, p. 62). De acordo com a autora, também foi criado, à época, o Curso de Direito da URCA, inicialmente, como faculdade isolada ligada à UECE. A Faculdade de Direito do Crato foi criada por advogados e Bacharéis, juntamente com políticos da região. Ela foi instituída em 26 de julho de 1976, pela Prefeitura Municipal do Crato, através da Lei 822, assinada pelo então Prefeito Dr. Pedro Felício (LEITINHO, 2000, p. 67). A Educação Escolar em Barbalha Inicialmente, como parte integrante do Crato, Barbalha foi fundada com o título de freguesia de Barbalha. Sua história esteve ligada à história da Missão do Miranda, 6 e seu nome teve origem de um Sítio com o nome de uma mulher que tinha morado ali, conforme afirma Raimundo Girão em seu livro intitulado O Ceará, de 1939, 7 sendo que, em 1842, passou a Distrito policial e, posteriormente, em 1846, tornou-se município. A educação em Barbalha não teve a mesma expansão que no Crato. Sua história educacional se dá pela fundação do Colégio Leão XII, em 1903, pelo Juiz de Comarca Manoel Soriano de Albuquerque, referida escola tinha os padrões iguais aos dos estabelecimentos de ensino de grandes cidades da época, para garantir a formação dos filhos dos grandes latifundiários. De acordo com Sobrinho (1989), até o ano de 1921, o município de Barbalha possuiu somente duas cadeiras primárias estaduais, duas municipais e três estaduais. Em 1923, foi instalado o primeiro grupo escolar, durante o governo de Justiniano de Serpa e o Colégio São Geraldo, para estudo dos jovens barbalhenses. Registra-se, em 1890 uma instituição escolar chamada Gabinete de Leitura. Essa escola era reservada aos meninos pobres. Ligada a uma associação que mantinha seus professores, a escola era noturna e, na época, registrou cerca de cem alunos. Na realidade, o Gabinete de Leitura foi fundado em 14 de maio de 1889, na forma de biblioteca. Assim, ao mesmo tempo mantinha a escola noturna para os meninos pobres. Outra instituição escolar também registrada pelo autor é a Escola da liga, na forma de Associação, foi fundada em 1917, funcionando, no turno diurno para meninas e no turno noturno para NORONHA, Maria Lireda de Alencar. Resgate da Memória do Colégio Estadual. In: Revista A Província, Nº 04, de Janeiro de Informações presentes no livro de José de Figueiredo Filho. Nessa parte, o autor se reporta aos estudos de Irineu Pinheiro em seu livro Efemérides do Cariri publicado pela Imprensa Universitária do Ceará, em Figueiredo Filho. História do Cariri. Crato : Faculdade de Filosofia do Crato, 1966.

8 1076 os meninos. Muitas escolas particulares também existiam na cidade, como o Externato São José com curso secundário noturno, para os rapazes que trabalhavam, no comércio e queriam entender seus estudos. Em 1944, foi fundado o Centro de Melhoramentos de Barbalha cujo objetivo era reunir os barbalhenses em torno dos interesses ligados diretamente à terra (CALLOU, 1976 p. 47). Um dos seus empreendimentos foi à criação de um colégio para a educação da mocidade. Sobre a educação nesse período, o autor registra: Ressente-se a nossa terra da falta de tudo isto, e uma das grandes lacunas é a ausência de um estabelecimento de ensino secundário, onde eficientemente seja ministrado à nossa juventude o curso de humanidades. Dezenas e dezenas de estudantes de ambos os sexos freqüentam cursos em várias cidades deste e de outros Estados, com dispêndio muitas vezes, oneroso a economia dos pais [...] (Ibid, p ). O referido Centro foi responsável pela criação dos dois principais colégios da cidade o Colégio Santo Antonio e o Ginásio e Escola Normal Nossa Senhora de Fátima, um dirigido pelos Padres da Sociedade do Divino Salvador e o outro pelas irmãs da Ordem de São Bento (BARRETO, 1976, p. 50). As Instituições Escolares no Juazeiro do Norte Juazeiro: A citação abaixo vem confirmar o empenho do Pe. Cícero, em fortalecer a educação no Juntamente com a presente, passo às mais de V. Rev. ma. A cópia de duas cartas que recebi da nunciatura. Apostólica, relativamente a doação que V. Rev. Ma deseja fazer aos Salesianos, para o fim de fundar nessa cidade de Joaseiro uma Escola Profissional destinada a educação de meninos pobres (FRANCISCO BISPO DIOCESANO, 24/06/1993). Anterior a chegada do Padre Cícero e da sua vontade em construir escolas para os pobres, Oliveira (2001) registra que a primeira escola régia, naquele município, data de 1865: Com a construção da capela Nossa Senhora das Dores na fazenda Tabuleiro Grande, seu primeiro capelão, Padre Pedro Ribeiro de Carvalho, iniciou o trabalho sócio educativo do pequeno povoado. Reuniu alguns meninos de sua família e os filhos dos escravos, para alfabetizar e ensinar a doutrina cristã. Mas a primeira escola régia foi instalada aqui pelo 3º capelão, Padre Antônio Almeida (OLIVEIRA, 2001, p. 273). Com a ida, do referido capelão, no grupo de voluntários para a Guerra do Paraguai, assumiu a regência da escola o professor Pedro Correia de Macedo e depois Semeão Correia de Macedo, irmão de Pedro. Em 1890, já com o Padre Cícero, a segunda escola foi fundada sob a regência da professora D. Naninha (Ana Joaquina de São José), reservada para as mulheres. Uma década depois, são localizadas quatro escolas particulares, conforme registrou Souza: [...] Na década de 1890 o Padre Cícero localizou quatro escolas particulares. Duas masculinas: regidas por Guilherme Ramos de Maria e Mestre Miguel; duas femininas regidas por Izabel Montezuma da Luz e Maria Cristina de Jesus Cristo (SOUZA, 1994, p. 26). Oliveira (Ibidem, p. 274), ainda, registra que, sob a guarda vigilante do Padre Cícero, outras escolas foram criadas e tiveram como professores Guilherme Ramos de Maria, Mestre Miguel, Joaquim Siebra, com aulas para os meninos, e as professoras Isabel Montezuma da Luz, Maria Cristina de Jesus Castro, para as meninas. Em 1908, o professor e jornalista José Joaquim Teles Marrocos, ao mudar sua residência

9 1077 do Crato para Juazeiro, em função do apoio ao Padre Cícero e da amizade com o Padre, funda um Colégio São José e uma Escola de Música (p. 275). Nessa escola o professor Marrocos ia além do ensinar a ler e escrever. Lá era ensinado: Gramática Portuguesa, Aritmética, rudimentos de Francês e Latim. Na década de 1920, Oliveira assinala a chegada de duas escolas estaduais. Diz a autora: Na segunda década do século atual, foram, instaladas em Juazeiro duas escolas estaduais, ambas regidas por professoras diplomadas a) D. Maria Luiza Furtado que se casara com o Juazeirense Nazário Furtado Landim; b) D. Josefa de Alcântara leite, conhecido por Dedé Leite, moça de Missão Velha, que em Juazeiro, casou-se com um filho do primeiro matrimônio do Sr. Nazário Landim, o Sr. Francisco Alencar, alto comerciante na cidade (Ibidem, p. 278). Em Della Cava (1976) encontramos o registro de que foi, na realidade, D. Maria Gonçalves, a primeira professora em Joaseiro, formada profissionalmente (Ibid., p. 177). Mas tarde com a morte da professora D. Maria Luiza e o afastamento de D. Déde Leite, assumem suas cadeiras as professoras Raimunda Lemos e Adelaide Sousa Melo (Oliveira, 2001, p. 278). D. Raimunda fundou uma escola com o nome de Colégio Santa Filomena e D. Adelaide Melo o Colégio Salete. Oliveira (2001) faz referência ainda a dedicação à educação da Beata Cotinha, como ela conhecida a professora Maria Cristina de Jesus Castro, diplomada pela Escola Normal do Rio Grande do Norte e que veio para Juazeiro do Norte atraída pelos milagres (p. 279). Conta que em 1899, sua escola que era particular, com a emancipação de Juazeiro tornouse escola municipal. E, faz referência a escola noturna, para doméstica que a mesma mantinha. Nos anos de 1912 e 1913, o professor Salustiano, criou a escola de nome Escolas Funcionais, que também se dedicava às artes. Segundo Della Cava (1976), a maioria das escolas particulares era mantida pelo Padre Cícero: Em 1923, no entanto, Joaseiro, já podia orgulha-se de suas quatro escolas primárias, financiadas pelo estado e pelo município, e de um grande número de escolas particulares [...] Ainda em 1916, fundou, pessoalmente, um dos primeiros orfanatos do interior, o Orfanato Jesus, Maria e José. [...] Em 1932, coube ao patriarca doar terras que lhe pertenciam para que o governo criasse o primeiro colégio de formação de professores rurais, instalado, finalmente, em 1934 com o nome de Escola Normal Rural, a primeira no gênero a funcionar no Nordeste Brasileiro (Ibidem, p. 262). Conta ainda que as escolas secundárias só não avançaram em função do domínio das escolas do clero cratense. Porém, em 1941 fundou-se o primeiro colégio secundário de Joaseiro, que não teve mais medo do domínio do Crato (p. 263). Dois colégios são destacados na história da educação do Juazeiro do Norte: a) O Colégio São Miguel, para rapazes [...], b) O Colégio São Geraldo. [...] dirigido pelo professor Edmundo Milfont, filho de Crato (OLIVEIRA, 2001, p. 273). Juazeiro recebeu, ainda, a visita do professor Lourenço Filho Diretor de Instrução do Ceará. Na ocasião, Maria Gonçalves foi outra filha do Joaseiro que se formou na Escola Normal D. Pedro II, depois Justiniano de Serpa (p. 283). Assim, Souza resume a educação de Juazeiro. Em 1912, uma escola pública Professora Maria Luiza Furtado Landim. Em 1916, Dr. Floro Bartolomeu instalou algumas escolas municipais [...] Em 1920, o município criava mais duas escolas públicas [...] Em 1922, o Professor Lourenço Filho, chamado de São Paulo pelo Presidente Justiniano de Serpa, para Diretor de instrução no Ceará, iniciou a reforma do curso Normal [...]. Em 1927, as cinco cadeiras isoladas existentes na cidade foram agrupadas e a direção entregue a professora Maria Gonçalves [... ] construíram o primeiro Grupo Escolar onde os alunos faziam até o terceiro ano primário.

10 1078 Em 1928, [...] Amália Xavier de Oliveira que não conseguindo uma cadeira pública para lecionar, abriu uma escola particular que mais tarde daria origem ao Colégio Santa Teresinha, hoje Ginásio Monsenhor Macêdo. O ano de 1929 [...], surgiram naquele ano mais três escolas particulares: o São Miguel, Colégio masculino sob a direção do professor Dr. Manoel Pereira Diniz, o São Geraldo, Colégio misto sob a direção do professor proprietário Edmundo Milfont e o Colégio particular do professor Anchieta Gondim [...]. Em 1933, coube ao Pe. Cicero grande parcela na criação do patrimônio do Instituto Educacional de Juazeiro do Norte para que se criasse a primeira Escola Normal Rural do Brasil [...] em 1934 e Colégio São João Bosco em 1942 (SOUZA, 1994, p ). Nossa intenção foi mostrar o potencial educacional de uma região e que merece destaque no resgate da história da educação do Ceará. A realidade investigada tem nos mostrado que a região do Cariri vem perdendo ao longo da sua história diversas instituições educacionais e em função da mudança ou morte de seus educadores não vem conseguindo registrar sua história educacional. Destacamos a história dessas instituições localizando-as com espaço de pesquisa importante para os estudiosos da temática. Instituições catalogadas Conforme falamos anteriormente foram registradas cinqüenta e sete instituições, às quais destacamos: Memórias do Orfanato Jesus Maria José Juazeiro do Norte CE, criado em 1916; Colégio Polivalente: Escola de Ensino Fundamental e Médio Presidente Geisel Crato-CE, criado em 1977; Colégio Diocesano do Crato criado em 1927; Centro de Ensino Tecnológico - CENTEC Juazeiro do Norte CE (1997); Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte criada em 1934; Instituto Cultural do Cariri Crato-CE, criada em 1953; Colégio Santa Teresa de Jesus - Crato-CE, criado em 1923, Colégio Estadual Wilson Gonçalves Crato CE, criado em 1961; Escola Generosa Amélia da Cruz Santana do Cariri, criada em 1992; Colégio Nossa Senhora de Fátima Barbalha CE, criada em 1958; Escola de Ensino Fundamental e Médio Dr. Romão Sampaio Jardim - CE, criada em 1971; Escola de 1º e 2º Graus Presidente Castelo Branco Várzea Alegre, criada em 1971; Seminário São José Crato CE, criado em 1875; Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI Juazeiro do Norte CE, criado em 1970; Ginásio 24 de Março: hoje Ginásio Adauto Bezerra Juazeiro do Norte CE, criado em 1961; Escola de Ensino Fundamental e Médio Maria Afonsina Diniz Macedo Várzea Alegre CE - criado em 1979; Liceu de Juazeiro - Juazeiro do Norte CE, criado em 2001; Sociedade Lírica do Belmonte SOLIBEL Crato CE, criado em 1960; Grupo Escolar Padre Cícero Juazeiro do Norte CE, criado em 1935; Centro Social Educativo Creche Comunitária Vila Bom Jesus: Escolinha Poço de Jacó - Juazeiro do Norte CE, criado em 1988; Ginásio Professor José Bizerra de Britto - Crato CE, criado em 1970; Escola de Ensino Fundamental e Médio Governador Adauto Bezerra Jardim CE, criado em 1976; Centro Educacional Lyrio Callou; Patronato Padre Ibiapina ou Escola Doméstica Nossa Senhora de Fátima Crato CE, criada em 1954; Externato 5 de Julho Crato CE, criado em 1918; Escola CAIC de Juazeiro do Norte - Juazeiro do Norte CE, criado em 1995; Educandário XV de Novembro Nova Olinda CE, criado em 1948; Dispensário Nossa Senhora Das Dores Maria Neli Sobreira - Juazeiro do Norte CE, criado em 1948; Escola Agrotécnica Federal do Crato - Crato CE, criada em 1947; Escola de Ensino Fundamental José Bezerra de Menezes Juazeiro do Norte CE, criado em 1966; Fundação Caldeirão da Criança - Juazeiro do Norte CE, criado em 1983; Patronato Dona Zefinha Gomes Milagres CE criado em 1957; Seminário Batista do Cariri Juazeiro do Norte CE, criado em 1946; Ginásio São Francisco Juazeiro do Norte CE, criado em 1950; Centro Federal de Educação Tecnológica CEFET - Juazeiro do Norte CE, criado em 1994; Escola de Ensino Fundamental e Médio Mauro Sampaio Barro - CE criada em Histórias de vida

11 1079 Das trinta histórias de vida de professores catalogadas, registramos: Amália Xavier de Oliveira - Juazeiro do Norte CE; Antonieta Romão Campos Sales -CE ; Josefa de Matos Cordeiro Nova Olinda CE; Neusa Brito e Silva Crato-CE; Maria Nilde Couto Bem Jardim CE, ; Maria Alcides Pinto de Macedo Almeida Lavras da Mangabeira CE; Horácio Valdevino Belo Barbalha CE; Maria Pereira de Lacerda Mauriti CE; Maria de Lourdes Morais da Cunha de Lima Milagres CE 1955; Raimunda Machado de Lima Lavras da Mangabeira CE, 1958; Maria Mirtes Ulisses Saraiva; Micol Noêmia de Alencar Crato CE, 1913; Mundinha Saraiva Crato CE, 1912; Maria Carmelina Feitosa Inhamuns CE, 1921; Maria Valdenora Nunes Moreira; Raimunda Maria Sampaio Barbalha- CE, 1954; Maria Assunção Gonçalves Juazeiro do Norte CE,1916; Francisca Mendes e Geraldo Menezes Barbosa Juazeiro do Norte CE; e Maria Neli Sobreira Juazeiro do Norte CE, Conclusões Entendemos que a pesquisa histórica no campo educacional tem dupla valia: tanto pode recuperar o passado educacional de uma região, quanto alimentar o sistema local e estadual de planejamento educacional, em relação às necessidades presentes e futuras da sociedade. É uma prática de pesquisa que tende a envolver diversos segmentos da sociedade de forma interessada a ponto de extrapolar os muros da universidade. Como área de múltiplos interesses, a história educacional pode envolver professores e alunos da área de história, geografia, sociologia, antropologia, letras, engenharia, saúde, etc. Do ponto de vista do seu aprimoramento metodológico a área só tem a ganhar com a formação de equipes multidisciplinares, desde que não perca de vista a sua função primordial de reconstrução do passado educacional como fonte de reflexão para uma prática futura. O espaço regional não é visto como um espaço social isolado, mas parte de uma teia de relações de mobilidade espacial e cultural, material e simbólica da atividade social que acabam por ligar todos os lugares e tempos do mundo. O resgate da História Educacional tem, neste contexto, um papel relevante a ser considerado - a formação do professor-pesquisador. Observamos que a experiência tem permitido a formação de um professor que busca conhecer sua realidade local, suas relações com as outras realidades e a construção de sua identidade de professor que conhece e vivencia a sua história. Referências Bibliográficas BARRETO, Adávio de Sá. Ministro Costa Cavalcanti cidadão de Barbalha. In: Revista Itaytera, nº 20, 1976, BRITO, Lúcia Helena de. A Universidade Regional do Cariri-história e política na construção da sua regionalidade: um estudo sobre a relação universidade/sociedade no cariri cearense. Fortaleza, Universidade Federal do Ceará, (Dissertação de Mestrado) CAVALCANTE, Aluísio. O Crato intelectual. In: Revista A Província, nº 09, Crato, julho/dezembro, 1995, CAVALCANTE, Maria Juraci Maia (Org.). História e Memória da Educação no Ceará. Fortaleza: Impressa Universitária, O Espírito da Reforma Educacional de 1922 no Ceará. Fortaleza: Edições UFC, CALLOU, Antonio Lyrio. Centro de Melhoramentos de Barbalha: In: Revista Itaytera, nº 20, 1976, CHAGAS, Antonio Rubens Soares. 15 anos de Faculdade de Filosofia In: Revista A Província, nº 05, junho/dezembro, 1993.

12 1080 DELLA, Cava, Ralph. Milagre em Joaseiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, FIGUEIREDO FILHO, José de. História do Cariri. Crato: Faculdade de Filosofia do Crato, 1966, 151 p. MAGALHÃES, Justino Pereira de. Breve apontamento para a história das instituições educativas. In: História da educação: perspectiva para um intercâmbio internacional. Campinas, SP: Autores Associados: HISTEDRB, p , 4c. MARTINS FILHO, Antônio. O Universal pelo regional. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, NORONHA, Lireda de Alencar e CORTEZ, Otonite de Oliveira. Evolução Histórica do Município do Crato uma abordagem didática. In: Revista A Província, nº 06, Crato, 1994, p NORONHA, Lireda de Alencar. Resgate da Memória do Colégio Estadual. In: Revista A Província, nº 04, Crato, janeiro de OLIVEIRA, Amália Xavier de. O Padre Cícero que eu conheci: verdadeira história de Juazeiro. Fortaleza : Premuis editora, Edições livro técnico, QUEIROZ, Zuleide Fernandes de. Em cada um rosário, em cada quintal uma oficina: tradicional e o novo na história da educação tecnológica do cariri cearense. Fortaleza, (Tese de Doutorado)

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