Tatiane Aparecida da Costa. e Moda atraves do Tempo

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1 Tatiane Aparecida da Costa Quadrinhos e Moda atraves do Tempo CURITIBA UTP 2006

2 Tatiane Aparecida da Costa Quadrinhos e Moda atraves do Tempo Tce - Trabalho de Conclusao de Curso, apresentado ao Curso de Design, habilitac;:ao em Design de Moda, como requisito parcial para a obtenc;:ao do grau de Designer de Moda da UTP Universidade Tuiuti do Parana, orientada pelo professor (a) ScheHa Camargo e Eunice Lopez Valente. CURITIBA UTP 2006

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4 "Com a palavra, au antes dela, a imagem acompanhou a homem em todas as suas necessidades, para S8 comunicar, para ensinar, para criticar as erras, para elevar, para destruir." Antonio L. Cagnin

5 As novas e inspiradoras mentes criativas.

6 Agradego a todos que contribuiram com este projeto de alguma forma: minha familia par serem pacientes com a bagunga, ao Felipe Araujo par ter me apresentado a Principe Valente, ao Alan Ledo pelas ilustragoes, aos professores da Ansa Academia de Corte e Coslura par me ajudarem a concretizar minhas ideias, as professoras orientadoras e a lodos que cooperaram com objetos, sugest6es e ouvidos. Prometo aborrece-ios mais vezes.

7 SUMARIO Lista de Figuras.. Lista de Quadros... Resumo.. Abstract.. INTRODUc;:Ao REVISAo BIBLIOGRAFICA Breve Historico sobre a Idade Media. o Vestuario na Idade Media.... Alemanha.. Mudan,as.. Franc;a.. Inglaterra... Sobre Historia em Quadrinhos.. Defini~iio.. Historico... Mudanc;as e Her6is. A Era de Ouro dos Quadrinhos.... Quadrinhos e Guerra.... Pes-Guerra e Cac;a aos Quadrinhos. A Nova Gera~iio... Mulheres nos Quadrinhos Estrutura das HQ's... Sabre Cores.. Harold Foster.. Principe Valente.. MATERIAlS E METODOS DE PESQUISA. Objetivos do Projeto. Publico Alvo. Similares.. Conceito.. Ambiencia.. Cartela de Cores.. Justificativa das Cores Cartela de Materiais.. Justificativa dos Materiais.. Fun90es do Produto. VIII IX X XI VI

8 Analise Ergonomica. 44 Conserva~ao dos Tecidos. 45 Tabela de Medidas. 46 Tabela de Custos. 47 Gera~ao de Alternativas Gera~ao de Imagens Camisetas Gera~ao de Estampas Estampas. Processo Criativo RESULTADOS. Sobre a Cole~ao. Sele~ao... Produ~ao Fotografica... Fichas Tecnicas DISCUSSAO. CONCLUSAO E RECOMENDA90ES.... ANEXOS. GLOssARIO DE TERMOS... REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS VII

9 LlSTA DE FIGURAS 1. Traje Masculino do Ano Vestido do Seculo XII.. 3. Vestido Frances do Seculo XII.. 4. Vestido Ingles do Seculo XII 5. Krazy Kat The Yellow Kid Gato Felix. 8. Os Sobrinhos do Capitao.. 9. Tarzan Tintim e Milou Superman Revista Gibi Personagem Gibi 14. Spirit Capitao Marvel Ze Carioca Walt Disney Asterix e Obelix A Turma do Perere Surtista Prateado. 21. Homem Aranha Valentina Barbarella 24. Manifesta,ao do Tempo - Futuro Manifesta,ao do Tempo - Passado Tarzan por Harold Foster 27. Harold Foster Principe Valente Espada Cantante 30. Principe Valente Camiseta do catalogo da Candyland Comics II Vlll

10 LlSTA DE QUADROS 1. Cole,ao Alexandre Herchcovitch Fern. Inverno Cole,ao Alexandre Herchcovitch Fern. Inverno Cole,ao Alexandre Herchcovitch Inverno Cole,ao Alexandre Herchcovitch Inverno Catalogo de cam isetas Candyland Comics.. 6. Mafalda I Superman I Spiderman 7. Batman I The Joker. 8. Sele,ao de Imagens para Camisetas. 9. Selel'ao de Camisetas Selel'ao de Estampas Sele,ao de Estampas 12. Selel'ao de Estampas 13. Selel'ao de Estampas Sele,ao de Estampas Fotos do Processo Criativo Fotos do Processo Criativo IX

11 Resumo o projeto apresentado une a arte das Historias em Quadrinhos e a Moda usando 0 contexto hist6ried e atual, possibilitando a transicao de ambas as artes em uma 56 forma: 0 vestuario. Tendo em vista que ambas as manifestaeoes interferiram nas mudan9as da civiliza<;8.o, acompanhando jovens, adolescentes e adultos nas mais diversas transforma90es politicq-sociais, as comics e a mod a caminharam juntos quando se refere as crises e inova96es de linguagem, sendo indispensiweis tantes de estudo e referencia de comportamento de uma gerayao para as pesquisadores. E curiosa descobrir que super-herois surgiram em meio a crises; as cores eram escassas no inlcio da imprensa, pequenos detalhes das revistas em quadrinhos fazem toda a diferenc;a quando e dada a devida atenc;ao. Para 0 projeto Quadrinhos e Moda atraves do Tempo, um personagem especifico foi escolhido para dar identidade a cole~ao desenvolvida. 0 Prfncipe Valente, her6i criado par Harold Foster na decada de 20 e com um cenario medieval excepcianal, se encarregou da possibilidade de unir fatores hist6ricos e contemporaneas das hist6rias em quadrinhos, idade media e moda, transitando nas cores, materiais, conceitos e imagens. Palavras chave: Quadrinhos, Design, Tempo. x

12 Abstract The project joins the art of cartoons and the fashion world in an actual and historic contest, transiting these two arts in the same thing: the dressing. These two kinds 01 expressions make a revolution for the civifization; following adults, child and adolescent people, the comics and the fashion world go to the same way in the crises and language innovations; been important to the study and the generation conduct and used as a reference for the searchers. It's curious find that super heroes appearing in the middle of crises; the colours were rare in the press beginning; little details of cartoons magazines make all the difference when you pay the right attention. To the project "Cartoons and Fashion through the Century" a particular person was choose to give identity to the work. The "Principe Valente", a creation of Harold Foster in the 20'Th Century with great medieval scenery, is reason to join the actual and historic factories of the cartoons histories. The Dark Age and fashion, join through the colours, concepts, materials and images. Key words: comics, design, time. XI

13 INTRODUC;Ao A uniao de alies e epocas distintas serviu como inspirayao para 0 desenvolvimento deste projel0 que ret rata Moda e Quadrinhos nurn universo epico da idade media e tambem 0 do universo contemporaneo. o estudo dos quadrinhos fascina por ser tao aliva na sociedade desde a sua exist mcia. Eslando presente na cria<tao da imprensa, movimentos politicos e sociais, e ate nos nossos dias, esla arte envolve centenas de milh6es de leilores em todo 0 mundo, desde jovens a adullos. A moda, assim como as HQ's, presenciou as mais diversos acontecimentos politicos, socials e econ6micos atravas dos tempos. Sofreu mudany8s, repress6es e altera<;:6es de comportamento e significados. Unidas, essas duas vertentes comunicativas do tempo e da sociedade servirao de base para urn estudo sobre as significados e evaluc;:6es no vestuario enos quadrinhos. Tendo referencias de uma obra epica das quadrinhas, a Principe Valente, a projeto ira retratar a epaca medieval com seus sistemas e vestuario, bern como as hist6rias em quadrinhos em todo a seu contexto, que vai desde a surgimenta na civiliza<;aa pre-hist6rica ate revoluc;:6es, her6is e heroinas, crises e idealogias. Ainda sabre quadrinhos, urn pouco da estrutura imaginativa do mesrno sera descrita para mostrar a que faz essa arte ser tao fascinante aos olhos e a mente. A abra do Principe Valente, do criador Harold Foster, esta encarregada em dar identidade ao projeto, pela sua hist6ria epica, cheia de refen ncias medievais nas paisagens, vestuarias e costumes. Mesma nos dias de haje, Principe Valente cansegue ser atual quanta a linguagem escrita. Esta obra e exemplo de como uma epoca pade ser tao bern retratada e ilustrada, sem perder as caracteristicas de urn comic book.

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15 REVISAO BIBLIOGRAFICA Breve hist6rico sobre a Idade Media seculo XI ao XV o sekula XI trouxe progresso a produr;ao feudal, abrindo caminho as toretas produtivas. Nasceram cidades, 0 camarda cresceu, os alielos ganharam fort;a, as senhores obtiveram riquezas e enfrentaram As Cruzadas. As cidades da Idade Media sram cercadas por rnuralhas devido as invas6es dos normandos e sarracenos, al6m de inumeros desacordos politicos. A popula<;:ao, principalmente a francesa e a germanica, sentindo a necessidade de S8 protegerem, construiram castel os e reconstruiram antigos fortes que ja existiam das antigas cidades romanas. Alguns castel os S8 tornaram moradias reais, Qutras tornaram sedes administrativas de condados e dioceses. Ao redor formavam-se cidades que iam crescendo cada vez mais com as ofertas de riqueza e desenvolvimento. A. medida que a populac;:ao crescia, erarn construidas mais muralhas. No interior das mural has, a cidade era urn labirinto de ruas estreitas. Nao havia limpeza sendo que 0 esgoto nao existia, deixando lodos os detritos atirados a rua, pondo a populac;:ao em risco a c61eras e outras epidemias. As ruas eram sombrias e durante chuvas, tornavarn-se verdadeiros lamac;:ais. Ineendios eram freqoentes, as casas comprimiam urna populac;:ao que nao parava de crescer. A populac;:ao urbana era na sua maioria composta por familias e servidores dos senhores, pequenos agricultores e urn numero pequeno de artesaos e comerciantes. Nos dominios das cidades, diferentes oficios eram executados por servidores (artesaos), enquanto nos campos, ferreiros, carpinteiros, oleiros Irabalhavam e pagavam as rendas ao senhor com seus produtos e servic;:os. As residencias dos senhores, pouco a pouco eram visitadas por comerciantes que traziam produtos orientais tais como pedras preciosas, sedas, joalherias e especiarias. A formac;:ao das cidades deu-se ao nivel de desenvolvimento econ6mieo com 0 surgimento dos oficios. o ofieio surgiu no inicio da Idade Media. A industria de tecidos, minerac;:ao, fabricac;:ao de objetos de metal deram inieio a nova divisao de trabalho, a separac;:ao do artesanato e da agrieultura. Essa divisao fez com que as pessoas se especializassem em seus oficios, principal mente os artesaos, levando-os a desenvolverem trabalhos para 0 mercado atendendo e satisfazendo certas eneomendas particulares. Todo esse crescimento no artesanato fez com que artesaos nad ficassem limitados ao trabalho concentrado, necessitando de uma progressao, ou seja, saindo de um dominio para ampliarem 0 mercado em varios outros. Na agricultura, 0 progresso contribuiu tanto na formac;:ao das cidades quanto no artesanato. Sem 0 campo, as cidades nao existiriam. Faltaria materia-prima para a produc;:ao do artesanato e 0 sustento dos cidadaos, al8m do consum~ da produc;:ao urbana. Esse desenvolvimento se deu grac;:as aos avanc;:os nas tecnicas agricolas, melhorando 0 trabalho e o rendimento no campo. Conforme as cidades cresciam, suas areas se expandiam pelas terras dos senhores. Com

16 esse aumento, monarcas e pessoas de importancia consideravel, procuravam atrair novos habitantes para seus dominios, encorajando~os a construir uma base, esperando obter aumento nos rendimentos economicos da cidade. as senhores tinham as cidades como propriedade, podendo vende'has, dividi~las. Havia funcionarios para cad a parte administrativa da cidade. As taxas, os impostos e a moeda eram de dominio dos senhores, cabendo a eles as imposi~6es e valores. Os direitos dos cidadaos eram criados pelos senhores para dificultar qualquer manifesto de oposi<;ao. 0 confisco de caval os, permanencia em domicilios e 0 monop61io faziam parte de algumas regras a serem seguidas pelos moradores. As Cruzadas No final do SE3cUloXI, a sociedade europeia sentiu a necessidade de reconquistar as terras ocupadas pel os mul~umanos, com 0 intuito de impor soberania, multiplicar riquezas e 0 poder politico. Oaf surgiram As Cruzadas, uma guerra santa, on de 0 papa do apoiava qualquer ate contra os mul~umanos. Os que pagavam com a vida participando das batalhas eram qualificados como martires da fe. as feudos encararam As Cruzadas como um meio de enriquecer. Os cavaleiros pobres esperavam com 0 fim deste, obter ricos feudos. Os camponeses sonhavam com liberdade e com terras, sendo entao os primeiros voluntarios a se apresentarem para 0 combate, vendendo tudo 0 que possuiam. o resultado das Cruzadas nao foi exatamente 0 que a popula~ao esperava. Os chefes e os cavaleiros tinham adquirido riquezas e feud os. Mas a grande maioria dos participantes, os camponeses e servidores, nao conseguiram obter 0 que desejavam, alem de mil hares de pessoas perderem a vida em combate nas terras alheias. Indiretamente As Cruzadas contribui para 0 desenvolvimento economico europeu. 0 resultado de maior importancia foi 0 recome~o do comercio entre ocidente e oriente, aumentando os horizontes da Europa medieval em term os de conhecimento e aquisi~6es.

17 o Vestuario na Idade Media He. muita tempo, estudiosos S9 conscientizaram que As Cruzadas teve uma grande influencia no vestuario na Europa ocidental, principal mente as mudan~as do mesmo. Antes do sekula XI os ricas produtos orientais eram consumidos per reis e em pequenas quantidades. Com a conquista da Sicilia, a civilizac;:ao europeia S8 deparou com 0 luxo e a riqueza, conhecimento e artesanato. A tecelagem e a ourivesaria tomaram conla do trabalho dos artesaos. A principio, os trajes medievais baseavam-se nos trajes do primeiro milenio. As nac;6es ocidentais nao S8 diferenciavam muito entre 0$ estilos. Em determinado periodo de desenvolvimento, cada nalfao passou a seguir seu proprio g0510. Alemanha No peri ado medieval, 0 traje basi co dos hom ens era tunicas long as com variac;6es no comprimento e cintos, e mangas que desciam ate os punhos. A camisa de linho branca tambem era utilizada mesmo nao sendo de uso generalizado. Eram justas e usavam por baixo das tunicas, estas feilas de la e seda. Par cima da tunica, usava-se uma capa lanc;ada sobre 0 ombro esquerdo e presa no dire ito com broche ou fivela. As meias tinham comprimentos variados e 0 calc;ado quase sempre era de couro. A tunica masculina, ou casaco consiste em duas pec;as iguais, costuradas nas laterais e ombros. As mangas eram justas, com uma costura, e estreitavam aos poucos indo a direc;ao dos punhos. A abertura para a cabec;a era larga, redonda e as vezes quadrada. Geralmente eram utilizados tecidos de cores vivas na confecc;ao das tunicas, e os barrados, decotes e punhos eram adornados com debruns variados. fig. 1 Iraje masculino, ano 1000 KOHLER, Carl, pag. 164

18 o feilio da camisa era 0 mesmo da tunica. 0 que diferenciava era a largura e 0 comprimento, sendo maiores e na altura dos tornozelos. A capa possuia corte retangular. As meias longas eram feitas em duas partes, frente e costas, presas par um cinto usado par baixo da tunica. Nos pes, os homens usavam sapatos que iam ate os tornozelos, ou botas que iam ate a metade da barriga da perna. A indumentaria feminina continha uma longa camisa de linho ou sisal, decote baixo e mangas curtas. Par cima da camisa, usava se urn casaco ou tunica de mangas longas just as, com 0 mesmo feitio, indo ate pes. Como a tunica masculina, possuiam adomos no decote, pun has e barra, com debruns coloridos. Sobre a tunica, usava se uma capa fechada par fivelas no meio do busto ou, as vezes, urn traje semelhante ao que ficava por baixo, mas de comprimento menor e man gas mais curtas. Este traje chama se sobreveste, e no seu uso dispensa uso de cintos. As tunicas femininas eram mais longas e ajustadas ao corpo em relac;:ao ados homens, mesmo ambos tendo 0 mesmo feitio. As diferencia<;i5es eram percebidas nos decotes rnais baixos na camisa e manga mais curta na sobreveste. Mudan~as Em meados do seculo XIII, a indumentaria masculina sofreu inumeras altera<;i5es. Urn capuz foi acrescentado a tunica com a finalidade de proteger a cabe<;a das chuvas e do frio. Para isl0, 0 decote da tunica diminuiu e foi necessaria a introdu<;ao de uma abertura na altura do peito que era fechada por boti5es ou colchetes. Nesta mesma epoca surgiram os sobretudos. A diferen<;a entre estes e os casacos comuns eram a largura maior eo comprimento das mangas que ganhava uma abertura lateral para facilitar 0 movimenlo dos brac;:os. Os sobretudos, na sua maiaria, tin ham capuz. As meias ficaram mais fongas, sendo esta a unica mudanc;:a no vestuario para as pernas. Para as mulheres, as mudanc;:as do vestuario faram poucas. A sobreveste das classes superiores ficou mais curta, as mangas tornaram se mais compridas e folgadas nas extremidades inferiores. Por volta do seculo XI, as roupas se ajuslaram tomando a forma do corpo feminin~, dos ombros aos quadris. A pec;:ade baixo continuou a mesma, tornando apenas mais longa, chegando a arras tar no chao.. No seculo XII 0 estilo das roupas ainda se mantinha. A sobreveste ficou mais comprida, as mangas eram mais longas e os punhos tornaram se mais largos. A parte superior da sobreveste se ajustou mais. Os ornamentos eram aplicados somente nos punhos e na parte superior do brago. As mangas da pe<;a de baixo costumavam ter um debrum colarido nos punhos. A pe<;a de baixo e a sobreveste eram confeccionados geralmente da mesma cor e em tecidos diferentes, au em cores diferentes.

19 lig.2 veslido do seculo XII KOHLER, Carl, pag. 171 As mulheres de baixa condiqao social nao costumavam usar sobreveste e condenaram 0 uso de adornos na parte superior da peg a de baixo. As mudangas foram consideraveis com relagao a sobrevesle. Por ser uma pega com a cinlura justa, a largura da barra 56 poderia ser mantida com a insen;ao de nesgas. A pega passou a ser fechada par cord6es nas costas ou nas laterais, ate a altura dos quadris, e a roupa de baixo ficou mais exposta nos lados, as mangas tornaram-se cada vez mais longas. Com 0 mesmo corte, as roupas de baixo se mantiveram exceto pelo tecido a qual eram confeccionados. As classes baixas usavam 0 linho e a 18na confecgao das peqas, as classes alias, a seda. As roupas de baixo eram os trajes mais usados para se vestir em casa, sendo as vezes complementado por um lengo no pesc0(f0, devido ao decote baixo. No sekulo XIII a indumentaria feminina sofreu varias alterag6es. 0 decote aumentou e a sobreveste estilo casaco deu lugar a uma simples manta. As mangas foram dispensadas dando origem a varias modas para 0 traje. 0 primeiro modo da manta, sucknie ou sukni, era urn vestido bern Iongo e fechado, que se alargava em diregao dos pes. Possuia decote franzido e corte simples. 0 segundo estilo era largo nos ombros fazendo com que 0 tecido caisse ate 0 meio dos bragos. 0 buslo era ajuslado e a decote tinha uma bainha por onde passava uma fita que permitia 0 ajuste de preferencia. 0 terceiro estilo de sukni era muito usado par meninas e mulheres solteiras. Possuia caracterfsticas dos estilos ja citados, mas com aberturas nas laterais ate as quadris. No final do seculo XIII as sobrevestes eram pegas muito populares. As cores das pegas de baixo em geral nao eram de escolha livre. Para as criadas, que costumavam usar variag6es de cores nas pegas alem de varios tecidos, as cores indicavam 0 escudo de armas pertencente a familia a qual servia. No final do seculo, era comum ver as mulheres da nobreza vestindo cores dos seus escudos e ate Ie-los bordados em suas roupas.

20 A capa sofreu alterattoes imperceptiveis. Para que esta se mantivesse firme sobre as am bros, um cordao prendia a capa par meio de fivelas em ambos os lados, cruzando 0 peito, e passando a ser um ornamento da pelfa. Nesta epoca as mulheres usavam cabelos soltos, repartidos ao meio e presos por fitas coloridas. as cabelos eram tambem enfeitados com flores, coroas au tiaras. As transformact0es na indumentaria francesa sempre foram muito mais rapidas e constantes, tornando 0 pais 0 grande representante da moda para as classes altas de todos os povos da Europa Central. Tanto na Francta quanta na Alemanha, cabia aos tecidos, comprimentos dos trajes e ornamentos, 0 papel de distinctao social. fig. 3 vestido frances do seculo XII KOHLER, Carl, pag. 182 A sobreveste no seculo XIII nao sofreu alterac;:oes alem das mangas compridas e largas, ou sem mangas. Quando as sobrevestes deixaram de fazer parte da indumentaria e serem usadas apenas em cerimonias, tomou-se moda a uso do casaco. o casaco era feito com tecidos, cortes e omamentos que diferenciavam as modelos. Devido ao comprimento cada vez menor e mais justo, 0 casaco tornou-se um traje usado apenas na parte superior do corpo. Para fecha-lo, eram usados colchetes e a pecta era ajustada dos lados para moldar a corpo. A tunica usada pel os cavaleiros permaneceu a mesma do sekulo XII, embora sofresse alleract0es no comprimento e na largura. Esta se tornou mais curta e justa, e os adornos aumentaram. A capa (Ie manteau) foi abolida no seculo XIII. Quando usada, era curta, descendo um pouco abaixo dos quadris.

21 Neste perfodo, presou-se muito 0 aperiei(foamento das pe(fas de baixo. As meias, que cobriam as pernas em duas pe(fas, passaram a ser costuradas encima, dando origem as calc;as. Alem de cobrir as pernas, as calc;as cobriam tambem a parte inferior do tronco. Com 0 usa apoiado pelas autoridades eclesiasticas, as calc;as tornaram-se de uso popular entre os cavaleiros, mesmo tendo certas restric;6es quanto aos movimentos das pernas. Os tecidos usados na epoca, 1.3.e linho, tinham pouca ou nenhuma elasticidade, e isso dificultava o movimento dos membros, tornando 0 ate de sentar quase impossive!. Os adorn os de cabec;a incluiam um gorro semelhante ao capuz denominado chapel. 0 capuz (Ie capuchon) era usa do por baixo ou por cima do gorro, e ate mesmo sozinho. o farmata do capuz variava conforme 0 uso. Um dos modelos era suficientemente longo, servindo de capa, todo fechado e com apenas uma abertura no rosto. Este modelo era usado em ocasi6es de rnau tempo. Outro tipo de capuz fechava-se com cord6es ou botoes; as vezes descia aos ornbros, mas geralmente era longo, servindo como capa curta. Inglaterra A indurnentaria inglesa sempre exibiu inovac;6es desde 0 sekulo XII. As diferen<;as entre normandos e sax6nicos foram desaparecendo e uma nova na<;ao aos poucos come<;ou a se fundir. Os homens continuaram usando as pe<;as habituais de todas as outras regi6es da Europa, mesmo com as consideraveis altera<;6es; em particular, as tunicas longas usadas pelas classes superiores. A maior das altera<;6es deu-se nos casacos, principal mente os usados por cima das vestes. Os homens passaram a usar dois casacos semelhantes, um sobre 0 outro. As mangas erarn justas e longas que chegavam a cobrir as maos. Um capuz pontudo e justo era presq a capa. Quanto ao vestuario feminin~, a principal modifica<;ao se diz respeito as mangas. Estas eram muito justas ate 0 antebrac;o, as vezes ate os punhos. Oaf entao se tornaram extremamente largas. Algumas vezes, de tao largas, chegavam a arrastar no chao, sendo necessario prende-ias. A tunica permaneceu igual ao do seculo anterior, assim tambem com as pec;as de baixo. Os mantos eram confeccionados com tecidos leves e fechados no peito pro uma fivela. Os adornos de cabe<;a femininos passaram por varias altera<;oes no seculo XII. 0 len<;o, que havia safdo de moda, deu lugar as fitas coloridas e pequenas toucas. As fitas prendiam os cabelos soltos de cima abaixo. As toucas eram justas e guarnecidas na borda.

22 fig A veslido ingles do sec. XII KOHLER, Carl, peg. 189 Sobre 0 vestuario medieval do sekulo XI ao XIII, nota-se pouco volume e muito comprirnento. Os babados e drapeados dao lugar aos debruns e adornos ricos e delicados. Os tecidos distinguem a riqueza e a pobreza. Tudo bern diferente do que ira par vir. "tanto bater de cinzeis para fazer enteites, tanto recortar com tesouras, com extravagancia no comprimento das becas mencionadas arraslando se sobre 0 esterco e a lama, a cavalo e lambem a pe, tanto os homens quanto as mulheres~ assim dizia 0 poeta Chaucer, quando se referia ao vestuario medieval, tao des nessa ria mente longo que chegava a varrer ruas. 10

23 Sobre Hist6ria em Quadrinhos Historia em Quadrinhos, quadrinhos, comics, banda desenhada, fumetti au mangel.. Nao importa como e cham ada, mas 0 significado para urn dos grandes agentes da comunic8yao de massa, senao 0 maior, e 0 mesmo. Os quadrinhos sao excelentes vinculadores de mensagem ideologica e de crftica social, explfcita e implicitamente. Seu surgimento come90u com tiras de humor em grandes jornais, mas foram os temas de e aventura que romperam os limites da comunic893o, invadindo revistas, livros, radio, cinema, televisao, video games, cd rom's e internet. Pode-s8 dizer que as quadrinhos 56 perdeu fory8s para 0 rock, na cultura pop contemporanea. Mas ambos foram julgados como responsaveis pela juventude transviada por desestimular e empobrecer a cultura e servir de ferramenta polftica. Oefinic;ao Podemos definir os quadrinhos como uma forma de arte sequencial, pois trazem uma sequencia de acontecimentos ilustrado com usa de textos ou s6 figuras, sofrendo influencias da fotografia e do cinema. Fig.5 Krazy Kal Site: "A melhor definic;ao para hisl6ria em quadrinhos esta em sua propria denominac;ao: e uma hisloria canlada em quadras (vinhetas), au seja, par meio de imagens, com ou sem texto, embara na concepgao geral 0 texto seja parte integrante do conjunto. Em oulras palavras, e um sistema narrativo composto por dois meios de expressao distintos, 0 desenho e 0 texto". (Leila Rentroia Iannone, pg 21). A arte sequencia I se baseia em fatos e imagens comuns ao criador e ao publico, por isso e de facilleitura e entendimento. Um grande exemplo de arte sequencial da-se na Idade Media. As Igrejas costumavam usar as imagens para relatar a vida dos homens santos e hist6rias religiosas, atraves de vitrais e pinturas. 11

24 Historico Per incrivel que parec;a, os quadrinhos tiveram suas origens empregadas nas inscric;oes rupestres nas cavernas pre-historicas. Nesse tempo ja havia uma preocupac;ao em narrar acontecimentos atraves de desenhos. Como 0 homem primitivo nao sabia escrever, usava desenhos nas paredes das cavernas, de animais e da natureza a sua volta, para comunicarse. Durante 0 processo cvilizatorio, varias manifesta90es aproximaram-se desse genera narrativo: mosaicos, afrescos, tape9arias e uma infinidade de tecnicas foram utilizadas para registrar a historia em seqoencia de imagens. Com 0 surgimento da imprensa americana no come90 do seculo passado, por volta de 1800, os quadrinhos se tornaram universais e dignos da definic;ao de Historia em Quadrinhos. Desde entao sua difusao foi universal, dando surgimento a personagens populares e tendo varia90es de nomes para definir 0 genera. Em 5 de maio de 1895, Richard Outcault publicou The Yellow Kid no jornal New York World, 0 primeiro grande jornal americano. As primeiras aparic;oes do "menino amarelo" eram em forma de laminas, ou seja, em espac;os onde 0 artista retratava uma unica cena c6mica. Com 0 tempo, a lamina passou a ter seqoencia de imagens e se tornou uma historia em quadrinhos. Site: Fig.6 the yellow kid o sucesso das tiras de quadrinhos foi quase que imediata. as jornais disputavam entre si a publicac;ao das melhores historias, pois estas ajudavam a alavancar a venda dos mesmos. Novas series surgiram: as sobrinhos do capitao, Little Nemo, Mutt & Jeff, Krazy Kat, Pafuncio e Marocas, Gato Felix, e varias outras. Apesar destas series terem alcanc;ado sucesso, nao tiveram total aprova9ao do povo. 12

25 ~.':. ~~ " ~.t - r~~,,,,i( ~ Fig.7 e 8 Gala Felix e Os Sobrinhos do Capitao IANNONE, Leila Aentroia, pag. 34 Mesma as quadrinhos tendo alcanyado 0 prestfgio de familias inteiras, urna certa elite condenou 0 genera como comunicac;8o de publico inculto, nad podendo ser designado arte. IS50 porque nem sempre os desenhos eram bons. Esqueceram eles de julgar 0 fata de que, em qualquer manifestalfao artistica, ha trabalhos de muila e pouca qualidade. Talvez esse tipo de julgamento tenha vindo a tona par tazer parte de urna cultura popular, ou seja, massificada. Para urna hist6ria em quadrinhos conseguir abler urna boa critica, loi preciso a elite come9ar a interagir com 0 genera. A partir dar, urn publico de condic;oes s6cio-economicas melhores tomou conhecimento da arte. Krazy Kat loi a serie mais elogiada por intelectuais, em E a partir de sse ano, 0 mundo das historias em quadrinhos come!fou a sofrer mudan!fas. MudanCf8S e herois Meados da decada de mundo estava em total crise financeira devido a queda da Boisa de Nova York. Todas as polencias capitalistas se abalaram, surgindo falencia, desemprego, infla!fao, fome, criminalidade. Na Europa, 0 poderio fascista se fortaleceu, e nas Americas, golpes de Estado, revolu!foes e governos autoritarios tomaram conta. A popula!f80 mundial sentia medo, principal mente a juventude, que se viarn descrente de urn futuro dig no. A ansia de ter herois, que pudessem salvar 0 mundo do caos, era sustentado e acreditado par eles. Oai surgiu 0 genero de hist6ria em quadrinhos de her6is. o primeiro de leva foi Tarzan, 0 Rei das Selvas, inspirado no ideal de born homem selvagem, de Jean Jacques Rousseau ( ), e 0 fascinio que 0 continente africano carregava entre os jovens. Seu criador, Edgar Rice Burroughs, nem sequer conhecia a Africa para transpor os detalhes nos desenhos. Escrevia as aventuras de Tarzan a partir da imagina!fao popular sobre 0 continente. 13

26 Fig.9 Tarzan Site: Os quadrinhos do Tarzan romperam, enfim, 0 estilo caricatural de desenhar. A forma real da anatomia humana, a partir dai, teve maior valor. Burroughs foi substitufdo per Harold Foster, na serie do rei das selvas, que teve grande prestigio devido as suas ilustrac;6es. Hal Foster, alem de ilustrador, pintor e estudioso das obras de Michelangelo, foi 0 criador de mais um personagem dos quadrinhos e historico heroi: 0 Principe Valente. A safra de novos her6is crescia incansavelmente. Em 1929, surge Buck Rogers, piloto militar da Primeira Guerra Mundial que caiu em estado vegetativo em 1919, ressuscitando no seculo XXV com a missao de salvar 0 planeta Terra. Esta serie, apesar de ter se tornado uma coqueluche, perdeu espac;o para Flash Gordon. A serie conseguiu faturar 0 mercado da ficc;ao cientifica com suas historias do planeta Mongo, e lornou-se 0 maior c1assico do genero. A febre dos quadrinhos de herois ultrapassou as barreiras dos Estados Unidos. Na Europa, Tintim, do belga Herge, era lanc;ado no mercado como um dos mais promissores quadrinhos europeus. Tintim era um reporter adolescente que viaja ao redor do mundo acompanhado do seu fiel caozinho Milou. Alem de ter leito grande sucesso, tendo sua serie publicada em diversos parses, pode-se dizer que As Aventuras de Tintim foi um dos unicos quadrinhos imune da resistencia da Segunda Guerra, escapando da censura militar. Fig.10 Tintim e seu caozinho Milou Site: 14

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