Terça-feira, 18 de março de 2014

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1 Terça-feira, 18 de março de 2014 Gazeta do Povo Coluna do leitor / Diários Secretos Sobre a matéria Série Diários Secretos faz 4 anos com possibilidade de prescrição de crimes (Gazeta, 16/3), o Ministério Público é a instituição mais regiamente paga pelo povo com todas as prerrogativas para atuar. Nós precisamos acreditar na instituição, mas ela tem de dar respostas efetivas à sociedade, principalmente nesses casos escabrosos de corrupção envolvendo a alta cúpula. João Pinheiro Transporte / Tarifa a R$ 2,70 depende da Justiça Fruet consegue tirar seis itens do cálculo de custos do sistema, mas outros três estão nas mãos do Judiciário. Subsídio estadual também influencia Raphael Marchiori O prefeito Gustavo Fruet anunciou, ontem, que lutará para que a tarifa do transporte coletivo de Curitiba permaneça em R$ 2,70. A confirmação disso, porém, ainda depende do julgamento de um pedido da prefeitura que será feito hoje à Justiça. Além disso, a medida não garante que a tarifa das linhas metropolitanas continuará nesse valor, haja vista que o governo do estado ainda não se pronunciou sobre a renovação do subsídio que venceu no último sábado. Para manter esse valor na chamada rede urbana, que engloba apenas os ônibus que circulam em Curitiba, Fruet anunciou que serão retirados sete itens da chamada tarifa técnica (valor que serve de base para a cesta de custos do transporte). Essa medida terá um impacto de R$ 0,15 nessa tarifa e, segundo a prefeitura, trará uma economia de R$ 47 milhões por ano. Já a retirada de outros três itens considerados irregulares pela prefeitura ainda dependerá da análise judicial de uma ação declaratória que será protocolada hoje na Justiça. Caso a tutela antecipada seja emitida pela Justiça, essa ação trará uma redução de R$ 0,13 à tarifa técnica do transporte coletivo de Curitiba e economia de mais de R$ 37 milhões ao sistema. Entre os itens descritos na ação declaratória estão o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Sobre o Lucro Liquido (CSLL). Esses impostos incidem na composição da tarifa técnica e já haviam sido apontados como indevidos pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná. O órgão de controle chegou a determinar uma redução de R$ 0,43 nessa tarifa, mas viu os efeitos da cautelar serem suspensos por uma decisão da Justiça. Apesar de acreditar em uma decisão favorável, Fruet confirmou ontem que o usuário poderá acabar pagando mais se a análise da ação declatória não for a esperada. Se a Justiça mantiver [a retirada dos três itens], a gente sustenta os R$ 2,70 [cobrados

2 do passageiro]. O que a Justiça alterar, quem paga na tarifa é o usuário, afirmou o prefeito. Além disso, as medidas anunciadas ontem pelo prefeito deverão impactar sobre um valor já reajustado a pedido dos próprios empresários. Na última sexta-feira, as empresas de ônibus protocolaram um pedido de repactuação que elevaria a atual tarifa técnica da Rede Integrada de Transportes (RIT) de R$ 2,9353 para R$ 3,33. A prefeitura, então, utilizou a projeção feita por eles para chegar a uma tarifa técnica das linhas exclusivas de Curitiba em R$ 3,08. Com os ajustes dos itens que a prefeitura considerou irregulares, essa tarifa chegaria a R$ 2,80. Para manter os R$ 2,70 cobrados do usuário, a administração municipal subsidiaria o sistema com cerca de R$ 2 milhões mensais valor que até o ano passado era repassado pela prefeitura de Curitiba para cobrir o déficit das linhas metropolitanas. Subsídio retirado do orçamento não é justo, diz especialista Para o engenheiro de transportes e pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) Carlos Henrique Carvalho, um dos maiores especialistas em transporte urbano no país, subsídios públicos para conter a alta da tarifa não devem sair do orçamento. O município está pegando recurso do orçamento para atender um anseio da população, o que pode comprometer outros gastos sociais, como saúde e educação, e se tornar insustentável a médio e longo prazo. Além disso, esse dinheiro vem de tributos indiretos que afetam diretamente os mais pobres. Para Carvalho, deveria haver recursos específicos para financiar os ônibus além da tarifa. Outros segmentos da sociedade, como o usuário do transporte individual, poderiam ajudar a financiar o transporte público. Há possibilidades como a desoneração de impostos e pedágios urbanos. A prefeitura de São Paulo, por exemplo, até tentou o financiamento dos ônibus pelo IPTU, mas perdeu na Justiça. E o governo federal também foi na contramão ao zerar a Cide, disse sobre o imposto que deixou de incidir sobre o petróleo e seus derivados em Curitiba O prefeito Gustavo Fruet, por exemplo, disse que pretende manter a tarifa dos ônibus de Curitiba em R$ 2,70 com subsídios mensais na ordem de R$ 2 milhões. Outro lado / Empresas de ônibus se dizem perplexas com anúncio de Fruet O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) divulgou, ontem, nota sobre o anúncio de Fruet na qual diz estar preocupado e perplexo com a situação. Segundo a entidade, as declarações não levaram em conta a existência de ações judiciais em trâmite pelas Varas da Fazenda da Capital, onde perícias haverão de ser levadas a efeito para chegar a um resultado. Fazendo referência à cautelar expedida pelo TCE-PR, o Setransp ainda afirmou que a liminar do TJ-PR impede alterações nos componentes da planilha do custo até o julgamento do mandado de segurança impetrado pelo próprio sindicato. Havia a expectativa de que o mérito do mandado de segurança fosse julgado ontem pelo TJ-PR, mas o assunto acabou não entrando na pauta do judiciário. Subsídio / Prefeitura insiste que estado pague por linhas metropolitanas Do ponto de vista financeiro, a manutenção da integração das linhas metropolitanas depende de um posicionamento do governo do estado. Essa é a opinião de Gustavo Fruet. Não temos interferência [sobre a integração]. Sem convênio, quem define é o estado, afirmou o prefeito.

3 De acordo com Roberto Gregório, a integração será mantida e a Urbs, caso a empresa seja requisitada, prestará apoio operacional ao governo do estado. Toda a parte de engenharia está disponível. Mas os pagamentos às empresas que operam as linhas metropolitanas agora é de responsabilidade do estado, disse o presidente da Urbs, para quem as negociações com a administração Beto Richa não chegaram a um ponto adequado. De acordo com a prefeitura de Curitiba, o governo estadual apontou com a renovação de um contrato de subsídio na ordem de R$ 50 milhões, com desembolsos mensais até outubro deste ano. O valor seria insuficiente para cobrir o sistema integrado, que no ano passado teria gerado déficit de R$ 84 milhões. A Comec informou que os R$ 80 milhões em subsídios para 2014 (R$ 5 milhões mensais mais a desoneração do ICMS do diesel, já anunciados por Richa) estão garantidos, mas que se pronunciaria sobre o assunto apenas hoje. Aperto de cintos / Saiba como o prefeito Gustavo Fruet pretende segurar a tarifa de Curitiba Conta própria Prefeitura anunciou a retirada de seis itens que podem reduzir R$ 0,15 da tarifa técnica e trazer uma economia de R$ 47 milhões ao ano: retirada do porcentual de reajuste dos combustíveis e também de peças, acessórios e depreciação de veículos; redução do custo de manutenção da bilhetagem eletrônica; corte do custo de manutenção do Segbus; corte do kit inverno; zeramos a amortização de veículos substitutivos do híbrido; manutenção do desconto de bens exclusivos. Justiça A retirada de outros itens, que teriam impacto de R$ 0,13 na tarifa técnica, depende da Justiça. Esses itens são os impostos exclusivos de veículos; os impostos exclusivos de instalações; e a taxa de risco dos ônibus híbridos (Hibribus). Cronologia / Recorde os principais fatos sobre o transporte coletivo de Curitiba nos últimos anos: 2009 Apesar do que determina a Constituição Federal de 1988, o processo de licitação dos ônibus de Curitiba começou apenas 21 anos depois da promulgação da carta magna brasileira e 54 anos depois da regulamentação do transporte coletivo na capital O processo foi vencido pelos consórcios Pontual, Pioneiro e Transbus. À época, o processo foi criticado por especialistas por apenas reproduzir o modelo de operação que já vigorava na cidade Beto Richa, governador do estado, anuncia a criação de um subsídio estadual na ordem de R$ 40 milhões anuais para equilibrar a operação do transporte integrado na região metropolitana de Curitiba. À época, o prefeito da capital era Luciano Ducci. Mar/2013 Após vencer Ratinho Jr. e Luciano Ducci nas eleições municipais, Gustavo Fruet anuncia a criação de uma comissão interna para analisar o transporte público da capital. No mesmo mês, a prefeitura anuncia o aumento da tarifa de R$ 2,60 para R$ 2,85. Mai/2013 O governador anuncia o fim do subsídio alegando que o auxilio tinha caráter temporário. Semanas depois, Richa volta atrás e decide renovar o aporte financeiro de R$ 5 milhões/mês até fevereiro/14. Ele também anuncia a desoneração do ICMS do óleo diesel utilizado pelos ônibus. Jun/2013 Manifestações pelo Brasil contra o reajuste das tarifas do transporte público chegam a Curitiba e Fruet anuncia a revogação de parte do aumento da tarifa. De R$ 2,85, o valor cai para R$ 2,70. Jun/13 A Câmara de Vereadores abre a CPI do Transporte Coletivo para averiguar o contrato de concessão assinado com os três lotes vencedores da licitação.

4 Set/2013 Tribunal de Contas do Paraná publica relatório no qual recomenda o cancelamento da licitação do transporte coletivo de Curitiba. O mérito do relatório ainda não foi julgado. Set/13 Relatório da CPI do Transporte aponta que a tarifa técnica, aquela cesta que engloba todos os custos do transporte, poderia ser reduzida de R$ 2,9994 para R$ 2,51 se fossem retirados recolhimentos considerados indevidos. A CPI ainda sugeriu o indiciamento de pessoas ligadas à licitação, entre elas o ex-presidente da Urbs, Marcos Isfer. Jan/14 TCE-PR determina, em caráter cautelar, a redução da tarifa técnica da RIT em R$ 0,43 com base na exclusão de quatro itens da planilha tarifária e na modificação de outros dois. Na semana seguinte ao anúncio, o pleno do órgão ratifica por unanimidade a decisão. Fev/14 Empresas de ônibus ingressam com mandado de segurança no Tribunal de Justiça do Paraná e o desembargador Marques Cury suspende os efeitos da liminar do TCE-PR. Greve de três dias de motoristas e cobradores adia para março discussão de reajuste contratual da tarifa técnica. Após o período de paralisação, os trabalhadores conseguem aumento de 9,28% Mar/14 Procuradoria Geral do Estado (PGE) entra com um recurso contra a decisão da Justiça, reforçando a competência do TCE-PR na análise do caso. Cinco entidades de classe de Curitiba também entram com ação para fazerem parte do mandado de segurança e saem em defesa da decisão do TCE-PR. Mar/14 Sem uma renovação no convênio que garante o subsídio estadual, vencido no último dia 15, Gustavo Fruet anuncia que lutará para manter a tarifa de Curitiba em R$ 2,70. Para isso, ele revoga seis itens administrativos da tarifa e pede à Justiça uma tutela antecipada para retirar outros três o que possibilitará uma redução de R$ 0,28 na tarifa técnica. Decisão não contempla a RIT e prefeito cobra uma posição do governo estadual, que já havia sinalizado com um subsídio de R$ 5 milhões/mensais até dezembro valor classificado por Fruet como insuficiente. Investigação / Rede de lavagem de dinheiro movimentou R$ 10 bilhões Operação da Polícia Federal prendeu 24 pessoas em cinco estados, entre elas um condenado pelo mensalão e um doleiro do caso Banestado Diego Ribeiro Uma rede de lavagem de dinheiro que movimentou de forma supostamente ilegal R$ 10 bilhões foi desmantelada, ontem, pela Polícia Federal (PF), na operação Lava Jato. Foram presas 24 pessoas, entre elas o doleiro de Londrina Alberto Youssef e um condenado pela ação penal 470, a do mensalão, Enivaldo Quadrado, detido em Assis, São Paulo. Além de Youssef, preso em viagem ao Maranhão, foram detidos mais três doleiros, que também figuravam entre os principais atores do mercado paralelo de compra e venda de dólares no país. A ação da polícia ocorreu em cinco estados (Paraná, São Paulo, Distrito Federal, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Mato Grosso). De acordo com o delegado federal que coordena a investigação, Márcio Anselmo, a apuração focou, até agora, na transferência ilegal de dinheiro para o exterior. Em nove meses de trabalho, a PF descobriu centenas de contas bancárias que remetiam milhões de dólares para a China e Hong Kong (saiba mais no gráfico). Essas contas eram de mais de cem empresas de fachada, que, por incontáveis vezes, segundo a polícia, simularam importações e exportações para o exterior com o objetivo apenas de receber e enviar dinheiro, sem que fosse concretizado o comércio com entrega ou recebimento de produtos.

5 Operações legais Segundo Anselmo, os investigadores ficaram surpresos ao encontrar remessas feitas por várias contas de empresas de fachadas controladas por um doleiro entre 2009 e 2013 em um total de US$ 250 milhões no câmbio oficial, que envolve operações realizadas corretamente, com registro no Banco Central. O delegado regional da unidade de combate ao crime organizado da PF no Paraná, Igor Romário de Paula, frisa que a origem do dinheiro é que era ilegal. Muito dos recursos lavados eram mesclados com dinheiro lícito em fluxos de caixa das empresas usadas pelas quadrilhas, lavanderias e posto de gasolina. Em Londrina, o edifício arrendado por um grupo de hotéis, sequestrado pela Justiça, foi um dos reinvestimentos realizados com dinheiro supostamente lavado. O principal objetivo da investigação foi cortar o fluxo financeiro dos doleiros, comentou o delegado Anselmo, durante entrevista coletiva na sede da PF, no bairro Santa Cândida, na região Norte de Curitiba. O grupo também usava o método de dólar a cabo para transferir o dinheiro, além de transportar dinheiro fisicamente prendendo cédulas no corpo. Um dos doleiros, uma mulher, foi detida na sexta-feira passada no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, ao ser flagrada com US$ 200 mil presos ao corpo. A Gazeta do Povo tentou encontrar os advogados de defesa de Youssef e também de Enivaldo Quadrado, sem sucesso. A caixa-preta chamada Alberto Youssef Considerado por anos como um dos maiores doleiros do país, o morador de Londrina Alberto Youssef, 46 anos, é uma caixa-preta ambulante. Se resolver falar tudo que sabe, limpa-se o estado. É o cara que poderia derrubar estruturas políticas e administrativas, conta um servidor público que já investigou Youssef por anos. A reportagem da Gazeta do Povo conversou com duas pessoas que passaram parte da carreira investigando as ações do doleiro, que ficou conhecido na época da CPI do Banestado no começo dos anos Tranquilo, confiante, chega a ser arrogante, conta um deles. Youssef foi interrogado inúmeras vezes, preso outras tantas, condenado, mas volta e meia seu nome vem novamente à tona por alguma suspeita. Sempre envolvendo lavagem de dinheiro e remessas ilegais para o exterior. Era dono da empresa Youssef Câmbio e Turismo, quando foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF). Ele já delatou, segundo reportagens da época, o exsecretário da Fazenda de Maringá, Luiz Antônio Paolicchi, em Paolicchi, já falecido, foi condenado pela Justiça Federal dois anos depois. Na época, ele afirmou que teria emprestado ao ex-secretário dinheiro para que fosse usado na campanha eleitoral de Os empréstimos teriam sido pagos com recursos desviados do município. As conexões dele sempre extrapolaram o estado, afirmou um dos entrevistados. Por isso, comentam, que era muito difícil investigá-lo. Havia muita proteção, declara outro. As conexões aumentavam em razão da confiança adquirida por seus clientes. É considerado de confiança por quem usa o serviço dele. Ele já foi preso várias vezes. Não entrega ninguém [apesar de ter revelado a história de Paolicchi]. Qualquer um que precise de alguém para regularizar dinheiro procurava por ele. Parece que nada mudou, afirma um dos servidores. Transações / Para PF, caso mostra que há falhas na fiscalização financeira Para o delegado que comanda a investigação, Márcio Anselmo, a operação Lava- Jato mostra falhas graves de fiscalização no sistema financeiro brasileiro. Segundo ele, o caso é emblemático. Mesmo depois do fim das contas CC-5 (usadas até 2005 para envio

6 de dólares para o exterior), há ainda movimentações vultosas sem fiscalização rigorosa do sistema financeiro. Dez anos depois do caso Banestado, Farol da Colina, temos mais de uma centena de empresas de fachada e casos de movimentações vultosas. As próprias instituições financeiras não têm declarado movimentações atípicas para o Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras], afirmou o delegado. Delação premiada Todas as ações penais envolvendo o doleiro Alberto Youssef deverão ser desarquivadas e revisadas pela Justiça Federal, segundo informou o delegado federal Igor Romário de Paula. De acordo com ele, Youssef gozava do benefício da delação premiada. No contrato da delação, uma das cláusulas era a de não cometer mais crimes. O contrato, segundo a PF, tinha validade de 10 anos. Ele foi condenado pela Justiça Federal em 2004 por crimes contra o sistema financeiro nacional. A pena foi de sete anos de regime semiaberto com pagamento de multa equivalente a salários mínimos.(dr) Ilicitude / Origem do dinheiro remete ao tráfico de drogas e outros crimes Todo dinheiro remetido pelos doleiros para o exterior, segundo a Polícia Federal, era de origem ilícita. Até agora, foram identificadas quatro quadrilhas que trabalhavam com desvio de recursos públicos em grandes obras, tráfico de drogas e extração e tráfico de diamantes. Esses criminosos buscavam, de acordo com a polícia, contratar os doleiros para lavar o dinheiro ilegal e esquentá-lo, transformando o recurso em investimentos supostamente lícitos. Arte e carro Um quadro de Di Cavalcanti e um da pintora Djanira foram apreendidos em Londrina durante a operação da PF, segundo o delegado Anselmo. A polícia ainda explicou que vai fazer um levantamento para saber o valor de todas as joias apreendidas. Foram ainda 25 carros apreendidos em toda ação. Esses veículos chegarão nesta terça-feira em Curitiba em um caminhão cegonha. Além disso, outros dois hotéis foram alvos de sequestro judicial. Ainda ontem, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão e de prisões, foram coletados R$ 5 milhões com os envolvidos. Glossário / Conheça algumas das tipologias do crime lavagem de dinheiro que aparecem neste caso: Empresa de fachada É legalmente constituída e funciona de verdade, mas é utilizada para acobertar a inclusão de recursos vindos de atividades ilícitas. Na prática, a empresa mescla recursos ilícitos com os provenientes de sua própria atividade. Mescla Recursos ilícitos são misturados com recursos de origem legítima de uma empresa. O volume total é apresentado como resultado do faturamento operacional. Exportação fictícia Nessa tipologia, uma exportação de um bem ou serviço é registrada sem que realmente aconteça (o bem ou o serviço nunca chega a seu destino) ou ainda é superfaturada (o bem vale menos que o declarado ou a quantidade exportada é menor que a declarada). Dólar a cabo É uma transferência de recursos do e para o exterior, por empresas e/ou pessoas não autorizadas pelo Banco Central a realizar operações de câmbio e/ou fora dos mecanismos oficiais de registro e controle. Fonte: Ministério Público Federal e Banco do Brasil.

7 Entrelinhas / Máfia laranja Marcela Campos No último domingo, a coluna afirmou que a concessão de novas licenças de táxi em Curitiba não deve resolver um problema antigo na cidade: o mercado clandestino de venda de placas pelos atuais permissionários. Dias desses um motorista comentou que o dono do táxi que dirige nem mesmo mora mais na capital paranaense clandestinamente, o permissionário repassa a outra pessoa o direito de explorar o serviço. Sobre esse assunto, a assessoria de imprensa da Urbs (responsável pelo gerenciamento do sistema de táxi) manifestou-se ontem. A empresa reforçou que o último decreto que regulamenta a atividade, assinado em agosto do ano passado (Decreto 1.184), não permite mais a exploração do serviço de táxi por prazo indeterminado. Agora, a autorização tem prazo de 35 anos para novos e antigos taxistas e ao longo de todo esse tempo será permitida apenas uma transferência de placa. Independentemente do que diz o decreto, no entanto, o que importa mesmo é se haverá fiscalização para coibir as irregularidades. Afinal, brasileiro que é brasileiro está cansado de ver a legislação se transformar em letra morta.

8 Justiça / TJ-PR vai julgar 256 homicídios dolosos Mutirão iniciado ontem em todo o país deve acelerar o desfecho de quase 3 mil processos em uma semana Fernanda Trisotto O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) deve julgar 256 processos de homicídios dolosos até a próxima sexta-feira. Todos os casos aguardam a solução da Justiça há pelo menos quatro anos. O esforço faz parte de uma força-tarefa nacional, organizada pelo Conselho Nacional de Justiça e pelo Comitê Gestor da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp). Segundo o conselheiro do CNJ Guilherme Calmon, a principal razão de se fazer esse mutirão é mostrar que tanto o Poder Judiciário quanto o Ministério Público e as equipes de defensoria têm como fazer um trabalho de qualidade e quantidade, desde que bem organizado. Calmon explica que uma das metas estabelecidas para o poder judiciário em todo o país, a de número 4, é o julgamento de 100% dos casos de homicídios dolosos, que tiveram a denúncia realizada até dezembro de 2009, até o fim de novembro deste ano. No país, temos em torno de 57 mil ações ainda não julgadas. Os julgamentos previstos para essa semana não chegam a 10% desse número, mas a gente está focando na semana nacional para servir como uma ação concreta para estimular os profissionais envolvidos, de modo que, até o fim do ano, completemos a meta 4, analisa. No Paraná, o primeiro dia de mutirão analisou quatro casos. Tanto o juiz de direito substituto do Tribunal do Júri de Curitiba, Leonardo Bechara, quanto Calmon avaliam que os casos de homicídio doloso são de alta complexidade penal, envolvem muitas etapas desde a investigação policial, localização de testemunhas e laudos periciais e, por isso, nem sempre é o poder judiciário o maior responsável pela demora em julgá-los. Na opinião de Bechara, essa demora é muito ruim em vários aspectos, principalmente na sensação de que a justiça penal não funciona. A gente considera esse número de ações penais não julgadas até hoje acima do razoável, por isso a necessidade de medidas concretas, todo um empenho para que se cumpra essa meta, explica o juiz. Colombo Todos os estados brasileiros definiram uma comarca Enasp durante um ano para ganhar mais atenção e acelerar o julgamento dos processos. Segundo o conselheiro do CNJ Guilherme Calmon, normalmente a indicação é da comarca com mais processos atrasados ou com casos mais antigos. No Paraná, a Comarca de Colombo é que foi definida. O juiz Leonardo Bechara lembra que é comum no estado uma comarca concentrar um grande número de homicídios e não possuir uma vara privativa para julgar os casos dolosos com mais celeridade Regalias / MP-DF reitera pedido de transferência de condenados no mensalão Agência Estado Integrantes do Ministério Público do Distrito Federal (MP-DF) reiteraram na última sexta-feira pedido à Justiça para que condenados por envolvimento com o esquema do mensalão sejam transferidos para presídios federais. O requerimento, que já havia sido feito anteriormente, deverá ser analisado nos próximos dias por juízes da Vara de Execuções Penais (VEP). Resposta insatisfatória Na avaliação de integrantes do Ministério Público, a administração do Distrito Federal, que é petista, não teria respondido de forma satisfatória a questionamento sobre supostas regalias concedidas a condenados que cumprem pena no complexo penitenciário da Papuda. Entre eles, está o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT).

9 Judiciário / Decisão sobre a volta de Camargo ao TC é adiada Pela terceira vez, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná adiou o julgamento do recurso de Fabio Camargo para voltar ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas (TC). O julgamento foi suspenso ontem porque o desembargador Luís Carlos Xavier, que pediu vista do processo na última sessão, está de licença até quinta-feira. Se na próxima sessão que ocorre daqui a duas semanas, o magistrado não comparecer ou não votar, o julgamento continuará independentemente do voto dele. Ainda assim, existe a possibilidade de outro desembargador pedir vista. Até o momento, o placar da votação é de 9 a 3 contra a volta de Camargo ao TC, mas 13 desembargadores ainda não votaram. Também na sessão de ontem, os magistrados adiaram o julgamento de um pedido de foro privilegiado do secretário especial do Cerimonial, Ezequias Moreira, e de dois embargos de declaração impetrados pelos deputados Nelson Justus e Alexandre Curi e pelo ex-diretor-geral da Assembleia Abib Miguel, entre outros acusados de envolvimento no caso dos Diários Secretos. Notas Políticas / Suspeitas do prefeito A invasão da casa do prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD, foto), ocorrida no início deste ano, pode ter motivações políticas. Pelo menos esta é a suspeita do prefeito, que afirmou, por meio de sua página no Facebook, que um detetive particular foi contratado com objetivo de comprometer a atual gestão do município. Kireeff informou que sua assessoria foi procurada por um detetive particular, que disse ter sido sondado para investigar a atuação política e a vida pessoal do prefeito londrinense. Ele [o detetive] não foi contratado, um outro detetive recebeu a oferta e assumiu os serviços em seu lugar. Não são de Londrina: são de outras cidades da região. Entretanto, aquele primeiro detetive contou-me que o objetivo do grupo que o havia procurado era produzir informações para encaminhar ao Ministério Público para comprometer minha administração, afirmou na rede social. Anti-feriado A Assembleia Legislativa do Paraná aprovou um requerimento sugerindo à Câmara de Curitiba que vote contrariamente à realização de feriado na capital nos dias de jogos da Copa do Mundo. O requerimento, aprovado por unanimidade, é de autoria do deputado Valdir Rossoni (PSDB). Ele argumenta que o feriado trará um grande prejuízo para atividades relativas ao comércio e a todo o setor produtivo da cidade e da região. A solicitação será enviada ao expediente da Câmara. Plano Diretor em debate Começou ontem a série de oficinas para a discussão da revisão do Plano Diretor de Curitiba. Os encontros, promovidos pela prefeitura, acontecem nas regionais da cidade e vão até 3 de abril. O objetivo é capacitar a população e identificar os desejos com relação a cidade. Veja o cronograma das oficinas em Celso Nascimento / Uma solução esperta A sensibilidade política do prefeito Gustavo Fruet falou mais alto: o momento não é bom para aumentar a tarifa do ônibus. Em meio à agitação social que a cada instante mostra seus dentes, ora contra a Copa ora contra qualquer coisa, subir a passagem seria um convite às ruas. Portanto, nada de subir: pela vontade do prefeito, a passagem continuará nos mesmos R$ 2,70. Mas até quando? O próprio Fruet deu a dica: até quando a Justiça decidir o contrário, isto é, que, após julgada a ação declaratória que impetrou ontem, e examinados os outros aspectos legais que permeiam a fixação das tarifas, não haja saída senão a de fazer reajuste. Mas então a responsabilidade por uma eventual alta não será dele, e sim do Poder Judiciário. Não deixa de ser uma solução convenientemente esperta.

10 Seguindo algumas das recomendações do Tribunal de Contas e tirando da cartola outros itens que não haviam sido pensados, o prefeito conseguiu reduzir a tarifa técnica (valor repassado às empresas) de R$ 2,93 para R$ 2,80 para as linhas urbanas de Curitiba. Como o usuário continuará pagando os mesmos R$ 2,70 de hoje, a prefeitura terá de dar subsídio de 10 centavos. O que, no cômputo mensal, lhe custa R$ 2 milhões mesmo dispêndio com que o município já vem arcando desde o ano passado. É neste ponto que entra outra suposta esperteza do prefeito: se ele não aumentou a tarifa do usuário curitibano e nem precisa que o governo estadual dê subsídio para a prefeitura de Curitiba, como ficam as linhas metropolitanas que fazem a ligação de 13 municípios com a capital? Bem... aí o problema já deixou também de ser de Fruet. Se o governador quiser manter a integração do transporte e com o mesmo valor fixado em Curitiba, será do estado a responsabilidade de subsidiar os outros municípios. A Urbs poderá continuar gerenciando a rede integrada, mas é a Comec (órgão estadual) que terá de providenciar os recursos que faltem. Com um detalhe: a tarifa técnica das linhas metropolitanas chega a R$ 4,22 diferença de 42 centavos em relação à de Curitiba. Resumo da ópera: Fruet tomou cuidado para se sair bem na foto para os passageiros curitibanos e jogou no colo de Beto Richa a decisão final de manter a integração e de dizer o quanto poderá pagar de subsídio para as linhas metropolitanas. O outro lado As empresas do transporte coletivo de Curitiba não se assustaram com as medidas tomadas pelo prefeito. Claro que não gostaram, segundo declararam em nota oficial, mas, segundo um porta-voz credenciado para transmitir a posição das concessionárias, alguns dos itens retirados da planilha por Fruet não afetam seus ganhos. Outros já fazem parte da cesta de ações judiciais que as empresas movem contra a prefeitura desde os tempos da gestão anterior. Mais dia menos dia a Justiça terá de se pronunciar, diz o porta-voz e elas, as empresas, confiam estar amparadas pelos termos contratuais que regulam suas relações com o poder concedente. As empresas e Fruet pagam para ver. Olho vivo Dominó 1 O procurador Ubirajara Gasparin é o novo procurador-geral do Estado. É o quinto nome a ocupar o posto nestes três anos e três meses do governo Beto Richa, que o nomeou ontem à tarde. Gasparin chega ao cargo sob a expectativa de que será capaz de restabelecer a respeitabilidade da Procuradoria Geral do Estado (PGE), instituição desgastada pela caótica administração de seus antecessores. Dominó 2 A indicação de Gasparin é decorrente, entre outros fatores, de um efeito dominó: a última ocupante do cargo, demitida ontem, era a procuradora Mariza Zandonai, que havia sido escolhida sob a influência da ex-secretária da Fazenda Jozélia Nogueira, também ex-procuradora-geral. Desde que Jozélia saiu da Fazenda, há dez dias, o castelo de Zandonai começou a ruir. Richa, então, se viu na contingência de buscar o novo titular entre quadros mais experientes da PGE e não teve dificuldades de reconhecer em Gasparin o nome mais indicado. Complicado 1 Lendo o que outros escreveram, o líder do governo na Assembleia, Ademar Traiano, defendeu ontem o projeto de lei que autoriza a Sanepar aumentar seu capital de R$ 2,6 bilhões para R$ 4 bilhões. Não conseguiu ser entendido em pelo menos um ponto: por que o governo propõe vender ações a R$ 13,30 se a cotação de mercado é de apenas R$ 5,80? Complicado 2 É mesmo uma situação muito complicada para a compreensão dos leigos. Diante da dificuldade de entender o que disse o líder, a bancada de oposição apresentou requerimento para que o próprio presidente da Sanepar, Fernando Ghignone, compareça à Assembleia para explicar. O requerimento será votado hoje. E provavelmente rejeitado pela maioria governista.

11 Cascavel / Suspeita de propina retira projeto de pauta Luiz Carlos da Cruz,correspondente O projeto para alterar o perímetro urbano de Cascavel, no Oeste do Paraná, e criar o loteamento Rivieira foi retirado da pauta de votações da Câmara de Vereadores ontem após um pedido do Ministério Público (MP). Na sexta-feira, o promotor Sergio Machado abriu um inquérito para investigar suposto pedido de propina para acelerar a votação desta proposta. O vereador Paulo Bebber (PR) e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Luciano Fabian, são os investigados. Na área em questão serão construídas casas do programa Minha Casa, Minha Vida, com custo estimado em R$ 140 milhões. A sessão foi tensa e marcada por troca de acusações entre vereadores. O projeto teve o pedido de urgência aprovado recentemente e iria ser votado ontem. Mas um ofício do MP foi lido em plenário. O documento apontava problemas formais na tentativa de acelerar a aprovação do loteamento. O promotor alega que seriam necessárias duas audiências públicas e debates com a participação da população e de associações representativas da comunidade antes de os vereadores votarem a proposta. Logo depois, foi apurado que, além disso, o MP investigava um suposto pedido de propina envolvendo o caso. Em discurso no plenário, Bebber negou as acusações e disse que nunca esteve com diretores da empreiteira ou com os donos da área. Ele afirmou que renunciará seu mandato caso seja provado que ele manteve contato com as referidas pessoas. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Luciano Fabian, também negou as acusações e disse ser o maior interessado nas investigações. Ele disse não conhecer os donos do imóvel nem os empresários responsáveis e que o assunto não faz parte da sua pasta. Bem Paraná Política em debate / Carne ou merenda? O prefeito de Peabiru, Claudinei Minchio (PT), deverá explicar até a próxima segunda-feira a aquisição e o destino de um lote de carne de carneiro temperada localizado no interior de duas kombis da Secretaria de Saúde daquela cidade, utilizada para transporte de pacientes. Na sexta-feira, o Ministério Público flagrou o transporte irregular da carne ao realizar uma operação através de denúncia que informava que a carne encontrada fora adquirida com recursos destinados a merenda escolar e seria transportada para Curitiba, onde seria servida em almoço oferecido ao ex-presidente Lula, preparada como "Carneiro ao Vinho", prato típico de Peabiru. O almoço, com a presença de 15 empresários, ocorreu na chácara do ex-deputado federal Flávio Martinez (PTB) e serviu para vender a candidatura de Gleisi Hoffmann (PT). MP de olho A informação foi desmentida ontem pelo PT do Paraná, que em nota afirmou "ser absolutamente fantasiosa, em toda a sua íntegra a publicação". Apesar do desmentido, o MP de Peabiru lavrou um termo de vistoria durante a operação e deu prazo de dez dias para que o prefeito apresente explicações. O documento do MP, assinado pelo promotor André Del Grossi Assumpção, confirma a operação, motivada por denúncia. Substituição A Assembleia Legislativa aguarda apenas a publicação do acórdão pelo Tribunal Superior Eleitoral para dar cumprimento à determinação de cassação do mandato do deputado estadual Alceu Maron Filho (PSDB) por infidelidade partidária. Ele

12 foi cassado por ter trocado o PPS pelo PSDB depois da eleição de Assume sua vaga o suplente Felipe Lucas (PPS). Copa do Mundo Os deputados estaduais aprovaram ontem requerimento proposto pelo presidente da Assembleia Legislativa, Valdir Rossoni (PSDB), sugerindo à Câmara Municipal de Curitiba que não seja aprovada a decretação de feriado nos dias de jogos da Copa do Mundo na Capital paranaense. Rossoni alega que o setor produtivo teme prejuízo no comércio e indústria, caso os feriados sejam aprovados. Além de prejuízo no setor produtivo, a população também será afetada, pois os serviços públicos serão oferecidos em escala de plantão, dificultando a vida de todos, justificou o tucano. Em Curitiba serão realizados quatro jogos no Mundial, sendo que em três deles se cogita a implantação de feriado. Um jogo será realizado no mesmo dia de uma partida da Seleção Brasileira e neste caso será feriado por decisão do governo federal. Karlos Kohbach / Depois de manter preço da passagem, Fruet deve anunciar desintegração com a RMC O prefeito de Curitiba Gustavo Fruet (PDT) esteve reunido nos últimos dias com os assessores mais próximos e com alguns poucos secretários municipais para discutir a questão do aumento da passagem de ônibus na capital. Ontem, em entrevista à Rede Globo, Fruet garantiu que manterá a tarifa nos atuais R$ 2,70 ou seja, apesar do aumento da tarifa técnica, o usuário continuará pagando o mesmo preço. O prefeito prometeu fazer economias para sustentar o preço. Fruet só não contou na Globo a outra parte da conversa com os assessores e secretários. O prefeito pode anunciar nesta semana a desintegração do sistema de ônibus de Curitiba com a região metropolitana. Ou seja, vai jogar a responsabilidade para o governo do estado. Não existe mágica. Para manter os R$ 2,70, o prefeito terá de tomar medidas radicais. A escolhida foi a desintegração das linhas de ônibus com os municípios da região metropolitana. Fruet fica com a imagem boa perante os usuários de ônibus e joga o abacaxi no colo do governador Beto Richa (PSDB) isto tudo em ano eleitoral. Beto Richa escolhe novo PGE O procurador Ubirajara Gasparin será o escolhido pelo governador Beto Richa (PSDB) para assumir a Procuradoria-Geral do Estado (PGE). O anúncio deve ser feito nos próximos dias. Ele entra no lugar Marisa Zandonai que era diretora-geral e foi alçada ao cargo depois que a então procuradora-geral Jozélia Nogueira deixou o cargo para assumir a Secretaria da Fazenda. Jozélia deixou o governo há menos de 10 dias e, consequentemente, Marisa também perdeu a chefia da PGE. Assessores próximos ao governador tucano dizem que o nome do ex-procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, chegou a ser cogitado, mas, por motivos de saúde, o convite não foi feito. Caso Virgínia / TJ julga se médica deve voltar para a prisão O caso da médica Virginia Helena Soares de Souza, será julgado novamente pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), na quinta-feira. Desta vez, o TJ julga uma ação do Ministério Público do Paraná (MP-PR) para que Virgínia volte para a prisão durante o restante do processo. O julgamento está marcado para as 13h30, pela Primeira Câmara Criminal do Tribunal. Após ter sido presa em 19 de fevereiro e libertada em 20 de março de 2013, pelo Juiz da Segunda Vara do Júri de Curitiba, o Ministério Público recorreu da decisão concessiva de liberdade, pleiteando que a acusada volte para a prisão e responda o processo aprisionada.

13 O advogado criminalista Elias Mattar Assad, defensor da médica Virginia Helena, declarou que não há motivos processuais penais para que seja revertido o quadro de resposta em liberdade. Caso Tayná Estava marcado para ontem o início dos depoimentos de testemunha do caso Tayná, a adolescente morta em 2013 em Colombo. As testemunhas ouvidasfalariam sobre a suspeita de tortura contra quatro rapazes que chegaram a ser presos na época do crime. Folha de Londrina Informe Folha / Arapongagem O prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), disse ontem, no site de relacionamentos Facebook, que sabia, desde antes do furto de um cofre de sua casa, em janeiro, que um detetive particular teria sido sondado para investigar suas atitudes tanto na vida pública quanto na particular. O próprio profissional teria procurado a assessoria para contar o fato, mas que não fez o trabalho outro teria aceitado a oferta. O objetivo seria levantar informações que pudessem ser levadas ao Ministério Público para comprometer a administração municipal. Prefeito vê conexão Kireeff afirmou, na rede de computadores, que vê ligação na suposta investigação com a denúncia de furto de um cofre de 140 quilos, de dentro de casa, durante suas férias, nas duas primeiras semanas do ano. Não houve sinais de arrombamento, tampouco armários e gavetas reviradas. O prefeito também diz que não sentiu falta de nada de valor, como eletrodomésticos, normalmente visados em furtos. "O fato de priorizarem um cofre (ele desapareceu) em detrimento de tudo o mais, me faz imaginar que alguém esperava encontrar dentro dele o que os mandantes guardariam em seus próprios cofres", escreveu. Fora de linha Procurado na tarde de ontem, Kireeff não atendeu o celular para comentar por que o fato não foi trazido à tona antes. Tanto o Núcleo de Comunicação Social quanto o gabinete informaram que ele passou a tarde toda em reunião. O delegado adjunto Manoel Pelisson, que apura o caso, disse apenas que investiga um furto na casa do prefeito, mas que não daria mais informações enquanto o inquérito está em curso. Carne de carneiro temperada O Ministério Público de Peabiru (região central) deu dez dias de prazo para que o prefeito da cidade, Claudinei Antonio Minchio (PT), explique como foi adquirida e qual a destinação da carne de carneiro que foi encontrada temperada no interior de uma Kombi da Secretaria da Saúde do município mas que estava no pátio da Secretaria de Educação. Uma denúncia anônima alertou, na sextafeira, que um veículo da administração municipal levaria o produto para um churrasco particular. Prato típico O promotor de Justiça André Del Grossi Assumpção foi até o local, verificou e fotografou o carneiro temperado ao vinho, pronto para ser preparado. Servidores municipais informaram que o carro está cedido para a Secretaria de Administração e que a carne havia sido trazida para preparação do prato típico da cidade em determinada reunião governamental, em Curitiba. Se, após a entrega dos documentos, considerar que houve irregularidade, abrirá inquérito para apurar possível infração político-administrativa. Para o Salão de Turismo Procurada, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Peabiru negou que a carne tenha sido servida em churrasco particular. De acordo com o órgão, o carneiro temperado ao vinho foi levado para Curitiba para o 20º Salão Paranaense de Turismo, realizado no sábado. O prato típico da cidade representaria a

14 Comunidade dos Municípios de Campo Mourão (COMCAM) na 10ª Mostra das Regiões Turísticas do Paraná. Foram adquiridos 78 quilos de carneiro a um custo aproximado de R$ 1.400, com recursos da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Turismo. O rendimento foi de 280 porções, degustadas pelos visitantes. Feriado da Copa A Assembleia Legislativa (AL) do Paraná aprovou ontem, por unanimidade, o envio de um requerimento à Câmara Municipal de Curitiba (CMC) sugerindo que os vereadores se manifestem contrariamente à realização de feriados na capital nos quatro dias de jogos da Copa do Mundo na cidade. A CMC marcou para o dia 24 de março uma audiência pública justamente com a intenção de discutir o tema. Segundo o presidente da Casa, Valdir Rossoni (PSDB), que assina o texto, caso o feriado seja aprovado, haverá "grande prejuízo" às atividades relativas ao comércio e a todo o setor produtivo da capital. O tucano também argumenta que a população como um todo terá serviços públicos somente em escala de plantão, o que afetaria a maioria dos moradores. Caso Fabio Camargo é adiado pela 3ª vez no TJ Desembargador que havia pedido vista do processo tira licença; Órgão Especial deve retomar votos dentro de duas semanas Mariana Franco Ramos, Reportagem Local Curitiba - O Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná adiou ontem, pela terceira vez seguida, o julgamento do agravo regimental do conselheiro afastado do Tribunal de Contas (TC) Fabio Camargo, filho do ex-presidente do TJ Clayton Camargo. Desta vez, a interrupção se deu devido à ausência do magistrado Luís Carlos Xavier, que na reunião anterior havia pedido vista. A expectativa é que o processo volte à pauta em duas semanas, no próximo encontro contencioso do colegiado. Até o momento, o placar segue em dois votos a favor e nove contrários ao retorno do ex-deputado. O grupo é composto por 25 magistrados. Segundo o presidente do TJ, Guilherme Luiz Gomes, Xavier pediu licença do Judiciário dos dias 14 a 20 de março, motivo pelo qual não pôde explicar ontem as divergências que diz ter encontrado no mérito da ação. O desembargador deve apresentar seus argumentos no dia 31 de março. Caso ele não compareça novamente, o julgamento terá continuidade mesmo sem o voto do magistrado. Nada impede, contudo, que outro membro do Órgão Especial peça vista e atrase mais uma vez a análise. Camargo tenta voltar ao TC desde novembro de 2013, quando a relatora Regina Portes julgou procedente o mandado de segurança de um dos candidatos derrotados na eleição, Max Schrappe. Na peça, ele cita a existência de supostas irregularidades no pleito, como ausência de quórum qualificado no primeiro turno e inconsistência na apresentação da documentação exigida. O desembargador José Augusto Gomes Aniceto também já pediu vista do processo, no dia 3 de fevereiro. Diferentemente de Xavier, porém, na reunião seguinte, do dia 17, ele tornou público seu voto a favor do ex-parlamentar, argumentando não existir "interesse processual" ou "legitimidade ativa" por parte do impetrante. Já o desembargador D Artagnan Serpa Sá alegou suspeição. Fabio Camargo tentou reverter a decisão de Regina Portes no próprio TJ, em dezembro do ano passado, entretanto, teve seu pedido negado pelo desembargador Ruy Costa Sobrinho. O conselheiro afastado nega todas as acusações.

15 MP pede transferência de condenados do mensalão Promotoras de Justiça não teriam ficado satisfeitas com a resposta do governo do Distrito Federal sobre supostas regalias Folhapress Brasília - O Ministério Público (MP) do Distrito Federal pediu na última sexta-feira à Justiça que os condenados do processo do mensalão sejam transferidos para presídios federais. Segundo a reportagem apurou, as promotoras consideraram não ter sido satisfatória a resposta do governo do Distrito Federal, comandado pelo PT, sobre supostas regalias concedidas aos condenados no sistema prisional da capital federal. Em uma primeira manifestação sobre o caso, em fevereiro, o Ministério Público afirmou que os supostos privilégios aos presos do mensalão representavam uma situação que feria "frontalmente o princípio constitucional da isonomia" e o funcionamento do sistema prisional pela instabilidade gerada no local. Entre outras coisas, as promotoras listavam visitas fora dos dias previstos e alimentação diferenciada. Na ocasião, o Ministério Público pedia o fim das regalias e, caso isso não ocorresse, que os presos fossem transferidos. A Justiça então pediu para o governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), para responder em 48 horas se já havia iniciado uma investigação interna para apurar o caso. Na resposta, Agnelo afirmou que o juiz da VEP (Vara de Execuções Penais) do Distrito Federal, Bruno Ribeiro, fez afirmações falsas "sem qualquer indício da prática de atos ilegais e ilegítimos" e sugeriu que a conduta do juiz fosse apurada. Com isso, o Ministério pede agora diretamente que os presos do mensalão sejam transferidos para presídios federais. A manifestação foi enviada à Defensoria Pública na própria sexta-feira. Após uma posição da Defensoria sobre o pedido, a Vara de Execuções decidirá se os presos no processo do mensalão realmente precisam ser transferidos. Se a resposta for positiva, a VEP comunicará o Supremo Tribunal Federal, que dará a palavra final sobre o assunto. Foto O governo do Distrito Federal abriu hoje sindicância para apurar o vazamento à imprensa de imagens de presos do mensalão publicadas pela revista "Veja" neste final de semana. A reportagem mostra imagens do ex-ministro José Dirceu (PT) e do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, além de apontar supostas regalias para Dirceu no presídio. O governo do DF nega a existência de regalias e afirma que vai apurar apenas como foram feitas imagens dentro do presídio, já que é proibida a entrada de aparelhos eletrônicos e celulares. Operação da PF prende doleiro de Londrina e mais 23 Suspeito de lavagem de dinheiro, grupo teria movimentado até R$ 10 bilhões Rodrigo Batista, Equipe Bonde, Com Agência Estado Curitiba - A Polícia Federal (PF) prendeu ontem quatro doleiros, considerados membros de grandes grupos acusados de lavagem de dinheiro, que teriam movimentado até R$ 10 bilhões. As investigações, que duraram nove meses, enfocaram mercado de câmbio, distribuidoras de valores e importação e exportação com empresas de fachada. Um dos doleiros presos é Alberto Youssef, de Londrina, que teve também o hotel Blue Tree Towers, cuja edificação está em seu nome, bloqueado pela PF. Na operação, denominada Lava Jato, a PF prendeu, além dos quatro doleiros, outras 20 pessoas. Foram cumpridos 81 mandados de busca e 15 de condução coercitiva. Durante o dia de ontem, foram apreendidos R$ 5 milhões, além de 25 veículos, todos com valor superior a R$ 100 mil, joias, quadros de pintores renomados e documentos.

16 Os trabalhos da PF ocorreram em 17 cidades do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Mato Grosso, além de Brasília. A prisão de Alberto Youssef ocorreu em São Luís (MA). Mais de cem contas bancárias utilizadas pelos doleiros para movimentar o dinheiro foram bloqueadas, o que pode revelar mais dinheiro envolvido no caso. A operação não havia terminado até o fechamento da edição. O balanço final deve ser divulgado hoje pela corporação. Investigação Segundo o delegado da PF Márcio Anselmo, que coordenou as investigações, os trabalhos começaram com a suspeita sobre um grupo que movimentava dinheiro em mercado de câmbio e outras operações financeiras há 10 anos. "Para a lavagem de dinheiro, eles utilizavam uma tipologia clássica, que era uma rede de lavanderias e postos de combustíveis, para mesclar valores obtidos com a atividade do comércio com o que era obtido no mercado paralelo de câmbio", explicou. Porém, os desdobramentos levaram a outros três grupos que também fazem operações fraudulentas e criminosas, como extração ilegal e venda de pedras preciosas e desvio de recursos públicos. Os grupos, segundo o delegado, dependiam um do trabalho do outro. Segundo a PF, a movimentação fraudulenta de recursos variava de acordo com o doleiro investigado. O ex-sócio da operadora Bônus-Banval, Enivaldo Quadrado, condenado ao cumprimento de penas alternativas no processo do mensalão, está entre os presos na Operação Lava Jato. Investigação terá novas frentes Curitiba - Depois de desmantelar as atividades dos doleiros, os casos serão investigados à parte, pois envolvem vários crimes, como tráfico de drogas. A Polícia Federal também trabalha para descobrir quem eram os clientes dos doleiros. Não está descartada a participação de políticos. Entretanto, nenhum foi preso até agora nesta operação. As investigações devem se desdobrar em várias frentes. "O objetivo desta operação foi estancar essa atividade dos doleiros", destacou o delegado da PF, Márcio Anselmo. Sobre os hotéis que foram objetos de sequestro, eles fazem parte de uma espécie de segunda fase da investigação da PF. "Esta é a forma que os doleiros usavam para lavar os recursos que eles aferiram nesses períodos. É o fruto do trabalho deles", explicou Anselmo. O delegado esclarece que os imóveis pertenciam aos doleiros e não têm relação com as redes hoteleiras. Em nota, a rede hoteleira Blue Tree Towers, que administra o Blue Tree Towers Londrina, esclarece que o local funciona normalmente e que forneceu todos os documentos necessários à PF. A rede, que possui hotéis em várias cidades, esclarece ainda que não tem ligação com o objeto de investigação e que pretende colaborar no que for necessário. Os presos chegaram ontem a Curitiba, onde devem permanecer detidos e prestar depoimento. Ainda de acordo com o delegado, os doleiros já atuaram em fraudes em outras ocasiões, algumas delas de grande repercussão, como a que resultou no caso Banestado e na Operação Farol da Colina, há dez anos.(r.b.) Caso Iguaçu faz um ano com expectativa sobre sócio oculto Clientes e trabalhadores veem única chance de ressarcimento com a inclusão de empresário como um dos donos de construtora, investigada por irregularidades Fabio Galiotto, Reportagem Local Um ano após denúncia feita ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sobre suspeita de estelionato na venda de imóveis residenciais pela

17 Iguaçu do Brasil em Londrina, clientes e trabalhadores lesados no caso apostam na inclusão de um suposto sócio oculto da construtora como única chance de conseguir ressarcimento. As ações na Justiça sobre o caso ainda estão em fase inicial e o prejuízo é estimado em até R$ 100 milhões. A Iguaçu, que tinha à frente o ex-prefeito de Mandaguari Carlos Alberto Campos de Oliveira, foi denunciada por um grupo de clientes e de pessoas que venderam terrenos para a construção de condomínios horizontais. Diante do início das obras em uma área ainda não quitada pela empresa, eles se reuniram com o promotor Cláudio Esteves no dia 18 de março de 2013, para alertar sobre a suspeita de irregularidades. Oliveira e mais quatro foram presos sob acusação de crime contra as relações de consumo e estelionato, entre outros. Eles ficaram 30 dias na cadeia e foram soltos, mediante fiança. Com o andamento do caso, o número de indiciados chegou a oito. Ainda sob investigação, o empresário Guidimar dos Anjos Guimarães e a empresa Guidimar Guimarães Consultoria e Desenvolvimento de Negócios foram envolvidos no caso no fim do ano passado, ele como suposto dono de 55% da construtora. Os advogados de Guimarães negam a relação e dizem que ele apenas emprestou dinheiro a Oliveira (leia mais nesta página). O primeiro indício da ligação de ambos é uma declaração de Oliveira, datada de 6 de setembro de 2013, de que Guimarães seria sócio da Iguaçu. Os outros são um trocado entre a filha de Guimarães, arquiteta contratada para trabalhar em uma obra da construtora, e o testemunho de um gerente de obras de que teria sido contratado pela Iguaçu há cinco anos, dentro de escritório de Guimarães na avenida Higienópolis. A defesa contesta todas as relações. Expectativa Na esfera cível, o promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, afirmou que prefere não se pronunciar para não prejudicar a análise do caso. Na criminal, o promotor Jorge Barreto disse que foi aberto um inquérito criminal para cada empreendimento e que o primeiro já chegou à Justiça, mas que já foram ouvidas somente testemunhas de acusação. O problema é que houve troca de delegados no Gaeco, o que atrasou as outras ações em alguns meses. Os indiciados podem ser condenados por formação de quadrilha, falsidade ideológica, crime contra as relações de consumo e estelionato diversos, com pena cumulativa que pode passar de 15 anos. "Alguns são primários e podem ter penas reduzidas, mas Oliveira não é", afirmou Barreto. Pelo lado trabalhista, o advogado do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Londrina (Sintracom), Jorge Custódio, contou que são cerca de 100 trabalhadores, que têm a receber de R$ 500 a R$ 1 milhão, juntos. "Tínhamos a expectativa de que se resolvesse com a inclusão do sócio oculto na ação trabalhista, mas um juiz suspendeu a tramitação do processo", disse. Um dos porta-vozes dos cerca de 300 clientes lesados no caso, Eduardo Tomasetti afirmou que a esperança do grupo é que Guimarães seja considerado como sócio oculto da Iguaçu. "Se ele for enquadrado, todos vão receber o que é correto porque ele é uma pessoa de muitas posses", disse. Ele teme, porém, que o processo se arraste na Justiça por décadas. Advogado de Guimarães aponta desvio de foco O advogado Leandro Alfieri, que representa Guidimar Guimarães na esfera cível no caso Iguaçu do Brasil, afirma que Carlos Alberto Campos de Oliveira, apontado como dono da construtora, procura alguém com patrimônio para pagar as contas que fez. Ele diz que o cliente apenas fez empréstimos para a Iguaçu. Alfieri afirma que impetrou uma ação de execução de cobrança judicial contra Oliveira, no valor de R$ 1,674 milhão, emprestado em 27 notas promissórias.

18 "Guimarães foi envolvido bem depois de o Carlos Alberto (Oliveira) ter sido preso, em declaração particular que o Carlos Alberto fez em cartório." Oliveira foi o responsável por indicar um interessado na compra de um terreno de Guimarães em Maringá e, com o negócio fechado, pediu os empréstimos. "O Ministério Público qualificou Carlos Alberto como estelionatário de repetidos processos, enquanto Guidimar sempre foi referência de qualidade na construção civil", diz, ao lembrar que o cliente construiu mais de 30 prédios em Londrina, todos entregues. O advogado Caio Biasi, que representa Guimarães na esfera trabalhista, cita que os empréstimos foram declarados pelo cliente à Receita Federal e diz que os filhos foram contratados por Oliveira para facilitar a obtenção de mais recursos. Sobre o gerente de obras da construtora que teria sido contratado em escritório de Guimarães, Alfieri afirma que o ex-funcionário tem interesse, porque move ação trabalhista contra a Iguaçu. O advogado de Oliveira, Joel Coimbra, foi procurado e disse não se pronunciar sobre o caso fora dos tribunais. (F.G.) O Diário do Norte do Paraná Prefeitura recebe em média duas queixas contra som alto por dia Murilo Gatti Desde a implantação do serviço, em 2004, a Ouvidoria Municipal já recebeu reclamações contra som alto, numa média de 2,4 queixas por dia. Quem reclama geralmente também procura o Ministério Público, que desde o ano passado intensificou a cobrança de ações efetivas por parte da administração municipal para coibir os excessos. No mês passado, a prefeitura passou a fiscalizar as irregularidades relacionadas aos estabelecimentos que não possuem alvará para oferecer apresentação de música ao vivo aos clientes, e 17 bares que não cumpriam a legislação foram notificados. A fiscalização é constante e vai continuar em toda a cidade. Para que o comércio seja interditado, antes é feita uma notificação. A prefeitura estabelece um prazo para as adequações e depois o fiscal retorna para verificar se as mudanças foram executadas. Qualquer sanção é feita somente após a notificação, assim como as multas, explicou o diretor de Fiscalização do município, Marco Antônio Azevedo. Dos 17 bares notificados, apenas um chegou a ser interditado, por não fazer as mudanças solicitadas pelos fiscais. Outros três bares procuram se regularizar para alterar o alvará, o que vai possibilitar o uso de equipamentos de som. Os demais ainda não procuraram a Diretoria de Fiscalização para fazer o Relatório de Impacto de Vizinhança (RIV) e alterar o alvará. A ação da prefeitura tem causado reclamações entre donos de bares e lanchonetes e de músicos que tocavam nestes locais. Ontem à noite, eles realizaram uma reunião no Jardim Alvorada, onde está localizada a maior parte dos estabelecimentos notificados. No encontro estava prevista a preparação de propostas para serem apresentadas na manhã de hoje na Câmara Municipal, onde vai ser realizado um Fala Comunidade com os músicos e proprietários de bares, restaurantes e lanchonetes que trabalham com atrações musicais. O objetivo da reunião é debater o assunto e tentar estudar possibilidades de alterações na legislação para atender os músicos sem prejudicar a população, que reclama do excesso de barulho. Atualmente, no que se refere à utilização de som com amplificação (que possa incomodar a vizinhança), a lei determina que a exploração da

19 atividade só seja realizada com alvará específico e a adaptação do ambiente com o necessário revestimento acústico, que é cobrado para eliminar ou minimizar a incidência sonora no ambiente externo. Os estabelecimentos que cumprem a legislação obtém o alvará de funcionamento e podem explorar a atividade, desde que apresentem RIV, que exige a concordância dos vizinhos. Horto Florestal de Maringá tem drenagem concluída Murilo Gatti A Prefeitura de Maringá e a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP) vão discutir hoje, a partir das 14 horas, em reunião no Gabinete do Prefeito, o futuro do Horto Florestal. A construção dos gabiões foi concluída e atende parcialmente a sentença judicial que determina a recuperação da área. O secretário Municipal de Meio Ambiente, Umberto Crispim, afirma que a expectativa em relação ao encontro é a melhor possível, e lembrou que qualquer decisão sobre a doação da área ao município ou a abertura ao público pela própria companhia depende da empresa. Esperamos que eles (CMNP) arrumem a solução, que é o horto aberto à visitação, assim como defende a campanha de O Diário, da qual sou signatário. O advogado Erik Guedes Navrocky, que será o representante da CMNP - proprietária do horto - na reunião, afirma que o objetivo da companhia é, primeiramente, resolver a questão judicial. Queremos exaurir este assunto, cumprir todas as obrigações e começar a avaliar a possibilidade de uma eventual apuração de danos e indenizações. Só após estas definições, segundo Navrocky, é que a companhia vai analisar qual será a destinação da reserva. Não vamos nos apressar para o próximo passo, mas permanece o interesse de que tudo volte a caminhar. Existe o intuito da companhia de devolver a área para a utilização da população. Não sabemos o caminho, se pela via pública ou privada, mas precisamos terminar com nossa obrigação com o processo. É preciso esclarecer que a área ainda está sob judice, considerou. Na tarde de ontem, o promotor do Meio Ambiente José Lafaiete Barbosa Tourinho esteve no local à convite da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Ao menos em relação à contenção da erosão, entendo que houve avanço. Mas solicitei ao Ministério Público a nomeação de um engenheiro para verificar, do ponto de vista técnico, se é o suficiente, disse. O juízo da 2ª Vara da Fazenda Pública também deve nomear um perito judicial para analisar as obras realizadas e se o que foi feito atende à sentença. O ponto fundamental é saber se foi atingido o resultado esperado para recuperação do dano e o que o poder público pode fazer, avaliou Tourinho. O promotor também lembrou que existe a possibilidade de ser cobrada indenização da empresa e da prefeitura pelos danos coletivos causados. A drenagem do horto foi contratada por R$ 3,8 milhões e consistiu na construção de dois gabiões (canais feitos com malha de aço e pedras) em forma de Y, que reduzem a velocidade da enxurrada até o encontro com o Córrego Borba Gato, que nasce na área. O Horto Florestal está fechado há dez anos. Em 2013, O Diário criou a campanha Eu Quero o Horto Aberto para cobrar a abertura da reserva à visitação sustentável. Petição A campanha do jornal O Diário "Eu Quero o Horto Aberto" recebeu até ontem o apoio de pessoas, por meio de um abaixo-assinado eletrônico. Desde março de 2013, quando a campanha foi lançada, o jornal tem acompanhado as ações da prefeitura e da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP) para cumprir a

20 sentença que determina a recuperação da área, o que é fundamental para garantir que, após dez anos, a reserva possa ser aberta à visitação sustentável Operação da Polícia Federal em 17 cidades prende doleiro de Londrina Alexandre Sanches A Polícia Federal (PF) prendeu ontem, no Maranhão, o doleiro Alberto Youssef, de Londrina, como parte de resultado da operação Lava Jato, desencadeada para desarticular organizações criminosas de lavagem de dinheiro. Também foi determinado o sequestro do prédio onde funciona o Hotel Blue Tree, em Londrina, do qual o doleiro seria um dos sócios. Os agentes da PF realizaram buscas na casa de Youssef em Londrina e em São Paulo, e em uma empresa dele na capital paulista. Até o final da manhã de ontem, 24 mandados de prisão haviam sido cumpridos pela Polícia Federal. Também foram apreendidos veículos de luxo e R$ 5 milhões, e autorizados sequestros de bens. Cerca de 400 policiais federais atuaram no cumprimento de 81 mandados de busca e apreensão, 18 de prisão preventiva (sem prazo legal de detenção) e dez de temporária, além de 19 mandados de condução coercitiva. A ação foi desencadeada em 17 cidades do Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Distrito Federal. No Paraná também estão sendo desenvolvidas ações em Curitiba, onde estão concentradas as informações da operação, São José dos Pinhais e Foz do Iguaçu. Os mandados de prisão e busca e apreensão foram expedidos pela Justiça Federal no Paraná. De acordo com informações da PF, foram cumpridas ordens de sequestro de imóveis de alto padrão, além da apreensão de patrimônio que teriam sido adquiridos por meio de práticas criminosas. Também foram bloqueadas contas e aplicações bancárias. De acordo com informações fornecidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF/MF) e obtidas pela Polícia Federal, os grupos investigados registraram comunicações de operações financeiras atípicas num montante que supera os R$ 10 bilhões. No grupo suspeito estão alguns dos principais personagens do mercado clandestino de câmbio no Brasil, responsáveis pela movimentação financeira e lavagem de ativos de várias pessoas envolvidas com crimes como tráfico internacional de drogas, corrupção de agentes públicos, sonegação fiscal, evasão de divisas, contrabando de pedras preciosas e desvio de recursos públicos. A operação foi denominada Lava Jato porque um dos grupos fazia uso de uma rede de lavanderias e postos de combustíveis para movimentar os valores oriundos de práticas criminosas. Como a ação não tinha hora para terminar, o resultado final deve ser divulgado hoje pela PF. Saiba Mais Em 2004, Alberto Youssef foi denunciado pelo Ministério Público Federal por crimes contra o sistema financeiro e condenado a sete anos em regime semiaberto e ao pagamento de uma multa equivalente a salários mínimos. Então proprietário da Youssef Câmbio e Turismo, ele havia sido indiciado por crimes contra a ordem tributária e contra o sistema financeiro (evasão de divisas, manutenção de contas ilegais no exterior e falsa identidade para operações de câmbio), formação de quadrilha e falsidade ideológica. O doleiro também enfrentou investigações do Ministério Público de Maringá por suspeita de envolvimento em esquema de desvio de dinheiro público do município na gestão de Jairo Gianoto ( ). Em valores atualizados, o esquema do qual participou também o ex-secretário de Fazenda Luiz Antônio Paolicchi (morto em 2011) desviou de R$ 500 milhões.

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