RESUMO DA AVALIAÇÃO DE IMPACTO

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2 COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS Bruxelas, SEC(2009) 815 DOCUMENTO DE TRABALHO DOS SERVIÇOS DA COMISSÃO que acompanha a COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU E AO CONSELHO Demonstração da captura e armazenagem geológica de carbono (CCS) em países em desenvolvimento de economia emergente: financiamento do Projecto UE/China para centrais a carvão com emissões quase nulas RESUMO DA AVALIAÇÃO DE IMPACTO {COM(2009) 284 final} {SEC(2009) 814}

3 RESUMO 1. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA: QUAL É EXACTAMENTE O PROBLEMA, QUEM É MAIS AFECTADO E POR QUE RAZÃO É NECESSÁRIA A INTERVENÇÃO DOS PODERES PÚBLICOS? Tanto os países desenvolvidos quanto os países em desenvolvimento precisam de actuar no sentido de reduzirem as suas emissões de gases com efeito de estufa, a fim de concretizar o objectivo de limitar o aumento da temperatura média mundial a menos de 2ºC relativamente aos níveis pré-industriais. A análise da Comissão Europeia indica que, num cenário de emissões compatível com o objectivo de 2ºC, cerca de 18% de produção total de energia a partir de combustíveis fósseis teria de ser equipada com sistemas de CCS até Integrada com outras tecnologias com baixas emissões de carbono, a implantação de sistemas CCS em países emergentes e em países em desenvolvimento dependentes de combustíveis fósseis poderia desempenhar um papel fundamental na prossecução de um desenvolvimento mundial sustentável. Contudo, num cenário de manutenção do statu quo (ou seja, sem assistência adicional por parte do sector público e sem um acordo internacional ou políticas nacionais que definam um preço de mercado para o carbono), os sistemas CCS não serão demonstrados à escala comercial fora dos países da OCDE e a sua implantação em grande escala não será por conseguinte viável, a nível mundial, num prazo comensurável com a necessidade de reduzir as emissões totais em pelo menos 50 % até Sem o desenvolvimento, demonstração, difusão e implantação de sistemas CCS a nível mundial, a luta contra as alterações climáticas poderá ser significativamente mais dispendiosa. Os diferentes componentes do processo CCS já estão operacionais, mas o desafio consiste em combinar todos estes elementos para permitir a implantação comercial de sistemas CCS no sector da energia. Há muitos entraves à demonstração e à subsequente implantação e difusão das tecnologias CCS nos países em desenvolvimento. A disponibilização de financiamentos públicos pode ajudar a superar alguns desses entraves e potenciar financiamentos privados que de outro modo não seriam feitos. A demonstração pode promover uma melhor compreensão das questões técnicas, metodológicas, políticas, jurídicas, ambientais e de aceitação pública, bem como das questões financeiras associadas, facilitando por conseguinte uma melhor avaliação de até que ponto se poderá confiar nos sistemas CCS como uma das futuras tecnologias-chave de limitação dos efeitos negativos. Uma experiência de demonstração com resultados positivos melhorará a percepção dos riscos, facilitará a continuação das acções de demonstração com vista à implantação e difusão destes sistemas e diminuirá os seus custos. 2. ANÁLISE DA SUBSIDIARIEDADE: A ACÇÃO DA UE É JUSTIFICADA POR MOTIVOS DE SUBSIDIARIEDADE (NECESSIDADE E VALOR ACRESCENTADO DA ACÇÃO DA UE)? Dada a escala do problema e dos custos envolvidos, a acção dos Estados-Membros a título individual não terá provavelmente o impacto desejado. Em 2005, a UE e a China comprometeram-se a desenvolver e a demonstrar, na China e na UE, tecnologias avançadas de utilização do carvão que garantam emissões quase nulas, através de sistemas de captura e 2

4 armazenagem de carbono. O desenvolvimento e implantação dos sistemas CCS na China e noutras economias emergentes seriam significativamente retardados sem a assistência dos países desenvolvidos. O compromisso da UE, associado à assistência tecnológica e financeira, constitui uma oferta única, que poderá ajudar a maximizar o potencial das CCS nos países de economia emergente. Devido à liderança europeia nas políticas e tecnologias de combate às alterações climáticas e ao enorme potencial de redução das emissões na China, dada a elevada taxa de expansão do seu parque de centrais eléctricas a carvão, a Europa e a China têm uma oportunidade única de trabalhar em conjunto no desenvolvimento e demonstração das tecnologias CCS, com vista à sua implantação futura. Esses objectivos integram-se da Parceria UE/China sobre as alterações climáticas, criada em A China adoptou um programa nacional para as alterações climáticas (CNCCP), em Junho de 2007, que refere especificamente o desenvolvimento de tecnologias para a CCS. A publicação de orientações tecnológicas específicas para as CCS está prevista para OBJECTIVOS DA INICIATIVA DA UE: QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS OBJECTIVOS POLÍTICOS? O objectivo político geral da UE é: limitar o aumento da temperatura média à superfície do globo a menos de 2ºC relativamente aos níveis pré-industriais, o que exige, por sua vez, que emissões mundiais de gases com efeito de estufa (GEE) atinjam o seu máximo até 2020, o mais tardar, e sejam reduzidas em pelo menos 50 % relativamente aos níveis de 1990 até 2050, continuando depois a diminuir. A fim de contribuir para esse processo, o objectivo específico desta política é: facilitar a rápida implantação das tecnologias CCS nos em desenvolvimento de economia emergente, a fim de obter os máximos benefícios públicos destas tecnologias (redução das emissões de GEE, melhor qualidade do ar), à medida que forem passando da fase de demonstração para a fase de implantação, de aumentar a experiência e as economias de escala e de reduzir os custos, utilizando inicialmente a China como caso de estudo. Os objectivos operacionais são os seguintes: quantificar o financiamento adicional necessário para uma instalação-piloto de demonstração em grande escala dos sistemas CCS na China, assumindo a inexistência de um preço mundial para o carbono ou de outros incentivos, a fim de permitir uma demonstração mais rápida do que aconteceria em condições normais de mercado. disponibilizar financiamentos através de um modelo de financiamento viável para a demonstração dos sistemas CCS na China, associando o financiamento público e 3

5 privado, como exemplo concreto de cooperação tecnológica e financeira entre países em desenvolvimento e países desenvolvidos, no contexto das negociações internacionais sobre as alterações climáticas. dados os recursos limitados do orçamento comunitário, determinar uma repartição entre os financiamentos públicos e privados, de modo a potenciar ao máximo os financiamentos públicos, repartição essa que deverá ser avaliada no quadro dos sistemas de financiamento acima descritos. 4. OPÇÕES POLÍTICAS: QUE OPÇÕES FORAM ANALISADAS E QUAIS DESSAS OPÇÕES FORAM AVALIADAS EM PORMENOR? As opções analisadas para o financiamento da demonstração dos sistemas CCS em países de economia emergente foram: a) nenhuma participação, b) financiamento exclusivamente por fundos públicos e c) criação de uma parceria público-privada. No contexto da última opção, foram analisados três modelos: empresa comum, tratado internacional ad hoc segundo o modelo do ITER e criação de um veículo para fins especiais (Special Purpose Vehicle, ou SPV). 5. AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS: QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS IMPACTOS ECONÓMICOS, AMBIENTAIS E SOCIAIS? A fim de avaliar o montante dos investimentos e do financiamento público/privado necessários para assegurar uma rentabilidade adequada para os investidores privados, a literatura e as estimativas existentes do custo de uma instalação de demonstração dos sistemas CCS à escala comercial foram analisadas (tendo em conta que nunca foi construída nenhuma dessas instalações) e utilizadas como base para os cálculos específicos. O capital adicional e os custos operacionais ao longo de um tempo de vida de 25 anos para essa instalação de demonstração pioneira de 400 MW 1 são estimados em cerca de 730 milhões de euros para uma instalação de ciclo combinado com gaseificação (aproximadamente 125 milhões de euros em custos de capital, 340 milhões de euros em custos operacionais e 265 milhões de euros em custos de transporte e armazenagem 2 ) e cerca de 980 milhões de euros para uma central alimentada a carvão pulverizado (aproximadamente 235 milhões de euros em custos de capital, 445 milhões de euros em custos operacionais e 300 milhões de euros em custos de transporte e armazenagem 3 ). Ao longo desse período, será de esperar um reforço do mercado global de carbono e a definição de um preço doméstico para o carbono em todas as economias mais importantes. Assumindo um preço de carbono de 10 euros/tonelada de CO 2 em 2015, aumentando gradualmente para 20 euros/tonelada, o diferencial de financiamento é estimado em aproximadamente 300 milhões de euros para uma instalação CCGI e em 550 milhões de euros para uma central alimentada a carvão pulverizado. A análise de sensibilidade mostrou que os custos estimados poderão variar na gama Expressos em valor líquido actual, em 2010, ao longo dos 4 anos de construção e dos 25 anos de funcionamento, utilizando uma taxa de desconto social de 2,5 % (líquida de inflação). Inclui os custos de capital e os custos operacionais ao longo de 25 anos, a 7 /tonelada de CO 2 armazenada. Inclui os custos de capital e os custos operacionais ao longo de 25 anos, a 7 /tonelada de CO 2 armazenada. 4

6 dos +/- 40%, em função da tecnologia específica a utilizar e dos locais de construção/armazenagem escolhidos. Não é possível no quadro da presente avaliação de impacto, nem é esse o objectivo político imediato, avaliar toda a gama de impactos da implantação dos sistemas CCS na China. Tentouse, isso sim, avaliar os impactos, em particular financeiros, da utilização de uma combinação de financiamentos públicos e privados para apoiar os objectivos políticos da UE e extrapolar depois esses impactos para um universo mais alargado, sempre que possível. A presente análise está centrada num projecto de demonstração que, por si só, não será susceptível de conduzir a uma importante e e imediata redução das emissões, nem a benefícios económicos imediatos. Por outro lado, os impactos directos em termos sociais e de emprego serão provavelmente muito limitados, dada a escala também limitada dos projectos de demonstração CCS. Em termos genéricos e a grande escala, os impactos ambientais dos sistemas CCS materializamse numa melhor qualidade local do ar e em menores concentrações atmosféricas globais de gases com efeito de estufa, com os benefícios económicos e para a saúde que decorrem da menor exposição à poluição atmosférica e da redução dos impactos negativos em termos de alterações climáticas. Os problemas físicos da potencial fuga de CO 2 poderão ser evitados através de técnicas adequadas de selecção do local para a instalação, de modelação e de seguimento. Os principais impactos da eventual participação da China numa primeira vaga de demonstração dos sistemas CCS a nível mundial decorrem do benefício da experiência e das vantagens que advêm da condição pioneira em termos de redução das emissões futuras e de evitar uma situação de dependência do carbono que entrave a emergência de outras tecnologias (o chamado carbon lock-in). O projecto de demonstração dos sistemas CCS e o veículo financeiro de apoio foram concebidos partindo do pressuposto de que o carbono irá ter um valor, na China e noutros países emergentes e países em desenvolvimento, que terá em conta o seu preço total para a sociedade. 6. COMPARAÇÃO DAS OPÇÕES: QUAL É A OPÇÃO PREFERIDA E QUAIS FORAM OS CRITÉRIOS/A JUSTIFICAÇÃO PARA ESSA PREFERÊNCIA? Para reunir os financiamentos necessários e reduzir ao mínimo a pressão sobre os orçamentos públicos, a figura da parceria público-privada foi identificada como a opção mais adequada para financiar um projecto de demonstração dos sistemas CCS na China. Foram analisados 3 modelos de parceria público-privada: um SPV, uma empresa comum ao abrigo do artigo 171.º do Tratado CE ou o modelo de Tratado Internacional ad hoc já utilizado para estabelecer a colaboração para a concepção e construção de um reactor de fusão experimental, no quadro do ITER. O SPV (ou outro veículo de investimento semelhante) foi identificado como o modelo mais adequado. As potenciais receitas futuras do mercado de carbono seriam um incentivo para que o sector privado invista no SPV. 5

7 7. SEGUIMENTO E AVALIAÇÃO: QUAIS SÃO OS MECANISMOS PARA O CÁLCULO DOS CUSTOS E BENEFÍCIOS CONCRETOS DA REALIZAÇÃO DOS EFEITOS DESEJADOS? O desempenho do SPV seria objecto de seguimento e de procedimentos de gestão dos riscos e de garantia da conformidade, para assegurar o cumprimento da legislação e das orientações pertinentes. O SPV seria criado com uma estrutura de governação própria, de modo a garantir que o seguimento e controlo da correcta aplicação das decisões de investimento ou desinvestimento sejam confiados à entidade apropriada (p. ex.: um comité de investimento ou um Conselho de Administração). A contribuição do orçamento comunitária para o veículo de investimento seria proveniente do Programa Temático «Ambiente e recursos naturais (ENRTP)». A cooperação com a China no domínio dos sistemas CCS, sob os auspícios do ENRTP, seria objecto de seguimento em conformidade com as disposições habituais do instrumento de financiamento da cooperação para o desenvolvimento. 6

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