PROGRAMA DE ACÇÃO COMUNITÁRIO RELATIVO À VIGILÂNCIA DA SAÚDE PROJECTO DE PROGRAMA DE TRABALHO (Art. 5.2.b da Decisão Nº 1400/97/CE)

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1 PROGRAMA DE ACÇÃO COMUNITÁRIO RELATIVO À VIGILÂNCIA DA SAÚDE PROJECTO DE PROGRAMA DE TRABALHO (Art. 5.2.b da Decisão Nº 1400/97/CE) 1. INTRODUÇÃO As actividades da União Europeia no domínio da saúde pública necessitam de apoiar-se em informações de elevada qualidade, eficazmente analisadas e adequadamente apresentadas aos que tomam decisões ou que as influenciam. A vigilância da saúde constitui uma componente essencial do ciclo político, que vai da formulação de políticas até à sua execução e avaliação, passando pelo planeamento. As informações sobre vigilância da saúde na União Europeia irão igualmente ajudar os Estados-membros a desempenhar as suas próprias responsabilidades em matéria de saúde pública, ao proporcionar-lhes informações comparativas. A razão principal para se dispor de um Programa de Acção relativo à vigilância da saúde reside no desenvolvimento e no intercâmbio de indicadores de saúde pública comparáveis, fiáveis e adequados, bem como das estruturas necessárias ao intercâmbio dos dados pertinentes. O programa deverá aproveitar a experiência acumulada pelos Estados-membros e actuar como uma força de coordenação entre eles. O objectivo do programa de acção é contribuir para a criação de um sistema comunitário de vigilância da saúde que permita: avaliar o estado, as tendências e os factores determinantes relativos à saúde em toda a Comunidade; facilitar o planeamento, o acompanhamento e a avaliação dos programas e das acções da Comunidade; fornecer aos Estados-membros informações sanitárias apropriadas que permitam comparar e apoiar as políticas nacionais de saúde. O actual quadro global da vigilância da saúde na Europa foi desenvolvido de forma gradual. Foram várias as organizações que contribuíram para este desenvolvimento, com base nas suas próprias políticas específicas. O desenvolvimento foi incluído em muitas ordens de trabalho diferentes e as diversas iniciativas nem sempre foram coordenadas da melhor forma. Esta situação teve as seguintes consequências: os Estados-membros comunicam dados a um grande número de organismos, o que implica múltiplos relatórios; existe uma duplicação de esforços que é desnecessária; - 1 -

2 a comparabilidade dos dados e das informações entre países é frequentemente limitada e, por vezes, de qualidade média ou fraca; existem lacunas significativas nos dados disponíveis relativamente a um número importante de doenças. Neste contexto, tornou-se cada vez mais importante concentrar os esforços dos inúmeros e diferentes agentes em matéria de vigilância da saúde na Europa, por forma a aumentar a sua qualidade e o seu valor. Simultaneamente, é evidente que os futuros esforços no domínio da vigilância da saúde na Europa devem basear-se nos dados e nas competências disponíveis, em especial a nível nacional, mas também a nível internacional. Esta função do programa foi definida no texto da Decisão adoptada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho (Nº 1400/97/EC). Assim, o programa foi estruturado principalmente em torno de três pilares, que tratam de diversos aspectos dos elementos acima mencionados, contendo igualmente elementos integradores: pilar A trata do estabelecimento de indicadores de saúde comunitários, incluindo a selecção de dados e informações relevantes para intercâmbio entre os Estados-membros, a Comissão e as organizações internacionais, bem como do trabalho conceptual e metodológico relacionado com o processo que permita a comparabilidade dos dados e a identificação e o desenvolvimento de indicadores adequados; pilar B trata do desenvolvimento de uma rede a nível comunitário para a partilha e a transferência de dados de saúde entre Estados-membros, Comissão e organizações internacionais; pilar C trata do desenvolvimento dos métodos e instrumentos necessários às análises e aos relatórios, assim como ao apoio a análises e relatórios sobre o estado, as tendências e os factores determinantes relativos à saúde e o impacto das políticas sobre a saúde. Como consequência, os principais agentes do programa são a Comissão e os Estados-membros, incluindo as instituições responsáveis nos Estados-membros. No entanto, as organizações internacionais, outros organismos como as ONG, os institutos de investigação, os consultores, etc. podem participar na realização de acções específicas. 2. ORÇAMENTO PARA 1998 A rubrica orçamental B3-4306, relativa à vigilância da saúde, foi aprovada pelas autoridades orçamentais, ascendendo a 2,3 milhões de ecus em EXECUÇÃO DO PROGRAMA Visto ser essencial a participação dos Estados-membros, a Comissão tem de assegurar a execução do programa em estreita cooperação com os Estados-membros. O comité do programa assistirá a Comissão na identificação das principais tarefas e subtarefas

3 Comunicação do programa de trabalho O programa de trabalho é publicado no Jornal Oficial das Comunidades Europeias, por forma a ajudar os potenciais agentes a orientar a sua programação e a elaborar propostas no quadro do calendário estabelecido para este programa. Além disso, pode recorrer-se a convites à apresentação de propostas e a concursos específicos em certos domínios prioritários, de modo a assegurar o desenvolvimento nestes domínios. Avaliação de projectos A avaliação de projectos continua a fazer parte integrante de todas as acções levadas a cabo no âmbito deste programa. A avaliação deve incluir o nível e a dimensão da execução nacional e comunitária pretendida. As propostas devem referir adequadamente a forma como os resultados irão ser utilizados a nível dos Estados-membros e da Comunidade. Dar-se-á particular ênfase à avaliação da forma como os projectos beneficiam, na prática, a União Europeia e os seus cidadãos, tal como sublinhado neste programa. Calendário das propostas: 15 de Maio e 15 de Outubro de 1998 Análise anual Elaborar-se-á anualmente um relatório onde serão incluídos resumos das propostas de projectos recebidas e as acções programadas nas propostas aceites para financiamento com base numa reunião anual dos responsáveis pelos projectos, bem como relatórios dos projectos já executados no âmbito do programa. 4. PRIORIDADES PARA Generalidades Serão apoiados projectos coordenados a nível europeu. O programa permitirá ainda a participação de Estados não membros elegíveis. Os projectos deverão referir a forma como foi definida a necessidade de informação, como a informação e os dados irão ser recolhidos e o que se pretende fazer para os tornar comparáveis, bem como a forma como irão ser utilizados. Serão considerados projectos a todos os níveis: local, regional ou nacional. Será dada prioridade aos que envolvam a maioria de todos os Estados-membros, quando não todos. O programa não deverá aumentar, mas sim ajudar a reduzir os encargos relacionados com a transmissão da informação e melhorar a qualidade da informação e dos dados trocados. Para alcançar este objectivo, as acções apoiadas devem contribuir para: melhorar os procedimentos de recolha de dados de saúde comunitários, incluindo as acções necessárias para obter dados pertinentes e para conseguir uma comparabilidade internacional, e as informações necessárias para se poder calcular um conjunto prioritário de indicadores comunitários a partir desses dados (Pilar A); estabelecimento de mecanismos de intercâmbio de dados (Pilar B); início de análises de problemas de saúde específicos (Pilar C). A maioria das prioridades específicas pode ser agrupada nos 3 pilares do programa. Todavia, pode também ser dada prioridade à investigação e ao desenvolvimento integradores nos seguintes domínios: análises das necessidades de informação e formas de as resolver; análises das disposições existentes em matéria de informação sanitária e estudos relacionados com a execução da vigilância da saúde na União Europeia; - 3 -

4 outros projectos considerados especialmente importantes para facilitar a instituição de uma vigilância sanitária permanente na União Europeia. Pilar A : Estabelecimento de indicadores de saúde comunitários O objectivo das acções deste pilar consiste em estabelecer indicadores de saúde comunitários comparáveis, através de uma análise crítica dos dados e dos indicadores de saúde existentes, do desenvolvimento de metodologias para a obtenção de dados e indicadores de saúde comparáveis e do desenvolvimento de métodos adequados para a recolha de dados de saúde progressivamente comparáveis, necessários ao estabelecimento desses indicadores. As acções deverão conduzir ao estabelecimento de um conjunto de Indicadores Comunitários, conforme sublinhado na Decisão nº 1400/97/CE, que adopta o programa de vigilância da saúde. O Anexo II deste programa enumera um vasto leque de domínios em que se podem estabelecer indicadores de saúde. O mais útil será orientar os esforços iniciais no sentido da identificação e da selecção de um conjunto principal de indicadores-chave. Este basear-se-á nas prioridades das políticas da Comunidade e dos Estados-membros. A selecção de indicadores principais necessitará ainda de incluir critérios como a incidência da doença e o seu impacto sobre a saúde e o âmbito de intervenções rentáveis. Os dados necessários basear-se-ão fundamentalmente no Anexo II do programa de vigilância da saúde, incluindo medidas relacionadas com: estado de saúde, mortalidade (p. ex.: dados derivados de estatísticas sobre causas de morte); estado de saúde, morbilidade para certas doenças (p. ex.: dados de registos de inquéritos à população); estado de saúde, genérico (p. ex.: auto-percepção da saúde, dados de inquéritos); determinantes do estado de saúde, modos de vida (p. ex.: dados de inquéritos); determinantes do estado de saúde, condições de vida e de trabalho, incluindo medidas de carácter ambiental e de privação (p. ex.: dados de registos, etc.); protecção da saúde (p. ex.: recursos, consumo, despesas; dados de inquéritos e de registos); factores demográficos (p. ex.: idade, sexo, etc., dados a recolher juntamente com as categorias acima referidas nos respectivos registos e inquéritos). A disponibilidade e a qualidade dos dados de saúde varia em função dos diferentes domínios enumerados no Anexo II. Em alguns destes domínios já se iniciaram acções comunitárias destinadas a identificar a disponibilidade e a comparabilidade, tendo em vista melhorar a qualidade dos dados. As acções que vão ser levadas a cabo no âmbito deste programa de acção deverão basear-se no trabalho existente ou ser lançadas em domínios onde não existam acções comunitárias ou onde as que existirem forem insuficientes. Todas as acções deverão ter em conta a metodologia e as actividades desenvolvidas em outras instituições. As acções concentrar-se-ão essencialmente no desenvolvimento de indicadores e dos dados necessários ao desenvolvimento desses indicadores, em especial nos domínios da mortalidade, da morbilidade e dos recursos sanitários. Realizar-se-ão ainda acções relacionadas com a recolha de dados por meio de inquéritos. Entre as prioridades, incluem-se: 1. As acções relativas à mortalidade deverão concentrar-se na melhoria da fiabilidade das estatísticas das causas de morte

5 2. Quanto à morbilidade, as acções deverão, primeiramente, orientar-se para a elaboração de um inventário das fontes nacionais existentes para estatísticas representativas da morbilidade. Devem desenvolver-se métodos com vista à criação de indicadores comunitários comparáveis sobre morbilidade e, assim, incluir propostas para a recolha de dados comparáveis provenientes de inquéritos, registos ou de outros meios baseados em análises das necessidades em termos de informação. 3. Quanto aos dados de inquéritos à saúde, deverá fomentar-se o desenvolvimento e o apoio à recolha periódica de dados e a acções cujo objectivo seja aumentar a comparabilidade dos dados principais. Estes dados incluiriam medidas sobre o estado e as determinantes da saúde. 4. No domínio dos cuidados de saúde, são necessários dados comparáveis sobre utilização, despesas e recursos dos cuidados de saúde, o que exige um sistema adequado de classificação baseado em conhecimentos das diferenças existentes entre os sistemas de cuidados de saúde dos Estados-membros, conforme indicado nos trabalhos efectuados por diversas instituições. Pilar B : Criação de uma rede a nível comunitário para a partilha de dados relativos à saúde O objectivo específico consiste em permitir a criação de um sistema eficaz e fiável para a transferência e a partilha de dados e indicadores de saúde, utilizando principalmente o intercâmbio telemático de dados. O sistema terá um carácter descentralizado e inclusivo, dando a todos os participantes o mesmo acesso aos mesmos dados. Os Estados-membros optaram por introduzir no sistema dados em bruto não discriminados, o mais antigos possível. O sistema deverá conter estruturas para utilização de indicadores previamente calculados ou para calcular indicadores com base em dados em bruto não discriminados, por forma a tratar e processar rapidamente grandes quantidades de dados. A introdução e a partilha de dados serão reguladas por: disposições aplicáveis à transmissão dos dados de saúde e à sua conversão e por disposições relativas às especificações de conteúdo, necessárias à criação e ao funcionamento da rede, que terá de ser preparada e aprovada durante a execução do programa de vigilância da saúde. Considerou-se que, no programa de vigilância da saúde, o projecto IDA-HIEMS era o meio principal a utilizar no intercâmbio de dados, tendo sido iniciado pela Comissão em Após um longo período, em que o conceito original foi adaptado à filosofia descrita, o sistema está actualmente a ser desenvolvido. Espera-se que esteja operacional em 1999, com base nos dados de ensaio. É muito importante prosseguir o desenvolvimento do sistema para prover às necessidades de todos os agentes do programa de vigilância da saúde, sem esquecer o trabalho realizado no âmbito dos pilares A e C. Para o efeito, o trabalho relativo ao pilar B será dividido em pacotes com tarefas complementares às da infra-estrutura do sistema, levadas a cabo no âmbito do programa comunitário IDA. O pacote de trabalho para 1998 incluirá as seguintes tarefas: 1 Análise e consenso sobre medidas de segurança física e de integridade da rede, sobre o procedimentos de acesso, tendo em conta as diferentes legislações nacionais que limitam o acesso a dados relacionados com a saúde, e sobre as estruturas de transmissão de mensagens e modelos de intercâmbio entre serviços nacionais de saúde. 2 Estudo e recomendações respeitantes ao mecanismo de navegação e recuperação de bases de dados relacionadas com a saúde, incluindo um sistema da CE de indexação de palavras-chave, por forma a melhorar o processo de busca e de recuperação

6 Pilar C : Análises e relatórios Estas acções têm por objectivo desenvolver os métodos e os instrumentos necessários para as análises e os relatórios sobre o estado de saúde, o impacto das políticas sobre a saúde, as tendências e os factores determinantes no domínio da saúde. Quanto ao estado de saúde e aos relatórios, será dada prioridade ao desenvolvimento de uma metodologia sólida e dos instrumentos necessários para determinar e transmitir informações sobre o estado de saúde na Comunidade, bem como ao estabelecimento de um processo de informação sobre o estado de saúde que garanta a participação dos Estados-membros. Terão de ser determinados os procedimentos e os critérios para a selecção de tópicos e para as contribuições necessárias. Terão ainda de ser criadas estruturas adequadas de trabalho com os peritos dos Estados-membros. Com base nestas disposições, devem ser preparados e divulgados periodicamente relatórios sobre o estado da saúde na Comunidade. Estão já a ser elaborados relatórios sobre o estado da saúde dos migrantes e dos jovens. Quanto às consequências das outras políticas para a saúde, a prioridade consiste em desenvolver uma metodologia sólida e os instrumentos necessários para analisar o impacto das políticas num determinado domínio, numa medida política específica ou num grupo de medidas políticas sobre a saúde. O objectivo é criar um processo de avaliação do impacto das políticas comunitárias sobre a saúde, tanto a nível da Comunidade como dos Estados-membros, incluindo o acompanhamento da evolução em áreas políticas relevantes, que identifique e analise as partes atribuíveis à Comunidade e aos Estados-membros. Quando necessário, terão de ser criadas estruturas de trabalho com os peritos dos Estados-membros. Com base nestas disposições, terão de ser periodicamente preparados e divulgados relatórios sobre a integração dos requisitos de protecção da saúde nas políticas comunitárias. Quanto às tendências e aos factores determinantes no domínio da saúde, a prioridade reside no desenvolvimento de metodologias sólidas para a avaliação ex-ante das medidas, dos cenários e dos resultados em matéria de saúde. Examinar-se-ão questões de equidade e desigualdade na saúde. O desenvolvimento de capacidades de análise concentrar-se-á inicialmente em estruturas e metodologias de avaliação das intervenções no domínio da saúde e no estabelecimento de um sistema de informação sobre principais tendências e desenvolvimentos nos sistemas de saúde e respectivas prioridades. Quando necessário, terão de ser criadas estruturas de trabalho que incluam a participação de peritos dos Estados-membros. Com base nestas disposições, será necessário elaborar e divulgar relatórios, quando tal se revelar adequado

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