Mapas de acessibilidade como uma ferramenta de auxílio no deslocamento de pessoas com mobilidade reduzida

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1 Mapas de acessibilidade como uma ferramenta de auxílio no deslocamento de pessoas com mobilidade reduzida Rayanne Seidel Correia de Paula Cardoso 1 Sara Lemos Pinto Alves 2 Pamela Márcia Dionisio 3 Beatriz Cristina Pereira de Souza 4 Paulo Márcio Leal de Menezes 5 1 Universidade Federal do Rio de Janeiro 2 Universidade Federal do Rio de Janeiro 3 Universidade Federal do Rio de Janeiro 4 Universidade Federal do Rio de Janeiro 5 Universidade Federal do Rio de Janeiro RESUMO Com o rápido e intensivo crescimento das cidades, o tema da acessibilidade por muitas vezes é posto de lado, culminando num total despreparo das vias e espaços em geral para atender às necessidades de uma porcentagem expressiva de pessoas com mobilidade reduzida. Para tanto, a elaboração de mapas de acessibilidade é uma ferramenta eficaz para auxiliar no deslocamento mais autônomo dos cidadãos, através das informações de pontos e rotas com maior ou menor acessibilidade. Portanto, objetivo deste trabalho é estudar as aplicações das geotecnologias especificamente na geração de mapas de acessibilidade, que através da espacialização visual dos fenômenos que interferem na acessibilidade, identificam as áreas problemáticas e informam sobre pontos críticos, dando suporte aos seus usuários para que haja um deslocamento mais amplo, fomentando a inclusão social das pessoas com mobilidade reduzida. Os mapas foram divididos em duas categorias: institucionais e colaborativos. Na primeira categoria incluem-se os mapas produzidos por instituições gerais ou que atendam diretamente aos deficientes físicos. E na categoria dos mapas colaborativos, foram incluídos os aplicativos que coletam as informações de forma virtual a partir de seus usuários que as inserem. Para tanto, foi feito inicialmente uma revisão bibliográfica sobre projetos já concluídos e outros em andamento, e também de artigos científicos de diferentes disciplinas sobre o mapeamento da acessibilidade. Em seguida, foi feita a seleção de aplicativos colaborativos e a análise de cada um deles. Por fim, fez-se uma comparação entre os mapas institucionais e colaborativos, apontando as especificidades de cada um e suas potencialidades para auxiliar no deslocamento. Palavras chaves: Mapas de Acessibilidade, Webmap. 1

2 ABSTRACT The purpose of this article is to study the geotechnology applications that were used to generate accessibility maps. These maps show informations about the different accessibility grades in the space, where it is possible to identify areas with obstacles or the ones that are completely free, helping the users to walk further. For the research, the accessibility maps were divided into two categories: Institutional maps and collaborative maps. Keywords: Accessibility Map, Webmap. 1. INTRODUÇÃO Com o rápido e intensivo crescimento das cidades, o tema da acessibilidade por muitas vezes é posto de lado, culminando num total despreparo das vias e espaços em geral para atender às necessidades de uma porcentagem expressiva de pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida, visto no gráfico abaixo feito a partir dos dados do Censo IBGE, 2010: População Total Deficiência Visual Deficiência Motora Deficiência Visual e Motora Gráfico 1 - Número de pessoas com Deficiência Visual e Motora na população brasileira - Censo IBGE, Além disto, há outros fatores que prejudicam a acessibilidade nestas vias e espaços, como as diferenças no grau de acessibilidade e em sua manutenção, as rotas externas isoladas entre si (ou seja, quando há espaços acessíveis, mas sem conexão de fácil acesso entre eles) e a não vivência anterior do espaço (pois a falta de informação pode diminuir o interesse de um indivíduo em deslocar-se até um determinado lugar), o que dificulta na locomoção de forma autônoma gerando uma exclusão sócio-espacial. Em seu artigo, SILVA et al (2011) esclarece ainda que: As precárias condições de acessibilidade nas ruas e calçada são vistas em diversas cidades brasileiras, o que afeta grande parte da população, principalmente as pessoas com necessidades especiais. A questão da mobilidade agrava-se quando não se tem planejamento urbano e quando há conflito entre mobiliário urbano e pedestre ou equipamento urbano e pedestre, intensificando a disputa entre espaços e fluxos. (p. 51) Sendo assim, os mapas de acessibilidade são uma ferramenta importante de auxílio no deslocamento de pessoas com mobilidade reduzida, ao indicar pontos no espaço com ou sem obstáculos ou o seu grau de acessibilidade, de forma que, mesmo sem a vivência anterior do espaço, as pessoas consigam se locomover com maior facilidade ao escolher pontos e traçar rotas que permitem o seu deslocamento mais autônomo a partir da visualização das informações nestes mapas. Portanto, o objetivo desta pesquisa foi o de estudar as aplicações das geotecnologias especificamente na geração destes mapas, tanto nos que foram produzidos colaborativamente quanto os que foram produzidos por instituições, para ter um panorama inicial de como estes mapas podem ser uma ferramenta de auxílio no deslocamento de pessoas com mobilidade reduzida. Para o desenvolvimento do estudo, primeiramente recorreu-se a uma revisão bibliográfica que abordasse o tema da acessibilidade e dos mapas. Em seguida, foram selecionados os artigos sobre o desenvolvimento de mapas institucionais e os aplicativos de mapeamento colaborativo de acessibilidade, que foram analisados primeiro individualmente para ressaltar as características comuns de cada tipo de mapeamento, para então se fazer uma análise comparativa entre eles. 2

3 2. MAPAS DE ACESSIBILIDADE Os mapas de acessibilidade são aqueles que têm por objetivo indicar pontos no espaço com ou sem obstáculos ou o seu grau de acessibilidade. Isto permite que uma pessoa com mobilidade reduzida permanente ou temporária consiga selecionar pontos que são mais favoráveis ao seu deslocamento. Segundo Picceli et al Um dos objetivos dos mapas da acessibilidade é de fornecer informações a todas as pessoas, atingindo um público bastante variado, independente da condição física ou habilidades incomuns. A partir disto, utilizamos três conceitos fundamentais para a elaboração e compreensão dos mapas de acessibilidade, sendo todos eles propostos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), através da NBR 9050 que estabelece as normas técnicas para acessibilidade. O primeiro conceito é o de acessibilidade, que define o objeto do mapa e é descrita como a possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de edificações, espaço, mobiliário e equipamentos urbanos. (ABNT, NBR 9050, 1994, n 3.1, p.2); Em seguida, temos o conceito de pessoa com mobilidade reduzida, que serão os usuários finais do mapa (no caso dos mapas institucionais) ou ainda também seus elaboradores (no caso dos mapas colaborativos) e são aquela que, temporária ou permanentemente, tem limitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo. Entendese por pessoa com mobilidade reduzida, a pessoa com deficiência, idosa, obesa, gestante entre outros. (ABNT, NBR 9050, 1994, n 3.32, p.4); E por fim, o conceito de desenho universal, que é aquele que visa a atender a maior gama de variações possíveis das características antropométricas e sensoriais da população. (ABNT, NBR 9050, 1994, n 3.15, p.2). O desenho universal é visto tanto na elaboração dos mapas, que buscam inserir um maior número de informações possíveis para atender estas variações, e como um objetivo final do mapeamento, que é o de promover uma ampliação na utilização do espaço, o que levará a uma diminuição da exclusão sócio-espacial. Para realização da pesquisa, os mapas de acessibilidade estudados foram divididos em duas categorias: os mapas institucionais, que foram elaborados por grupo de pesquisa em universidades, e os mapas colaborativos, que são os aplicativos móveis com mapas interativos que permitem ao usuário inserir informações sobre a acessibilidade de um local. 2.1 Institucional A tabela abaixo indica quais foram os mapas de acessibilidade institucionais que foram analisados na presente pesquisa, os quais foram elaborados por universidades: TABELA 1 MAPAS DE ACESSIBILIDADE COLABORATIVOS Instituição Título Autores UFF Arborização e Acessibilidade em Calçada: Comentários Sobre o Deslocamento entre Campi da Universidade Federal Fluminense. UFMG UFRJ O processo de mapeamento da acessibilidade no campus da UFMG. Acessibilidade nos espaços de ensino público: desenho universal na UFRJ possível ou utópico? SILVA, F. F.; FIDELIS, M. E. A.; CASTRO, P. F ; PICCELI, A. F. B.; GRENFELL, C. F. P; GUIMARÃES, M. P. DUARTE, C. R. de S; COHEN, R. Uma característica comum aos mapas institucionais é a utilização de uma base normativa para avaliação da acessibilidade em cada um dos pontos, a NBR 9050 que estabelece os parâmetros necessários para que um espaço seja acessível ou não. Estes mapas também possuem uma abrangência espacial restrita, se comparada aos mapas colaborativos, pois por se tratarem de pesquisas científicas especificam a área de estudo como sendo o campus de sua universidade, assim como foi feito na UFRJ no trabalho de DUARTE e COHEN (2004). Quanto aos temas, o mapa elaborado para a UFF é o mais específico pois aborda como tema a questão da arborização como obstáculo ao deslocamento entre os campi, mas que apesar de ser restrito, gera um conhecimento significativo ao apresentar um estudo mais profundo entre o tema de mapeamento e a sua relação com a acessibilidade. Os mapas institucionais reportam ainda diversos problemas quanto à acessibilidade da área de estudo, como ocorre também nos artigos sobre a acessibilidade da UFRJ e da UFMG, que além do aumento no conhecimento científico, podem auxiliar na identificação de áreas que necessitam de uma intervenção urbanística e arquitetônica para se adequar às normas. Uma outra comparação que pode ser feita em relação aos mapas colaborativos, é que os mapas institucionais não são facilmente acessíveis, pois durante a pesquisa, geralmente os artigos não apresentavam a versão final dos mapas de acessibilidade, o que dificulta a utilização por um número maior de usuários. 3

4 2.2 Colaborativos A tabela abaixo indica os mapas de acessibilidade colaborativos com links que estavam ativos até o desenvolvimento deste artigo: TABELA 2 MAPAS DE ACESSIBILIDADE COLABORATIVOS Aplicativo Link Temas WheelMap Localidades Comuns WheelMate Banheiros; Estacionamentos Os mapas colaborativos foram assim denominados por inserirem a visão dos usuários sobre os pontos, pois sua plataforma interativa permite que ao usuário inserir e avaliar as informações dentro do mapa. Percebeu-se que isto pode ocorrer de duas formas: ou com informações simples sobre presença ou ausência de obstáculos, ou com a qualificação destas informações, categorizando os pontos de acordo com um graus de acessibilidade que variam entre ótimo, moderado e péssimo. Com isto, há a geração de uma maior área de cobertura de pontos conforme novos usuários cadastram dados no sistema, diferentemente do que acontece com os mapas institucionais que necessitam focalizar em áreas menores para o estudo. Sendo assim, com a colaboração dos dados pode-se aumentar as áreas já mapeadas assim como iniciar a inserção de dados em outras que não tinham pontos anteriormente. Porém, infelizmente há poucos pontos mapeados no Brasil, visto que além destes aplicativos terem uma quantidade pequena de download, eles não tem uma versão em português, o que pode dificultar a utilização destes no país. Outra dificuldade encontrada durante o desenvolvimento da pesquisa foi a indisponibilidade de links de alguns dos aplicativos que foram inicialmente estudados, quando foi realizado um acesso mais recente. E em comparação com os mapas institucionais, os mapas colaborativos tem uma facilidade maior de acesso, visto que todos eles estão disponíveis para a plataforma móvel, o que torna a informação acessível em áreas com cobertura de internet disponível, e podem também ser acessados a partir de um computador. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS A espacialização visual dos fenômenos que interferem na acessibilidade por meio dos mapas, identificam as áreas mais favoráveis ao deslocamento de indivíduos com mobilidade reduzida, permitindo uma maior autonomia no deslocamento e promovendo a inclusão social no espaço. Entretanto há algumas dificuldades encontradas para que os mapas de acessibilidade sejam uma ferramenta mais eficaz, como a dificuldade do acesso aos mapas institucionais e o número baixo de downloads (e a não disponibilização dos aplicativos em português para os usuários brasileiros) dos mapas colaborativos. Porém a análise feita neste trabalho mostrou que os mapas de acessibilidade têm um grande potencial para facilitar o acesso de pessoas com mobilidade reduzida a diversos espaços, melhorando a autonomia de seu deslocamento, principalmente quando utilizados os mapas colaborativos devido a expansão das aplicações de mapeamento para dispositivos móveis que geram informações rápidas e com facilidade de acesso, permitindo ainda que o usuário apresente sua visão de acessibilidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas, Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, NBR 9050, In: DUARTE, C. R. de S; COHEN, R. Acessibilidade nos espaços de ensino público: desenho universal na UFRJ possível ou utópico? In: NUTAU 2004: Demandas Sociais, Inovações Tecnológicas e a Cidade, 2004, São Paulo. Anais NUTAU 2004: Demandas Sociais, Inovações Tecnológicas e a Cidade, DUARTE, Cristiane Rose, COHEN, Regina and Del Rio, Vicente.. Sustainable Development and Accessibility in Brazil: Universal Design at the Campus of the Federal University of Rio de Janeiro. In proceedings of the Designing for the 21st Century: An International Conference on Universal Design, Versão Online 4

5 PICCELI, A. F. B.; GRENFELL, C. F. P; GUIMARÃES, M. P. O processo de mapeamento da acessibilidade no campus da UFMG. V Seminário Sociedade Inclusiva Disponível em: RESENDE, A. P. C de; Todos na cidade o direito a acessibilidade das pessoas com deficiência física em Uberlândia p. Tese (Doutorado em Geografia) Instituto de Geografia, Universidade Federal de Uberlândia. SILVA, F. F.; FIDELIS, M. E. A.; CASTRO, P. F ; Arborização e Acessibilidade em Calçada: Comentários Sobre o Deslocamento entre Campi da Universidade Federal Fluminense. REVSBAU, Piracicaba SP, v.6, n.3, p.43-63, Disponível em: 5

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