No mês de fevereiro foram divulgadas as estatísticas das principais economias mundiais. Cabe ressaltar ainda, o efeito negativo da crise na Ucrânia nos mercados internacionais, uma vez que o grau de tensão nos mesmos se elevou. No mercado doméstico, o destaque foi a divulgação do Produto Interno Bruto que registrou crescimento de 2,3% em 2013. A taxa ficou acima do previsto pelo mercado, mas não a ponto de minar as desconfianças acerca da condução da politica econômica. Foram divulgados também os dados das contas de todo o setor público, que incluem o governo, os estados, municípios e empresas estatais. O Banco Central informou que houve um superávit primário de R$ 19,9 bilhões em janeiro. Outro destaque foi o aumento da taxa Selic de 10,50% para 10,75%. Este é o oitavo aumento consecutivo, todavia o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu o ritmo da alta de 0,50 p.p. para 0,25 p.p. e não se comprometeu com o fim do ciclo, deixando a porta aberta tanto para mais algum ajuste quanto para a manutenção da taxa básica no encontro de abril. ECONOMIA INTERNACIONAL Nos Estados Unidos, o rigoroso inverno afetou razoavelmente a atividade econômica, com os indicadores econômicos surpreendendo negativamente. A economia dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 2,4% no último trimestre de 2013, conforme a segunda prévia para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do período. Inicialmente, a expansão estimada era de 3,2%. Em 2013 completo, o PIB dos Estados Unidos cresceu 1,9%. Outros dados que tiveram influências do frio foi o mercado de trabalho. Mais uma vez, as fortes nevascas nos Estados Unidos atrapalharam a procura por trabalho em fevereiro, contribuindo para a elevação da taxa de desemprego, que passou de 6,6% em janeiro para 6,7% em fevereiro. Mesmo com dados econômicos fracos, o Fed americano continuou a sinalizar que o processo de redução de compra de ativos continuará, mostrando confiança na recuperação econômica, e especialmente na redução do desemprego. Na Europa, a atividade econômica reage em ritmo moderado. O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro cresceu 0,3% no último trimestre de 2013, após expansão de 0,1% nos três meses antecedentes. Na União Europeia, houve crescimento de 0,4% entre outubro e dezembro do ano passado, na sequência de um avanço de 0,3% no terceiro trimestre de 2013. Os números ligeiramente mais fortes do PIB do 4T13 compensaram o enfraquecimento mostrado pelos dados de alta frequência do varejo e indústria de dezembro e janeiro. A inflação de janeiro cresceu 0,8%, não representando surpresa. O crescimento do PIB europeu abaixo do potencial em 2014 (é esperado PIB de +1% no ano) sugere desaceleração da inflação futura, com razoável risco de deflação. Na Ásia, a economia japonesa fechou 2013 com uma expansão de 1,5%, um desempenho levemente superior a 2012 quando o PIB cresceu 1,4%. No quarto trimestre de 2013, o Produto Interno Bruto (PIB) do Japão cresceu 0,2%, abaixo do previsto por alguns economistas. O avanço do PIB em
2013 foi impulsionado pelos gastos dos consumidores, que respondem por cerca de 60% da economia. Os dados frustraram o mercado e preocupações com a recuperação econômica do Japão começaram a surgir entre os economistas. O Banco Central Japonês, no entanto, entende que ainda não é hora de ajustes na política monetária que deve seguir inalterada pelo menos até abril quando a alíquota do IVA (imposto sobre consumo) subirá de 5% para 8%. Na China, o crescimento econômico esbarra em seus limites, mas com riscos sistêmicos que ainda parecem controlados. O elevado grau de endividamento da economia chinesa, principalmente no setor corporativo, e o perfil da dívida de curto prazo mantem os mercados apreensivos. Os dados da balança comercial chinesa de fevereiro foram bastante fracos, mesmo quando ajustado sazonalmente (o feriado de Ano Novo Lunar que tradicionalmente ocorre em janeiro ocorreu em fevereiro neste ano). Os números de inflação também foram mais baixos no período. A desaceleração do crescimento chinês continua representando risco para o cenário econômico mundial e preços de commodities. ECONOMIA NACIONAL Atividade Econômica Foram divulgados os dados do Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 2013. No período o PIB cresceu 2,3%. A expansão do PIB resultou do aumento de 2,1% do valor adicionado a preços básicos e do crescimento de 3,3% nos impostos sobre produtos líquidos de subsídios. O resultado do valor adicionado neste tipo de comparação refletiu o desempenho das três atividades que o compõem: agropecuária (7,0%), indústria (1,3%) e serviços (2,0%). Pela ótica da oferta, a agropecuária foi a que mais cresceu em 2013. O avanço de 7% frente a 2012 é o maior crescimento do setor desde 1996. O resultado foi impulsionado pelo aumento na produção de soja, cana-de-açúcar, milho e trigo. Mas foi o segmento de serviços que teve a maior contribuição, em função do peso que tem na economia. Na indústria, destacou-se o crescimento da atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (2,9%), puxado pelo consumo residencial de energia elétrica. Já a extrativa mineral acumulou queda de 2,8%, influenciado pela queda na extração de minérios. A construção civil e a indústria de transformação cresceram 1,9% em relação a 2012. Na análise da demanda, o crescimento de 6,3% da formação bruta de capital fixo foi o destaque, puxado pelo aumento da produção interna de máquinas e equipamentos. A despesa de consumo das famílias cresceu 2,3%, sendo este o 10º ano consecutivo de crescimento. Tal comportamento foi favorecido pela elevação da massa salarial e pelo acréscimo do saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para as pessoas físicas. A despesa do consumo da administração pública aumentou 1,9%.
O setor externo, por outro lado, contribuiu negativamente para a economia em 2013, com impacto de -0,9 pontos percentuais, em função do aumento maior nas importações do que nas exportações, puxado pela importação de petróleo e gás natural. Esse fator foi o que mais contribuiu para o aumento de 8,4% nas importações em 2013. Em fevereiro, foram divulgados ainda os dados da produção industrial brasileira em janeiro de 2014. Houve crescimento de 2,9% em relação ao mês anterior na série com ajustes sazonais, acima da expectativa do mercado (2,5%). Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a produção industrial mostrou variação negativa de -2,4%, a segunda consecutiva. Deve-se ressaltar, no entanto, que o forte crescimento de janeiro conseguiu recuperar apenas cerca de 2/3 da intensa queda vista nos dois últimos meses de 2013 (-4,3% no acumulado desses meses na série dessazonalizada). O nível da produção industrial em janeiro ainda é mais baixo que o visto em todos os meses do ano de 2013, com exceção do de dezembro. O volume de vendas no varejo cresceu 0,4% em janeiro na comparação com o mês final de 2013, quando registraram queda de -0,2%, já descontados os efeitos sazonais. A maior parte da alta do comércio varejista restrito pode ser ligada ao aumento da massa salarial no começo do ano, que ocorreu devido ao reajuste do salário mínimo. O aumento nas vendas de artigos farmacêuticos e de supermercados e hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,0% M/M) está relacionado a isso. O balanço de pagamentos registrou superávit de US$ 2,9 bilhões em janeiro. As transações correntes foram deficitárias em US$ 11,6 bilhões, acumulando, nos últimos doze meses, déficit de US$ 81,6 bilhões, equivalente a 3,67% do PIB. A conta financeira apresentou ingressos líquidos de US$14 bilhões, destacando-se os investimentos estrangeiros diretos, US$ 5,1 bilhões, e os investimentos estrangeiros em carteira, US$ 2,7 bilhões. As reservas internacionais, no conceito liquidez, totalizaram US$ 377,21 bilhões em fevereiro, aumento de 1,71 bilhões em janeiro em relação ao estoque do mês anterior. A posição da dívida externa bruta estimada para janeiro totalizou US$ 311,3 bilhões, acréscimo de US$ 766 milhões em relação ao montante estimado para dezembro de 2013. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$ 279,9 bilhões, elevação de US$ 765 milhões, enquanto o estoque de curto prazo permaneceu estável em US$ 31,4 bilhões. A variação da dívida externa de longo prazo no período é explicada por captações líquidas de títulos tomados pelo setor financeiro de US$ 591 milhões e de empréstimos pelo setor não financeiro, US$ 505 milhões. A variação por paridades diminuiu o estoque em US$ 713 milhões. Expectativas e Sondagens O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas recuou -1,7% entre janeiro e fevereiro de 2014, ao passar de 108,9 para 107,1 pontos. Com o resultado, o índice manteve-se abaixo da média histórica pelo décimo segundo mês consecutivo e a tingiu o menor nível desde maio de 2009 (103,6 pontos). Em fevereiro, a queda do ICC foi influenciada principalmente pela piora das
avaliações sobre o momento presente: o Índice da Situação Atual (ISA) recuou -2,9% para 112,3 pontos, o menor desde julho de 2013. Já o Índice de Expectativas (IE) caiu -1,0%, ao passar de 105,6 pontos para 104,5 pontos, o mais baixo desde setembro de 2011 (104,1). Em fevereiro, o Índice de Confiança de Serviços (ICS) da Fundação Getúlio Vargas avançou 0,2% frente ao mês anterior, após redução de -0,9% em janeiro. O aumento do ICS em fevereiro não foi disseminado entre os segmentos do setor apenas três das doze atividades pesquisadas apresentaram aumento da confiança. O destaque ocorreu no segmento de serviços de informação, com avanço de 6,5% no indicador, influenciado, sobretudo, pela melhora da percepção sobre a situação presente. Entre os dois componentes do ICS, as expectativas (IE-S) permanecem pressionando negativamente a confiança com queda de -0,7%. O Índice da Situação Atual (ISA-S), por sua vez, continua positivo pelo quarto mês consecutivo, avançando 1,5% em fevereiro. O ICOM, calculado pela Sondagem Conjuntural do Comércio, pela FGV, evoluiu favoravelmente em fevereiro, ao registrar variação interanual trimestral de -1,2%, contra -1,6% no trimestre findo em janeiro. As perspectivas em relação aos meses seguintes ficaram relativamente estáveis: a taxa interanual trimestral passou de 1,4%, em janeiro, para 1,3%, em fevereiro. Já as percepções em relação à situação atual dos negócios evoluíram favoravelmente neste mês, embora ainda sinalizem um nível de demanda menos aquecido que o registrado no mesmo período de 2013. A variação interanual trimestral do Índice da Situação Atual (ISA-COM) passou de -5,5%, em janeiro, para -4,4%, em fevereiro. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getúlio Vargas recuou 1,0% entre janeiro e fevereiro de 2014, ao passar de 99,5 para 98,5 pontos, permanecendo abaixo da média histórica pelo 11º mês consecutivo. A queda decorre de piora tanto das avaliações sobre o presente quanto das expectativas em relação aos meses seguintes. O Índice da Situação Atual (ISA) caiu 1,3%, para 99,6 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) recuou 0,7%, para 97,4 pontos. A combinação de resultados mostra que o setor continua em ritmo lento no primeiro trimestre do ano e está pouco confiante em uma recuperação ao longo do primeiro semestre. O Índice de Confiança da Construção (ICST) da Fundação Getúlio Vargas apresentou melhora relativa pelo segundo mês consecutivo. a variação do ICST foi de -1,3% em fevereiro de 2014, uma melhora frente às variações de -5,0%, em dezembro de 2013 e -3,0% em janeiro de 2014, nas mesmas bases de comparação. Mercado de trabalho A taxa de desemprego subiu em janeiro de 2014 para 4,8% da população economicamente ativa (PEA) em seis das principais regiões metropolitanas brasileiras, ante 4,3% em dezembro de 2013 e 5,4% em janeiro de 2013. O desemprego registrado neste janeiro é o menor para meses de janeiro desde 2003. A população desempregada aumentou 9,6% em janeiro, na comparação com dezembro, para 1,2 milhão de pessoas, mas teve queda de -12,6% menor em relação a janeiro de 2013. A população ocupada, de 23,1 milhões de pessoas, teve queda de 0,9% em relação a dezembro e ficou estável na
comparação com janeiro do ano passado. A PME ainda informou que o rendimento médio real habitual ficou em R$ 1.983,80 em janeiro, o que representou avanço de 0,2% sobre dezembro, e alta 3,6% na comparação com janeiro de 2013. Os dados são da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A PME abrange as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Mercado Financeiro e Câmbio O Ibovespa sofreu seu quarto revés consecutivo, embora com variação mais suave que a queda de -7,5% em janeiro. O índice recuou -1,14% em fevereiro, para 47.094 pontos. Em um mês de forte volatilidade, em que o Ibovespa se aproximou da linha dos 45 mil pontos. Seguindo o caminho inverso do Ibovespa, as principais bolsas internacionais subiram. Nos EUA, o índice Dow Jones acumulou 3,97% de alta, o S&P500 4,26% e Nasdaq 4,74%. Na Europa, o DAX 30 da Alemanha subiu 5,04%, enquanto o CAC 40 da França subiu 6,76%. Na China, o Shanghai Comp subiu 1,13%. O índice Nikkei do Japão foi a exceção fechando em queda de -0,50%. O dólar, por sua vez, teve a primeira queda após quatro meses seguidos de apreciação em relação ao real. A moeda americana teve baixa nominal de -2,78%, cotada a R$ 2,34. Inflação e Taxa de Meta Atuarial O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de fevereiro apresentou variação de 0,69% e ficou 0,14 pontos percentuais acima da taxa de 0,55% registrada em janeiro de 2014. Em fevereiro do ano passado, o índice tinha avançado 0,60%. No acumulado do ano, houve aumento de 1,24%, abaixo da taxa de 1,47% de mesmo período de 2013. O resultado foi impactado fortemente pelo aumento das mensalidades dos colégios e, com isso, o grupo Educação, cuja alta atingiu 5,97%, foi responsável por 0,27 pontos percentuais do índice. Com o resultado de janeiro, o IPCA acumulou alta de 5,68% em 12 meses, superando os 5,59% de alta nos 12 meses anteriores. O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande e de Brasília. Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou variação de 0,64% em fevereiro com leve alteração em relação à taxa do mês anterior, de 0,63. Com isto, a variação acumulada no ano é de 1,27% e, em 12 meses, registrou elevação de 5,38%. O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 05 salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande e de Brasília.
A Taxa de Meta Atuarial (TMA) que é indexada ao indicador IPCA (IPCA + 6% a.a.) variou 1,15% no mês, acumulando 2,23% no ano. Já para os RPPS que possuem meta atuarial indexada ao INPC (INPC+6% a.a.), a variação mensal foi 1,10% e no ano 2,26%. : REFERÊNCIA SELIC IMA-B CDI POUPANÇA IPCA TMA / IPCA INPC TMA / INPC IBOVESPA Fechamento janeiro/14 0,8493 (2,5507) 0,8398 0,6132 0,5500 1,0628 0,6300 1,1432 (7,5116) fevereiro/14 0,7901 4,4390 0,7827 0,5540 0,6900 1,1567 0,6400 1,1065 (1,1419) março/14 abril/14 maio/14 junho/14 julho/14 agosto/14 setembro/14 outubro/14 novembro/14 dezembro/14 Acumulado 2014 1,6462 1,7752 1,6290 1,1706 1,2438 2,2318 1,2740 2,2623 (8,5678) Observações Importantes: I - O Emitente não é Analista de Valores Mobiliários, tampouco esta mensagem configura-se um Relatório de Análise, conforme definição da Instrução nº 483 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). II - Esta mensagem tem conteúdo meramente indicativo, não devendo, portanto, ser interpretada como um texto, relatório de acompanh amento, estudos ou análises sobre valores mobiliários específicos ou sobre valores mobiliários determinados que possam auxiliar ou influenciar investidores no processo de tomada de decisão de investimento. III - Investimentos ou aplicações em títulos e valores mobiliários envolvem riscos, podendo implicar, conforme o caso, na perda integral do capital investido ou ainda na necessidade de aporte suplementar de recursos. IV - As informações expressas neste documento são obtidas de fontes consideradas seguras, porém mesmo tendo sido adotadas precauções para assegurar a confiabilidade na data da publicação, não é garantida a sua precisão ou completude, não devendo ser considerada como tal.