Staphylococcus aureus

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Intoxicação Estafilocócica Agente causador: Staphylococcus aureus Staphylococcus aureus Uma das causas mais prevalentes de gastrenterites ao redor do mundo Intoxicação clássica ingestão de 1 ou mais toxinas estafilocócicas pré-formadas (SE) Associação estafilococos x doença de origem alimentar + de 1 século 1

Características Cocos Gram + típicos Parede celular composta por : peptideoglicano ácidos teicóicos Responsáveis pela colonização nasal (Weidenmaier et al., 2004) Características Família Micrococcaceae Microccoccus Planococcus Staphylococcus 23 espécies e sub-espécies várias produtoras de SEs Coagulase (+) ou (-) S. aureus - + comum causador de doença alimentar 2

Características gerais de algumas espécies de Staphylococcus SE (+) Isolado de alimentos envolvido em ETA (Khambaty et al., 1994) Fonte: JABLONSKI & BOHACH, 2001 Algumas carcterísticas diferenciais Características S. aureus S. epidermidis Micrococos Catalase + + + Coagulase + - - Termonuclease + - - Sens. lisostafina Util. anaerobia: + + - Manitol + - - Glicose + + + BAM, 2001 3

Características Cepas enterotoxigênicas - muito bem caracterizadas Fagotipagem >ria das produtoras de SEs Fagotipo I Fagotipo III não tipáveis Reservatório Habitat e distribuição Animais Mastite de bovinos Mucosas cavidade nasal humana olhos, garganta, trato intestinal Pele braços, mãos, face, feridas infectadas 4

Habitat e distribuição Reservatório Taxa de portadores humanos 40% 20% da população persistentemente portadora 60% intermitente 20% nunca portadora em crianças ocorre também em animais domésticos Habitat e distribuição Reservatório Taxa de portadores humanos Incidência em alimentos produtos de origem animal Próprio animal Equipamentos e utensílios produtos manipulados 5

Ecologia da multiplicação do S. aureus Não são bons competidores Ecologia da multiplicação do S. aureus Não são bons competidores Ocorre: competição por nutrientes modificações das condições ambientais antagonismo 6

Ecologia da multiplicação do S. aureus Antagonismo Principais antagonistas: Enterobacteriaceae Lactobacillaceae Bacillus Pseudomonas Aeromonas Acinetobacter, etc. Influência de fatores físicos e químicos T multiplicação 7-48 o C ótimo - 30-40 o C 7

Influência de fatores físicos e químicos T multiplicação 7-48 o C ótimo 30-40 o C T prod. toxina 10-46 o C ótimo 40-45 o C Influência de fatores físicos e químicos Termoresistência baixa para microrganismo toxina termoresistente 100 o C/30 Termorsistência depende de: ph [NaCl] Meio Tipo da toxina 8

Influência de fatores físicos e químicos Termoresistência ph multiplicação 4,0-9,8 ótimo - 6,0-7,0 prod. toxina - variável SEA menos sensível que SEB Influência de fatores físicos e químicos ph a w grande resistência 0,83-0,99 ótimo - > 0,99 a w mín p/produção de toxina 0,86 Inibe competidores Permite multiplicação do Sa 9

Influência de fatores físicos e químicos a w [NaCl] multiplicação - até 10% 0,935 a W produção toxina possível em 10% NaCl, ph>5,45 Influência de fatores físicos e químicos [NaCl] [NaNO 2 ] >[NaNO 2 ] < produção de toxina 10

Influência de fatores físicos e químicos [NaCl] [NaNO 2 ] [açúcar] 30-40 % glicose inibe crescimento produção de ácidos Influência de fatores físicos e químicos [NaNO 2 ] [açúcar] atmosfera envolvendo o alimento multiplicação e produção de toxina em aero ou anaerobiose 11

Influência de fatores físicos e químicos [açúcar] atmosfera envolvendo o alimento grande resistência a agentes químicos telurito cloreto de mercúrio azida de sódio neomicina polimixina Alimentos usualmente envolvidos em ETA Leite e creme de leite Doces de confeitaria Manteiga Queijos Presunto Embutidos Sanduíches recheados 12

Enterotoxinas Tipos 18 reconhecidos A - E (C 1, C 2, C 3 ), G R + U Toxina da síndrome do choque tóxico (TSST) não é enterotoxina 2003 Inicialmente designada como F Enterotoxinas Super antígenos Moléculas altamente potentes estimuladoras do sistema imune Estimulam a proliferação de linfócitos T não específicos Mecanismo bem conhecido 13

Enterotoxinas Super antígenos Enterotoxina potente Pouco se sabe sobre Forma de penetração via intestino Como causa intoxicação alimentar Enterotoxinas Super antígenos Enterotoxina potente Forma de atuação Liga-se ao nervo vago Estimula o centro do vômito 14

Enterotoxinas Freqüência de recuperação a partir de surtos Depende do país Nos USA SEA > SED > SEB > SEC No Brasil MG (2003 2004) SEA > SEB Para queijo minas SEB + importante Enterotoxinas Proteínas simples PM 30kDa Seqüência de aa similar Reação antigênica cruzada 15

Enterotoxinas Termorresistência SEC > SEB > SEA Enterotoxinas Termorresistência Resistentes a enzimas proteolíticas Pepsina Tripsina 16

Enterotoxinas Termorresistência Resistente a enzimas proteolíticas Produção favorecida em condições ótimas Enterotoxinas Termorresistência Produção favorecida em condições ótimas Fase exponencial Pequenas quantidades Final fase exponencial, início da estacionária > produção SEA e SED mais rapidamente produzidas que outras SEs Quantidade de SE produzida Cepa dependente SEB e SEC produzidas em maior quantidade 17

Enterotoxinas Termorresistência Produção favorecida em condições ótimas n o mín de cel. necessário para produzir SE 10 4-10 7 /g alimento 10 3 /g (Meyrand et al., 1998) Enterotoxinas Termorresistência Produção favorecida em condições ótimas n o mín de cel. necessário para produzir SE Quantidade mínima de SE para causar surto 1 ng/g ou ml alimento 0,5 ng/g em leite achocolatado (200 ng total) Evenson et al., 1988 18

Síndrome Incubação 4 h 1-6h Síndrome Incubação Sintomas náuseas, vomitos (jato) cólicas abdominais diarréia 19

Síndrome Incubação Sintomas Duração 24-48 h raramente fatal Síndrome Sintomas Duração Dose SE mínima 20ng/adulto 20

Síndrome Sintomas Duração Dose SE mínima Comprovação intoxicação recuperação SE das sobras do alimento e isolamento de estafilococos enterotoxigênico dos alimentos e das fezes (JAY, 1996) Prevenção Manutenção de alimentos T < 10 o C ou T > 60 o C 21

Fatores freqüentemente associados aos alimentos envolvidos em surtos por S. aureus refrigeração inadequada Fatores freqüentemente associados aos alimentos envolvidos em surtos por S. aureus refrigeração inadequada preparo do alimento com muita antecedência 22

Fatores freqüentemente associados aos alimentos envolvidos em surtos por S. aureus refrigeração inadequada preparo do alimento com muita antecedência higiene inadequada do manipulador Fatores freqüentemente associados aos alimentos envolvidos em surtos por S. aureus refrigeração inadequada preparo do alimento com muita antecedência higiene inadequada do manipulador cocção ou processamento térmico inadequado 23

Fatores freqüentemente associados aos alimentos envolvidos em surtos por S. aureus refrigeração inadequada preparo do alimento com muita antecedência higiene inadequada do manipulador cocção ou processamento térmico inadequado manutenção dos alimentos em T favoráveis à sua multiplicação FIM 24