ós C s bra lo g a ileiro Dia Organizadoras: Daniela Macambira e Stefânia Sales 1ª EDIÇÃO FORTALEZA, 2013 sil Obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Aprender Editora. B r a o d n nfância da i O mundo som os s sa oi n o mundo n u E
Letramundo 5º Ano Aprender Editora Todos os direitos reservados. Editora Ana Cristina Miranda da Costa Daniela Macambira Editora Assistente Mestra em Linguística Aplicada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Especialista em Alfabetização pela Faculdade 7 de Setembro (FA7). Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Orientadora no processo de formação pedagógica na Aprender Editora. Autora de livros didáticos de Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais. Patrícia Ferreira Gilvanira Freitas Ilustrações Doutoranda em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestra em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Autora de livros didáticos de Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais. Daniel Diaz, Onofre Paiva e Rafael Limaverde Projeto Gráfico Felipe Camilo Mesquita Kardozo Editoração e Diagramação Jozias Rodrigues, Juscelino de Lima Cunha e Mikael Holanda Capa Mikael Holanda Revisão Ortográfica Bruno Mota Pinheiro e Patrícia Ferreira Catalogação Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados. Elaboração dos originais Gabriela Alves Gomes Impressão Katy Silva Pós-graduada em Psicopedagogia pela Faculdade Christus. Habilitada em Supervisão escolar pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Formadora Educacional nas áreas de Educação Infantil e Ensino Fundamental, é também, colaboradora na produção de materiais didáticos. Autora de livros paradidáticos de Educação Infantil e de livros didáticos de Ensino Fundamental. Stefânia Sales Pós-graduada em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Pós-graduanda em Ensino-aprendizagem na Teoria Sócio-histórico-cultural pela Faculdade 7 de Setembro (FA7). Graduada em Letras pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Autora de livros didáticos de Ensino Fundamental I e Formadora Educacional na área de Educação. Tecnograf Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Aprender Editora Cearense de Material de Ensino Ltda Letramundo 5º Ano: guia de orientações didáticas do professor / Aprender Editora Cearense de Material de Ensino Ltda / Daniela Miranda da Costa Macambira e Stefânia Sales (Orgs.) Fortaleza: Aprender Editora, 2014. 194p.; Il ISBN: 978-85-8314-046-7 1. Ensino Fundamental. I.Título CDD 374.012 Obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Aprender Editora. Índice para Catálogo Sistemático: 1. Ensino Fundamental I: 374.012 Organizadoras: Daniela Macambira e Stefânia Sales 2. Educação jovens e adultos: 374.012 ISBN: 978-85-8314-043-6 1ª EDIÇÃO FORTALEZA, 2013 ISBN: 978-85-8314-046-7 APRENDER EDITORA CEARENSE DE MATERIAL DE ENSINO LTDA. Rua Marvin, 104 Parque Manibura CEP: 60.821-790 - Fortaleza - Ceará - Fone/Fax: (85) 3194.1300 E-mail: aprendereditora@aprendereditora.com.br www.aprendereditora.com.br
Um projeto educativo, cujo objetivo é formar crianças leitoras e produtoras de textos, não tem apenas importância pedagógica, mas um profundo sentido ético, uma vez que, em seu domínio da língua, na sua capacidade de se expressar, entender e contribuir para o enriquecimento social, a criança está ampliando o seu horizonte. A leitura-escrita é um instrumento libertador, do mais imediato à transcendência do indivíduo, pois não existe área em que não seja necessária. Qualquer campo da realidade implica compreender, avaliar, contribuir, em uma retroalimentação constante que tem sua partida nessa aprendizagem fundamental. Luis Chandía Ruiz É com imensa satisfação que compartilhamos o Letramundo cujo objetivo espelha a grandeza de poder contribuir para o desenvolvimento intelectual, socioafetivo e cognitivo dos nossos alunos. Desafiamos as nossas capacidades inteligíveis quando as experiências lançadas a nós nos servem de estímulos a pensamentos dotados de articulações e ideias. Tais capacidades devem ser consideradas e priorizadas nas atividades escolares, pois acreditamos que a escola deve ser um lugar provedor de descobertas nas relações sociais e experiências múltiplas para melhor desenvolver habilidades na vida em grupo. Quando atuamos na educação, não podemos nos eximir da condição de estarmos inseridos nesse processo e validarmos a necessidade de também nos educarmos à medida que o mundo se modifica e altera a nossa comunicabilidade. Se as mudanças caracterizam diferentes modelos sociais, a escola deve acompanhar tais mudanças para que sua função primordial não se esvaia. A escola precisa proporcionar um solo estimulante e fértil para construir vidas afetivas, autônomas e criadoras. Considerando tais premissas, torna-se fundamental a estruturação e a utilização de materiais didáticos que possam instrumentalizar os educadores em suas práticas de sala de aula, agregando novos rumos na educação. Desejamos um trabalho prazeroso e divertido para todos! Um grande abraço. Equipe Pedagógica Aprender Editora Guia de Orientações Didáticas do Professor 3
Sumário 1 - Introdução... 7 2 - Pressupostos teóricos e metodológicos em que se baseia o Letramundo... 9 2.1 - Leitura e escrita... 9 2.2 - Gêneros orais, escritos e gramática... 15 3 - Coletânea de textos teóricos... 20 3.1 - Caminhos para aprender a ler e escrever... 20 3.2 - Novas competências para ensinar...25 3.3 - Professores: imagens do futuro presente... 39 3.4 - Metalinguagem e aquisição da escrita: contribuições da pesquisa para a prática da alfabetização... 49 3.5 - Vygotsky - uma perspectiva histórico-cultural da educação... 53 3.6 - Gêneros orais e escritos na escola... 59 3.6.1- Gêneros e tipos de discurso: considerações psicológicas e ontogenéticas... 59 3.6.2 - Sequências didáticas para o oral e a escrita: apresentação de um procedimento...... 70 4 - Conhecendo o Letramundo... 82 4.1 - Objetivos gerais... 82 4.2 - Perfil do Letramundo... 82 4.3 - Material do aluno... 83 4.4 - Material do professor... 85 4.5 - Por dentro do Letramundo... 85 4.6 - Temas, Unidades e Objetivos... 90 4.7 - Metas de aprendizagem... 91 4.8 - Conteúdos trabalhados... 101 Guia de Orientações Didáticas do Professor 5
4.9 - Rotina... 105 5 - Planejamento... 107 5.1 - Sugestões para o Planejamento Diário... 109 5.2 - Sugestão de Grade para o Planejamento... 121 6 - Avaliação... 122 6.1 - Ficha de avaliação da leitura oral... 125 6.2 - Avaliação diagnóstica... 137 6.2.1 - Orientações gerais para o(a) professor(a)-avaliador(a)... 137 6.3 - Instrumentais avaliativos... 141 6.3.1 - Avaliação para o professor... 142 6.3.2 - Avaliação para os alunos... 145 7 - Intervenção pedagógica... 149 7.1 - Atividades interventoras... 151 7.1.1 - Atividades interventoras para a escrita... 151 7.1.2 - Atividades interventoras para a leitura... 154 8 - Sugestões de atividades... 158 8.1 - Atividades utilizando o dicionário... 159 8.2 - Atividades utilizando a literatura... 161 8.3 - Atividades utilizando a biblioteca... 163 8.4 - Atividades utilizando a sala de aula... 166 9 - Considerações finais... 170 10 - Leituras complementares... 171 11 - Sugestões de filmes...174 Anexos... 177 Bibliografia... 193 6 Letramundo - 5 Ano do Ensino Fundamental I
Introdução 1 Este guia, intitulado Guia de Orientações Didáticas do Professor - Letramundo oferece a você, professor(a), informações importantes para conhecer e apropriar-se dos elementos que constituem as propostas teóricas e metodológicas contidas no livro, como, também, possibilidades de atuação docente cada vez mais consciente e articulada com a sua prática em sala de aula. O Guia de Orientações Didáticas do Professor organiza-se em três partes: ORIENTAÇÕES GERAIS Apresentação dos pressupostos conceituais que norteiam o Letramundo, cujo cerne de todo o trabalho desenvolvido corresponderá direta e indiretamente aos elementos referenciados por entendermos ser imprescindível a interação entre o suporte teórico e a prática realizada com os alunos. Registros teóricos sobre leitura e escrita pautados na perspectiva do desenvolvimento das condições de letramento dos alunos. Esse referencial respalda ações sistemáticas de práticas sociais de leitura, escrita, oralidade e socialização dos esquemas linguísticos construídos. Trabalho com variados gêneros textuais, o que permite ao aluno o acesso e a produção de uma vasta gama de textos e à intencionalidade de suas comunicações e suas funcionalidades no meio social. Criar condições reais de apropriação e uso da leitura e da escrita interligadas às comunicações interativas é a primazia do trabalho com o Letramundo. ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS Orientações sobre a sistematização da rotina de trabalho a ser realizada diariamente. A rotina oferecida no Letramundo sugere uma sequência gradual das atividades diárias. Essa gênese de atividades ajuda no entendimento e na apropriação dos textos, e nos muitos desdobramentos interpretativos e situacionais que cada texto promove, sistematicamente, nas tarefas propostas no Letramundo. Suporte teórico e prático para o planejamento do professor. O ato de planejar requer avaliação, estudo de metas, clareza dos objetivos a serem atingidos e, para isso, as adequações Guia de Orientações Didáticas do Professor 7
do planejamento fazem-se necessárias para que a mediação didática do docente corresponda à proposta metodológica do Letramundo. Suporte teórico e prático referentes à avaliação. O Letramundo apoia-se no desenvolvimento sócio-histórico-cultural, metalinguístico e metacognitivo de aprendizagem. Tais referências proporcionam experiências de construção e validação dos conhecimentos sócio- -histórico-cultural desenvolvidos pelos alunos, como, também, respondem pela tomada de consciência dessas aprendizagens através de diferentes recursos de avaliação e autoavaliação para aluno e professor. Textos e instrumentos relacionados às estruturas de temas, conteúdos e metas trabalhados no Letramundo. Os objetivos de cada item são expressamente detalhados, assim como a sua relevância durante todo o percurso de uso do material. Ter clareza de tais conteúdos facilita a compreensão dos vários aspectos didáticos contidos no Letramundo. SUGESTÕES COMPLEMENTARES Sugestões de filmes e livros interligados às relações educacionais e a seus intercâmbios emocionais, cognitivos e sociais. Sugestões de atividades extras, de cunho afetivo e/ou motor, para a ampliação dos campos de socialização dos alunos dentro ou fora da escola. Esperamos que a leitura deste Guia seja luz para as atividades desenvolvidas cujas possibilidades de aprendizagem se ampliarão à medida que as experiências sejam convidativas e estimulantes. 8 Letramundo - 5 Ano do Ensino Fundamental I
Pressupostos teóricos e metodológicos em que se baseia o Letramundo 2 Em que se baseia a leitura? No desejo. Essa resposta é uma opção. É tanto o resultado de uma observação como de uma intuição vivida. Ler é identificar-se com o apaixonado ou com o místico. É ser um pouco clandestino, é abolir o mundo exterior, deportar-se para uma ficção, abrir o parêntese do imaginário. Ler, muitas vezes, é trancar-se (no sentido próprio e figurado). É manter uma ligação através do tato, do olhar, até mesmo do ouvido (as palavras ressoam). As pessoas leem com os seus corpos. Ler é também sair transformado de uma experiência de vida, é esperar alguma coisa. É um sinal de vida, um apelo, uma ocasião de amar sem a certeza de que se vai amar. Pouco a pouco o desejo desaparece sob o prazer. (BELLENGER, Lionel. 1979, p.17) 2.1 Leitura e escrita A leitura, tanto na etapa do aprender a ler quanto na do ler para aprender, tem sido uma grande inquietação nos meios educacionais e acadêmicos de muitos países, há alguns anos. No decorrer desse período, cada vez mais, busca-se ensinar a ler e a escrever de forma competente e eficaz. De acordo com Jolibert e Sraïki (2008, p.17), ler é, desde o início, construir ativamente a compreensão de um texto em contexto, em função de suas necessidades, de seu prazer. Acreditamos que a significação e a coerência de um determinado escrito emergem do trabalho com um texto completo e contextualizado. Essa significação e essa coerência são competências que foram construídas através da interação com o outro, com o meio, a partir de atividades metalinguísticas, entre outras. Não se trata primeiro de aprender a reconhecer as letras, sílabas ou palavras e, em seguida, pequenos textos a partir das palavras já trabalhadas. Tudo aquilo que faz sentido para o leitor, tudo aquilo que ele identifica e reconhece como índices, mesmo sendo unidades menores, como sílabas, dentro de um conjunto com sentido, início, meio e fim, tem relevância e é importante para essa construção. Ler, como afirmou Kleiman (2001, p.10), é uma prática social que remete a outros textos, a outras leituras. Ao lermos um texto, qualquer texto, colocamos em ação todo o nosso sistema Guia de Orientações Didáticas do Professor 9
de valores, crenças e atitudes que refletem o grupo social em que se deu a nossa socialização primária, isto é, o grupo social em que fomos criados. Afinal, o homem constitui-se como tal através de suas interações sociais. Dentro dessa perspectiva, como afirmou Vygotsky, os processos de aprendizagem e desenvolvimento estão intimamente inter-relacionados, porque a aquisição de qualquer habilidade infantil envolve a instrução proveniente dos adultos, antes ou durante a prática escolar. A própria noção de aprendizagem significa processo de ensino- -aprendizagem, justamente para incluir quem aprende, quem ensina e a relação entre eles, de modo coerente com a perspectiva sócio-histórica (Oliveira, 1993). Uma questão que se torna central é: o que os alunos estão fazendo? Como tentam satisfazer às exigências das tarefas a serem realizadas? Assim, a escola, dentro da perspectiva vygotskyana, ocupa um papel especial, pois a ela cabe trabalhar conteúdos e desenvolver modalidades de pensamentos bastante específicos. Ela tem um papel diferente e insubstituível na apropriação pelo sujeito da experiência culturalmente acumulada. Por isso, essa instituição representa o elemento imprescindível para a realização plena do desenvolvimento dos indivíduos (que vivem em sociedades escolarizadas), já que promove um modo mais sofisticado de analisar e generalizar os elementos da realidade: o pensamento conceitual. Na escola, diferentemente do que acontece no cotidiano extraescolar, as atividades educacionais precisam ser sistemáticas, dotadas de uma intencionalidade clara e um compromisso em tornar acessível o conhecimento formalmente organizado. Aliado ao importante papel da escola, está o imprescindível papel do aluno dentro de todo esse processo. Como afirmaram Jolibert e Sraïki (2008, p.16), a eficácia e a profundidade das aprendizagens dependem do poder que os aprendizes detêm sobre suas próprias atividades: o que estas significam para eles; que representações têm das tarefas que devem realizar para atingir um objetivo; como geram o tempo, o espaço, os recursos(...) e, por último, o ato de refletir sobre todo esse percurso, avaliando aprendizagens. Os alunos aprendem a fazer fazendo, dialogando, interagindo, trocando ideias com os outros, superando as situações-problema, avançando cada vez mais em suas aprendizagens. Para essas aprendizagens serem consolidadas, necessitam da reflexão feita pelo próprio aluno (O que eu aprendi? Como realizei essa tarefa? Quem ou o que me ajudou? O que posso deduzir? O que ainda não aprendi? O que preciso fazer para aprender determinada coisa? etc.). Assim, devemos avaliar e organizar rigorosamente a aprendizagem dos alunos sobre a reflexão metacognitiva, como afirmam Jolibert e Sraïki (2008, p. 18). Acreditamos não existir aprendizagem eficaz em situações que não tenham nenhum sentido para o educando e que as aprendizagens comportamentais dependem tanto das inter-relações sociais quanto das aprendizagens conceituais (Jolibert e Sraïki, 2008, p. 28-29). Todas as questões anteriormente citadas, para serem efetivadas, necessitam do papel do educador, que mediará a formação dos conceitos a serem construídos pelos alunos. Para tanto, o professor precisa tomar consciência de que: 10 Letramundo - 5 Ano do Ensino Fundamental I