Relatório de Caso Clínico

Documentos relacionados
Relatório de Caso Clínico

Relatório de Caso Clínico

PSA - ANTÍGENO ESPECÍFICO Coleta: 20/11/ :05 PROSTÁTICO LIVRE. PSA - ANTIGENO ESPECÍFICO Coleta: 20/11/ :05 PROSTÁTICO TOTAL

Contagem eletrônica automatizada realizada em equipamento Sysmex XE-D 2100 Roche.

Relatório de Caso Clínico

HEMOGRAMA LUCAS WILBERT MARILIA DE N. C. BERGAMASCHI

LABORATÓRIO BOM JESUS

Método : HPLC (Cromatografia Líquida de Alta Performance) por troca Iônica. Material: Sangue Edta

HEMOGRAMA COMPLETO

Relatório de Caso Clínico

GABARITO APÓS RECURSO 02. E 12. B 03. B 13. A 05. A 15. D 06. C 16. A 07. C 17. B 08. D 18. D 09. A 19. E 10. D 20. D

INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA AGUDA EM GATOS

Peculiaridades do Hemograma. Melissa Kayser

HEMOGRAMA COMPLETO Método : Análise realizada por Citometria de fluxo fluorescente e impedância "XE2100-Sysmex" Material: SANGUE TOTAL COM EDTA

Isaac de Melo Xavier Junior Fernando Jose Goncalves Cardoso

INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA CRÔNICA EM GATOS

Relatório de Caso Clínico

INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO

INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA AGUDA EM CÃES

Relatório de Caso Clínico

Relatório de Caso Clínico

Relatório de Caso Clínico

Relatório de Caso Clínico

Relatório de Caso Clínico

No. do Exame 001/ Data Entrada..: 20/01/2017

Relatório de Caso Clínico

HBS-Ag - Antígeno Austrália Material: Soro VALOR DE REFERÊNCIA RESULTADO: SORO NÃO REAGENTE Soro Não Reagente TRANSAMINASE OXALACETICA (TGO)

SÓDIO 139 meq/l Valores de ref erência: 134 a 147 meq/l Material: Soro Anteriores:(11/10/2016): 139 Método: Eletrodo Seletiv o

INFLUÊNCIA DO TEMPO DE ARMAZENAMENTO DA AMOSTRA SOBRE OS PARÂMETROS HEMATOLÓGICOS DE CÃES

Eritrograma. Leucograma

Não existem valores de referência estabelecidos para essa faixa etária

Data de liberação: 20/01/ :31

HEMOGRAMA. Paciente : MARCIA SILVIANE DOS SANTOS ROSA Idade : 45 anos, 10 meses Série/No.: REC2/ ERITROGRAMA

Hemograma Material...: SANGUE COM E.D.T.A. Equipamento: PENTRA 120 DX

31/10/2013 HEMOGRAMA. Prof. Dr. Carlos Cezar I. S. Ovalle. Introdução. Simplicidade. Baixo custo. Automático ou manual.

HEMOGRAMA COMPLETO Método : Analise realizada por Citometria de fluxo fluorescente e impedância "XE2100-Sysmex" Material: SANGUE TOTAL COM EDTA

Prof. Ms. Elton Pallone de Oliveira. Exames laboratoriais: definição, tipos, indicação, cuidados pré e pós exame. Urinálise

LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. Dúvidas Técnicas: Telefone: PABX (011) Ramal: 2028

TABELA DE PREÇOS. BIOQUÍMICA SÉRICA VALOR MATERIAL PRAZO Ácidos biliares totais (jejum) 115,00 Soro sanguíneo 5 dias

PATOLOGIA DO SISTEMA HEMATOPOIÉTICO

UREIA CREATININA...: Nome...: CESAR AUGUSTO CAVALARI Prontuário.: Destino...: HZS - PS (PÓS CONSULTA)

INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA EM GATOS

Material: Sangue c/edta Método..: Citometria/Automatizado e estudo morfológico em esfregaço corado

Layout de Importação de Resultados de Exames

HEMOGRAMA Material: Sangue Edta Método: AUTOMATIZADO

Sangue: funções gerais

DOSAGEM DE HORMÔNIO TIREOESTIMULANTE (TSH) - ULTRA-SENSÍVEL

Relatório de Caso Clínico

Relatório de Caso Clínico

Relatório de Caso Clínico

Método: RESISTIVIDADE - IMPEDÂNCIA - MICROSCOPIA

Relatório de Caso Clínico

CREATININA PROTEÍNAS TOTAIS E FRAÇÕES

Relatório de Caso Clínico

T3 - TRIIODOTIRONINA Coleta: 18/11/ :28. T3 LIVRE Coleta: 18/11/ :28. T4 - TETRAIODOTIRONINA Coleta: 18/11/ :28

Relatório de Caso Clínico

Relatório de Caso Clínico

EXAME HEMATOLÓGICO Hemograma

VALOR REFERÊNCIA SÉRIE BRANCA ========================================================= VALORES DE REFERÊNCIA. Acima de 16 anos

Relatório de Caso Clínico

Relatório de Caso Clínico

DOSAGEM DE 25 - HIDROXIVITAMINA D

Relatório de Caso Clínico

Urinálise Sedimentoscopia Identificação

TÍTULO: DIFERENÇAS DE VOLUME SANGUÍNEO COLETADO E SUA INFLUÊNCIA NO HEMOGRAMA INSTITUIÇÃO: CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS

Relatório de Caso Clínico

Relatório de Caso Clínico

Relatório de Caso Clínico

FACULDADE PITÁGORAS TÓPICOS ESPECIAIS EM NUTRIÇÃO I SOLICITAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE EXAMES LABORATORIAIS

Relatório de Caso Clínico

Avaliação Hematológica, Interpretação e Importância em Nutrição

Urinálise Sedimentoscopia Identificação

Relatório de Caso Clínico

HEMOGRAMA COMPLETO SERIE VERMELHA

#Id: R.S.S, feminino, 84 anos, natural e procedente de Fortaleza, viúva, ex-costureira, católica. #Fonte da história: Filha. #Q.P.

Faculdade de Medicina. Bioquímica I

INTRODUÇÃO AO LINFOMA EM GATOS

Alterações no Trato Urinário

PATOLOGIA CLÍNICA I - 5º Período 09/08/2016

Rua Luiz Simon, 75 - (Largo do Riachuelo) - Jacareí - SP REG.: CRBM ( ) TeleFax: (12)

Valores de Referencia (Adultos - Homens) HEMACIAS: 4.85 milhoes/mm3. Relativo (%) /mm3 VR (%) VR (mm3) LEUCOCITOS: 4.400

ÁCIDO ÚRICO DIHIDROTESTOSTERONA ANTICORPOS ANTI-MICROSSOMAL/TPO ANTICORPO ANTI-TIREOGLOBULINA

Relatório de Caso Clínico

SÓDIO: 140 meq/l [DATA DA COLETA : 19/11/13 07:00] Método...: Fotometria de chama Vlor. Ref.: 135 a 145 meq/l Material..: sangue

O sangue e seus constituintes. Juliana Aquino. O sangue executa tantas funções que, sem ele, de nada valeria a complexa organização do corpo humano

Programa Analítico de Disciplina VET362 Laboratório Clínico Veterinário

TECIDO HEMATOPOIÉTICO E SANGUÍNEO

Leucemia Linfoblástica Aguda e aspectos microscópicos. Relato de caso

HEMOGRAMA COMPLETO. GRUPO SANGUINEO Data de Coleta: 10/09/2013 Material: Sangue Método: Aglutinação Resultado...: Tipo B ERITOGRAMA:

Relatório de Caso Clínico

Relatório de Caso Clínico

Descrição do Procedimento VALOR (R$) Prazo de entrega Material enviado. Ácidos biliares totais (jejum ou pós prandial) 130,00 4 dias Soro sanguíneo

Histórico de exames desde 1996

PUBVET, Publicações em Medicina Veterinária e Zootecnia. Avaliação hematológica em cães errantes da região urbana de Maringá-PR

AVALIAÇÃO LABORATORIAL DA FUNÇÃO RENAL

UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

Urinálise Sedimentoscopia Identificação

Transcrição:

Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Faculdade de Veterinária Departamento de Patologia Clínica Veterinária Disciplina de Bioquímica e Hematologia Clínicas (VET03/121) http://www.ufrgs.br/bioquimica Relatório de Caso Clínico IDENTIFICAÇÃO Caso Clínico n o 2015/2/09 Espécie: Canina Ano/semestre: 2015/2 Raça: Bulldog Inglês Idade: 45 dia(s) Sexo: macho Peso: 2,3 kg Alunos(as): Cristiane Deon Figueiredo, Franciele de Oliveira Corrêa e Laura Barbosa dos Santos Médico(a) Veterinário(a) responsável: Sheila Francheska da Silva ANAMNESE O relato do proprietário do canil era de que o paciente havia parado de urinar no dia anterior. Antes disso, o animal vinha apresentando polaciúria, disúria, hematúria, dor abdominal e lambedura excessiva do órgão genital. O animal não havia recebido a primeira dose da vacina polivalente e alimentava-se de ração comercial para filhotes. Os demais filhotes da ninhada apresentavam-se sem alterações. EXAME CLÍNICO Na consulta o animal apresentava mucosas levemente hipocoradas, estava normohidratado, temperatura retal de 38 C (37,4 C 39 C), bexiga repleta, apatia, suspeita de obstrução uretral e dor à palpação abdominal. EXAMES COMPLEMENTARES DIA 0 (14/08/2015): Ecografia 1: Foram constatados rins aumentados, presença de cristais na bexiga e parede vesical bastante espessada. DIA 12 (26/08/15) Urocultura e Antibiograma: Coleta de urina para análise. O resultado indicou a presença de bactérias do gênero Proteus, sensíveis a maioria dos antimicrobianos e resistentes apenas a azitromicina. URINÁLISE Método de coleta: cateterização Obs.: volume 2 ml Data: 28/08/2015 (Dia 14) Sedimento urinário* Células epiteliais: presença Exame químico ph: 7,7 (5,5-7,5) Cilindros: Hemácias: >100 Leucócitos: 20-100 Bacteriúria: moderada Outros: Presença de cristais de estruvita Corpos cetônicos: negativo Glicose: negativo Bilirrubina: negativo Urobilinogênio: 0,2 mg/dl (<1) Proteína: +++ [ 300 md/dl] Sangue: +++ [alto] Exame físico Densidade específica: 1,026 (1,015-1,045) Cor: marrom *número médio de elementos por campo de 400 x; n.d.: não determinado Consistência: fluida Aspecto: turvo

Página 2 BIOQUÍMICA SANGUÍNEA Amostra: soro Anticoagulante: Hemólise: ausente Data: 28/08/2015 (Dia 14) Proteínas totais: g/l (54-71) Cálcio: mg/dl (9,0-11,3) Albumina: 26 g/l (26-33) Fósforo: 9,2 mg/dl (2,6-6,2) Globulinas: g/l (27-44) Bilirrubina total: mg/dl (0,10-0,50) Bilirrubina livre: mg/dl (0,01-0,49) Bilirrubina conjugada: mg/dl (0,06-0,12) Fosfatase alcalina: 654 U/L (<156) AST: U/L (<66) ALT: 22 U/L (<102) CPK: U/L (<121) Glicose: mg/dl (65-118) Colesterol total: mg/dl (135-270) Ureia: 31 mg/dl (21-60) Creatinina: 0,51 mg/dl (0,5-1,5) Observações: HEMOGRAMA Data: 26/08/2015 (Dia 12) Leucócitos Eritrócitos Quantidade: 18.900/µL (6.000-17.000) Quantidade: 3.72 milhões/µl (5,5-8,5) Tipos: Quantidade/µL % Hematócrito: 26 % (37-55) Mielócitos 0 (0) 0 (0) Hemoglobina: 8.9 g/dl (12-18) Metamielócitos 0 (0) 0 (0) VCM: 69.9 fl (60-77) Neutrófilos bast. 507 (<300) 3 (<3) CHCM: 34.2 % (32-36) Neutrófilos seg. 15.013 (3.000-11.500) 79 (60-77) RDW: % (14-17) Basófilos 0 (0) 0 (0) Reticulócitos: % (<1,5) Eosinófilos 0 (100-1.250) 0 (2-10) Observações: Codócitos (1+) Monócitos 1.859 (150-1.350) 10 (3-10) PPT: 56 (60-80 g/l) Linfócitos 1.521 (1.000-4.800) 8 (12-30) Plasmócitos (_) (_) Observações: Neutrófilos Tóxicos (1+) Plaquetas Quantidade: 528.000/µL (200.000-500.000) Observações: TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O paciente foi internado no mesmo dia da primeira consulta. DIA 0 (14/08/2015) Foi realizada a primeira ecografia e sondagem para esvaziamento vesical. O paciente recebeu tratamento com cloridrato de tramadol (analgésico), amoxicilina com ácido clavulânico (antimicrobiano) e cetoprofeno (anti-inflamatório). DIA 3 (17/08/2015) O paciente recebeu alta com prescrição de amoxicilina com ácido clavulânico e dipirona sódica (analgésico e antipirético). DIA 12 (26/08/2015) O animal retornou sem urinar novamente. Foi realizado hemograma, que evidenciou uma anemia normocítica normocrômica e um leucograma com neutrofilia e desvio à esquerda regenerativo. Também foi realizada urocultura e antibiograma, onde foi verificada a presença de Proteus sp. Ficou internado recebendo tratamento idêntico à primeira internação (cloridrato de tramadol e amoxicilina com ácido clavulânico).

Página 3 Observação: O tutor relatou à veterinária não ter realizado o tratamento prescrito anteriormente. DIA 18 (01/09/2015) O animal recebeu alta com prescrição de amoxicilina com ácido clavulânico. DIA 26 (09/09/2015) O paciente retornou à clínica veterinária para reconsulta. Foi coletado sangue para hemograma. DIA 33 (16/09/2015) A veterinária entrou em contato com o tutor e foi informada de que ele não possui mais o animal. Tabela 1. Parâmetro avaliado (val. referência) 26/08/15 Dia 12 28/08/15 Dia 14 Bioquímica sanguínea Albumina (26-33 g/l) 26 Fósforo (4,2-8,3 mg/dl) 9,2 ALT (<102 UI/L) 22 Creatinina (0,5-1,5 mg/dl) 0,51 Fosfatase Alcalina (<156 UI/L) 654 Ureia (21-60 mg/dl) 31 09/09/15 Dia 26 Hemograma Eritrócitos (5,5 8,5 milhões/µl) 3,72 3,87 Hemoglobina (12 18 g/dl) 8,9 9,7 Hematócrito (37 55 %) 26 30 V.C.M (60-77 fl) 69,9 72,3 C.H.C.M (32-36 %) 32,2 33 Proteína Plasmática Total (60 80 g/l) 56 n.d. Leucócitos totais (6.000 17.000/µL) 18.900 7.900 N. bastonetes (0 300) 507 0 N. segmentados (3.000 11.500) 15.013 6.715 Eosinófilos (100 1.250) 0 0 Monócitos (150 1.350) 1.859 553 Linfócitos (1.000-4.800) 1.521 632 Plaquetas x10³ (200 500/μL) 528 * n.d.: não determinado. *agregação plaquetária DISCUSSÃO Urinálise Dia 14 (28/08/15) Foram coletadas 2 ml de urina através de cateterismo para realização de urinálise. Devido a pouca quantidade de urina, não foi possível a realização completa do exame do sedimento. A urina apresentou coloração marrom, aspecto turvo, consistência fluida e densidade de 1,026. Tal coloração geralmente deve-se a presença de eritrócitos ². O aspecto turvo pode estar relacionado com o maior número de elementos celulares (leucócitos, eritrócitos e células epiteliais), presentes no exame. Algumas vezes a presença de bactérias também pode contribuir para a turvação da urina.² O valor da densidade urinária apresentado (1,026) está dentro do intervalo de referência para animais adultos (1,015-1,045). Tendo em vista o intervalo de referência para o paciente pediátrico (1,006-1,017)³ podemos inferir que a densidade urinária do animal estava elevada. Foi evidenciado sangue oculto (3+), possivelmente relacionado com a presença de eritrócitos encontrada

Página 4 no exame (média de >100/campo). O ph alcalino (7,7) pode estar relacionado com a retenção urinária e com a infecção do trato urinário (ITU) por bactérias urease-positiva, como é o caso do gênero Proteus, constatado na urocultura realizada. Foi observada proteinúria (300 mg/dl) que pode estar associada à presença de elementos celulares. Também foi detectada bacteriúria que, associada à leucosúria é um indicativo de cistite, e cristalúria por estruvita (fosfato triplo). Em cães e gatos com idades entre 5 semanas e 5 meses a urolitíase é rara³, a maioria dos cães com cálculos de estruvita tem infecção do trato urinário por bactérias urease-postiva.² Bioquímica sanguínea Dia 14 (28/08/15) Foi observado um aumento na fosfatase alcalina (FA) e no fósforo (fosfato inorgânico) em relação aos intervalos de referência para animais adultos (<156 e 2,6-6,2 respectivamente), os demais elementos mensurados não apresentaram alterações. Por tratar-se de um animal com idade inferior a 6 meses, os valores da atividade sérica da enzima podem estar aumentados em até 6 vezes o valor referencial para animais adultos¹. Esse aumento no animal jovem pode ser explicado pela isoenzima óssea (FAb), que aumenta no soro durante a fase de crescimento do animal pela elevada atividade osteoblástica³. O fosfato inorgânico é o maior constituinte de ossos e dentes, é também um componente celular que atua na transferência, liberação e estocagem de energia. O aumento na sua concentração ocorre em filhotes menores de 1 ano de idade, podendo chegar a 10 mg/dl. Essa concentração cai gradativamente com o desenvolvimento do animal atingindo os valores de referência para o indivíduo adulto entre os 9 e 12 meses de idade.¹ Hemograma Dia 12 e 26 Nos dois hemogramas realizados os valores de eritrócitos, hemoglobina e hematócrito estavam abaixo dos valores de referência para a espécie, tanto para adulto quanto para o animal jovem, caracterizando uma anemia. Os valores de VCM e CHCM estavam dentro dos valores de referência, classificando-a como uma anemia normocítica normocrômica, o que de acordo com o quadro clínico do animal pode ser caracterizada como anemia da inflamação crônica ou da deficiência de ferro. ¹ Em adultos a anemia por deficiência de ferro quase sempre é devida à hemorragia crônica, por outro lado, esse tipo de anemia ocorre muito em filhotes de todas as espécies de animais domésticos porque o leite apresenta um baixo teor de ferro e a taxa de crescimento do animal é alta 4. A patogenia da anemia da inflamação pode estar relacionada com a sobrevida reduzida, mobilização ou utilização prejudicada do ferro e também produção eritrocitária prejudicada, já que algumas células eritróides não respondem a eritropoetina na presença de certas citocinas inflamatórias. Geralmente os achados laboratoriais dessa anemia a caracterizam como normocítica normocrômica, de discreta a moderada e leucograma inflamatório. No único hemograma em que foi mensurada, a proteína plasmática total estava levemente abaixo dos valores de referência (60 80 g/l), provavelmente pela perda de sangue crônica devido à hematúria. Leucograma: No primeiro hemograma realizado os resultados configuram uma leucocitose por neutrofilia com desvio à esquerda regenerativo e mocitose, caracterizando um leucograma inflamatório. Ainda no primeiro hemograma foram observadas alterações tóxicas nos neutrófilos (1+), o que indica que essas células foram produzidas muito rapidamente como parte de uma resposta inflamatória 4. O número de monócitos aumenta sempre que a fagocitose é requerida e a monocitose frequentemente está associada à neutrofilia, embora o aumento no número de monócitos não seja tão rápido ou pronunciado como o dos neutrófilos 4. Já no segundo hemograma, foi observada linfopenia que pode ser atribuída ao estresse e eosinopenia que não tem relevância clínica para o caso. A contagem de plaquetas, mensurada somente no primeiro hemograma, encontrava-se levemente acima dos valores de referência tanto para o animal adulto quanto para o filhote (200-500x10³), o que pode ter relação com a perda de sangue e inflamação pelo aumento em sua produção.

Página 5 CONCLUSÕES Os resultados dos exames de urinálise, urocultura, hemograma e sinais clínicos apresentados pelo paciente são compatíveis com um quadro de cistite e urolitíase. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. BUSH, B. M. Interpretação de resultados laboratoriais para clínicos de pequenos animais, 1. Ed. São Paulo: Roca, 2004, p. 50, 239, 282, 322. 2. CHEW, D. J.; DiBARTOLA, S. P.; SCHENCK, P. A. Urologia e nefrologia do cão e do gato, 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011, p. 09-10, 276-277. 3. PETERSON, M. E.; KUTZLER, M. A. Pediatria em pequenos animais, 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011, p. 25-27, 267, 402. 4. THRALL, M. A. Hematologia e bioquímica clínica veterinária, 1. ed. São Paulo: Roca, 2007, p. 90, 128, 136, 340.