Teste a sua Resiliência DIZ UMA FRASE QUE CONHEÇO HÁ MUITO TEMPO e já nem lembro de onde: O problema não é o problema em si, mas sim a atitude que temos frente o problema. Com relação ao tipo de atitude, a psicologia identifica três tipos de pessoas: os submissos, os reativos e os proativos. Submissos São os que se conformam passivamente com as intempéries da vida e renunciam ao sucesso. Se acomodam, como se sofressem de uma espécie de síndrome de Gabriela e dissessem: Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim. Gabriela(..) Há também os que atribuem ao destino, à vontade de Deus ou ao seu carma a responsabilidade pelo que estão vivendo e, assim, cruzam os braços, como se nada houvesse a fazer. É bem verdade que devemos aceitar as adversidades como fatos naturais da vida, mas aceitação é bem diferente de submissão. Submeter-se é eximir-se de enfrentar uma adversidade. A única atitude dos submissos é lamentar-se. Vejo muitas pessoas submissas nas empresas que visito. Quando têm uma oportunidade, elas se queixam de uma situação difícil que estão vivendo, algo como puxa, Ricardo, não aguento mais isso aqui, a empresa é uma bagunça, meu gestor é um completo despreparado etc, etc, etc... Costumo dizer que elas têm quatro escolhas. Uma é tomar atitudes para mudar o que não funciona na empresa e assim ter um melhor ambiente de trabalho. Outra é mudar a si mesmas, internamente, para ser capazes de conviver com essas situações da melhor foram possível. Outra escolha é mudar de empresa, se não houver como mudá-la nem bastar mudar a si mesmo. Por fim, há também a escolha de continuar sofrendo e não fazer nada a respeito, que é a escolha dos submissos aliás, se formos pensar bem, também é a dos reativos.
Reativos - Estes são os que não aceitam as adversidades e se revoltam contra elas. Em vez de assumir a responsabilidade por solucionar seus problemas, sempre encontram a quem culpar. Por isso, estão constantemente reclamando de alguém: do chefe, que é um incompetente; dos subordinados, que fazem tudo errado; dos colegas, que não colaboram; da direção da empresa, que não toma as decisões certas... Não importa que o problema seja exclusivamente deles, pois mesmo assim insistem em negá-lo ou jogá-lo nas costas de alguém. Observe que os comportamentos descritos até agora têm um aspecto de manipulação, seja consciente ou inconsciente. A pessoa submissa, ao se fazer de vítima, tenta mobilizar os outros a resolverem os problemas dela ou perdoá-las por sua incompetência. É o caso daquele funcionário que não entrega o trabalho no prazo e inventa mil desculpas que o parceiro não fez a parte dele, que o setor tal não entregou as informações necessárias a tempo, que surgiram dificuldades no processo etc etc. Com isso, o funcionário tenta comover (ou seja, manipular emocionalmente) seu gestor para obter mais prazo. Já a pessoa reativa, ao colocar em alguém a culpa por seus problemas e dificuldades, procura transferir aos outros a responsabilidade por resolver tais situações. Quem mais perde com isso é ela mesma, pois não desenvolve as competências necessárias para o seu crescimento pessoal e profissional, já que a culpa nunca é dela e sim dos outros além, é claro, de continuar com os problemas, pois ninguém os resolverá para ela! Proativos - Em vez de curvar-se diante dos problemas, como os submissos, enfrentam a situação com a cabeça erguida. Diferentemente também dos reativos, que dispendem energia para reclamar da adversidade e procurar culpados, os proativos assumem as responsabilidades que lhes cabem e investem energia na solução da situação. Com essas atitudes, transformam as dificuldades em oportunidades de aprendizado, desenvolvem-se e fortalecem-se. Proatividade é uma característica das pessoas resilientes, como podemos observar no comportamento de Robson Zinder. Apesar da gravidade da situação que viveu, ele não perdeu um só instante para lamentar seu infortúnio, nem para procurar culpados pelo que aconteceu. Sua atitude foi arregaçar as mangas e começar logo a resolver a situação. Mais adiante neste livro, você verá como ele deu a volta por cima, saindo de um rombo financeiro de quase meio milhão de reais para reabrir seu mercado e voltar a prosperar. AGORA EU PERGUNTO: E VOCÊ, em qual dos grupos está? No dos submissos, reativos ou proativos? É importante que se situe com relação à forma como reage às
adversidades, e para tanto proponho que faça o teste abaixo. As instruções são as seguintes: 1. Responda as questões abaixo conforme a seguinte escala: Sempre 3 Frequentemente 2 Às vezes 1 Muito raramente 0 2. Marque sua resposta no quadrado em branco ao lado da questão. Por exemplo, digamos que na questão 1, Numa situação de stress, mantém a calma para resolver o problema, sua resposta seja às vezes, que corresponde ao número 1. Então você marcará 1 no quadradinho em branco dessa questão, que está na coluna B. 1 Numa situação de stress mantém a calma para resolver o problema? 2 Costuma despresar as pessoas que não são importantes para você? 3 Procura harmonizar-se com as pessoas a sua volta? 4 Valoriza datas comemorativas como Natal, Aniversários e etc? 5 Analisa bem as situações e apenas depois toma decisões? 6 É extremamente crítico quando as coisas não saem ao seu agrado? 7 Numa festa que conhece poucas pessoas, você fica retraido? 8 Costuma protelar decisões de problemas desagradáveis? 9 Valoriza o senso de responsabilidade? 10 Conversa com as pessoas olhando nos olhos? 11 Costuma se lamentar quando não atinge seus objetivos? 12 Costuma examinar a reação das outras pessoas? 13 É questionador? 14 Procura sempre a perfeição nas suas tarefas? 15 Julga corretamente as pessoas e fatos? 16 É extremamente rigoroso com os fracassos das pessoas? 17 É do tipo que consegue dizer o que pensa? 18 Sempre arranja boas desculpas? 19 Costumeiramente expressa-se dizendo: "Você deve fazer isso."? 20 Cumpre rigorosamente os regulamentos? 21 Sabe lidar relativamente com as pessoas? 22 Esforça-se para contentar os outros? 23 Colhe várias informações e fatos e os analisa bem antes da tomada de decisão? 24 Diz: "Desculpe-me"- "Sinto muito"? 25 Numa situação de contrariedade costuma questionar as pessoas antes de julgar? 26 Procura agir em busca do ideal? 27 Costuma planejar antes de agir? 28 Não se emociona numa conversa triste? 29 Expressa com firmeza sua opinião pessoal? 30 Conversa com facilidade com as pessoas?
3. Depois de responder todas as questões, some os números assinalados em cada uma das colunas e anote-os na linha Total de pontos. 4. Por último, transfira os totais obtidos em cada coluna para o gabarito abaixo. Compare as pontuações obtidas em cada coluna e verifique qual dos comportamentos (submisso, reativo ou proativo) predomina em você. A- Reativa 1 10 20 30 B- Proativa 1 10 20 30 C- Submissa 1 10 20 30 Espero que você tenha recebido bem o feedback que esse teste acaba de lhe proporcionar com relação às suas atitudes. Mas se bem conheço a natureza humana, pode ser que você não esteja muito confortável com o resultado obtido. Bem, isso é normal. Nos treinamentos que dou, enfatizo muito a importância do feedback para o desenvolvimento pessoal. Abordo a maneira de dar e receber feedback, e, neste último caso, falo sobre as respostas emocionais que as pessoas normalmente têm ao receber um retorno a seu respeito que não consideram positivo.
Num primeiro momento, a pessoa se nega a admitir que tem o comportamento apontado pelo feedback. Recusa-se a acreditar na informação que lhe é dada e argumenta que a pessoa que a dá está enganada. No caso do teste, a negação se manifesta com um pensamento do tipo esse teste está totalmente furado. Depois da negação vem a raiva com relação à pessoa que deu o feedback. O grande problema, aqui, é que você ficará zangado comigo, já que sou o autor do livro... Mas tudo bem, essa raiva não dura muito. Logo é substituída por um sentimento de indiferença, algo como ah, isso é só um teste sem importância, deixa prá lá.... Neste ponto é importante observar que enquanto se deixar tomar por essas emoções, você permanecerá no estágio incompetente inconsciente de que tratamos na introdução deste livro, e de nada valerá o alerta que estamos dando em relação ao seu modo de agir. Considere que esses comportamentos podem estar atrapalhando suas conquistas ou limitando seu desempenho. Peço, assim, que você conceda ao teste o benefício da dúvida. Aja como quem está com a pulga atrás da orelha e comece a observar-se. Como você reage quando alguém o contraria: não tem atitude alguma, agride a pessoa ou procura resolver a situação da melhor forma possível? Conforme observa a si mesmo, você entra no estado de racionalização, em que começa a perceber atitudes submissas ou reativas em relação às circunstâncias que o desagradam. A racionalização favorece sua entrada no estado de aceitação, no qual você assume que tem atitudes que o limitam e pode então iniciar um processo de mudança comportamental. Nesse caso, terá evoluído para o estágio consciente incompetente e dado um importante passo para seu desenvolvimento pessoal.
Caso você tenha dificuldade para alcançar os estados de racionalização e aceitação, solicite ajuda. Peça a alguém próximo para fazer o teste com você, questione as alternativas e peça exemplos de situações em que você agiu desse ou daquele jeito. Contar com a visão dos outros é essencial para quem deseja aprimorar a consciência sobre si próprio. Afinal, como costumo dizer nos treinamentos e palestras que dou, Deus nos fez de tal modo que não podemos enxergar nossas costas, mas os outros podem. Portanto, devemos levar em consideração o que eles vêem.