Direito das Sucessões Eduardo Domingues
12/02 A matéria é dividida em quatro partes. Primeiro temos a sucessão em geral traz uma série regras que permeiam todo o conteúdo que será tratado nesta disciplina. Depois, vemos a sucessão legítima é aquela que se regula pelas normas do Código Civil quanto à distribuição de bens entre parentes e cônjuge. Em seguida, a sucessão testamentária traz a possiblidade do próprio falecido determinar previamente para quem irá seu patrimônio. Por último, temos inventário e partilha, que são as normas do Código Civil sobre o procedimento para a transferência dos bens, sendo que, evidentemente, a parte mais procedimental não serão vistas aqui, mas sim em Processo Civil. A sucessão que estudaremos aqui é apenas a causa mortis, que é a transmissão dos bens do de cujus para seus herdeiros, que, como o próprio nome já nos dá a noção, é uma forma de substituição de alguém em uma relação jurídica por outra pessoa, especialemente quanto a direitos reais. Dentre as modalides de sucessão causa mortis temos a sucessão a título universal, que ocorre quando o herdeiro recebe todo o patrimônio jurídico do falecido com todas suas características precedentes, e sucessão a título singular, na qual se individua os bens a serem transmitidos, logo só pode ocorrer dentro da sucessão testamentária através de uma disposição testamentária chamada de legado, sendo legatário o nome daquele que recebe o bem. Uma primeira diferença entre o legado e a herança está exatamente no fato de que apenas no primeiro é que se determina expressamente qual bem vai para qual pessoa. Na herança todo aquele montante do patrimônio, ou proporção deste, é dividido entre os herdeiros. Outra é que o legatário não responde pelas dívidas da herança. Assim, num patrimônio de 1 milhão com 100 mil em legado, uma dívida de 200 mil, o legatário não terá que devolver o valor proporcional à redução da herança para os herdeiros. Esta é a regra geral, que será aplicado havendo patrimônio suficiente, pois as dívidas poderão ser tão grandes que esta norma será mitigada, pois a preferência geral é dos herdeiros, e não dos legatários. Uma primeira pergunta que temos que responder é em que momento ocorre a sucessão. Esta se dá no momento do óbito. Ou seja, a partir da morte os herdeiros já adquirem o patrimônio jurídico devido a cada um deles. Sendo
que os direitos de personalidade e obrigações personalíssimas não são transmitidas, extinguem-se com o falecimento. Lembrando que, no caso de direito autoral, este se divide em dois: um moral e outro patrimonial. Apenas o segundo se transmite. Ademais, o fato dos filhos poderem entrar com ação para proteger a honra dos pais não rompe esta regra, pois a ofensa a honra dos pais atinge também os filhos. Assim, qualquer um dos herdeiros pode ingressar com alguma das ações possessórias logo depois de comprovada a morte do de cujus, pois todos são co-possuidores, contra alguém que esteja ocupando ilegitimamente o bem em questão. Este é o chamado droit de saisine, que nasce do direito francês, mas somente beneficia os herdeiros, que são aqueles que se vinculam à sucessão por vínculo universal, seja pela via da sucessão legítima ou testamentária, vide art. 1784 do Código Civil. O legatário, portanto, apenas receberá o bem após a partilha. Esta diferença se dá pois é dever apenas dos herdeiros defender a herança e devido ao fato de que poderá o legatário vir a não receber o bem, por exemplo por causa de uma possível evicção. Porém, o direito do legatário após a partilha retroage até o dia do óbito, tendo direito ao frutos provenientes entre o óbito e o fim da partilha, assim como devendo receber o bem no estado em que estava na data do óbito, ressalvada a deterioração natural do mesmo. Quanto à relação entre dívidas do de cujus e patrimônio deixado por ele, os herdeiros apenas tem que pagar até o limite do que receberam de herança, vide art. 1792. Questões para a próxima aula: Onde ocorre a sucessão? Onde o inventário tem que ser aberto? Se um estrangeiro, que tenha bens no Brasil, mas no domicílio no estrangeiro, falece, que lei regerá sua sucessão? 19/02 Art. 1784: aberta a sucessão transmite-se a herança desde logo princípio do Droit Saisine ou seja, não se transmite aos legatários desde logo A sucessão testamentária pode se dar de duas formas: herdeiros testamentários e legatários (à título universal e à título singular, respectivamente). Além da sucessão testamentária, há a legítima, que ocorre quando não há
testamento. A sucessão testamentária obedece à vontade do testador e a legítima obedece aos desígnios da lei. A sucessão legítima refere-se aos herdeiros legítimos, que são os descendentes (filhos, netos, etc.) e depois os ascendentes (pais, avós, etc.), cônjuges, companheiro e colateral até o quarto grau. Vide art. 1829. Entre os herdeiros legítimos, há aqueles que são chamados de herdeiros necessários, que são descendentes, ascendentes e cônjuges (art. 1845). O herdeiro necessário tem direito a metade dos bens da herança. A pessoa em vida que tem herdeiros necessários só pode dispor da metade dos bens. Chamamos de legítima ou herança necessária esta metade dos bens. O direito à herança é direito fundamental, vide art. 5º, XXX e XXXI. Art. 10 da LICC. Vide arts. 89/96 do CPC para a questão da competência, sendo a primeira regra a existência de bem imóveis no Brasil e a segunda a de bens no Brasil, inventário no Brasil. Se se abre o inventário num local incompetente, o juiz pode se dizer competente sem ser inválido o processo. Se alguém alegar vício, o processo vai para o local competente e recomeça de onde parou. Art. 80, II, CC direito à sucessão aberta é considerado um bem imóvel, pois a disciplina jurídica dos bens imóveis é mais protetiva do que a dos móveis. 05/03 Vocação Hereditária Para ser herdeiro é necessário que se esteja vivo no momento de abertura da sucessão. Em princípio, os que não nasceram também não seriam herdeiros, mas aquele que já foi concebido, o nascituro, possui direito à herança garantido, desde que venha a nascer com vida. E no caso da mulher utilizar o sêmen do pai já falecido para a concepção de um filho? A legislação não apresenta solução, assim como no caso de embrião congelado. Pode se dizer que ao ser filho possui direito, mas também que não estava vivo quando abriu a sucessão, daí a impossibilidade de herdar. A pessoa pode deixar a herança para pessoa jurídica via sucessão
testamentária, assim como determinar que o patrimônio deixado constituirá fundação. Assim como pode deixá-la para aquele que não foi nem mesmo concebido, desde que este o seja dentro do prazo de dois anos (art. 1799 c/c art. 1800, 4º). O art. 1801 traz os casos de vedação para se ser herdeiro. Não é caso de incapacidade, mas de vedação legal, relacionada com a posição que o ocupa tal pessoa no mundo jurídico. Nestes casos, tais disposições serão tidas como nulas de acordo como art. 1802, que estende esta vedação aos casos de simulação via contrato oneroso ou interposta pessoa, que é quando se diz estar doando, por exemplo, para o filho da pessoa quando seu alvo é na verdade a mesma. Vide, ainda, art. 1803. Aceitação ou Renúncia da Herança Ninguém é obrigado a aceitar a herança, sendo possível recusá-la. Porém, tanto a aceitação quanto a renúncia são irretratáveis, mas evidente que podem ser anulados, vide art. 1812. A renúncia e a aceitação retroagem até o momento do óbito, vide art. 1804. Enquanto que a renúncia deve sempre ser expressa, através de instrumento público ou termo judicial (art. 1806), caso se queira aceitá-la, isto pode ser feito de três formas: expressa, tácita ou presumida. No primeiro caso, há uma declaração escrita do herdeiro aceitando a herança, vide art. 1805, caput, primeira parte. A aceitação tácita ocorre quando o herdeiro pratica algum ato que exprima a qualidade de herdeiro (chamados de atos de herdeiro), dando a entender que há interesse na herança, como a administração e guarda do patrimônio, assim como a concordância ou discordância em relação ao valor dos bens ou escolha do inventariante. Existem exceções, que são os atos que podem ser praticados sem que se constitua a situação de herdeiro. Estes são os atos oficiosos, todos os atos relativos ao funeral e aqueles de conservação e guarda provisórios dos bens, definidos no 1º do art. 1805. Há uma controvérsia na doutrina quanto à abertura do inventário, pois alguns entendem ser este ato oficioso e outros já representar a aceitação da herança. Por último, a aceitação presumida se dá quando o juiz estabelece um prazo para que a pessoa decida se aceita ou não a herança e ela não responde. Sua
manifestação é entendida como aceitação presumida. Vide art. 1807. Na aceitação e na renúncia não é possível a estipulação de termo, condição, ou mesmo somente aceitar parte da herança, de acordo com o art. 1808. Porém, no caso daquele que é herdeiro a dois títulos (sucessor legítimo e sucessor testamentário) pode escolher renunciar a apenas um deles (art. 1808, 2º). A parte daquele que renuncia vai para os co-herdeiros de sua mesma classe, como é a classe dos filhos, conforme determina o art. 1810. Caso não há co-herdeiros da mesma classe, passa a classe subsequente. Se este dizer que renuncia em benefício de alguém, estará, na verdade, doando aquele bem para tal pessoa e a doutrina chama este fenônemo de renúncia translativa (que seria composta de uma aceitação e uma doação, havendo a incidência dos dois impostos cabíveis), desde que esta renúncia não seja em favor daqueles que já receberiam os bens em caso de renúncia, pois aqui se entende que há renúncia abdicativa de acordo com o 2º do art. 1805. A renúncia da herança não pode prejudicar os credores do herdeiro. Assim, o art. 1813 determina que o credor pode aceitar a herança em nome do herdeiro no montante que lhe é devido, sendo o restante distribuído entre os demais co-herdeiros. Como a transmissão da herança se dá no momento do óbito, caso o herdeiro morra antes de aceitar esta transmissão sim ocorreu, entrando em seu patrimônio o direito de aceitar ou renunciar (direito de deliberar), e não os bens do falecido anterior. Assim, este direito de deliberar passa aos seus herdeiros, que passam a poder aceitar em seu nome, vide art. 1809, mas o patrimônio não passa direito do primeiro falecido para o último herdeiro. O que o herdeiro final recebe é a herança integral do segundo falecido, que inclui o direito de deliberar em relação à primeira herança. Não é possível aceitar apenas a herança proveniente do falecido primitivo ou da a do falecido posterior. 12/03 Exclusão da Herança A indignidade é uma causa de exclusão da herança prevista nos arts.
1814/1818 do Código Civil. Logo, somente se aplica aquele que possuía previamente direito à herança. Como é caso em que se retira forçosamente determinado bem do patrimônio de alguém, é necessário um processo jurisdicional que legitime esta solução, sendo que a competência é da Justiça Cível a declaração de que de fato esta-se diante de caso de indignidade. O fundamento da indignidade é moral, determinando que aquele que receberá a herança deve ter uma conduta correta e proba em relação àquele de quem os bens da herança provém. Por exemplo, aquele que mata o pai, não receberá herança dele. A ação que verifica a indignidade só pode ser proposta por aquele que receberá a herança do excluído. Por exemplo, no caso de dois filhos onde um deles matou os pais, apenas o outro filho pode propor a ação. No caso de não haverem outros herdeiros, apenas o Município poderá propor a ação, já que é para ele que irá a herança. O prazo para a propositura da ação é de quatro anos (parágrafo único do art. 1815), que é decadencial e personalíssimo, começa a correr com a abertura da sucessão, ou seja, com o óbito. Lembrando que no caso de herdeiro menor de 14 anos, o prazo não conta enquanto o herdeiro for absolutamente incapaz, ou seja, enquanto não completar 16 anos. Quando uma pessoa é considerada indigna, seus descendentes é que receberão o montante da herança que iria para ela (art. 1816), sendo que a pessoa indigna não poderá receber via herança o bem que seu descendente ganhou nesta situação caso este filho venha a morrer (parágrafo único do art. 1816). Somente estes herdeiros podem propor a ação, pois apenas eles podem herdar o patrimônio em questão, mesmo que o indigno possua irmãos. O ofendido pode perdoar o indigno. Esta reabilitação só pode ser feita via testamento ou outro ato autêntico qualquer que traga expressa previsão do ofendido (art. 1818). No caso daquele ciente da indignidade que faz testamento deixando patrimônio ao indigno via legado, mas sem expressamente determinar que reabilita a este, ainda haverá possibilidade de ação de indignidade, mas esta apenas atingirá a legítima, estando o legado expressamente deixado para o indigno garantido como sendo seu por direito. Até que se descubra que aquela pessoa praticou o ato de indignidade e que se proponha a ação de indignidade, o indigno já pode ter praticado uma série
de atos em relação ao inventário. Neste caso, se o ato for oneroso e o terceiro que participou dele for de boa-fé, ele será válido. Quaisquer outros atos são anuláveis. (art. 1817) As hipóteses de indignidade estão no art. 1814 e se aplica a herdeiros legítimos e testamentários, assim como legatários. A deserdação está prevista nos arts. 1961/1965 do CC. Havendo ato de indignidade, outra pessoa propõe ação depois. Em outras situações o próprio autor da herança pode excluir a pessoa da mesma, sendo a deserdação o meio de fazê-lo e só poderá ser determinada em testamento. A deserdação apenas se dá contra herdeiro necessário (art. 1961; art. 1845 ascendentes, descendentes e cônjuges), pois os outros podem simplesmente terem sua menção no testamento excluída. Por exemplo, no caso de legatário que pratica ato de indignidade, basta que se confeccione novo testamento sem a previsão deste legado, não havendo necessidade de se falar em deserdação no novo testamento a ser escrito. Na verdade, a deserdação é possível em todos os casos de indignidade (art. 1814), além dos previstos no art. 1962 (deserdação dos descendentes pelos ascendentes) e no art. 1963 (desedação dos ascendentes pelos descendentes). A deserdação pelo cônjuge não está expressamente determinada como nestes dois casos, logo não é esta modalidade de deserdação não é possível, apesar deste ser herdeiro necessário. Assim, a deserdação somente é possível nos casos previstos expressamente em lei, por isso é que o testamento deve indicar explicitamente o motivo da deserdação, caso contrário esta não produzirá efeitos. Isto por si só não confere à deserdação efeitos. Além da menção expressa no testamento, alguém terá que propor a ação de deserdação após o óbito do autor da herança, para que se prove que de fato o motivo da deserdação é verdadeiro. Assim como na indignidade, apenas aqueles com interesse patrimonial na exclusão da herança é que podem propor a ação de deserdação. Herança Jacente e Vacante (arts. 1819/1823) Quando não há herdeiro conhecido, antes que a herança vá para o Município, esta passa pelo processo de herança jacente e vacante.
A herança jacente é aquela devolvida para qual não se apresentaram herdeiros legítimos. Num primeiro momento, frente a não apresenta inicial de herdeiros legítimos, o Estado faz uma arrecadação, que é a busca do patrimônio daquela pessoa, seguida do inventário dos bens desta. O bem está pronto para ser entregue ao herdeiro. Daí o juiz comanda a publicação em edital para citar o herdeiro e ele tem a validade de um ano desde a primeira publicação. Findo este prazo sem que nenhum herdeiro se apresente, o juiz dá uma sentença declarando a vacância da herança. Caso alguém se apresente após este prazo, o herdeiro colateral (irmão, tio, primo, tio-avô, sobrinho, companheiro, etc.) ainda assim não terá direito à herança. Caso seja herdeiro necessário, ele continuará tendo direito ao patrimônio deixado. Se ninguém se apresentar, os bens em questão irão para o Poder Público (Município ou Distrito Federal, mas caso seja em território federal vai para a União) no prazo de cinco anos a partir do óbito, continuando ser necessário que se completo o processo de inventário. Mesmo que o edital sai mais de cinco anos após o óbito, os bens continuam indo para o Poder Público após um ano de publicação do edital, sendo que neste caso isto se dará imediatamente após esta. 19/03 Sucessão do Ausente O ausente é a pessoa que desaparece do domicílio sem deixar notícias. Isto dá origem a um problema no Direito Civil, pois o ausente deixa determinado patrimônio e é necessário determinar que administrará estes bens. Após determinado tempo, teremos, também, a transferência destes bens para os herdeiros presumidos. Logo, o Código regula de duas formas diferentes esta questão do ausente. No caso de ausente que deixa procurador, será este o responsável pela administração do patrimônio. Porém, ele não administrará eternamente tais bens. Mesmo se ele não renunciar, há um limite de três anos impostos pela lei a serem contados desde o momento em que se constava o desaparecimento.
Findo este prazo, se declara a ausência da pessoa e se abre a sucessão provisória. A segunda hipótese é de pessoa que não deixa procurador. Aqui pede-se que o juiz nomeie um curador para administrar o patrimônio durante este primeiro momento da ausência e que declare a ausência. Esta declaração pode ser requerida em momento posterior à escolha do curador, apesar da dicção do art. 22. Este processo pode se dar a qualquer momento, não havendo prazo determinado em lei. O curador fará a arrecadação dos bens do ausente. Um ano após o término da arrecadação, temos a sucessão provisória. Aberta a sucessão provisória, não importa se o ausente havia deixado procurador ou não, o processo corre igualmente. Nesta fase de sucessão provisória os filhos já podem se imitir na posse dos bens do ausente, mas esta posse é provisório, pois o retorno do ausente importará no retorno dos bens a este. Quando da devolução dos bens ao ausente que retorna, os que os bens deverão estar no mesmo estado que se encontravam quando iniciou a posse provisória. Uma forma de garantir isto é prevista pelo art. 30, que determina que os herdeiros deverão prestar garantia, porém o 2º estabelece que ascendentes, descendentes e cônjuges não possuem tal obrigatoriedade. Logo, apenas os parentes colaterais e o companheiro está obrigado a prestar a garantia. Quanto aos frutos, o art. 33 nos diz que ascendentes, descendentes e cônjuges farão seus os frutos percebidos dos bens do ausente. Os demais herdeiros (colaterais e companheiros) tem direito a metade destes. Caso estes consigam provar que a ausência foi voluntária e injustificada, terão direito a todos os frutos, vide parágrafo único deste mesmo artigo. Apenas após dez anos do trânsito em julgado da sentença que abre a sucessão provisória é que se pode requerer a abertura da sucessão definitiva (art. 37), momento no qual as cauções podem ser também levantadas. Caso o ausente regresse antes de dez anos decorridos após a abertura da sucessão definitiva, o ausente terá direito a retomar seus bens no estado em que se encontrarem ou o preço percebido pelos herdeiros e demais interessados na alienação destes (art. 39). Apenas decorridos mais dez anos após a abertura da sucessão definitiva é que o ausente não terá direito a mais nada.
Petição de Herança A petição de herança é um tipo de ação petitória (o outro é a ação reivincidatória). Nesta o herdeiro busca reaver a herança a qual tem direito que esta na posse de outra pessoa. Tal herdeiro, por exemplo, podia estar desaparecido ou não se saber que ele existia. A herança é um direito patrimonial de natureza imóvel segundo o art. 80 do Código Civil. Logo, é possível pensar na aplicação da usucapião aqui. Portanto, a possibilidade de ingressar com a ação de petição de herança prescreve no prazo da usupacião, levando em consideração todos os fatores que modificam tal prazo, como a ma-fé do possuidor. Assim estabeleceu a Súmula 149 do STF. No caso do herdeiro aparente ter praticado ato de alienação do bens da herança, temos o art. 1827, que estabele que o herdeiro verdadeiro pode demandar o bem de terceiro (não excluindo a possibilidade deste buscar reaver seu dano contra o herdeiro aparente), porém, caso a alienação seja onerosa e o terceiro esteja de boa-fé, tal alienação será tida como eficaz. Parentesco O professor recordou as noções de grau de parentesco já apresentadas no período passado. O parentesco colateral só vai até o quarto grau, enquanto que o parentesco em linha reta não tem limites. 26/03 Sucessão Legítima A sucessão legítima é aquela que ocorre sempre na ausência de testamento, mas que também pode se dar paralelamente à sucessão testamentária. A sucessão por direito próprio (ou por cabeça) é aquela, por exemplo, que se apresenta no caso dos filhos ou dos netos, na ausência de filhos. Aqui se herda diretamente. A divisão do patrimônio é feita igualmente entre estes herdeiros.
No caso do de cujus possuir dois filhos, mas um falecido com dois filhos (chamado de pré-morto), estes filhos (netos do primeiro falecido) herderão na qualidade de filhos do filho do de cujus. Esta é a sucessão por estirpe ou por representação. Aqui não tem problema os netos receberem cota diferente da do filho, pois eles não são do mesmo grau, logo não há conflito com o art. 1834. Não há limite para a aplicação da sucessão por estirpe. O descendente em grau mais próximo exclui o descendente em grau mais remoto (art. 1833), salvo o direito de representação da sucessão em estirpe. Vide arts. 1810/1811. A sucessão por representação serve para que os herdeiros de segundo grau herdem junto com os herdeiros de primeiro grau. Logo, caso os demais herdeiros de primeiro grau, além do pré-morto, sejam ilegítimo ou renunciarem, todos os herdeiros de segundo grau herdarão por cabeça, mesmo os herdeiros que seria por representação do pré-morto. Vide arts. 1833/1835, 1851/1852, 1854/1856 XX/XX Direitos das sucessões Direitos das sucessões Direitos das sucessões Direitos das sucessões