ROTEIRO DE ESTUDOS DIREITO DO TRABALHO SUJEITOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO
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- Elza Carneiro Lopes
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1 ROTEIRO DE ESTUDOS DIREITO DO TRABALHO SUJEITOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO I. EMPREGADOR 1. Conceito A definição celetista de empregador é a seguinte: CLT, art. 2º - Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. 1º - Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. É importante frisarmos que empregador pode ser pessoa física ou jurídica. 2. Despersonalização O empregado se vincula ao empreendimento (atividade econômica organizada art. 966, do CC) e não à pessoa do empregador, permitindo assim que se afirme que a mudança subjetiva na empresa (mudança dos sócios, por exemplo) não afetará os contratos de trabalho. A despersonalização, portanto, mantém o contrato de trabalho válido mesmo quando há modificação do sujeito passivo (empregador), como ocorre na sucessão trabalhista: CLT, art A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. Percebam, então, que o conceito de empregado se relaciona à pessoalidade, enquanto o conceito de empregador se vincula à impessoalidade. Já a assunção dos riscos é efeito jurídico decorrente do risco do empreendimento, que deve ser suportado pelo empregador: caso a atividade empresarial apresente resultados negativos (prejuízo), o empregador deve assumi-los integralmente, não podendo transferir o risco para os empregados. Exemplo: a empresa enfrenta forte concorrência e começa a operar com resultado negativo (despesas maiores que as receitas). Mesmo nestes casos o empregador deve pagar os salários (e demais direitos) aos seus empregados, visto que ele é que deve assumir integralmente o risco da atividade. 3. Empregador por equiparação São todos aqueles que não entram no conceito de empresa (profissional liberal, entidades filantrópicas).
2 4. GRUPO ECONÔMICO O conceito de grupo econômico surgiu para que aumentassem as chances de garantir o crédito trabalhista (valores devidos aos empregados). Podemos identificar o conceito de grupo econômico no artigo 2º, 2º, da CLT: CLT, art. 2º, 2º - Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Exemplo: imaginemos a situação de um grupo empresarial formado por dois supermercados e dois postos de combustível, sendo que um destes últimos faliu e não tem patrimônio suficiente para honrar os valores devidos a seus empregados: Verificando-se no caso exemplificativo que de fato existe o grupo econômico para fins trabalhistas (conforme definido no artigo 2º, 2º, da CLT), os valores devidos aos empregados do posto 2 poderão ser exigidos de quaisquer das empresas integrantes do grupo. Neste contexto, podemos concluir que há responsabilidade solidária de empresas do mesmo grupo econômico quanto aos créditos trabalhistas. Este é o conceito de solidariedade passiva. Ressalte-se que estudaremos os efeitos do grupo econômico no âmbito do direito do trabalho, não sendo correto estender este conceito da CLT a outros ramos do direito (como o tributário e o civil, por exemplo). Assim, para verificarmos se há grupo econômico para fins trabalhistas devemos observar os requisitos do artigo 2º, 2º, da CLT, não sendo necessário que haja formas jurídicas exigidas em outros ramos do direito, como a existência de holdings ou pools de empresas. Seguindo adiante, outro efeito do grupo econômico para fins trabalhistas é a solidariedade ativa, segundo a qual o empregado de uma empresa do grupo econômico pode prestar serviços a outra(s) empresas do grupo sem que isso gere, necessariamente, mais de um contrato de trabalho. Voltando ao exemplo do grupo acima, caso um empregado do posto 2 seja designado para realizar, por exemplo, limpeza nos postos de combustível e em um dos supermercados, isso, por si só, não irá caracterizar a coexistência de mais de um contrato de trabalho. Este entendimento (da solidariedade ativa) está consubstanciado na Súmula 129 do TST:
3 SUM-129 CONTRATO DE TRABALHO. GRUPO ECONÔMICO A prestação de serviços a mais de uma empresa do mesmo grupo econômico, durante a mesma jornada de trabalho, não caracteriza a coexistência de mais de um contrato de trabalho, salvo ajuste em contrário. Esquematizando o exemplo: Com relação à natureza do grupo que responderá solidariamente pelos créditos trabalhistas, observem que a lei fala de natureza econômica, e por isso nem todos os empregadores poderão constituir grupo econômico: CLT, art. 2º, 2º - Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Deste modo, um órgão público ou um empregador doméstico não podem formar grupo econômico para fins trabalhistas, visto que não exercem atividade de natureza econômica. Além da previsão celetista, ressalte-se que o conceito de grupo econômico trabalhista também foi materializado na Lei 5.889/73 (Lei do Trabalho Rural): Lei 5.889/73, art. 3º, 2º Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob direção, controle ou administração de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico ou financeiro rural, serão responsáveis solidariamente nas obrigações decorrentes da relação de emprego. A Lei do Trabalhador Rural, além de tratar da existência subordinação para caracterização de grupo econômico, destaca também a possibilidade por coordenação. Grupo Horizontal Coordenação as pessoas jurídicas estão lado a lado, ou seja, não existe uma empresa controladora. Loja Animale, várias lojas, mas juridicamente cada uma é uma pessoa jurídica diferente. Grupo Vertical Subordinação - existe um sociedade controladora que controla as inferiores. Bradesco > Bradesco saúde, Bradesco seguro.
4 5. SUCESSÃO DE EMPREGADORES Sucessão de empregadores é sinônimo de sucessão trabalhista e alteração subjetiva do contrato (pois se altera o sujeito do empregador). Os fundamentos legais da sucessão de empregadores são os artigos 10 e 448 da CLT: CLT, art Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. CLT, art A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. Podemos verificar, então, que nos casos em que haja mudança na propriedade da empresa haverá a transferência dos créditos e dívidas trabalhistas. Assim, por exemplo, se uma livraria é vendida para outros proprietários, isto não irá prejudicar a continuidade dos contratos de trabalho dos empregados do estabelecimento. Caso haja dívida trabalhista, ela permanecerá existindo. Outro exemplo: se a livraria estava juridicamente constituída como sociedade limitada, e posteriormente passou a se estruturar como sociedade anônima, este fato também não afetará os contratos de trabalho existentes. Além disso, podemos enxergar a sucessão nos casos em que a empresa sofre fusão, cisão ou incorporação: no caso da nossa livraria, poderíamos imaginar sua fusão com outra empresa, dando lugar a nova pessoa jurídica, situação que, da mesma forma, não afetará a continuidade dos contratos de trabalho. Segue abaixo Orientação Jurisprudencial do TST que se relaciona ao tema: OJ-SDI1-261 BANCOS. SUCESSÃO TRABALHISTA As obrigações trabalhistas, inclusive as contraídas à época em que os empregados trabalhavam para o banco sucedido, são de responsabilidade do sucessor, uma vez que a este foram transferidos os ativos, as agências, os direitos e deveres contratuais, caracterizando típica sucessão trabalhista. É interessante notar que a sucessão terá lugar quando haja transferência de unidade econômico-jurídica, e alterações singulares não ensejarão a sucessão trabalhista. Se, por exemplo, uma empresa gráfica (que edita e publica livros) possui uma matriz e uma filial, e sua filial é transferida a terceiros, poderemos verificar a sucessão trabalhista em relação aos empregados da filial. Entretanto, se algumas máquinas da filial são vendidas para outra empresa, não poderemos, em princípio, falar em sucessão trabalhista pela venda do maquinário, pois neste caso não estará havendo transferência de unidade econômico-jurídica, mas apenas de suas máquinas. Importante mencionar, porém, que a CLT menciona que qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados, e isso permite a interpretação de que alterações significativas poderão configurar a sucessão (mesmo quando não haja a transferência de toda a unidade econômico-jurídica), desde que estas alterações sejam significativas a ponto de afetar os contratos de trabalho. No exemplo acima (da venda do maquinário), caso se verifique que não houve a transferência de propriedade da totalidade da filial, mas todas as suas máquinas foram vendidas a terceira empresa, sendo o principal patrimônio da filial, e que isto afetará de modo significativo os contratos de trabalho, pode-se configurar a sucessão trabalhista. Além disso, a doutrina também considera como requisito da sucessão trabalhista a continuidade da
5 atividade empresarial. Assim, estamos diante de sucessão empresarial quando o estabelecimento ou empresa sejam transferidos e continuem a funcionar. É comum haver cláusula de não responsabilização na alteração de titularidade de empresas: no contrato de venda, por exemplo, consta cláusula onde o adquirente se responsabiliza pelos valores devidos aos empregados a partir da transferência de propriedade, e as dívidas anteriores permanecem sob responsabilidade do antigo proprietário. Este tipo de cláusula tem validade no direito civil, à medida que permitirá ao adquirente da empresa acionar o vendedor na Justiça caso tenha que assumir dívidas antigas. No âmbito do direito do trabalho, entretanto, esta cláusula não possuirá validade, e o adquirente responderá pelas dívidas existentes, mesmo que originadas antes da transferência de propriedade (houve a sucessão de empregadores). Nestes casos, a empresa sucedida será subsidiariamente responsável pelos créditos trabalhistas existentes à época da mudança de propriedade.
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