Tetania da. Lactação e das. Pastagens

Documentos relacionados
Tetania da. Lactação e das. Pastagens

Homeostase do potássio, cálcio e fosfato

ossos 99% membrana celular ions mensageiro ou regulatório (processos intracelulares) estrutura óssea

DEFICIÊNCIA DE FÓSFORO EM BOVINOS LEITEIROS

Regulação Endócrina do metabolismo do cálcio e do fosfato

Universidade Federal de Pelotas Programa de Pós-Graduação em Veterinária Disciplina de Doenças metabólicas DOENÇAS METABÓLICAS

Interpretação de Exames Laboratoriais para Doença Renal

MAGNÉSIO DIMALATO. FÓRMULA MOLECULAR: C4H6Mg2O7. PESO MOLECULAR: 396,35 g/mol

Introdução. A hipocalcemia clínica é um dos principais transtornos metabólicos do período de transição.

Hipocalcemia da vaca leiteira

Alterações do equilíbrio hídrico Alterações do equilíbrio hídrico Desidratação Regulação do volume hídrico

Eletrólitos na Nutrição Parenteral

MACROELEMENTOS PARA CÃES E GATOS

Magnésio: deficiência em bovinos 1

SISTEMA EDUCACIONAL INTEGRADO CENTRO DE ESTUDOS UNIVERSITÁRIOS DE COLIDER Av. Senador Julio Campos, Lote 13, Loteamento Trevo Colider/MT Site:

Hidroclorotiazida. Diurético - tiazídico.

AS MOLÉCULAS DA VIDA. COMPOSIÇÃO DOS SERES VIVOS De que são formados os seres vivos? ELEMENTOS QUÍMICOS QUE COMPÕEM OS

4/19/2007 Fisiologia Animal - Arlindo Moura 1

A formulação associa os principais componentes necessários para a reposição de cálcio, como a vitamina D3, que atua como modulador dos fatores

Regulação do ph ruminal e as consequências nutricionais do ph ácido Apresentador: Carlos Guerra e Mauri Mazurek Orientação: Bárbara Scherer

AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA NO IDOSO

CÁLCIO Função: Sintomas de deficiência: Sintomas de excesso: CLORO Função: Sintomas de deficiência: Sintomas de excesso: COBALTO Função:

Fisiologia do Sistema Endócrino. Metabolismo do Cálcio e a Paratireóide

8 SINTOMAS DA DEFICIÊNCIA MINERAL EM BOVINOS E OS MINERAIS ESSENCIAIS A SAÚDE DO REBANHO

Muito Além do peso. Nosso corpo é dividido basicamente em 4 componentes que podemos medir, onde cada um

Macroelementos. para cães e gatos. Aulus Carciofi

Fisiologia celular I. Fisiologia Prof. Msc Brunno Macedo

Efeitos da Hipocalcemia Subclínica sobre a Imunidade de Vacas Leiteiras

NERVITON MEGA Ômega Vitaminas + 8 Minerais

Emergências Oncológicas - Síndrome de. lise Tumoral na Emergência

Magnésio. Magnésio Funções. Magnésio Sódio Potássio. HNT 130 Nutrição normal. Organismo humano adulto

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

BIOLOGIA MOLECULAR. Água, Sais Minerais, Glicídios e Lipídios. Biologia Frente A Laís Oya

AZ Vit. Ficha técnica. Suplemento Vitamínico Mineral. REGISTRO: Isento de Registro no M.S. conforme Resolução - RDC n 27/10.

UP! A-Z Force Homme. Informação Nutricional. Suplemento vitamínico e mineral de A a Z 60 cápsulas de 500mg

PLANO DE DISCIPLINA. 1. Identificação: 2. Ementa: 3. Objetivo Geral:

MULTI VITAMIN Suplemento polivitamínico

Sistema Urinário. Patrícia Dupim

Desequilíbrios de Cálcio, Fósforo e Magnésio 1

Fisiologia da motilidade

Metabolismo da Glicose. Glicose, metabolismo e enfermidades relacionadas. Metabolismo da Glicose. Prof. Me. Diogo Gaubeur de Camargo

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA CAMPUS DE DOM PEDRITO CURSO ZOOTECNIA. Aula - Período seco

30/05/2017. Metabolismo: soma de todas as transformações químicas que ocorrem em uma célula ou organismo por meio de reações catalisadas por enzimas

INTRODUÇÃO À BIOQUÍMICA DA CÉLULA. Bioquímica Celular Prof. Júnior

Biomassa de Banana Verde Polpa - BBVP

Classificação das Vitaminas

BIOLOGIA. Moléculas, células e tecidos. A química da vida. Professor: Alex Santos

GAMA 1xDIA. Maio 2016

Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM Disciplina de Fisiologia. O Músculo Estriado Esquelético

ALBUMINA. Proteína do ovo como suplemento

Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM Disciplina de Fisiologia. O Músculo Estriado Esquelético

POTENCIAL DE MEMBRANA E POTENCIAL DE AÇÃO

Disciplina de BIOQUÍMICA do Ciclo Básico de MEDICINA Universidade dos Açores 1º Ano ENSINO PRÁTICO 5ª AULA PRÁTICA

Sumário detalhado. Fundamentos S. Silbernagl e F. Lang 2. Temperatura, Energia S. Silbernagl 24. Sangue S. Silbernagl 32

FISIOLOGIA DA CONTRAÇÃO MUSCULAR DISCIPLINA: FISIOLOGIA I

Movimento e alimento. Eliane Petean Arena Nutricionista

SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO FACULDADE DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE DISCIPLINA

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL AISI ANNE SANTANA PERMÍNIO V. OLIVEIRA JR.

A partir do consumo de nutrientes, os mecanismos de transferência de energia (ATP), tem início e estes auxiliam os processos celulares.

Avanços em Nutrição Mineral de Ruminantes Suplementando com precisão

NUTRIÇÃO. Problemas nutricionais associados à pobreza: Desnutrição /Hipovitaminose / Bócio

Avanços em Nutrição Mineral de Ruminantes Suplementando com precisão

Fármacos ativadores de colinoceptores e inibidores da acetilcolinesterase

25/05/2018. APP: Human Body (Male) Sistemas Humanos. Prof. Leonardo F. Stahnke

Introdução ao estudo de neurofisiologia

21/07/14' ! Dinâmica da água e eletrólitos no organismo! Água x Peso

Página: 1/5 Revisão: Emissão: 17/09/2017 Indexação:

21/07/14. Processos metabólicos. Conceitos Básicos. Respiração. Catabolismo de proteínas e ácidos nucleicos. Catabolismo de glicídios

CALSAN carbonato de cálcio

Efeito sinérgico do Mg e P

INTRODUÇÃO À FISIOLOGIA HUMANA CMF-1

IMPORTÂNCIA DO USO DE DRENCH DURANTE O PERIPARTO DE VACAS LEITEIRAS

Glândulas endócrinas:

2º trimestre Biologia Sala de estudos Data: Agosto/2015 Ensino Médio 1º ano classe: Profª Elisete Nome: nº

LISTA DE EXERCÍCIOS 3º ANO

MAGNÉSIO LIVRO DIGITAL UM MINERAL ESSENCIAL À VIDA

CONTRAÇÃO MUSCULAR. Letícia Lotufo. Estrutura. Função. Fonte: Malvin et al., Concepts in humam Physiology

ALLFORT (polivitamínico + polimineral)

Contração e Excitação do Músculo Liso

Descubra a comida que mais se adapta ao seu gato: KITTEN ALL CATS

NORMAS COMPLEMENTARES AO EDITAL Nº 03 DE 2016 CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE PROFESSOR ASSISTENTE 1 DA UNIRV UNIVERSIDADE DE RIO VERDE

REGULAÇÃO HORMONAL DO METABOLISMO DO GLICOGÊNIO E DE LIPÍDIOS

FISIOLOGIA GERAL INTRODUÇÃO

Patologia Geral. Calcificação Patológica. Carlos Cas3lho de Barros Augusto Schneider. h;p://wp.ufpel.edu.br/patogeralnutricao/

O AMENDOIM E SEUS BENEFÍCIOS

Transcrição:

Tetania da Lactação e das Pastagens

Tetania da Lactação e das Pastagens Hipomagnesemia Conjunto de fatores: Desequilíbrio da ingestão e excreção de Mg Estresse - esteróides endógenos Cátions com ação neuromuscular no alimento (Ca e K) Sintomas Clínicos: inquietude, tremores musculares, excitação, salivação, nistágmo, espasmos musculares tônicoclônicos, convulsão e opistótono.

Distribuição do magnésio no organismo 0,05% do organismo animal é composto de Mg 60% está nos ossos 25-28% está nos músculos 7-8% está nos outros tecidos 1-2% está no líquido extracelular

Distribuição do magnésio no organismo Mg dos ossos Pode ser mobilizado nos animais jovens. É indisponível nos animais adultos Mg dos tecidos moles intracelular 36 mg/dl líquido intersticial: 2,4 mg/dl É difícil estimar o conteúdo de Mg em um animal pois o plasma, onde normalmente ele é medido, contém apenas 1% do Mg do organismo.

Funções do Magnésio Intracelular Suas ações estendem-se sobre os principais processos metabólicos. Contração muscular, metabolismo das gorduras, carboidratos e proteínas, fosforilação oxidativa, metabolismo dos ácidos nucléicos, divisão celular, resposta imune, funcionamento e estabilização das membranas, etc.

Funções do Magnésio Extracelular 1) Formação óssea normal Confere resistência a hidroxiapatita ossos dentes 2) Produção e decomposição da ACETILCOLINA liberação da acetilcolina na fenda sináptica aumentada diminuida destruição da acetilcolina pela acetilcolinesterase retardada Mg ++ Ca ++ Ca ++ Ca ++ Mg ++ Mg ++

Absorção e Excreção Absorção Diminuem a absorção de Mg excesso de gordura cálcio sulfatos fosfatos excesso NH4 ruminal Ácido fítico Ácido oxálico Potássio K Relação: > 22 (Ca+ Mg) (diminui absorção de Mg)

Magnésio Sérico - Regulação A regulação da concentração sérica de Mg é diretamente dependente da quantidade de sua ingestão diária. Absorção intestinal excreção renal Não existe regulação hormonal primária

Sintomas Clínicos Tetania da lactação Aguda vacas tornam-se anoréticas e isoladas, alertas e hiperexcitáveis; orelhas bem eretas, bastante móveis; fasciculação muscular, incoordenação; episódios violentos de convulsões tônico-clônicas e opistótono; nistagmo, mastigação exagerada e salivação; hipertermia leve, de 40 a 40,5C; morte por insuficiência pulmonar aguda de 30 a 60 minutos; boa resposta ao tratamento.

Sintomas Clínicos Tetania da lactação Sub-aguda curso da doença de 3 a 4 dias; inapetência, com defecação freqüente e tremores musculares; tetania de posteriores e cauda; ataxia e convulsões; pode haver recuperação espontânea, ou progressão para decúbito crônica muitos animais afetados baixo nível de Mg sérico sem sinais clìnicos declínio da produção leiteira.

Sintomas Clínicos Tetania dos transportes Sintomas usualmente 24horas após o estresse (3 a 4 dias) O estresse mais comum é o transporte. Pode ocorrer por vacinação, mudança de alimentação, clima adverso, etc. A sintomatologia é semelhante à tetania da lactação na fase aguda

Diagnóstico Diferencial raiva encefalites virais e bacterianas acetonemia nervosa coccidiose nervosa hipocalcemia intoxicação por chumbo ou arsênico tétano intoxicação por estricnina

Patologia Clínica O Mg sérico normal é de 1,7 a 3 mg/dl. A tetania só ocorre em nível abaixo de 1,2 mg/dl. Os casos clínicos apresentam média de 0,5 mg/dl. As manifestações clínicas estão relacionadas mais diretamente aos níveis de Mg do líquido cefaloraquidiano. Quando menor que 1,25 mg/dl, tem-se tetania e convulsão. Pode-se encontrar hipocalcemia concomitante (5 a 8 mg/dl), ocorrendo em 50 a 75 % dos casos. Baixos níveis de Mg urinário, menos que 2,5 mg/100 ml. Necessidade de tratamento rápido diagnóstico sintomático e histórico

Epidemiologia vacas estabuladas que voltam ao pasto pasto de primavera em fase inicial de crescimento morbidade altamente variável, até 12 % doença do rebanho influência climática no aparecimento da doença alta mortalidade pastos adubados com N e K pastos com menos de 0,2 % de Mg na matéria seca mais comum até 2 meses após o parto 24 a 48h após transporte, até 3 dias após.

Tratamento 1- solução mista Ca: 25 % borogluconato de Ca (500ml I.V.) Mg: 5% hipofosfito de Mg 2- Mais solução de sulfato de Mg a 20% subcutânea - 200 a 300 ml

Tratamento evitar soluções contendo K monitorar a função cardíaca durante a aplicação expectativa de melhora em 3 a 5 horas não elevar o nível sérico de Mg acima de 5 mg/dl recidivas são frequentes, até 6 horas após; é imprescindível a suplementação oral. 60 g de óxido de Mg por 5 a 6 dias.

Prevenção e controle não existe estoque orgânico de Mg; suplementação diária para animais sob risco ou correção das pastagens; durante o período de risco moderado administrar 30g de óxido Mg/dia; Sob risco severo, até 60 g de óxido Mg/dia; adubação das pastagens com Mg evitar excesso de Mg reduz a disponibilidade do P;

Prevenção e controle reduzir adubação com K. Manter K/(Ca+Mg) < 22; abrigar os animais nos locais de clima frio; sal mineral com boa quantidade de Mg Uso racional do pasto, fazer pastejo de rebrota com animais de menor risco.