MATERIALISMO HISTÓRICO (Marx e Engels)

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Transcrição:

MATERIALISMO HISTÓRICO (Marx e Engels)

...as mudanças sociais que se passam no decorrer da história de uma sociedade não são determinadas por ideias ou valores. Na verdade, essas mudanças são influenciadas pela realidade material, isto é, a situação econômica dos atores da sociedade em questão. No materialismo histórico, as respostas para os fenômenos sociais estão inseridas nos meios materiais dos sujeitos. Isso quer dizer que diferentes situações materiais, o que em uma sociedade capitalista traduz-se em situação econômica, moldam diferentes sujeitos. Essa diferença seria, para Marx, vetor de conflitos entre grupos de indivíduos submetidos a realidades materiais diferentes.

Trabalho Trabalho Humano Meios de Produção FORÇAS PRODUTIVAS Matéria Prima Instrumento De Produção

...na produção social da sua vida os homens entram em determinadas relações, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada etapa de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais....numa certa etapa do seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes ou, o que é apenas uma expressão jurídica delas, com as relações de propriedade no seio das quais se tinham até aí movido. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações transformam-se em grilhões das mesmas. Ocorre então uma época de revolução social.

Mudanças nas técnicas de trabalho FORÇAS PRODUTIVAS Modificações tecnológicas BURGUESIA RELAÇÕES de PRODUÇÃO PROLETARIADO - Donos dos meios de produção. - Apropriação da mais-valia. - Donos da sua força de trabalho. - Exploração e alienação. MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA

Mudanças nas técnicas de trabalho Modificações tecnológicas BURGUESIA FORÇAS LUTA DE RELAÇÕES PRODUTIVAS CLASES de PRODUÇÃO PROLETARIADO - Donos dos meios de produção. - Apropriação da mais-valia. - Donos da sua força de trabalho. - Exploração e alienação. MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA

FORÇAS PRODUTIVAS: Combinação do trabalho humano e dos elementos modificados por ele para gerar os bens que necessita para a sua subsistência. RELAÇÕES DE PRODUÇÃO: Participação e/ou interação dos agentes sociais no processo produtivo condicionada pelo regime de propriedade. MODO DE PRODUÇÃO: Sistema ou conjunto de atividades através das quais a sociedade produz, distribui e utiliza bens e serviços.

MAIS-VALIA: Diferença entre o valor (expresso em horas de trabalho) incorporado a um bem e o pagamento do trabalho necessário para sua reposição (o salário). A essência do capitalismo seria a apropriação privada dessa mais-valia, que dá origem ao lucro. ALIENAÇÃO: O trabalhador se sente estranho ao produto de sua atividade, que pertence a outro. A atividade produtiva deixa de ser uma manifestação essencial do homem para tornar-se apenas um meio para satisfazer necessidades externas a ele. Desse modo, a vida produtiva se consolida como meio de vida. O homem se tornou estranho ao seu ser, enquanto pertencente a um gênero.

...A totalidade destas relações de produção forma a estrutura (ou infraestrutura) econômica da sociedade, a base real sobre a qual se ergue uma superestrutura jurídica e política, e à qual correspondem determinadas formas da consciência social. O modo de produção da vida material é que condiciona o processo da vida social, política e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência....uma formação social nunca decai antes de estarem desenvolvidas todas as forças produtivas para as quais é suficientemente ampla, e nunca surgem relações de produção novas e superiores antes de as condições materiais de existência das mesmas terem sido geradas no seio da própria sociedade velha.

IDEOLOGIA: É um fenômeno de superestrutura, uma forma de pensamento opaco, que, por não revelar as causas reais de certos valores, concepções e práticas que são materiais (econômicas), contribui para sua aceitação e reprodução representando um mundo invertido e servindo aos interesses da classe dominante que aparecem como se fossem interesses da sociedade como um todo. FETICHISMO DA MERCADORIA: As mercadorias não se apresentam como resultado do trabalho humano, apropriado pelo capitalista, mas como coisas dotadas de vida própria, sujeitas às oscilações das leis da oferta e da procura. As relações entre objetos, coisas, mercadorias mascaram as relações sociais, as formas de propriedade, a alienação real que existe entre o trabalhador e os objetos por ele criados.