BULLYING: UM COTIDIANO DE TERROR Andrew Breno Silva Marcolino * Resumo: O terrorismo psicológico, também denominado de bullying ou assédio psicológico, é o tema central deste artigo e será problematizado numa perspectiva histórica, mas também contemporânea. O objetivo principal é despertar a atenção para este tipo de terrorismo que, muitas vezes, é tratado como insignificante, muito embora aumente relativamente o número de casos e danos oriundos deste problema em questão. Palavras-chave: terrorismo psicológico, bullying, assédio psicológico Terrorismo em outro contexto Torna-se cada vez mais comum as notícias e cenas de terrorismo em países envolvidos por conflitos e interesses políticos, econômicos e sociais. Já ouvimos falar diversas vezes dos terroristas integrantes de grupos de rebeldes, religiosos extremistas e outros mais que realizam ataques contra inimigos, mas também, e principalmente, contra civis na tentativa de impor medo e pânico na sociedade. São trágicas as consequências de tais atentados terroristas. São milhões de pessoas obrigadas a deixarem suas famílias, casas e até mesmo cultura nativa. Isto é um triste fato. Todavia, afora o tipo de terrorismo supracitado, existem diversos outros que também são danosos ao bem comum, porém de uma forma diversa e com consequências de menor proporção, não obstante relevantes. Passa-se despercebido muitas vezes, entretanto, cotidianamente, somos expostos a vários tipos de terrorismos. Seja terrorismo psicológico, emocional, político, midiático, ideológico, entre outros mais. Este estudo deter-se-á no terrorismo psicológico. Porém, antes de abordar o que é e quais são suas consequências, faz-se necessário, para melhor elucidar, tomarmos qual significado do termo terrorismo teremos como base. Para tanto, tomaremos como referência a seguinte definição: fazer alguém tremer por meio * Bacharelando do curso de Filosofia da Faculdade Católica de Fortaleza, trabalho realizado na disciplina de Ética II, 2017.1, orientado pelo Prof. Dr. Pe. Marcos Mendes de Oliveira
de grande medo. 2 Logo, quando abordado terrorismo deve-se entender como ação violenta seja física ou psicológica, que busca intimidar ou dominar através do medo e da crueldade. Terrorismo Psicológico O terrorismo psicológico está presente no mundo inteiro. É um dos tipos de terrorismo mais enraizado nas culturas mundiais. Mais conhecido como bullying ou assédio psicológico, o terrorismo psicológico causa pânico e angústia em quem o sofre. A Task Force on the Prevention of Workplace Bullying, um órgão americano que combate o bullying, definiu assédio psicológico como um comportamento inapropriado repetitivo, direto ou indireto, verbal ou físico, exibido por uma ou mais pessoas, contra uma ou mais pessoas, no local de trabalho, que pode ser visto, em termos razoáveis, como contrariando o direito do indivíduo à dignidade no trabalho. E isso não se limita apenas ao ambiente de trabalho, mas também, nas escolas, faculdades e até mesmo dentro da própria estrutura familiar. No Brasil, emprega-se, para este tipo de assédio psicológico, o termo bullying que é de origem inglesa, entretanto é utilizado na maioria dos países. Uma definição bem apropriada para esta nomenclatura nos é dada por Cléo Fante que afirma: A definição de bullying é compreendida como um subconjunto de comportamentos agressivos, sendo caracterizados por sua natureza repetitiva e por desequilíbrio de poder. Esses critérios nem sempre são aceitos universalmente, mesmo sendo largamente empregados. Alguns pesquisadores consideram necessários, no mínimo, três ataques contra a mesma vítima durante o ano para sua caracterização como bullying. 3 O bullying, a princípio, não é um tipo de terrorismo que tem como ação predominante a violência física, mas sim a psicológica podendo desembocar naquela. Entretanto, a violência psicológica tem efeitos mais nocivos para os seus alvos do que a violência física. Isso porque, tal tipo de terror não gera machucados que com o 2 SCHMID, Alex P. The Routledge Handbook Of Terrorism Research. 1. ed. New York: Routledge Taylor & Francis Group, 2011.p. 41 3 FANTE, Cleo. Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. São Paulo: Verus Editora, 2005. p. 29.
tempo serão curados. Mas, transtornos psíquicos longos ou até mesmo permanentes que impedem o alvo de ter uma vida normal. Passando a viver com sequelas e síndromes. Sendo assim, isso afetará seu comportamento e a construção de seus pensamentos e de sua inteligência, gerando baixa autoestima, desenvolvendo transtornos mentais e psicopatologias, além de dificuldades de relacionamento. 4 Os ataques podem causar danos irreparáveis ao longo da vida do indivíduo afetando o desenvolvimento cognitivo e emocional. Desembocando, consequentemente, nas mais drásticas consequências como ataques de violência, assassinatos e suicídios. Para agravar ainda mais essa situação, não são apenas as vítimas diretas da violência psicológica que são afetadas gravemente, mas também as pessoas que testemunham esses comportamentos, a família e amigos dos alvos, que, de certo modo, envolvem-se na situação e acabam, também elas, sendo vítimas dos transtornos provenientes do bullying. As formas de cometer esse terrorismo são inúmeras, desde as chacotas repetitivas e perseguidoras dentro do ambiente profissional ou escolar, sejam as perseguições raciais e outras. Vale ressaltar que o Terrorismo Psicológico sempre se dá numa imposição de sofrimento e medo, de forma intencional, ao outro e numa relação de desigualdade: forte versus fraco, melhor versus pior. Exemplos tradicionais são os de jovens mais fortes e populares do colégio que buscam formas de humilhar, constranger e inferiorizar a dignidade daqueles que são tidos por nerd s através do terrorismo psicológico. Bem como, o chefe de trabalho que, em vista de interesses pessoais, sejam quais forem, busca chantagear, amedrontar e perseguir a funcionária com ameaças psicológicas. Pode-se passar despercebido tais atentados terroristas, mas, atualmente, encontra-se na sociedade milhões de casos de terrorismo psicológico. E isto tem afetado de forma incisiva a cultura hodierna e a personalidade das vítimas e espectadores desta violência. 4 SILVA, Adriana; NASCIMENTO, Talita e QUEIROZ, Cristiany. O fenômeno bullying e suas implicações. Disponível em: https://www.ufpe.br/ce/images/graduacao_pedagogia/pdf/2007.1/ fenmeno.pdf
Os jovens são os principais afetados por este terrorismo do cotidiano. É enorme o número de jovens que apresentam psicossomatizações, ansiedade, tensão, medo, raiva, dificuldade de concentração, déficit de atenção, angústia, tristeza, insegurança, retraimento, sensação de impotência e rejeição, sentimentos de abandono e de inferioridade, desejo de vingança e pensamentos suicidas, depressão, fobias e hiperatividade, 5 entre outros danos oriundos de ataques psicológicos. Afora isto, existem danos também no âmbito da saúde física e emocional, a baixa na resistência imunológica e na autoestima, o stress, complicações gastrointestinais, falta de apetite, e outros. 6 O terrorismo psicológico pode ocasionar danos irreparáveis a saúde física e psicológica dos jovens, como também, afetar o desenvolvimento cognitivo e emocional destes. Considerações Finais Diante disso, pode-se perceber que o Terrorismo Psicológico não é uma simples situação do cotidiano, mas sim, e na verdade, um grave risco social. As consequências são terríveis para o desenvolvimento de uma sociedade com jovens sadios física e psicologicamente, uma vez que os jovens passam a ter, cada vez mais, limitações e inconsistências psicológicas devido aos atentados de bullying. Isto repercute, logicamente, numa má formação social seja a curto ou longo prazo. E ainda, há as consequências danosas para muitos, sejam as vítimas do assédio psicológico, sejam os agressores ou até mesmo os espectadores. Casos em que a vítima é levada, por sentimentos de angústia e terror, ao suicídio, ou ainda de jovens que, enfurecidos pelas humilhações e medo causados pelos ataques psicológicos, cometem verdadeiros atentados terroristas em escolas e demais meios sociais, como forma de vingança. Em contrapartida, muito embora haja projetos e ações de prevenção, não se tem uma projeção de erradicação desse tipo de terrorismo. Uma vez que, largamente, o número de casos de bullying e suas trágicas consequências só crescem. Existem diversas organizações de conscientização contra o bullying. Todavia, não têm sido 5 FRAGOSO LINS, Jorge Roberto. O bullying e suas consequências psicológicas. Disponível em: http://estudosdoser.blogspot.com.br/2013/07/o-bullying-e-suas-consequencias.html 6 ADÁRIO, Daniela Demski. O bullying e suas consequências psicológicas. Disponível em: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/bullying-e-as-suas-consequenciaspsicologicas/20932
suficientes para uma mudança de mentalidade, primeiramente, no seio das famílias, local no qual, maior parte das vezes, a criança ou jovem é mal preparado quanto a isto. Para tanto, faz-se necessária uma mudança de abordagem da sociedade quanto a esse terrorismo tido, até então, como insignificante. Referências bibliográficas ADÁRIO, Daniela Demski. O bullying e suas consequências psicológicas. Disponível em: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/ bullying-e-as-suas-consequencias-psicologicas/20932 ALCÂNTARA, Priscila Drozdek de. Terrorismo: uma abordagem conceitual. Curitiba: Monografia, 2016. FANTE, Cleo. Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. São Paulo: Verus Editora, 2005. FANTE, Cleo e PEDRA, José Augusto. Bullying Escolar: perguntas e respostas. Porto Alegre: Artmed, 2008. FRAGOSO LINS, Jorge Roberto. O bullying e suas consequências psicológicas. Disponível em: http://estudosdoser.blogspot.com.br/2013/07/o-bullying-e-suasconsequencias.html LOPES NETO, Aramis A. Bullying: Comportamento Agressivo entre Estudantes. Jornal de Pediatria: Porto Alegre, nº. 81, Nov/2005. SCHMID, Alex P. The Routledge Handbook Of Terrorism Research. 1. ed. Estados Unidos: Routledge Taylor & Francis Group, 2011. SILVA, Adriana; NASCIMENTO, Talita e QUEIROZ, Cristiany. O fenômeno bullying e suas implicações. Disponível em: https://www.ufpe.br/ce/images/graduacao_ pedagogia/pdf/2007.1/fenmeno.pdf