UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU PROJETO A VEZ DO MESTRE ABERTURA DE CAPITAL E EMISSÃO DE DEBÊNTURES. Marcelo Santos Silva



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Transcrição:

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU PROJETO A VEZ DO MESTRE ABERTURA DE CAPITAL E EMISSÃO DE DEBÊNTURES Marcelo Santos Silva Orientador Prof. Jorge Tadeu Co-Orientador Profa. Fabiane Muniz Rio de Janeiro 2005

2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU PROJETO A VEZ DO MESTRE ABERTURA DE CAPITAL E EMISSÃO DE DEBÊNTURES Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes como condição prévia para a conclusão do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Finanças & Gestão Corporativa. Marcelo Santos Silva.

3 AGRADECIMENTOS A Deus pela força que sempre me deu, a minha família pelo companheirismo, aos amigos pelo incentivo e apoio e aos colegas de curso pela parceria.

4 DEDICATÓRIA Dedico esta monografia a minha mulher e ao meu filho pela compreensão e apoio para a conclusão deste trabalho.

5 RESUMO O objetivo deste trabalho é uma visão dos negócios realizados no mercado mobiliário de títulos, debêntures, permitindo a compreensão de sua estrutura, e relevante posição em nossa economia, devido ao seu grau de importância dentro da evolução de um sistema em constante mutação. O custoso e difícil acesso ao Sistema Financeiro Brasileiro motiva a busca da compreensão acerca do mecanismo de abertura de capital e emissão de debêntures levando a pequenas e microempresas o mecanismo de abertura de capital e emissão de debêntures como alternativa de custos mais baratos e prazos alongados. A abertura de capital e a emissão de debêntures podem ser conduzidas simultaneamente, dependendo ambas de autorização da Assembléia Geral Extraordinária AGE. A companhia deve contratar auditoria externa independente e um intermediário financeiro para coordenar todo o processo. Essa instituição, denominada coordenador-líder, será responsável pela modelagem da operação incluindo a elaboração de estudos técnicos para definição das características da emissão; adaptação dos estatutos e outros documentos; obtenção dos registros de companhia aberta e de emissão pública de debêntures junto à Comissão de Valores Mobiliários CVM; formação do consórcio de distribuição; apresentações (road-shows) para os investidores potenciais; registro dos títulos em Bolsa de Valores ou mercado de balcão organizado; publicação de anúncio de início de distribuição; colocação dos títulos junto aos investidores; e anúncio de encerramento. O coordenador é responsável, ainda, pela realização de uma diligência (due diligence process) sobre as informações da emissora que serão distribuídas ao público investidor e utilizadas para a elaboração do prospecto de emissão.

6 A vantagem das debêntures sobre as demais alternativas decorre de sua flexibilidade, que permite à companhia emissora ajustar as parcelas de amortização e as condições de remuneração dos títulos ao seu fluxo de caixa, ao projeto que a emissão está financiando e às condições de mercado no momento da emissão.

7 METODOLOGIA A pesquisa visa identificar como as pequenas e microempresas conhecendo o mecanismo de abertura de capital e emissão de debêntures tenham acesso ao Sistema Financeiro Brasileiro por meio de custos mais baratos e prazos alongados. A pesquisa é bibliográfica, pois serão analisados livros, matérias Internet e publicações que versam sobre o tema proposto. A pesquisa bibliográfica coletará dados gerais pertinentes ao assunto, e serão coletados dados em diversas fontes. De posse do material coletado na pesquisa bibliográfica, iniciar-se-á a pesquisa com base na identificação de informações-chaves, tais como: análise minuciosa dos parágrafos introdutórios, examinar caso haja, um resumo feito pelos autores, procurar nos textos qualquer informação adicional que possa enriquecer os dados coletados. Depois da análise dos documentos será feito um resumo de todo material coletado.

8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO... 12 CAPÍTULO I ABERTURA DE CAPITAL DE EMPRESAS... 15 1.1 - Valores Mobiliários... 18 1.2 - Direitos das Companhias Abertas... 18 1.3 - Vantagens para a Empresa... 19 1.3.1 - Ampliação da base de captação de recursos financeiros e de seu potencial de crescimento... 19 1.3.2 - Maior flexibilidade estratégica - Liquidez Patrimonial... 19 1.3.4 - Reestruturação Societária... 20 1.3.5 - Gestão Profissional... 21 1.3.6 - Relacionamento com funcionários... 21 1.4 - Desvantagens para a Empresa... 21 1.4.1 - Custos... 21 1.4.2 - Qualidade da Informação... 22 1.5 - Custos Inerentes á Abertura de Capital de uma Companhia... 22 1.6 - Comissão de Valores Mobiliários... 23 1.6.1 - Registro das Companhias Abertas na C.V.M.... 24 CAPÍTULO II REGULAMENTAÇÃO DO MERCADO DE DEBÊNTURES... 26 2.1 - Breve Histórico... 26 2.2 - Definições... 28 2.2.1 Debêntures... 28 2.2.2 Emissores... 28 2.2.3 Deliberações... 29 2.2.4 Emissões e Séries... 29 2.3 - Distribuição/Colocação... 29 2.3.1 Emissões Primárias... 30

9 2.3.2 - Distribuições Secundárias... 30 2.3.3 - Emissões Externas... 30 2.4 - Características das Debêntures... 31 2.4.1 Formas das debêntures... 31 2.4.2 - Classe / Tipo das Debêntures... 31 2.4.3 - Espécie/Garantia das Debêntures... 32 2.4.4 - Remuneração e Atualização Monetária... 34 2.4.5 Vencimento das Debêntures... 36 2.4.6 - Amortização e Resgate Antecipado... 36 2.4.7 - Repactuação... 37 2.4.8 - Aquisição de Debêntures pelo Emissor... 37 2.5 - Investidores... 38 2.6 - Underwriters... 38 2.7 - Banco do Emissor... 39 2.8 - Agente Fiduciário... 39 2.9 - Rating... 41 2.10 - Bovespa... 41 2.11 - CBLC... 42 CAPÍTULO III POR QUE EMITIR DEBÊNTURES... 43 3.1 - Captação de Recursos para Investimentos... 43 3.2 - Reestruturação de Passivos... 43 3.3 - Securitização de Recebíveis... 44 3.4 - Flexibilidade do Valor Mobiliário... 44 3.5 - Entrada no Mercado Acionário... 45 CAPÍTULO IV COMO FAZER UMA EMISSÃO PÚBLICA DE DEBÊNTURES... 46

10 4.1 - Procedimentos Preliminares... 46 4.2 - Escolha de Auditoria Independente... 47 4.3 - Escolha de Intermediário Financeiro... 48 4.4 - Banco Escriturador... 48 4.5 - Estudos Técnicos... 49 4.6 - Escolha do Agente Fiduciário... 50 4.7 - Atos Societários... 50 4.8 - Escritura de Emissão de Debêntures... 51 4.9 - Processo de Registro na CVM... 52 4.10 - Registro na BOVESPA... 54 4.11 - Formação do Consórcio de Distribuição... 56 4.12 - Marketing para Atingir os Investidores Potenciais... 56 4.13 - Anúncio de Início de Distribuição Pública... 56 4.14 - Subscrição e Liquidação Financeira... 57 4.15 - Anúncio de Encerramento de Distribuição Pública... 57 CAPÍTULO V OBRIGAÇÕES DA COMPANHIA EMISSORA... 58 5.1 - Manutenção da Condição de Companhia Aberta... 58 5.2 Assembléia de Debenturistas... 58 5.3 Relatório Anual do Agente Fiduciário... 59 5.4 Política de Relações com Investidores... 59 5.5 Relacionamento com a BOVESPA/CBLC... 60 CONCLUSÃO... 62

11 ANEXOS ÍNDICE DE ANEXOS... 64 ANEXO 1 REGISTRO E FUNCIONAMENTO... 65 ANEXO 2 NORMAS CONTÁBEIS E PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE.. 67 ANEXO 3 AUDITORIA E AUDITORES INDEPENDENTES... 69 ANEXO 4 DIVULGAÇÃO DE INFORMAÇÕES... 70 ANEXO 5 LANÇAMENTO DE VALORES MOBILIÁRIOS PARA SUBSCRIÇÃO PÚBLICA... 71 ANEXO 6 TAXA DE FISCALIZAÇÃO DO MERCADO DE CAPITAIS... 73

12 INTRODUÇÃO O objetivo deste trabalho é uma visão dos negócios realizados no mercado mobiliário de títulos, debêntures, permitindo a compreensão de sua estrutura, e relevante posição em nossa economia, devido ao seu grau de importância dentro da evolução de um sistema em constante mutação. O sistema financeiro brasileiro não atende às necessidades das pequenas e das microempresas e menos ainda às necessidades dos trabalhadores por conta própria, os milhões de famílias e indivíduos empenhadas em negócios e iniciativas os mais variados, com os quais geram a renda única e indispensável a sua sobrevivência ou complementam os poucos recursos que recebem em outras atividades formais ou informais. Para este amplo segmento da população e do universo de empresas e empreendimentos diversos, o crédito bancário é muito caro e de acesso muito difícil. São também inalcançáveis os mercados e instituições em que poderiam colocar títulos de dívida, sem passar pelos bancos, ou em que poderiam se capitalizar pela abertura de capital e emissão de debêntures. Mais grave ainda, estudo recente do Banco Mundial (Anjali, 2004), em nove regiões metropolitanas, estima que 43% dos brasileiros não possuem conta bancária, ou seja, os bancos não conseguem propiciar a milhões de pessoas e empresas os serviços financeiros básicos para sua atuação em uma economia de mercado. Tudo isto ocorre em um país em que o sistema financeiro é muito desenvolvido, sofisticado e complexo, com bancos e instituições dotados de elevada solidez patrimonial e capazes de gerar lucros substanciais ano após ano. O Brasil apresenta ampla sofisticação da atividade financeira, em todos os seus aspectos relevantes, ao lado do que se denomina de baixo aprofundamento financeiro: crédito e financiamento muito reduzidos, muito

13 caros e de acesso muito difícil para a maior parte dos interessados. Essa situação paradoxal afeta de variadas formas as micro e pequenas empresas e os empreendimentos econômicos em geral. O custo do crédito no Brasil é muito alto sob qualquer parâmetro de comparação internacional. A taxa média de juros do crédito em termos reais (já descontada a inflação, portanto) foi de 40,3% ao ano no Brasil em 2003, a mais alta entre 93 países analisados em estudo recente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), (2004). As dificuldades de financiamento na economia brasileira decorrem do custo elevado e das fortes restrições de acesso ao crédito. Essa situação limita a capacidade de crescimento das empresas por duas razões: por não terem acesso a serviços financeiros à altura de suas necessidades e - para aquelas que conseguem estabelecer relação permanente com os bancos - por transferirem significativa parcela de sua renda ao setor financeiro na rolagem de suas dívidas, por conta das taxas de juros muito elevadas. O reduzido volume de crédito é o elemento central da baixa profundidade financeira da economia brasileira. Com a elevada capacidade de defesa e de reorientação do sistema financeiro diante de mudanças no cenário econômico e com a instabilidade permanente gerada pela vulnerabilidade externa crônica, a dimensão reduzida das relações de financiamento amplifica os efeitos de perturbações macroeconômicas. O corte de crédito e a elevação dos juros acompanham os momentos em que as micro e pequenas empresas mais necessitariam de mecanismos de refinanciamento e de apoio financeiro para enfrentar as flutuações acentuadas nos mercados em que operam. Reside aí um dos principais fatores de propagação da instabilidade econômica e de mortandade elevada dos pequenos empreendimentos, fenômeno que concentra renda e destrói capacidade empresarial e acumulação de habilidades, muitas vezes de forma irreversível.

14 As conhecidas restrições de acesso ao crédito pelos tomadores de menor porte no Brasil podem ser analisadas pela ótica da seleção adversa e da assimetria de informações, problemas agravados em uma sociedade marcada por forte desigualdade de renda e grande desnível educacional. Podem ser analisadas também pela ótica da estrutura oligopolizada do setor financeiro, em que os bancos líderes conseguem organizar a concorrência de modo a evitar guerra de preços e ampliação indesejada da oferta em direção aos segmentos tradicionalmente excluídos de sua atividade. Esse poder de mercado dos grandes bancos e companhias financeiras é reforçado pela oferta permanente de títulos públicos com juros elevados, com o que os bancos podem sustentar rentabilidade excepcional com riscos muito pequenos. Nessas condições, beneficiados pela lucratividade excepcional acumulada ano após ano, os bancos conseguem expandir a oferta de crédito com rapidez, nos momentos de aquecimento da atividade produtiva, em especial se os juros nominais declinam, mas sem expandi-la até o ponto de incorporar a enorme demanda não atendida, localizada nas micro e pequenas empresas. Para que uma empresa cresça e se fortaleça ela necessita de recursos que podem ser captados de duas maneiras: via empréstimos obtidos em organismos específicos e, com isso, se comprometendo a pagar esses empréstimos no seu vencimento e com juros naturais da operação, ou seja, com a empresa se obrigando a gerar lucros excedentes para saldar as dívidas; ou pode conseguir recursos abrindo seu capital, isto é, conseguindo pessoas que queiram se associar às já existentes, para expandir os negócios. Isto é feito via mercado de capitais, ou mais especificamente no seu mercado primário de ações. Buscar recursos no mercado de ações significa fortalecer a base de capital próprio das empresas (representado pelas ações), e diminuir seu grau de endividamento perante a terceiros.

15 Entretanto sabemos que, além das ações, as companhias também possuem a capacidade de emitir debêntures, que nada mais são do que títulos de dívida com garantia dos ativos da própria companhia ou fiança e capacidade de resgate mediante pagamento do principal e rendimentos ou resgatáveis mediante conversão em ações. Na prática, as debêntures estão entre os mais antigos tipos de investimentos do Brasil. Conhecido este mecanismo de captação de recursos, as debêntures, por parte das companhias, serão focalizadas suas características e peculiaridades determinando suas vantagens e desvantagens e sua forma de colocação no mercado. Por meio de exemplos e justificativas entenderemos porque as empresas optam por debêntures. Portanto, a concepção deste trabalho não consiste em buscar uma abordagem profunda e específica, ou ainda detalhada, de algum aspecto complexo ou único do mercado de capitais. Desta forma, o propósito deste trabalho é orientar as empresas que pretendam abrir o seu capital, discutindo os conceitos mais importantes, as vantagens e desvantagens, indicando ainda os passos e a documentação necessários, e apresentando em anexo uma listagem básica dos atos normativos pertinentes e alguns exemplos de emissões. CAPÍTULO I ABERTURA DE CAPITAL DE EMPRESAS

16 Companhia de Capital Aberto, ou simplesmente Companhia Aberta, é aquela que, através de registro apropriado junto à Comissão de Valores Mobiliários - CVM, está autorizada a Ter valores mobiliários de sua emissão negociados no mercado. Principal instrumento de captação de recursos de médios e longos prazos, a debênture representa para muitas companhias a porta de entrada no mercado de capitais brasileiro. Aqui serão abordados os principais aspectos da abertura de capital via emissão de debêntures oferecendo uma abordagem simples e prática sobre o assunto. O acesso a esse mercado se dá através do registro de companhia aberta e de oferta pública aos investidores, intermediada por instituição integrante do Sistema de Distribuição de Títulos e Valores Mobiliários. A decisão de abrir o capital deve se subordinar a uma análise de sua viabilidade, demonstrando, para um dado nível de atividade da empresa, ser mais conveniente incidir nos custos relativos à abertura do capital do que buscar estes recursos através de endividamento, ou poder combinar as duas possibilidades, tanto de captar capital próprio no mercado como também recorrer ao endividamento. 1 de recursos. A abertura do capital de uma empresa transcende à simples obtenção Uma empresa aberta amplia de forma dramática seu círculo econômico e social de relacionamento, o qual, nas empresas fechadas, geralmente se restringe a empregados, fornecedores, bancos e clientes. A 1 http://www.cvm.gov.br/port/public/publ/publ_200.asp

17 abrangência desse relacionamento implica uma exposição pública de suas decisões de negócios e de planejamento muito maior. O processo de abertura de capital de uma empresa requer o pedido de registro da empresa como companhia aberta, para que seus títulos possam ser negociados em bolsa ou mercado de balcão. Concomitantemente com o pedido de abertura de capital é possível ser solicitado o registro e a autorização para a distribuição de novos valores mobiliários através de subscrição pública (underwriting), sendo o processo de análise, o registro e o deferimento efetuados segundo os ditames das Instruções CVM Nº 13/80 e 202/93. Este processo exige o cumprimento de uma série de etapas, semelhantes para os diversos valores mobiliários, a saber: Análise preliminar; Contratação de Auditoria Externa Independente; Contratação de Intermediário Financeiro; Adaptação dos Estatutos; Contrato de Coordenação e Distribuição; AGE deliberativa da operação = Autorização da Assembléia Geral; Nomeação de um Diretor de Relações com Investidores; Criação de uma área de atendimento aos debenturistas; Processos de obtenção dos registros na CVM (registro da emissão e registro de companhia); Processo de registro da empresa em Bolsa de Valores ou no Mercado de Balcão Organizado; Anúncio de início de distribuição pública; e Anúncio de encerramento de distribuição pública.

18 A legislação básica referente a essas etapas consta das Leis nº 6.404/76 (Lei das S.A.) e 6.385/76 (criação da CVM), assim como das Instruções CVM nº 13/80 e 202/93. 1.1 - Valores Mobiliários São valores mobiliários os títulos emitidos pelas sociedades anônimas (S.A.), como ações, debêntures, notas promissórias (commercial papers) e outros instrumentos menos usuais, destinados à captação de recursos. A abertura plena do capital se dá através do lançamento de ações junto ao público, dado o volume de negócios resultante e as transformações por que passa a companhia. Poder-se-ia dizer que a abertura de capital através dos outros valores mobiliários aqui considerados, sobretudo as debêntures conversíveis e os bônus de subscrição, seria um estágio preliminar à plena abertura. As razões que levam uma empresa a considerar a abertura de seu capital são determinantes na escolha do tipo de valor mobiliário a ser emitido, do tipo de lançamento a ser feito e do tipo de investidor mais apropriado aos seus objetivos. O status de companhia aberta não se restringe apenas às grandes companhias. Esta Comissão de Valores Mobiliários vem, inclusive, envidando esforços no sentido de regulamentar, criar e incentivar uma estrutura específica para negociação de títulos emitidos por empresas de pequeno e médio porte, o chamado Mercado de Balcão Organizado, como também, o Fundo Mútuo de Investimento em Empresas Emergentes. 1.2 - Direitos das Companhias Abertas

19 1) Ter os valores mobiliários de sua emissão negociados publicamente em bolsas de valores ou mercado de balcão, organizado ou não. 2) Captar recursos através do lançamento público de valores mobiliários. 3) Obter, junto à CVM, o registro de seus programas de lançamento de recibos de depósito (DR s) negociáveis no exterior, para captação de recursos em mercados estrangeiros. 2 1.3 - Vantagens para a Empresa 1.3.1 - Ampliação da base de captação de recursos financeiros e de seu potencial de crescimento. Acesso ao mercado de capitais do País, para captação de recursos destinados ao financiamento de projetos, expansão, mudança de escala ou diversificação de seus negócios, ou mesmo à reestruturação de seus passivos financeiros. A captação de recursos através do lançamento de valores mobiliários é uma alternativa aos financiamentos bancários, viabilizando o acesso a investidores potenciais, não só no Brasil, como no exterior, tendo em vista a possibilidade de captação de recursos externos, através de processos de lançamento de recibos de depósito negociáveis nos mercados de capitais de outros países, com aprovação da CVM e do Banco Central. 1.3.2 - Maior flexibilidade estratégica - Liquidez Patrimonial 2 http://www.cvm.gov.br/port/public/publ/publ_200.asp

20 Margem para administração de sua estrutura de capital, balanceando as relações entre capital acionário e de terceiros, e, conseqüentemente, seu risco empresarial. Os acionistas controladores aumentam a liquidez do seu patrimônio, através da oportunidade de negociação de sua participação na empresa, que tende a se valorizar ao longo do tempo pela diversificação de compradores, sobretudo investidores institucionais, nacionais ou estrangeiros. mercado 1.3.3 - Imagem Institucional - Maior exposição ao A transparência e confiabilidade exigidas nas suas informações básicas facilitam os negócios, atraindo os consumidores finais, gerando maior presença e prestígio no mercado. Uma companhia aberta tende a ter um diferencial competitivo e melhoria de imagem institucional. Quando recorre ao endividamento bancário, por exemplo, seu custo financeiro é normalmente inferior ao de uma companhia fechada. 1.3.4 - Reestruturação Societária Soluções para problemas relativos à estratégia empresarial, partilhas de heranças e processos sucessórios podem ser equacionados através de uma abertura de capital, orientado por especialistas em questões societárias que estão aptos a apresentar inúmeras alternativas, de acordo com os parâmetros desejados de independência gerencial e eficiência fiscal.

21 Por outro lado, o status de companhia aberta tende a facilitar as associações internacionais. 1.3.5 - Gestão Profissional A abertura de capital leva à aceleração da profissionalização da companhia. Inicialmente, esse processo é conseqüência das disposições legais, dada a eleição de conselheiros representantes dos novos acionistas e a exigência da figura do Diretor de Relações com Investidores (DRI). Uma administração profissionalizada é um dos pontos que mais interessa ao investidor, dada a necessidade de treinamento profissional dos ocupantes de cargos de direção. 1.3.6 - Relacionamento com funcionários A Abertura do capital de uma empresa pode ser feita também para seus funcionários, procedimento esse muito utilizado no mercado internacional e que começou a surgir no mercado brasileiro, sobretudo no Programa Nacional de Desestatização. 1.4 - Desvantagens para a Empresa 1.4.1 - Custos Os custos associados ao processo de abertura de capital, à remuneração do capital dos novos acionistas (política de dividendos) e à administração de um sistema de informações específico para o controle da

22 propriedade da empresa, tendem a se diluir em função das vantagens agregadas. Dentre esses custos, destacam-se: Manutenção de um Departamento de Acionistas; Manutenção de um Departamento de Relações com Investidores, que poderá incorporar o Departamento de Acionistas. Este setor incumbir-se-á de centralizar todas as informações internas a serem fornecidas ao mercado, integrando e sistematizando esse conjunto de informações; Contratação de empresa especializada em emissão de ações escriturais, custódia de debêntures, serviços de planejamento e de corretagem, e underwriting; Taxas da CVM e das Bolsas de Valores; Contratação de serviços de auditores independentes mais abrangentes que aqueles exigidos para as demais companhias; e Divulgação de informação sistemática ao mercado sobre as atividades da empresa. 1.4.2 - Qualidade da Informação A necessidade de atendimento as normas mais específicas e rigorosas, no que tange aos procedimentos e princípios contábeis, de auditoria, e divulgação de demonstrações financeiras, quando contrapostos aos benefícios oriundos do status de companhia aberta, tende também a se diluir. 1.5 - Custos Inerentes á Abertura de Capital de uma Companhia São de natureza diversa, podendo ser agrupados da seguinte forma:

23 1) Legais e institucionais: pagamento de taxas, anuidades, serviços e afins, em atendimento às exigências legais; 2) Publicação, publicidade, marketing : gastos com o prospecto e com a divulgação da operação no mercado; 3) De Intermediação Financeira: remuneração dos trabalhos de coordenação, eventual garantia e distribuição; 4) Internos: alocação de pessoal para acompanhamento do processo, montagem de estrutura interna para dar suporte à abertura. 1.6 - Comissão de Valores Mobiliários A Comissão de Valores Mobiliários é uma instituição auxiliar do sistema financeiro. Sua principal função é a de disciplinar e fiscalizar o mercado de títulos e valores mobiliários sob orientação do Conselho Monetário Nacional. Outras atuações da C.V.M.: a) Estimular a formação de poupança e sua posterior aplicação em valores mobiliários; b) Promover a expansão e o funcionamento eficiente do mercado de ações; c) Estimular as aplicações permanentes em ações de empresas privadas nacionais; d) Assegurar o funcionamento eficiente e regular os mercados da Bolsa e de balcão; e) Proteger os titulares de valores mobiliários e os investidores de mercado. Deve-se destacar que, os títulos conceituados como valores mobiliários, sujeitos ao controle da C.V.M., são ações, partes beneficiárias, debêntures, os cupons desses títulos, os bônus de subscrição, os certificados de depósitos de valores mobiliários e outros títulos criados ou emitidos pelas sociedades anônimas a critério do Conselho Monetário Nacional.

24 Assim, as funções da C.V.M. irão repercutir junto a três grandes grupos: a) As instituições do mercado, uma vez que é de sua competência disciplinar e fiscalizar a emissão e distribuição de valores mobiliários no mercado, bem como sua negociação e intermediação, a organização, o funcionamento e as operações das Bolsas de Valores, a administração de carteira e a custódia de valores mobiliários, os serviços de consultor e analista de valores mobiliários; b) As companhias abertas definidas pela nova lei das Sociedades Anônimas, como aquelas cujos valores mobiliários de sua emissão estejam admitidos à negociação em Bolsa ou no mercado de balcão; c) Aos investidores, uma vez que é da competência da C.V.M. estudar as denúncias e práticas que contrariem os interesses dos mesmos, a fim de que possa atuar em sua defesa. O principal objetivo da C.V.M. é oferecer ao mercado de valores mobiliários condições de segurança e desenvolvimento para consolidá-lo como instrumento dinâmico e eficaz na formação de poupança e capitalizando as empresas. É de competência da C.V.M. organizar o funcionamento e operações das Bolsas de Valores e promover auditoria nas companhias abertas. 1.6.1 - Registro das Companhias Abertas na C.V.M. As companhias abertas necessitam de registro na Comissão de Valores Mobiliários. Isto implica enviar e conservar atualizado uma gama de dados informativos econômicos-financeiros, para que seja possível aos investidores fazer uma avaliação das possibilidades presentes e futuras da empresa. A C.V.M. passa então a estabelecer critérios no que se refere ao

25 registro e informações que devem fazer parte do referido prospecto. Tem-se como concreto o fato de que o investidor possui acesso às informações, desde que interessado. Existem dois tipos de registro da empresa: aquele para negociação na Bolsa e para negociação no mercado de balcão. O primeiro a que se refere, vale também para o mercado de balcão, porém, o segundo não dispensa o primeiro. Deve-se ressaltar que, não só a companhia define seu registro na C.V.M., as ofertas públicas de títulos e valores mobiliários emitidos pelas companhias abertas também merecem registro que atrelam informações sobre a empresa emissora e sobre a própria emissão. Aparecem nesse contexto burocrático, as instituições financeiras autorizadas, que têm o papel de encaminhar os registros da empresa ou das emissões na C.V.M. Atuam através de departamentos técnicos sob a responsabilidade de profissionais registrados, habilitados para o exercício da atividade. Há ainda que realçar a subordinação do registro a capital mínimo da companhia emissora e o valor da emissão, assim com a divulgação das informações que supor idéias para proteger os interesses daquele que investe. Todas as exigências que são feitas pela C.V.M., além da fiscalização, configuram um fator de segurança no Mercado. O registro configura que a empresa cumpriu as formalidades legais e que estão disponíveis as informações capazes de permitir um balanço correto das condições da empresa e seus futuros prognósticos. 3 3 Medeiros, Paulo de Tarso/2004.

26 CAPÍTULO II REGULAMENTAÇÃO DO MERCADO DE DEBÊNTURES 2.1 - Breve Histórico Debêntures são títulos de dívida de médios e longos prazos emitidos por sociedades por ações, que conferem ao debenturista (detentor do título) um direito de crédito contra a emissora. No Brasil, as debêntures constituem uma das formas mais antigas de captação por meio de títulos. A origem de sua regulamentação remonta à época do império (Lei nº 3.150 e o Decreto nº 8.821, ambos de 1882). 4 As emissões de debêntures também foram objeto do ciclo de euforia e especulação conhecido por encilhamento (1889-1891). O esgotamento desse ciclo trouxe como um dos desdobramentos o Decreto nº 177-A/1983, conhecido como Lei dos Empréstimos por Debêntures. Essa regulamentação, complementada pelo Decreto nº 22.431, de 1933, e pelo Decreto-lei n.º 781, de 1938, era mais rigorosa e permaneceu válida até o início dos anos 60, mas o mercado de debêntures foi pouco expressivo, porque não existiam mecanismos que protegessem as aplicações de longo prazo dos efeitos da inflação. A Lei nº 4.728, de 1965, editada em meio às mudanças que reorganizaram o sistema financeiro nacional, introduziu importantes inovações às debêntures, destacando-se a possibilidade de conversão em ações e a correção monetária. Posteriormente, por meio da edição da Lei das 4 (http://www.debentures.com.br)

27 Sociedades por Ações, Lei 6.404/76 (posteriormente alterada pela Lei nº 10.303, de 31 de outubro de 2001), as debêntures assumiram a forma que prevalece atualmente. Ao mesmo tempo, a criação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por intermédio da Lei nº 6.385/76, disciplinou o mercado de capitais, trazendo maior segurança para os investidores. 5 Apesar dos avanços da regulamentação, o mercado de debêntures teve comportamento irregular nos anos 80, em função das constantes mudanças de regras operacionais, tributárias e dos indexadores, muitas delas introduzidas pelos diversos planos de estabilização. Em 1988, as debêntures tiveram a sua aquisição encorajada por instituições financeiras e, em seguida, o Plano Verão permitiu o uso de uma gama de indexadores, estimulando os investidores. Contudo, as incertezas políticas e a política econômica recessiva ocorrida em 1990-1991 esfriaram o mercado de capitais doméstico, que em seguida também passou a sofrer a concorrência das captações externas. Depois do Plano Real, o mercado de debêntures começou a apresentar recuperação, em função da estabilidade monetária, do progressivo alongamento dos prazos dos títulos de dívida, das reestruturações patrimoniais e financeiras das companhias, da retomada do crescimento econômico e do processo de privatização. Nesse processo, as debêntures tornaram-se um importante instrumento de captação de recursos para empresas de arrendamento mercantil (leasing), administração e participação, serviços de utilidade pública, comércio e insumos intermediários. A partir de 1995, as notas promissórias de distribuição pública tornaram-se um título de renda fixa complementar às debêntures, por serem de 5 Guia de Consulta Rápida à Legislação (http://www.debentures.com.br)

28 curto prazo e de emissão mais simples. O gráfico a seguir, mostra as emissões primárias de debêntures, notas promissórias e ações realizadas no mercado doméstico desde 1980. O lançamento do BOVESPA FIX, em abril de 2001, ao mesmo tempo em que passou a oferecer uma estrutura integrada para negociação, custódia e liquidação dos títulos de dívida corporativa, propiciou um incremento na liquidez do mercado secundário e uma maior transparência e segurança aos emissores e investidores, além de uma série de aprimoramentos nos procedimentos de colocação primária. 2.2 - Definições 2.2.1 Debêntures As debêntures são valores mobiliários de emissão de companhias abertas, nominativos, negociáveis, de médio/longo prazo, e os debenturistas têm direito de crédito contraído pela companhia emissora. Rendem juros, fixos ou variáveis, sendo todas as características definidas na escritura de emissão. As características das debêntures podem ser periodicamente repactuadas, renegociadas entre os debenturistas e o emissor. 6 2.2.2 Emissores As debêntures podem ser emitidas por sociedades por ações (sociedades anônimas ou sociedades em comandita por ações), de capital aberto ou fechado que não sejam sociedades de crédito imobiliário e 6 Guia de Debêntures Bovespa Fix (http://www.bovespa.com.br)

29 instituições financeiras (com exceção daquelas que não recebem depósitos do público). As instituições financeiras que recebem depósitos somente podem emitir cédulas de debêntures, que são títulos que possuem como lastro debêntures emitidas por outras companhias. 2.2.3 Deliberações A assembléia geral de acionistas delibera a emissão e suas características básicas, podendo delegar ao Conselho de Administração parte das decisões relativas às condições das debêntures, como amortização e vencimento, a forma de colocação, as condições de remuneração, entre outras. Após a decisão da assembléia geral de acionistas, a empresa celebra a escritura de emissão, documento legal que estabelece todas as condições que regem a emissão. 2.2.4 Emissões e Séries Uma empresa pode efetuar várias emissões de debêntures, de acordo com suas necessidades. Cada emissão pode ainda ser dividida em séries, de forma a adequar o montante de recursos às necessidades da empresa ou à demanda do mercado. As séries de uma emissão podem ter ou não o mesmo vencimento. 2.3 - Distribuição/Colocação

30 2.3.1 Emissões Primárias As emissões primárias são operações de lançamento de novos títulos, nas quais há o aporte de novos recursos para a companhia. As debêntures podem ser ofertadas publicamente e/ou transacionadas no mercado quando a sociedade emissora possuir a condição de companhia aberta, obtida mediante o cumprimento de determinadas normas e exigências expedidas pela CVM. A emissão precisa ser realizada por meio do sistema de distribuição do mercado. A CVM, uma vez autorizada a emissão, mantém o seu registro, com todas as características e condições das debêntures, para que o mercado tenha acesso a essas informações. Nas emissões públicas também é necessária a nomeação de um agente fiduciário. As emissões de debêntures também podem ser privadas, não havendo a necessidade de registro de distribuição na CVM nem necessitando a emissora constituir-se ou manter-se como companhia aberta. A companhia emissora pode deliberar uma nova emissão sempre que julgar as condições favoráveis, contanto que as debêntures da emissão anterior tenham sido totalmente colocadas ou o saldo destas tenha sido cancelado. 2.3.2 - Distribuições Secundárias As distribuições secundárias (block-trade) de debêntures compreendem distribuições públicas de grandes lotes de debêntures que já foram emitidas e que estão nas mãos de controladores/acionistas da empresa ou qualquer outro investidor (debêntures que estão fora de circulação do mercado) e que geralmente compreendem um esforço de vendas sobre esses títulos. 2.3.3 - Emissões Externas

31 As companhias brasileiras podem emitir debêntures no exterior com garantia real ou flutuante de bens situados no País, desde que com prévia autorização pelo Banco Central. Essas debêntures podem ter o seu valor nominal expresso em moeda nacional ou estrangeira, observando-se que somente podem ser remetidos ao exterior o principal e os encargos das debêntures. 2.4 - Características das Debêntures 2.4.1 Formas das debêntures As debêntures ao portador foram oficialmente extintas pela Lei 9.457/97 e, por convenção, a seguinte terminologia foi adotada: Nominativas São debêntures representadas por certificados emitidos em nome do titular e registradas em livro próprio mantido pela emissora. A transferência de titularidade é efetuada por endosso em preto, substituindo-se posteriormente o certificado. Escriturais São debêntures que não possuem certificados representativos, sendo mantidas em nome do titular em conta de depósito em instituição financeira depositária designada pela emissora. 2.4.2 - Classe / Tipo das Debêntures As debêntures podem ou não possuir cláusulas de conversibilidade, classificando-se em: Debêntures Conversíveis em Ações

32 Além de serem resgatáveis em moeda, podem ser convertidas em ações de emissão da empresa, nas condições estabelecidas pela escritura de emissão. Debêntures Não Conversíveis ou Simples São as que não podem ser convertidas em ações, ou seja, resgatáveis exclusivamente em moeda nacional. Debêntures Permutáveis São debêntures que podem ser transformadas em ações de emissão de outra companhia que não a emissora dos papéis, ou ainda, apesar de raro, em outros tipos de bens, tais como títulos de crédito. Na maioria das vezes a companhia emissora das ações objeto da permuta é empresa integrante do mesmo conglomerado da companhia emissora das debêntures. 2.4.3 - Espécie/Garantia das Debêntures A espécie refere-se às garantias dadas à emissão: Debêntures com garantia real São garantidas por bens (imóveis ou móveis) dados em hipoteca, penhor ou anticrese, pela companhia emissora, por empresas de seu conglomerado ou por terceiros. A hipoteca representa um direito real de garantia sobre bens imóveis (incluindo navios e aeronaves). Já o penhor é um direito real de garantia sobre bens móveis entregues pela emissora ou por terceiros, para assegurar o cumprimento de uma obrigação. Por fim, a anticrese é também um direito real de garantia pelo qual o credor percebe os frutos do rendimento de um imóvel, possuindo, durante o período que se estender até o cumprimento da obrigação, os poderes de propriedade para fins de arrendamento ou locação do imóvel. O volume de emissão de debêntures com garantia real é limitado pela regulamentação em até 80% do valor dos bens gravados da empresa, quando o valor da emissão ultrapassar o do capital social. Debêntures com Garantia Flutuante

33 São debêntures com privilégio geral sobre o ativo da empresa, o que não impede, entretanto, a negociação dos bens que compões esse ativo. As debêntures com garantia flutuante possuem preferência de pagamento sobre debêntures de emissões anteriores e sobre outros créditos especiais ou com garantias reais, firmados anteriormente à emissão. O volume de emissão das debêntures com garantia flutuante é limitado em até 70% do valor contábil do ativo da emissora, líquido das dívidas garantidas por direitos reais, quando o valor da emissão ultrapassar o do capital social. Debêntures Quirografárias (sem preferência) Debêntures que não possuem as vantagens dos dois tipos anteriores. Assim, os debenturistas, em caso de falência, equiparam-se aos demais credores quirografários (não privilegiados) da empresa. As emissões de debêntures Quirografárias não podem Ter valor maior do que o do capital social da companhia. Debêntures Subordinadas São debêntures sem garantia, que preferem apenas aos acionistas no ativo remanescente, em caso de liquidação da companhia. No caso das debêntures subordinadas, não existem limites máximos para a emissão. Além de poderem possuir as garantias citadas anteriormente, as debêntures podem Ter garantias adicionais, constantes da escritura da emissão. A garantia fidejussória geralmente é representada por uma fiança conferida por pessoas físicas ou jurídicas (compreendendo geralmente acionistas ou sociedades do mesmo grupo da emissora). A escritura de emissão também pode prever covenants, que são compromissos contratuais que complementam a garantia das debêntures. Podem incluir cláusulas que limitam a ação da companhia emissora relativamente a endividamentos, seguros, controle acionário da empresa etc. O fiel cumprimento dos covenants é fiscalizado pelo agente fiduciário.

34 2.4.4 - Remuneração e Atualização Monetária As debêntures podem ter várias formas de remuneração, representadas por juros fixos ou variáveis, participação e/ou prêmios. Além disso, podem ser previstas cláusulas de atualização monetária, conforme apresentado no quadro a seguir: Remuneração Condições Prazo mínimo para vencimento ou periodicidade de repactuação da debênture Taxas prefixadas _ Não há TR ou TJLP _ Um mês TBF Taxas flutuantes Índice de preços + Taxas de Juros Fixa Apenas as sociedades de leasing e as companhias hipotecárias podem emitir debêntures remuneradas pela TBF. As taxas flutuantes utilizadas em debêntures devem ser regularmente calculadas e de conhecimento público, devendo ser baseadas em operações contratadas a taxas prefixadas, com prazo não inferior ao período de reajuste estipulado contratualmente. O índice de preços deve Ter série regularmente calculada e ser de conhecimento público. A periodicidade de aplicação da cláusula de atualização não pode ser inferior a um ano e o pagamento de seu valor somente pode ocorrer por ocasião do vencimento ou da repactuação das debêntures. Além disso, o pagamento de juros e a amortização realizados em períodos Dois meses 180 dias (apenas prazo mínimo de vencimento). As taxas deverão ser reajustadas em períodos fixos. Um ano

35 Taxa cambial + Taxa de Juros Fixa Coeficiente de Correção de Títulos da Dívida Pública + Taxa de Juros Fixa Participação nos Lucros inferiores a um ano devem Ter como base de cálculo o valor nominal das debêntures, sem considerar a atualização monetária inferior a um ano. As debêntures podem remunerar os investidores por meio de participação nos lucros, agregando características de renda variável ao papel. Não há Não há Não há (quando a debênture possuir exclusivamente esta forma de remuneração). A emissão de debêntures com previsão de mais de uma base de remuneração ou correção é admitida somente para efeito de substituição da base pactuada, na hipótese de extinção dessa. Fonte: Decisão Conjunta Bacen/CVM n.º 13/03. Obs: TR: Taxa Referencial; TJLP: Taxa de Juros de Longo Prazo; e TBF: Taxa Básica Financeira. Outras Formas de Remuneração As debêntures podem oferecer também prêmios, visando a: a) Fornecer remuneração adicional; b) Adaptar a rentabilidade total às condições de mercado; c) Compensar o debenturista pelo resgate antecipado; d) Estimular o debenturista a continuar com as debêntures em processos de repactuação. Os prêmios de debêntures não podem ter como base a TR, a TBF, a TJLP, os índices de preços, a variação da taxa cambial ou qualquer outro referencial baseado em taxa de juros. Entretanto, são admitidos os que tenham como base a variação da receita ou lucro da emissora.

36 As debêntures, dependendo das condições de mercado, também podem ser colocadas com deságio em relação ao seu valor nominal, constituindo-se uma forma adicional de remuneração que deve ser explicitada na escritura e no anúncio de distribuição pública. 2.4.5 Vencimento das Debêntures O mais comum é que as debêntures tenham prazo determinado. Entretanto, as mesmas também podem ser emitidas com prazo indeterminado. As debêntures com prazo indeterminado (debênture perpétua) têm o seu vencimento condicionado apenas a eventos especiais expressos na escritura da emissão ou nos casos de inadimplência do pagamento de juros e dissolução da companhia. A empresa também pode prever casos de resgate parcial ou total das debêntures, situações em que podem ser pagos prêmios, conforme citado anteriormente. 2.4.6 - Amortização e Resgate Antecipado Uma companhia emissora pode reservar-se o direito de realizar amortizações ou resgates antecipados (parciais ou totais) para as debêntures de uma mesma série em circulação, desde que previstos na escritura da emissão. As amortizações compreendem a redução do valor nominal de todas as debêntures em circulação, de forma parcial ou total. Tanto as amortizações como os resgates podem ser programados ou extraordinários. Eles são programados quando na escritura de emissão são previstos as épocas e os critérios adotados para as debêntures que serão objeto da amortização ou resgate (percentual a ser amortizado, quantidade a ser resgatada e fórmulas a serem consideradas para tais cálculos). Eles são extraordinários (ou facultativos ) quando, apesar de prevista na escritura de emissão a possibilidade de sua ocorrência, não forem previstos, de maneira

37 objetiva, as épocas e os critérios adotados. Quando as amortizações e resgates são extraordinários, pode haver o pagamento de prêmio para os debenturistas. A amortização de debêntures da mesma série que não tenham vencimentos anuais distintos, assim como o resgate parcial, deverão ser feitos mediante sorteio ou, se as debêntures estiverem cotadas, por preço inferior ao valor nominal, por compra em bolsa. Quando é prevista a amortização de debêntures, pode-se construir um fundo de amortização, formado com os lucros da emissora, que tem por objetivo minimizar o impacto do pagamento das referidas amortizações sobre o caixa da companhia. Apesar de não ser compulsório, é recomendável que a administração do referido fundo seja feita pelo agente fiduciário. 2.4.7 - Repactuação A escritura de emissão pode conter cláusula de repactuação, que significa renegociar as condições acertadas com os debenturistas, de forma a adequar as características dos títulos às condições de mercado. Caso os investidores não aceitem as novas condições propostas pela companhia, esta terá que adquirir as debêntures. As debêntures, uma vez adquiridas, podem permanecer em tesouraria (fora de circulação) ou ser canceladas. Se a empresa mantiver as debêntures em tesouraria, poderá posteriormente recolocá-las no mercado a outros interessados. 2.4.8 - Aquisição de Debêntures pelo Emissor A companhia emissora pode adquirir facultativamente debêntures de sua própria emissão em circulação no mercado secundário, desde que por valor igual ou inferior ao nominal acrescido de sua atualização ou

38 remuneração. Ela também pode exercer o direito de opção de compra de suas debêntures, ao qual não pode se opor o debenturista, pelo valor estabelecido na escritura de emissão. Tanto a aquisição facultativa quanto a opção de compra devem constar do relatório da administração e das demonstrações financeiras da empresa e podem ser utilizadas para cancelar as debêntures, mantê-las em tesouraria ou recolocá-las posteriormente no mercado. 2.5 - Investidores Tradicionalmente, os principais investidores em debêntures eram os fundos de investimento, entidades de previdência complementar e seguradoras, chamados de investidores institucionais, que só podem adquirir debêntures provenientes de distribuições públicas. Nos últimos anos, com o advento do BOVESPA FIX, surgiram emissões com distribuições mais pulverizadas, voltadas também a pessoas físicas. A tabela ao lado apresenta os limites de aplicação desses investidores, além dos limites referentes à carteira própria das instituições financeiras. 2.6 - Underwriters A atividade de underwriting consiste na ação de intermediar a colocação de valores mobiliários no mercado. Essa tarefa é exercida por bancos de investimento, bancos múltiplos, Corretoras e distribuidoras de valores, que recebem pelos serviços prestados comissões proporcionais ao volume emitido. As emissões de debêntures podem ter regimes de garantia firme ou melhor esforços. No regime de garantia firme, a instituição financeira coordenadora da operação garante a colocação da emissão a um preço previamente acertado, assumindo os riscos daí decorrentes. Caso as

39 debêntures não sejam totalmente aceitas pelo mercado, ela compromete-se a subscrevê-las. O coordenador, nesse caso, é remunerado com comissões de coordenação, colocação e garantia. Já no regime de melhores esforços, a instituição coordenadora assume o compromisso de se empenhar na colocação das debêntures, de maneira a conseguir para a empresa emissora as melhores condições e o maior montante possíveis dentro do prazo previsto para a colocação. Não assume, entretanto, nenhuma garantia relativa à sua aceitação pelo mercado. No regime de melhor esforços a instituição coordenadora é remunerada somente com comissões de coordenação e colocação. 2.7 - Banco do Emissor São os bancos comerciais ou múltiplos responsáveis pelas movimentações financeiras efetuadas pelos emissores, pagamentos e outros lançamentos. 2.8 - Agente Fiduciário O agente fiduciário representa a comunhão dos debenturistas perante a companhia emissora. O cargo de agente fiduciário geralmente é exercido por instituições financeiras, autorizadas pelo Banco Central do Brasil, e entre suas funções estão: Proteger os direitos e interesses dos debenturistas; Assegurar que o emitente cumpra as condições da escritura; Conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e demais papéis relacionados com o exercício de suas funções;

40 Elaborar relatório anual, dentro de quatro meses do encerramento do exercício social da companhia, com a descrição e análise dos eventos relevantes ocorridos no período; Notificar os debenturistas acerca de qualquer inadimplemento, pela companhia, de obrigações assumidas na escritura de emissão; Manter os bens dados em garantia em custódia (caso previsto na escritura de emissão); Administrar o fundo de amortização e pagar juros, amortizações e resgates (caso previsto na escritura). Enfim, de uma forma geral, cabe ao agente fiduciário o acompanhamento das atividades da companhia, de forma a verificar o cumprimento das disposições da escritura de emissão e de outras obrigações assumidas. Nos casos de inadimplência da companhia emissora, o agente fiduciário pode (observadas as condições constantes na escritura de emissão) declarar antecipadamente vencidas as debêntures, cobrando o valor do principal mais o rendimento. Caso a companhia permaneça inadimplente, o agente fiduciário poderá executar garantias reais, requerer a falência da companhia emissora e representar os debenturistas nos processos de falência, concordata e intervenção ou liquidação extrajudicial. De forma a evitar a possibilidade de ocorrência de conflitos de interesse, o agente fiduciário é impedido de participar em mais de uma emissão de determinada empresa emissora ou então em emissões de empresas de um mesmo grupo. Também está impedido em casos de ser coligado com a emissora, ser credor da emissora ou ser parte relacionada com interesses na emissora. Em emissões privadas de debêntures, o agente fiduciário apenas é necessário por ocasião da constituição de fundos de amortização.