REBELIÕES NO BRASIL COLÔNIA

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1) O início da colonização portuguesa no Brasil, no chamado período "pré-colonial" ( ), foi marcado pelo(a):

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Transcrição:

RESUMÃO DE HISTÓRIA REBELIÕES NO BRASIL COLÔNIA A partir do século XVII, surgiram no Brasil os primeiros movimentos de contestação ao domínio e aos abusos da metrópole sobre a colônia. Os primeiros consistiam em manifestações contra medidas isoladas, sem o interesse de ruptura com a metrópole, e eram chamados de rebeliões nativistas. A partir do século XVIII, com a crise da mineração, ocorreram, no entanto, as chamadas rebeliões separatistas, com o intento de ruptura com Portugal. REBELIÕES CARÁTER LOCALIDADE DATA REVOLTA DE Nativista Maranhão 1684-85 BECKMAN GUERRA DOS Nativista Pernambuco 1710-11 MASCATES GUERRA DOS Nativista Minas Gerais 1708-09 EMBOABAS REVOLTA DE FILIPE DOS SANTOS Nativista Minas Gerais [Vila Rica] 1720 CONJURAÇÃO Emancipacionista Minas Gerais 1789 MINEIRA CONJURAÇÃO Emancipacionista Bahia 1798 DOS ALFAIATES REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA Emancipacionista Pernambuco 1817 REVOLTA DE BECKMAN [1684-85] No Estado do Maranhão, a oferta de escravos africanos era pouca, o que levou os senhores de engenho a utilizar o indígena como força de trabalho. A medida, porém, gerou um conflito com os jesuítas, contrários a escravização dos nativos. Para resolver o problema da mão-de-obra e garantir a colonização da região, a Coroa criou a Companhia Geral de Comércio do Maranhão,

que, detentora do monopólio comercial da região, tinha como objetivo abastecer o mercado e fornecer uma quantidade fixa de escravos negros por ano. Entretanto, por usufruir da exclusividade comercial, a companhia vendia os seus produtos para a colônia a um preço muito elevado, além de não satisfazer a demanda anual de escravos. Assim, o descontentamento dos colonos não só não diminuiu como se ampliou, levando-os à revolta. Contra o monopólio da companhia de comércio e contra os jesuítas, o fazendeiro Manuel Beckman levantou os colonos maranhenses, que expulsaram os representantes da companhia e os jesuítas contrários à escravização indígena, instalando um Governo Provisório. Beckman, escolhido como representante dos rebelados, foi a Lisboa convencer a Coroa de que a causa da revolta era justa. Porém, foi preso ao chegar a Portugal, e a Coroa, para resolver o problema, aboliu os privilégios da companhia e enviou para o Maranhão um novo governador, Gomes Freire de Andrade, que dissolveu o Governo Provisório e prendeu os revoltosos. GUERRA DOS MASCATES [1710-11] Desde a saída de Maurício de Nassau e dos demais holandeses do território nordestino e a decorrente crise açucareira, a aristocracia rural da vila de Olinda, em Pernambuco, enfrentava dificuldades financeiras. Enquanto Olinda decaia economicamente, Recife prosperava graças ao intenso comércio exercido pelos portugueses, apelidados de mascates. Assim, Recife se transformava no principal centro econômico de Pernambuco, enquanto Olinda mantinha o predomínio político. Em 1709, os comerciantes de Recife conseguiram da Coroa a condição de vir a ser o centro político do Estado. Os olindenses, então, sentindose prejudicados, invadiram Recife, dando início à guerra. Os conflitos cessaram no ano seguinte quando Portugal nomeou Félix José Machado governador de Pernambuco. Os revoltosos foram presos e Recife foi promovida a sede administrativa de Pernambuco. GUERRA DOS EMBOABAS [1708-09] A descoberta de ouro em Minas Gerais pelos bandeirantes paulistas no final do século XVII atraiu para a região milhares de colonos de outras províncias. Julgando-se com o direito exclusivo da exploração do ouro nas minas, os paulistas hostilizaram os forasteiros, que apelidaram de emboabas.

Sob a liderança de Manuel Nunes Viana, alcunhado de governador das minas, os emboabas enfrentaram os paulistas em vários conflitos. O mais marcante deles ocorreu no chamado Capão da Traição, no qual 300 paulistas foram cercados e massacrados pelos emboabas. Em 1709 o governo português interveio e, a fim de pacificar e melhor administrar a região, separou a capitania de Minas Gerais e de São Paulo da capitania do Rio de Janeiro. Pouco depois, os bandeirantes paulistas partiram em busca de ouro em Goiás e Mato Grosso. REVOLTA DE FILIPE DOS SANTOS [1720] A alta rentabilidade gerada pela mineração e a sua crescente importância para o governo português levaram à ideia de implantar na região de Vila Rica uma administração diretamente subordinada à metrópole. No ano de 1720, a capitania de Minas Gerais foi separada de São Paulo e criaram-se as Intendências das Minas, órgãos especiais que controlavam a exploração do ouro. Para garantir o controle sobre a produção de ouro, o governo metropolitano fundou as Casas de Fundição [onde todo o ouro extraído era fundido e quintado]. As novas leis foram recebidas com protestos pelos mineradores. Os rebeldes elaboraram um documento no qual denunciavam os funcionários do reino que atuavam nas Minas Gerais como corruptos e exigiam o fechamento das Casas de Fundição. Para ganhar tempo, o Conde de Assumar, governador da capitania, fingiu concordar com as exigências, enquanto organizava suas tropas para combater o movimento. Com cerca de 1500 homens, seguiu para Vila Rica e prendeu os rebeldes. O tropeiro de origem portuguesa, Filipe dos Santos, considerado o principal líder da revolta, foi condenado à morte e ao esquartejamento. CONJURAÇÃO MINEIRA [1789] A Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira, foi uma tentativa de revolta abortada pelo governo em 1789, em pleno ciclo do ouro, na então capitania de Minas Gerais, no Brasil, contra, entre outros motivos, a execução da derrama e o domínio português. No final do século XVIII, o Brasil ainda era colônia de Portugal e sofria com os abusos políticos e com a cobrança de altas taxas e impostos. Além disso, a metrópole havia decretado uma série de leis que prejudicavam o desenvolvimento industrial e comercial do Brasil. Neste período, era grande a extração de ouro, principalmente na região de Minas Gerais. Os brasileiros que encontravam ouro deviam pagar o

quinto, ou seja, vinte por cento de todo ouro encontrado acabava nos cofres portugueses. Aqueles que eram pegos com ouro ilegal [sem ter pagado o imposto] sofria duras penas, podendo até ser degredado [enviado a força para o território africano]. Com a grande exploração, o ouro começou a diminuir nas minas. Mesmo assim as autoridades portuguesas não diminuíam as cobranças. Nesta época, Portugal criou a Derrama: quando a região não conseguia cumprir as exigências, soldados da Coroa entravam nas casas das famílias para retirarem os pertences até completar o valor devido. Todas estas atitudes foram provocando uma insatisfação muito grande no povo e, principalmente, nos fazendeiros rurais e donos de minas que queriam pagar menos impostos e ter mais participação na vida política do país. Alguns membros da elite brasileira, influenciados pela ideias de liberdade que vinham do Iluminismo europeu, começaram a se reunir para buscar uma solução definitiva para o problema: a conquista da independência do Brasil. O grupo, liderado pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, conhecido por Tiradentes era formado pelos poetas Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa, o dono de mina Inácio de Alvarenga, o padre Rolim, entre outros representantes da elite mineira. A ideia do grupo era conquistar a liberdade definitiva e implantar o sistema de governo republicano em nosso país. Sobre a questão da escravidão, o grupo não possuía uma posição definida. Estes inconfidentes chegaram a definir até mesmo uma nova bandeira para o Brasil. Ela seria composta por um triangulo vermelho num fundo branco, com a inscrição em latim: Libertas Quae Sera Tamen [Liberdade ainda que Tardia]. A Inconfidência Mineira foi reprimida, os inconfidentes presos e Tiradentes, esquartejado, mas o movimento transformou-se em símbolo máximo de resistência para os mineiros, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos, e da Revolução Constitucionalista de 1932 para os paulistas. A Bandeira idealizada pelos inconfidentes foi adotada pelo estado de Minas Gerais. CONJURAÇÃO DOS ALFAIATES [1798] A Conjuração Baiana, também denominada como Revolta dos Alfaiates [uma vez que seus líderes exerciam este ofício], foi um movimento de caráter emancipacionista, ocorrido no ocaso do século XVIII, na então Capitania da Bahia. Diferentemente da Inconfidência Mineira [1789], se reveste de caráter popular. Os revoltosos pregavam a libertação dos escravos, a instauração de um governo igualitário, onde as pessoas fossem vistas de acordo com a capacidade e merecimento individuais, além da instalação de uma República na Bahia e da liberdade de comércio e o aumento dos salários dos soldados. Tais idéias eram divulgadas, sobretudo, pelos

escritos do soldado Luiz Gonzaga das Virgens e panfletos de Cipriano Barata, médico e filósofo. Em 12 de Agosto de 1798, o movimento precipitou-se quando alguns de seus membros, distribuindo os panfletos na porta das igrejas e colandoos nas esquinas da cidade, alertaram as autoridades que, de pronto, reagiram, detendo-os. Tal como na Conjuração Mineira, interrogados, acabaram delatando os demais envolvidos. REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA [1817] A presença maciça de portugueses na colônia, a partir de 1808, e a grande quantidade de regalias por eles conquistadas em detrimento dos homens da terra foram alguns dos motivos que levaram à Revolução ou Insurreição Pernambucana. A difusão do reformismo ilustrado português, principalmente entre os membros do clero, combinado com um forte sentimento antilusitano, fez eclodir o movimento em março de 1817, que se propagou para outras áreas nordestinas. O movimento, de caráter separatista, proclamou uma República e organizou um Governo Provisório responsável pela elaboração de uma Lei Orgânica baseada nos princípios de liberdade de consciência, de imprensa e de culto. Enquanto a euforia revolucionária dominava Recife, organizava-se a repressão na Bahia e no Rio de Janeiro. Uma série de confrontos ocorreu entre as forças oficiais e os insurgentes, que foram vencidos em maio de 1817.