Pompagem e tensionamento fascial

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Transcrição:

Pompagem e tensionamento fascial Dentre as várias técnicas da terapia manual, a Pompagem é uma das mais simples de ser aplicada e traz benefícios aos pacientes quase de imediato. Foi desenvolvida por um osteopata Norte-Americano chamado Cathie, e o francês Marcel Bienfait. Falar de Pompagem significa, necessariamente, falar de ação no tecido conjuntivo, são elas intervenções realizadas no tecido conjuntivo, que consistem em realizar uma distenção terapêutica na fáscia muscular relacionada com movimentos respiratórios. Objetivos da Pompagem: Relaxamento muscular Nos casos de contratura e retrações, quando as moléculas de actina e miosina interpenetram-se excessivamente, há diminuição do comprimento muscular, no que são seguidas pelos elementos conjuntivos do músculo. A pompagem, realizada no sentido das fibras musculares, promove um deslizamento dessas moléculas em sentido contrário e aumenta o comprimento total do músculo. Favorecimento da circulação Os tecidos conjuntivos representam mais de 60% do conjunto dos tecidos corporais. Neles estão incluídas as fáscias que envolvem e estruturam a musculatura corporal. No âmbito desses tecidos, ocorre a circulação de água livre, não canalizada, responsável pelas trocas vitais de aporte de elementos nutritivos e retirada de toxinas. Se uma retração muscular, uma cicatriz, um edema provocarem uma estase, haverá ausência de mobilidade entre as fáscias, e a circulação de água livre, denominada lacunar, não ocorre eficientemente, porque depende da mobilidade entre os tecidos, visto não haver uma bomba a ela destinada. Neste caso, a pompagem deve ser realizada com o objetivo de liberar os bloqueios e promover a circulação lacunar. Indicações: Contraturas musculares não agudas Estase liquida (ausência de movimento do liquido intersticial) Encurtamentos e tensões musculares Dores musculares não agudas Disfunções miofascias em geral. Contra-indicações: Estiramento muscular Estiramento ligamentar Contraturas musculares agudas Rupturas ligamentáres e fasciais

Aplicação da técnica: A técnica deve ser realizada em três tempos: 1. Tensionamento do segmento Deve ser feito até o limite da elasticidade fisiológica da estrutura musculoaponeurótica. O terapeuta deve alongar lenta, regular e progressivamente as fibras até o limite de sua elasticidade, para não se provocar um descarregamento dos informantes do alongamento do músculo, que são os fusos. 2. Manutenção do tensionamento Que será maior ou menor de acordo com o objetivo que se procura. Normalmente mantendo o tensionamento por 20 segundos. 3. Retorno à posição inicial Que ocorrerá lentamente e cuja velocidade também será determinada de acordo com o objetivo desejado.

Crochetagem A crochetagem é uma técnica de tratamento elaborada pelo fisioterapeuta sueco Kurt Ekman nos anos 70. Inspirando-se nos trabalhos de Cyriax, Ekman buscava um modo de trabalhar as estruturas de maneira mais apurada, profunda e precisa. Teve a idéia de criar ganchos (crochets) de diferentes curvaturas, cuja extremidade terminava em uma espátula. Estes instrumentos, permitiam acessar o espaço entre os elementos a liberar, inacessíveis à mão devido à espessura dos dedos. Definição É um método não invasivo que permite liberar de modo preciso os planos de deslizamento interteciduais. A crochetagem é indicada em uma grande diversidade de afecções em que há alterações teciduais, sejam elas de origem traumática, inflamatória ou relacionadas a neuropatias periféricas de compressão. É também bastante utilizada para o tratamento de disfunções associadas a prática esportiva. A Crochetagem é indicada em qualquer lesão osteomioarticular que ocasione uma fibrose ou formação de aderências, a técnica tem como objetivo principal promover a quebra e liberação de pontos de fibrose, geralmente causados pelo acúmulo de cristais de oxalato de cálcio e corpúsculos fibrosos constituídos de arranjos desorganizados de fibras de colágeno encontrados em locais de estagnação circulatórias próximos às articulações ou planos mioaponeuróticos. A boa prática da Técnica de Crochetagem implica em uma abordagem palpatória rigorosa e precisa. Prática A técnica consiste em interpor a espátula do crochet entre as separações (cloisons) musculares ou ligamentares, com o objetivo de restaurar os planos de deslizamento tecidual, além de tensionar o músculo e a fascia, realizando seu descolamento, facilitando seu deslizamento e promovendo reorganização das fibras colágenas.

MOBILIZAÇÃO NEURAL A mobilização do sistema nervoso surgiu recentemente como uma ajuda na determinação e tratamento das síndromes da dor. Um aspecto importante desta abordagem é que a mecânica saudável do sistema nervoso permite a postura sem dor e o movimento a ser alcançado. Contudo na presença de fatores patológicos mecânicos (restrição do movimento) dos tecidos neurais, os sintomas podem ser provocados durante as atividades físicas. Essa técnica tem se tornado recentemente um meio popular de tratamento físico da dor neurogênica. Parece haver um enorme potencial para este método, pois, em circunstâncias apropriadas, proporciona uma forma de direcionar a terapia mecânica especificamente para os nervos, mais que para outras estruturas. Embora o tratamento neuromecânico exista desde 1880, sua utilização inicial foi agressiva e violenta demais para oferecer algum benefício. O alongamento neural era realizado tão vigorosamente que ruídos de ruptura podiam ser ouvidos como se o perineuro tivesse partido. O procedimento freqüentemente lesava axônios e vasos sangüíneos intraneurais, ocasionando ao paciente paralisia como a única alternativa para a dor. Como exemplo de realização de uma técnica segura, era sugerido que a força a qual o nervo ciático era submetido deveria limitar-se à metade do peso corporal da pessoa. Não é surpreendente que o tratamento mecânico dos nervos caiu em desuso. Curiosamente, fisioterapeutas continuaram utilizando o termo alongamento neural para descrever o seu tratamento para os nervos. O nervo seria sensível a um alongamento se fosse afetado por uma tensão mecânica adversa. Nervos são estruturas viscoelásticas e, portanto, podem responder a procedimentos de mobilização. Porém, alongamento implica em aumento permanente do comprimento, e ainda permanece inexplicado se isto pode ser benéfico. Em contraste com a época de 1880, os últimos quinze anos têm apresentado considerável desenvolvimento na aplicação clínica da mobilização neural. Isto porque a abordagem vem sendo relacionada a um conhecimento mais avançado de neuroanatomia e neurobiomecânica. No entanto, o método ainda carece de desenvolvimento mais aprofundado, pois há problemas com sua aplicação. O primeiro problema está no raciocínio clínico, e o segundo é a ênfase colocada sobre a mecânica do nervo, em detrimento da fisiologia. Terapeutas têm chegado a conclusões baseados no conceito que os testes neurodinâmicos (tensão neural) refletem com acurácia a função mecânica das estruturas neurais. Um exemplo do raciocínio cotidiano é o seguinte: Um teste de tensão neural normal (negativo) significa que as estruturas neurais estão se movendo corretamente, e um teste anormal (positivo) significa que isto não está ocorrendo. Deduções como esta envolvem somente fatores mecânicos, e serão, algumas vezes, imprecisas e predisporão a um tratamento inapropriado. Há situações nas quais os testes neurodinâmicos não irão refletir precisamente a função mecânica dos nervos, em parte devido à contribuição da fisiologia na

produção dos sintomas. Estruturas neurais inflamadas se tornam hipersensíveis e dolorosas, mas a origem do problema não será exclusivamente mecânica, em vez disso pode haver um processo fisiopatológico meramente desencadeado pelos eventos mecânicos. Neste caso, poderá haver um movimento neural adequado, embora haja uma resposta adversa ao teste. Apesar disso, o tratamento mecânico pode reduzir a fisiopatologia e a dor, mesmo que a mecânica do nervo não tenha sido alterada significativamente. A fisiologia é o caminho através do qual os nervos geram dor, e muito do que é observado no paciente é uma expressão das alterações fisiopatológicas. Clínicos que desejam mobilizar o tecido neural devem incluir habitualmente a fisiologia em seu raciocínio. Isto deve levá-los a uma compreensão mais precisa das desordens neurais e seu mecanismo de tratamento. Os testes normalmente usados, que mobilizam as estruturas neurais incluem: Teste de Elevação da perna estendida (TEPE/ Lasègue); Flexão cervical; Flexão do joelho em prono; O teste Global (Slump test); Tensão dos Membros Superiores; Testes para o Ulnar, Radial e Meridiano A principal INDICAÇÃO da Mobilização Neural é a ROTURA DAS ADESÕES. Com o tempo os canais osseos por onde passam os nervos podem te tornar espessos, criar pontes de tecido conjuntivo e até mesmo fibroses, com o passar do tempo. A mobilização neural mantem a permeabilidade desses canais.- EFEITOS FISIOLÓGICOS: - Aumento da mobilidade neural; - Aumento do fluxo sanguíneo; - Aumento do fluxo axoplasmático; - Aumento da mobilidade neural; - Aumento do fluxo sanguíneo; - Aumento do fluxo axoplasmático; -Aumento da condução neural; -Aumento da eficiências do trânsito de endofirnas ; -Aumento a nutrição do nervo; -Diminui a DOR!