Biologia Celular e Molecular



Documentos relacionados
Géis de Entrada e Separação

Departamento de Biologia da Universidade do Minho

Departamento de Zoologia da Universidade de Coimbra

ELETROFORESE APLICADA À ANÁLISE DE DNA

BIOQUÍMICA EXPERIMENTAL

BIOQUÍMICA EXPERIMENTAL

LINHA DE REAGENTES PARA BIOLOGIA MOLECULAR

Técnicas de biologia molecular. da análise de genes e produtos gênicos únicos a abordagens em larga escala

Reagentes para Biologia Molecular

Pontifícia Universidade Católica de Goiás Departamento de Biologia Prof. Hugo Henrique Pádua M.Sc. Fundamentos de Biofísica.

UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAIBA - UFPB VIRTUAL LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS A DISTÂNCIA

Southern blotting análise de DNA. Northern blotting análise de RNA. Western blotting análise de proteínas

Bioquímica. Purificação de proteínas

DEPARTAMENTO DE ZOOLOGIA FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA UNIVERSIDADE DE COIMBRA PERMEABILIDADE DAS MEMBRANAS CELULARES

Técnicas de análise de proteínas. Estrutura secundária da enzima COMT

FISIOLOGIA ANIMAL II

Universidade Estadual de Londrina Departamento de Biologia Geral Laboratório de Citogenética Animal - LACA TÉCNICAS DE CITOGENÉTICA DE INSETOS

BIOQUÍMICA EXPERIMENTAL

Elaborado por: Karina Salvador Revisado por: Hilda Helena Wolff Aprovado por: Andréa Cauduro

Cargo: D-41 Técnico Laboratório - Biotecnologia - Análise de Proteínas

Anti HBc Ref Controle Negativo

Apostila de aula prática REAÇÃO EM CADEIA PELA POLIMERASE (PCR)

FOSFATO DISSÓDICO DE DEXAMETASONA

CARACTERIZAÇÃO MOLECULAR DA DREPANOCITOSE (Anemia Falciforme)

Síntese do acetato de n-butilo ou etanoato de n-butilo

Etapa complementar para o diagnóstico da infecção pelo HIV princípios metodológicos

Prova Experimental Física, Química, Biologia

LABORATÓRIO DE BIOENGENHARIA. Métodos rápidos de tipagem de microrganismos

FICHA DE TRABALHO LABORATORIAL DO ALUNO - EXPERIÊNCIA A: NANOMATERIAIS NATURAIS

Ajustar o ph para 7,4. Filtrar o meio em 0,22 µm no fluxo e depois acrescentar o antibiótico/antimicótico. Armazenar de 2ºC a 8ºC.

RELATÓRIO DE AULA PRÁTICA

Em nossos experimento serão utilizadas células SH SY5Y, uma sublinhagem de células de neuroblastoma SK-N-SH, figura 1.

A agricultura moderna está sendo revolucionada pela introdução de plantas geneticamente modificadas;

Extração de DNA e Amplificação por PCR

A eletroforese é uma técnica utilizada para separar, identificar e purificar

As forças atrativas entre duas moléculas são significativas até uma distância de separação d, que chamamos de alcance molecular.

Exercício 2 DNA e Eletroforese

MEMORANDO TÉCNICO LL-ALUGOLD / SCR. Camada de Conversão NA COR CASTANHO AVERMELHADA, ISENTA DE CROMO para a Pintura do Alumínio e suas Ligas

Padronização de imunoblot para diagnóstico sorológico da esquistossomose utilizando antígeno de vermes adultos

Técnicas eletroforéticas Fonte: Wilson & Walker. Principles and Techniques of Biochemistry and Molecular Biology, 7ed. Page 399-

Avaliação Curso de Formação Pós-Graduada da Biologia Molecular à Biologia Sintética 15 de Julho de 2011 Nome

SEPARAÇÃO ELETROFORÉTICA DE DNA

IMUNO ENSAIOS USANDO CONJUGADOS

Separação e Cromatografia de Proteínas

Guia do Professor. (Documento baseado no guião original em inglês)

Rachel Siqueira de Queiroz Simões, Ph.D

Aos bioquímicos, técnicos de laboratório e estagiários do setor de imunologia.

Extração de DNA. Prof. Silmar Primieri

Helena Campos (Engenharia Química)

Aos bioquímicos, técnicos de laboratório e estagiários do setor de imunologia e hematologia.

Departamento de Zoologia da Universidade de Coimbra

Replicação Quais as funções do DNA?

UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Faculdade de Ciências e Tecnologia

4/8/2007. Análise de vitaminas

Departamento de Zoologia da Universidade de Coimbra. Alguns testes para identificação de enterobactérias

PROGENSA PCA3 Urine Specimen Transport Kit

Protocolos LabDros. Organizado por: Gabriel da Luz Wallau, Meio de Cultura Estoque para Drosophila. Meio de Drosophila Especial

3 METODOLOGIA EXPERIMENTAL

PCR. Transiluminador * Características

Controladores MPPT. Características

- CROMATOGRAFIA EM CAMADA FINA (CCF)

GRUPO HOSPITALAR CONCEIÇÃO HOSPITAL NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO C.R. LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS SETOR DE BIOQUÍMICA

Propriedades Coligativas

Ensaio de Proficiência

Prática 3 Impressão em Papel Salgado 29 de Setembro de 2007 Cadeira Processos de Impressão com Prata

Observação microscópica de seres vivos de uma infusão

Preparação do gel de poliacrilamida

Pesquisa de Fosfatase Alcalina em Leite Fluido por Colorimetria

DUTOS E CHAMINÉS DE FONTES ESTACIONÁRIAS DETERMINAÇÃO DE DIÓXIDO DE ENXOFRE. Método de ensaio

Papel Reciclado Artesanal Branco com Cascas de Cebola

Aula 8: Métodos de Purificação de Proteínas Recombinantes

GRUPO HOSPITALAR CONCEIÇÃO HOSPITAL NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS

Citologia, Histologia e Embriologia

Cronograma. Aula: Eletroforese (SDS-PAGE) e Sequenciamento de Proteínas Prática 6- Procedimento A (Diálise) Execução e Recolhimento do exerício 7

MANUAL DE PRÁTICAS EM BIOLOGIA DO SOLO

Água e Solução Tampão

PLANO DE HIGIENE ÍNDICE 1 HIGIENE PESSOAL 2 RECEPCÇÃO DE MERCADORIAS 3 ZONAS DE ARMAZENAGEM 4 ZONAS DE PREPARAÇÃO 5 ZONAS DE CONFECÇÃO

SE245 Caster Gel Dupla

Qual o efeito da radiação solar na evaporação da água?

WHO GLOBAL SALM-SURV NÍVEL III

PROTOCOLO EXPERIMENTAL - 3

PCR. Transiluminador * Cubas de Eletroforese * Características

IDENTIFICAÇÃO E CONFIRMAÇÃO DE GRUPOS FUNCIONAIS: Parte 1: ALDEÍDOS E CETONAS

SISTEMAS DE PISO EPOXI

Trabalho Prático MEDIDA DA CONDUTIVIDADE TÉRMICA DE DIFERENTES MATERIAIS

Aula Prática 06 Preparação de Emulsão de Escurecimento Directo Emulsões - 27 de Outubro de 2008

Capítulo 2 MÉTODOS E MATERIAIS 2.1. PREPARAÇÃO DE CULTURAS PRIMÁRIAS DE CONDRÓCITOS ARTICULARES Isolamento dos condrócitos articulares bovinos

Mestrado em Genética Molecular


Manual de Métodos de Análises de Bebidas e Vinagres

TURMA DE MEDICINA - QUÍMICA

Materiais / Materiais I

CALIBRAÇÃO DE UM TERMOPAR DE COBRE CONSTANTAN

Plásticos para Cultivo Celular

LICENCIATURA EM MEDICINA

Transcrição:

DEPARTAMENTO DE ZOOLOGIA FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA UNIVERSIDADE DE COIMBRA Biologia Celular e Molecular Detecção de proteínas por western-blotting 2007-2008

Na electroforese em gel de poliacrilamida na presença de SDS (SDS-PAGE), as proteínas migram através dos poros do gel de poliacrilamida em resposta a um campo eléctrico. O tratamento com SDS confere a todas as proteínas carga negativa, e igual densidade de carga. Assim, as proteínas aplicadas no gel migram através da matriz do gel na direcção do ânodo (polo positivo). Proteínas de menor massa molecular migram mais facilmente através da rede formada pela poliacrilamida, e, por essa razão, têm maior mobilidade do que proteínas de maior massa molecular. A separação de proteínas num gel de poliacrilamida em condições desnaturantes acontece com base na massa molecular das proteínas. O tamanho dos poros do gel diminui para concentrações crescentes de acrilamida. Geis de 15% de acrilamida utilizam-se para separar proteínas de massa molecular baixa, geis de menor concentração de acrilamida, até 7.5%, utilizam-se para separar proteínas de alta massa molecular. Depois de separadas num gel de poliacrilamida, as proteínas podem ser visualizadas por coloração do gel com uma solução de Coomassie azul. A coloração das proteínas separadas por SDS-PAGE permite obter informação sobre o tamanho da proteína recombinante produzida e purificada, e saber se essa proteína está pura. No entanto, não é possível assegurar que se trata de facto da proteína pretendida. A caracterização da proteína purificada por Western blot, utilizando um anticorpo específico, permite identificar conclusivamente a proteína purificada. 1

Visualização num gel de poliacrilamida, em condições desnaturantes (SDS-PAGE), das amostras recolhidas ao longo da expressão e purificação da proteína de fusão Preparação do gel de poliacrilamida Soluções: 1.5 M Tris, ph 8.8 0.625 M Tris, ph 6.8 30% acrilamida (29 acrilamida: 1 bisacrilamida) ATENÇÃO! NEUROTÓXICO! 20% (p/v) SDS 10% (p/v) persulfato de amónio (AMPS) TEMED (Tetra-metil-etilenodiamina) Tampão de electroforese: 100 mm Tris: 100 mm Glicina, 0.1% SDS Tampão de desnaturação das amostras (2, 100 ml, ph 6.8): 1 10 ml β-mercaptoetanol 5% 4 g SDS 2% 25 ml 1M Tris, ph 7.4 125 mm 20 ml glicerol 10% H 2 O até 100 ml Gel de separação (12% de acrilamida, 10 ml): concentração final 2.65 ml H 2 O 3.35 ml 1.5 M Tris, ph 8.8 0.5 M 4 ml 30% acrilamida 12% 100 µl 20% SDS 0.2% 100 µl 10% AMPS agitar 25 µl TEMED agitar e verter imediatamente no sistema de montagem do gel, até cerca de 2cm do topo do vidro mais pequeno; adicionar uma camada de isopropanol 50%. Gel de concentração (4% de acrilamida, 5 ml): concentração final 3.1 ml H 2 O 1.25 ml 0.625M Tris, ph 6.8 0.16 M 0.65 ml 30% acrilamida 4% 50 µl 20% SDS 50 µl 10% AMPS agitar 12.5 µl TEMED agitar e verter sobre o gel de separação, até ao topo do vidro mais pequeno; aplicar o pente. Solução corante (Coomassie): 0.25% Coomassie 50% metanol 10% ácido acético Solução descorante: 25% metanol 5% ácido acético 2

Preparação das amostras e electroforese 1. Diluir as amostras com solução desnaturante 2, na proporção 1 solução desnaturante (2 ): 1 de amostra; ferver as amostras durante cerca de 5 min 2. Aplicar as amostras no gel; aplicar também padrão de massas moleculares contento proteínas de massa molecular conhecida. Encher a tina de electroforese com tampão de electroforese e correr a electroforese a 200 V durante cerca de 45 min. 3. Corar o gel por agitação durante cerca de 15 min em solução corante e lavagem por diversas vezes em solução descorante. Nota: No caso de o gel se destinar a electrotransferência, não deve ser corado com Coomassie, mas sim directamente usado para a electrotransferência. Electrotransferência das proteínas do gel de poliacrilamida para uma membrana de PVDF e imunodetecção (Western Blot) Electrotransferência para membrana de PVDF Tampão de transferência (2l): 3 g Tris 25 mm 14.4 g glicina 192 mm 400 ml metanol 20% TBS (ph 7.6, 10, 1l): 24.2 g Tris 80 g NaCl TBST: TBS + 0.1% Tween concentração final: 1. Mergulhar a membrana de PVDF, do tamanho do gel de poliacrilamida a transferir, em metanol durante alguns segundos; de seguida, equilibrar a membrana de PVDF em tampão de transferência; 2. Incubar o gel, depois de terminada a electroforese, em tampão de transferência; 3. Montar a cassete de transferência, de acordo com o esquema da figura 2; 4. Inserir a cassete na tina de transferência, tendo em conta que a membrana de PVDF deve ficar do lado no ânodo (polo positivo); 5. Transferir durante a noite, a 25 V, à temperatura ambiente; 6. Após a transferência, fixar a membrana em 25% de metanol, 5% de ácido acético; membra Papel de filtro Esponja Gel Fig. 1. Esquema de montagem da cassete de electrotransferência. 3

Imunodetecção 1. Bloquear a membrana durante 1 h, em 0.5% de leite magro em TBST; 2. Incubar a membrana com o anticorpo primário, diluído em 0.5% de leite magro em TBST, durante 1h, à temperatura ambiente; 3. Lavar a membrana 5 vezes, 5 minutos cada vez, com 0.5% de leite magro em TBST; 4. Incubar a membrana com o anticorpo secundário, conjugado com a fosfatase alcalina, diluído em 0.5% de leite magro em TBST, durante 1h, à temperatura ambiente; 5. Lavar a membrana 5 vezes, 5 minutos cada vez, com 0.5% de leite magro em TBST; 6. Revelar a membrana pelo método ECF ou usando um substrato cromogénico da fosfatase alcalina. Método ECF de revelação do imunoblot Para revelação do imunoblot pelo método ECF (Enhanced ChemiFluorescence) é necessário utilizar um anticorpo secundário conjugado com a fosfatase alcalina. A fosfatase alcalina cataliza a conversão do ECF num produto que fluoresce a 540-560 nm. 1. Calcular o volume de substrato para a fosfatase alcalina (ECF) a utilizar, de modo a usar 24 µl/cm 2 de membrana; 2. Colocar a membrana, depois de lavado o excesso de anticorpo secundário, sobre um quadrado de plástico limpo, numa superfície lisa, colocando para cima o lado da membrana que esteve em contacto com o gel de poliacrilamida; 3. Pipetar o volume de ECF necessário e colocar no topo da membrana; incubar durante 3 minutos; 4. Remover o excesso de ECF e visualizar a marcação na membrana num detector de fluorescência. Revelação do imunoblot usando um substrato cromogénico Adicionar o substrato da fosfatase alcalina [5-Bromo-4-Cloro-3-Indolil Fosfato (BCIP)/ Nitroblue Tetrazolium (NBT)] à membrana; incubar até aparecimento de cor violeta. 4

IMUNOBLOT (ou Western blot) Separação das proteínas em gel de poliacrilamida em condições desnaturantes (SDS-PAGE) Electrotransferência para membrana de PVDF Bloqueio dos locais não específicos Incubação com o anticorpo primário; remoção do excesso de anticorpo, não ligado Incubação com o anticorpo secundário, conjugado com a fosfatase alcalina (AP); remoção do excesso de anticorpo Incubação com o substrato ECF ou com o substrato cromogénico (BCIP/NBT) Visualização da marcação fluorescente a 540 mn (ECF) ou da marcação violeta (BCIP/NBT) 5