COAP 06/13 ORIENTAÇÕES E ESCLARECIMENTOS 1.0 O que é o Contrato Organizativo da Ação Pública - COAP? O COAP é um acordo de colaboração firmado entre os três entes federativos, no âmbito de uma Região de Saúde, com o objetivo de organizar e integrar as ações e os serviços de saúde e garantir a integralidade da atenção à saúde da população no território. A garantia da integralidade não pode ser efetiva se assumida por apenas um dos entes. Assim, é preciso que seja organizada por Região de Saúde com Gestão compartilhada e que os entes municipais, juntamente com o Estado e a União, possam conjugar esforços para alcançar objetivos comuns em relação ao cidadão. Neste sentido, a Comissão Intergestores Regional (CIR) é uma importante instância de fortalecimento da Governança Regional. Será na CIR que os entes municipais poderão, juntamente com o Estado, discutir as suas necessidades de saúde, as referências e o financiamento na região. Para tanto, a conformação das Regiões de Saúde é fundamental na instituição do COAP. De acordo com a resolução Nº 1 de 29 de Setembro de 2011, entende-se por Região de Saúde o espaço geográfico contínuo constituído por agrupamento de municípios limítrofes, delimitado a partir de identidades culturais, econômicas e sociais e de redes de comunicação e infraestrutura de transportes compartilhados, com a finalidade de integrar a organização, o planejamento e a execução de ações e serviços de saúde. 2.0 Quem assina o COAP? O COAP é assinado por todos os Prefeitos e seus Secretários de Saúde, pelo Governador e seu Secretário de Saúde e pelo Ministro da Saúde. 3.0 O Município pode integrar mais de um COAP? Não, pois cada Município participa apenas do COAP firmado na Região de Saúde do qual ele faz parte. 4.0 Quais as bases normativas que orientam a construção e implantação COAP e das Regiões de Saúde? Decreto 7.508/2011, de 28 de Junho de 2011; 1
Resolução Nº 1, de 29 de Setembro de 2011; Resolução Nº 3, de 30 de Janeiro de 2012; Resolução CIT Nº 4, de 19 de Julho de 2012; Lei Complementar 141/2012; Resolução Nº 5, de 19 de Junho de 2013. 5.0 O que deverá conter no COAP? No artigo 36, o Decreto 7.508 estabelece que o COAP deverá conter: I - Identificação das necessidades de saúde locais e regionais, por meio dos Mapas de Saúde Regionais; II - Oferta de ações e serviços de vigilância em saúde, promoção, proteção e recuperação da saúde em âmbito regional e inter-regional; III - Responsabilidades assumidas pelos entes federativos perante a população no processo de regionalização, as quais serão estabelecidas de forma individualizada, de acordo com o perfil, a organização e a capacidade de prestação das ações e dos serviços de cada ente federativo da Região de Saúde; IV - Indicadores e metas de saúde; V - Estratégias para a melhoria das ações e serviços de saúde; VI - Critérios de avaliação dos resultados e forma de monitoramento permanente; VII - Adequação das ações e dos serviços dos entes federativos em relação às atualizações realizadas na Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde (RENASES); VIII - Investimentos na rede de serviços e as respectivas responsabilidades; IX - Recursos financeiros que serão disponibilizados por cada um dos partícipes para sua execução. 6.0 Qual a estrutura do COAP? As responsabilidades individuais e solidárias pactuadas pelos entes federativos em relação à Região de Saúde ficam claramente definidas nas quatro partes que compõem a estrutura do contrato. São elas: Parte I - Responsabilidades Organizativas; Parte II - Responsabilidades Executivas; Parte III - Responsabilidades Orçamentárias e Financeiras; Parte IV - Responsabilidades no Monitoramento, Avaliação de Desempenho e Auditoria. 2
6.1 Do se que trata a parte I (Responsabilidades Organizativas) do COAP? Trata-se da estrutura organizacional do Contrato que deverá seguir um padrão proposto nacionalmente, onde constarão os seguintes tópicos: a. Objeto a ser contratado; b. Descrição das partes; c. Sanções administrativas; d. Princípios e diretrizes do SUS; e. Ações e serviços públicos de saúde disponibilizados na Região de Saúde; f. Rede de atenção ofertada e seus elementos constitutivos; g. Ordenado e regulação do acesso (fluxos assistenciais); h. Planejamento integrado da saúde e da programação geral das ações e serviços de saúde; i. Articulação interfederativa, quando for o caso; j. Gestão do trabalho e educação em saúde; k. Financiamento; l. Medidas de aperfeiçoamento do SUS; m. Monitoramento, avaliação de desempenho do contrato e auditoria; n. Publicidade das ações. Além da estrutura proposta pelo Ministério da Saúde, os entes podem pactuar a inserção de outras cláusulas, que atendam às especificidades regionais. 6.2 Do que se trata a parte II (Responsabilidades Executivas) do COAP? A Parte II do COAP disporá sobre as responsabilidades executivas dos entes signatários, devendo-se observar o Plano Nacional de Saúde, o Plano Estadual de Saúde e os Planos Municipais, e as diretrizes, objetivos, as metas, indicadores, prazos e formas de avaliação construídas regionalmente. Inclui o Mapa de Saúde, a Programação Geral de Ações e Serviços de Saúde (PGASS) e a pactuação das referências, incluindo o Protocolo de Cooperação entre Entes Públicos (PCEP). A PGASS tem como base a Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde (RENASES) e a Relação Nacional de Medicamentos (RENAME) e nela estará incluído o Mapa de Metas a serem alcançadas no período de vigência do COAP. 6.3 Do que se trata a parte III (Responsabilidades Orçamentárias e Financeiras) do COAP? A Parte III deverá explicitar: I - as responsabilidades dos entes federativos pelo financiamento tripartite do COAP na Região de Saúde; 3
II - os planos globais de custeio e de investimento: No plano de custeio, devem estar previstas as transferências de recursos entre os entes federativos, configurando o financiamento da Região de Saúde, de acordo com o previsto nos orçamentos; III - o cronograma anual de desembolso. 6.4 Do que se trata a parte IV (Responsabilidades pelo monitoramento, avaliação de desempenho da execução do COAP e auditoria) do COAP? A parte IV disporá sobre a avaliação da execução do COAP e será realizada por meio do Relatório de Gestão com seção específica relativa aos compromissos contratuais, conforme previsto no 1º do art. 40 do Decreto nº 7.508, de 2011 de cada ente signatário, devendo ser acompanhada pelos respectivos Conselhos de Saúde. O Ministério da Saúde definiu indicadores nacionais de garantia de acesso às ações e aos serviços de saúde, a partir de diretrizes estabelecidas pelo Plano Nacional de Saúde. Dentre eles, o Índice de Desempenho do SUS (IDSUS) que deverá estar disposto nos objetivos e metas do COAP e será componente prioritário do monitoramento e avaliação de desempenho; Cabe ao Ministério da Saúde coordenar, em âmbito nacional, a elaboração, a execução e a avaliação de desempenho do COAP. O Sistema Nacional de Auditoria (SNA), em cada esfera de governo, fiscalizará a execução do COAP. O Ministério da Saúde disponibilizará informações no portal de transparência da saúde e, por outros meios e instrumentos, com a finalidade de garantir a participação da comunidade no SUS, no exercício do controle social. Aos Municípios e Estados também caberá monitorar e avaliar a execução do Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde, em relação ao cumprimento das metas estabelecidas, ao seu desempenho e à aplicação dos recursos disponibilizados. Cabe à Secretaria de Saúde Estadual coordenar a sua implementação. O Uso divergente do objetivo pactuado implica em sanções que incluem a devolução de recursos e a responsabilização dos gestores. O COAP deve consubstanciar os consensos dos entes federativos na CIT, CIB e CIR e ser o resultado da integração dos Planos de Saúde dos entes signatários, aprovados pelos respectivos Conselhos de Saúde, em consonância com o Planejamento Integrado. Quanto à Gestão Participativa no COAP, além da transparência nas informações também será estabelecido estratégias que incorporem a avaliação do usuário das ações e dos serviços, como ferramenta de sua melhoria do sistema de saúde e apuração permanente das necessidades e interesses do usuário. 4
7.0 O que é a Programação Geral de Ações e Serviços de Saúde (PGASS)? No contexto do Decreto 7.508/2011, todas as ações e serviços que o SUS oferece aos usuários para atendimento da integralidade da atenção à saúde estão dispostos na Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde RENASES e na Relação Nacional de Medicamentos RENAME. Neste sentido, RENASES e RENAME se constituem como orientadoras das aberturas programáticas a serem utilizadas na reformulação das programações. A PGASS, componente das responsabilidades executivas, é um dos instrumentos do planejamento regional, consistindo em um processo de negociação e pactuação entre os gestores em que são definidos os quantitativos físicos e financeiros das ações e serviços de saúde a serem desenvolvidos, no âmbito regional. Abrangerá todas as programações atuais, com exceção da Programação Anual de Saúde. Deve possuir articulação com a Programação Anual de Saúde (PAS) de cada ente presente na região, dando visibilidade aos objetivos e metas estabelecidos no processo de planejamento regional integrado, bem como os fluxos de referência para sua execução. Abrange as ações de assistência à saúde, de promoção, de vigilância (sanitária, epidemiológica e ambiental) e de assistência farmacêutica. A partir da programação ocorre a identificação e priorização de investimentos necessários para a conformação da Rede de Atenção à Saúde. 8.0 Qual o fluxo de elaboração do COAP? O fluxo de elaboração do COAP observará os seguintes passos, segundo Resolução nº 3, de 30 de Janeiro de 2012 que trata das Normas Gerais e Fluxos do COAP: I - análise e aprovação no âmbito de cada ente signatário; II - pactuação na CIR; III - homologação pela CIB; IV - assinatura, a ser providenciada pela CIR; V - publicação no Diário Oficial da União (DOU), por extrato; e VI - encaminhamento à CIT, para ciência. Além da publicação no DOU, o COAP poderá ser publicado em outros instrumentos oficiais no âmbito do Estado e dos Municípios integrantes da Região de Saúde, garantindo a publicização do contrato. Nos casos em que houver dissenso a respeito da elaboração do COAP, a mediação, a análise e a decisão dos recursos dos Estados e Municípios caberão à CIB e à CIT. 5
9.0 Como se dá o processo de transição entre o Pacto pela Saúde para o COAP? A partir da Resolução CIT Nº 4, de 19 de Julho de 2012, todos os municípios, tenham ou não assinado o TCG, assumem compulsoriamente as responsabilidades sanitárias cabíveis para seu âmbito de gestão e descritas na Resolução, e manifestas em ações previstas em seus Planos de Saúde e Programações Anuais; O Termo de Compromisso de Gestão (TCG) como instrumento de pactuação e divulgação dos recursos federais transferidos aos demais entes será substituído pelo COAP. Os conteúdos do Termo de Compromisso de Gestão e o Termo de Limite Financeiro Global serão incorporados pelo COAP, no que couber. Fica mantida Declaração de Comando Único (DCU) até a assinatura do COAP, as novas descentralizações dependem de Pactuação na CIR e CIB; Mantém o PCEP Protocolo de Cooperação entre Entes Públicos conforme estrutura já definida; Mantém, para 2013, a Pactuação de Diretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores para Estados e Municípios via SISPACTO, sob aprovação do Conselho de Saúde, e pactuados em CIR, para quem não assinou o COAP; Define fluxo de mediação de conflitos em CIR e CIB e dispõe da possibilidade de MS, CONASS e CONASEMS solicitarem a suspensão de deliberação da CIB, enquanto a CIT não delibera em definitivo sobra a questão colocada; Para quem assinou o COAP, serão observadas as Diretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores Universais e específicos, sempre considerando os Planos de Saúde. 10.0 Qual a importância de firmar o COAP? Definição clara das responsabilidades sanitárias dos entes federativos na divisão de suas competências constitucionais e legais; Segurança jurídica quanto às definições dessas responsabilidades; Melhoria dos argumentos jurídicos na defesa dos municípios quanto às suas responsabilidades na judicialização da saúde; Maior clareza no papel do Estado em relação aos municípios e os da União em relação ao Estado e Municípios; Possibilidade de se garantir a integralidade da assistência à saúde ao cidadão de Municípios de pequeno porte; Fortalecimento do Controle Social, pois oficializa os compromissos públicos dos gestores com a saúde, e possibilita o acompanhamento, 6
pelo cidadão, sobre o cumprimento das metas estabelecidas nesses compromissos. 11.0 Questões Gerais O COAP deverá se tornar obrigatório para que as transferências da União aconteçam, tendo em vista a expressão dos compromissos de ações e serviços, por parte do Estado e Municípios. (SANTOS, 2012) O COAP não será um instrumento municipal, será regional, e Pernambuco deverá construir 12 COAPs, formalizando as redes de atenção à saúde em debate desde 2011. Entretanto, só poderá ser assinado se todos os Municípios da Região de Saúde participarem do contrato. O monitoramento levará em conta as metas do COAP e do IDSUS, sob coordenação do Ministério da Saúde, implicando na possibilidade de recebimento de um incentivo financeiro anual pelo desempenho do contrato. A gestão do COAP será realizada pelos entes signatários competentes; cabendo à CIR, à CIB e à CIT no âmbito de suas competências, pactuarem o acompanhamento e a operacionalização das ações e serviços compartilhados. O Ministério da Saúde atuará de forma específica, nos termos da Lei nº 8.080, de 1990, onde houver população indígena. O prazo de vigência do COAP será preferencialmente de 4 (quatro) anos, havendo possibilidade de ser estabelecido outro prazo, com a finalidade de adequação aos prazos dos Planos de Saúde dos entes federados contratantes. O primeiro COAP deverá ser produzido considerando o período de 2013 a 2015. O COAP deverá prever o custeio das ações e serviços de saúde adicionais para Municípios sujeitos a aumento populacional em razão de migrações sazonais, como turismo e trabalho temporário. 7
Referências Normativas: SANTOS, L. SUS e a Lei Complementar 141 Comentada. Editora SABERES, 2012. BRASIL. Ministério da Saúde. Decreto 7.508/2011, de 28 de Junho de 2011; BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes e Proposições Metodológicas para a Elaboração da Programação de Ações e Serviços de Saúde, 2012 BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução CIT Nº 1, de 29 de Setembro de 2011; BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução CIT Nº 3, de 30 de Janeiro de 2012; BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução CIT Nº 4, de 19 de Julho de 2012; BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução CIT Nº 5, de 19 de Junho de 2013; BRASIL. Lei Complementar 141/2012, de 13 de janeiro de 2012. 8