O JOGO DOS AUTÓGRAFOS Extraído do livro: Jogos Cooperativos: se o importante é competir, o fundamental é cooperar, de Fábio Otuzi Brotto. Editora Projeto Cooperação. Santos-SP. 1997 atualizado em 2010. Procurando clarear os motivos pelos quais as pessoas escolhem competir no lugar de cooperar, passamos a desenvolver nas "Oficinas de Jogos Cooperativos" para adultos, uma técnica de dinâmica de grupo chamada de "O Jogo dos Autógrafos". O Jogo dos Autógrafos pode nos ajudar a descobrir as alternativas para uma nova forma de abordar conflitos e realizar metas grupais. - Vamos participar deste jogo?! Ele é jogado em dois tempos de 01 minuto, cada um. No intervalo nos concentraremos no "vestiário" para analisar e aperfeiçoar nosso jogo, está bem? Nosso objetivo é: Conseguir o maior número de autógrafos possível, numa folha de papel. É um jogo muito simples. Basta coletar assinaturas uns dos outros. Mas, atenção. Não vale autógrafo repetido. Temos folha de papel e canetas no centro da sala. Quando vocês estiverem prontos, avisem. - Prontos? - Então, está valendo! Esta técnica foi adaptada da proposta apresentada por Antunes, 1990 e baseado nos trabalhos de Deutsch e Krauss, 1960 (in Rodrigues, 1972). Consiste num jogo cujo resultado depende da percepção que os participantes têm: Do jogo em si. Do objetivo. Das pessoas participantes.
De acordo com a observação que fizemos em centenas de jogos aplicados, identificamos três "Padrões de Percepção-Ação" que se manifestaram diante da necessidade de Jogar para alcançar uma meta comum: PADRÕES DE PERCEPÇÃO-AÇÃO Estilo de Jogo INDIVIDUALISMO COOPERAÇÃO COMPETIÇÃO Visão do jogo É impossível Possível para todos Parece possível só para um Objetivo "Tanto faz" Ganhar... juntos Ganhar... do outro O outro "Quem?" Parceiro, amigo e solidário Adversário, inimigo e concorrente Relação Indiferença. Cada um na sua Interdependência e parceria Dependência e rivalidade Ação Não Jogar Jogar... COM Jogar... CONTRA Clima do Jogo Chato Ativação e atenção Tensão e stress Resultado Continuísmo Sucesso Compartilhado Ilusão de vitória individual Conseqüência Alienação Vontade de continuar jogando... Acabar logo com o jogo Motivação essencial Fuga Amor Medo Sentimentos Opressão e controle Alegria, comunhão, satisfação Raiva, solidão frustração Símbolo Muralha Ponte Obstáculo - Ok! Terminou o primeiro tempo. Vamos para o "vestiário". Enquanto nos recuperamos, que tal refletir sobre o jogo que acabamos de fazer?
Em 90% dos jogos realizados, constatamos que no 1º tempo o "Padrão de Percepção-Ação" dominante foi o de "Competição". Em conseqüência dessa dinâmica de competição, os resultados obtidos pelas pessoas que jogam, individual e coletivamente falando, ficaram muito abaixo do esperado inicialmente. Durante o intervalo, entre o 1º e 2º tempo solicitamos às pessoas que identificassem os "Fatores que Dificultaram" a realização do objetivo do jogo. E elas responderam: Fatores que Dificultam Individualismo Desconfiança Falta de clareza de objetivos Ausência de comunicação Competição Pressa Falta de organização e planejamento. Ausência de liderança São muitas as hipóteses levantadas a respeito da "opção" para competir: Segundo Zajonc (1973) "na vida diária a maioria das relações de cooperação e competição são altamente convencionalizadas, institucionalizadas e organizadas; e muito raramente nos permitem escolher entre cooperar e competir". Freedman (1973), diz que "as pessoas são propensas a interpretar virtualmente, toda e qualquer situação social, como competitiva". De acordo com Deutsch e Krauss (1960, in Rodrigues, 1972), a única vantagem da opção competitiva é que um jogador pode fazer mais pontos que o outro, muito embora, faça sempre menos do que poderia obter se tivesse escolhido a estratégia cooperativa. Confirmando essa idéia, Rodrigues (1972) comenta que "acumular o maior número de pontos não motiva muito. Os sujeitos preferem competir com o outro, para ver quem vence".
Apesar dessas hipóteses preliminares, nossa com-vivência nas diversas Oficinas de Jogos Cooperativos, demonstrou que após o 1º tempo, os jogadores apreederam uma nova Percepção-Ação. Vejamos o que aconteceu no 2º tempo... - Está bom. Aproveitando a compreensão que ganhamos do jogo vamos voltar para o "campo" e melhorar nossa atuação. Lembrem-se continuamos no mesmo jogo. - Quando estiverem prontos, avisem. Antes de reiniciar o jogo, o primeiro movimento da grande maioria dos grupos foi PARAR PARA PENSAR... JUNTOS! Ao final do 2º tempo - e em alguns casos, depois da prorrogação (3º tempo) - em todos os jogos realizados, o Padrão de Percepção-Ação, predominantemente manifestado foi o de "Cooperação". Em 95% dos jogos os participantes alcançaram - e em muitos casos, ultrapassaram - os objetivos, pessoais e coletivos, inicialmente colocados pelo jogo. Questionados a respeito dos "Fatores que Facilitam" o jogo, apresentaram o seguinte: Fatores que Facilitam Clareza de objetivos Solidariedade Confiança e respeito mútuo Comunicação aberta Cooperação "Parar para pensar" Criatividade Liderança de todos Paz-ciência
A partir dessas vivências e observações pudemos chegar às seguintes conclusões, entre outras: 1ª Conclusão: Temos sido CONDICIONADOS para competir. E que sendo um "condicionamento" ele é fruto de um processo de aprendizagem, inserido num contexto cultural mais amplo. Fomos "treinados" - via escola, família, mídia e por tantos outros meios - para acreditar que não temos escolhas e para aceitar a competição como a opção "natural" para nosso crescimento e realização. O que pode ser bem diferente, pois segundo Albert Einstein "o ser humano é uma parte do todo, chamado "Universo", uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele percebe a si próprio, seus pensamentos e sentimentos como algo separado do resto, uma espécie de ilusão da consciência. Essa ilusão é para nós como uma espécie de prisão que nos restringe aos nossos desejos e ao afeto por poucas pessoas próximas a nós. "Nossa tarefa é nos libertar dessa prisão, ampliando nossa esfera de amor para envolver todos os seres vivos e a Natureza em toda a sua beleza." 2ª Conclusão: Podemos desfazer essa ilusão e ESCOLHER com consciência e liberdade. Escolher o potencial de Cooperação, que existe em cada um de nós, conforme nos inspira Torkon Saraydarian (1990), "Aprendendo o verdadeiro significado da consciência de grupo, paramos de olhar para nós mesmos como um ser separado de todos os outros e começamos a ver nosso elo com toda a humanidade, a Natureza e o Cosmos. Nessa realização, aprendemos a ciência e a arte da Cooperação."
Portanto, é importante sabermos que jogamos de acordo com a "visão" que temos do "jogo" e que dependendo dessa percepção escolhemos um "Estilo" ou outro para jogar. Sendo assim, neste momento de intensas transformações e profundos desafios, estamos sendo convidados, como Seres Humanos, para assumirmos 100% as escolhas que fazemos para jogar/atuar no mundo. FAÇA A SUA ESCOLHA! Projeto Cooperação Comunidade de Serviço Ltda. www.projetocooperacao.com.br http://jogoscooperativosefe.ning.com fabiobrotto@projetocooperacao.com.br