PRODUÇÃO INTEGRADA DE ARROZ (PRÉ-PRODUÇÃO) MATTOS, M.L.T. 1 ; MARTINS, J.F. da S 1.; BARRIGOSSI, A. 2.; NOLDIN, J.A. 3 ; SIMON, G. 4 1 Engo. Agro., Pesquisador, Embrapa Clima Temperado, BR 392 km 78, C.P. 403, 96001-970, Pelotas, RS, mattos@cpact.embrapa,.br; 2 Engo. Agro., Pesquisador, Embrapa Arroz e Feijão, C.P. 179, 75.357-000, Goiânia, GO, barigossi@cnpaf.embrapa.br; 3 Engo. Agro., Pesquisador, Epagri, C.P. 277, 88301-970, Itajaí, SC, noldin@epagri.rct-sc.br; 4 Engo. Agro., Fiscal Federal Agropecuário, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Esplanada dos Ministérios, - Bloco D, Anexo B, 70043-900, Brasília, DF, simon@agricurltura.gov.br Histórico O sistema de Produção Integrada (PI) foi iniciado no Brasil em 1998, primeiramente com frutas (PIF= produção integrada de frutas - http://www.agricultura.gov.br/ ), com o principal objetivo de oferecer maior competitividade para o setor de produção de maçã. O modelo consolidado de PIF foi utilizado como referência pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA - http://www.agricultura.gov.br/) para instalar o Sistema Agropecuário de Produção Integrada (SAPI) em todo o território nacional. O SAPI é o sistema agropecuário de produção que gera alimentos seguros e demais produtos de qualidade, mediante a utilização de tecnologias adequadas que objetivem a garantia da sustentabilidade e rastreabilidade da produção agropecuária e leva em conta o retorno econômico e os requisitos sócio-ambientais. Nesse contexto, em 2005, foi implantado o sistema de Produção Integrada de Arroz (PIA), instrumento de apoio ao agronegócio orizícola que está buscando um indicador com identidade visual própria (Figura 1), com reconhecimento em nível nacional e internacional, que assegure a gestão da propriedade agrícola com enfoque na qualidade, em franca exigência pela sociedade. Garantir alimentos seguros se constitui num desafio e numa obrigação que somente poderá ser alcançada se todos os envolvidos na Cadeia AGROALIMENTAR estiverem sintonizados no mesmo objetivo. A Produção Integrada (PI) é uma exigência mercadológica em todo o mundo, rigoroso em requisitos de qualidade e sustentabilidade, e enfatiza o monitoramento de todo o sistema produtivo e o uso controlado de produtos fitossanitários para obtenção de Alimento Seguro, promovendo a Proteção Ambiental, as Condições Dignas de Trabalho e Saúde dos Trabalhadores Rurais, Viabilidade Econômica e a Rastreabilidade dos Alimentos. Em sua etapa inicial, a implementação da PIA está ocorrendo em várzeas subtropicais e tropicais nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins. Nesses Estados, estes agroecossistemas anualmente recebem elevada carga de insumos químicos, especialmente de fertilizantes, herbicidas, inseticidas, cujos resíduos, por meio das águas de lançamento, podem contaminar os mananciais hídricos da região, os solos e a biodiversidade vegetal e animal.
Figura 1. Identidade visual da Produção Integrada de Arroz Irrigado. Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS. 2008 Modelo Conceitual O programa de Produção Integrada de Arroz Irrigado (PIA) está sendo desenvolvido em sistema de parceria entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq - http://www.cnpq.br/ ) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa - http://www.embrapa.br/). A PIA é coordenada pela Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS) juntamente com a Empresa de Pesquisa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri - http://www.epagri.rct-sc.br/) (Itajaí, SC) e Embrapa Arroz e Feijão (http://www.cnpaf.embrapa.br/) (Goiânia, GO). A PIA é um sistema que ao ser implantado, além de minimizar os impactos ambientais negativos da lavoura orizícola, irá inserir, direta ou indiretamente, na cadeia produtiva do arroz, boas práticas agrícolas (BPAs) e vários processos com abordagem alimentar, ambiental e social. constituindo-se em um sistema de certificação oficial. Na PIA, é fundamental que componentes (cultivares, agrotóxicos, fertilizantes, equipamentos, etc.), práticas culturais (preparo do solo, semeadura, adubação, irrigação e drenagem, manejo integrado de pragas (MIP), colheita, beneficiamento, armazenamento, etc.) e recursos naturais (água, biodiversidade, clima, solo), associados a sistemas de produção de arroz irrigado, sejam utilizados de modo a permitir a redução do uso de insumos químicos, facilitando o alcance de (1) maior produtividade e (2) maior qualidade do produto final (segurança alimentar), com (3) segurança ambiental e responsabilidade social. O modelo conceitual de PIA implementado em várzeas tropicais e subtropicais está apresentado na Figura 2.
Rotação de Culturas Semente de Alta Qualidade Monitoramento Ambiental de Cultivares, da Cultura e de Criações Integrado do Solo e da Água de Irrigação da Colheita e Pós-Colheita Produção Integrada de Arroz Irrigado Integrado de Pragas Integrado de Nutrientes Grãos e Produtos de Qualidade Responsabilidade Social Segurança Alimentar e Ambiental Figura 2. Modelo conceitual da produção integrada de arroz irrigado. Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS. 2008. Os monitoramentos de pragas (doenças, insetos-praga e plantas daninhas) (Figura 3), em conformidade com bases e técnicas de MIP, e de resíduos de agroquímicos em solo, água e sedimentos (Figura 4) e de agrotóxicos e micotoxinas em grãos, conforme os padrões internacionais de coleta e preservação de amostras e os preceitos estabelecidos na legislação brasileira, são obrigatórios na PIA. Além disso, os diagnósticos da paisagem, do preparo e descarte de embalagens de agrotóxicos, do conforto ambiental para funcionários e do bem estar animal, devem ser realizados e registrados. Foto: Maria Laura Turino Mattos Figura 3. Monitoramento de pragas em área piloto da PIA, Itaqui, RS. Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS. 2008 Figura 4. Monitoramento de resíduos em área piloto da PIA, Itaqui, RS. Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS. 2008. Na PIA é fundamental o estabelecimento de uma gestão participativa, envolvendo todos os segmentos da cadeia produtiva do arroz irrigado, bem como a participação de equipes técnicas multidisciplinares e interinstitucionais, com elevado conhecimento sobre os agroecossistemas de arroz. A difusão da PIA é por meio de publicações técnico-científicas, apresentação de trabalhos em eventos, palestras (videoconferências), reuniões com produtores, cooperativas
agrícolas etc., e disponibilização em home page (http://www.cpact.embrapa.br/programas_projetos/projetos/producao_integrada/index.html), que congrega toda a informação gerada por meio de atividades de validação. Quando da recomendação das BPAs, utiliza-se informações tecnológicas disponíveis e de conhecimentos teóricos básicos. Na ausência dessas informações, a PIA indica demandas de pesquisa, visando suprir as lacunas detectadas de conhecimento e de tecnologias. A metodologia empregada para sensibilizar os produtores sobre a PIA, é a realização de palestras, reuniões, cursos e apresentação de um folder contendo o modelo conceitual da PIA, onde os orizicultores podem observar as diferenças entre os sistemas convencional, integrado e orgânico de cultivo de arroz irrigado. Em todas as fases de sensiblização contamos com a parceria do MAPA, Instituto Nacional de Metrologia (INMETRO - http://www.inmetro.gov.br/), Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e Associação Nacional de Defensivos Agrícolas (ANDEF - http://www.andef.com.br/2003/index.asp). Os cursos básicos de PIA têm o objetivo de capacitar multiplicadores para sua implantação nos segmentos campo e pós-colheita (beneficiamento e indústria do arroz). O conteúdo programático dos cursos segue o estipulado pelo MAPA a cada ano. O processo de Avaliação da Conformidade da Produção Integrada de Arroz será sustentado pelos modelos definidos no âmbito do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - SINMETRO, além dos preceitos estabelecidos nas Normas Técnicas Específicas para a PIA (Figura 5). Ao final do processo produtivo, o arroz assim gerado, estará apto a receber uma marca de conformidade, garantindo que todos os procedimentos foram realizados dentro da sistemática definida pelo modelo de Avaliação da Conformidade adotado. Norma Técnica Específica para Arroz (NTE Arroz) Grade de Agroquímicos Caderneta de Campo Caderneta de Pós- Colheita Modelo de Avaliação da Conformidade de Processos Comissões Técnicas Específica Subcomissões Regionais Figura 5. Diretrizes gerais da Produção Integrada de Arroz. Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS. 2008. A adoção da PIA é resultado de uma consciência ambiental do produtor e da necessidade de permanência no mercado. A ampliação dos mercados externos para o arroz, a despeito da manutenção em mercados, como Senegal, Benin e Gâmbia, países do continente africano, como a União Européia, induz a mudanças de perfil na produção desse cereal, agregando valor com a certificação oficial (Figura 6). O INMETRO é o orgão oficial do governo brasileiro responsável pela acreditação de certificadoras para a PIA. As certificadoras creditadas são responsáveis pela auditagem do negócio orizícola, familiar e empresarial. O Serviço Brasileiro Empresarial (SEBRAE - http://www.sebrae.com.br/paginainicial) possui um programa que auxilia a empresa familiar no processo de certificação na PI, concedendo um Bônus Certificação.
Figura 6. Preceitos da Produção Integrada de Arroz para alcançar mercados brasileiro e de exportação. Embrapa Clima Temperado. Pelotas, RS. 2008