A ORIGEM GREGA DA LINGUAGEM E DA COMUNICAÇÃO Ismael Cassol 1 A linguagem é para nós um dos marcos mais importante da evolução de nossa espécie, foi em busca de novas formas de sobrevivência que surge a linguagem, ela tem seus sinais vitais principalmente nas primeiras aglomerações de pessoas; surge para satisfazer uma necessidade que até então não existia, a comunicação, e esta desencadeou a transmissão e a troca de experiências e de conhecimento com outros grupos. Com isso foram surgindo novas formas de transmissão e aperfeiçoar a linguagem, tornando-a um sistema comunicativo muito importante para a sobrevivência e o convívio em comunidades. A filosofia também surge deste processo, do qual ela necessita da linguagem para interpretar os pensamentos e as idéias e, da comunicação para transmitir o entendimento, o conhecimento. Por isso da grande importância que a filosofia tem com estes assuntos, pois ela da um enfoque necessário e um embasamento consistente sobre o tema a ser trabalhado. Primeiramente na história da filosofia, com os primeiros filósofos tinha a preocupação de como tinha surgido o Cosmos, procuravam a origem de tudo o principio de todas as coisas, a NATUREZA a PHYSIS, detendo seus estudos somente nestes aspectos. Mas logo após surgiu os SOFISTAS, estes, deslocam a pesquisa filosófica do Cosmos para o conhecer e estudar o homem (Reale, 2005 vol.1. p 27 e 73). Os Sofistas eram inteligentes, pois conseguiam fazer uma rápida leitura da realidade e a partir disto faziam grandiosos discursos, segundo Reale e Antiseri (2005. P.74) Os Sofistas souberam captar de modo perfeito algumas instancias época angustiada em que viveram, sabendo as explicitar e dar-lhes forma e vós. Para poder fazer esta interpretação da realidade os Sofistas construíram uma forma própria de linguagem; eles eram mestres na retórica ou arte de persuadir uma técnica de discurso (Ribeiro, 2006.p.14). Os Sofistas transcreviam através da argumentação a inversão do acontecimento, segundo André Antônio Ribeiro (2006. P.16): Na argumentação retórica, portanto, o fato, o que realmente ocorreu, torna-se irrelevante e, em casos extremos, quando o que ocorreu é justamente o que se quer negar, nem seve ser citado ( Casos há em que não devem ser mencionados próprios fatos quando têm contra si as aparências Fedro 272e). 1 Acadêmico do Curso de Filosofia da URI-FW, V semestre I/2007.
É na sofistica técnica da linguagem construída pelos Sofistas que, segundo André Antônio Ribeiro: que o pensamento ocidental se inicia no cepticismo e no subjetivismo moral, abrindo-se cada vez mais o fosso entre o real, a dimensão utópica da sua representação mítica, e as possibilidades de representação através do logos, nas várias modalidades de entendimento da palavra e da linguagem (Filomena Vasconcelos, p. 04). Foi com os Sofistas que o pensamento grego sofre uma outra grande viragem: da procura imediata do objeto de conhecimento, no questionamento da essência e da lei geral que regia os fenômenos naturais, os Sofistas detiveram-se na negação, na dúvida céptica que põe em causa a racionalidade do conhecimento da natureza e anula toda a possibilidade de certeza objetiva (Filomena Vasconcelos p.03). Encontra-se alguns textos transcrito dos sofistas nas obras de Platão onde ele coloca a intenção que estes tinham em relação à linguagem e a transmissão de conhecimento através da comunicação. Nos conjuntos de diálogos Platônicos encontra-se a figura dos Sofistas. Ela é desconsiderada em todos os planos. Ontológicos. O Sofista não se ocupa do ser, mas se refugia no não-ser e no ocidente; lógico: ele não busca a verdade nem o rigor dialético, mas apenas a opinião, a coerência aparente, a persuasão, e a vitória na justa oratória, [...] (Cassin, 1990. P. 9). Percebe-se que, com os sofistas, apenas com a argumentação retórica é o que valia, bastava o acontecimento de algum fato que lhes chamasse a atenção, que seus comentários e suas analises eram expostas e bem argumentadas mesmo sem saber dos detalhes. Para eles tudo era adequado bastavam eles estarem convencidos que por meio da retórica podiam convencer e enganar muitos ao seu redor. É o que afirma Bárbara Cassin ao argumentar que A sofistica desconstruiu a identidade do ser e da natureza, a imediaticidade de sua presença e, com elas, a evidencia de uma fala que teria por tarefa dizê-los adequadamente (1990. P.11). Eles procuram compreender o ser e o não ser dando mais ênfase ao estudo do não-ser. Eles foram bons argumentadores e defensores de seus pensamentos, é o que continua afirmando Bárbara: No plano teórico, os sofistas tratam do não-ser, e dos fenômenos ou dos acidentes: Hegel, em suas lições sobre a história da filosofia, mostra o quanto Górgias tem logicamente razão em insistir sobre o não ser, e como Protágoras inaugura a reflexão na consciência. No plano pratico os sofistas platônicos são imorais, preferindo o poder e o dinheiro (Cassin, 1990. P. 15). Platão rejeita, ou melhor dizendo, contraria o jeito que os sofistas atuam na sociedade defendendo apenas seus pensamentos e dizendo que é o pensamento dos outros que está errado. Isto segundo Bárbara Cassin [...] O Sofista, longe de se refugiar no não ser como em um abrigo inexpugnável como censura Platão, torna simplesmente manifesto que a exceção, o equívoco, em uma palavra, os sofismas, são o erro do outro, que ele se deve ao que é a seu tratamento ontológico. Pois é antes a identidade do
ser consigo mesmo que faz jogo de palavras. Com o ser é ser, a diferença entre sujeito e predicado é insensível, como anestesiada, já que as duas seqüências o ser é ser se confirmam e ate se confundem, assim como os dois sentidos, existência e copula, do é. Longe do sofisma lucrar com um equivoco, é ao contrario o enunciado de identidade tradicional que surge da do é, explora-a e dissimula-a, para erigi-la em regra. Só o caso do não-ser permite tomar consciência do uso do discurso e da diferença normalmente inscrita no enunciado de identidade: é o não é que deve ser tornar a regra do é. O sofisma produz assim a falta constitutiva da origem e, ao assegurá-la, (d) enuncia a origem como falha equivoca do sofisma (Cassin, 1990. P. 27). Os sofistas não acreditavam que existisse o erro, tudo para eles possuía a verdade e continha a verdade mesmo que no dia seguinte eles tivessem que afirmar outra posição, segundo eles tudo depende do momento e da situação é o que veremos a seguir nos escritos de Bárbara Cassin: Os Sofistas são catastróficos, pois sustentam, em seus percursos que algo é o mais defensável e aceitável e, no dia seguinte, na mesma hora no mesmo lugar e com o mesmo efeito persuasivo, dizem que aquele mesmo objeto ou ação é visto de outra forma e que esta é a verdadeira (Bárbara Cassin, 1990. P.27). Percebe-se isto também nas colocações de Górgias no livro Fedro de Platão, isto quem enfatiza é André Antonio Ribeiro(2006. P.23): Também é atribuída a Górgias a afirmação de que é possível defender e, a seguir, atacar com sucesso a mesma posição: Górgias fez isso mesmo ao escrever o elogio e a condenação de cada assunto proposto, pois ele julgava ser da competência específica do orador à capacidade de enaltecer uma causa, louvando-a e, seguidamente, de a destruir, atribuindo-lhe defeitos (Platão, Fedro 267a). Como já vimos a principal forma e técnica para a transmissão do conhecimento e a comunicação é através da linguagem e esta é persuasiva expressamente retórica. É o que afirma Bárbara Cassin (1990. P.37) A fonte principal dos Sofistas é a Linguagem Ribeiro conclui a compreensão do pensamento dos Sofistas: Assim [...] os paradoxos dos sofistas em relação a linguagem surgiram, não apenas por causa da confusão entre os usos existencial, predicativo e identitativo do verbo ser, em grego, mas também porque os filósofos estudados acima tinham, tácita ou explicitamente, uma concepção de linguagem segundo a qual o significado de uma palavra consiste naquilo a que ela se refere, isto é, o significado de um termo é determinado pelo objeto exterior que o termo nomeia. Essa concepção impede que se fale de forma significativa sobre o Não-Ser e considera sem sentido qualquer afirmação em que se negue algo. Dizer algo falso é entendido como dizer algo sem significado (Ribeiro. 2006. P. 38). A compreensão de Platão em relação à linguagem segundo André Ribeiro é: Veremos que, em sua concepção de linguagem, Platão tentará manter um equilíbrio entre duas teses opostas a fim de resolver os paradoxos de ambas: a tese segundo a qual palavra e ser estão conectadas de tal modo que dizer algo é dizer o ser, e a tese de que palavra e ser não têm nenhuma
ligação, pois aquelas são apenas signos arbitrários que usamos para rotular as coisas. A solução de Platão consiste em tentar separar o ser e a linguagem sem, no entanto, fazê-los perder contato (Ribeiro, 2006. P. 38). Há quem afirma que Platão fica alheio em relação à linguagem segundo Méridier apud Ribeiro (2006. P. 39) [...] Platão não se interessa pelos problemas da linguagem a não ser como pretexto para mostrar que ela não teria nenhuma importância para uma teoria gnosiológica e ontológica tal como buscada por Platão (Méridier, 1950, p. 30-33). Oliveira apud Ribeiro (2006. P. 39) afirma que: A própria conclusão do Crátilo de que não é possível conhecer as coisas pelas palavras, mas apenas pelas coisas mesmas, apenas reforçaria a opinião corrente de que, para Platão, a linguagem ficaria reduzia a um mero instrumento para a expressão dos pensamentos, não sendo constitutiva da experiência humana do real (Oliveira, 1996, p.22). Ribeiro afirma que segundo as colocações que Sócrates faz são também em relação a linguagem: A linguagem tem uma dupla função: - Uma função de ensinar, isto é, comunicar algo sobre o mundo a outras pessoas. - Uma função diacrítica de distinguir os seres: assim como, quando cortamos algo, separamo-lo em duas partes distintas, nomear é distinguir, e assim como existem critérios objetivos para conseguirmos, com sucesso, cortar, queimar, agir sobre algo, assim também deve haver critérios objetivos para o uso dos nomes (388cd). (Ribeiro 2006 P.46). Platão por mais que ele não trate especificamente da questão da linguagem e da comunicação mas ele acredita que a linguagem deve passar pelo conhecimento. É o que indica Jayme Paviani Platão parece ensinar que não se soluciona a relação entre a linguagem e a realidade sem passar pelo conhecimento. A linguagem por si só não a explica como pode, imita, ensina, diz, nomeia, a realidade. A força da linguagem provém das formas (Paviani. 1993. P. 46). Portanto, a função da linguagem é comunicar a verdade (Ackrill, 1997, p.39-40). (Ribeiro 2006 P.46). A linguagem esta representada como a forma mais confiável de todas as formas comunicativas, é isso que a mídia usa como pretexto para divulgar e transmitir algo que nem sempre é o correto ou não é bem entendido ou transmitido a noticia. Jaime Paviani acredita que a comunicação esta em conformidade com o conhecimento dos fatos e do próprio pensamento a seguir ele descrever que: Agora, se o que esta em questão é a possibilidade de comunicação através do conhecimento ou do pensamento entre os interlocutores, o problema não é o da correção ou exatidão do nome, portanto, da imitação, mas daquilo que se Poe em comum no pensar. Através da linguagem indica-se o que tenho em mente, porem esta indicação fundamenta-se na convenção (Paviani 1993, P. 41). O importante é que a relação dos sofistas com a comunicação atual esta bastante difundida entre ambas é o que acontece:
Do ponto de vista da comunicação, os sofistas interessam enquanto estudiosos da retórica. Mestre da argumentação, Protágoras defende a tese da impossibilidade da contradição, quer dizer, há, sobre qualquer assunto, dois argumentos opostos. Se é impossível contradizer, dizia Sócrates a respeito, então é impossível falar falsamente. É a tese do relativismo absoluto na comunicação, segundo a qual, é impossível negar ou afirmar qualquer coisa, já que, como interpreta Aristóteles, afirmações contraditórias são simultaneamente verdadeiras. A imprensa contemporânea, que tem utilizado o argumento dos dois lados da questão com a intenção de melhor informar ao leitor ou ao ouvinte, apresentando de forma igualmente balanceada dois argumentos opostos, acabaria por anulá-los. Ambos possuindo a verdade, ninguém a tem e o leitor ou ouvinte permaneceria tão desinformado quanto antes. (disponível em: http://www.eca.usp.br/nucleos/filocom/sofistas.doc. acessado em 20 de out. de 2006). No decorrer do trabalho estarei relacionado justamente ao modo como compreendemos a noção de comunicação atualmente baseando se basicamente nos Sofistas e em Platão. Referências Bibliográficas: ANTISERI, D; REALE, G. História da filosofia. Vol.1. São Paulo: Paulus. 2005. ATLAN, H. Con Razón y sin ella. Barcelona: Tusquests,1991. CASSIN, BARBARA. Ensaios Filosóficos. São Paulo: Edições Siciliano, 1990. PAVIANI, J. Escrita e linguagem em Platão. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1993. REYZABAL, M. V. A Comunicação Oral e sua Didática. São Paulo, EDUSC, 1999. RIBEIRO, S. R. A Filosofia da Linguagem em Platão. Porto Alegre, 2006. 143 f. Dissertação (Pós Graduação em filosofia) PPG Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. TOUGH, J. El lenguaje oral en la escuela. Madrid: Visor, 1987.