MRS - MRS Logística S. A. A MRS Logística S. A., vencedora do leilão de desestatização da Malha Sudeste da RFFSA em 20 de setembro de 1996, iniciou suas atividades no dia 1 de dezembro de 1996, constituída pelas linhas de bitola larga das antigas Estrada de Ferro Central do Brasil e Estrada de Ferro Santos a Jundiaí: Estrada de Ferro Central do Brasil - EFCB: O primeiro trecho da então Companhia Estrada de Ferro Dom Pedro II foi inaugurado em 29 de março de 1858, entre as estações da Corte, Rio de Janeiro, e Queimados, com 47 km. Antes da travessia da serra do Mar a partir de Belém, atual Japerí, na época iniciou-se uma grande polêmica entre defensores do uso da simples aderência e da cremalheira, sendo vitoriosos os primeiros, graças à visão de futuro e determinação de Cristiano Benedito Ottoni. A linha até Barra do Piraí foi finalmente inaugurada em 7 de agosto de 1864, mas os altos custos da construção abalaram a situação financeira da empresa, que foi encampada pelo governo imperial em 1865. A construção da chamada Linha do Centro prosseguiu em direção a Minas Gerais, inclusive no período republicano, quando a denominação foi alterada para Estrada de Ferro Central do Brasil. Ao chegar a Linha do Centro a Queluz, atual Conselheiro Lafaiete, MG, a bitola foi alterada para métrica, seguindo as obras em direção às margens do rio São Francisco, em Pirapora, e posteriormente também para Monte Azul, na divisa com a Bahia. A bitola larga somente chegaria a Belo Horizonte com a construção da variante do Paraopeba entre 1914 e 1919. A partir de Barra do Piraí, RJ, foi construído o chamado ramal de São Paulo, alcançando Cachoeira, atual Cachoeira Paulista, SP, em 1875. Em 1877 foi concluída a linha de bitola métrica da Estrada de Ferro São Paulo e Rio de Janeiro, sendo incorporada pela EFCB em 1890 e convertida para bitola larga entre 1896 e 1908. Desde 1861 era realizado o transporte de subúrbios no Rio de Janeiro, inicialmente entre as estações da Corte, atual Dom Pedro II, e Cascadura, e tornando-se com o passar dos anos um dos principais serviços prestados pela ferrovia, inclusive como fator de crescimento e desenvolvimento da cidade. Processo semelhante ocorreria posteriormente em São Paulo com os seus bairros da zona Leste. Trem experimental de 5.400 toneladas da EFCB, tracionado por 3 locomotivas Baldwin AS616 "Espanta Demônio" saindo de Santos Dumont, MG, em 30 de abril de 1958 (acervo Arquivo Nacional) Interligando a capital Rio de Janeiro aos importantes estados de Minas Gerais e São Paulo, também com planos e seguir ao norte até alcançar Belém, no Pará, a EFCB logo se tornou a principal ferrovia brasileira, sendo responsável por parcela significativa do transporte de cargas e de passageiros entre as cidades ao longo de suas linhas.
Estrada de Ferro Santos a Jundiaí - EFSJ: Em 1860 foi fundada na Inglaterra a São Paulo Railway Company Limited, tendo como principal sócio o brasileiro Irineu Evangelista de Souza, Barão de Mauá. O trecho entre Santos e São Paulo, incluindo o sistema funicular de planos inclinados na serra de Paranapiacaba com máquinas a vapor fixas, que tracionavam um pequeno número de vagões presos a um vagão serra breque, foi construído na mesma bitola de 1,60 m da E. F. Dom Pedro II e inaugurado em 1865, já sem o Barão de Mauá à frente da diretoria da ferrovia, afastado após um golpe dos demais acionistas ingleses, que sabotaram o início da construção para assumir o controle da empresa como credores dos empréstimos feitos pelo próprio Mauá. Em 1867 a linha foi inaugurada até Jundiaí, SP, somando 139 km, tendo a SPR desistido de fazer o trecho até Campinas, que posteriormente acabou sendo construído pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro. O desenvolvimento de São Paulo estimulado pela própria SPR tornou a ferrovia completamente sobrecarregada nos serviços de subúrbios e de cargas em poucos anos, motivando sua duplicação e construção de um novo sistema funicular de maior capacidade na serra de Paranapiacaba já no início do século XX. Sistema funicular da EFSJ na serra do Mar em Paranpiacaba, vendo-se à direita a "serra nova" e à esquerda a "serra velha", onde atualmente existe a cremalheira (acervo RFFSA) A SPR foi nacionalizada em 1946 durante o governo Eurico Gaspar Dutra alguns anos antes do final da concessão inglesa, passando a ser vinculada ao Governo Federal com a denominação Estrada de Ferro Santos a Jundiaí. Da RFFSA à MRS Logística S. A.: Desde o início da década de 1950 estudos realizados pelo governo federal e também a Comissão Mista Brasil - Estados Unidos recomendavam a unificação das ferrovias administradas pela União em uma empresa de economia mista. Finalmente foi sancionada pelo presidente Juscelino Kubitschek a lei número 3.115 de 16 de março de 1957, criando a RFFSA - Rede Ferroviária Federal S. A., que entrou em funcionamento no dia 30 de setembro do mesmo ano. Com a criação da RFFSA foram reunidas 22 ferrovias, dentre elas a Estrada de Ferro Central do Brasil, com sede no Rio de Janeiro, RJ, e 3.729 km de extensão, e a Estrada de Ferro Santos a Jundiaí, com sede em São Paulo, SP, e 139 km. Mesmo mantendo uma relativa autonomia das ferrovias afiliadas, tanto assim que mantinham suas denominações originais, a RFFSA deu início a uma série de melhorias, especialmente na área administrativa e de padronização de equipamentos, unificando os sistemas de engates e freios, além de adquirir grande quantidade de material rodante e de tração. Os déficits diminuíram, aumentando o transporte, embora não na velocidade que o país necessitava para atender ao desenvolvimento.
Em 1969 a RFFSA agrupou suas ferrovias em sistemas regionais, sendo a E. F. Central do Brasil renomeada 6ª Divisão Central, vinculada ao Sistema Regional Centro, com sede no Rio de Janeiro. Em 1973 foi criada a 8ª Divisão, depois conhecida como Divisão Especial Subúrbios do Grande Rio, absorvendo os trechos de subúrbios da EFCB e da EFL no Rio de Janeiro, e mais tarde transformada em parte da CBTU, da Flumitrens e atualmente da SuperVia. A E. F. Santos a Jundiaí foi renomeada como 9ª Divisão Santos a Jundiaí, vinculada ao Sistema Regional Centro-Sul, com sede em São Paulo, SP, sendo posteriormente desmembrado o serviço de subúrbios com a criação também de uma Divisão Especial Subúrbios, incluindo o serviço da 6ª Divisão Central na zona Leste e mais tarde tornando-se parte da CBTU e atualmente da CPTM. Em 1976 ocorreu nova importante reorganização, sendo a 6ª Divisão transformada na SR 3 - Superintendência Regional Rio de Janeiro e a 9ª Divisão na SP 4.1 - Superintendência de Produção São Paulo, depois SR 4 com o desmembramento da SR10 - Superintendência Regional Bauru. Posteriormente a SR 3 teve sua sede transferida para Juiz de Fora, MG, alterando sua denominação para Superintendência Regional Juiz de Fora. Do período RFFSA podem ser destacados o início do "Projeto Águas Claras" para o transporte de minérios da MBR e a construção da Ferrovia do Aço, no âmbito da 6ª Divisão e SR 3, e a substituição do sistema de tração na serra do Mar do funicular para cremalheira, na 9ª Divisão e SR 4. Trem de minério do "Projeto Águas Claras" na 6ª Divisão Central, passando por Barra do Piraí em março de 1977 com 4 locomotivas GE U23C (foto João Bosco Setti) Trem de carga geral com tração elétrica no trecho Paranapiacaba - Mauá, em São Paulo, na década de 1960 (acervo RFFSA) Quando no início da década de 1990 o governo federal incluiu a RFFSA no processo de desestatização, dividindo-a em malhas, as SR 3 e SR 4 passaram a constituir a Malha Sudeste, sendo leiloada no dia 20 de setembro de 1996. A vencedora do leilão foi a MRS Logística S. A., que iniciou sua operação em 1 de dezembro do mesmo ano.
Trem de minério carregado descendo pela Ferrovia do Aço, no trecho Itutinga - Saudade (divulgação MRS) Trem de minério vazio retornando pela Linha do Centro, entre Santos Dumont e Mantiqueira (foto Jorge A. Ferreira Jr.) Em processo de permanente melhoria de desempenho, com grandes investimentos, a MRS vem conquistando sucessivos recordes de transportes, aumentando a tonelagem transportada e diversificando a carteira de clientes, e em 2004 recebeu da Ferroban, em processo de reestruturação operacional, a operação do trecho de bitola larga de Jundiaí a Campinas, SP. Cronologia: 1840: Primeira concessão para uma ferrovia entre a Corte (Rio de Janeiro) e São Paulo, para o médico Thomas Cochrane, em 4 de novembro; 1855: Assembléia Geral de criação da Companhia Estrada de Ferro Dom Pedro II, em 13 de agosto; 1858: Inauguração do primeiro trecho da E. F. Dom Pedro II, entre a estação da Corte e Queimados, em 29 de março; 1860: Fundação na Inglaterra da São Paulo Railway Company Limited; 1861: Início do serviço de trens de subúrbios da E. F. Dom Pedro II no Rio de Janeiro; 1864: Inauguração da estação de Barra do Piraí, em 7 de agosto; 1865: Encampação da E. F. Dom Pedro II pelo governo imperial. Inauguração do trecho da SPR entre Santos e São Paulo; 1867: Chegada da linha da SPR a Jundiaí, SP; 1875: Chegada da linha de bitola larga a Cachoeira, atual Cachoeira Paulista, SP; 1877: Chegada da linha de bitola métrica da Estrada de Ferro São Paulo - Rio de Janeiro a Cachoeira; 1889: Proclamação da República, em 15 de novembro, e alteração do nome da E. F. Dom Pedro II para E. F. Central do Brasil em 22 de novembro. Também alterado o nome da estação inicial para estação Central; 1890: Incorporação da Estrada de Ferro São Paulo - Rio de Janeiro à EFCB; 1908: Conclusão do alargamento da bitola entre Cachoeira e Norte, atual Roosevelt, em São Paulo, SP. 1919: Chegada da bitola larga a Belo Horizonte, com a conclusão da variante do Paraopeba; 1925: Alteração do nome da estação Central para Dom Pedro II, em 2 de dezembro; 1946: Nacionalização da SPR, transformando-a na Estrada de Ferro Santos a Jundiaí; 1957: Fundação da RFFSA - Rede Ferroviária Federal S. A., no dia 30 de setembro, sendo a ela incorporadas a EFCB, então com 3.729 km, e a EFSJ, com 139 km; 1969: Agrupamento das ferrovias da RFFSA em sistemas regionais, sendo a EFCB renomeada como 6ª Divisão Central, vinculada ao Sistema Regional Centro, e a EFSJ como 9ª Divisão Santos a Jundiaí, vinculada ao Sistema Regional Centro-Sul; 1973: Criação da 8ª Divisão Subúrbios, desmembrada da 6ª Divisão Central, no Rio de Janeiro;
1976: Reorganização da RFFSA, sendo a 6ª Divisão transformada em SR 3 - Superintendência Regional Rio de Janeiro, posteriormente Superintendência Regional Juiz de Fora, e a 9ª Divisão transformada em SP 4.1 - Superintendência de Produção São Paulo, depois SR 4 com o desmembramento da SR10 - Superintendência Regional Bauru; 1996: Leilão de desestatização da Malha Sudeste pela RFFSA no dia 20 de setembro; 1996: Início de operação da MRS Logística S. A., vencedora do leilão, no dia 1 de dezembro; 2004: Transferência do trecho de bitola larga de Jundiaí a Campinas, SP, da Ferroban para MRS.