RESPOSTA FÍSICA TOTAL Valdelice Prudêncio Lima UEMS João Fábio Sanches Silva UEMS O método apresentado é baseado na coordenação da fala e da ação, desenvolvido por James Asher, professor de psicologia da Universidade do Estado de San Jose, na Califórnia; aplicado sobre a premissa de que aquisição de uma segunda língua pelo adulto é similar a primeira língua da criança. Asher desenvolveu esse método nos anos de 1960 e 1970, com o objetivo de associar a linguagem à atividade física e assim, a compreensão da língua é desenvolvida antes da fala, a partir de então, os alunos quando estiverem prontos começam a falar espontaneamente. É o exemplo de uma nova abordagem compreensiva, pela importância que se dá a compreensão auditiva. Está fundamentado na abordagem humanística (baseada em comunicação e intermediação de um orientador e com participação ativa do aluno). Este método, segundo Richards, faz uso de várias teorias, inclusive o desenvolvimento psicológico mental, teoria de aprendizagem e pedagogia humanística. TPR: abordagem de aprendizagem da língua Ao contrário de outros métodos que priorizam primeiramente as habilidades da fala, o método da TPR (Total Physical Response) tem como característica marcante a compreensão auditiva que é praticada através de comandos do professor e ação dos alunos. Este método enfatiza o significado em vez de forma, pois se torna claro por meio dos movimentos do corpo (Asher, 1977).
James Asher desenvolveu esse método em paralelo com o processo de aquisição da primeira língua, pois uma criança, antes de produzir respostas verbais, ouve vários comandos aos quais responde primeiro fisicamente. Segundo Krashen (Schütz, 2005), os melhores métodos são conseqüentemente aqueles que fornecem "a entrada compreensível" em situações baixas da ansiedade, contendo as mensagens que os estudantes querem realmente ouvir. Estes métodos não forçam a produção adiantada na segunda língua, mas permitem que os estudantes produzam quando estão prontos", reconhecendo que a melhoria vem de fornecer a entrada comunicativa e compreensível, e não de forçar e de corrigir a produção. Isso se dá pela questão do filtro afetivo, pois é um aspecto importante que inspira no aprendizado de línguas, se este estiver em baixa podem causar impactos ou então bloqueios na aprendizagem conseqüentes de fatores psicológicos, como: ansiedade, desmotivação, falta de autoconfiança e insegurança que são alguns resultados de experiências passadas, porém, para as crianças é mais fácil essa aprendizagem da língua, pois estão livres desses bloqueios e então aprendem com maior facilidade. Já Ricardo Schütz (2005), nos anos de 1960, Chomsky revoluciona a lingüística afirmando que língua é uma habilidade criativa e não memorizada, e que não são as regras da gramática que determinam o que é certo e errado, mas sim o desempenho de um falante nativo que determina o que é aceitável ou inaceitável. Mais recentemente as idéias de Chomsky passaram a inspirar a metodologia de ensino de línguas na direção de uma abordagem humanística baseada em comunicação e intermediação de um orientador carismático, e com participação ativa do aluno. Asher interpreta que o cérebro é dividido em hemisférios de acordo com as suas funções, e as atividades da língua centralizam-se no hemisfério direito, enquanto isso ocorre o hemisfério esquerdo assiste e aprende; quando a aprendizagem do hemisfério direito toma o seu lugar, o hemisfério esquerdo será provocado a produzir a linguagem e iniciará outra, técnica mais abstrata da linguagem. A atividade motora precede a produção lingüística: as funções do lado direito do cérebro precedem o processamento do lado esquerdo do cérebro (Brown, 1994). Asher afirma que os alunos podem adquirir um "mapa cognitivo detalhado" e "estrutura gramatical da língua" sem usar abstratos. Uma vez que os alunos incorporam
o código, os abstratos podem ser introduzidos e explicados na segunda língua, (Asher, 1977, p. 11-12). No método da TPR o papel do aprendiz e do professor é distinto; em primeiro lugar o aluno tem um papel de ouvinte e intérprete, sendo assim, ao ouvir os comandos dados pelo professor ele responde fisicamente o que ouviu, e observando uns aos outros avaliam seus próprios progressos. Já o professor é orientador e quem seleciona o que trabalhar com os alunos, sendo a pessoa exata para usar a expressão vocal com uma pronúncia correta da qual a ação é criada espontaneamente e cujo raramente a língua materna é usada. Este método pressupõe que o professor (Asher, 1997): esteja bem preparado e bem organizado; prontos; respeite o ritmo dos alunos e permita que eles falem, quando sentirem-se tolere os erros na fala; mas, à medida que os mesmos tenham mais fluência, comece a corrigi-los. O professor deve basear-se no imperativo, no começo esses comandos são simples (exemplo: "Stand up", "Sit down"), mas tornam-se mais complexos à medida que o desenvolvimento do aluno, em relação à língua, progride no curso, e assim, pode usar o imperativo até mesmo em níveis mais adiantados de competência da língua. O mesmo tem a responsabilidade de expor da melhor maneira possível a língua para que os alunos internalizem o papel e o objetivo da língua básica. No início nenhum material é necessário, somente os comandos e gestos do professor é que resultarão nas ações dos alunos, entretanto, esses movimentos corporais são um poderoso mediador para o entendimento, organização e junção de grandes unidades na entrada lingüística; e outro fator que colaborará no decorrer das próximas aulas para que a língua seja internalizada é a utilização de objetos comuns da sala de aula, por exemplo, livros, canetas, móveis etc. Asher (1977, p.4) afirma que, a maioria
das estruturas gramaticais da segunda língua e centenas de termos podem ser aprendidos a partir do uso habilidoso do imperativo pelo orientador e ainda, o instrutor é o diretor de uma peça teatral, na qual os alunos são atores (Asher, 1977, p.43). Para isso, James Asher desenvolveu kits de TPR para estudantes enfocando determinadas situações específicas que podem ser utilizadas pelos mesmos na vida cotidiana, como em restaurantes, em casa, na praia e em diversos lugares, ajudando-os a construir suas próprias ações. Através dessas estruturas gramaticais, usando o imperativo nos comandos, os alunos após terem o domínio de uma série de termos aprendem a lê-los e escrevê-los e, somente após certa exposição às novas estruturas e combinações começa-se a falar e ditar outros comandos. Por isso é que se aprende melhor uma língua depois de ouvi-lá e entendê-la. Considerações Finais Considerado o método acima citado, em comparação a outros métodos já estudados, o que nos chama mais atenção é a maneira que ele é aplicado, tornando o significado claro por meio de frases imperativas, combinando com atividades motoras. É interessante ressaltar que os alunos aprendem a partir da experiência própria, observando uns aos outros e também é importante que o professor esteja bem preparado, organizado para que sua aula possa fluir no ritmo ideal. Existem certas deficiências no método, como por exemplo, o aluno deveria possuir as quatro habilidades durante a aprendizagem, quando acostumados somente a receber comandos, tornam-se acomodados, daí a necessidade desse método ser associado com outros métodos. Fazendo um paralelo do método e a nossa realidade escolar, concluímos que o este sobreleva a metodologia usada de maneira que o que parece ser na realidade não funciona. Realmente o método TPR tem uma importância relevante no processo de
aprendizagem, porém seria interessante que os professores tivessem o conhecimento e buscassem oportunidades de trabalhar os outros métodos, pois em determinadas situações se faz necessário a utilização de um outro método, mesmo porque alguns alunos não conseguem a mesma assimilação, daí a importância do professor estar bem preparado e conhecer os níveis de aprendizagem do aluno e aplicar o método mais aceitável dependendo da situação. Referências Bibliográficas ASHER, J. The total physical response approach to second language learning. Modern Language Journal 53:3-17.1969 KRASHEN, Stephen D. Segunda aquisição da língua e segunda aprendizagem de língua. Prentice- Salão Internacional, 1988. RICHARDS, Jack C & RODGERS, Theodore. Approaches and methods in Language Teaching. Cambridge University Press, 1994 SCHÜTZ, Ricardo. Teoria de Sthephen Krashen da segunda aquisição da língua. Inglês feito no Brasil. Disponível na Internet via < http://www.sk.com.br/sk-krash.html >. Arquivo capturado em 02/11/2006. Em linha. 20 de agosto de 2005.