I SEMINÁRIO DO PPIFOR

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Transcrição:

CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL PARA O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DA ARTE NA EDUCAÇÃO INFANTIL Mestranda: Maria José Máximo Profª. Drª. Fátima Aparecida de Souza Francioli Resumo: O presente estudo teve como objetivo analisar o papel formativo do ensino da arte no desenvolvimento integral da criança na educação infantil, a partir dos pressupostos da teoria histórico-cultural. Os avanços promovidos pela lei de diretrizes e bases para a educação nacional, n 9.394 de 1996, instituiu a educação infantil como primeira etapa da educação básica e o ensino da arte como conteúdo curricular obrigatório com vista à formação cultural da criança. Contudo, a implementação da educação infantil sistematizada, que ampliou o acesso, evidencia limites e desafios no âmbito pedagógico. O predomínio da concepção natural de desenvolvimento, comum nas propostas e práticas pedagógicas do ensino da arte, inviabiliza a apropriação da cultura científica e artística, essencial ao desenvolvimento integral da criança. Em oposição ao quadro posto, esse estudo buscou, nos pressupostos da teoria histórico-cultural que sustentam a natureza social do desenvolvimento humano, verificar a contribuição do papel formativo do ensino da arte no desenvolvimento da criança. Para tanto, realizamos um estudo de caráter documental e teórico, fundamentado no método materialista histórico e dialético. A concepção de desenvolvimento e educação que identificamos nos textos clássicos da psicologia russa, oposta a que identificamos nos documentos orientadores da educação infantil, indica a essencialidade do ensino, de propostas e práticas pedagógicas que asseguram vivências educativas que motivam a atividade infantil. Na apropriação e criação infantil, a arte se apresenta enquanto conteúdo e estímulo afetivo, que promove o amadurecimento e desenvolvimento das funções psíquicas da criança. Palavras-chave: Teoria histórico-cultural; Arte-educação; Educação infantil; Imitação; Formação do pensamento. Introdução Analisar o papel do ensino da arte no desenvolvimento integral da criança implica abarcar os elementos que constituem o processo, visto que nesse se encontram os limites como as possibilidades de intervenção. Nos documentos orientadores da

educação infantil identifica-se a concepção espontânea da construção do conhecimento como do desenvolvimento natural da criança. Os encaminhamentos pedagógicos propostos no trabalho com a arte corroboram para a manutenção de práticas pedagógicas superficiais, limitadas ao conhecimento cotidiano, que ao privilegiar a livre expressão inviabilizam a potencialização do desenvolvimento da criança. Concepção que encontra respaldo no discurso pelo não ensino à essa faixa etária. Em decorrência da ausência de uma concepção teórica que verse em favor da transmissão da cultura, científica e artística mais elaborada à criança, constata-se tanto a desvalorização do conteúdo artístico quanto a frágil formação do professor dessa área. Na perspectiva de contribuir na superação do quadro posto, tendo em vista a formação integral da criança, encontramos na apreensão dos pressupostos da psicologia soviética princípios teóricos essenciais à reflexão necessária à atividade educativa na educação infantil. Concepção teórica que, no âmbito pedagógico, sustenta a essencialidade do ensino eficaz como da atividade educativa consciente, o que coloca em foco a formação do professor, aspectos que perpassam pelo do domínio dos elementos que constituem o processo educativo como a consciência das influências externas a esse. Aspectos que estão em sintonia com a perspectiva de formação interdisciplinar proposta pelo programa PPIFOR. Dessa maneira, esse estudo visa contribuir para a atividade do professor em dois aspectos, quais sejam: pela possibilidade decorrente da apreensão do referencial, que ao esclarecer o processo que compreende o desenvolvimento do pensamento humano contribui na intervenção pedagógica eficaz, como pela apreensão do objeto a contribuição da arte no desenvolvimento do psíquico infantil- no qual a arte é proposta enquanto conteúdo e estímulo que fomenta a especificidade da atividade psíquica infantil, responsável pelo amadurecimento e desenvolvimento da estrutura psíquica. Aqui, vale ressaltar que a concepção de arte proposta, que serve à função educativa, decorre da estética marxista enquanto objetivação humana, decorrente da atividade produtiva do homem, numa perspectiva livre, consciente e universal. Teoria histórico-cultural: mediação e apropriação da cultura para a constituição das funções psicológicas superiores

A teoria histórico-cultural tem por referência maior a obra de Lev Semenovich Vigotski (1896-1934). Fundamentada nos pressupostos do materialismo histórico e dialético, esse referencial defende a natureza social como a dependência das condições socio-históricas do desenvolvimento do psiquismo humano, em detrimento às explicações psicológicas dicotômicas, de cunho idealista e naturalista predominantes no seu tempo. Nessa perspectiva teórica, encontramos concepção de desenvolvimento oposta à que identificamos nas propostas e práticas pedagógicas da educação infantil, a humanização não é dada nem construída espontaneamente e sim constituída por um processo complexo de natureza dialética, engendrado pela atividade humana. Vigotski (1995) com a análise a psicologia infantil e a sua problematização, esclareceu a natureza social do processo que compreende o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, defendendo a tese de que Todas as funções psicológicas superiores são relações sociais internalizadas (VIGOTSKI, 1995, p. 151, tradução nossa). Tese decorrente da apreensão da estrutura interfuncional e da dinâmica que engendra seu desenvolvimento. Vigotski (1995) esclareceu que o psiquismo humano é constituído por estruturas primitivas dadas, de natureza biológica, e pelas estruturas superiores, de natureza social. O acesso à cultura [...] origina formas especiais de conduta, modifica a atividade das funções psíquicas, edifica novos níveis no sistema do comportamento humano em desenvolvimento (VIGOTSKI, 1995, p. 34, tradução nossa). De modo que, o desenvolvimento das funções superiores, responsáveis pelo autodomínio humano, encontra-se na dependência da apropriação da cultura. A apropriação da cultura, que assegura a humanização, é um processo mediado pelos instrumentos psicológicos, os signos que constituem o legado cultural, pela estrutura psíquica que vai se potencializando ao longo do processo, como pelos membros que detém o conhecimento. A esse respeito Leontiev (2004, p. 290, grifos do autor) afirma que a apropriação da cultura demanda educação, por intermédio dessa que [...] a criança aprende a atividade adequada. Nessa perspectiva o sentido social da educação sistematizada constitui-se em promover as condições necessárias ao

desenvolvimento das funções psicointelectuais superiores, processo que demanda a mediação pedagógica voltada ao ensino. Vigotski (2006) esclareceu que, esse processo se efetiva, inicialmente nas atividades sociais, como funções interpsíquica, posteriormente nas atividades individuais, como funções intrapsíquica, possível graças a internalização da cultura, como propriedade interna do pensamento. A internalização do significado generalizado no signo provoca mudanças qualitativas na estrutura psíquica, no comportamento, aspecto que se verifica no desenvolvimento ontogênico. Desenvolvimento psíquico da criança Na estrutura psíquica infantil, inicialmente, há o predomínio das funções psíquicas primitivas, reguladas por leis biológicas. De modo que as primeiras respostas que as crianças dão são cunho elementar, involuntárias, o mesmo se verifica na percepção da imagem da cultura, na criança essa se encontra em nível elementar, sincrético. De acordo com os pressupostos teóricos, as vivências que vão determinar o nível de amadurecimento e desenvolvendo da estrutura psíquica da criança, do desenvolvimento embrionário das funções superiores. O desenvolvimento das potencialidades humanas na criança constitui-se em um processo complexo, cuja especificidade e periodicidade demandam a intervenção consciente e eficaz. Vigotski (2006), quando analisou o desenvolvimento intelectual da criança defendeu a essencialidade do ensino. Defesa que encontra respaldo na teoria da zona de desenvolvimento potencial, que sustenta a possibilidade do bom ensino adiantar o desenvolvimento, com essa o psicólogo verificou que a aprendizagem não é em si desenvolvimento, mas [...] a correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental, ativa todo o grupo de processos de desenvolvimento (VIGOTSKII, 2006, p. 115). De modo que a aprendizagem é um momento necessário [...] para que se desenvolvam na criança essas características humanas não naturais mais formadas historicamente (VIGOTSKII, 2006, p. 115). Ou seja, é o meio necessário ao desenvolvimentos das potencialidades humanas, conquistadas pelo desenvolvimento filogênico.

Segundo Vigotski (2006), das inter-relações entre as crianças e as pessoas que a cercam, do qual nascem à linguagem interior e o pensamento, origina-se também os processos volitivos da criança. Esses conforme conferismos têm papel fundamental na formação psíquica da criança que se encontra na etapa que compreende a educação infantil. O desenvolvimento da atividade infantil, reponsável pelo amadurecimento e desenvolvimento das funções psíquicas, se deve ao processo volitivo impulsionado, nessa etapa, pelo aspecto afetivo, que constitu o ponto de partida para o desencadeamento do processo que leva ao desenvolvimento da estrutura psíquica como um todo. A arte e seu papel formativo na educação infantil à luz da teoria histórico-cultural Na obra Psicologia da arte (1999), Vigotski esclareceu a natureza sóciohistórica da criação artística, do criador como da reação provocada pela arte, da qual emana o sentido social para o desenvolvimento humano. De acordo com o autor a arte é um instrumento social, [...] uma técnica de sentimentos (VIGOTSKI, 1999, p. 308, grifos do autor). O que indica que as vivências artísticas enriquecem a sensibilidade, como às reproduções das mesmas podem vir a contribuir para o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, potencializando assim o desenvolvimento humano. Vigotski (1999), quando examinou o sentido educativo da arte na educação infantil, verificou a distinção entre a arte do adulto e da criança, como pontou a proximidade da arte com a brincadeira. Na essência da brincadeira que Vigotski (2008) atribui o papel de giua do desenvolvimento psiquíco da criança na etapa da pré-escola, encontra se a criação infantil. Modalidade decorrente do amadurecimento das necessidades psicicológicas e afetivas imediatas da primeira infância, das necessidades em satisfazer os desejos não realizáveis imediatamente, atividade impulsionada pelos motivos afetivos que conduzem diretamente à brincadeira imaginária. Em Vigotski (2008), a atividade infantil, a criação imaginária, constitui desenvolvimento psíquicos da criança, tendo em vista que essa promove mudanças no sistema psíquisco da criança, ao demandar a percepção dos elementos reais, libertando a criança das amarras situacionais, o que faz com que ela passe a operar com os

significados dos elementos que constituem a realidade. As regras intríssicas à criação imaginária favorecem no empenho e realização dessa. O que contribui para que no desenvolvimento dessa, conforme atesta Vigotski (2008), na brincadeira a criança se comporta sempre acima de seu comportamento cotidiano, bem como da média da sua idade. Nessa perspectiva, [...] a criança é movida por meio da atividade de brincar. Somente nesse sentido a brincadeira pode ser denominada de atividade principal, ou seja, a que determina o desenvolvimento da criança (VIGOTSKI, 2008, p. 35). Vigotski (2009) ao esclarecer a dinâmica da atividade de criação infantil, a criação imaginária, atribuiu especial atenção à atividade criadora fomentada na brincadeira, contudo indicou a necessidade da atividade reprodutiva, imitadora. O que confirma tanto a proximidade da arte infantil com a brincadeira, como indica que a vivência artística, a reprodução da arte pode vir a potencializar o desenvolvimento da atividade infantil, por intermédio do aspecto afetivo intrínseco a mesma, que tanto impulsiona a atividade como promove vivências efetivas, que assegura a apropriação da cultura como a criação do novo. A criação infantil, embora de cunho ilusório, provoca mudanças reais na estrutura sistêmica como um todo. Segundo Vigotski (2009, p. 16), [...] Uma das questões mais importantes da psicologia e da pedagogia infantil é a da criação na infância, do desenvolvimento e do significado do trabalho de criação para o desenvolvimento geral e o amadurecimento da criança. Verificamos assim que o aspecto afetivo em Vigotski (2009) assume papel relevante na atividade da criança, na criação imaginária, como na formação de todas as funções psíquicas e, por conseguinte, no comportamento da criança. Isso significa que estímulo afetivo permeia o desenvolvimento das funções psíquicas como todo, e que é predominante no comportamento infantil. Essa constatação reafirma a preposição que o ensino da arte pode vir a constituir um meio para o desenvolvimento das funções psicológicas superiores na criança, visto que os estímulos emotivos, elemento constitutivo da arte, que impulsiona a atividade guia, podem ser potencializados nas vivências educacionais sistematizadas, constituindo assim o caminho para o desenvolvimento afetivo cognitivo da criança. Considerações finais

Com a revisão bibliográfica verificamos que o ensino da arte pode vir a contribuir significadamente no desenvolvimento infantil desde que, seja promovido por intermédio de atividades educativas direcionadas, racionalizadas e sistematizadas, que assegurem vivências efetivas, necessárias ao desencadeamento do aspecto afetivo necessário a atividade infantil. Só nessa perspectiva, o ensino da arte pode vir a promover os momentos de encanto e desejos que impulsionar a fantasia, a criação imaginária infantil. Processo que demanda a atividade criadora do professor, a verdadeira criação, possível pelo domínio teórico e prático dos conhecimentos necessários à mediação requerida à intervenção pedagógica eficaz. Referências: BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei federal n.9394/96 de 26 de dezembro de 1996. BRASÍLIA: MEC, 1996. 11 ed. LEONTIEV, Alexis. O homem e a cultura. In:. O desenvolvimento do psiquismo. 2 ed. São Paulo: Centauro, 2004. p. 279-302. VYGOTSKY, L. S. Obras escogidas. Tomo III. Madrid: Visor, 1995. VIGOTSKI, L. S. Psicologia da arte. Tradução Paulo Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 1999.. Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade escolar. In: VIGOTSKI L. S.; LURIA, A. R; LEONTIEV, A. N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. 10 ed. São Paulo: Ícone, 2006. p. 103-117.. Imaginação e criação na infância: ensaio psicológico. São Paulo: Ática, 2009.