Práticas Pedagógicas e de Gestão Premiadas

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Transcrição:

Práticas Pedagógicas e de Gestão Premiadas CATEGORIA PROFESSOR/A Valquíria, Maria Fernanda, Sônia e Josivaldo são educadores/as de cidades bem diferentes do Brasil. Juiz de Fora/MG, Araraquara/SP, Ribeirão Preto/SP e Pau Brasil/BA, respectivamente. Suas trajetórias, também distintas, se cruzam quando resolveram não ignorar as manifestações de preconceito racial que quase cotidianamente ocorriam em suas salas de aula. E, principalmente, quando tomam para si a responsabilidade de incentivar a promoção da igualdade racial dentro da escola e a aplicação da Lei 10639/03 que versa sobre a inserção de conteúdos da cultura africana e afro-brasileira nos currículos escolares. Esses/as quatro educadores/as foram vencedores/as do 7º Prêmio Educar para a Igualdade Racial e de Gênero na categoria Professor. E suas práticas pedagógicas mesmo em níveis de ensino diferentes têm muitos elementos em comuns. Ganha destaque, por exemplo, o envolvimento das comunidades e famílias, o que dá vida às atividades para além dos muros da escola. Com sua turma de Educação Infantil, Valquiria trabalhou bonecos de pano que iam para as casas das crianças e lá, ganhavam identidade, roupas e acessórios. Com os pais, realizou uma oficina de bonecas abayomis (boneca de pano negra feita com nós). Abayomi é uma palavra iorubá e significa encontro precioso. De fato foi um momento único que estreitou os laços familiares e dos pais com a escola. O professor Josivaldo também contou com a ajuda da própria comunidade quando propôs a investigação e reflexão sobre o processo de formação de uma favela próximo para seus estudantes da EJA (Educação de Jovens e Adultos) que ainda participaram da Marcha da Consciência Negra do município. Josivaldo é enfático ao afirmar que o projeto batizado de Interlocuções África e Diáspora Africana só foi possível graças à participação do Movimento Negro de Pau Brasil. Foi na semana da consciência negra também que a revista produzida 100% pelos estudantes da EJA foi lançada e chegou à comunidade. Conduzida pela professora Sônia, cada pessoa pôde colocar sua experiência com relação ao racismo em forma de produção textual. 22

Em comum, as três práticas têm o trabalho pela desconstrução de estereótipos baseados em conceitos racistas. A professora Maria Fernanda sabe bem o que é isso. No caso dela, muitas falas preconceituosas apareciam na boca dos/as professores/as, que constantemente subjugavam os/as estudantes negros/as, esperavam pouco deles. O caminho escolhido pela professora foi incentivar os/as estudantes negros/as trazendo para dentro da sala de aula elementos das culturas afro-brasileiras e africanas. Daí, veio a surpresa: com a autoestima elevada, eles começaram a apresentar outros comportamentos e o discurso sobre as crianças negras foi positivado. Valquiria Maria da Matta Geraldo Matos - Juiz de Fora/MG Prática: Cultura africana e afro-brasileira: construindo uma prática afirmativa da identidade étnica das crianças na Educação Infantil Nível: Educação Infantil O que fez: Elaborou um projeto para o Fundo de Apoio e Pesquisa a Educação Básica. Realizou pesquisas sobre África, contação de histórias e atividades que proporcionaram a vivência de elementos da cultura africana com os/as estudantes. Ganha destaque o trabalho com os bonecos de pano. Resultados: Estreitamento das relações entre escola e famílias. Elevação de autoestima das crianças negras. 23

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Maria Fernanda Luiz - Araraquara/SP Prática: Brincando conhecemos a África Nível: Ensino Fundamental O que fez: O ponto de partida foi levar para a sala de aula brincadeiras infantis de países africanos de língua portuguesa. Roda de conversa, contação de história, vídeos, roda de dança, entrevistas, produção de textos, confecção de livros e apresentação teatral. Resultados: Mudança de postura de toda a comunidade escolar, em especial dos professores/as, ao iniciarem um processo de valorização e respeito com a figura do negro na sociedade e na escola. 25

Josivaldo Félix Câmara - Pau Brasil/BA Prática: Projeto Interlocuções África e Diáspora Africana Nível: EJA Médio O que fez: Confecção de bonecas negras, maquetes com material reciclado, análise sobre a presença negra nos livros didáticos e seminários, pesquisa sobre o processo de formação de uma favela próxima à escola. As atividades ocorreram com o apoio do Movimento Negro local Resultados: Efetivação da interdisciplinaridade, fortalecimento da identidade negra. Construção da visão crítica sobre a favela positivando a imagem marginalizada. 26

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Sônia Iraci Siqueira - Ribeirão Preto/SP Prática: Africanidades na EJA Nível: EJA O que fez: Professora Sônia que ministra aulas de Lingua Portuguesa, se unia a professora Patrícia, de História e juntas passaram a desenvolver momentos de reflexão, análise e produção sobre a figura do negro na sociedade brasileira. Pesquisa de campo sobre o que é ser negro e casos de preconceito entre os estudantes, sistematização dos dados, releitura, análise e produção de diversos gêneros textuais foram algumas das atividades. Ao final, uma revista foi produzida com os conteúdos criados pelos estudantes. Resultados: Elevação da autoestima, produção de revista e lançamento para toda a comunidade. 28

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