AVALIAÇÃO EXTERNA DAS ESCOLAS



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Transcrição:

AVALIAÇÃO EXTERNA DAS ESCOLAS Relatório Agrupamento de Escolas de Lousada Este LOUSADA 2013 2014 Área Territorial de Inspeção do Norte

1 INTRODUÇÃO A Lei n.º 31/2002, de 20 de dezembro, aprovou o sistema de avaliação dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a autoavaliação e para a avaliação externa. Neste âmbito, foi desenvolvido, desde 2006, um programa nacional de avaliação dos jardins de infância e das escolas básicas e secundárias públicas, tendo-se cumprido o primeiro ciclo de avaliação em junho de 2011. A então Inspeção-Geral da Educação foi incumbida de dar continuidade ao programa de avaliação externa das escolas, na sequência da proposta de modelo para um novo ciclo de avaliação externa, apresentada pelo Grupo de Trabalho (Despacho n.º 4150/2011, de 4 de março). Assim, apoiando-se no modelo construído e na experimentação realizada em doze escolas e agrupamentos de escolas, a Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) está a desenvolver esta atividade consignada como sua competência no Decreto Regulamentar n.º 15/2012, de 27 de janeiro. O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa do Agrupamento de Escolas de Lousada Este Lousada, realizada pela equipa de avaliação, na sequência da visita efetuada entre 17 e 20 de fevereiro de 2014. As conclusões decorrem da análise dos documentos fundamentais do Agrupamento, em especial da sua autoavaliação, dos indicadores de sucesso académico dos alunos, das respostas aos questionários de satisfação da comunidade e da realização de entrevistas. Espera-se que o processo de avaliação externa fomente e consolide a autoavaliação e resulte numa oportunidade de melhoria para o Agrupamento, constituindo este documento um instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e áreas de melhoria, este relatório oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos de ação para a melhoria e de desenvolvimento de cada escola, em articulação com a administração educativa e com a comunidade em que se insere. ESCALA DE AVALIAÇÃO Níveis de classificação dos três domínios EXCELENTE A ação da escola tem produzido um impacto consistente e muito acima dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. Os pontos fortes predominam na totalidade dos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais consolidadas, generalizadas e eficazes. A escola distingue-se pelas práticas exemplares em campos relevantes. MUITO BOM A ação da escola tem produzido um impacto consistente e acima dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. Os pontos fortes predominam na totalidade dos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais generalizadas e eficazes. BOM A ação da escola tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. A escola apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais eficazes. SUFICIENTE A ação da escola tem produzido um impacto aquém dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. As ações de aperfeiçoamento são pouco consistentes ao longo do tempo e envolvem áreas limitadas da escola. INSUFICIENTE A ação da escola tem produzido um impacto muito aquém dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. Os pontos fracos sobrepõem-se aos pontos fortes na generalidade dos campos em análise. A escola não revela uma prática coerente, positiva e coesa. A equipa de avaliação externa visitou a escola-sede do Agrupamento, a Escola Básica de Sub-Ribas, a Escola Básica de Pereiras e a Escola Básica de Torno. A equipa regista a atitude de empenhamento e de mobilização do Agrupamento, bem como a colaboração demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na preparação e no decurso da avaliação. O relatório do Agrupamento apresentado no âmbito da Avaliação Externa das Escolas 2013-2014 está disponível na página da IGEC. 1

2 CARACTERIZAÇÃO DO AGRUPAMENTO O Agrupamento de Escolas de Lousada Este, situado no concelho de Lousada, foi constituído em 2001 e atualmente integra nove estabelecimentos de educação e ensino: as escolas básicas da Estação, de Pereiras n.º 1, de Cruzeiro, de Pereiras, do Corgo, de Sub-Ribas, de Vilar, de Torno e de Caíde de Rei (escola-sede). Genericamente dispõe de boas condições de segurança, habitabilidade e conforto, fruto das obras levadas a cabo pelas juntas de freguesia, câmara municipal e direção. A população escolar, em 2013-2014, é composta por 1278 crianças, alunos e formandos: 235 na educação pré-escolar (12 grupos), 465 no 1.º ciclo (23 turmas), 192 no 2.º ciclo (10 turmas), 324 no 3.º ciclo (14 turmas, sendo que uma é de percurso curricular alternativo), 43 no curso vocacional do 3.º ciclo de Artes e Animação (duas turmas) e 19 no curso vocacional do ensino secundário de Técnico de Produção Agropecuária (uma turma). Cerca de 1,5% dos alunos não têm naturalidade portuguesa. De acordo com os dados fornecidos pelo Agrupamento, verifica-se que 63% dos alunos do ensino básico e secundário não beneficiam de auxílios económicos no âmbito da ação social escolar e 35% dos alunos do ensino básico e 34% dos alunos do ensino secundário possuem computador e internet em casa. Quanto à formação dos pais dos alunos do ensino básico, verifica-se que 3% têm uma formação superior e 10% secundária e superior. Já em relação à ocupação profissional dos pais, 4,3% exercem atividades profissionais de nível superior e intermédio. A educação e o ensino são assegurados por 115 docentes, dos quais 89% pertencem aos quadros. A experiência profissional é significativa, pois 89,6% lecionam há 10 ou mais anos. Atualmente, o pessoal não docente é composto por 69 elementos, dos quais, 63 são assistentes operacionais, quatro assistentes técnicos, um coordenador técnico e um psicólogo, colocado, a tempo parcial. Todos os trabalhadores têm contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado e 36,8% têm 10 ou mais anos de serviço. No ano letivo de 2011-2012, ano mais recente para o qual existem referentes nacionais calculados, os valores das variáveis de contexto, nomeadamente a média do número de anos da habilitação das mães e dos pais e a percentagem de alunos do 6.º ano sem auxílios económicos no âmbito da ação social escolar, situavam-se muito aquém da mediana calculada para as escolas/agrupamentos do mesmo grupo de referência. A percentagem de docentes do quadro dos 2.º e 3.º ciclos e do ensino secundário, bem como a percentagem de alunos do 9.º ano sem auxílios económicos no âmbito da ação social escolar ficaram aquém do valor mediano. A média do número de alunos por turma ficou próximo da mediana no 4.º ano e muito acima deste valor nos 6.º e 9.º anos. Assim, em 2011-2012, o Agrupamento apresenta variáveis de contexto bastante desfavoráveis que o colocam entre os mais desfavorecidos. 3 AVALIAÇÃO POR DOMÍNIO Considerando os campos de análise dos três domínios do quadro de referência da avaliação externa e tendo por base as entrevistas e a análise documental e estatística realizada, a equipa de avaliação formula as seguintes apreciações: 3.1 RESULTADOS RESULTADOS ACADÉMICOS Na educação pré-escolar, é feita a avaliação qualitativa das aprendizagens das crianças de acordo com as diferentes áreas de conteúdo, possibilitando o conhecimento dos progressos das crianças e contribuindo para a melhoria das aprendizagens. Trimestralmente, estas informações são 2

disponibilizadas aos pais e encarregados de educação e transmitidas aos docentes do 1.º ciclo, aquando do ingresso das crianças na escolaridade básica. Analisando os resultados académicos dos alunos nos anos letivos 2010-2011 e 2011-2012 e comparandoos com os obtidos nas escolas do mesmo grupo de referência e de contexto análogo, verifica-se que as taxas de conclusão dos 4.º, 6.º e 9.º anos situaram-se acima dos valores esperados, com exceção da taxa de conclusão do 4.º ano, em 2010-2011, que ficou em linha com este valor e da do 9.º ano, em 2011-2012, que ficou aquém do valor esperado. Assim, verifica-se que há melhoria nos resultados internos do 4.º ano, ao invés do que sucede no 9.º ano. Nos anos letivos 2010-2011 e 2011-2012, as percentagens de resultados positivos nas provas de aferição do 4.º ano ficaram acima dos valores esperados. Por sua vez, em 2011-2012, a percentagem de resultados positivos em Língua Portuguesa na prova final do 6.º ano ficou aquém do valor esperado. Os resultados do Agrupamento, em 2010-2011 e 2011-2012, quando comparados com aqueles das escolas do mesmo grupo de referência, situaram-se, maioritariamente, aquém da mediana, podendo afirmar-se que revelaram alguma melhoria em 2011-2012, nomeadamente no 4.º ano, na taxa de conclusão do 6.º ano e na prova final de Matemática do 9.º ano. Não obstante as variáveis do contexto do Agrupamento, em 2011-2012, serem bastante desfavoráveis, os resultados observados estão, globalmente, em linha com os valores esperados, evidenciando progresso no 1.º ciclo. O Agrupamento tem realizado o tratamento estatístico e a análise dos resultados académicos, tanto internos como externos, comparando-os com indicadores nacionais e implementado algumas medidas de melhoria. Porém, ainda não é visível a eficácia das estratégias de melhoria implementadas em algumas áreas, nomeadamente nos resultados das provas finais de Língua Portuguesa e de Matemática, no 9.º ano. Relativamente ao abandono e desistência escolares, destaca-se o facto de terem vindo progressivamente a diminuir, apresentando atualmente taxas residuais. RESULTADOS SOCIAIS O projeto educativo consagra o desenvolvimento pessoal e social dos alunos e inscreve como prioridades a promoção de atitudes de cidadania e de respeito pelos outros e de estilos e hábitos de vida saudáveis. Os alunos são implicados na vida escolar, sendo auscultados em reuniões periódicas com a direção. As suas sugestões e propostas têm sido, muitas vezes, acolhidas e postas em prática. A associação de estudantes, para além de ser ouvida nas decisões mais importantes da vida escolar, dedica-se à dinamização de palestras de sensibilização para o embelezamento e manutenção dos espaços escolares, de atividades festivas, culturais e de lazer. Como forma de potenciar o desenvolvimento cívico, o Agrupamento tem desenvolvido iniciativas orientadas para a apropriação de normas de conduta como o respeito pelos outros e pelo ambiente e a solidariedade, que contam com grande adesão por parte dos alunos. Assim, para além das iniciativas de âmbito nacional (Programa de Educação para a Saúde, Desporto Escolar, Parlamento Jovem, Energia com Vida da EDP Gás) são dinamizados vários projetos, dos quais se destacam Eu quero aprender a agir, AGIR, jornal escolar Aqui D El Rei, projeto Rios, Sarau Cultural e Desportivo. Globalmente, os alunos são disciplinados e verifica-se um ambiente educativo favorável ao desenvolvimento das relações interpessoais e à efetivação das aprendizagens. Para combater alguns comportamentos menos disciplinados, foram implementadas algumas iniciativas de prevenção, traduzidas pela divulgação exaustiva das regras patentes no regulamento interno, pela criação da figura de professores e de alunos tutores, pelo trabalho desenvolvido no âmbito do projeto AGIR+, pelo 3

envolvimento da associação de estudantes e pela intervenção imediata por parte da direção, que estão a ter já reflexos positivos. Não se sistematizou ainda a prática de monitorização do percurso dos alunos após a sua saída do Agrupamento, muito embora haja a perceção de que a maioria prossegue estudos no ensino regular. Relativamente aos alunos dos cursos profissionalizantes, é aferida a relação da formação realizada no Agrupamento, com o grau de satisfação das empresas/entidades promotoras da formação em contexto de trabalho e com a obtenção de emprego. RECONHECIMENTO DA COMUNIDADE Pela análise das respostas aos questionários aplicados no âmbito da presente avaliação externa, verifica-se um elevado grau de satisfação da comunidade educativa com o funcionamento do Agrupamento. Genericamente, os alunos manifestam concordância com a exigência do ensino e o conhecimento das regras e dos critérios de avaliação, havendo alguma discordância quanto à participação em clubes e projetos, ao comportamento dos alunos e ao serviço de refeitório da escola-sede. Os encarregados de educação manifestam uma concordância muito elevada em todos os aspetos, sobretudo com a exigência do ensino e a disponibilidade dos diretores de turma, embora ligeiramente menos no que se refere às instalações. Os trabalhadores, docentes e não docentes destacam, como aspetos mais positivos, a direção, a abertura ao exterior e o funcionamento dos serviços administrativos, deixando transparecer alguma discordância em relação às instalações e ao comportamento dos alunos. Os sucessos das crianças e alunos são valorizados pelos docentes, nomeadamente através da divulgação das atividades e seus resultados (p. ex., em exposições, no jornal escolar, no facebook e na página Web do Agrupamento) e da participação em concursos e em várias modalidades e iniciativas do Desporto Escolar. De destacar, também, os prémios atribuídos, anualmente e em cerimónia pública, aos alunos com melhores desempenhos académicos. A abertura do Agrupamento à comunidade traduz-se numa participação ativa dos pais e das autarquias locais, quer nos órgãos onde estão representados, quer em atividades pedagógicas das crianças e dos alunos (p. ex., Feira de S. Martinho, festa de Natal, festa de encerramento das atividades letivas, caminhada do Agrupamento). O forte envolvimento com as instituições locais na concretização de projetos pedagógicos e de âmbito social (semana da leitura, feira do livro, campanhas de solidariedade, apadrinhamento de uma criança moçambicana), bem como a participação em projetos de âmbito nacional (p. ex., projeto Parlamento Jovem, Educação para a Saúde), têm contribuído para a valorização e promoção da imagem do Agrupamento. A ação do Agrupamento tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. O Agrupamento apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais eficazes. Tais fundamentos justificam a atribuição da classificação de BOM no domínio Resultados. 3.2 PRESTAÇÃO DO SERVIÇO EDUCATIVO PLANEAMENTO E ARTICULAÇÃO A articulação curricular, identificada como área de melhoria no relatório da avaliação externa anterior, foi objeto de análise e aperfeiçoamento. No entanto, apesar das práticas de melhoria introduzidas, designadamente no que respeita à partilha de informação entre os docentes dos diferentes níveis e ciclos de educação e ensino, a articulação curricular vertical e horizontal, não é, ainda, uma prática consistente, enquanto ação promotora da sequencialidade das aprendizagens. 4

Também, os planos de trabalho das turmas dos 2.º e 3.º ciclos não especificam um planeamento estruturado do processo de ensino e de aprendizagem que preconize a efetiva interligação de conteúdos das diferentes disciplinas. Foram, contudo, recolhidas evidências de práticas de ensino interdisciplinar e de articulação curricular, no que respeita ao trabalho desenvolvido nos cursos vocacionais e no âmbito de atividades e projetos que envolvem as crianças e os alunos, designadamente as promovidas pelas bibliotecas escolares. O plano anual de atividades concretiza os objetivos e metas do projeto educativo e contempla ações que adaptam os conteúdos curriculares ao contexto local. A articulação entre as diferentes modalidades de avaliação é objeto de análise e reflexão nas estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica, onde são definidos os instrumentos a usar e a regularidade da sua aplicação. A cooperação entre docentes verifica-se a nível de elaboração de fichas de avaliação diagnóstica, provas de aferição interna, testes de avaliação e planificação das atividades letivas. Também se observa partilha de experiências de práticas letivas relevantes e de conhecimentos através de formação entre pares. O Agrupamento promove, ainda, a disseminação das competências e conhecimentos dos docentes promovendo formação interna, entre pares, acreditada pelo centro de formação de professores, nas áreas das tecnologias de informação e comunicação, novos programas de português, educação especial, educação para a saúde, metas curriculares, prática modular e mediação de conflitos em contexto escolar. PRÁTICAS DE ENSINO A adequação do ensino às necessidades e capacidades dos alunos está patente na diversidade de metodologias de diferenciação pedagógica usadas em contexto de sala de aula, designadamente o apoio individualizado, a adequação dos materiais didáticos, tarefas de reforço das aprendizagens e os trabalhos de grupos ou entre pares. É de realçar a sistematicidade da designação de crianças e alunos coadjuvantes de colegas com mais dificuldades, prática promotora da aprendizagem cooperativa. No entanto, estas medidas, ainda, não têm o impacto desejável nos resultados escolares. São de destacar as práticas educativas inclusivas desenvolvidas em todos os níveis de educação e ensino e na unidade de apoio especializado para a educação de alunos com multideficiência e surdocegueira congénita, a funcionar na escola-sede. De facto, desde a educação pré-escolar que são verificáveis práticas colaborativas das técnicas terapeutas de fala e ocupacional, uma fisioterapeuta e a psicóloga com os docentes especializados, com os titulares de grupo e turma e com os diretores de turma nas quais se envolvem ativamente os assistentes operacionais e alunos. Para os alunos com currículo específico individual, em processo de transição para a vida pós-escolar, os planos individuais de transição contemplam formação em contextos reais de trabalho em empresas e instituições de proximidade. Aos alunos com dificuldades de aprendizagem são disponibilizadas algumas medidas de promoção do sucesso escolar, nomeadamente apoios educativos individualizados ou em pequenos grupos, tutorias e, sempre que necessário, o acompanhamento da psicóloga. No sentido da promoção do sucesso educativo são aplicadas provas de aferição interna, nos 3.º e 8.º anos, testes intermédios nos 8.º e 9.º anos e foram adotadas práticas de coadjuvação a Português e Matemática nos 3.º e 4.º anos, aulas de apoio ao estudo no 2.º ciclo, lecionadas por docentes de Português e Matemática, e coadjuvação na disciplina de Matemática no 3.º ciclo. Todos os estabelecimentos dispõem de quadros interativos e computadores, cujo uso está incrementado na prática letiva, constituindo o recurso à Escola Virtual, a utilização regular da plataforma Moodle, a pesquisa informada e ativa de matérias escolares na Internet, por parte dos alunos, e as metodologias inovadoras de trabalho já implementadas, um dos pontos fortes do Agrupamento. 5

Merecem, também, destaque as metodologias ativas e experimentais, consolidadas desde a educação pré-escolar, pela sua contribuição na diversificação das práticas letivas, no desenvolvimento do espírito científico das crianças e dos alunos e no potencial impacto na melhoria das aprendizagens. De ressalvar, também, os esforços desencadeados para a sua implementação, considerando que esta prática didática foi identificada como um ponto fraco na anterior avaliação externa. Das ações definidas evidenciam-se o clube das ciências, onde são desenvolvidas atividades laboratoriais, a realização em todas as escolas do 1.º ciclo, em articulação com a educação pré-escolar, do dia das ciências com a coadjuvação de docentes das disciplinas de Físico-Química e de Ciências Naturais e o projeto Oficina da Gramática. Transversal aos diferentes níveis de educação e de ensino, a dimensão artística é muito valorizada pelo Agrupamento que disponibiliza clubes de artes, de teatro e de dança, incentiva o projeto rádio-escola e, em articulação com a Câmara Municipal de Lousada, promove as capacidades dos alunos, designadamente, no que respeita à dança desportiva. São realizadas exposições dos trabalhos artísticos produzidos, sendo que alguns se encontram expostos com caráter permanente, fazendo parte do embelezamento dos diferentes estabelecimentos escolares. A supervisão da prática letiva é realizada em departamento curricular, pelo coordenador, através quer da monitorização do cumprimento dos programas e metas de aprendizagem, quer de análises aos resultados dos alunos. No entanto, não está implementada a supervisão da prática letiva na sala de aula, enquanto dispositivo de melhoria e de desenvolvimento profissional. MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO DO ENSINO E DAS APRENDIZAGENS Os critérios de avaliação gerais e específicos, tal como os instrumentos de avaliação são, sempre que necessário, revistos pelas estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica. Os critérios de avaliação são divulgados, no início de cada ano letivo, aos alunos e aos pais e encarregados de educação. Trimestralmente, ou sempre que haja necessidade de maior acompanhamento e regulação do processo de ensino e de aprendizagem, os pais e encarregados de educação recebem informações detalhadas acerca do percurso escolar dos seus educandos. As estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica fazem a monitorização do desenvolvimento do currículo, através do grau de consecução das planificações anuais e trimestrais e da análise dos resultados académicos. São, ainda, objeto de reformulação as medidas especificadas nos planos de trabalho dos grupos e das turmas, sempre que se justifique. Apesar das ações desenvolvidas para a monitorização da eficácia das medidas adotadas com vista à promoção do sucesso, não foram, ainda, adequadamente identificados os fatores que obstam à melhoria dos resultados escolares. A prevenção da desistência e do abandono é articulada com o programa Diversidade, Inclusão, Complexidade, Autonomia e Solidariedade (DICAS) da Câmara Municipal de Lousada, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) e o serviço de psicologia. O Agrupamento tem vindo, ainda, a disponibilizar respostas educativas ajustadas ao perfil dos alunos em risco de abandono, como acontece no presente ano letivo com a oferta dos cursos vocacionais. A ação do Agrupamento tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. O Agrupamento apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais eficazes, o que justifica a atribuição da classificação de BOM no domínio Prestação do Serviço Educativo. 6

3.3 LIDERANÇA E GESTÃO LIDERANÇA A liderança é forte, alicerçada no diretor e na sua equipa, atenta e envolvida na realidade do Agrupamento. A direção é reconhecida e valorizada, pela comunidade educativa, pela disponibilidade e abertura. A visão estratégica da direção assenta numa atenção à realidade do Agrupamento e na intervenção atempada e ajustada a cada situação. A direção desenha e desenvolve estratégias variadas que visam a resolução de situações problemáticas identificadas, de que são exemplo projetos, parcerias estratégicas, como a estabelecida com a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Marco de Canaveses. Releva-se ainda, a criação do cargo de assessor de disciplina dentro dos departamentos como forma de articulação e estabelecimento de uma dinâmica comunicacional mais eficaz. É visível o forte sentido de pertença da comunidade escolar com o Agrupamento, transversal a todas as escolas, docentes, não docentes e alunos. Das iniciativas que são marca da boa convivialidade, destacam-se o passeio anual, a ceia de Natal, a Feira de S. Martinho e festas de final de ano. As lideranças intermédias sentem-se valorizadas e reconhecidas, pela direção e pelos pares, desenvolvendo um trabalho articulado. Denota-se um bom relacionamento entre os elementos que as constituem, bem como consideração pelas suas opiniões e iniciativas e apreço pelo trabalho desenvolvido. O Agrupamento estabeleceu várias parcerias com a comunidade envolvente, com vista ao desenvolvimento de projetos e iniciativas diversificadas e de enriquecimento do trabalho realizado. Destacam-se as parcerias com empresas e estabelecimentos locais para complementar a oferta educativa e a integração dos alunos na vida profissional, nomeadamente com a Biblioteca Municipal, articulando com as bibliotecas escolares no desenvolvimento de atividades, e EDP através do programa Energia com Vida da EDP Gás. O Agrupamento possui, ainda, uma estreita parceria com a Câmara Municipal de Lousada e as juntas de freguesia. Ao nível das iniciativas inovadores destaca-se o desenvolvimento do projeto AGIR, para o combate a situações de indisciplina e comportamentos desajustados, dentro do qual se incrementa o subprojeto AGIR + que envolve os alunos voluntários, aos quais foi dada formação, enquanto mediadores de conflitos e como orientadores de estudo dos seus pares. Destaca-se, ainda, o apadrinhamento de alunos do 9.º ano a alunos do 5.º ano e de alunos do 4.º ano a alunos do 1.º ano. GESTÃO Na afetação às diferentes funções e cargos, há a valorização das formações específicas dos trabalhadores, aliada ao perfil e à experiência, nomeadamente, no caso dos docentes, na atribuição da direção de turma e de turmas de percursos curriculares alternativos e de cursos vocacionais, e, no caso dos não docentes, na atribuição de serviço na biblioteca escolar, reprografia e bufete. Para efeitos de constituição de turmas é designada uma equipa que analisa o perfil dos alunos e privilegia, sempre que se justifique, a continuidade do grupo e turma e das equipas pedagógicas. Os horários são constituídos com a intenção de responder ao interesse dos alunos, garantindo o equilíbrio entre as cargas horárias e os períodos de recreio e a rendibilização dos tempos que permanecem na escola. Para responder às necessidades de desenvolvimento dos docentes e não docentes, o Agrupamento recolhe sugestões relativas às necessidades de formação e articula as respostas formativas com o Centro de Formação Sousa Nascente, procurando, preferencialmente, criar condições de acreditação a 7

formadores internos. Já foram, neste âmbito, dinamizadas várias ações, estando agendada uma nova sobre gestão de conflitos em contexto escolar. Os circuitos de informação e comunicação revelam-se eficazes e adequados às necessidades do Agrupamento, assentes sobretudo na comunicação via e-mail institucional, na afixação de informação em locais apropriados, no recurso ao jornal escolar e, ainda, à página Web. Para a disseminação de informação mais eficaz e atrativa para os alunos, foi criada uma página de Facebook, o que agilizou a passagem de informação e o envolvimento dos alunos. AUTOAVALIAÇÃO E MELHORIA Como resultado da avaliação externa realizada em 2010, o Agrupamento procedeu a um conjunto de ações e melhorias, nomeadamente ao nível da articulação curricular e do ensino experimental. O Agrupamento reestruturou recentemente, em janeiro de 2013, a equipa de avaliação interna, com vista à construção e estabelecimento de um processo de autoavaliação mais consistente. Para tal, foram nomeados novos elementos e foi contratada ajuda especializada externa. Esta equipa deu início a um novo processo de autoavaliação, começando por realizar um diagnóstico do Agrupamento e a auscultação da comunidade ao nível de pontos fortes/fracos e sugestões de melhoria. Com base no diagnóstico produzido, foi traçado um plano de melhoria com objetivos e estratégias definidas, em execução, a ser alvo de avaliação. Na sequência das conclusões do trabalho desenvolvido pela equipa de autoavaliação foram implementadas algumas medidas tendentes a melhorar os resultados escolares. A equipa procurou envolver a comunidade educativa: docentes, não docentes, alunos, pais e encarregados de educação, através do preenchimento de um pequeno questionário e da implementação de caixas de sugestões em locais estratégicos e acessíveis à comunidade. Do mesmo modo, a comunidade é envolvida através da apresentação e divulgação do trabalho realizado e dos resultados alcançados. O processo de autoavaliação em curso carece de maior consistência, quanto à sua abrangência, bem como no que respeita à construção de planos de ação com impacto na melhoria do funcionamento do Agrupamento. A ação do Agrupamento tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. O Agrupamento apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais eficazes. Tais fundamentos justificam a atribuição da classificação de BOM no domínio Liderança e Gestão. 4 PONTOS FORTES E ÁREAS DE MELHORIA A equipa de avaliação realça os seguintes pontos fortes no desempenho do Agrupamento: A valorização e o incentivo à melhoria do desempenho através de prémios e da participação em projetos e concursos que estimulam as aprendizagens nas vertentes socioculturais; O forte envolvimento com as instituições locais na concretização de projetos pedagógicos e de âmbito social e nacional, com repercussão na valorização e promoção da imagem do Agrupamento; 8

As práticas educativas inclusivas desenvolvidas em todos os níveis de educação e ensino promotoras da igualdade de oportunidades e do convívio com a diferença; O recurso às tecnologias de informação e comunicação e o uso de metodologias ativas e experimentais, pela sua contribuição no desenvolvimento do espírito científico das crianças e dos alunos e na melhoria das aprendizagens; As lideranças atentas e envolvidas na realidade do Agrupamento, abertas à colaboração e participação da comunidade, que fomentam o bom ambiente de partilha e o sentido de pertença; A eficácia dos circuitos de informação e comunicação, na divulgação das ações realizadas e no envolvimento da comunidade. A equipa de avaliação entende que as áreas onde o Agrupamento deve incidir prioritariamente os seus esforços para a melhoria são as seguintes: O aprofundamento da monitorização da eficácia das medidas promoção do sucesso escolar e da análise e reflexão sobre os fatores internos explicativos do (in) sucesso, em ordem à melhoria do desempenho dos alunos, particularmente em Matemática e em Português do 9.º ano; A implementação de mecanismos de monitorização do percurso escolar dos alunos que permitam avaliar e (re)orientar a ação educativa do Agrupamento; A consolidação das práticas de articulação horizontal e vertical de conteúdos curriculares, enquanto ação promotora da sequencialidade das aprendizagens e da melhoria dos resultados escolares dos alunos; A supervisão da prática letiva, em contexto de sala de aula, enquanto processo relevante para o desenvolvimento profissional dos docentes e das aprendizagens dos alunos; A consolidação do processo de autoavaliação, quer quanto à sua abrangência, quer no que respeita à construção de planos de ação com impacto na melhoria do funcionamento do Agrupamento. 11-06-2014 A Equipa de Avaliação Externa: Carla Figueiredo, Fátima Marinho e Filomena Vidal Concordo. À consideração do Senhor Secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, para homologação. A Subinspetora-Geral da Educação e Ciência Homologo. O Secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar 9