Profº André Montillo

Documentos relacionados
FICHA DE CONSULTA Deverá ser preenchida pelo médico assistente

ASPECTOS GERAIS DA FIBROMIALGIA

FICHA DE INCLUSÃO DO PACIENTE

DOR E CEFALEIA. Profa. Dra. Fabíola Dach. Divisão de Neurologia FMRP-USP

DOR CRÔNICA E ENVELHECIMENTO

Protocolo Dor Crônica, excluí Fibromialgia e orienta Paracetamol para Artrite!

ASSOCIAÇÃO NACIONAL CONTRA A FIBROMIALGIA E SÍNDROME DEFADIGACRÓNICA (MYOS) APIFARMA / ASSOCIAÇÕES DE DOENTES NOTAS DE UMA PARCERIA

Semiologia do aparelho osteoarticular. Professor Ivan da Costa Barros

26ª Reunião, Extraordinária Comissão de Assuntos Sociais

Doença inflamatória da coluna vertebral podendo ou não causar artrite em articulações periféricas e inflamação em outros órgãos como o olho.

Lesão por esforço Repetitivo

3. Sensação subjetiva de inflamação articular e rigidez matinal;

AVALIAÇÃO DE INCAPACIDADE NAS DOENÇAS REUMÁTICAS

Abordagem da Criança com Cefaléia. Leticia Nabuco de O. Madeira Maio / 2013

parte 1 estratégia básica e introdução à patologia... 27

22/03/2018 EXISTE UMA DISCIPLINA DA GRADUAÇÃO DA UFJF QUE ABORDA O TEMA? QUAL A SITUAÇÃO NO BRASIL? Sintoma comum a muitas doenças

Doenças Reumáticas dos Tecidos Moles

Segundo OMS, o transtorno afetivo afeta cerca de 50 milhões de pessoas no mundo, sendo a primeira causa de incapacidade para o trabalho entre todos

ODONTOLOGIA PREVENTIVA. Saúde Bucal. Dores na mandíbula e na face.

ASPECTOS GERAIS SOBRE A FIBROMIALGIA (FM): UMA REVISÃO DE LITERATURA

Referenciação à Consulta de Reumatologia

Estresse: Teu Gênero é Feminino... Dr. Renato M.E. Sabbatini Faculdade de Ciências Médicas UNICAMP

DOR PROTOCOLO DO TRATAMENTO CLÍNICO PARA O NEUROLOGISTA. Laura Sousa Castro Peixoto

15/08/2018 EXISTE UMA DISCIPLINA DA GRADUAÇÃO DA UFJF QUE ABORDA O TEMA? QUAL A SITUAÇÃO NO BRASIL?

Envelhecimento e Doenças Reumáticas

ACUPUNTURA COMO RECURSO TERAPÊUTICO NO TRATAMENTO DA FIBROMIALGIA

Fármacos antidepressivos. Prof. Dr. Gildomar Lima Valasques Junior Farmacêutico Clínico-Industrial Doutor em Biotecnologia

Restaurar o movimento para diminuir os efeitos causais da dor. Por exemplo: inflamação em estruturas articulares com perda de amplitude.

Epidemiologia da Dor

RESPOSTA RÁPIDA 106/2014 APRAZ NO TRATAMENTO DA FIBROMIALGIA. Ilma Dra Valéria S. Sousa

Universidade Federal do Ceará Faculdade de Medicina

Qualidade de vida de pacientes idosos com artrite reumatóide: revisão de literatura

Marcos Vinicios da Costa Serrador. Fisioterapeuta /Téc. Segurança do Trabalho Pós graduado em Biomecânica do movimento e Sist. de Gestão Integrada

Patologias psiquiátricas mais prevalentes na atenção básica: Alguns sintomas físicos ocorrem sem nenhuma causa física e nesses casos,

Tratamento Com freqüência, é possível se prevenir ou controlar as cefaléias tensionais evitando, compreendendo e ajustando o estresse que as ocasiona.

AFFRON 30 cápsulas 13/11/2017

Cloridrato de tramadol serve para dores de garganta

SEMIOLOGIA DA DOR. Curso de semiologia em Clínica Médica I. Medicina humana 2 ano

EBRAMEC ESCOLA BRASILEIRA DE MEDICINA CHINESA CURSO DE ACUPUNTURA PEDRO PEREIRA MIRANDA ACUPUNTURA NO TRATAMENTO DE FIBROMIALGIA UMA REVISÃO DE TEXTOS

Doença de Addison DOENÇA DE ADDISON

RESIDENCIA MÉDICA UFRJ

Conteúdo. O que é a fibromialgia?

CURSO DE DOR FISIOPATOLOGIA DA DOR

' Professora da IINIVALE Fisioterapeuta Professor da L:L\IED. ' Enfermeiro ARTIGO

Uso de antidepressivos na clínica ginecológica

Síndrome Fibromiálgica - Fibromialgia 06/08/2014

I MÓDULO Grandes Síndromes Clínicas: Sinais e Sintomas 6 Semanas: 1ª a 6ª semana SEMANA DIA HORÁRIO PROF. SALA CONTEÚDO

Defeitos osteoarticulares

SERVIÇO DE DOR E CUIDADOS PALIATIVOS PROVA DE SELEÇÃO 2016 RESIDÊNCIA MÉDICA EM DOR

SUMÁRIO. 3. Curso e prognóstico Transtorno de pânico Transtorno de ansiedade generalizada... 84

PIROXICAM. Anti-Inflamatório, Analgésico e Antipirético. Descrição

SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE CAMPINAS CÂMARA TÉCNICA DE ESPECIALIDADES. Documento anexo do Manual de Ortopedia FIBROMIALGIA

19/04/2016. Profª. Drª. Andréa Fontes Garcia E -mail:

Espondilite Anquilosante

DOR LOMBAR NO TRABALHO. REUMATOLOGISTA: WILLIAMS WILLRICH ITAJAÍ - SC

Conheça algumas doenças tipicamente femininas

Efeitos sobre a saúde da exposição aos agentes ergonômicos

Artrite reumatóide é uma doença inflamatória crônica de origem auto-imune que acomete principalmente articulações sinoviais, causando dores,

Farmacoterapia na Depressão

Sistema Nervoso Parte V. e sensações térmicas. Prof. Jéssica V. S. M.

LER A DOENÇA DO SÉCULO

Síndrome Periódica Associada à Criopirina (CAPS)

Semiologia Reumatológica em Crianças

ALUNAS: MARIA VITÓRIA SILVA GOMES JULIANA FERREIRA WHIRILENE CASSIANO GINOELY SHIRLEY G. GÁRCIA

Doença de Crohn. Grupo: Bruno Melo Eduarda Melo Jéssica Roberta Juliana Jordão Luan França Luiz Bonner Pedro Henrique

ANEXO II CONTEÚDO PROGRAMÁTICO EDITAL Nº. 17 DE 24 DE AGOSTO DE 2017

Mente Sã Corpo São! Abanar o Esqueleto - Os factores que influenciam as doenças osteoarticulares. Workshop 1

Ansiedade e Transtornos de Humor: Uso de medicamentos depressores

Drogas do Sistema Nervoso Central

NEUROPATIA DIABÉTICA

ÍNDICE DE DOR NEUROPÁTICA EM UM GRUPO DE PACIENTES COM LESÃO MEDULAR

GRIFFONIA EXTRATO SECO

DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME FIBROMIÁLGICA

Dor Pélvica Crônica. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo. Departamento de Ginecologia e Obstetrícia

Opióides 09/06/2016 AAS. Aguda e crônica. Periférica e Visceral. Vias Inibitórias Descendentes. Opióides. Neurônio de transmissão DOR.

Modernos Antidepressivos. Profa.Vilma Aparecida da Silva Fonseca

Estudo sobre a forma de avaliação dos pacientes atendidos com indicação clínica de Fibromialgia no serviço de fisioterapia do ISECENSA

Opióides 27/05/2017 AAS. Aguda e crônica. Periférica e Visceral. Vias Inibitórias Descendentes. Opióides. Neurônio de transmissão DOR.

Propedêutica Ortopédica e Traumatológica. Prof André Montillo

INTERFACE DOS DISTÚRBIOS PSIQUIÁTRICOS COM A NEUROLOGIA

Residência Médica 2019

HELDER MONTEIRO Helder Monteiro é fisioterapeuta e a par da sua experiência clínica, tem dedicado parte do seu tempo ao ensino e formação.

- termo utilizado para designar uma Dilatação Permanente de um. - Considerado aneurisma dilatação de mais de 50% num segmento vascular

Sumário Detalhado. PARTE I Gerenciamento de riscos 21. PARTE II Patologia da lesão esportiva 177. Capítulo 4 Equipamento de proteção 116

O que é a SÍNDROME do DESFILADEIRO TORÁCICO

Doenças do Sistema Nervoso

ACUPUNTURA E CERVICALGIA

Psicopatologia do Uso Abusivo de Álcool e Outras Drogas

Michael Zanchet Psicólogo Kurotel Centro Médico de Longevidade e Spa

Transcrição:

Profº André Montillo www.montillo.com.br

Definição: É a causa mais comum de dor musculoesquelética generalizada. É a enfermidade reumática mais frequente Os primeiros relatos datam de 1850, onde os pacientes apresentavam em seus músculos pontos endurecidos e dolorosos à pressão, em 1904 foi denominada de fibrosite que permaneceu até 1970, quando na fibromialgia se observou a presença dos pontos sensíveis ( tender points ) Em 1990 o Colégio Americano de Reumatologia estabeleceu os Critérios de Classificação da fibromialgia: a presença de 11 de 18 pontos específicos do tender points, que apresentavam um sensibilidade de 88,4% e uma especificidade de 81,1%

Definição: É de etiologia desconhecida e multifatorial Não Há Processo Inflamatório É considerada um Síndrome de Amplificação da Dor o Redução do limiar doloroso: alodinia o Resposta aumentada aos estímulos dolorosos: hiperalgesia o Aumento da duração da dor após o estímulo: dor persistente

Epidemiologia: O estudo da prevalência iniciou em 1980: o Clínica de família: 2,1% o Clínica geral: 5,7% o Hospitalizado: 5% a 8% o Clínica reumatológica: 14% a 20% Mais frequente nas mulheres: 9:1 Entre os 30 e 50 anos de idade Precedida de um trauma, infecções ou abalos emocionais Mas pode acorrer em crianças, adolescentes e idosos Socialmente Relacionada: o Famílias de maior poder aquisitivo o Melhor nível educacional o Não está primariamente relacionada com baixo renda Não é um Doença Ocupacional

Etiopatogenia: Até o momento, não existe uma explicação satisfatória para a etiologia da fibromialgia Alguns fatores são conhecidos (multifatorial): o Predisposição Genética o Alterações no processamento da dor o As alterações do sono o Alterações estruturas musculares o Alterações Neuroendócrinas

Etiopatogenia: Alguns fatores são conhecidos (multifatorial): o Predisposição Genética: parentes de primeiro grau têm 8,5 vezes mais chance de desenvolver a fibromialgia. Os genes transportadores da serotonina e os genes da catecolamina metiltransferase são os mais relacionados com e gênese da fibromialgia

Etiopatogenia: Alguns fatores são conhecidos (multifatorial): o Alterações no processamento da dor: os estímulos nocivos de pouca intensidade são interpretados como dor, bem como apresentam hipersensibilidade ao frio, ruídos, odores, etc. Estão relacionadas com alterações nas concentrações da Substância P, Serotonina e Noradrenalina

Etiopatogenia: Alguns fatores são conhecidos (multifatorial): o As alterações do sono: estão relacionadas com a deficiência de neurotransmissor, provavelmente a Serotonina

Etiopatogenia: Alguns fatores são conhecidos (multifatorial): o Alterações na estrutura muscular: São evidenciadas alterações do metabolismo muscular com aspecto de desuso. Na microscopia eletrônica foram evidenciadas a presença de fibras reticulares em volta das fibras musculares. Durante a contração muscular, estas fibras reticulares determinam constrição das fibras musculares vizinhas com o comprometimento da microcirculação, determinando hipóxia e dor.

Etiopatogenia: Alguns fatores são conhecidos (multifatorial): o Alterações Neuroendócrinas: são evidenciadas alterações nos níveis do hormônio do crescimento, IGF-1 (insulina semelhante ao fator do crescimento I) e cortisol

Quadro Clínico: É uma doença corretamente definida como: Síndrome de Dolorimento à palpação generalizada: dói tudo o Pontos sensíveis: tender points o Fadiga o Rigidez articular o Distúrbio do Sono manifestações universais nos fibromiálgicos

Quadro Clínico: O início dos sintomas é insidioso A dor é relatada como: queimação, peso, exaustão ou contusão A dor geralmente é ampla e difusa A dor se inicia: na nuca, no pescoço ou nos ombros Dificuldade de relatar a localização da dor Dificuldade de relatar a origem da dor: dos músculos, das articulações, dos ossos ou dos nervos

Quadro Clínico: As localizações mais comuns da dor: o Esqueleto axial: cervical, dorsal ou lombar o Cintura escapular o Cintura pélvica o Parede anterior do tórax tender points

Quadro Clínico: Poliartralgia Relato de edema articula: exame físico normal Rigidez matinal: curto período menos de 15 minutos

Quadro Clínico: Fadiga: pela manhã e no final do dia, o paciente relata que necessita de férias. Atividade física e intelectual agravam a fadiga. Astenia Mal estar geral Redução do libido Fraqueza muscular Parestesias bizarras: as vezes não relacionada com o membro doloroso, na face ou na língua Cefaleia: as vezes sente a cabeça oca Zumbidos e Tonteiras

Quadro Clínico: Distúrbios do sono: quase 100% dos casos. Dificuldade de conciliar o sono, insônia terminal, sono leve (insônia intermediária), outros dormem a noite toda mas acordam cansados Depressão Ansiedade Irritabilidade Estes sintomas são observados na primeira consulta, mas nesse momento, geralmente são negados pelos pacientes

Quadro Clínico: Aparelho digestivo: o Alterações do hábito intestinal: constipação e diarreia o Náuseas o Vômito o Epigastralgia o Flatulência

Quadro Clínico: Grandes Prejuízos: o Sociais o Econômicos o Emocionais Fibromialgia

Quadro Clínico: Fibromialgia

Quadro Clínico: Fibromialgia

Quadro Clínico: Fibromialgia

Quadro Clínico: Fibromialgia

Quadro Clínico: Fibromialgia

Quadro Clínico: Fibromialgia

Quadro Clínico: Fibromialgia

Quadro Clínico: Fibromialgia

Quadro Clínico: Fibromialgia

Exame Físico: Normal Na palpação surgem outros pontos de dor não referidos Paciente apresenta com bom aspecto geral Sem doença sistêmica Sem alterações musculares e osteoarticulares Sem qualquer sinal do doença reumática Presença dos pontos sensíveis Alguns pacientes podem ter vários sintomas e não apresentar os pontos sensíveis, onde a dor se caracterizará por dor muscular difusa a palpação Pode estar associada à outras doenças reumáticas, osteoarticulares ou sistêmicas, o que: Não deve inviabilizar o diagnóstico de fibromialgia.

Exame Físico: Pode estar associada à outras doenças reumáticas, osteoarticulares ou sistêmicas, o que: Não deve inviabilizar o diagnóstico de Fibromialgia. Fibromialgia Secundária: quando associada à Artrite Reumatoide, Lúpus, Espondilite Anquilosante, etc. Neste caso é fundamental o tratamento adequado da Fibromialgia

Diagnóstico: Essencialmente Clínico o Dor Generalizada o Presença de 11 dos 18 tender points Os Exames Complementares são todos Normais. Exames com alterações pode mascarar o diagnóstico da fibromialgia

Tratamento: Multidisciplinar: médico, fisioterapeuta e psicólogo É fundamental a Educação da paciente: discutir de uma forma completa e verdadeira o diagnóstico e o prognóstico. Não altera a sobrevida e não é deformante mas o tratamento é fundamental para melhorar a qualidade de vida Analgésico: Simples, Corticoides, Opiódes Anti-inflamatórios Antidepressivos: tricíclico (amitriptilina, clomipramina, imipramina): sub doses Inibidores da recaptação da Serotonina (Fluoxetina): dose plena Ciclobenzaprina: miorrelaxante Atividade Física Aeróbica, baixo impacto e sem carga Apoio Psicológico

Classificação da Dor: 1. Nociceptiva: resulta de distúrbios orgânicos que determinam algum tipo de distúrbio na função neuronal: Responde aos analgésicos e opióides 2. Neuropática: resulta da lesão de vias nociceptivas (traumas ou cirurgias): Responde aos não-opiódes e benzodiazepínicos 3. Psicogênica: Prevalência dos fatores emocionais desde o início. Relacionada à personalidade, suscetibilidade maior à dor, depressão, transtorno de ansiedade. Responde melhor com os antidepressivos tricíclicos

Tratamento: Fibromialgia

Tratamento: Fibromialgia

Tratamento: Fibromialgia

Diagnóstico Diferencial: Síndrome Miofascial: é uma dor muscular profunda, localizada em qualquer músculo do corpo, e denominada de ponto de gatilho (trigger point), que piora a palpação local, frequentemente associada à rigidez local e distúrbio do sono. Síndrome da Fadiga Crônica: Dor crônica de outras origens Doenças reumáticas em fase inicial Hipotireoidismo Neurose de compensação : dor crônica que é relacionada com as árduas atividades do trabalho