Classes Gramaticais: Pronome

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Transcrição:

Classes Gramaticais: Pronome Lista de Exercícios Um Homem de Consciência Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João Teodoro. Nunca fora nada na vida, nem admitia a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis nem sequer o que todos ali queriam: mudar-se para terra melhor. Mas João Teodoro acompanhava com aperto de coração o deperecimento visível de sua Itaoca. (...) João Teodoro entrou a incubar a ideia de também mudar-se, mas para isso necessitava dum fato qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto ou arranjo possível. É isso, deliberou lá por dentro. Quando eu verificar que tudo está perdido, que Itaoca não vale mais nada de nada de nada, então arrumo a trouxa e boto-me fora daqui. Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado, ele! Ele que não era nada, nunca fora nada, não queria ser nada, não se julgava capaz de nada... 1. O pronome possessivo pode assumir múltiplos valores semânticos, distanciados do sentido originário. Em Nosso homem..., o pronome revela, por parte do produtor do texto, a) elogio. b) crítica. c) interesse. d) modéstia. e) amargor. INIMIGO OCULTO dizem que em algum ponto do cosmos (Le silence éter nel de ces espaces infinis m effraie)* um pedaço negro de rocha do tamanho de uma cidade - voa em nossa direção perdido em meio a muitos milhares de asteroides impelido pelas curvaturas do espaço-tempo extraviado entre órbitas e campos magnéticos

em nossa direção voa e quaisquer que sejam os desvios e extravios de seu curso deles resultará matematicamente a inevitável colisão não se sabe se quarta-feira próxima ou no ano quatro bilhões e cinquenta e dois da era cristã *(O silêncio eterno desses espaços infinitos me assusta) Ferreira Gullar 2. Identifique a opção que apresenta a explicação adequada para o efeito de sentido resultante do uso linguístico especificado. a) Nos versos um pedaço negro de rocha / voa em nossa direção (versos 4-6), o uso do pronome possessivo nossa rompe o vínculo entre o eu lírico e os leitores. b) Em dizem que (verso 1), a expressão do sujeito gramatical, na terceira pessoa do plural, sem antecedente textual claro, evidencia que o eu lírico se vale de uma outra voz para expressar o fato. c) Nos versos e quaisquer que sejam os desvios / e extravios / de seu curso (versos 14-16), o pronome possessivo seu se reporta ao verso em algum ponto do cosmos. (verso 2) d) A combinação da preposição de com o pronome eles, empregado como pronome possessivo em deles resultará (verso 17), encaminha textualmente as consequências das curvaturas do espaço-tempo. (versos 8-9) 3. Alguns estudos sobre fenômenos de mudança no brasileiro mostram que a forma a gente originou-se de um substantivo, gente, que, ao assumir, em certos contextos discursivos, determinados valores, passou a fazer parte de outra classe, a dos pronomes. Trata-se, pois, de um caso de gramaticalização, que, grosso modo, ocorre quando um item lexical se torna um item gramatical, ou quando itens gramaticais se tornam ainda mais gramaticais. Um desses estudos indica que, ao longo do tempo, o substantivo gente foi perdendo a especificação de número e de certas propriedades sintáticas e ganhando traços de pronome. Considere dois grupos de exemplos relativos aos traços de número e ao arranjo sintático. Grupo A 1a. Quem viu o mundo como eu vi viu as gentes como eram. 2a. E sua gente foi com ele. 3a. Esta gente anda não se sabe para onde. 4a. Todas as gentes da aldeia ficaram arrasadas.

Grupo B 1b. E hoje a gente mora junto, por assim dizer. 2b. A gente pegou a estrada. 3b. A gente vai mudar as nossas coisas para outro lugar. 4b. O que a gente comia muito lá é sanduíche e sopa. Considerando o texto e os grupos de exemplos apresentados, assinale a opção correta. a) Quanto à flexão de número, os exemplos do grupo A não apresentam, com nitidez, a distinção pertinente a esse traço. b) Quanto à flexão de número, os dados do grupo B não trazem casos de gente flexionados. c) Quanto ao arranjo sintático, nos exemplos do grupo A, a expressão gente ocorre sem modificadores, característica dos pronomes. d) Quanto ao arranjo sintático, nos exemplos do grupo B, a gente ocorre com diferentes modificadores, o que indica seu cárater de substantivo comum. e) De acordo com as informações do texto, a ordem diacrônica do português deve ser evolução da gramática do grupo B para a do grupo A. 4. Já na segurança da calçada, e passando por um trecho em obras que atravanca nossos passos, lanço à queima-roupa: Você conhece alguma cidade mais feia do que São Paulo? Agora você me pegou, retruca, rindo. Hã, deixa eu ver... Lembro-me de La Paz, a capital da Bolívia, que me pareceu bem feia. Dizem que Bogotá é muito feiosa também, mas não a conheço. Bem, São Paulo, no geral, é feia, mas as pessoas têm uma disposição para o trabalho aqui, uma vibração empreendedora, que dá uma feição muito particular à cidade. Acordar cedo em São Paulo e ver as pessoas saindo para trabalhar é algo que me toca. Acho emocionante ver a garra dessa gente. R. Moraes e R. Linsker. Estrangeiros em casa: uma caminhada pela selva urbana de São Paulo. National Geographic Brasil. Adaptado. Ao reproduzir um diálogo, o texto incorpora marcas de oralidade, tanto de ordem léxica, caso da palavra garra, quanto de ordem gramatical, como, por exemplo, a) lanço à queima-roupa. b) Agora você me pegou. c) deixa eu ver. d) Bogotá é muito feiosa. e) é algo que me toca. 5. MUTANTE 1.Quando eu me sinto um pouco rejeitada Me dá um nó na garganta Choro até secar a alma de toda mágoa

Depois eu passo pra outra 2.Como um mutante No fundo sempre sozinha Seguindo o meu caminho Ai de mim que sou romântica! (Rita Lee e Roberto de Carvalho. http://www.vagalume.com.br/rita-lee/mutante.hlml Acesso em: 25.09.2011. Adaptado.) A oralidade expressa no texto pode ser exemplificada pelo emprego a) da expressão um pouco, que modifica o advérbio quando" no 1 verso da 1ª estrofe. b) do pronome oblíquo Me antecedendo o verbo dá no 2 verso da 1ª estrofe. c) da preposição até, que indica o limite da ação de chorar no 3 verso da 1ª estrofe. d) da conjunção comparativa como, que exprime uma hipérbole no 1º verso da 2ª estrofe. e) do verbo no gerúndio Seguindo. que denuncia alto grau de informalidade no 3 verso da 2ª estrofe. 6. Observe o texto abaixo e responda ao que se pede:

Em relação à linguagem que foi utilizada no texto, assinale a alternativa correta. a) A referência ao sexo masculino, feita pelo uso do pronome eles sugere a ideia de que, em sua maioria, são os homens que cometem este tipo de crime. b) A interdisciplinaridade presente na campanha se dá por meio de um recurso não-verbal. c) O passaporte mencionado no texto faz referência às turistas que, ao viajarem internacionalmente, tornam-se presas fáceis para os que cometem este crime. d) Infere-se do texto que, no Brasil, este tipo de crime não ocorre com tanta frequência. e) A construção gráfica do alerta para população acerca do assunto mostra que o meio visual é o melhor para convencer o público.

Gabarito 1. C 2. B 3. B 4. C 5. B 6. B