PRODUÇÃO DE MAIONESE TRADICIONAL



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Transcrição:

1 PRODUÇÃO DE MAIONESE TRADICIONAL INTRODUÇÃO A maionese tem uma textura agradável, macia, um sabor neutro, que se comporta bem com muitos ingredientes para temperos. É um molho emulsificante fino feito de gemas de ovos, água e óleo misturados e temperado com vinagre, sal, pimenta e mostarda. Alguns pesquisadores atribuem o nome ao Duque de Richeliceu ; o duque ou o seu chefe cozinheiro, criaram o molho em 1756 e o nomearam de MAHONNAISE. Outros acreditam que o molho de BAYONNAISE e que foi modificado para MAYONNAISE. De acordo com os padrões de identidade estabelecidos pelo U.S. Food and Drug Administration (FDA), a maionese deve conter no mínimo 65% de óleo vegetal e apenas gema de ovo como ingrediente emulsificante. Semelhantemente no Brasil, o produto deve conter no mínimo 65% de óleo vegetal e três gemas de ovo por quilo do produto industrializado (ou não menos de 30% de ovos inteiros ou gemas de ovos desidratados). Muitos tipos de óleos vegetais podem ser utilizados para a preparação da maionese como, óleo de soja, óleo de algodão, óleo de milho e óleo de girassol. O mais comumente utilizado no Brasil é o óleo de soja. QUALIDADE DA MATÉRIA PRIMA PARA MAIONESE Os componentes principais que compõe a fabricação da maionese devem atender a um critério de qualidade para não comprometer a estabilidade da mesma, nem física e nem química, como também microbiologicamente. Os principais componentes da formulação que irá formar a emulsão e a maionese propriamente dita são: óleo vegetal, ovos e amido. Óleo de soja refinado Dentre os óleos vegetais, o óleo de soja é o mais utilizado para a produção de maionese. A utilização de outros óleos vegetais mais estáveis como o de milho e de algodão, é possível de ser utilizado desde que os mesmos não cristalizem em baixas temperaturas. No caso de óleos de soja utilizado na fabricação de maionese, as impurezas cuja concentração afeta a qualidade do produto final, podem ser agrupadas em duas variáveis: as que afetam aroma/sabor/cor do óleo de soja; e que pode afetar a estabilidade física da emulsão na maionese. As substâncias presentes no óleo de soja que pode afetar a emulsão no processo de fabricação da maionese são os fosfolipídeos e a estearina, são substâncias que cristalizam à temperatura perto de zero grau (entre 4 e 5ºC). Gema de Ovos A qualidade da maionese é influenciada pela quantidade de gema de ovo na formulação, e se os ovos são resfriados, congelados ou desidratado. A maionese preparada com ovos inteiros é mais rala, porque a clara tem poder estabilizante menor que a gema. Quanto

maior a quantidade de gema maior a estabilidade e a viscosidade da maionese. Os ovos congelados fornecem uma maionese mais uniforme, com melhor consistência, mas é necessária uma maior quantidade de ovos para se obter uma boa viscosidade no produto final. Os ovos desidratados têm uma boa capacidade de emulsificação, e tem a vantagem de um tempo de vida maior menor risco de contaminação e, por isso é mais utilizado pela maior parte das indústrias na produção de maionese. Amido modificado Cada amido é único em termos de organização dos grânulos e estrutura de seus constituintes poliméricos e, generalizações para amido de diferentes fontes devem ser limitadas. Os amidos mais usados em maionese são os originados de milho. Como a produção da maionese necessita da utilização do amido para manter a emulsão estável e obter uma textura no produto final firme, o amido utilizado é o amido modificado de milho. Cada amido modificado adquiriu diversas propriedades para usos específicos na indústria. Especificamente para a produção de maionese que é produzida a frio, o amido modificado a ser utilizado é o amido pré-gelatinizado; caso a maionese seja produzida a quente, isto é, a massa do gel de amido é cozida e resfriada, o amido modificado não tem a necessidade de ser pré-gelatinizado. 2 FUNÇÕES DOS INGREDIENTES NA MAIONESE Os ingredientes principais da composição da maionese são de suma importância para a obtenção de uma boa emulsão e boa consistência no produto final. ÓLEO DE SOJA REFINADO Como a maionese é uma emulsão óleo e água (figura 1), as gotículas de óleo estão dispersas em uma fase aquosa. A rigidez da emulsão depende parcialmente do tamanho das gotículas de óleo e da proximidade com que estão agrupadas. Quanto mais óleo estiver disperso na emulsão, mais rígida (maior consistência) a maionese será. Mas se sobrecarregar o sistema com óleo, ou seja, acima de 80% as gotículas formadas estarão muito próximas e qualquer choque mecânico facilmente provocará a degradação da emulsão e o produto, se apresentará mais fluído do que cremoso. Figura 1: Emulsão tipo água-óleo ampliada ao microscópio

3 GEMA DE OVO A gema de ovo é o principal composto emulsificante da formulação da maionese. A quantidade e o tipo de sólidos da gema de ovo têm efeito pronunciado sobre a viscosidade e a força da emulsão. As lecitoproteínas, os fosfolipídeos e o colesterol da gema de ovo, é que exercem a função de aproximar e manter estável as gotículas de óleo e as gotículas de água junta, que também terá adicionado o ácido acético (do vinagre), ácido cítrico (do suco de limão) o sal e o açúcar. As gemas de ovos desidratados têm uma boa capacidade de emulsificação, mas fornecem uma emulsão menos estável que as gemas de ovos congeladas. MOSTARDA A mostarda em pó tem propriedade emulsificante assim como o óleo dela extraído, ela é usada mais pelas suas propriedades organolépticas (sabor picante) do que pelo seu poder emulsificante. A mostarda em pó, contribui para a cor e o óleo essencial de mostarda não ajuda na melhoria da cor. O óleo essencial de mostarda retém sua pungência e sabor por um tempo maior, do que a mostarda em pó. ÁCIDOS O vinagre de álcool é o mais utilizado para acidificar a maionese e preservá-la contra contaminação microbiana. Mas também pode ser utilizado ácido cítrico e ácido lático. Normalmente se faz a adição do vinagre e do ácido lático, para manter o ph baixo (entre 3,3 a 3,8) e para não carregar o sabor de acidez ocasionado pelo vinagre. SAL E AÇÚCAR O sal e o açúcar são adicionados em níveis baixos. O sabor salgado ou doce, entretanto, é função de sua concentração na fase aquosa da emulsão. Uma vez que a maionese contém uma quantidade maior de óleo, o sal e o açúcar estão dissolvidos em menos água e, portanto, relativamente concentrados. PROCESSO DE FABRICAÇÃO DA MAIONESE A maionese é uma emulsão cremosa obtida com óleo e água sob agitação mecânica intensa. A maionese tem uma cor amarelo pálido que deriva das gemas de ovos e não do óleo de soja, apesar da clorofila de alguns óleos poderem ter uma coloração levemente esverdeada. A emulsão da maionese, é constituída por dois líquidos que não se misturam e que após adição de emulsificante e forte agitação, obtém-se uma dispersão do tipo água-óleo. A consistência apresentada pela emulsão depende dos ingredientes utilizados na formulação, bem como o tipo de equipamento e modo de operação durante o processamento da maionese. A maionese é um produto semi-perecível, estável para ser mantida por um considerável tempo de refrigeração. Nela podemos encontrar alguns tipos de alterações como que a separação das fases da emulsão, é acelerada pelos seguintes fatores: choque mecânico, exposição a temperaturas muito baixa (próximo do zero grau), congelamento. A emulsão é um sistema heterogênico que consiste em um líquido imiscível, completamente difuso em outro na forma de gotículas com diâmetro superior a 0,1 micron. A formação de uma emulsão, portanto, requer energia para manter as gotículas

dispersadas na fase contínua. Deduz-se, no entanto, que isso é termodinamicamente desfavorável e, por esse motivo, tal processo mostra estabilidade mínima que pode ser aumentada pela adição de agentes ativos de superfície. 4 (1)- Entrada da mistura (óleo, água, amido e condimentos); (2)- Saída da Maionese pronta; (3)- Emulsificador (moinho coloidal); (4)- Saída da sobra de limpeza; (5)-Agitador; (6)- Defletor de quebra do vortice; (7)- Bomba de vácuo; (8)- Vapor de aquecimento (quando for processo térmico); (9)- Higienização CIP. FIGURA 2: Equipamento Emulsificador para produção de Maionese FABRICAÇÃO E FORMAÇÃO DA MAIONESE -Processo a frio com amido modificado pré-gelatinizado Para a fabricação da maionese, é utilizado um equipamento dotado de mexedor à vácuo (quando se trata de produção de maionese a frio com amido pré-gelatinizado), para prevenir a incorporação de oxigênio atmosférico no processo de homogeneização da mistura dos ingredientes com o óleo e a água. Um moinho tipo coloidal que é o que forma a emulsão propriamente dita. A seqüência e os tempos médios de processo das fases de adição e mistura dos ingredientes, deve ser seguida rigorosamente para se obter uma maionese com boa textura e sabor agradável.

Após completar o processo de emulsão, envia-se a maionese pronta para o tanque pulmão para o envase nas embalagens. A figura-3 mostra o fluxograma do processo de maionese pelo processo de amido modificado pré-gelatinizado. 5 Figura 3: Fluxograma do Processo de Produção a frio de Maionese com Amido Pré-Gel -Processo a quente com amido modificado normal A maionese produzida com amido modificado normal pelo processo a quente, segue o mesmo procedimento básico de fabricação da maionese com amido modificado prégelatinizado. A diferença está no preparo da massa gelatinizada do amido que é preparada em separado em trocadores. Preparação do Gel de Amido a Quente O amido modificado o sal e o açúcar, são enviados aos tanques para uma pré-mistura inicial onde é adicionado água. Após a pré-mistura, a massa de amido é enviada a um moinho coloidal com o objetivo de homogeneizar a dispersão colidal da massa de amido (está homogeneização é importante, pois evitará a formação de grumos na massa). Em seguida a massa é enviada a um trocador de calor para o cozimento do amido. Neste trocador a temperatura varia de 75 a 85 C, dependendo da resistência do amido utilizado. O tempo de cozimento, também vai depender da resistência do amido e a eficiência do trocador de calor. Após o tempo de cozimento da massa de amido, isto é, da gelatinização da massa, a mesma é enviada a outro trocador de calor com a função de resfriar até uma temperatura de 22 a 28 C, e enviada para o processamento da maionese. A figura 4 mostra um fluxograma do processo produtivo com amido modificado normal com a preparação da massa de amido a quente.

6 Figura 4: Fluxograma do Processo a quente de Maionese com Amido Modificado Normal ALTERAÇÕES POSSÍVEIS COM A MAIONESE Alterações físicas e químicas A maiosene é um produto semi-perecível e podem sofrer alterações durante o shelflife através da oxidação dos ácidos graxos e lipídios do ovo. Sabe-se que o óleo em especial o óleo de soja refinado, utilizado para a produção de maionese apresenta alto teor de ácidos graxos insaturados, e uma vez que o processo de obtenção da maionese é feito por meio de batimento, há incorporação de oxigênio atmosférico apesar de que este processo seja feito sob vácuo no emulsificador. Conseqüentemente, os ácidos graxos com alta susceptibilidade à oxidação, iniciam um processo de rancificação do produto através da formação de hidroperóxido. Durante as fases de estocagem distribuição e comercialização, haverá uma degradação da qualidade devido à incorporação de mais oxigênio atmosférico, que permeia através da embalagem, bem como ação da luz, do calor e de metais como o cobre, níquel e ferro. A formação de hidroperóxidos, ocorre independentemente do modo como se processa a reação entre o oxigênio e outros compostos causadores de alterações organoléptica no produto. Mesmo em baixas concentrações, tem-se a ocorrência de sabor e aroma de óleo rançoso. Assim, a rancidez oxidativa pode ser considerada como a alteração química mais crítica na produção de maionese. A oxidação pode ser definida como o processo no qual o oxigênio é adicionado ou o hidrogênio, ou os elétrons são removidos. O componente que é reduzido e ganha

elétrons é o oxidante. Na maionese, o oxidante mais comum é o oxigênio, embora outras substâncias químicas adicionadas possam também servir como oxidante. Como a maionese é um produto que também contem muita água em sua composição ( aw = 0,93 a 0,95), a mesma está sujeita a rancidez hidrolítica. Durante o armazenamento, a fração lipídica presente é lentamente hidrolizada pela água à temperatura levada, ou por enzimas lipídicas naturais, ou produzidas por bactérias e fungos contaminantes, contribuindo para a rancificação hidrolitica da maionese. Alterações microbiológicas O crescimento microbiológico pode acontecer em uma maionese. A introdução de microrganismos pode ocorrer através dos ingredientes. O produto é estável à deterioração microbiana, podendo atribuir está estabilidade ao sal (na fase aquosa), e ao baixo ph decorrente do ácido acético (vinagre) e a acidificação por ácido lático, o que torna difícil a sobrevivência de bactérias. Os microrganismos envolvidos na maionese correspondem àqueles que são capazes de crescer em ph baixo, alto teor de sal e/ou altas concentrações de açúcar. Os microrganismos predominantes pertencem aos seguintes gêneros: Lactobacillus, Betabacterim, Debaromyces, Picchia, Rhodotorula, Zygosaccharomyces e Bacillus. 7 FORMULAÇÃO BÁSICA DE MAIONESE COM 50% DE ÓLEO Cada indústria tem a sua própria formulação ajustada conforme as condições de processamento de cada uma. Segue uma formulação básica para maionese com amido modificado pré-gelatinizado preparado a frio, e amido modificado comum preparado a quente. INGREDIENTES AMIDO MODIFICADO PRÉ-GELATINIZADO (PROCESSO À FRIO) AMIDO MODIFICADO NORMAL (PROCESSO À QUENTE) Óleo de Soja 50% 50% Gema de Ovo Desidratada 3,5% 3,5% Vinagre 10% 3,0% 3,0% Sal 1,0% 1,5% Açúcar 1,5% 1,5% Amido Modificado 3,5% 2,0% Suco de Limão 0,7% 0,7% Água 37,0% 35,0% AG.Bragante - 2009