CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
É com grande satisfação que apresento a você este curso de QUÍMICA, projetado especialmente para atender às necessidades daquele que se prepara para este concurso de do MAPA, para o cargo de AUXILIAR DE LABORATÓRIO. São 70 vagas e uma multidão buscando a aprovação. Afinal, o salário INICIAL é de mais de R$ 3.700,00, para nível fundamental. Um salário que se consegue em raros lugares e, ainda, ser funcionário público. Por isto, sua preparação com afinco e dedicação pode ser seu diferencial. E aqui estou, junto a você, nesta batalha. Eu e o pessoal da NOVA procuraremos a sua melhor preparação. Permitam-me fazer uma breve apresentação de minha trajetória acadêmica e profissional: -graduado pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas pela USP-RP, em 1990; - Mestre em síntese de complexos bioinorgânicos de Rutênio, com liberação de óxido nítrico, pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas USP-RP; - Doutor em farmacotécnica, estudando o efeito de promotores de absorção cutânea visando a terapia fotodinâmica para o câncer de pele, Faculdade de Ciências Farmacêuticas pela USP-RP; - Especialista em espectrometria de massas, pela Faculdade de Química, USP-RP; - professor de Química em ensino Médio e pré-vestibulares (Anglo, Objetivo, COC) desde 1992. - professor de Química (Orgânica, Geral, Analítica, Físico-Química e Inorgânica) em cursos de graduação;- Professor de Química Farmacêutica, em curso de gradução em Farmácia;- Professor de Pós-Graduação em Biotecnologia (controle de produtos e processos biotecnológicos); - Analista Químico em indústria farmacêutica, AKZO do Brasil, em São Paulo-SP. - Consultor de pesquisa entre empresa-universidade, em Ribeirão Preto, onde resido atualmente. Este material foi projetado de acordo com a sequencia e numeração constantes no Edital, para sua maior segurança e organização. Lembre-se que como concursando muitas vezes você se sente sozinho, desacreditado e sem muita confiança. Mas saiba que o trabalho do estudo é duro, solitário, cansativo e requer muita vontade. Mas, quando vier sua aprovação, sua vitória você verá que o seu sucesso pertence a todos (inclusive àqueles que nunca te apoiaram... mas assim é a vida). Força e pense sempre em você, nos seus familiares, naqueles por quem você tem amor. Desejo um excelente estudo e ótimos resultados nesta jornada. Muito boa sorte, dedicação e boa prova!!!! Olá. QUÍMICA GERAL E INORGÂNICA: LIGAÇÕES QUÍMICAS. LIGAÇÕES QUÍMICAS Verifica-se, na natureza, que a maioria dos elementos químicos encontram-se ligados a outros, e que somente alguns (os gases nobres) estão isolados. Isso levou os cientistas a concluírem que os átomos de gases nobres possuem uma configuração eletrônica que lhes assegura estabilidade. Os gases nobres apresentam 8 elétrons na última camada eletrônica, com exceção do hélio, que possui 2 elétrons, já que a camada K comporta no máximo 2 elétrons. Essa análise levou os cientistas Lewis e Kossel a criarem a chamada Teoria ou Regra do Octeto. As propriedades das substancias quimicas decorre fundamentalmente do tipo de ligações entre seus átomos. Em função do conhecimento do tipo de ligação, os compostos terão propriedades semelhantes. Ou seja: se você sabe que um composto é iônico, mesmo sem conhecê-lo você poderá atribuir propriedades a ele, pois estas são propriedades comuns a todos os compostos que fazem tal tipo de ligação quimica. Por exemplo: todos os compostos iônicos são sólidos à temperatura ambiente, apresentam alto ponto de fusão e alto ponto de ebulição. 1
Os tipos de ligações quimicas também influenciam diretamente as interações entre as moléculas. E isto se refletirá em suas forças intermoleculares, o que nos permite inferir se uma substância será sólida, líquida ou gasosa em uma dada situação; se ela terá baixos ou altos pontos de fusão e ebulição; se será volátil ou não, etc. Por isto, considero de suma importância se entender o assunto ligações químicas. Modelos de ligações químicas e interações intermoleculares. Substâncias iônicas, moleculares, covalentes e metálicas. Ligação Iônica (ou Eletrovalente) Como o próprio nome já diz, a ligação iônica ocorre com a formação de íons Ocorre com transferência de elétrons do metal para o ametal, formando cátions (íons positivos) e ânions (íons negativos), respectivamente. Ocorre entre metais e não metais e entre metais e Hidrogênio. A forte força de atração entre os íons dos átomos que formam o composto é de origem eletrostática. Sempre um dos átomos perde elétrons, enquanto o outro recebe. O átomo mais eletronegativo arranca os elétrons do de menor eletronegatividade. Exemplos 1 o ) A ligação entre o sódio ( 11 Na) e o cloro ( 17 Cl) é um exemplo característico de ligação iônica. Observe a distribuição dos elétrons em camadas para os dois elementos: Na 2-8 - 1 Cl 2-8 - 7 Para o cloro interessa adicionar um elétron à sua última camada, completando a quantidade de oito elétrons nela. Ao sódio interessa perder o elétron de sua camada M, assim a anterior passará a ser a última, já possuindo a quantidade necessária de elétrons. Antes da ligação: átomos instáveis 2
Após a ligação: íons estáveis Na representação da ligação, utilizamos somente os elétrons da última camada de cada átomo. Esta notação recebe o nome de Fórmula Eletrônica de Lewis. Observe que o sódio possuía inicialmente 11 prótons e 11 elétrons. Após a ligação, a quantidade de prótons não se altera e a de elétrons passa a ser 10. O cloro que inicialmente possuía 17 prótons e 17 elétrons tem sua quantidade de elétrons aumentada de uma unidade após a ligação. Com isso o sódio se torna um íon de carga 1+ e o cloro 1-. A força que mantém os dois átomos unidos é de atração elétrica, ou seja, uma ligação muito forte. Como foram utilizados um átomo de cada tipo, a fórmula do composto será NaCl. Estudo da Ligação Covalente Como foi definida por Lewis, a ligação covalente consiste no compartilhamento de um par de elétrons entre dois átomos vizinhos. É importante chamar sua atenção para o fato de que toda ligação covalente tem um caráter eletrostático pronunciado: os elétrons compartilhados sentem simultaneamente a atração eletrostática dos dois núcleos (Figura abaixo). Esta hipótese sugere que a formação e a estabilidade das ligações covalentes podem, de maneira superficial, ser explicadas por um modelo eletrostático simples. Figura: Visão simplificada das interações eletrostáticas entre os átomos de hidrogênio na molécula de H 2. Considere: linha simples: atração elétron-núcleo; linha tracejada: repulsão elétron-elétron e núcleo-núcleo. A ligação covalente tem importância única na Química e é, sem duvida, o tipo predominante de união entre átomos, já que está presente em muitas moléculas, sejam elas orgânicas ou inorgânicas (é comum um composto de natureza iônica apresentar também ligações covalentes). O caráter iônico prevalece nestes compostos. Exemplo: KNO 3. Entender a natureza da ligação covalente dará a você oportunidade de interpretar e compreender em tamanho microscópico os fenômenos que envolvem reações químicas entre moléculas. Nesses casos, as ligações covalentes é que estão sendo quebradas e/ou formadas produzindo novas substâncias, ou seja, transformando a matéria. Quais elétrons estão envolvidos na formação de uma ligação química? Lewis procurou responder a esta pergunta evocando o modelo atômico de Bohr (1913). Os elétrons envolvidos numa ligação química são os elétrons da camada de valência, ou seja: os mais externos. Portanto, a ligação covalente ocorre quando os átomos ligados possuem tendência de ganhar elétrons. Não há transferência de elétrons de um átomo para outro, e sim um compartilhamento de elétrons entre eles. A ligação covalente ocorre entre: hidrogênio hidrogênio hidrogênio não-metal não-metal não-metal Obs.: Os semimetais também podem ser incluídos. 3
Ligação Covalente Normal Ocorre entre dois átomos que compartilham pares de elétrons. Os átomos participantes da ligação devem contribuir com um elétron cada, para a formação de cada par eletrônico. Assim, na molécula de hidrogênio (H 2 ), cuja distribuição eletrônica é: 1 H = 1s 1 falta um elétron para cada átomo de hidrogênio para ficar com a camada K completa (dois elétrons). Os dois átomos de hidrogênio se unem formando um par eletrônico comum a eles (compartilhamento). Desta forma, cada átomo de hidrogênio adquire a estrutura eletrônica do gás nobre Hélio (He). Veja abaixo: Quando o par compartilhado é representado por um traço ( ), temos a chamada fórmula estrutural. H H (fórmula estrutural) H2 (fórmula molecular) fórmula eletrônica ou de Lewis Exemplo 2: formação do Cl2 (fórmula molecular do gás cloro) tendência: ganhar 1e Resumindo temos: 4
Exemplo 3: HCl (fórmula molecular do cloreto de hidrogênio) ganhar 1e CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS / Auxiliar de laboratório ganhar 1e Quando encontramos um único par de elétrons compartilhado entre dois átomos, a ligação é denominada de ligação covalente simples. Para dois pares de elétrons compartilhados entre dois átomos, a ligação é denominada de ligação covalente dupla. Finalmente, para três pares de elétrons compartilhados entre dois elementos, a ligação é denominada de tripla. Vale lembrar que esta denominação não depende de os átomos serem do mesmo ou de diferentes elementos químicos. Ligação Covalente Dativa ou Coordenada Na ligação covalente normal, o par de elétrons compartilhado é proveniente um de cada átomo. Ou seja: cada átomo participa com um elétron para a formação do par. Mas, para explicar certas estruturas das substâncias, foi necessário admitir a formação de pares de elétrons provenientes de um só átomo; assim, temos a chamada ligação covalente dativa ou ligação coordenada. Exemplo: Formação do dióxido de enxofre 5
Ligação Metálica É a força que mantém unidos os átomos e cátions dos metais. Teoria do mar de elétrons ou teoria da nuvem eletrônica CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS / Auxiliar de laboratório A principal característica dos metais é a eletropositividade (tendência de doar elétrons), assim os elétrons da camada de valência saem facilmente do átomo e ficam passeando pelo metal, o átomo que perde elétrons se transforma num cátion, que, em seguida, pode recapturar esses elétrons, voltando a ser átomo neutro. O metal seria um aglomerado de átomos neutros e cátions, imersos num mar de elétrons livres que estaria funcionando como ligação metálica, mantendo unidos os átomos e cátions de metais. Os metais exibem uma série de propriedades em comum: todos são sólidos nas condições ambientes (exceto Hg), têm brilho metálico, maleabilidade (possibilidade de se moldar em chapas), ductilidade (capacidade de formar fios), boa condutividade térmica e elétrica. Para haver condutividade elétrica, é necessário o movimento de elétrons através do meio. A boa condutividade dos metais sugere que existam elétrons semilivres, fracamente ligados, nas estruturas metálicas, que possam ser forçados a se mover ao longo de todo retículo. Como na estrutura metálica, segundo o modelo do gás de elétrons, todos os íons compartilham elétrons, a repulsão entre os cátions é compensada pela atração eletrostática entre os elétrons livres e os íons positivos. Os elétrons livres funcionam como uma cola eletrostática, ligando os cátions metálicos. Modelo do gás de elétrons. Os elétrons de valência não estão ligados aos átomos, mas deslocalizados por todo o cristal, movendo- -se livremente em todas as direções e sendo compartilhados por todos os cátions com igual probabilidade. No caso dos metais maleáveis (facilmente deformáveis), como sódio, chumbo, mercúrio e outros, os elétrons livres podem se ajustar rapidamente às mudanças na estrutura metálica provocadas por perturbações externas. QUESTÕES PROPOSTAS Questão 01) Sabe-se que a interação entre átomos que se ligam, na formação de novas substâncias, é feita através de seus elétrons mais externos. Uma combinação possível entre o elemento A com a configuração eletrônica 1s 2 2s 2 2p 6 3s 2 3p 6 4s 2 e outro B (Z = 17) terá fórmula e ligação, respectivamente: a) AB e ligação iônica. b) A 2 B e ligação iônica. c) A2B3 e ligação covalente. d) AB2 e ligação iônica. e) A2B e ligação covalente. RESOLUÇÃO: A 2 elétrons na camada de valência Tendência a doar 2 e A2+ B 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5 7 elétrons na camada de valência Tendência a receber 1 e B1 6
Ligação é iônica pois ocorre com transferência de elétrons. Resposta: D Questão 02) Os elementos H, O, Cl e Na (ver Tabela Periódica) podem formar compostos entre si. a) Que compostos podem-se formar entre: H e O, H e Cl, Na e Cl? b) Qual o tipo de ligação formada em cada caso? Gab: a) H 2 O, H 2 O 2, HCl, NaCl. b) H 2 O, covalente; H 2 O 2, covalente; HCl, covalente; NaCl, iônica. Questão 03) Cite tês características físicas que permitem identificar um elemento metálico. Gab: Condutividade elétrica, condutividade térmica, brilho, maleabilidade, ductibilidade, tenacidade (resistência a tração). Questão 04) Considere o elemento cloro formando compostos com, respectivamente, Hidrogênio, carbono, sódio e cálcio. a) Com quais desses elementos o cloro forma compostos covalentes? b) Qual a fórmula de um dos compostos covalentes formados? Gab: a) com o Hidrogênio e o carbono b) H Cl Questão 05) Os elementos químicos que apresentam a última camada eletrônica incompleta podem alcançar uma estrutura mais estável unindo-se uns aos outros. a) De que forma se podem ligar dois átomos que precisem ganhar elétrons? b) Dois elementos situam-se: um no segundo período e subgrupo 4A; e o outro, no terceiro período e subgrupo 7A da Tabela Periódica. Qual será a fórmula provável do composto por eles formado? Gab: a) por ligação covalente b) CCl 4 Questão 06) Observe o esboço da tabela periódica: D A C B a) Qual a fórmula molecular da substância resultante da ligação de A com C? b) Identifique o tipo de ligação química presente na molécula do composto formado por D e B. Justifique sua resposta. Gab: a) Al 2 O 3 b) Iônica, visto que a diferença de eletronegatividade entre os elementos indicados é maior que 1,7. Questão 07) Considerando os elementos sódio, magnésio, enxofre e cloro, escreva as fórmulas dos compostos iônicos que podem ser formados entre eles. 7
Gab: Na 2 S; NaCl; MgS; MgCl 2 Questão 08) Explicar por que o íon sódio (Na + ) é mais estável que o átomo de sódio (Na o )? Gab: ao se transformar em íon, o átomo de sódio adquire configuração eletrônica de um gás nobre. Questão 09) Analise as afirmativas abaixo e indique se as mesmas são falsas ou verdadeiras, justificando cada caso. a) Sólidos iônicos são bons condutores de eletricidade. b) Compostos apolares são solúveis em água. Gab: a) Falsa. Os compostos orgânicos são bons condutores de eletricidade quando fundidos. b) Falsa. Compostos apolares são insolúveis em água, pois esta é um solvente polar. ÁCIDOS E BASES. Ácidos Introdução Desde os tempos dos alquimistas, observou-se que certas substâncias apresentavam comportamentos peculiares quando dissolvidos na água. Entre tais propriedades destacavam-se: - o sabor azedo facilmente identificado em frutas cítricas, como limão, laranja e maçã (a palavra ácido é proveniente do latim acidus - azedo, picante); - formar soluções aquosas condutoras de eletricidade; - provocar efervescência, quando em contato com o calcário; - produzir mudança de cor nos indicadores ácido-base. Essas substâncias foram denominadas ácidos. Os ácidos estão presentes em nosso dia-a-dia, como por exemplo: a laranja, o limão e as demais frutas cítricas contém ácido cítrico, a bateria de um automóvel contém ácido sulfúrico, o vinagre contém ácido acético, o ácido clorídrico é constituinte do suco gástrico no estômago, o ácido nítrico é utilizado para produzir explosivos como o TNT (dinamite). De um modo geral os ácidos são tóxicos e corrosivos, portanto, deve-se evitar o contato com a pele, ingerí-los ou inalá-los. O estudo da função ácido é a parte mais complexa das funções inorgânicas, mas de extrema importância que voce domine os principais tópicos como: formulação e Nomenclatura. As demais funções são bem mais simples, se comparadas a acidos. Definição Segundo Arrhenius Ácido é todo composto molecular que, em solução aquosa, se ioniza, produzindo exclusivamente como cátion o H 3 O + (hidroxônio). HCl + H 2 O H 3 O + + Cl HCN + H 2 O H 3 O + + CN Simplificadamente, o cátion Hidroxônio (H 3 O + ) pode ser representado por H + e a presença da água está representada pelo (aq) ao lado direito da fórmula do composto (ou mesmo nem aparecer, subentendendo-se a presença de meio aquoso, por definição): HCl (aq) H + + Cl HCN H + + CN Resumindo: 8
Classificação dos Ácidos Quanto à natureza do ácido Orgânicos - são compostos que contêm em sua estrutura o grupamento carboxila, composto por um átomo de carbono ligado a um átomo de oxigênio por ligação dupla ( C= O) e a um grupo hidroxila (-OH), por ligação simples: carboxila O grupo carboxila também pode ser representado apenas por: -COOH O hidrogênio ligado ao átomo de oxigênio do grupo carboxila é considerado o hidrogênio ionizável do ácido, desta forma na sua ionização, teremos: R-COOH H + + R-COO - Entre os milhares de ácidos orgânicos conhecidos, alguns são de enorme importância para o homem, como por exemplo: HCOOH é o ácido fórmico (fórmico pois foi descoberto nas formigas, mas sintético atualmente) CH 3 COOH = ácido acético (presente no vinagre, acetum azedo) Inorgânicos ou minerais - são de origem mineral e dividem-se em hidrácidos e oxiácidos. Ex.: HCl, HF, HCN, H 2 SO 4, H 3 PO 4, etc Quanto à presença de oxigênio na molécula Hidrácidos não possuem oxigênio em suas moléculas Exemplos: HCl, HCN, HF, HI, HBr, H 2 S, etc. Oxiácidos possuem oxigênio em suas moléculas Exemplos: HNO 3, HClO 3, H 2 SO 4, H 3 PO 4, etc. Quanto ao número de hidrogênios ionizáveis Monoácidos (ou monopróticos) apresentam um hidrogênio ionizável. Exemplos: HCl, HBr, HNO 3, H 3 PO 2 (exceção). Diácidos (ou dipróticos) apresentam dois hidrogênios ionizáveis. Exemplos: H 2 S, H 2 SO 4, H 3 PO 3 (exceção). Triácidos apresentam três hidrogênios ionizáveis. Exemplos: H 3 PO 4, H 3 BO 3. Tetrácidos apresentam quatro hidrogênios ionizáveis. Exemplos: H 4 SiO 4, H 4 P 2 O 7. Quanto ao número de elementos químicos Binário: dois elementos químicos diferentes. Exemplos: HCl, H 2 S, HBr. Ternário três elementos químicos diferentes. Exemplos: HCN, HNO 3, H 2 SO 4 Quaternário quatro elementos químicos diferentes.exemplos: HCNO, HSCN Quanto à volatilidade (baixo ponto de ebulição, facilidade em formar vapores) Observação: Por que se deixarmos um recipiente aberto contendo éter, em pouco tempo, observa-se que o éter desaparecerá? O éter é um líquido que possui baixo ponto de ebulição e evapora com facilidade à temperatura ambiente. Dizemos neste caso que o éter é uma substância volátil. Um outro exemplo comum ocorre com o vinagre, o qual possui um odor bastante pronunciado devido à volatilidade do ácido acético, seu principal constituinte. Ácidos voláteis - ácidos com baixo ponto de ebulição (PE). Ex.: todos os hidrácidos (HCl, HF, HI, HBr, HCN, H 2 S), HNO 3, HCOOH e CH 3 COOH. Ácidos fixos - ácidos com elevado ponto de ebulição (PE). Ex.: H 2 SO 4 (PE = 340ºC), H 3 PO 4 (PE = 213ºC) e H 3 BO 3 (PE = 185ºC). 9
Quanto ao grau de ionização (força de um ácido) CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS / Auxiliar de laboratório OBS: tal cálculo não exige que você conheça a fórmula do ácido e nem a sua estrutura química. Ácidos fortes: possuem α > 50% Ácidos moderados: 5% α 50% Ácidos fracos: α < 5% Como se calcula o valor de α (alfa)? Regra Prática para Determinação da Força de um Ácido (conhecendo-se a fórmula molecular do ácido e, se necessário, sua estrutura molecular): Hidrácidos Ácidos fortes: HI > HBr > HCl. Ácido moderado: HF. Ácidos fracos: demais. - Oxiácidos Sendo H x E z O y a fórmula de um ácido de um elemento E qualquer, temos m = y em que: y = numero de átomos de oxigênio x = número de átomos de hidrogênios se: m = 3 ácido muito forte Exemplos: HClO 4, HMnO 4... m = 2 ácido forte Exemplos: HNO 3, H 2 SO 4... m = 1 ácido moderadoexemplos: H 3 PO 4, H 2 SO 3, H 3 PO 3 (2 H + ), H 3 PO 2 (1 H + ) m = 0 ácido fraco Exemplos: HClO, H 3 BO 3 Observação: 1º) O ácido carbônico (H 2 CO 3 ) é uma exceção, pois é um ácido fraco (α=0,18%), embora o valor de m = 1 2º) Todos os ácidos carboxílicos são fracos. Fórmula Estrutural - Hidrácidos ( H x E) Cada hidrogênio está ligado ao elemento por um traço ( ) que representa a ligação covalente simples. Exemplos Oxiácidos (H x E z O y ) Para escrever a fórmula estrutural dos oxiácidos, devemos proceder da seguinte maneira: 1) escrever o símbolo do elemento central; 2) distribuir ao redor deste elemento todos os oxigênios da fórmula mencionada. 3) distribuir ao redor dos oxigênios os átomos de hidrogênio que sejam ionizáveis. Se tiver H não ionizável (o que ocorre com ácidos do elemento fósforo), os hidrogênios não ionizáveis devem ser colocados ao lado do elemento central. 10
4) Ligar os hidrogênios ionizáveis aos átomos de oxigênio vizinhos, formando grupinhos H-O) e ligar o elemento central a tantos grupos OH quantos forem os hidrogênios ionizáveis. Caso haja H sem ligar, fazer uma ligação simples deste(s) H com o átomo central. 5) (passo circunstancial, pois, depende de ter ou não oxigênio sem ligar): ligar o elemento central ao(s) oxigênio(s) restante(s) através de ligação dativa (geralmente) ou de uma dupla ligação (ocorre tal dupla com os elementos carbono e nitrogênio). Exemplos - Formulação e Nomenclatura Formulação O ácido é formado pelo cátion H + e um ânion qualquer (A x- ). Portanto, podemos representar sua fórmula da seguinte maneira: H + A x- H x A Nomenclatura Hidrácidos (H x E) O nome de um ácido é feito basicamente da seguinte forma: 1 o ) escreve-se a palavra ácido; 2 o ) nome do elemento,com origem em latim; 3 o ) terminação ídrico Exemplos HCl ácido clorídrico HBr ácido bromídrico HCN ácido cianídrico H 2 S ácido sulfídrico HI ácido iodídrico Oxiácidos (H x E z O y ) Neste caso, como o mesmo elemento pode formar vários oxiácidos, estabelecemos um oxiácido padrão a partir do qual daremos nome de E nomes aos demais. Oxiácido padrão ácido ico 11
Regra geral para elementos que formam 2 ou mais oxiácidos: CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS / Auxiliar de laboratório Como vemos na tabela acima, todo oxiácido padrão tem terminação ico. Se tivermos um ácido com: a) um oxigênio a mais que o padrão, acrescentamos o prefixo per; b) um oxigênio a menos que o padrão, a terminação muda para oso; c) dois oxigênios a menos que o padrão, a terminação continua oso e acrescentamos o prefixo hipo. Ionização dos Ácidos A ionização de um ácido, como já vimos anteriormente, na própria definição de ácido de Arrhenius, é a reação do ácido com a molécula de água, produzindo o cátion H 3 O +. Se um ácido possui dois ou mais hidrogênios ionizáveis (poliácido), a ionização ocorre em etapas. Exemplos a) b) Nomenclatura dos Ânions Podemos considerar que os ânions são provenientes dos ácidos. Assim, temos as seguintes terminações (sufixos) a serem empregados: HF = ácido fluorídrico F - = fluoreto HCl = ácido clorídrico Cl - = ânion cloreto HBr = ácido bromídrico Br - = ânion brometo HI = ácido iodídrico I - = ânion iodeto HCN = ácido cianídrico CN - = ânion cianeto HNO 3 = ácido nítrico NO 3 - = ânion nitrato HNO 2 = ácido nitroso NO 2 - = ânion nitrito HClO 3 = ácido clórico ClO 3 - = ânion clorato 12
HClO 4 = ácido perclórico ClO 4 - = ânion perclorato HClO 2 = ácido cloroso ClO 2 - = ânion clorito HClO = ácido hipocloroso ClO - = ânion hipoclorito CH 3 COOH = ácido acético CH 3 COO - = ânion acetato Aplicações dos principais ácidos do cotidiano Ácido clorídrico (HCl) CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS / Auxiliar de laboratório - O ácido impuro (técnico) é vendido no comércio com o nome de ácido muriático; - É encontrado no suco gástrico, produzido pelas células parietais, responsável pela acidez estomacal; - É um reagente muito usado na indústria e no laboratório; - É usado na limpeza de pisos após a caiação das paredes (cal hidratada Ca(OH) 2 ), para remover os respingos de cal; HCl(aq) + Ca(OH) 2 (s) CaCl 2 (aq) + 2 H 2 O - É usado na limpeza de superfícies metálicas antes da soldagem dos respectivos metais. Ácido fluorídrico (HF) -Tem a particularidade de corroer o vidro, devendo ser guardado em frascos de plástico, por esta razão é usado para fazer gravações sobre o vidro. Ácido cianídrico (HCN) - O HCN é o gás de ação venenosa mais rápida que se conhece: uma concentração de 0,3 mg por litro de ar é imediatamente mortal; - É o gás usado nos estados americanos do Norte que adotam a pena de morte por câmara de gás; -A primeira vítima do HCN foi seu descobridor, Carl Wihelm Scheele, que morreu ao deixar cair um vidro contendo solução de HCN. Ácido sulfídrico (H 2 S) O H 2 S é um gás incolor, mais pesado do que o ar e inflamável com um forte odor desagradável de ovos podres. Esse gás é algumas vezes referido como gás de cano de esgoto. Em pequenas concentrações ele pode irritar os olhos e atuar como depressivo; em elevadas concentrações ele pode provocar irritação do sistema respiratório superior e, durante longas exposições, edema pulmonar. Sendo mais denso que o ar, o H 2 S pode acumular-se em depressões e cavernas. Ácido sulfúrico (H 2 SO 4 ) -É o ácido mais utilizado e importante nas indústrias e nos laboratórios, conhecido como burro de carga. O poder econômico de um país pode ser avaliado pela quantidade de ácido sulfúrico que ele fabrica e consome; - O maior consumo de ácido sulfúrico é na fabricação de fertilizantes, como os superfosfatos e o sulfato de amônio; - É o ácido dos acumuladores de chumbo (baterias) usados nos automóveis; - É consumido em enormes quantidades em inúmeros processos industriais, como processos da indústria petroquímica, fabricação de papel, corantes, etc; - O ácido sulfúrico concentrado é um dos desidratantes mais enérgicos. Assim, ele carboniza os hidratos de carbono como os açúcares, amido e celulose; a carbonização é devido à desidratação desses materiais; - O ácido sulfúrico destrói o papel, o tecido de algodão, a madeira, o açúcar e outros materiais devido à sua enérgica ação desidratante; - O ácido sulfúrico concentrado tem ação corrosiva sobre os tecidos dos organismos vivos também devido à sua ação desidratante. Produz sérias queimaduras na pele. Por isso, é necessário extremo cuidado ao manusear esse ácido; - As chuvas ácidas em ambiente poluídos com dióxido de enxofre contêm H 2 SO 4 e causam grande impacto ambiental. S + O 2 (g) SO 2 (g) + 1/2 O 2 (g) SO 3 (g) + H 2 O(l) H 2 SO 4 (aq) Ácido nítrico (HNO 3 ) -Depois do sulfúrico, é o ácido mais fabricado e mais consumido na indústria. Seu maior consumo é na fabricação de explosivos, como nitroglicerina (dinamite), trinitrotolueno (TNT), trinitrocelulose (algodão pólvora) e ácido pícrico e picrato de amônio; -É usado na fabricação do salitre (NaNO 3, KNO 3 ) e da pólvora negra (salitre + carvão + enxofre); Pólvora negra: (Salitre - KNO 3 + Carvão - C + Enxofre - S) 13
-As chuvas ácidas em ambientes poluídos com óxidos do nitrogênio contém HNO 3 e causam sério impacto ambiental. Em ambientes não poluídos, mas na presença de raios e relâmpagos, a chuva também contém HNO 3, mas em proporção mínima; N 2 (g) + O 2 (g) 2 NO(g) + O 2 (g) 2 NO 2 (g) + H 2 O(l) HNO 2 + HNO 3 - O ácido nítrico concentrado é um líquido muito volátil; seus vapores são muito tóxicos. É um ácido muito corrosivo e, assim como o ácido sulfúrico, é necessário muito cuidado para manuseá- lo. Ácido fosfórico (H 3 PO 4 ) - Os seus sais (fosfatos) têm grande aplicação como fertilizantes na agricultura; - É usado como aditivo (acidulante) em refrigerantes como Coca-Cola. Ácido carbônico (H 2 CO 3 ) -É o ácido das águas minerais gaseificadas e dos refrigerantes. Forma-se na reação do gás carbônico com a água: CO 2 + H 2 O à H 2 CO 3 - Responsável pelo processo de formação da chuva ácida em ambientes não poluídos na ausência de descargas elétricas. Ácido acético (H 3 C-COOH) - É o ácido constituinte do vinagre, utilizado com condimento na culinária; - O vinagre é uma solução aquosa contendo de 3 a 7% de ácido acético. Bases Os antigos dividiam as substâncias em dois grandes grupos: as que se assemelhavam ao vinagre, denominadas ácidos, e as semelhantes às cinzas de plantas, chamadas álcalis. Os álcalis eram substâncias detergentes ou, segundo o farmacêutico e químico francês Guillaume François Rouelle, bases. Existem muitas bases fracas e inofensivas no nosso cotidiano, dentre as muitas podemos citar o sabonete que faz muita espuma e desliza facilmente pela pele, pois, transforma alguns tipos de óleos de nossa pele em substâncias parecidas com as usadas para fazer sabão até compostos utilizados como medicamentos, como o hidróxido de magnésio e o hidróxido de alumínio. Por outro lado, existem também bases fortes e corrosivas tanto quanto os ácidos, como por exemplo: hidróxido de sódio utilizado em produtos para desentupir encanamentos. Podemos listar aqui algumas das propriedades funcionais das bases, como: -Possuem sabor amargo ou cáustico (adstringente que amarra a boca); - Modificam a cor dos indicadores ácido-base; - Conduzem a corrente elétrica quando fundidos ou em solução aquosa; - Reagem com ácidos produzindo sal e água; Na maioria das vezes são corrosivas e reagem com metais. Conceito de base segundo arrhenius Ex.: NaOH Ca(OH) 2 Al(OH) 3 Na + (aq) + OH - (aq) Ca 2+ (aq) + 2 OH - (aq) Al 3+ (aq) + 3 OH - (aq) Como pudemos observar, a principal característica das bases é a presença do íon OH - (hidroxila ou hidróxido) ligado ao cátion, que geralmente é um metal, sendo sua fórmula representada por: C (OH) x Onde: C é um cátion (metal) X = corresponde ao número de hidroxilas (que invertido de baixo para cima à esquerda, corresponderá à carga do metal). 14
Com isso na dissociação da base genérica C(OH) x ficaremos com: C(OH) x C x+ + x OH - Exemplos: NaOH Na + (aq) + OH - (aq) Ca(OH) 2 Ca 2+ (aq) + 2 OH - (aq) Al(OH) 3 Sn(OH) 4 Al 3+ (aq) + 3 OH - (aq) Sn 4+ (aq) + 4 OH - (aq) Observação: O hidróxido de amônio (NH 4 OH) é a única base que não apresenta metal em sua fórmula sendo proveniente do borbulhamento da amônia (NH 3 ) em água. È volátil, de natureza molecular, cheiro muito forte (amoníaco) e base muito solúvel e fraca (forma poucos íons em água). Classificação das bases - Quanto ao número de hidroxilas na fórmula da base Monobase uma hidroxila na fórmula da base. Ex.: NaOH, KOH, AgOH, etc. Dibase duas hidroxilas na fórmula da base. Ex.: Ca(OH) 2, Mg(OH) 2, Zn(OH) 2, etc. Tribase três hidroxilas na fórmula da base. Ex.: Al(OH) 3, Fe(OH) 3, Mn(OH) 3, etc. Tetrabase quatro hidroxilas na fórmula da base. Ex.: Mn(OH) 4, Sn(OH) 4, Pb(OH) 24, etc. - Quanto a solubilidade das bases em água Totalmente solúveis bases de metais alcalinos (1A) e o hidróxido de amônio (NH 4 OH). Parcialmente solúveis bases de metais alcalinos terrosos (2A). Praticamente insolúveis bases dos demais metais. Exceção: O Be(OH) 2 e Mg(OH) 2 (bases da família 2A) são praticamente insolúveis. - Quanto ao grau de dissociação (força das bases) Para que uma base se dissocie é necessário que esta base esteja dissolvida em água, com isso teremos: 15
Exceção: O hidróxido de amônio (NH 4 OH) é uma base solúvel, mas que apresenta um pequeno grau de ionização, desta forma, esta base é classificada como solúvel e fraca. Resumindo teremos: Bases fortes bases dos metais da família 1A e 2A. Bases fracas bases dos demais metais, Be(OH) 2, Mg(OH) 2 e NH 4 OH. - Quanto a volatilidade das bases Base volátil o hidróxido de amônio (NH 4 OH) é a única base volátil (baixo ponto de ebulição). Bases fixas todas as demais bases são consideradas não voláteis ou fixas (alto ponto de ebulição). Nomenclatura das bases Para cátions que formam uma única base: Os cátions que formam uma única base são: metais da família 1A e 2A, Ag +, Zn 2+, Al 3+ e NH 4 + (amônio). Exemplos: NaOH hidróxido de sódio AgOH hidróxido de prata Ca(OH) 2 hidróxido de cálcio Zn(OH) 2 hidróxido de zinco Al(OH) 3 hidróxido de alumínio NH 4 OH hidróxido de amônio Para montar a fórmula da base a partir dos nomes, é necessário sabermos que na formulação das base C(OH) x, o número de hidroxilas da base (X) dependerá da carga do cátion (C). Desta forma, teremos: cátions com carga +1 à 1 OH na fórmula; cátions com carga +2 à 2 OH na fórmula e cátions com carga +3 à 3 OH na fórmula. Exemplos: Hidróxido de potássio K + = KOH Hidróxido de magnésio Mg 2+ = Mg(OH) 2 Hidróxido de alumínio Al 3+ = Al(OH) 3 Hidróxido de amônio NH 4 + = NH 4 OH Hidróxido de zinco Zn 2+ = Zn(OH) 2 Hidróxido de prata Ag + = AgOH Para cátions que formam mais de uma base: Os cátions, mais importantes, que formam duas bases são: Ouro (Au 1+ e Au 3+ ) Cobre (Cu 1+ e Cu 2+ ) Ferro (Fe 2+ e Fe 3+ ) Chumbo (Pb 2+ e Pb 4+ ) 16
Exemplos: AuOH hidróxido de ouro-i ou auroso Au(OH) 3 hidróxido de ouro-iii ou aúrico CuOH hidróxido de cobre-i ou cuproso Cu(OH) 2 hidróxido de cobre-ii ou cúprico Fe(OH) 2 hidróxido de ferro-ii ou ferroso Fe(OH) 3 hidróxido de ferro-iii ou férrico CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS / Auxiliar de laboratório Aplicações das principais bases do cotidiano Hidróxido de sódio NaOH Base conhecida como soda cáustica ou lixívia ou diabo verde. É a base mais importante da indústria e do laboratório. É fabricado e consumido em grandes quantidades; Utilizado em produtos para desentupir ralos, pias e limpa forno; É usada na fabricação do sabão. Atualmente, o sabão é obtido de gorduras (de boi, de porco, de carneiro, etc) ou de óleos (de algodão, de vários tipo de palmeiras, etc.). A hidrólise alcalina de glicerídeos (óleos ou gorduras) é denominada, genericamente, de reação de saponificação porque, numa reação desse tipo, quando é utilizado um éster proveniente de um ácido graxo, o sal formado recebe o nome de sabão. A equação abaixo representa genericamente a hidrólise alcalina de um óleo ou de uma gordura: É usada em inúmeros processos industriais na petroquímica e na fabricação de papel, celulose, corantes, etc. É muito corrosivo e exige muito cuidado ao ser manuseado. Não existe soda cáustica livre na natureza. Esta é fabricada por eletrólise (decomposição por corrente elétrica) de solução aquosa de sal de cozinha (NaCl). Hidróxido de cálcio Ca(OH) 2 Conhecido como cal hidratada ou cal extinta ou cal apagada; É utilizado na construção civil no preparo da argamassa, usada na alvenaria, e na caiação (pintura a cal) o que fazem os pedreiros ao preparar a argamassa. Hidróxido de magnésio Mg(OH) 2 É um sólido branco pouco solúvel em água; Quando disperso em água, origina um líquido espesso, denominado de suspensão, que contém partículas sólidas misturadas à água denominado de leite de magnésia e é utilizada como laxante e antiácido. 2 HCl(aq) + Mg(OH) 2 (aq) MgCl 2 (aq) + 2 H 2 O(l) Hidróxido de alumínio Al(OH) 3 É um sólido gelatinoso insolúvel na água; Utilizado no tratamento da água e de água de piscinas. O hidróxido de alumínio formado na superfície, como um precipitado gelatinoso, arrasta as impurezas sólidas para o fundo do tanque, no processo denominado decantação; Al 2 (SO 4 ) 3 + 3 Ca(HCO 3 ) 2 2 Al(OH) 3 + 3 CaSO 4 + 6 CO 2 Utilizado como medicamento com ação de antiácido estomacal (Pepsamar, Natusgel, Gelmax, etc) pois neutraliza o excesso de HCl no suco gástrico. 3 HCl(aq) + Al(OH) 3 (aq) AlCl 3 (aq) + 3 H 2 O(l) Hidróxido de amônio NH 4 OH É obtido através do borbulhamento de amônia(nh 3 ) em água, originando uma solução conhecida comercialmente como amoníaco; NH 3 (g) + H 2 O(l) NH 4 OH(aq) NH 4+ (aq) + OH - (aq) É utilizado em produtos de limpeza doméstica tais como: ajax, fúria, patopurific, veja, etc. É utilizado na fabricação de sais de amônio, empregados na agricultura e como explosivos. QUESTÕES PROPOSTAS Questão 01) O ácido clórico é um ácido forte, utilizado como catalisador em reações de polimerização e como agente oxidante. Soluções aquosas desse ácido pode causar grande irritação na pele e nas mucosas. a) Represente a fórmula estrutural do ácido clórico. b) Qual o nome do sal formado pela reação de neutralização do ácido clórico pelo hidróxido de alumínio? 17
GAB Questão 02) Escreva : a) as fórmulas moleculares do ácido hipoiodoso e do ácido perbrômico. b) os nomes dos compostos de fórmulas H 2 SO 3 e H 3 PO 4. Gab: a) HIO e HBrO 4 b) ácido sulfuroso e ácido fosfórico Questão 03) A queima do enxofre presente na gasolina e no óleo diesel gera dois anidridos que, combinados com a água da chuva, formam seus ácidos correspondentes. Escreva a fórmula desses ácidos e indique o ácido mais forte. Justifique sua indicação. RESOLUÇÃO: H 2 SO 3 e H 2 SO 4 O ácido mais forte é o H 2 SO 4, pois a diferença entre o número de átomos de oxigênio e o número de átomos de Hidrogênio ácido é igual a 2, enquanto no H 2 SO 3 essa diferença é igual a 1. Questão 04) Sabe-se que a chuva ácida é formada pela dissolução, na água da chuva, de óxidos ácidos presentes na atmosfera. Entre os pares de óxidos relacionados, qual é constituído apenas por óxidos que provocam a chuva ácida? a) Na 2 O e NO 2 b) CO 2 e MgO c) CO 2 e SO 3 d) CO e NO 2 e) CO e NO Alternativa C. O CO 2 reage com a água formando solução ácida e é responsável pela acidez natural da chuva em ambientes não poluídos. O SO 3 reage com a água formando ácido sulfúrico e é um dos principais responsáveis por diminuir o ph da chuva a níveis perigosos para o ambiente. Questão 05) Ao se dissolverem 5 moléculas-grama de um ácido HX, em quantidade suficiente de água, constatou-se que 4 moléculas-grama do soluto se ionizaram. Pedem-se: a) o grau de ionização de HX; b) o número de íons existentes na solução obtida. RESOLUÇÃO: a) 80% b) 4,8. 10 24 íons Questão 06) Os ácidos podem ser classificados quanto ao número de hidrogênios ionizáveis. O ácido hipofosforoso, H 3 PO 2, utilizado na fabricação de medicamentos, apresenta fórmula estrutural: H O H P O H 18
a) Quantos hidrogênios são ionizáveis no ácido hipofosforoso? Justifique sua resposta. b) Escreva a equação de neutralização desse ácido com o hidróxido de sódio. RESOLUÇÃO: a) apenas um (01) hidrogênio ionizável. b) H 3 PO 2 + NaOH NaH 2 PO 2 + H 2 O Questão 07) O cloro é um gás irritante e sufocante. Misturado à água, reage produzindo os ácidos clorídrico e hipocloroso que age como desinfetante, destruindo ou inativando os microorganismos. a) Identifique os reagentes e os produtos desta reação e forneça suas fórmulas químicas. b) A água de lavadeira é uma solução aquosa de hipoclorito e o ácido muriático é uma solução concentrada de ácido clorídrico. Ambos podem ser utilizados separadamente na limpeza de alguns tipos de piso. Explique a inconveniência, para a pessoa que faz a limpeza, de utilizar uma mistura destes dois produtos. RESOLUÇÃO: a) Cl 2 (g) + H 2 O HCl(aq) + HClO(aq) b) H + (aq) + ClO (aq) + 2 Cl (aq) Cl 2 (g) + H 2 O como na reação há produção de gás cloro, o incoveniente é que a água de lavadeira é irritante aos olhos, devido a presença do cloro. QUESTÕES PROPOSTAS Questão 01) Na reação entre os gases N 2 e H 2, obtém-se unicamente gás amônia. A solução aquosa de amônia recebe o nome de amoníaco (hidróxido de amônio), que é o componente ativo de produtos de limpeza usados para remoção de gorduras. A partir dessas informações, considere as seguintes afirmações: I. O hidróxido de amônio tem fórmula NH 3. II. Na formação do gás amônia, a reação ocorrida é de síntese. III. O amoníaco tem fórmula NH 4 OH. IV. A amônia tem fórmula NH 4 OH. V. O cheiro irritante e forte, que se sente quando se usa amoníaco, é proveniente do gás nitrogênio. Estão corretas, somente: a) I e IV. b) II e V. c) II e III. d) I e II. e) III e V. Gab: C A reação de síntese da amônia pode ser representada por: N 2 (g) + 3H 2 (g) 2NH 3 (g) O amoníaco é o nome popular do hidróxido de amônio (NH 4 OH ). Logo, as afirmações II e III são corretas. Questão 02) A fórmula do hidróxido ferroso é: a) Fe(OH) 2 b) Fe(OH) 3 c) FeO d) Fe 2 O 3 e) n.d.a Gab: A Questão 03) A equação que representa corretamente a dissociação iônica de uma base pouco solúvel, de fórmula M(OH) x, é: a) M(OH) x M x+ + OH - b) M(OH) x xm + + xoh - c) M(OH) x M x+ + xoh - 19
d) M(OH) x M x+ - + OH x e) M(OH) x xm + + OH - Gab: C Questão 04) Explique porque é praticamente impossível medir a condutividade elétrica de um hidróxido que não seja de um metal alcalino. Gab: Porque é praticamente insolúvel em água. Questão 05) Uma base forte deve ter ligado ao grupo OH : a) um elemento muito eletropositivo b) um elemento muito eletronegativo c) um semimetal d) um metal que dê 3 elétrons e) um ametal Gab: A Questão 06) Na embalagem de um produto usado para desentupir pias e ralos, à base de soda cáustica (hidróxido de sódio NaOH), são encontradas, entre outras, as instruções: Cuidado: Em caso de contato, lavar imediatamente os olhos ou a pele com água em abundância durante quinze minutos. Se ingerido, não provocar vômito. Dar grande quantidade e também vinagre diluído em um copo de água. A seguir, dar uma colher de óleo comestível. Não reaproveitar a embalagem vazia. Lavar a colher utilizada como medida com bastante água corrente antes de reutilizá-la. Não adicionar água à embalagem do produto. O quadro abaixo relaciona algumas dessas instruções com as justificativas para o uso desses procedimentos, com base nas propriedades da soda cáustica e das outras espécies envolvidas. Assinale a alternativa que contém uma justificativa INCORRETA para a instrução relacionada. a) Instrução : Dar vinagre diluído em um copo de água. Justificativa : O vinagre diluído neutraliza a soda cáustica através de reação ácido-base. b) Instrução : Lavar a colher utilizada como medida com bastante água corrente antes de reutilizá-la. Justificativa : A utilização de grande quantidade de água deve-se ao fato de a soda cáustica ser insolúvel na água. c) Instrução : Não adicionar água à embalagem com o produto. Justificativa : A adição de água à embalagem com produto provoca forte aquecimento d) Instrução : Não reaproveitar a embalagem vazia. Justificativa : A embalagem pode estar contaminada com resíduos de soda cáustica Gab: B Questão 07) Os halogênios pertencem a uma classe de elementos com acentuada reatividade. Estão presentes na composição química de muitos ácidos como o HF, HCl, HBr e HI. Considerando os dados mostrados na tabela a seguir: HF(aq) Equilíbrio de transferência de + H 2O( ) + H3O ( ) prótons + F (aq ) Constante de acidez a 25 4 3,5 10 o C HC (aq) + H 2O( ) + H3O ( ) + C (aq ) 7 1,0 10 HBr(aq) + H 2O( ) + H3O ( ) + Br (aq ) 9 1,0 10 HI(aq) + H 2O( ) + H3O ( ) + I (aq ) 9 3,0 10 é correto afirmar que: 20
a) o ácido com maior capacidade de liberar H 3 O + é o HBr. b) o ácido clorídrico, ao sofrer ionização, apresenta mais espécies não ionizadas. c) a ordem de acidez crescente é: HCl < HBr < HI <HF. d) o ácido iodídrico é mais fraco que o ácido bromídrico. e) o ácido fluorídrico é o ácido mais fraco. Gab: E Questão 08) Observe o esquema abaixo: A força de um ácido é medida pelo seu grau de ionização (a), ou seja, pela relação entre o número de moléculas ionizadas e o número total de moléculas dissolvidas. Em qual das soluções de mesma concentração e na mesma temperatura- a lâmpada (L) do esquema apresenta maior brilho? a) HF b) HNO 3 c) H 3 PO 4 d) H 2 S e) H 4 SiO 4 Gab: B Questão 09) O ácido sulfúrico é um líquido incolor, denso, muito corrosivo e largamente utilizado na fabricação de matéria-prima para o setor industrial. Sobre o ácido sulfúrico, é CORRETO afirmar: a) pode ser obtido pela reação de SO 3 e água. b) sua dissolução em água consome calor. c) trata-se de um composto iônico. d) é um ácido monoprótico. Gab: A Questão 10) Ácido bórico, H 3 BO 3, tem a seguinte fórmula estrutural. 21
Gab: C Questão 11) Para distinguir uma solução aquosa de HF (ácido fraco) de outra de HCl (ácido forte), de mesma concentração, foram efetuados os seguintes procedimentos independentes com cada uma das soluções. I. Determinação da temperatura de congelamento do solvente. II. Medida de ph. III. Teste com uma tira de papel tornassol azul. IV. Medida de condutibilidade elétrica das soluções. Os procedimentos que permitem distinguir entre essas soluções são: a) I, II e IV, apenas. b) II, III e IV, apenas. c) II e IV, apenas. d) III e IV, apenas. e) IV, apenas. Gab: A Questão 12) Qual dos ácidos abaixo é o menos volátil? a) HCl. b) HI. c) H2SO3. d) H2SO4. e) CH3CH2COOH. Gab: D INDICADORES ÁCIDOS BASES Medida da acidez ou alcalinidade A medida de acidez ou alcalinidade de uma solução pode ser realizada através do uso de indicadores ácido-base e também através da medida do ph da solução, denominado de potencial hidrogeniônico. O ph é uma escala que vai de 0 a 14 e fundamenta-se na quantidade de íons hidrogênio que estão contidos numa solução. Indicadores ácido-base Você já observou como a cor do chá muda ligeiramente quando se junta algumas gotas de um limão? O chá está agindo como um indicador, mostrando que o limão aumentou a acidez. Alguns produtos químicos coloridos são usados para mostrar se uma solução é ácida ou básica (alcalina). Um indicador ácido-base é uma substância que apresenta uma determinada coloração em meio ácido e outra em meio básico ou alcalino. 22
Há diversos indicadores que podem nos dizer sobre a acidez ou sobre a alcalinidade de uma solução. Um indicador muito útil é uma mistura de corantes, conhecida como Indicador Universal. Embalagem de Indicador Universal. As tiras do indicador são imersas na solução na qual se quer determinar o ph, o que é feito comparando-se a cor obtida na tira com a escala de cores que aparece impressa na embalagem do indicador Fenolftaleína A Fenolftaleína é um composto orgânico usado como indicador ácido-base. O composto é incolor em solução ácida e rósea em solução básica (com a transição de cores ocorrendo por volta de ph 9). A fenolftaleína foi muito usada como principio ativo de muitos laxantes, por exemplo, o Lacto-Purga. Todavia por ser suspeito de possuir um grande poder carcinogênico foi substituído por outras substâncias. Fenolftaleína em solução de NaOH (meio básico) apresenta coloração avermelhada.! Fenolftaleína (conta-gotas) em presença de vinagre que contém ácido acético (meio ácido) permanecerá incolor. Indicadores naturais Os corantes obtidos das frutas e vegetais, como pêras, amora, hortênsias, cebolas e repolho roxo, podem também ser indicadores. Eles mudam de cor conforme o ph. 23
O círculo interior é uma escala colorida de um indicador universal: cor-de-rosa no ácido forte (ph = 0), azul na base forte (ph = 14). Os círculos externos mostram como a cor dos sucos de repolho roxo, pêra, rabanete e beterraba mudam com o ph. Alguns jardineiros têm que se preocupar com o ph do solo. Há plantas que só crescem em um valor determinado de ph. Solos em regiões calcárias geralmente são alcalinos (ph de 7 a 7,5). Solos de arenito, argila, pântano e turfa são ácidos (ph de 6,5 a 7). O suco de repolho roxo pode constituir um bom indicador universal de ph, podendo substituir os papéis indicadores universais, que são encontrados apenas em lojas especializadas. O repolho roxo é cortado em pequenos pedaços, colocado em um recipiente com água e depois será fervido até obter uma solução roxa que mudará de cor tanto em presença de uma solução ácida como em uma solução básica ou alcalina.! 24
Obtenção do extrato de repolho roxo CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS / Auxiliar de laboratório O suco do repolho roxo vai do vermelho (meio ácido), ao rosa, roxo, azul e verde (meio básico). Soluções contendo extrato de repolho roxo funcionando como indicador de ph. O papel de tornassol é obtido a partir de uma espécie de líquen (organismo de estrutura simples formada pela associação de um fungo com uma alga), que fica vermelho em meio ácido e azul em meio básico. O papel de tornassol vermelho não muda de cor em meio ácido (esquerda) e fica azul em meio básico (direita). Dos indicadores citados, utilizaremos o papel de tornassol e fenolftaleína para definir soluções ácidas e básicas, segundo a coloração obtida. Com isso teremos: Solução Tornassol Fenolftaleína Ácida Vermelho Incolor Básica Azul Vermelho 25
QUÍMICA DESCRITIVA DOS ELEMENTOS REPRESENTATIVOS; CONCEITO DE SOLUÇÃO, SOLVENTE E SOLUTO, MOLARIDADE, CONCEITO DE PH E TAMPÃO; PREPARO DE SOLUÇÕES E DILUIÇÕES. Na Química Descritiva estudaremos a ocorrência dos elementos na natureza, os locais onde podem ser encontrados, o estado físico em que se apresentam e suas combinações químicas mais comuns. É de grande interesse estudarmos os processos usados para obtenção dos elementos, a partir de fontes naturais e como são fabricadas algumas substâncias de grande interesse industrial e comercial. Constituição da Terra O planeta Terra, para efeitos de estudos, é dividido basicamente em três partes: litosfera, hidrosfera e atmosfera. Atmosfera Atmosfera é a camada gasosa ao redor da Terra. Sete elementos gasosos podem ser encontrados comumente na atmosfera, entre eles nitrogênio, oxigênio e gases nobres. Todos esses elementos são obtidos industrialmente a partir do ar atmosférico, com exceção do gás hélio (He) que é extraído do gás natural de certos poços no Kansas, Oklahoma e Texas, onde sua concentração é bem superior à encontrada no ar atmosférico. Dependendo do local, clima e altitude, a composição da atmosfera pode variar; mas, em geral, temos em ordem decrescente de porcentagem em volume: Hidrosfera Hidrosfera é a parte líquida da Terra que corresponde a cerca de 80% da superfície. A água dos oceanos apresenta uma grande variedade de sais dissolvidos, constituindo-se em fonte principal de obtenção de vários elementos, como bromo, magnésio, sódio, cloro, etc. Os sais dissolvidos correspondem a 3,3% da água dos oceanos. Os elementos que podem ser obtidos da água dos oceanos apresentam a seguinte abundância: 26
Litosfera Litosfera é a parte sólida da Terra com cerca de 6.500 km de raio. A parte mais externa, que corresponde a uma espessura de aproximadamente 30 km, é chamada de crosta terrestre. É dela que extraímos alguns principais elementos, os quais, em ordem decrescente de abundância, são: O oxigênio e o silício são os elementos mais abundantes da crosta terrestre, seguidos do alumínio e do ferro. Esses e os demais elementos encontrados na crosta terrestre compõem os chamados minerais. 27
Minerais são substâncias presentes na crosta terrestre que se encontram em determinados depósitos. São provenientes da concentração de vários elementos que ocorreram com o passar das eras geológicas, devido a vários processos como fusão, cristalização, dissolução e precipitação, formando compostos estáveis. Resumindo temos: Mineral é uma substância simples ou composta que se forma naturalmente na crosta terrestre. Grande parte dos minerais apresentam, na sua formação, elementos metálicos, cuja extração é desejada. Se o mineral apresenta facilidade de extração, condições de transporte, baixo custo de mercado, ele passa a ser chamado de minério. Portanto: minério é todo material do qual se pode extrair um elemento quimico de forma economicamente viável. Os principais minérios e os elementos químicos extraídos encontram-se no quadro a seguir: O minério é encontrado na natureza em locais que são chamados minas ou jazidas. O processo de extração do minério das minas é chamado de mineração. Os processos utilizados para obtenção dos metais, a partir dos seus minérios, é a metalurgia. Esses processos consistem, de um modo geral, em: - Purificação (ou concentração) do minério 28
Geralmente o minério obtido da jazida apresenta uma quantidade muito grande de impurezas, material rochoso inútil. Portanto, as impurezas devem ser removidas. - Redução do cátion metálico ao átomo metálico Os elementos metálicos encontram-se nos minerais na forma de cátions metálicos, e, para que se possa obter o metal, tem-se que fazer a redução do cátion. - Purificação do Metal O metal obtido pelas etapas 1 e 2 contém geralmente pequenas quantidades de outros metais e/ou não-metais, que devem ser removidos ou não, dependendo da aplicação do metal. Substâncias Simples e Compostas Importantes Halogênios Os elementos da família VIIA (atual 17) são conhecidos como halogênios ( formadores de sal ). I. Os halogênios, por serem altamente reativos, não são encontrados livres na natureza e ocorrem como íons halogenetos: F, Cl, Br e - Flúor (F 2 ) É um gás amarelo pálido que ocorre em minerais, como fluorita (CaF 2 ), criolita (Na 3 AlF 6 ) e flúor apatita [Ca 5 F(PO 4 ) 3 ]. A molécula de flúor F 2 é, em princípio, o mais forte dos agentes oxidantes. Na prática, o flúor raramente é utilizado como agente oxidante, pois o seu manuseio é extremamente perigoso. A molécula de F 2 retira elétrons de praticamente todas as espécies, incluindo a água, geralmente com explosão violenta. O flúor (F 2 ) é obtido pela eletrólise de uma mistura fundida de HF e KF usando ânodo de carbono, no qual se produz F 2, e um cátodo de prata ou aço inoxidável no qual se forma o H 2. Os produtos devem ser mantidos separados, pois reagem explosivamente. O F 2 pode ser armazenado em recipiente de aço, cobre ou certas ligas, somente porque ele forma rapidamente, uma película fluoreto na superfície do metal, e impede o prosseguimento da reação. O flúor reage violentamente com o hidrogênio, formando o fluoreto de hidrogênio (HF). HF, apesar de ser um ácido fraco, possui propriedades que o tornam difícil de manusear. O HF (g), ou em solução aquosa ataca o vidro. As soluções de HF devem ser guardadas em recipientes de polietileno ou de parafina. O HF tem uma outra propriedade que o torna extremamente perigoso, que é causar queimaduras extremamente dolorosas e que levam vários meses para cicatrizar. 29
Os íons fluoretos (F ) são usados em prevenção de cárie dentária. A fonte de íons fluoreto pode ser SnF 2 (fluoreto estanoso) encontrado no creme dental, ou NaF, adicionado à água potável, na proporção de 1 p.p.m. - Cloro (Cl 2 ) É um gás amarelo-esverdeado, venenoso, pouco solúvel em água, reagindo com ela, dando íons cloreto e hipoclorito. O cloro encontra-se combinado como cloreto, como os minerais habita (NaCl) e siluita (KCl) em depósitos subterrâneos e também, nos oceanos. O cloro é um germicida poderoso, usado na purificação da água de beber. É obtido industrialmente pela eletrólise de solução aquosa de cloreto de sódio. 2NaCI + 2H 2 O 2NaOH + H 2 + CI 2 Em laboratório, pela reação do ácido clorídrico com dióxido de manganês: MnO 2 + 4 HCI MnCI 2 +2H 2 O+CI 2 O cloro é usado como alvejante industrial no tratamento da celulose para a fabricação de papel, na obtenção de compostos como o ácido clorídrico, o inseticida BHC (bezeno hexaclorado), etc. Quando o cloro é borbulhado em uma solução de hidróxido de sódio à temperatura ambiente, ocorre a reação: Cl 2 (g) + 2OH - (aq) ClO - (aq) + Cl - (aq) + H 2 O(l) A solução resultante é comercializada como água sanitária para uso doméstico e como desinfetante. - Bromo (Br 2 ) É um líquido castanho-avermelhado, de cheiro repugnante, tóxico, venenoso. Parcialmente solúvel em água, reagindo com ela e produzindo água de bromo. É obtido industrialmente pela oxidação em meio ácido do Br das águas do mar, usando cloro como agente oxidante. Cl 2 (g) + 2Br - (aq) 2Cl - (aq) + Br 2 (aq) O bromo gasoso é arrastado por uma corrente de ar e, em seguida, condensado ao estado líquido. No laboratório, o bromo pode ser obtido pele oxidação de Br por MnO 2 em meio ácido ou outro agente oxidante. O bromo produz queimaduras dolorosas na pele que dificilmente cicatrizam, por isso deve ser manuseado com extremo cuidado. É usado na fabricação de bromofórmio (CHBr 3 ), de desinfetantes, corantes e na indústria fotográfica, principalmente na forma de brometo de prata (AgBr). - Iodo (I 2 ) É um sólido cinza-escuro, com um brilho semimetálico. Sublima a 184 oc, dando vapor violeta. É praticamente insolúvel em água. É solúvel em etanol, formando a tintura de iodo que era utilizada como desinfetante e antisséptico. É produzido industrialmente pela oxidação de I com gás Cl 2 : CI 2(g) + 2I 2CI + I 2 ou pela redução do a I : 30
seguido de oxidação pelo próprio iodato: CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS / Auxiliar de laboratório Em laboratório, é obtido pelo tratamento de uma mistura de iodeto de potássio e dióxido de manganês com ácido sulfúrico: 2KI + MnO 2 + 3H 2 SO 4 2KHSO 4 + MnSO 4 + 2H 2 O + I 2 O iodo é usado na produção do iodofórmio (CHI 3 ), na fabricação de remédios, desinfetantes, corantes e na indústria fotográfica (KI e AgI). O sal de cozinha iodado (NaCl + NaI) tem a finalidade de combater o hipertireoidismo (doença do bócio). Hidrogênio (H 2 ) É um gás incolor, inodoro, combustível (chamado combustível do futuro). Na Terra, o hidrogênio raramente se encontra livre, mas combinado, geralmente com o oxigênio, formando água. A molécula de hidrogênio é tão leve que, ao ser libertada, rapidamente sobe aos níveis mais altos da atmosfera de onde, aos poucos, se perde no espaço. É obtido industrialmente: a) a partir do carvão b) processo Lane 3Fe + 4H 2 O Fe 3 O 4 + 4H 2 c) eletrólise 2H 2 O 2H 2 + O 2 2NaCI + 2H 2 O 2NaOH + H 2 + CI 2 d) Em laboratório Pela reação de ácidos com metais mais reativos que o hidrogênio. Zn (S) + 2HCI (aq) ZnCI 2(aq) O hidrogênio é usado na hidrogenação de óleos vegetais para a produção de margarina, como combustível, na formação de vários compostos, como NH 3 e HCl. Oxigênio (O 2 ) É um gás incolor, inodoro e, no estado líquido, é azul pálido. É o elemento mais abundante na Terra, quer em porcentagem de átomos, em massa. Ocorre livre na atmosfera, combinado com hidrogênio na hidrosfera e combinado como silício, ferro, alumínio e outros elementos na crosta terrestre (litosfera). É usado como comburente, substância que alimenta as combustões. É obtido industrialmente por liquefação e posterior destilação fracionada do ar atmosférico. Inicialmente, o ar atmosférico é submetido a sucessivas compressões e resfriamentos até atingir uma temperatura de aproximadamente 200 C. O ar torna-se líquido e, então, faz-se a destilação fracionada. Inicialmente, destila o componente mais leve que é o nitrogênio (PE = 195 C), depois argônio (PE 190 C) e, por ultimo, o oxigênio (PE 185 C). É obtido também pela eletrólise da água: 2H 2 O 2H 2 +O 2 Na Medicina, é aplicado em inalações e em aparelhos de respiração artificial contra envenenamentos provocados por certos gases como o monóxido de carbono (CO). É usado na fabricação do aço e em equipamentos de mergulho. 31
- Nitrogênio (N 2 ) A vitrificação difere das técnicas de refrigeração e de armazenagem tradicionais que permite a solidificação transparente instantânea dos ovos e dos embriões sem a formação de cristais de gelo. Durante a vitrificação o embrião é mergulhado no nitrogênio líquido de -196C. É um gás, incolor, inodoro e insípido. É um gás inerte. Ocorre na Terra como o principal constituinte do ar atmosférico (~ 78% em volume) onde se encontra livre (N 2 ). É difícil encontrar compostos inorgânicos do nitrogênio como minerais, pois a maioria é solúvel em água. O nitrogênio é encontrado em compostos orgânicos em todos os seres vivos, animais e plantas. Certas bactérias no solo e raízes de algumas plantas, especialmente os legumes, convertem o nitrogênio atmosférico em nitrogênio orgânico, que é então transformado por outras bactérias em nitrato, a forma de nitrogênio mais usada pelas plantas na síntese de proteínas. O nitrogênio é obtido industrialmente por liquefação e posterior destilação fracionada do ar atmosférico. Em laboratório, é obtido pela decomposição do nitrito de amônio (NH 4 NO 2 ): Por ser inerte, é usado na forma gasosa no empacotamento de alimentos e no interior de lâmpadas incandescentes. Na forma líquida, é usado na conservação de alimentos, na de sêmen para inseminação artificial. É usado também na síntese da amônia e na do ácido nítrico. Amônia ou Gás Amoníaco (NH 3 ) É um gás incolor (ponto de ebulição normal - 33,4 C), com odor característico, sufocante, e sua inalação, em altas concentrações, causa problemas respiratórios. A amônia é extremamente solúvel em água, produzindo o hidróxido de amônio, o qual não existe isolado. NH 3 + H 2 O NH 4 OH NH 4 OH NH + OH É obtida industrialmente pela síntese catalítica: I. Processo Haber-Bosch Neste processo, a temperatura fica entre 500 a 600 C, a pressão é de 200 atmosferas e o catalisador é o ósmio ou o urânio. O resultado é uma solução amoníaca com rendimento de 15%. II. Processo de Claude Neste processo, a temperatura é também de 500 a 600 C, só que a pressão é de 1000 atmosferas e o catalisador é o ferro. Resulta o gás amoníaco liquefeito, com rendimento de 40%. Em laboratório a) Processo Solvay Ação da cal viva quente sobre o cloreto de amônio. 2NH 4 CI + CaO CaCI 2 + 2NH 3 + H 2 O b) Sal de amônio com base solúvel. A amônia é utilizada em refrigeração, na produção de fertilizantes, na preparação de ácido nítrico. 32
Ácido Nítrico (HNO 3 ) Puro, é um líquido incolor, volátil (PE = 86 C) e solúvel em água. Em solução aquosa, dá origem a um ácido forte, (aqua fortis), de cheiro irritante, muito venenoso se inalado ou ingerido, e forte agente oxidante. É obtido industrialmente pela oxidação da amônia, pelo processo Ostwald: Enxofre O enxofre é encontrado livre na crosta terrestre, bem como combinado com outros elementos, principalmente na forma de sulfetos, como a galena (PbS), pirita (FeS 2 ) e vários sulfatos, como o sulfato de cálcio etc. É obtido industrialmente pelo processo Frasch, no qual o vapor d água superaquecido (a cerca de 170 ºC e sob pressão) e ar comprimido são injetados por encanamentos até os depósitos subterrâneos. O enxofre se funde e é forçado a subir para a superfície como uma espuma de ar-água-enxofre. O enxofre é um sólido cristalino amarelo, insolúvel em água e solúvel em dissulfeto de carbono (CS 2 ). Apresenta uma variedade de formas alotrópicas. À temperatura ambiente, ou abaixo de 95,5 C, o enxofre estável é o rômbico ou enxofre cuja molécula é cíclica (S 8 ). Quando é aquecido lentamente, transforma-se na forma cristalina monoclínica, estável acima de 95,5 C. Quando o enxofre líquido (ponto de fusão = 119 C) é resfriado rapidamente, sendo despejado em água, forma-se o enxofre plástico ou amorfo. Ele se parece muito com uma goma de mascar e, aparentemente, consiste em cadeias muito longas e entrelaçadas. O enxofre é usado na vulcanização da borracha, na fabricação de pólvora e em fogos de artifício. Em medicina, é empregado em pomadas ou sabonetes, no combate de certas moléstias da pele. É usado na síntese do ácido sulfúrico. Ácido Sulfúrico (H 2 SO 4 ) É um líquido incolor, viscoso, forte agente oxidante, desidratante, densidade igual a 1,84 g/cm 3. Seu ponto de ebulição é cerca de 330 C, sendo um ácido fixo (difícil de vaporizar). É um dos reagentes industriais mais importantes. É obtido industrialmente de duas etapas: I. Obtenção do dióxido de enxofre (SO 2 ) a) a partir da combustão do enxofre S+O 2 SO 2 b) a partir da ustulação da pirita (FeS 2 ) 4FeS 2 + 11O 2 2Fe 2 O 3 +8SO 2 II. Processo de Contato Oxidação catalítica do SO 2 a SO 3, pelo pentóxido de divanádio (V 2 O 5 ) ou pela platina (Pt) finamente dividida. 2SO 2 +O 2 2SO 3 O SO 3 é dissolvido em H 2 SO 4, produzindo o ácido pirossulfúrico, chamado antigamente de oleum ou ácido sulfúrico fumegante (H 2 S 2 O 7 ). SO 3(g) + H 2 SO 4(l) H 2 S 2 O 7(l) A adição de água ao ácido pirossulfúrico produz um ácido sulfúrico de alta concentração. H 2 S 2 O 7(l) + H 2 O (I) 2H 2 SO 4(I) 33
Este processo de contato é o mais moderno utilizado para a obtenção de ácido sulfúrico. Antigamente, usava-se o processo das camadas de chumbo. A dissolução do ácido sulfúrico em água deve ser feita com extremo cuidado, pois libera grande quantidade de calor. Devemos sempre adicionar o ácido à água lentamente e sob agitação. Nunca adicionar água no ácido, porque o calor liberado vaporiza rapidamente a água à medida que ela vai sendo adicionada, o que pode provocar queimaduras graves. O ácido sulfúrico é muito corrosivo e carboniza a matéria orgânica. É utilizado como eletrólito de bateria de autos, na fabricação de outros ácidos, na produção de fertilizantes e na fabricação de explosivos. Alumínio (Al) É o metal mais abundante da litosfera, ocorre nos aluminossilicatos, argilas, micas e feldspatos. É obtido industrialmente pelo processo Hall, que consiste na eletrólise ígnea da alumina (Al 2 O 3 ) proveniente da bauxita. O mineral de alumínio é bauxita, que é óxido de alumínio e hidrato impuro Al 2 O 3 nh 2 O. Inicialmente a bauxita é purificada, pelo processo de Bayer, formando a alumina (Al 2 O 3 ). A alumina é dissolvida em criolita (Na 3 AlF 6 ) fundida e eletrolisada a cerca de 1.000 C. O alumínio é um metal extremamente versátil. Ele pode ser prensado, curvado, enrolado, moldado, estruturado, dando origem às mais variadas formas. Sua baixa densidade torna-o útil na construção de aeronaves e está sendo cada vez mais utilizado nas indústrias automobilísticas para obter veículos mais leves. É utilizado na fabricação de utensílios domésticos, como panelas, bacias, formas etc., e também na produção de fios para eletricidade. QUESTÕES RESOLVIDAS Questão 01) Descreva um método de preparação do ácido nítrico economicamente viável e utilizado pelas indústrias químicas modernas para a produção em grande escala. Utilize equações balanceadas para representar as reações químicas que ocorrem com o emprego do método proposto. RESOLUÇÃO: Trata-se de um ácido líquido e incolor, tóxico, corrosivo e com ponto de ebulição de 83ºC. Indiscutivelmente é preparado a partir do NH3 12NH3 + 15O2 12NO + 18 H2O 12NO + 6O2 12NO2 12NO2 + 4H2O 8HNO3 + 4NO Questão 02) Descreva como se pode obter, num laboratório de química, cloridreto (HCl (g) ) a partir de cloreto de sódio sólido. De sua descrição devem constar: as outras matérias primas necessárias, o desenho esquemático da aparelhagem a ser utilizada e as equações químicas balanceadas das reações envolvidas. RESOLUÇÃO Em laboratório é preparado a partir do NaCl(s) em reação com solução aquosa de ácido sulfúrico. 34
Equipamento de kipp. No recipiente A é colocado o NaCl em fase sólida; No recipiente C é colocado solução de H 2 SO 4 que irá gotejar sobre o NaCl; O HCl gasoso será recolhido no recipiente B. Questão 03) Descreva como o hidróxido de sódio é obtido em escala industrial. Sua descrição deve incluir as matérias primas utilizadas, as equações das reações químicas envolvidas no processo, as condições de operação e o aproveitamento de eventuais subprodutos obtidos no processo. RESOLUÇÃO Processo: O Hidróxido de sódio é obtido industrialmente por eletrólise de soluções aquosas de NaCl: Matérias primas: NaCl e H 2 O Equações: 2NaCl + H 2 O 2NaOH + H 2(g) + Cl 2(g) Sub-produtos Hidrogênio gasoso: usado em outras reações químicas. Cloro gasoso: aproveitado no para diversas outra reações como de cloração, obtenção de compostos para o tratamento de água etc. Questão 04) Descreva como se pode preparar NH3 gasoso, em pequena escala, a partir de substâncias freqüentemente disponíveis em laboratórios de química. Sua resposta deve conter uma descrição do procedimento experimental, deve vir acompanhada de uma figura da aparelhagem utilizada e das equações balanceadas das reações envolvidas no processo de preparação. RESOLUÇÃO A nível de pequena escala o NH 3 pode ser obtido a partir de reações de bases fortes com sais de amônio: 2NH 4 Cl + Ca(OH) 2 CaCl 2 + 2H 2 O +2NH 3(g) I- objetivo: Obter gás amoníaco 35
II- material: Béquer, proveta, balões de fundo redondo, tubo de vidro com ângulo de 45 o, tubo de vidro com uma das extremidades bem estreita, tubo de borracha, rolhas furadas, suporte universal, garras, bico de Bünsen, tripé de ferro, tela de amianto, água, soluções de cloreto de amônio e de hidróxido de cálcio. III-procedimento: - Colar em um balão de fundo redondo 10mL de solução de Hidróxido de Cálcio e 20mL de solução de Cloreto de Amônio. Tampar o balão e montar a aparelhagem conforme o esquema descrito acima. - ATENÇÃO: a ponta do tubo de vidro que fica dentro do balão onde será recolhido o gás deve ser bem estreita. - aquecer o sistema por alguns minutos, em chama branda. - desligar o bico de Bünsen. Retirar imediatamente o tubo de borracha que faz a conexão dos dois balões. Questão 05) Explique o que se entende por chuva ácida. Quais são as causas deste problema? Quais são as formas de controlá-lo? RESOLUÇÃO - Entende-se por chuva ácida a qualquer chuva que apresenta ph < 5,6 - CAUSAS: Nos lagos: - o aumento da acidez das águas provoca a destruição da vegetação aquática e provoca a morte de peixes como por exemplo a truta e o salmão que morrem em ph=5,5. Nas florestas: Produz morte nas floresta de grande porte devido à destruição das células respiratórias (estômatos) das árvores. No solo: Altera o ph, sendo necessário o uso de agentes corretivos como por exemplo o calcário ( CaCO 3 ) Nos monumentos: Os monumentos à base de calcário e mármore sofrem corrosão na presença de ácido sulfúrico, sendo parcial ou totalmente destruídos. Na saúde humana: Produz diversos danos ao aparelho respiratório - Distúrbios biológicos como tosse, asma, bronquite, efizema pulmonar e etc. FORMAS CONTROLADORAS: Do ponto de vista técnico, podemos empregar algumas medidas, tais como: - Usar carvão mineral mais purificado; - Utilização de sistemas de absorção adequados de SO 2 em caldeiras; - Eliminação do enxofre existente no petróleo; - Diminuição do uso de transporte particular e aumento do uso de transporte coletivo. Questão 06) Um processo de gravação em vidro envolve a ação corrosiva do ácido fluorídrico. O ácido fluorídrico, em solução aquosa, reage com o dióxido de silício da superfície do vidro, originando tetrafluoreto de silício gasoso e água. Escreva a equação química balanceada da reação que ocorre no processo de gravação em vidro, indicando os estados físicos de reagentes e produtos. Gab: 4 HF (aq) + SiO 2(s) SiF 4(g) + 2 H 2 O (l) Questão 07) Dentro do espaço disponível, discuta o que você sabe sobre o ciclo do nitrogênio na natureza. Sua discussão deve incluir tópicos tais como: a) Principais reservatórios acessíveis deste elemento no nosso planeta. b) O que se entende por fixação natural e quais os organismos responsáveis pela mesma. c) O que se entende por fixação artificial do nitrogênio e quais são os principais processos industriais utilizados para atingir este fim. d) Quais são os principais produtos naturais e quais são os principais compostos sintéticos utilizáveis como fertilizantes nitrogenados. e) Caso você sabia algo sobre a relação entre maré vermelha e ciclo do nitrogênio, diga-o. 36
RESOLUÇÃO a) RESERVATÓRIOS OU FONTES o nitrogênio atmosférico (78% aproximadamente em volume) - jazidas de nitratos de sódio e potássio - compostos orgânicos de todos os seres vivos ou em cadáveres aonde são transformados por bactérias um nitritos e nitratos; - descargas elétricas e etc. b) FIXAÇÃO NATURAL Bactérias : Azobacter clostridium ou nitrobactérias das leguminosas. Algas: cianofíceas estas utilizam o nitrogênio atmosférico ou até mesmo o íon fazendo a sua fixação c- trata-se na utilização do nitrogênio elementar obtido em laboratórios ou por destilação fracionada do ar líquido: Laboratório: 2 NaN 3(s) Na (s) + 3 N 2(g) NH 4 NO 2(s) N 2(g) + 2 H 2 O(g) Sendo que esse nitrogênio é utilizado em diversos segmentos: preparo industrial da NH 3 preparo industrial do HNO 3 preparo industrial de fertilizantes exemplos de fertilizantes: NATURAIS: O = C(NH 2 ) ----- Uréia ---------------- via excreção NaNO 3 ------------ Nitrato de Sódio-----Salitre do chile Guano-------------Excreção de aves marinhas NO - e 2 NO- ----Obtidos na decomposição bacteriana de 3 materiais orgânicos SINTÉTICOS: O = C(NH 2 )--------Síntese industrial (NH 4 ) 2 SO 4 ----------Sulfato de amônio Ca(NO 3 ) 2 -----------Nitrato de cálcio NH 4 NO 3 ------------Nitrato de amônio Alguns fosfatos inorgânicos Organismos marinho (plâncton)como dinoflagelados, algas azuis (cianofíceas) e piridíneos, principalmente são capazes de provocar uma coloração típica que o vermelho, porém pode ser o amarelo, castanho avermelhado o leitoso etc, na água do mar. Tal fenômeno (florescência) pode ser desencadeado por diversos fatores, tais como temperatura, salinidade, luz, nutrientes, estabilidade da coluna de água: alguns processos oceanográficos como marés, ventos, divergência, convergência, diversidade, presença de quelantes na água, vitaminas, substâncias húmicas também são capazes de desencadear estes processos. As marés vermelhas consistem na liberação de toxinas por cianofíceas e dinoflagelados e podem causar a morte de peixes, outros animais, acumular em bivalentes e até mesmo provocar no homem a parlyticshllfish poisoning, além de tudo, podem sair do mar na forma de aerosois e atingir animais domésticos e o próprio homem. RELAÇÃO COM O NITORGÊNIO À medida que ocorre aumento na mortandade de peixes e outros animais marinhos, ocorre uma aumento da quantidade de matéria orgânica sem decomposição e também em aumento direto na formação de nitritos e nitratos que são fontes de nitrogênio para o fitoplâncton. DISPERSÕES E SOLUÇÕES Dispersões Imagine a seguinte situação: necessitamos dissolver uma determinada quantidade de açúcar (C 6 H 12 O 6 ) em água (H 2 O). Neste exemplo podemos definir alguns conceitos tais como: 37
O açúcar (C 6 H 12 O 6 ) que será dissolvido chama-se disperso, a água (H 2 O) que dissolverá o açúcar chama-se dispersante ou dispergente e a mistura água com açúcar é denominada de dispersão. Classificação das dispersões Se você adicionar um pouco de sal a um copo de água e agitar, notará que o sal irá se dissolver e, a partir dessa mistura, formar uma solução aquosa. No entanto, se a mesma experiência for feita com um pouco de areia fina, o resultado será muito diferente. Como a areia não se dissolve em água, irá depositar-se no fundo do recipiente, logo após o término da agitação. A mistura de água e areia, no momento da agitação, constitui um bom exemplo de suspensão. Mesmo através da filtração, seria possível observar uma diferença importante entre esses dois tipos de mistura: as suspensões podem ser filtradas; as soluções, não. É evidente que essa diferença de comportamento entre as soluções e as suspensões se deve ao tamanho da partícula dispersa. Enquanto que os enormes grãos de areia, a maioria visíveis a olho nu, ficam presos no papel de filtro, os invisíveis íons Na + e Cl - possuem dimensões tão reduzidas que atravessam facilmente os poros do filtro. Há uma ampla variedade de valores entre o diâmetro médio dos íons e das moléculas comuns e o diâmetro médio de corpos maiores como os da areia, constituídos de sílica (SiO 2 ). Em outras palavras, as partículas dispersas num meio sólido, líquido ou gasoso possuem tamanhos muito diferentes. Para muitos pesquisadores, os dispersos com diâmetros médios entre 1,0 nm e 1000 nm constituem fronteiras gerais para uma classificação das misturas. Assim, partículas com diâmetro inferior a 1,0 nm encontram-se em solução. Por outro lado, partículas com diâmetro superior a 1000 nm estariam dispersas em misturas denominadas suspensões. Os cientistas observaram que partículas com diâmetro entre 1,0 nm e 1000 nm participam de um campo muito importante, chamado de misturas coloidais ou simplesmente colóides. Analisando o quadro a seguir, podemos comparar características gerais das soluções, das misturas coloidais e das suspensões. Note que, nas misturas em geral, a substância em menor quantidade pode ser chamada de disperso, ou seja, é uma substância que se encontra espalhada, de maneira homogênea ou não, em outra substância denominada dispersante. Nessas condições, a mistura receberá o nome geral de dispersão. solução dispersão coloidal Suspensão disperso átomos, íons, moléculas aglomerados grandes aglomerados diâmetro (d) d < 1nm 1nm < d < 1000nm d>1000nm visibilidade não são visíveis visível no ultramicroscópio visível a olho nu decantação não decanta decanta no ultracentrifugador decantação espontânea ação do filtro não separa separa no ultrafiltro separa no filtro comum exemplos sal em água gelatina em água água barrenta Classificação das soluções - De acordo com o estado físico Solução sólida O solvente é sempre sólido e o soluto pode ser: sólido, líquido ou gasoso. Exemplos: ligas metálicas (Solda: Sn+Pb, Ouro 18K: Au+Ag e/ou Cu, Bronze: Cu+Sn, Aço: Fe+C, Latão: Cu+Zn, Amálgama: Hg+Ag, etc.) -Solução líquida O solvente é sempre líquido e o soluto pode ser: sólido, líquido ou gasoso. Exemplos: soro fisiológico (água - solvente, sal - soluto), refrigerantes (água - solvente, gás carbônico - soluto), álcool hidratado (água - solvente, álcool - soluto) -solução gasosa O solvente é gasoso e o soluto gasoso. Exemplo: ar atmosférico filtrado 38
De acordo com a natureza do soluto CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS / Auxiliar de laboratório Solução molecular As partículas dispersas do soluto são moléculas. A solução molecular é também chamada de solução não-eletrolítica. Exemplo: água + açúcar (C 6 H 12 O 6 ). Solução iônica As partículas dispersas do soluto são íons ou íons e moléculas (dependendo do sal ou do ácido). Exemplo: água + sal (NaCl), água + ácido clorídrico (HCl) - De acordo com a proporção do soluto em relação ao solvente Num determinado dia, ao receber visitas em sua casa, você resolve preparar suco de laranja e suco de uva para servir a seus convidados. Ao servir o suco de laranja, nota-se que algumas pessoas fazem cara feia e dizem: nossa como está forte! Enquanto que outras pessoas que beberam suco de uva dizem: Hum, este está muito fraco! Nestes dois casos descritos acima, podemos observar que temos dois tipos de soluções: diluída e concentrada. Diluída Pouco soluto dissolvido em relação ao solvente (suco de uva). Concentrada Muito soluto dissolvido em relação ao solvente (suco de laranja). Ao juntarmos, gradativamente, açúcar e água em temperatura constante e sob agitação contínua, notamos que o sólido se dissolve, até não poder ser mais visto. Vamos acrescentando mais açúcar e tornando a solução mais concentrada, até que em um dado momento, o açúcar não se dissolve mais na água, mas se deposita no fundo ou se precipita ou se deposita ou se decanta. Neste momento, dizemos que a solução está saturada e apresenta um corpo de fundo. -Saturada Solução que contém uma quantidade máxima de soluto dissolvido no solvente numa determinada temperatura e pressão. Esta quantidade máxima de soluto dissolvido é expresso através do coeficiente de solubilidade (CS). Por exemplo, a 20 C, a solubilidade do KNO 3 é 31,6 g em cada 100 g de H 2 O. Isto significa que podemos dissolver até 31,6 g de KNO 3 a 20 C em 100 g de H 2 O. A variação de temperatura pode alterar o coeficiente de solubilidade de uma substância. Geralmente, o aumento da temperatura aumenta a solubilidade da maioria das substâncias. -insaturada ou não saturada Ocorre quando a quantidade de soluto adicionada é inferior ao coeficiente de solubilidade. Por exemplo, o coeficiente de solubilidade do KNO 3 em água a 20 C é 31,6 g/100 g H 2 O, portanto, a adição de qualquer quantidade de KNO 3 abaixo de 31,6 g em 100 g de água, a 20 C, produz solução insaturada. -Supersaturada Solução que contém uma quantidade de soluto dissolvido superior à solução saturada por meio de uma variação de temperatura. Por exemplo: a 40 C, a solubilidade do KNO 3 é 61,47 g/100 g H 2 O e, a 20 C, é 31,6 g/100 g H 2 O. As soluções supersaturadas são instáveis, ou seja, qualquer perturbação no meio irá fazer com que o KNO 3 precipite, tornando o sistema heterogêneo. O processo de dissolução: interações soluto/solvente; efeitos térmicos. Solubilidade de Gases em Líquidos Normalmente, os gases são pouco solúveis nos líquidos. Dois fatores alteram consideravelmente a solubilidade: Temperatura Todo aumento de temperatura diminui a solubilidade do gás no líquido. Por exemplo, para eliminar gases dissolvidos na água, é feito o aquecimento por um certo período de tempo. Sendo assim, a diminuição da temperatura facilita a solubilidade de um gás num líquido. 39
Pressão Quando não ocorre reação do gás com o líquido, a influência da pressão é estabelecida pela lei de Henry: Em temperatura constante, a solubilidade de um gás num líquido é diretamente proporcional à pressão. Por exemplo, podemos citar os refrigerantes, que apresentam grande quantidade de CO 2 dissolvido sob pressão. Quando o refrigerante é aberto, a pressão diminui, fazendo com que o excesso de CO 2 dissolvido no refrigerante escape. Curvas de Solubilidade São diagramas que mostram a variação dos coeficientes de solubilidade das substâncias em função da temperatura. Analisando o gráfico ao lado, observamos que regiões abaixo da curva representam solução não-saturada, sobre a curva, região saturada e acima da curva, desde que as quantidades permaneçam em solução, região supersaturada. O gráfico ao lado representa a solubilidade de várias substâncias em função da temperatura. Observamos que a maioria das substâncias aumenta a solubilidade com o aumento da temperatura. Podemos dizer, então, que se trata de uma dissolução endotérmica.para uma substância como Ce 2 (SO 4 ) 3, a solubilidade diminui com o aumento da temperatura; portanto, trata-se de uma dissolução exotérmica. O gráfico do coeficiente de solubilidade em função da temperatura é utilizado principalmente para informar a solubilidade de uma ou várias substâncias em função da temperatura. Por exemplo: Interpretando o gráfico: na temperatura de 50 C, a quantidade máxima de KNO 3 que se dissolve em 100 g de água são 80 g. A solução em questão é saturada; para obtermos uma solução saturada KNO 3 a 40 C, basta dissolver 60 g de KNO 3 em 100 g de água; se resfriarmos uma solução saturada de 50 C para 40 C, teremos um corpo de fundo igual a 20 g de KNO 3 ; 200 g de água a 40 C dissolvem no máximo 120 g de KNO 3. Eletrólitos e soluções eletrolíticas. Soluções eletrolíticas São denominadas soluções eletrolíticas, as que conduzem energia elétrica, soluções aquosas de NaCl, KI, NaOH, HCl entre outras. Os compostos destas soluções são denominados eletrólitos. Essas soluções (NaCl,KI,NaOH, HCl) são condutores de energia pelo fato de se transformarem ao serem colocadas na água. A Teoria da Dissociação Eletrolítica do químico sueco Arrhenius, diz respeito ao fato das transformações poderem voltar ao estado anterior em sentido oposto, ou seja elas são consideradas reversíveis, pois elas ocorrem nos dois sentidos, sendo assim equacionadas com dupla seta, sendo uma contraria da outra. Observe: Preste atenção no resumo abaixo: Solução ou substância fundida: Contendo íons conduz eletricidade. Não contendo íons não conduz eletricidade. 40
Substância iônica no estado sólido não conduz eletricidade. Substância iônica no estado fundido ou dissolvida conduz eletricidade. Substância molecular no estado fundido ou no estado sólido não conduz eletricidade. Substância molecular em solução contendo íons (ácidos ionizados em água) conduz eletricidade, não contendo íons, não conduz eletricidade. Concentração de soluções: em g/l, em mol/l e em percentuais. Cálculos. Para a identificação das quantidades envolvidas na formação (composição) de uma solução adotaremos índices, para maior facilidade de memorização das relações. O soluto terá índice 1; o solvente terá índice 2 e a solução será representada sem nenhum índice. Concentração Comum (C) (apenas a massa do soluto é considerada) Indica a relação da massa do soluto em gramas pelo volume da solução em litros. Outras unidades podem ser empregadas, tais como mg, ml, etc. Densidade (d) Indica a relação da massa da solução pelo volume por ela ocupado. Observação Não confunda Concentração Comum (C) e densidade (d). Na densidade leva-se em consideração as massas do soluto e do solvente. Concentração em mols por litro (mol/l) ou Molaridade (ɱ): Quantidade, em mols, do soluto existente em 1 litro de solução (soluto + solvente). Título Indica a relação da massa do soluto pela massa da solução. Pode ser multiplicado por 100 e, assim, corresponder ao que é considerado a porcentagem em massa do soluto na massa da solução. Os valores possíveis para o título se enquadram no seguinte intervalo: 0 T 1,0. Como o título pode assumir valores pequenos, por exemplo, 0,0045, costuma-se multiplicar o valor do Título por 100 e, assim, popularmente se referir ao Título como a porcentagem em massa. 41
Vale lembrar que o Título expressa uma relação entre massas e, portanto, é adimensional, ou seja, não tem unidades, sendo expresso por um número puro. Exemplos - No rótulo de um frasco de soro fisiológico à 0,9 % interpretamos da seguinte maneira: em 100 ml do soro fisiológico temos 0,9 g de NaCl. -Vodka: 40% volume ou 40 o GL: 100 ml da bebida possui 40% em volume ou 40 ml de álcool etílico. - A água oxigenada 10 vol ou 20 vol é uma solução aquosa que, à temperatura ambiente, sofre decomposição: H 2 O 2(aq) H 2 O (l) + O 2(g)Devido a liberação do oxigênio, esta solução é utilizada como antisséptico na limpeza de ferimentos, pois o oxigênio liberado elimina as bactérias aeróbicas, que causam o apodrecimento do tecido. Exemplo Calcular a concentração em g/l de uma solução com 40 g de soluto em 500 cm 3 de solução. Dados: Massa do soluto = 40 g Volume da solução = 500 cm 3 = 0,5 L Concentração da solução =? (g/l) RESOLUÇÃO 40 g de soluto ------------------ 0,5 L de solução X ------------------ 1,0 L de solução X = 80 g de soluto Desta forma ficamos com: C = 80 g/l QUESTÕES RESOLVIDAS Questão 01) Preparou-se uma solução dissolvendo-se 40g de Na2SO4 em 100g de água a uma temperatura de 60ºC. A seguir a solução foi resfriada a 20ºC, havendo formação de um sólido branco. a) Qual o sólido que se formou? b) Qual a concentração da solução final (20ºC). Dados: as curvas de solubilidade do Na2SO4. 10 H2O e do Na2SO4, no gráfico abaixo; a solubilidade está casos, em gramas de Na2SO4 / 100g de H2O. indicada, nos dois Gab: a) Na 2 SO 4.10H 2 O b) 0,2 g de sal/g H 2 O. 42
Questão 02 ) O gráfico a seguir expressa os coeficientes de solubilidade (C s ) do KClO 3 em 100g de água em várias temperaturas: C (g/100g de água) s 20-16 - 12-8 - 4 -. 10 20 30 40 50 T (ºC) - -- - - - - - - Calcule: a) a percentagem do KClO 3 que dissolve quando adiciona 12g de KClO 3 em 100g de água a 25ºC. b) a massa de KClO 3 contida em 240g de solução a 50ºC. GAB: a) 67% aproximadamente b) 48g de KClO 3 Questão 03) Num exame laboratorial, foi recolhida uma amostra de sangue, sendo o plasma separado dos eritrócitos, ou seja, deles isolado antes que qualquer modificação fosse feita na concentração de gás carbônico. Sabendo-se que a concentração de CO2. Neste plasma foi de 0,025 mol/l, essa mesma concentração em g/l é de : Gab: C = 1,1g/L Questão 04) Num refrigerante do tipo cola, a análise química determinou uma concentração de íons fosfato ( PO43-) igual a 0,15 g/l. Qual a concentração de fosfato, em moles por litro, neste refrigerante? Dados: massa atômicas relativas: P = 31; O = 16. Gab: C = 1,58. 10-3 mol/l Questão 05) Determine o menor volume de solução de ácido clorídrico 0,250 molar necessário para dissolver completamente 13,5 g de alumínio metálico granulado. RESOLUÇÃO Al + HCl AlCl 3 + 3/2H 2 m=13,5g V=? M=0,25mol/L Cálculo do número de mol do HCl 27g Al----------------------3mol HCl 13,5g Al-------------------- X X=1,5mol Cálculo da concentração molar do HCl M= n 1 /V M = 1,5 / 0,25 M = 6mol/L PREPARO DE SOLUÇÕES: CÁLCULOS, TÉCNICAS E MATERIAIS NECESSÁRIOS Inicialmente, para sua familiarização com o preparo de soluções é de extrema importância que você conheça os principais materiais de laboratório. Chamarei aqui de material de laboratório aos instrumentos e/ou equipamentos utilizados para realizar experiências, efetuar medições, estudar substâncias ou recolher dados e PREPARAR SOLUÇÕES. Abaixo, segue uma relação de alguns destes materiais e vidrarias, com suas principais utilizações no laboratório químico: 43
Balão de fundo chato: Para armazenar, preparar, aquecer ou recolher soluções. Podem ser de vidro transparente ou âmbar. Erlenmeyer: Serve para recolher frações de materiais destilados ou para conter misturas que serão homogeneizadas. Béquer: Resistem ao aquecimento, resfriamento e ataques de produtos químicos, com escala de pouca precisão. Funil de vidro: Empregado para transferir líquidos e para apoiar o papel de filtro. 44
Tubos de ensaio: Recipientes de vidro onde ocorrem reações e análises. Também utilizados para coleta de amostras em pequena quantidade. Condensadores: São colunas de vidro com tamanho variável entre 10 cm e 1,7 metro, dentro das quais existem tubos em forma reta, espiral ou bolas seqüenciais. São utilizados em destilações. Bastão ou baqueta: é um bastão maciço de vidro. Serve para agitar e facilitar as dissoluções ou manter massas líquidas em constante movimento. Proveta ou cilindro graduado: Serve para medição precisa de volumes maiores de líquidos. 45
Bureta: Serve para determinar pequenos volumes de reagentes com precisão. Pode ser de vidro ou de polietileno. Pipetas: Utilizadas para medir e transferir mínimas quantidades de líquidos com precisão. Podem ser graduadas ou volumétricas. Existem as pipetas automáticas, que não são de vidro. Balão volumétrico com saída lateral: Empregado na ebulição de líquidos em pequenas destilações. Bico de Bunsen: Aquecedor a gás com chama de temperatura variável, de acordo com a regulagem. Cadinho ou cápsula de porcelana: É usada em evaporação ou secagem e pode ser levada ao fogo sobre tela de amianto. 46
Suporte universal, garra e pinças de fixação: Usados para segurar e sustentar vidrarias, como balões e condensadores, entre outros. Tripé de ferro: Usado como apoio para tela de amianto e outros objetos a serem aquecidos. Tela de amianto: suporte para as peças a serem aquecidas. A função do amianto é distribuir uniformemente o calor recebido pela chama do bico de Bunsen. Há alguns anos está proibido seu uso por ser cancerígeno. Substituídos por mantas elétricas ou placas de aquecimento, termostatizadas. Estante para tubos de ensaio: É utilizado para apoiar tubos de ensaio. 47
Funil de Buchner: Usado em filtrações a vácuo, pode substituir os cadinhos de Gooch. Kitassato: Recipiente de vidro com paredes super-reforçadas e indicado para filtrações a vácuo. Funil de separação: Utilizado na separação de misturas de líquidos imiscíveis. Também pode ser chamado funil de decantação ou funil de bromo. Pisseta: Deve conter solventes, água ou soluções de sabões e é utilizada para efetuar lavagens de outras vidrarias. 48
Preparo de soluções: cálculos, técnicas e materiais necessários Qual deve ser o procedimento, as etapas, os cuidados e os passos para se preparar uma solução? Voce está costumado a esta situação? Veja que neste concurso o candidato deve ter uma certa experiencia (ou, no mínimo, um certo conhecimento) para preparar uma solução. Portanto, a seguir trarei algumas situações para o preparo de soluções, utilizando-se solutos líquidos ou sólidos. 1ª EXPERIÊNCIA: Preparar 100mL de solução aquosa de NaOH de concentração aproximadamente 0,5mol/L. a) Pese 2g de NaOH em um béquer de 100mL OBS. 1: A balança é um aparelho delicado que deve ser manuseado com CUIDADO! OBS.2: O índice 1 se refere ao soluto, o índice 2 se refere ao solvente e ausência de índice indica dados da solução. b) Acrescente ao béquer uma quantidade de água destilada, aproximadamente 30mL, suficiente para dissolver o soluto. OBS.3: A dissolução do NaOH é exotérmica c) Transfira esta solução para um balão volumétrico de 100mL, com auxílio de um funil. Lave o béquer e o funil, com água destilada e transfira as águas de lavagem também para o balão. d) Complete o volume do balão, enchendo-o com água destilada até o traço de referência. O balão deve ser arrolhado e agitado para homogeneização. e) Guarde a solução em frasco rotulado(naoh@ 0,5mol/L). 2ª EXPERIÊNCIA: Preparar 100mL de solução aquosa H 2 SO 4 ( ácido sulfúrico) de concentração 0,5 mol/l a) De acordo com a equação de molaridade, apresentada na experiencia anteior, faz-se o cálculo do volume de ácido a ser usado, não se esquecendo de levar em consideração a densiddade do líquido. Determinou-se que o volume seria de 2,7 ml. Meça 2,7mL de H 2 SO 4 98% através de uma bureta (em alguns casos pode se usar uma pipeta, mas, teremos menor precisão) contendo o referido ácido, em um béquer de 100mL contendo, aproximadamente, 20mL de H 2 O destilada. b) Transfira vagarosamente o H 2 SO 4 para um balão volumétrico de 100mL, utilizando um funil. Lave o béquer e o funil, com água destilada e transfira as águas de lavagem também para o balão. c) Complete o volume do balão com água destilada até o traço de referência. d) Arrolhar o balão e agitá-lo para homogeneização. e) Guarde a solução em frasco rotulado(h 2 SO 4 @0,5mol/L) QUESTÃO PROPOSTA QUESTÃO 01) Preparo da solução de NaOH. Será considerado o preparo de 1 litro de solução estoque a 0,15M. RESOLUÇÃO: -Massa de NaOH a ser pesada: n1 M = 0,15 M M = V ( L) V = 1 L n= 0,15 mol 49
- calcular a massa de NaOH m 1 n 1 = m1= n1 X PM1 = 40 x 0,15 = 6g PM 1 Portanto deverão ser pesadas 6g de NaOH. Procedimento: O hidróxido de sódio deverá ser pesado em balança analítica e pré-dissolvido em água desionizada utilizando-se um Becker e um bastão de vidro. Em seguida deverá ser transferida para um balão volumétrico de 1 litro que terá seu volume completado com água deionizada. Após a homogeneização, a solução deverá ser transferida para um frasco de reagentes de 1 litro, devidamente etiquetado. PRODUTO IÔNICO DA ÁGUA. PH. SOLUÇÃO TAMPÃO ph e poh de Soluções Aquosas É muito comum ouvirmos alguém dizer que o ph da água de uma piscina precisa ser controlado, assim como o ph da água de um aquário ou de um solo, para favorecer um determinado plantio. Até mesmo nosso sangue deve manter um ph sempre entre os valores de 7,35 e 7,45. Uma variação de 0,4 pode ser fatal! O que exatamente é o ph e o que significam seus valores? Equilíbrio Iônico da Água (Kw) Considere um copo com água. Será que essa água é composta apenas por moléculas de H 2 O? Não, pois como essas moléculas estão em constante movimento, elas se chocam o tempo todo. Resultado: uma molécula de água pode colidir e reagir com outra molécula de água! O equilíbrio gerado é conhecido como auto-ionização da água: A água é um eletrólito extremamente fraco, que se ioniza segundo a equação: H 2 O + H 2 O H 3 O + + OH Ou simplesmente: H 2 O H + + OH Como toda ionização, a da água também atinge um equilíbrio, chamado equilíbrio iônico da água. Um litro de água a 25 ºC tem massa igual a 1.000 g. Portanto, em 1 litro, temos aproximadamente 55,5 mols de água: Destes 55,5 mols, constata-se experimentalmente que apenas 10 7 mols sofrem ionização. Como a água pura é neutra (já que para cada íon H +, forma-se também um íon OH - ), temos que [H + ] = [OH - ], a 25 C, quando [H + ]. [OH - ] = 1,0.10-14, temos que [H + ] = [OH - ] = 10-7 mol/l. Como a concentração molar da água é praticamente constante, retomando a constante de equilíbrio, podemos escrever: K.[H 2 O] = [H + ].[OH - ] do que resulta uma única constante (o produto de duas constantes), ou seja: K w = [H + ].[OH - ], que é o chamado produto iônico da água, onde o w se deve à palavra inglesa water. 14 a 25 ºC. O produto iônico da água, K w, tem valor igual a 10 K é uma constante de equilíbrio e como tal não é afetada pela variação na concentração de w H+ ou OH, mas varia com a temperatura. ph e poh Para não se trabalhar com potências negativas, Peter L. Sörensen propôs uma nova escala para as medidas de acidez e basicidade das soluções, utilizando logaritmo segundo as definições: 50
A letra p, minúscula, significa potencial; portanto: ph é o potencial hidrogeniônico da solução; poh é o potencial hidroxiliônico da solução. Para soluções ácidas Sörensen definiu ph como sendo o logaritmo(decimal) do inverso da concentração hidrogeniônica: ph = log 1/[H + ] Ou ainda, como o cologarítmo da concentração hidrogeniônica: ph = colog [H + ] Ou seja: ph = log 1/[H + ] ph = log 1 log [H + ] Como log 1 = 0: ph = -log[h + ] ou ph = colog [H + ] que é igual ao inverso do log. Neste caso: Exemplo Qual o ph de uma solução de concentração hidrogeniônica igual a 10 5? Para Soluções Básicas Por analogia, define-se poh como sendo o logaritmo (decimal) do inverso da concentração hidroxiliônica: poh = log 1/[OH - ] Ou ainda, como sendo o cologaritmo da concentração de OH - : poh = colog [OH - ] Assim: poh = log 1/[OH - ] poh = log 1 log [OH - ] Como log 1 = 0: poh = -log[oh - ] ou poh = colog [OH - ] 51
Neste caso: Exemplo Portanto, a 25 C: Lembre-se sempre que as soluções podem ser: Exemplos de cálculo de ph: Observação: Os conceitos de ph e poh indicam que em qualquer solução coexistem H + e OH -. Por mais ácida que seja a solução, sempre existirão, embora em pequeno número, íons OH -. Nas soluções básicas também estarão presentes os íons H +. As concentrações desses íons jamais se anulam. 52
Relação entre ph e poh Portanto: Escala de ph e poh: A escala acima apresenta as relações entre os valores de ph e poh e suas respectivas concentrações dos íons. QUESTÕES PROPOSTAS Questão 01) A 25 o C, adiciona-se 1mL de uma solução aquosa 0,10mol/L em HCl a 100mL de uma solução aquosa 1mol/L em HCl. O ph da mistura final é: a) 0 b) 1 c) 2 d) 3 e) 4 RESOLUÇÃO Solução-I Solução-II Solução-Final [H + ] I =10-1 mol/l [H + ] II =1,0mol/L [H + ] F =? mol/l V I = 1,0mL V II = 100mL V F = 101mL Cálculo da concentração de H + na solução final ([H + ] I x V I ) + ( [H+ ] I x V II ) = [H+ ] I x V F (10-1 mol/l x 1,0mL) + (1,0mol/L x 100mL) = 101mL x [H + ] F [H + ] F = 1,0mol/L Assim, podemos calcular o ph como sendo: ph = -log [H] ph = - log1 ph = 0 Questão 02) O ph do suco de um determinado limão é próximo de 2. Sendo assim, quando 100 ml desse suco são diluídos com água para o preparo de 1 L de limonada, o ph 53
a) diminui de 1 unidade. b) diminui de 10 unidades. c) aumenta de 1 unidade. d) aumenta de 3 unidades. e) aumenta de 10 unidades. Gab: C Questão 03) O ferro é um dos elementos mais abundantes na crosta terrestre. O íons ferro-iii em solução aquosa é hidrolisado de acordo com a equação : 3+ (aq) 2 (L) 3(s) Fe + 3 H O Fe(OH) + 3 H + (aq) a) Com base nesta equação, explique por que na água do mar (ph = 8) não há íons Fe 3+ (aq) presentes. b) O que se pode dizer sobre as águas de determinados rios que são ricos em íons Fe 3+ (aq)? Gab: a) como o ph é 8 (ph básico) há, na água do mar uma grande quantidade de íons hidroxila que irá consumir os íons H + (aq) presentes o que deslocará o equilíbrio para a direita consumindo os íons Fe 3+ (aq). b) são água que apresentam ph ácido. Questão 04) Qual das opções a seguir contém a afirmação ERRADA a respeito do que se observa quando da adição de uma porção de níquel metálico, pulverizado, a uma solução aquosa, ligeiramente ácida, de sulfato de cobre? a) A mistura muda gradualmente de cor. b) A concentração de íons Ni 2+ (aq) aumenta. c) A concentração de íons Cu 2+ (aq) diminui. d) A quantidade de níquel oxidado é igual à quantidade de cobre reduzido. e) O ph da solução aumenta. RESOLUÇÃO a) Verdadeiro, pois o cobre é reduzido enquanto o níquel é oxidado. Ni o (s) + CuSO 4(aq) NiSO 4(aq) + Cuo b) Verdadeiro, pois o níquel é oxidado dando uma solução de sulfato de níquel representada no item a. c) Verdadeiro, o íon Cu 2+ é reduzido a cobre metálico. d) Verdadeiro, pois os equivalentes eletroquímicos de ambos são iguais. e) Falso, não há variação de ph quando se adiciona o níquel. SOLUÇÃO TAMPÃO Considere as seguintes situações: 54
Perceba que a adição de uma pequena quantidade de um ácido forte ou de uma base forte à água pura provoca uma alteração brusca no ph do meio (variação de 4 unidades). Verifique, também, que a adição da mesma quantidade do ácido ou da base à solução formada pelo ácido acético e acetato de sódio provoca uma alteração muito pequena no ph desta solução (variação de 0,1 unidade). A solução formada por ácido acético e acetato de sódio recebe o nome de solução tampão. Portanto temos: Solução tampão ou solução tamponada é aquela que, ao adicionarmos uma pequena quantidade de ácido ou base, mesmo que fortes, mantém o seu ph praticamente invariável. É provável que a observação destes fatos levem ao seguinte questionamento: Como as soluções tampão conseguem manter o seu ph praticamente constante? Vamos imaginar uma solução tampão constituída por uma base fraca (BOH) e um sal (BA) derivado desta base. Nesta solução, ocorrem os seguintes fenômenos: -Pequena dissociação da base: 55
(Na solução predominam fórmulas da base BOH) -Dissociação total do sal: BA B + + A - (Na solução predominam íons B + e A - ) Observação: Note que o íon B + é comum à base e ao sal. Ao juntarmos a esta solução uma base forte, esta irá liberar íons OH -, que serão consumidos pelo equilíbrio: Como consequência, este equilíbrio desloca-se para a esquerda, e com isso a basicidade da solução não aumenta e o ph não sofre variação significativa. Perceba que não irá faltar o íon B + para que o equilíbrio acima se desloque para a esquerda, uma vez que a dissociação do sal BA B + + A - fornece uma boa reserva deste íon. Se juntarmos à solução tampão um ácido qualquer, este irá se ionizar colocando íons H + em solução. Estes íons H + serão consumidos pelos íons OH - resultantes da dissociação da base, e, desta forma, a acidez não aumenta e o ph não muda. H + + OH - H 2 O Perceba que não irão faltar íons OH - para reagir com o H + do ácido, pois a base BOH é fraca, e o estoque de fórmulas BOH que continuará se dissociando e fornecendo OH - é muito grande. Desta forma, conseguimos compreender que a solução tampão só resistirá às variações de ph até que toda base BOH ou todo sal BA sejam consumidos. A resistência que uma solução tampão oferece às variações de ph recebe o nome de efeito tampão. Caso a solução tampão fosse constituída por um ácido fraco e um sal derivado deste ácido, a explicação para o comportamento desta solução seria semelhante à anterior. Concluímos, então, que uma solução tampão é usada sempre que se necessita de um meio com ph praticamente constante e preparada dissolvendo-se em água: um ácido fraco e um sal derivado deste ácido; uma base fraca e um sal derivado desta base. cálculo do ph de uma solução tampão Vamos supor uma solução tampão constituída por um ácido fraco (HA) e um sal (BA) derivado deste ácido. Neste caso, teremos: Deduzindo a expressão da constante do equilíbrio para o ácido fraco, temos: Como o ácido é fraco, a sua concentração praticamente não varia durante a ionização, e a quantidade de íon A - produzida é muito pequena. Por outro lado, o sal se dissocia totalmente, produzindo quase todo íon A -, presente na solução. Portanto, a expressão da constante de equilíbrio ficará: 56
Aplicando logaritmo aos dois membros da equação, teremos: Para uma solução tampão de base fraca e um sal derivado desta base, podemos demonstrar que: Como ph + poh = 14, neste caso ficamos com: ph = 14 - poh Com isso teremos: Aplicações das soluções tampão -Como os microorganismos se desenvolvem melhor em determinadas faixas de ph, os meios de cultura são, geralmente, tamponados. -Os fluidos biológicos são tamponados, utilizando para isso várias substâncias (ácidos, bases e sais) que existem no organismo. O sangue humano apresenta, normalmente, ph em torno de 7,4. Um aumento ou diminuição de 4 décimos neste valor, causa morte do indivíduo. Os sucos digestórios também são tamponados, pois as enzimas que catalisam as reações orgânicas atuam em determinadas faixas de ph. 57
-Determinados medicamentos são tamponados com o objetivo de melhorar a sua atuação ou atenuar os efeitos colaterais. Um exemplo de medicamento tamponado é o Bufferin, que atua como analgésico e antiinflamatório. Este medicamento é constituído por ácido acetilsalicílico (AAS ou aspirina) tamponado com carbonato de magnésio e aminoacetato de alumínio. O ph e o Sangue Como já dito, muitos processos químicos dependem do controle de ph; no corpo humano não é diferente. O balanço entre os ácidos e as bases no organismo se caracteriza pela busca permanente do equilíbrio. O grau de acidez é uma importante propriedade química do sangue e de outros líquidos corporais. Normalmente, o sangue é discretamente alcalino, com um ph situado na faixa de 7,35 a 7,45. O equilíbrio ácido-base é controlado com precisão, pois, mesmo um pequeno desvio da faixa normal, pode afetar gravemente muitos órgãos. O organismo utiliza três mecanismos para controlar o equilíbrio ácido-base do sangue: - O mecanismo químico: o corpo utiliza soluções tampão (soluçãocapaz de atenuar a variação do valor do seu ph, resistindo à adição, dentro de limites, de reagentes ácidos ou alcalinos) do sangue para se defender contra alterações súbitas da acidez. O tampão mais importante do sangue utiliza o bicarbonato (um composto básico) que se encontra em equilíbrio com o dióxido de carbono (um composto ácido). À medida que mais ácido ingressa na corrente sanguínea, mais bicarbonato e menos dióxido de carbono são produzidos. À medida que mais base entra na corrente sanguínea, mais dióxido de carbono e menos bicarbonato são produzidos. Em ambos os casos, o efeito sobre o ph é minimizado. -O mecanismo renal: o excesso de ácido é excretado pelos rins, principalmente sob a forma de amônia. Os rins possuem uma certa capacidade de alterar a quantidade de ácido ou de base que é excretada, mas, geralmente, esse processo demora vários dias. -O mecanismo respiratório: O terceiro mecanismo de controlo do ph do sangue envolve a excreção do dióxido de carbono. O dióxido de carbono é um subproduto importante do metabolismo do oxigênio e, conseqüentemente, é produzido constantemente pelas células. O sangue transporta o dióxido de carbono até os pulmões, onde é expirado. Os centros de controle respiratório localizados no cérebro regulam a quantidade de dióxido de carbono que é expirado através do controlo da velocidade e profundidade da respiração. Quando a respiração aumenta, a concentração de dióxido de carbono diminui e o sangue torna-se mais básico. Quando a respiração diminui, a concentração de dióxido de carbono aumenta e o sangue torna-se mais ácido. Através do ajuste da velocidade e da profundidade da respiração, os centros de controle respiratório e os pulmões são capazes de regular o ph sanguíneo minuto a minuto. Uma alteração em um ou mais desses mecanismos de controlo do ph pode produzir uma das principais alterações do equilíbrio ácido-base: a acidose ou a alcalose. A acidose é uma condição na qual o sangue apresenta um excesso de ácido (ou uma falta de base), acarretando freqüentemente uma redução do ph sanguíneo. A alcalose é uma condição na qual o sangue apresenta um excesso de base (ou uma falta de ácido), acarretando ocasionalmente um aumento do ph sanguíneo. A acidose e a alcalose não são doenças, mas sim conseqüências de vários distúrbios. A presença de uma acidose ou uma alcalose provê um indício importante ao médico de que existe um problema metabólico grave. A acidose e a alcalose podem ser classificadas como metabólicas ou respiratórias, de acordo com a sua causa primária. A acidose metabólica e a alcalose metabólica são causadas por um desequilíbrio na produção e na excreção de ácidos ou bases pelos rins. A acidose respiratória e a alcalose respiratória são causadas principalmente por distúrbios pulmonares ou respiratórios. QUESTÕES PROPOSTAS QUESTÃO 01) Qual o ph de uma solução cuja concentração hidrogeniônica ([H + ] é 10-8? RESOLUÇÃO:! 58
QUESTÃO 02) Calcular o ph de um meio cuja concentração hidrogeniônica é 0,01 mol/l. RESOLUÇÃO: QUESTÃO 03) Qual é o ph de uma solução cuja concentração hidroxiliônica é de 0,1 mol/l? RESOLUÇÃO:!! QUESTÃO 04) Calcular o ph de uma solução de ácido clorídrico HCl 0,1M RESOLUÇÃO:! ESTEQUIOMETRIA Equações químicas: balanceamento e uso na representação de reações químicas comuns. Dalton afirmava que os átomos se conservam nas transformações químicas, mas nem sempre uma equação é indicada de forma que isso fique aparente. Isso porque é preciso fazer um acerto, o balanceamento químico do número de átomos que constituem os reagentes e os produtos. 59
Neste tópico falaremos um pouco sobre um tipo bem específico de balanceamento, aquele que é feito logo no início, quando não se tem muita prática. Para melhor entendimento, recomendamos o uso de bolinhas ou os símbolos criados por Dalton. Além de ilustrarem melhor a operação, elas ajudam a fixar a ideia logo no início. Confira o exemplo: Vamos balancear a equação da formação da água. Tendo como reagentes uma molécula de Hidrogênio com dois átomos e uma molécula de gás oxigênio, também com dois átomos, precisamos chegar na fórmula H 2 O. Repare que sobra uma átomo de oxigênio e para que ocorra o balanceamento, não pode haver sobra. Por isso é preciso acrescentar outra molécula de Hidrogênio com dois átomos. Assim ao invés de uma, serão produzidas duas moléculas de água. A equação balanceada ficaria da seguinte forma:. Repare que a soma dos átomos dos reagentes é igual ao número de átomos do produto. É isso que confirma: a equação foi balanceada. Confira outro exemplo: BaO + As 2 O 5 Ba 3 (AsO 4 ) 2 Neste caso ao invés de sobrar, faltam átomos de Bário e Oxigênio. Para isso é preciso acrescentar moléculas de BaO até que a necessidade seja suprida, tomando cuidado paraque não haja sobra. Acrescentando mais duas moléculas de BaO, tudo se resolve. Basta trasncrever os coeficientes das fórmulas químicas na equação e pronto. Repare mais uma vez que o número de átomos se conserva. Para ver se você entendeu mesmo, tente resolver alguns dos exercícios abaixo. As respostas constam em seguida: a) Fe + O2 = Fe2O3 b) CaCO3 = CaO + CO2 c) FeS2 + O2 = Fe2O3 + SO2 d) NaOH + H2SO4 = Na2SO4 + H2O e) K2Cr2O7 + KOH = K2CrO4 + H2O Respostas: a) 4Fe + 3O2 = 2SO3 b) CaCO3 = CaO + CO2 c) 4FeS2 + 11O2 = 2FeO3 + 8SO2 d) 2NaOH + H2SO4 = Na2SO4 + 2H2O e) K2Cr2O7 + 2KOH = 2K2CrO4 + H2O QUESTÕES PROPOSTAS 60
Massa atômica, mol e massa molar: conceitos e cálculos. Para medir a massa de um átomo ou uma molécula qual será a grandeza utilizada? Resposta: Unidade de massa atômica (u) Átomos individuais são muito pequenos para serem vistos e muito menos pesados. Porém, é possível determinar as massas relativas de átomos diferentes, quer dizer, podemos determinar a massa de um átomo comparando com um átomo de outro elemento utilizado como padrão. Em 1961, na Conferência da União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC), adotou-se como padrão de massas atômicas o isótopo 12 do elemento carbono (12 C), ao qual se convencionou atribuir o valor exato de 12 unidades de massa atômica. Uma unidade de massa atômica (1 u) corresponde desta forma a de massa de um átomo de isótopo 12 do carbono. Massa Atômica (MA) Massa atômica é o número que indica quantas vezes a massa de um átomo de um determinado elemento é maior que 1u, ou seja, do átomo de 12 C. Comparando-se a massa de um átomo de um determinado elemento com a unidade de massa atômica (1u), obtém-se a massa desse átomo. Exemplo Quando dizemos que a massa atômica do átomo de 32 S é igual a 32 u, concluímos que: a massa atômica de um átomo de 32 S é igual a 32 u; a massa atômica de um átomo de 32 S é igual a 32 vezes a massa de do átomo de C-12; a massa de um átomo de 32 S é igual a 2,7 vezes a massa de um átomo de C-12. O aparelho utilizado na determinação da massa atômica chama-se espectrômetro de massa. A medida é feita com grande precisão e o processo de determinação da massa do átomo é comparativo com o padrão, ou seja, o átomo de carbono-12. Massa Atômica de um Elemento A maioria dos elementos apresenta isótopos. O cloro, por exemplo, é constituído por uma mistura de dois isótopos de massas atômicas, respectivamente, 35 e 37. A massa atômica do cloro é dada pela média ponderada das massas isotópicas: 61
Portanto: Massa atômica de um ELEMENTO é a média ponderada das massas atômicas dos isótopos naturais desse elemento. Sendo assim, a massa atômica de um elemento hipotético A, constituído dos isótopos naturais A, A, A, pode ser calculada por: 1 2 n Massa Molecular (MM) Os átomos reúnem-se (combinam-se, ligam-se) para formar moléculas. A massa dessas moléculas é a soma das massas atômicas dos átomos constituintes. Como as moléculas são formadas por um grupo de átomos ligados entre si, o padrão usado como base para relacionar as massas dessas moléculas é o mesmo usado para os átomos: a unidade de massa atômica (u). Exemplo: C 6 H 12 O 6 (C=12, H=1, O=16) MM = 6 x 12 + 12 x 1 + 6 x 16 MM = 72 + 12 + 96 MM = 180 u Significado: Cada molécula de C H O possui massa de 180 u, ou seja, 180 vezes maior que 1/12 do carbono-12. 6 12 6 Portanto: Massa Molecular é a soma das massas atômicas dos átomos que constituem a molécula. Indica quantas vezes a massa da molécula é mais pesada que a massa de 1/12 do átomo de carbono-12. Vejamos outro exemplo: Quando dizemos que a massa molecular da água H O é 18 u, concluímos que: 2 - a massa de uma molécula H O é igual a 18 u; 2 - a massa de uma molécula H O é 18 vezes mais pesada que do átomo de carbono-12; 2 - a massa de uma molécula de água é 1,5 vezes mais pesada que um átomo de C-12. Observação: as massas dos compostos ionicos são denominadas de massa-fórmula. Por comodidade utilizaremos o termo massa molecular tanto para compostos ionicos como para compostos covalentes (moleculares). Número de Avogadro, mol, massa molar, volume molar Sejam as seguintes amostras: 12 g de carbono, 27 g de alumínio e 40 g de cálcio. Experimentalmente verifica-se que o número de átomos N, existentes em cada uma das amostras, é o mesmo, embora elas possuam massas diferentes. Porém, quantos átomos existem em cada uma dessas amostras? Várias experiências foram realizadas para determinar esse número conhecido como número de Avogadro (N) e o valor encontrado é igual a: 6,02x10 23 Assim, o número de Avogadro é o número de átomos em x gramas de qualquer elemento, sendo x a massa atômica do elemento, portanto existem: 6,02 10 23 átomos de C em 12 g de C (MA C = 12 u); 6,02 10 23 átomos de Al em 27 g de Al (MA Al = 27 u); 6,02 10 23 átomos de Ca em 40 g de Ca (MA Ca = 40 u). Conceito de Mol Segundo a União Internacional da Química Pura e Aplicada (IUPAC), mol é a quantidade de matéria que contém tantas entidades elementares quantos são os átomos de carbono-12 contidos em 0,012 kg do C-12. Constante de Avogadro é o número de átomos de C-12 contidos em 0,012 kg de C-12 e seu valor é 6,02x10 23 mol -1. 62
Portanto: UM mol é uma quantidade de 6,02x10 23 partículas quaisquer Sendo que, por exemplo: 1 mol de laranjas contém 6,02 10 23 laranjas; 1 mol de grãos de areia contém 6,02 10 23 grãos de areia; 1 mol de átomos contém 6,02 10 23 átomos; 1 mol de moléculas contém 6,02 10 23 moléculas; 1 mol de íons contém 6,02 10 23 íons; 1 mol de elétrons contém 6,02 10 23 elétrons, etc. Massa Molar (M) Massa Molar de um Elemento A massa molar de um elemento é a massa em gramas de 1 mol de átomos, ou seja, 6,02 10 23 átomos desse elemento. A massa molar de um elemento é numericamente igual à sua massa atômica expressa em gramas. Exemplo: Al (MA = 27 u) Massa Molar de uma Substância A massa molar de uma substância é a massa em gramas de 1 mol de moléculas da referida substância. A massa molar de uma substância é numericamente igual à sua massa molecular expressa em gramas. Exemplos a) CO 2 (C = 12 u ; O = 16 u) MM = 1 12 + 2 16 MM = 12 + 32 = 44 u Logo, ficamos com: b) NaCl (Na = 23; Cl = 35,5) MM = 1 23 + 1 35,5 MM = 23 + 35,5 = 58,5 Logo, ficamos com: 63
QUESTÕES PROPOSTAS QUESTÃO 01) Por ocasião das comemorações oficiais dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, o Banco Central lançou uma série de moedas comemorativas em ouro e prata. Uma delas, cujo valor facial é de R$ 20,00, foi cunhada com 8,0 g de ouro 900, uma liga metálica que contém 90% em massa de ouro. Conhecendo o Número de Avogadro: 6,0. 1023, e sabendo que a massa molar do ouro é 197 g. mol 1, pode-se afirmar que numa dessas moedas existem a) 2,2. 1022 átomos de ouro. b) 6,0. 103 átomos de ouro. c) 7,2. 103 átomos de ouro. d) 6,0.1023 átomos de ouro. e) 7,2. 1023 átomos de ouro. RESOLUÇÃO: Massa de ouro efetivo na moeda: 8,0 g 100% x 90% x = 7,2 g de ouro Cálculo do número de átomos: 1mol de Au 197 g 6,0. 1023 átomos 7,2 g y y 2,2. 1022 átomos de ouro Resposta: A QUESTÃO 02) Nitrito de sódio, NaNO2, é empregado como aditivo em alimentos, tais como toucinho, salame, presunto, linguiça e outros, principalmente com duas finalidades: evitar o desenvolvimento do Clostriduim botulinum, causador do botulismo; propiciar a cor rósea característica desses alimentos, pois participam da seguinte transformação química: Mioglobina + NaNO2 mioglobina nitrosa (proteína presente na carne, cor vermelha) A concentração máxima permitida é de 0,014 g de NaNO2 por 100 g do alimento. Os nitritos são considerados mutagênicos, pois no organismo humano produzem ácido nitroso, que interage com bases nitrogenadas alterando-as, podendo provocar erros de pareamento entre elas. A quantidade máxima, em mol, de nitrito de sódio que poderá estar presente em 1 kg de salame é, aproximadamente: Dados: Massas molares em g/mol: N = 14; Na = 23 e O = 16. a 2. 10 3 b) 1. 10 3 c) 2. 10 2 d) 2. 10 1 e) 1. 10 1 RESOLUÇÃO: Massa molar do NaNO2: M = (23 + 14 +2. 16) g/mol = 69 g/mol Massa máxima de NaNO2 permitida em 1 kg de salame: 0,014 g de NaNO2 100 g x 1000 g(1 kg) x = 0,14 g de NaNO2 64
Quantidade máxima em mols: 1mol de NaNO2 69 g y 0,14 g y 2. 10 3 mol de NaNO2 Resposta: A CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS / Auxiliar de laboratório QUESTÃO 03) Os filmes fotográficos contêm uma mistu- ra de haletos de prata, sais sensíveis à luz e pouco solúveis. Após exposição à luz, uma parte do brometo de prata presente no filme é convertida em bromo e prata metálica. Após um tratamento com um fixador, grãos de prata contendo 1010 átomos de prata são formados, dando origem ao que se chama de imagem latente. Sabendo-se que a reação de fotorredução do brometo de prata é descrita como: AgBr + luz Br + Ag0 (prata metálica) Pergunta-se: qual é a massa de AgBr necessária para gerar um grão de prata contendo 1010 átomos de prata? Dados: massas atômicas: Ag = 107,9; Br = 79,9 a) 3,13. 10 12 g de AgBr b) 1,79. 10 12 g de AgBr c) 1,33. 10 12 g de AgBr d) 6,50. 1015 g de AgBr e) 4,81. 1013 g de AgBr RESOLUÇÃO: AgBr + luz Br + Ag 1 mol 1 mol 187,8 g 6,0. 1023 átomos x 1010 átomos 187,8. 1010 x = g = 3,13. 10 12 g de AgBr 6,0. 1023 Resposta: A QUESTÃO 04) Em 13 de setembro de 1987, um aparelho contendo césio-137 encontra-se abandonado no prédio do Instituto de Radioterapia, que havia sido desativado há cerca de 2 anos. Dois homem à procura de sucata invadiram o local e encontraram o aparelho, que foi levado e vendido ao dono de ferro-velho. Durante sua desmontagem, foram expostos a 19,26g de cloreto de césio ( 137 CsCl), pó branco semelhante ao sal de cozinha que, no entanto, brilha no escuro com uma coloração azulada. Encantado com o brilho do pó. O dono do ferro-velho passou a mostrá-lo e distribuí-lo a amigos e parentes. Pergunta-se : Quais as semelhanças e diferenças entre os isótopos de césio 55 Cs 133 (estável) e 55 Cs 137 (radioativo), com relação ao número de prótons, nêutrons e elétrons? Gab: Césio Prótons nêutrons elétrons 55 Cs133 55 78 55 55 Cs137 55 82 55 Questão 05) Qual a constante que melhor caracteriza o átomo de um elemento químico? Defina-a. Gab: É o número atômico (Z), que é o número de prótons existentes no núcleo. QUESTÃO 06) Um elemento X apresenta os seguintes isótopos: 40X 80% 42X 15% 44X 5% A massa atômica de X é: a) 40,5u b) 41,0u c) 42,5u d) 43,0u e) 43,5u 65
Resolução massa atômica = 40u. 80 + 42u. 15 + 44u. 5 100 = 40,5u Resposta: A QUESTÃO 07) Responda às perguntas: a) Qual a massa, em gramas, de 2 quilogramas de cobre? b) Qual a massa, em gramas, de 2,7 mols de mercúrio? (Hg =200u) c) Qual a massa, em gramas, de 9.1023 átomos de iodo? (I = 127u). Constante de Avogadro: 6.1023 mol 1. d) Qual a massa, em gramas, de 3,5 mols de ácido nítrico? (H = 1u, N = 14u e O = 16u) e) Qual a massa, em gramas, de 9. 1023 moléculas de gás carbônico? (C = 12u e O = 16u) f) Qual a massa, em gramas, de 1 átomo de polônio? (Po = 200u) Resolução a) 2 kg de cobre = 2000g de cobre = 2. 103g de cobre b) 1 mol de Hg 200 g 2,7 mol de Hg x x = 540g c) 6. 1023 átomos de iodo 127 g 9. 1023 átomos de iodo x x = 190,5g d) MMHNO3 = 1. 1u + 1. 14u + 3. 16u = 63u 1 mol 63g 3,5 mol x e) 6. 1023 moléculas de CO2 44g 9. 1023 moléculas de CO2 x x = 66g f) 6. 1023 átomos de Po 200g 1 átomo de Po x x = 3,33. 10 22gs QUESTÃO 08) Tem-se uma amostra de 560 g de ferro metálico e outra de lítio metálico de mesma massa. Em qual amostra há maior número de átomos? Justifique. Gab: A massa de lítio por possuir o maior número de mol. Leis de conservação da massa, das proporções definidas, do princípio de Avogadro e do conceito de volume molar de um gás. Cálculos estequiométricos. Leis ponderais No final do século XVIII, a Química se firma como ciência, principalmente devido aos experimentos e observações de cientistas, como Lavoisier, Proust e Dalton. Esses experimentos foram realizados com base nas observações das massas das substâncias que participavam dos fenômenos químicos, daí o nome leis Ponderais. Lei de Lavoisier (Lei da conservação das massas) Antoine Laurent Lavoisier foi o primeiro cientista a dar conotação científica à Química. No final do século XVIII, ele fazia experiências nas quais se preocupava em medir a massa total de um sistema, antes e depois de ocorrer a transformação química. 66
Exemplo: Através da análise dos dados obtidos em várias experiências, chegou à conclusão que: Num sistema fechado, a massa total das substâncias, antes da transformação química, é igual à massa total após a transformação ou Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Lei de Proust (Lei das proporções fixas ou definidas) Proust se preocupava em analisar a composição das substâncias. Trabalhando com amostras de água de várias procedências (água de chuva, água de rio, água de lago, previamente purificadas), e decompostas por eletrólise, ele verificou que: Assim, Proust concluiu que: Independentemente da origem de uma determinada substância pura, ela é sempre formada pelos mesmos elementos químicos, combinados entre si na mesma proporção em massa. Uma das conseqüências da lei de Proust é a composição centesimal das substâncias, que indica a porcentagem, em massa, de cada elemento que constitui a substância. Exemplo No caso da água, temos: 90 g de água fornece 10 g de Hidrogênio e 80 g de oxigênio. x = 11,11% de Hidrogênio x = 88,88% de oxigênio Outra conseqüência da lei de Proust é o cálculo estequiométrico. Hidrogênio + oxigênio água 67
Para 10 g de Hidrogênio precisamos de 80 g de oxigênio para reagir, em 30 g de Hidrogênio precisamos de 240 g de oxigênio. Logo, a proporção, em massa, com que o Hidrogênio reage com o oxigênio é a mesma nas duas reações. Princípio de Avogadro Volumes iguais de gases quaisquer, à mesma temperatura e pressão, encerram o mesmo número de moléculas. Sendo n a quantidade em mols de cada gás, podemos concluir: Volume molar Determinou-se experimentalmente o volume ocupado por 1 mol de qualquer gás nas CNTP e foi encontrado o valor aproximado a 22,4 L. Portanto, podemos dizer que: Volume molar nas CNTP = 22,4L/mol Onde: CNTP: condições normais de Temperatura (0º Celsius ou 273 Kelvin) e Pressão (1 atm ou 760 mm de Hg) ESTEQUIOMETRIA É o cálculo das quantidades de reagentes e/ou produtos das reações químicas em mols, em massa, em volume, número de átomos e moléculas, realizado como conseqüência da lei de Proust, executado, em geral, com auxílio das equações químicas correlatas. A palavra estequiometria é de origem grega e significa medida de uma substância. Estéquio: do grego Stoikheion (elemento ou substância) Metria: do grego metron (medida) A estequiometria é de extrema importância no cotidiano, principalmente nas indústrias ou laboratórios, pois objetiva calcular teoricamente a quantidade de reagentes a ser usada em uma reação, prevendo a quantidade de produtos que será obtida em condições preestabelecidas. Conduta de Resolução Na estequiometria, os cálculos serão estabelecidos em função da lei de Proust e Gay-Lussac, neste caso para reações envolvendo gases e desde que estejam todos nas mesmas condições de pressão e temperatura. Em seguida, devemos tomar os coeficientes da reação devidamente balanceados, e, a partir deles, estabelecer a proporção em mols dos elementos ou substâncias da reação. 68
Como exemplo podemos citar a reação de combustão do álcool etílico: C 2 H 6 O + O 2 CO 2 + H 2 O Balanceando a equação, ficamos com: Estabelecida a proporção em mols, podemos fazer inúmeros cálculos, envolvendo os reagentes e/ou produtos dessa reação, combinando as relações de várias maneiras: Observação -Uma equação química só estará corretamente escrita após o acerto dos coeficientes, sendo que, após o acerto, ela apresenta significado quantitativo. -Relacionar os coeficientes com mols. Teremos assim uma proporção inicial em mols; -Estabelecer entre o dado e a pergunta do problema uma regra de três. Esta regra de três deve obedecer aos coeficientes da equação química e poderá ser estabelecida, a partir da proporção em mols, em função da massa, em volume, número de moléculas, entre outros, conforme dados do problema. Tipos de Cálculos Estequiométricos Relação Quantidade em Mols Relação entre Quantidade em Mols e Massa Relação entre Massa e Massa Relação Entre Massa e Volume Os dados do problema e as quantidades incógnitas pedidas são expressos em termos de quantidade em mols. Os dados do problema são expressos em termos de quantidade em mols (ou massa) e a quantidade incógnita é pedida em massa (ou quantidade em mols). Os dados do problema e as quantidades incógnitas pedidas são expressos em termos de massa. Os dados do problema são expressos em termos de massa e a quantidade incógnita é pedida em volume** **Caso o sistema não se encontre nas CNTP, deve-se calcular a quantidade em mols do gás e, a seguir, através da equação de estado, determinar o volume correspondente. Por exemplo: Calcular o volume de CO 2 produzido numa temperatura de 27 e pressão de 1 atm, na reação de 16 g de oxigênio com monóxido de carbono. Dado: constante universal dos gases - 0,082 atm L mol 1 K 1 69
Resolução 1 32 g 2 mols relação do problema 16 g n dado e pergunta n = 1,0 mol - Problemas Envolvendo Reagentes em Excesso Quando o exercício fornece quantidades (massa, volume, mols, etc.) de dois reagentes, devemos verificar se existe excesso de algum reagente. As quantidades de substâncias que participam da reação química são sempre proporcionais aos coeficientes da equação. Se a quantidade de reagente estiver fora da proporção indicada pelos coeficientes da equação, reagirá somente a parte que se encontra de acordo com a proporção; a parte que estiver a mais não reage e é considerada excesso. - Sistema em que os reagentes são substâncias impuras Neste caso é importante calcularmos a massa referente à parte pura, supondo que as impurezas não participam da reação. Grau de pureza (p) é o quociente entre a massa da substância pura e a massa total da amostra (substância impura). - Sistema em que o rendimento não é total Quando uma reação química não produz as quantidades de produto esperadas, de acordo com a proporção da reação química, dizemos que o rendimento não foi total. Rendimento de uma reação é o quociente entre a quantidade de produto realmente obtida e a quantidade esperada, de acordo com a proporção da equação química. QUESTÕES PROPOSTAS QUESTÃO 01) O monóxido de nitrogênio (NO), poluente formado nos motores de combustão interna dos veículos, pode ser eliminado pela reação com amoníaco, ocorrendo a seguinte reação química: 6 NO + 4 NH3 5 N2 + 6 H2O Dadas as massas atômicas: H = 1u; N = 14u; O = 16u E sabendo que um veículo emite 5,0. 104 g de monóxido de nitrogênio por ano, quantos quilogramas de amônia seriam necessários para eliminar, por reação completa, essa quantidade de poluente? a) 13,5 kg b) 135 kg c) 37,8 kg d) 1,89 kg e) 18,9 kg RESOLUÇÃO: 6 NO + 4 NH3 5 N2 + 6 H2O 6 mol 4 mol 6. 30 g 4. 17 g 5,0. 104 g x x = 18,9. 103 g = 18,9k g Resposta: E QUESTÃO 02) O airbag (bolsa de ar) protege o condutor do veículo em caso de colisão. A azida de sódio (NaN3) é usada em alguns airbags. O impacto da colisão desencadeia a decomposição de NaN3, conforme a reação química a seguir: 2 NaN3(s) 2 Na(s) + 3 N2(g) O nitrogênio gasoso produzido infla rapidamente a bolsa de ar existente entre o condutor e o volante. Calcule, em valores arredondados, o volume de nitrogênio formado na decomposição de 60 g de NaN3, a 21 C e 760 mmhg (1atm), dado R = 0,082 L. atm/k.mol e massas molares: Na = 23 g/mol, N = 14 g/mol. Considere-o um gás ideal. 70
a) 10,0 L b) 11,5 L c) 20,3 L d) 33,3 L e) 40,0 L RESOLUÇÃO: 2 NaN3 (s) 2 Na (s) + 3 N2 (g) 2 mol 3 mol 2. 65 g 3 mol 60 g x x = 1,38 mol de N2 PV = n R T 1. V = 1,38. 0,082. 294 V = 33,3 L de N2 Resposta: D QUESTÃO 03) O gás acetileno (C2H2) pode ser produzi- do pela reação do carbeto de cálcio (CaC2) com água em geradores especiais, obtendo-se também o hidróxido de cálcio como subproduto, conforme a equação abaixo não balanceada. CaC2 (s) + H2O (l) Ca(OH)2 (aq) + C2H2 (g) O volume de gás acetileno obtido, nas CNTP, a partir da reação de 400 g de carbeto de cálcio com 80% de pureza e rendimento total, é igual a Dado: massa molar (g/mol) H = 1; C = 12; a) 112,0 L b) 140,0 c) 137,0 L d) 44,8 L e) 22,4 L RESOLUÇÃO: Cálculo da massa de carbeto de cálcio na amostra: 100% 400g 80% x x = 320g Cálculo do volume de gás acetileno nas CNTP: CaC2(s) + 2H2O(l) Ca(OH)2(aq) + C2H2(g) 64g 22,4L 320g x x = 112,0L Resposta: A CINÉTICA QUÍMICA E EQUILÍBRIO QUÍMICO. Ocorrência das Reações O simples contato entre as substâncias reagentes num sistema não é a condição exclusiva para que uma reação quimica ocorra. Sem dúvida, é necessário que haja contato entre os reagentes, mas deve existir também afinidade química entre eles. Indícios de ocorrência de uma reação -mudança de coloração no sistema e/ou -liberação de gás (efervescência) e/ou -precipitação (formação de composto insolúvel) e/ou -liberação de calor (elevação da temperatura do sistema reagente). Vejamos algumas ocorrencias de reações e suas possíveis interpretações: 1ª Experiência: Zn(s) + CuCl 2 (aq) Observação macroscópica Interpretação Ocorre deposição de cobre da solução na superfície da placa de zinco, e a solução que era azul, vai diminuindo a intensidade da coloração, em razão da saída de Cu 2+ e passagem de zinco da superfície da placa para a solução, na forma de Zn 2+. Análise microscópica O Zn perdeu 2 elétrons para o cobre: Zn(s) Zn 2+ (aq) + 2e - 71
O Cu 2+ da solução recebeu 2 elétrons do zinco: Cu 2+ + 2e - Cu(s) Com isso ocorre uma reação química entre o zinco da placa e o cobre da solução: Zn(s) + CuCl 2 (aq) Cu(s) + ZnCl 2 (aq) Conclusão: zinco (Zn) deslocou o cobre (Cu 2+ ), com isso podemos concluir que o zinco é mais reativo que o cobre. Velocidade de uma reação química: conceito e determinação experimental. As reações químicas precisam de um certo tempo para se completarem. Algumas reações são extremamente rápidas, como, por exemplo, as explosões, enquanto que outras são muito lentas, como é o caso da formação de petróleo. O estudo da velocidade das reações químicas e dos fatores que podem acelerá-la ou retardá-la constitui a chamada cinética química. Este estudo é sem dúvida de grande importância na nossa vida cotidiana, já que muitas reações químicas de interesse industrial podem ser aceleradas, gastando menos tempo para ocorrerem e, portanto, tornando o processo mais econômico. Velocidade das Reações A velocidade média de consumo de um reagente ou de formação de um produto é calculada em função da variação da quantidade de reagentes e produtos pela variação do tempo. O mais comum é representar as quantidades em mol/l e indicá-las entre colchetes; mas elas também podem ser representadas pela massa, quantidade em mols, volume gasoso etc. O intervalo de tempo pode ser representado por: segundos, minutos, horas etc. Quando é calculada, a variação da quantidade consumida (reagentes), esta será negativa, porque a variação corresponde à quantidade final menos inicial. Para evitar o surgimento de velocidade negativa, usamos o sinal negativo na expressão ou a variação em módulo, sempre que nos referimos aos reagentes. Exemplo: N 2(g) + 3H 2(g) 2 NH 3(g) v m de consumo de N 2 = v m de consumo de H 2 = v m de formação de NH 3 = Os reagentes são consumidos durante a reação e a sua quantidade diminui com a variação do tempo, enquanto os produtos são formados e suas quantidades aumentam com o tempo. Graficamente, podemos representar. Com relação à velocidade média de consumo ou formação, podemos dizer que diminuem com o passar do tempo, porque a quantidade que reage torna-se cada vez menor. 72
Para calcularmos a velocidade média de uma reação sem especificar formação ou consumo deste ou daquele produto ou reagente, basta dividirmos a velocidade média de consumo ou formação pelo coeficiente estequiométrico apropriado. Para a reação. N 2(g) + 3 H 2(g) 2 NH 3(g) v m da reação = Observação Neste caso, a quantidade que reage ou que é formada não pode ser representada por massa. Fatores que influem na Velocidade das Reações Sabemos que a velocidade da reação depende, evidentemente, do número de choques entre moléculas, da violência com que estes choques ocorrem e da orientação correta das moléculas no instante do choque. Entretanto, existem certos fatores externos que influem na velocidade de uma reação. São eles: Estado Físico dos Reagentes De maneira geral, os gases reagem mais rapidamente que os líquidos, e estes mais rapidamente que os sólidos, já que no estado gasoso as moléculas se locomovem com muita facilidade, provocando um grande número de choques, o que facilita a quebra de suas ligações. Já no estado sólido, a superfície de contato, para que ocorra o choque, é pequena, fazendo com que, em geral, a reação seja bastante lenta. Temperatura Todo aumento de temperatura provoca o aumento da energia cinética média das moléculas, fazendo com que aumente o número de moléculas em condições de atingir o estado correspondente ao complexo ativado, aumentando o número de colisões eficazes ou efetivas e, portanto, provocando aumento na velocidade da reação. Podemos representar graficamente a relação entre o número de moléculas de um sistema em função da cinética destas moléculas (curva de Maxwell-Boltzmann). Note que, numa temperatura T 1, a quantidade de moléculas em condições de reagir (com energia igual ou superior a E at ) é menor que numa temperatura maior T 2. O aumento na temperatura faz com que ocorra um aumento da energia cinética média das moléculas, deslocando a curva para a direita, fazendo com que o número de moléculas em condições de reagir aumente. Uma regra experimental, que relaciona o aumento de temperatura com a velocidade de uma reação é a regra de Van t Hoff: Um aumento de 10 C na temperatura duplica a velocidade de uma reação química. Exemplo Sendo a velocidade de uma reação igual a 3 mol/min a 20 C, calcule a sua velocidade a 50 C. Resolução 20 C 3,0 mol/min 30 C 6,0 mol/min 40 C 12 mol/min 50 C 24 mol/minpressão 73
A pressão só apresenta influência apreciável na velocidade de reações em que pelo menos um dos reagentes é gasoso. O aumento da pressão causa diminuição de volume acarretando aumento no número de choques, o que favorece a reação e, portanto, aumenta a sua velocidade. Com a diminuição da pressão, aumenta o volume do recipiente, diminuindo o número de choques moleculares entre os reagentes e, portanto, diminuindo a velocidade da reação. Superfície do Reagente Sólido Quanto maior a superfície do reagente sólido, maior o número de colisões entre as partículas dos reagentes e maior a velocidade da reação. Em uma reação que ocorre com presença de pelo menos um reagente sólido, quanto mais finamente dividido for este sólido, maior será a superfície de contato entre os reagentes. Exemplo Zn (s) + 2 HCl (aq) ZnCl 2(aq) + H 2(g) Na equação acima, que representa a reação, se utilizarmos, num primeiro experimento, zinco em barra e, num segundo, zinco em pó, a velocidade da reação no segundo será muito maior que no primeiro experimento. Catalisador e Inibidor Catalisador é a substância que aumenta a velocidade de uma reação, sem sofrer qualquer transformação em sua estrutura. O aumento da velocidade é conhecido como catálise. O catalisador acelera a velocidade, alterando o mecanismo da reação, o que provoca a formação de um complexo ativado de energia mais baixa. São características dos catalisadores: a) o catalisador não fornece energia à reação; b) o catalisador participa da reação formando um complexo ativado de menor energia: c) o catalisador não altera o H da reação; d) o catalisador pode participar das etapas da reação, mas não é consumido pela mesma. O inibidor busca atuar de uma forma oposta às de atuação dos catalisadores. Portanto, entenda catalisador e entenderá, por oposição, inibidor. As reações envolvendo catalisadores podem ser de 2 tipos: - catálise homogênea: catalisador e reagentes no mesmo estado físico; - catálise heterogênea: catalisador e reagentes em estados físicos diferentes. Exemplos Catálise homogênea 74
Catálise heterogênea Observação: Existem casos de autocatálise, no qual o catalisador é um dos produtos da própria reação. Estas reações iniciam lentamente e à medida que o catalisador vai se formando, a velocidadeda reação vai aumentando. Encontramos substâncias que atuam no catalisador, aumentando sua atividade catalítica: são chamadas de ativadores de catalisador ou promotores. Outras diminuem ou mesmo destroem a ação do catalisa-dor: são chamadas venenos de catalisador. Concentração dos Reagentes Lembrando que uma reação se processa por meio de choques moleculares, conclui-se facilmente que um aumento de concentração dos reagentes determina um aumento da velocidade da reação pois, aumentando-se a concentração, aumenta-se o número de moléculas reagentes e, conseqüen-temente, aumenta, também, o número de choques moleculares.. Teoria das Colisões: frequência e energia. Energia de ativação e estado de transição (complexo ativado): conceitos, construção e interpretação de diagramas. Para que uma reação química se processe, devem ser satisfeitas determinadas condições. São elas: Afinidade Química É a tendência intrínseca de cada substância de entrar em reação com uma outra substância. Por exemplo: ácidos têm afinidades por bases, não-metais têm afinidades por metais, reagentes nucleófilos têm afinidade por reagentes eletrófilos. Contato entre as Moléculas dos Reagentes As reações químicas ocorrem como resultado de choques entre as moléculas dos reagentes que se encontram em movimento desordenado e contínuo. Exemplo A 2 + B 2 2AB Para haver reação, o choque entre as moléculas deve provocar rompimento das ligações presentes em A 2 e B 2, permitindo que novas ligações aconteçam, formando assim a substância AB. Este tipo de choque é denominado por choque efetivo. O choque será efetivo se houver: a) direção correta: as moléculas dos reagentes devem colidir numa orientação e num ângulo adequados. Exemplo 1 O ângulo e a orientação não favorecem a ocorrência da reação. 75
Exemplo 2 O ângulo e a orientação não favorecem a ocorrência da reação. Ângulo e orientação são favoráveis à ocorrência da reação. b) energia de ativação: as moléculas dos reagentes devem colidir com energia suficiente para formar o complexo ativado, que é um composto intermediário e altamente instável, resultante de choques eficientes, em que as ligações iniciais se enfraquecem e as novas ligações começam a se formar. O complexo ativado é o composto mais energético da reação toda. Exemplo Chamamos energia de ativação à quantidade de energia que devemos dar aos reagentes para que eles se transformem em complexo ativado. Se representarmos em gráfico os níveis de energia dos reagentes, complexo ativado e produtos em função do caminho da reação, teremos: Gráfico 1 Reação exotérmica (ΔH < 0) Gráfico 2 Reação endotérmica (ΔH > 0) 76
Onde: 1) Energia de ativação 2) Variação de entalpia (ΔH) Portanto, toda colisão que ocorre e resulta em reação é chamada colisão eficaz ou efetiva, colisão que ocorre e não resulta em reação é chamada de colisão não-eficaz ou não efetiva. QUESTÕES PROPOSTAS Questão 01)Para a reação A + B C foram realizados três experimentos, conforme a tabela abaixo: Determine: a) a lei da velocidade da reação acima; b) a constante de velocidade; c) a velocidade de formação de C quando as concentrações de A e B forem ambas 0,50 M. Gab: a) V = k [A]. [B] b) 2,0. 10 1 mol L 1.min 1 c) 5,0. 10 2 mol L 1.min 1 Questão 02) A oxidação do brometo de Hidrogênio pode ser descrita em 3 etapas: I. HBr (g) + O 2(g) HOOBr (g) (etapa lenta) II. HBr (g) + HOOBr (g) 2 HOBr (g) (etapa rápida) III. HOBr (g) + HBr (g) Br 2 O (g) + H 2 O (g) (etapa rápida) a) Apresente a expressão da velocidade da reação de oxidação do brometo de Hidrogênio. b) Utilizando a equação global da oxidação do brometo de Hidrogênio, determine o número de mol de Br 2 produzido quando são consumidos 3,2g de O 2. Gab: a) v = K[HBr] [O 2 ] b) Resp: 0,2mol de Br 2 Questão 03) Para a reação 2A + B C + 3D foram obtidos os seguintes dados sobre velocidade inicial com respeito às concentrações iniciais dos reagentes [A] [B] mol/l mol/l 0,127 0,346 0,254 0,346 0,254 0,692 0,254 1,038 Qual é o valor de x? velocidade µ mol/l.s 1,5 3,0 12 X Gab: 27 Questão 04) Em relação à síntese da amônia (NH 3 ), a partir de seus elementos no estado normal de agregação a 25 C e 1 atm, pede- -se: 77
a) a equação balanceada da síntese da amônia; b) a relação entre a velocidade de desaparecimento do Hidrogênio (VH 2 ) e a velocidade de formação da amônia (VNH 2 ); c) um diagrama de energia, relacionando reagentes e produtos, sabendo-se que a reação é exotérmica. Gab: a) N 2(g) + 3 H 2(g) 2 NH 3(g) b) VH 2 /VNH 2 = 2/3 c) Questão 05) Sobre a combustão completa do propano (C 3 H 8 ), observou-se que 2,24 litros desse gás são consumidos em 10 minutos. Considerando o sistema nas CNTP e que o propano, o O 2 e o CO 2 são gases ideais, responda: a) Qual é a velocidade de consumo de C 3 H 8 em mol/min? b) Qual é a velocidade de consumo de O 2 em mol/min? c) Qual é a velocidade de formação de CO 2 em litros/min? Gab: a) 10-2 mol/min b) 5 10-2 mol/min c) 3 10-2 mol/min Questão 06) Considerando a equação abaixo, não-balanceada, para a queima do propano C 3 H 8 (g) + O 2 (g) CO 2 (g) + H 2 O(l) + calor, determine a quantidade de mol de água produzida em uma hora, se a velocidade da reação for 5 x 10 3 mol de propano por segundo. Gab: 72 Questão 07) Ao ramo da química que estuda a velocidade de uma reação e os fatores que a influenciam, denomina-se cinética química. A velocidade de uma reação pode ser obtida medindo-se a quantidade de um reagente que desaparece, ou a quantidade de um produto que se forma, num determinado intervalo de tempo. Seja uma reação genérica: A + B C Para esta reação foram medidas as quantidades de A presente no sistema, em tempos diferentes e organizou-se a seguinte tabela: Tempo(s) mols de A presente 0 30 2 20 4 12 6 4 Com base nesses dados, determine a velocidade média da reação, nos seguintes intervalos: a) De 0 s a 2 s. b) De 4 s a 6 s. Gab: a) 5mol/s b) 4 mol/s 78
Reações químicas reversíveis. Evidências experimentais para o fenômeno da reversibilidade. Muitas reações processam-se somente enquanto houver reagentes. Por exemplo, digamos que você coloque um comprimido antiácido na água, ele começa a reagir, gerando aquela efervescência que conhecemos bem. Sabemos também que essa reação irá cessar depois que todo o regente for consumido. Outro ponto é que não conseguimos regenerar o comprimido novamente. Portanto, esse tipo de reação é chamado de irreversível. No entanto, existe um grande número de reações químicas importantes que ocorrem no metabolismo dos seres vivos e nas mais diversas regiões da Terra, como na atmosfera e hidrosfera, que são reversíveis. Quando as velocidades das reações reversíveis ficarem iguais, atingimos uma situação denominadda de equilíbrio químico. Equilíbrio quimico ocorre quando, em uma reação reversível, a velocidade da reação direta é igual à velocidade da reação inversa. Uma vez atingido o estado de equilíbrio, as concentrações de reagentes e produtos permanecem constantes. Consideremos a equação genérica: onde: - v 1 é a velocidade da reação direta e v 2 a velocidade da reação inversa. No início v 1 é o máximo porque as concentrações de A e B apresentam valores máximos, enquanto que v 2 é igual a zero, porque C e D ainda não foram formados. À medida que a reação ocorre, A e B diminuem, e C e D aumentam, portanto v 1 diminui e v 2 aumenta, até que as duas velocidades se igualem. No instante em que v 1 = v 2, podemos dizer que o sistema atinge o estado de equilíbrio. Atingido o estado de equilíbrio, a reação química continua a ocorrer (nível microscópico) nos dois sentidos, com a mesma velocidade e, portanto, as concentrações de reagentes e produtos ficam constantes. Por isso, podemos dizer que o equilíbrio é um equilíbrio dinâmico. Ao considerarmos o sistema como um todo (nível macroscópico), aparentemente a reação parou de acontecer, porque as concentrações de reagentes e produtos permanecem inalterados indefinidamente. Para que o estado de equilíbrio possa ser atingido, é necessário que: o sistema encontre-se num recipiente fechado; a temperatura fique constante. Graficamente, podemos representar: 79
Equilíbrio químico: caracterização experimental e natureza dinâmica. Constante de Equilíbrio em Termos das Concentrações Molares (Kc) Dada uma reação reversível qualquer: aa + bb cc + dd Aplicando-se a lei da ação das massas de Guldberg-Waage, temos: para a reação direta: v 1 = K 1 [A] a [B] b para a reação inversa: v 2 = K 2 [C] c [D] d No equilíbrio: v 1 = v 2 K 1 [A] a [B] b = K 2 [C] c [D] d A relação é constante e denomina-se constante de equilíbrio em termos de concentração molar (K c ): A constante de equilíbrio K c é, portanto, a razão das concentrações dos produtos da reação e das concentrações dos reagentes da reação, todas elevadas a expoentes que correspondem aos coeficientes da reação. Observações a) A constante de equilíbrio K c varia com a temperatura; b) Quanto maior o valor de K c, maior o rendimento da reação, já que no numerador temos os produtos e no denominador os reagentes. Portanto, comparando valores de K c em duas temperaturas diferentes, podemos saber em qual destas a reação direta apresenta maior rendimento; c) O valor numérico de K c depende de como é escrita a equação química. Por este motivo devemos escrever sempre a equação química junto com o valor de K c. QUESTÕES RESOLVIDAS Questão 01) O processo Haber da síntese da amônia pode ser representado pela equação a seguir: N 2 (g) + 3H 2 (g) 2NH3 (g) a) Escreva a equação da constante de equilíbrio e forneça sua unidade. b) Compare e explique os rendimentos da reação a 25ºC e a 450ºC, dadas as constantes de equilíbrio nessas temperaturas: Temperatura (ºC) Constante de Equilíbrio 25 7,6 x 10 2 450 6,5 x 10-3 80
Gab: a) Kc=[NH 3 ] 2 [N 2 ].[H 2 ] 3 b) O rendimento da reação a 25 o C é maior que à temperatura de 450 o C Questão 02) A cinética da reação de consumo de 1mol de ácido acético e formação de 1 mol de acetato de etila em função do tempo está representada no gráfico a seguir. A reação que representa este equilíbrio é dada por: CH 3COOH + C 2H 5OH CH 3COOC 2H 5 + H 2O ácido acético álcool etílico acetato de etila água (L) (L) (L) (L) Quantidade em moles 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 Acetato de etila Ácido acético 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 Tempo (s) Pergunta-se: a) quantos mols de ácido acético restam e quantos de acetato de etila se formaram em 120 segundos de reação? b) após quanto tempo de reação a quantidade de produtos passa a ser maior que a de regentes? c) quantos mols de acetato de etila são obtidos no equilíbrio? GAB: a) retam aproximadamente 0,2 mol de ácido acético e se formam aproximadamente 0,8 mol de acetato de etila. b) após 50 segundos c) aproximadamente 0,8 mol Questão 03) Amônia pode ser preparada pela reação entre nitrogênio e Hidrogênio gasosos, sob alta pressão, segundo a equação abaixo: N 2 (g) + 3 H 2 (g) 2 NH 3 (g). A tabela abaixo mostra a variação da concentração dos reagentes e produtos no decorrer de um experimento realizado em sistema fechado, a temperatura e pressão constantes. t 0 1 2 3 [ N 2]/ [ H2]/ [ NH 3]/ mol/l mol/l mol/l 10 10 0 X 4 4 7 1 Y 7 1 Y a) Os valores de X e Y no quadro acima são: X = mol/l Y = mol/l b) Escreva a expressão da constante de equilíbrio para esta reação, em termos das concentrações de cada componente. K c = c) O valor da constante de equilíbrio para esta reação, nas condições do experimento, é Gab: a) X = 8; Y = 6 b) Kc = [NH 3 ] 2 / [H 2 ] 3. [N 2 ] c) Kc = 5,142(mol/L) -2 81
A modificação do estado de equilíbrio de um sistema: efeitos provocados pela alteração da concentração dos reagentes, da pressão e da temperatura. O princípio de Le Chatelier. O que significa deslocar um equilíbrio? Deslocar um equilíbrio químico significa fazer que a velocidade da reação direta fique diferente da velocidade da reação inversa (v 1 v 2 ). Nesse caso, existem duas situações possíveis: v 1 > v 2. Isto é, a reação direta é mais intensa. Então, podemos dizer que o equilíbrio foi deslocado no sentido de formação dos produtos. v 1 < v 2 Isto é, a reação inversa é mais intensa. Então, podemos dizer que o equilíbrio foi deslocado no sentido de formação dos reagentes. Já sabemos que toda reação química reversível tende a um equilíbrio em que as velocidades da reação direta e inversa são iguais: Reagentes Produtos onde: V 1 =V 2 Em conseqüência, as concentrações de cada substância presente no equilíbrio permanecem inalteradas. Qualquer fator que altere esta condição (v 1 = v 2 ) desequilibra a reação, até se atingir um novo equilíbrio, no qual as concentrações dos reagentes e produtos se modificaram em relação aos valores originais. Em resumo, podemos dizer que deslocar o equilíbrio significa provocar diferença nas velocidades das reações direta e inversa, e, conseqüentemente, modificações nas concentrações das substâncias, até que um novo estado de equilíbrio seja atingido. Se, no novo equilíbrio, a concentração dos produtos for maior que a concentração original, dizemos que houve deslocamento para a direita (sentido de formação dos produtos), já que v 1 foi maior que v 2 : Reagentes Produtos No entanto, se a concentração dos reagentes for maior do que na situação anterior de equilíbrio, dizemos que houve deslocamento para a esquerda (sentido de formação dos reagentes), já que v 2 foi maior que v 1 : Reagentes Produtos Em 1884, Le Chatelier enunciou o princípio geral que trata dos deslocamentos dos estados de equilíbrio, que ficou conhecido como Princípio de Le Chatelier. Quando uma força externa age sobre um sistema em equilíbrio, este se desloca, procurando anular a ação da força aplicada. As forças capazes de deslocar o equilíbrio químico são: a) pressão sobre o sistema; b) temperatura; c) concentração dos reagentes ou produtos. - Concentração dos Participantes do Equilíbrio Um aumento na concentração de qualquer substância (reagentes ou produtos) desloca o equilíbrio no sentido de consumir a substância adicionada. O aumento na concentração provoca aumento na velocidade, fazendo com que a reação ocorra em maior escala no sentido direto ou inverso. Diminuindo a concentração de qualquer substância (reagentes ou produtos) desloca-se o equilíbrio no sentido de refazer a substância retirada. A diminuição na concentração provoca uma queda na velocidade da reação direta ou inversa, fazendo com que a reação ocorra em menor escala nesse sentido. Exemplos 1 o ) 2 CO (g) + O 2(g) 2 CO (g) O aumento na concentração de CO ou O 2 provoca aumento em v 1, fazendo com que v 1 > v 2 ; portanto, o equilíbrio desloca-se para a direita. A diminuição na concentração de CO ou O 2 provoca queda em v 1, fazendo com que v 1 < v 2 ; portanto, o equilíbrio desloca-se para a esquerda. 82
2 o ) C (s) + CO 2(g) 2 CO (g) Para equilíbrio em sistema heterogêneo, a adição de sólido (C (s) ) não altera o estado de equilíbrio, pois a concentração do sólido é constante e não depende da quantidade. Observação Tudo o que foi discutido para a concentração também é válido para as pressões parciais em sistemas gasosos. Por exemplo: H 2(g) + I 2(g) 2 HI (g) - Aumento na pressão parcial de H 2 ou I 2, o equilíbrio desloca-se para a direita. - Diminuindo a pressão parcial de H 2 ou I 2, o equilíbrio desloca-se para a esquerda. Observações: 1. Substância sólida não desloca um equilíbrio químico, pois a concentração de um sólido em termos de velocidade é considerada constante, porque a reação se dá na superfície do sólido. 2. Substância líquida em excesso não desloca o equilíbrio químico quando alterada a sua concentração, pois a concentração de um líquido em excesso em termos de velocidade é considerada constante, porque o líquido em excesso não é fator limitante da reação. 3. Pulverizando uma substância sólida, o equilíbrio desloca-se para o lado contrário a pulverização, pois aumenta a superfície de contato, aumenta o número de colisões efetivas e, conseqüentemente, aumenta a velocidade da reação. 4. Alterando-se a concentração de uma substância presente no equilíbrio, o equilíbrio desloca-se, porém sua constante de equilíbrio permanece inalterada (a constante permanece constante). Resumindo: Aumentando a concentração, o equilíbrio desloca-se para o lado contrário ao aumento. Diminuindo a concentração, o equilíbrio desloca-se para o mesmo lado da diminuição. Exemplo: Ao aumentarmos a concentração molar de H 2 (g) = [H 2 (g)] = v 1 = desloca para direita. Ao diminuirmos a concentração molar de H 2 (g) = [H 2 (g)] = v 1 = desloca para esquerda. Ao aumentarmos a concentração molar de H 2 O(g) = [H 2 O(g)] = v 2 = desloca para esquerda. Ao diminuirmos a concentração molar de H 2 O(g) = [H 2 O(g)] = v 2 = desloca para direita. Observação O efeito do íon comum: num equilíbrio iônico, a adição de uma substância que produz um íon igual a um dos existentes no sistema irá provocar deslocamento do equilíbrio no sentido de consumo deste íon. - Pressão Total sobre o Sistema Lei de Boyle-Mariotte: À temperatura constante, um aumento de pressão favorece a contração de volume O aumento da pressão sobre um sistema em equilíbrio faz que o equilíbrio desloque-se, ou seja, o equilíbrio desloca-se para o lado de menor volume. Já a diminuição da pressão sobre um sistema em equilíbrio faz que o equilíbrio se desloque no sentido da expansão volumétrica, ou seja, o equilíbrio desloca-se para o lado de maior volume. Observações: 1. A pressão só influencia participantes gasosos, pois sólidos e líquidos são incompressíveis. 2. Segundo Gay Lussac, pressão e volume são grandezas inversamente proporcionais. 3. O volume de um sistema em equilíbrio é dado pela soma dos coeficientes estequiométricos dos gases no referido lado do equilíbrio na reação devidamente balanceada. 4. Alterando-se a pressão sobre um sistema em equilíbrio, o equilíbrio desloca-se, porém sua constante de equilíbrio permanece inalterada (a constante permanece constante). 5. A adição de um gás inerte a um sistema em equilíbrio não desloca o equilíbrio químico, desde que o êmbolo esteja fixo, pois o gás inerte não altera as pressões parciais no equilíbrio porque ele não reage com nenhum dos participantes do equilíbrio. Um aumento na pressão desloca o equilíbrio no sentido do menor volume gasoso. Uma diminuição na pressão desloca o equilíbrio no sentido do maior volume gasoso. 83
Exemplo: - Aumento de pressão desloca o equilíbrio para a direita (menor volume). - Diminuindo a pressão, desloca-se o equilíbrio para a esquerda (maior volume). Existem equilíbrios que não são afetados pela pressão: - não é observada variação de volume: não encontramos reagentes e nem produto no estado gasoso CH 3 COOH (l) + CH 3 CH 2 OH (l) CH 3 COOC 2 H 5(l) + H 2 O (l) Temperatura Efeito da temperatura: A temperatura favorece tanto a velocidade da reação endotérmica quanto a velocidade da reação exotérmica, porém favorece muito mais a velocidade da reação endotérmica. Assim, ao aumentarmos a temperatura de um sistema em equilíbrio, o equilíbrio desloca-se no sentido da reação endotérmica porque é a reação mais favorecida com o aumento da temperatura. Já a diminuição da temperatura de um sistema em equilíbrio faz que o equilíbrio se desloque no sentido da reação exotérmica, porque é a reação menos prejudicada com a diminuição da temperatura. Lei de Van t Hoof: A cada aumento de 10 C na temperatura de uma reação química, a velocidade da reação duplica ou até mesmo triplica. Nota: Van t Hoof não considerou que cada reação tem um ótimo de temperatura para ocorrer (temperatura ideal) e após atingido esse ótimo, o aumento da temperatura pode não mais influenciar a velocidade da reação ou até mesmo prejudicá-la. Exemplo: Reações Enzimáticas. Resumindo: Aumentando a temperatura, o equilíbrio desloca-se para o lado endotérmico. (mais favorecido com o aumento da temperatura). Diminuindo a temperatura, o equilíbrio desloca-se para o lado exotérmico. (menos prejudicado com a diminuição da temperatura). A temperatura é o único fator que desloca o equilíbrio e altera o valor da constante de equilíbrio. Por exemplo, um aumento na temperatura provoca aumento do valor da constante de equilíbrio para reações endotérmicas (ΔH >0) e diminuição para exotérmicas (ΔH < 0). Observação O catalisador não desloca o equilíbrio porque aumenta a velocidade da reação direta e inversa na mesma proporção. O catalisador apenas diminui o tempo necessário para que o estado de equilíbrio seja atingido. NOÇÕES BÁSICAS DE SEGURANÇA E PRIMEIROS SOCORROS EM UM LABORATÓRIO. Caro concursando, neste tópico teríamos uma gama de orientações e de condutas que diminuam os acidentes, que colaborem com a maior segurança no trabalho em laboratórios. Mas, como o tempo é escasso pra voce estudar todos, colocarei as dicas mais comuns e mais importantes a serem seguidas por voce, quando estiver trabalhando no MAPA. Guarde estas orientações e condutas, pois, elas serão muito valiosas inclusive no laboratório que voce já trabalha todos os dias: a sua casa!!! Sim, sua casa, sua cozinha, seu banheiro, etc... nestes locais você, provavelmente, encontra vários produtos químicos, instrumentos, materiais com características comunas às que veremos neste tópico. 84
Pode-se afirmar que os laboratórios são as partes mais importantes dos estabelecimentos de ensino, institutos de pesquisa e indústrias. Pelos tipos de trabalho que neles são desenvolvidos são incontáveis os riscos de acidentes causados por exposição a agentes tóxicos e/ou corrosivos, queimaduras, lesões, incêndios e explosões, radiações ionizantes e agentes biológicos patogênicos. Dados estatísticos provam que a maioria dos acidentes em laboratórios ocorrem pela imperícia, negligência e até imprudência dos técnicos. Existe, portanto, necessidade premente de se estabelecer normas mais rígidas de segurança. Em geral, os profissionais de qualquer área não recebem, nas Universidades, instruções completas sobre normas de segurança do trabalho. Por ocasião da admissão nas indústrias ou mesmo nas instituições científicas, são visadas especialmente as condições técnicas do candidato e raramente é verificado seu nível de conhecimento sobre segurança. Nestas condições, cabe ao chefe do laboratório a responsabilidade de transmitir aos seus subalternos as técnicas corretas de trabalho as atitudes que devem tomar para evitar possíveis acidentes. Normalmente as condições de trabalho são inseguras. Esse fato decorre da má utilização de espaços, do tipo de mobiliário, da disposição incorreta das instalações e da falta de equipamentos de proteção. Uma dificuldade bastante comum é que o laboratório, na maioria das vezes, é montado em local já construído; raramente constroi-se um edifício para ser usado especificamente como laboratório. Todos os requisitos de segurança devem ser incluídos já na montagem do laboratório e mesmo pequenos detalhes devem ser previstos no projeto inicial. Estudos sobre a topografia do terreno, orientação solar, ventos, segurança do edifício e do pessoal, distribuição e tipos de bancadas, capelas, estufas, muflas, tipos de piso, iluminação e ventilação devem ser especificamente dirigidos ao tipo de laboratório. Muito importante no projeto é o estudo do local que será destinado ao almoxarifado. Quando são negligenciadas as propriedades físicas e químicas dos produtos químicos armazenados podem ser ocasionados incêndios, explosões, emissão de gases tóxicos, vapores, pós e radiações ou combinações variadas desses efeitos. Em todas as fases da construção do laboratório deve haver perfeito entrosamento entre o responsável, o engenheiro e o arquiteto. Deve ser sempre dada prioridade absoluta à segurança. As improvisações devem ser evitadas tanto quanto possível. No entanto, está provado que 90% dos acidentes ocorridos em laboratórios são devidos ao comportamento do pessoal e somente 10% são provocados pelas instalações. Isto demonstra claramente que o maior risco dentro do laboratório é o próprio laboratorista e como é importante o seu desempenho correto e consciencioso. No que tange a produtos químicos, é importante considerar não somente a sua toxicidade mas também a quantidade manipulada. Algumas drogas, por exemplo, são efetivas na cura de doenças até uma certa dosagem, que se excedida, podem provocar efeitos nocivos. Compostos de mercúrio, arsênio e antimônio, que são considerados pelos leigos como altamente venenosos, têm sido empregados no tratamento de doenças. Estocagem e Manuseio Muitos riscos potenciais são associados com a estocagem e manuseio de materiais usados em laboratório químico. Estes riscos sempre existirão mas os acidentes podem ser eliminados por maior conhecimento das propriedades dos materiais estocados e manuseados: planejando procedimentos de segurança para estocagem e segurança e informando todas as pessoas que entrarão em contato com estes materiais dos riscos envolvidos e as medidas de segurança que devem ser tomadas. O grande número de problemas de estocagem em laboratório químico deve-se à diversidade de produtos químicos que devem ser estocados. A estocagem descuidada associada com a falta de planejamento e controle é um convite para acidentes pessoais e danos materiais. Por outro lado, uma área de estocagem cuidadosamente planejada e supervisionada pode prevenir muitos acidentes. Os produtos químicos que necessitam estocagem podem ser sólidos, líquidos e gasosos, podem estar contidos em embalagens de papel, plástico, vidro ou metal que podem ser caixas, garrafas, cilindros ou tambores. A natureza de cada produto pode ser considerada individualmente ou em relação a outros produtos estocados na mesma área. Para facilitar as considerações feitas anteriormente, os produtos químicos podem ser agrupados nas seguintes categorias gerais: Inflamáveis; Tóxicos; Explosivos; Agentes Oxidantes; Corrosivos; Gases Comprimidos; Produtos sensíveis à água; Produtos incompatíveis. Deve-se buscar não estocar, juntos ou em ambientes próximos, produtos que possam interagir. Segurança Pessoal Termos como segurança no trabalho, risco, toxicidade, acidentes, prevenção de acidentes, equipamentos de segurança e aerossóis são muito empregados quando se trata de segurança em laboratórios. Assim, será interessante defini-lo antes de se estabelecer às regras de segurança. Segurança no trabalho: é o conjunto de medidas técnicas, administrativas, educacionais, médicas e psicológicas que são empregadas para prevenir acidentes, quer eliminando condições inseguras do ambiente, quer instruindo ou convencendo pessoas na implantação de práticas preventivas. 85
Risco: é o perigo a que determinado indivíduo está exposto ao entrar em contato com um agente tóxico ou certa situação perigosa. Toxicidade: qualquer efeito nocivo que advém da interação de uma substância química com o organismo. Acidentes: são todas as ocorrências não programadas, estranhas ao andamento normal do trabalho, das quais poderão resultar danos físicos ou funcionais e danos materiais e econômicos à instituição. Prevenção de acidentes: é o ato de se por em prática as regras e medidas de segurança, de maneira a se evitar a ocorrência de acidentes. Equipamentos de segurança: são os instrumentos que têm por finalidade evitar ou amenizar riscos de acidentes. Os equipamentos de segurança individuais (EPI`s) mais usados para a prevenção da integridade física do indivíduo são: óculos, máscaras, luvas, aventais, gorros, etc. Existem também equipamentos tais como capelas e blindagens plásticas que protegem a coletividade (EPC`s). É muito importante, nos laboratórios, a atitude individual, a programação das operações e a utilização de equipamentos de proteção adequados. Devem existir também normas bem definidas com relação ao acesso de estranhos ao trabalho de trabalho e outros itens responsáveis por acidentes. Nos laboratórios existem diversos tipos de equipamentos que por suas características envolvem sérios riscos. Portanto, é indispensável o conhecimento de como operá-los corretamente. Entretanto, os maiores riscos operacionais estão presentes na manipulação de substâncias tóxicas, venenosas, inflamáveis, explosivas, corrosivas, radioativas ou de agentes biológicos. Do ponto de vista de Saúde Pública é também importante o conhecimento de como se deve destruir o material já usado no laboratório, tais como: resíduos químicos, radioativos e microbiológicos. A finalidade básica de qualquer programa de segurança em laboratórios de Química, Bioquímica, Microbiologia e Radioquímica é a preservação da integridade física do pessoal. Para tanto, são muito importantes os treinamentos básicos de segurança para funcionários novos, para que se informem dos riscos aos quais estarão expostos e as maneiras de evitá-los. Teoricamente, pode-se pensar que acidentes graves não devem ocorrer desde que sejam seguidas certas normas de segurança especificas e as boas práticas de laboratório. Mas, o fato é que estes acidentes ocorrem: e nestes casos, o pessoal deve estar preparado para tomar, sem vacilar, a atitude correta e imediata. Tudo isto é possível por intermédio de treinamento prévio e específico, cujo principal objetivo é o de orientar e treinar o pessoal de maneira a evitar os acidentes e, caso estes ocorram, a tomar medidas imediatas. Normas de Segurança O que deve ser sempre lembrado é que: A segurança depende de cada um. É importante que o pessoal se habitue a trabalhar com segurança fazendo com que ela faça parte integrante de seu trabalho. Toda tarefa a ser executada deve ser cuidadosamente programada pois, nenhum trabalho é tão importante e urgente que não mereça ser planejado e efetuado com segurança. É responsabilidade de cada um zelar pela própria segurança e das pessoas com quem trabalha. As normas especificas fixadas para cada laboratório devem ser rigorosamente obedecidas. Cabe aqui ressaltar que o laboratorista que faz brincadeiras, não é um humorista, é sim, um elemento perigoso. Este indivíduo deve ser severamente advertido. Assim, em qualquer local de trabalho, não somente nos laboratórios químicos e microbiológicos, devem ser abolidas as brincadeiras. O ato de fumar nos laboratórios, além de ser altamente perigoso, pode levar o individuo a um estado de desatenção. Quando se fuma no laboratório está se pondo em risco a segurança, com possibilidade de provocar um acidente. É bom lembrar que o professor ou o chefe do laboratório é sempre a pessoa melhor qualificada para orientar quanto aos cuidados específicos a serem tomados em relação a cada experiência. Suas instruções devem ser cuidadosamente seguidas e respeitadas. Todo trabalho efetuado em laboratório oferece risco. Este risco pode ser decorrente da ação de produtos químicos, eletricidade ou chamas e agentes patogênicos, resultando em danos materiais, ferimentos, queimaduras ou graves infecções. Os Mapas de Risco, devem ser afixados em cada porta do laboratório, pois, indicam os riscos existentes em cada local de trabalho. Serão enumeradas a seguir, algumas regras básicas de segurança. É evidente, no entanto, que estas são apenas algumas delas mas, desde que sejam seguidas, muitos acidentes poderão ser evitados: Vamos a algumas regrinhas básicas? - Conheça o Mapa de Riscos do seu local de trabalho; - Não entre em locais de risco desconhecido; 86
- Não permita a entrada de pessoas alheias aos trabalhos do laboratório; - Não fume no laboratório; - Não se alimente e nem ingira líquidos nos laboratórios; - Não armazene substâncias incompatíveis no mesmo local; - Não abra qualquer recipiente antes de reconhecer seu conteúdo pelo rótulo; - Informe-se sobre os símbolos que nele aparecem (ver referências) - Não pipete líquidos diretamente com a boca; use pipetadores adequados; - Não tente identificar um produto químico pelo odor nem pelo sabor; - Não retorne reagentes aos frascos de origem; - Não execute reações desconhecidas em grande escala e sem proteção; - Não adicione água aos ácidos, mas sim os ácidos à água; - Não dirija a abertura de frascos na sua direção ou na de outros; - Não trabalhe de sandálias ou chinelos no laboratório; os pés devem estar protegidos com sapatos fechados; - Não abandone seu experimento, principalmente à noite, sem identificá-lo e encarregar alguém qualificado pelo seu acompanhamento; - Não se distraia, durante o trabalho no laboratório, com conversas, jogos ou ouvindo música alta, principalmente com fones de ouvido; - Evite trabalhar sozinho no laboratório; avise a portaria de sua empresa quando trabalhar tarde da noite ou nos finais de semana para que os vigias visitem periodicamente o local; - Aprenda a usar e use corretamente os EPI`s e EPC`s (equipamentos de proteção individual e coletiva) disponíveis no laboratório: luvas, máscaras, óculos, aventais, sapatos, capacetes, capelas, blindagens, etc. - Mantenha os solventes inflamáveis em recipientes adequados e longe de fontes de calor; - Utilize a capela sempre que efetuar uma reação ou manipular reagentes que liberem vapores; - Conheça o funcionamento dos equipamentos, antes de operá-los; - Lubrifique os tubos de vidro, termômetros, etc, antes de inseri-los em rolhas e mangueiras; - Conheça as propriedades tóxicas das substâncias químicas antes de empregá-las pela primeira vez no laboratório; - Prenda à parede, com correntes ou cintas, os cilindros de gases empregados no laboratório; - Certifique-se da correta montagem da aparelhagem antes de iniciar um experimento; - Informe sempre seus colegas quando for efetuar uma experiência potencialmente perigosa; - Mantenha uma lista atualizada de telefones de emergência - Informe-se sobre os tipos e usos de extintores de incêndio bem como a localização dos mesmos (corredores); - Acondicione em recipientes separados o lixo comum e os vidros quebrados e outros materiais perfurocortantes; - Siga as instruções de segurança do laboratório para descartar substâncias químicas, agentes biológicos, radioativos, resíduos e o lixo; informe-se dos procedimentos junto às Comissões pertinentes; - Frascos vazios de solventes e reagentes devem ser limpos e enviados à caçamba de vidros, para descarte. Cada laboratório deve se encarregar deste serviço, não podendo qualquer frasco ficar do lado de fora do laboratório; - Se tiver cabelos longos, leve-os presos ao realizar qualquer experiência no laboratório; - Evite colocar na bancada de laboratório, bolsas, agasalhos ou qualquer material est ranho ao trabalho; -Verifique, ao encerrar suas atividades, se não foram esquecidos aparelhos ligados (bombas, motores, mantas, chapas, gases, etc.) e reagentes ou resíduos em condições de risco; - Comunique qualquer acidente, por menor que seja, ao responsável pelo laboratório; Acidentes Mais Comuns Um laboratório de Química ou Bioquímica pode ser umas das áreas de trabalho mais perigosas. Desta maneira, é muito importante que sejam conhecidos os procedimentos de segurança que devem ser usados quando ocorrem determinados acidentes. Por esse motivo enumeraremos aqui os acidentes que podem ocorrer com maior freqüência em laboratórios de Química e Bioquímica e quais as providências que devem ser tomadas imediatamente. É de vital importância conhecer a localização das pessoas e equipamentos necessários quando o acidente exigir assistência especializada. Números de telefones, como os de ambulância, bombeiros, posto médico, hospital e médico mais próximos, devem estar visíveis e facilmente acessíveis ao responsável pelo laboratório. Uma listagem de telefones de emergência deverá estar à disposição para agilizar medidas de segurança. Todos os acidentes de laboratório devem ser imediatamente comunicados à supervisão, de maneira que se tomem medidas para que eles não voltem a se repetir. É importante também que o acidentado, remetido ao tratamento especializado tenha um acompanhamento durante certo período de tempo, variável segundo o acidente que sofreu. 87
A grande maioria dos reagentes de laboratório é tóxica. É bom que se conheçam os sintomas provocados pela intoxicação com as diversas substâncias químicas, de maneira a saber, por exemplo se o vômito deve ou não ser provocado. No caso de ingestão de venenos corrosivos não se deve provocar vômito, pois isto fará com que a substância tóxica retornasse mais uma vez através dos delicados tecidos do aparelho digestivo. Neste caso, deve ser feita a diluição da substância corrosiva pela ingestão de grandes quantidades de líquidos. NÃO PROVOQUE VÔMITO Quando a vitima ingeriu qualquer das substâncias listadas abaixo. Administre leite ou água (até 1 litro) Ácidos fortes Fluidos de lavagem a seco Amônia Gasolina Benzeno Hipoclorito de sódio (água sanitária) Cal (óxido de cálcio) Nafta (éter de petróleo) Carbonato de Sódio Óleo de pinho Creosoto (creolina, fenóis) Querosene Desinfetantes fenólicos Soda (hidróxido de sódio) Detergentes Soda para lavagem (barrilha) Estriquinina Thiner e removedores de tintas Venenos cujo tratamento envolve ação emética. Provocar o vômito excitando o fundo da garganta. PROVOQUE VÔMITO Álcool (etílico, isopropílico, desnaturado, metílico) Bórax Cânfora Formaldeído Repelente de insetos. PROCEDIMENTOS PADRONIZADOS DE PRIMEIROS SOCORROS: Ferimentos Objetivo: Proteger o ferimento de infecções e controlar as hemorragias. Primeiros socorros: Usar pensos esterilizados e pressionar o ferimento até o término da hemorragia. Estado de choque Objetivo: Manter o paciente deitado e em posição confortável. Sintomas: Pele húmida e pálida, respiração pouca profunda, olhos sem brilho, pulso fraco. Primeiros socorros: 1. Manter o paciente deitado com os pés elevados quando não houver lesões na cabeça ou no tórax. 2. Cobrir o paciente com cobertores (não provocar transpiração) 3. Administrar água para mitigar a sede. Respiração artificial Objetivo: Desobstruir e manter livres as vias respiratórias, provocar o aumento e a diminuição alternados do volume torácico. Sintomas: Ausência de respiração em virtude de choque elétrico, ou de afogamento ou de envenenamento provocado por gases. Primeiros socorros: Empurrar o maxilar inferior para frente e inclinar a cabeça do paciente para trás. Fechar as narinas da vitima. Soprar ar para o interior dos pulmões pela boca da vítima. Afastar a boca e deixar a vítima expirar o ar. Repetir a operação de 15 a 20 vezes por minuto. 88
Venenos Objetivo: Diluir o veneno e induzir o vômito, exceto quando isto for desaconselhável. Sintomas: Queimaduras em torno da boca, frasco esvaziado. Primeiros socorros: Diluir com água ou leite, induzir o vômito com solução concentrada de bicarbonato de sódio ou com dedo na garganta da vítima. Antídoto universal: 1 parte de chá forte, 1 parte de leite de magnésia, 2 partes de pão carbonizado (ou carvão ativo). Não provoque o vômito se a vitima engoliu um ácido forte, ou querosene ou estriquinina. Verifique em todos os rótulos dos frascos o antídoto recomendado. Fraturas Objetivo: Manter imóvel os ossos fraturados e as juntas adjacentes. Sintomas: Dor, inchaço,deformação. Primeiros socorros: Use um material rígido, uma almofada ou um cobertor, e entale como estiver. Transporte da vitima: :Se for necessário deslocar a vítima, não curve, nem dobre, nem sacuda o paciente. Arraste a vítima sobre um cobertor, ou um casaco ou um tapete; use uma cadeira, uma maca ou várias pessoas para transportá-la e não provocar outras lesões. Queimaduras: Objetivo: Mitigar a dor e impedir infecção. Sintomas: Do 1º grau - vermelhidão; do 2º grau - bolhas; do 3º grau - lesão profunda do tecido. Primeiros socorros: Cobrir a vítima com uma camada espessa de penso seco e estéril. Queimaduras químicas: lavar com água. Desmaio Faça a pessoa deitar supina (de peito para cima) ou então com a cabeça entre os joelhos e respirar profundamente. Use, se for acessível, suavemente, um frasco de amônia como inalador. Ataque cardíaco No caso de a pessoa ter medicação própria, administre-a; mantenha a pessoa deitada, respirando com facilidade. Chame o médico. ESTEQUIOMETRIA E EQUILÍBRIO QUÍMICO. Obs: Esta matéria já foi abordada nos tópicos anteriores. Qualquer dúvida entrar em contato com a equipe de professores: professores@novaapostila.com.br 89
SISTEMA UNIFICADO DE ATENÇÃO À SANIDADE AGROPECUÁRIA E LEGISLAÇÃO PERTINENTE DECRETO Nº 5.741, DE 30 DE MARÇO DE 2006. Regulamenta os arts. 27-A, 28-A e 29-A da Lei n o 8.171, de 17 de janeiro de 1991, organiza o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, alínea a, da Constituição, e tendo em vista o disposto nos arts. 27-A, 28-A e 29-A da Lei n o 8.171, de 17 de janeiro de 1991, DECRETA: Art. 1 o Fica aprovado, na forma do Anexo deste Decreto, o Regulamento dos arts. 27-A, 28-A e 29-A da Lei n o 8.171, de 17 de janeiro de 1991. Art. 2º Compete ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a edição dos atos e normas complementares previstos no Regulamento ora aprovado. (Redação dada pelo Decreto nº 6.348, de 2008). Art. 3 o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 30 de março de 2006; 185 o da Independência e 118 o da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Roberto Rodrigues Miguel Soldatelli Rosseto Este texto não substitui o publicado no DOU de 31.3.2006 ANEXO REGULAMENTO DOS ARTS. 27-A, 28-A E 29-A DA LEI N o 8.171, DE 17 DE JANEIRO DE 1991 CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1 o Fica instituído, na forma definida neste Regulamento, o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária. 1 o Participarão do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária: I - serviços e instituições oficiais; II - produtores e trabalhadores rurais, suas associações e técnicos que lhes prestam assistência; III - órgãos de fiscalização das categorias profissionais diretamente vinculados à sanidade agropecuária; e IV - entidades gestoras de fundos organizados pelo setor privado para complementar as ações públicas no campo da defesa agropecuária. 2 o O Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária opera em conformidade com os princípios e definições da sanidade agropecuária, incluindo o controle de atividades de saúde, sanidade, inspeção, fiscalização, educação, vigilância de animais, vegetais, insumos e produtos de origem animal e vegetal. 3 o O Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária desenvolverá, permanentemente, as seguintes atividades: I - vigilância e defesa sanitária vegetal; II - vigilância e defesa sanitária animal; III - inspeção e classificação de produtos de origem vegetal, seus derivados, subprodutos e resíduos de valor econômico; IV - inspeção e classificação de produtos de origem animal, seus derivados, subprodutos e resíduos de valor econômico; e V - fiscalização dos insumos e dos serviços usados nas atividades agropecuárias. 4 o O Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária articular-se-á com o Sistema Único de Saúde, no que for atinente à saúde pública. Seção I Dos Princípios e Obrigações Gerais Art. 2 o As regras e os processos do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária contêm os princípios a serem observados em matéria de sanidade agropecuária, especialmente os relacionados com as responsabilidades dos produtores, dos fabricantes e das autoridades competentes, com requisitos estruturais e operacionais da sanidade agropecuária. 90
1 o As regras gerais e específicas do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária têm por objetivo garantir a proteção da saúde dos animais e a sanidade dos vegetais, a idoneidade dos insumos e dos serviços utilizados na agropecuária, e identidade, qualidade e segurança higiênico-sanitária e tecnológica dos produtos agropecuários finais destinados aos consumidores. 2 o O Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária funciona de forma integrada para garantir a sanidade agropecuária, desde o local da produção primária até a colocação do produto final no mercado interno ou a sua destinação para a exportação. 3 o Os produtores rurais, industriais e fornecedores de insumos, distribuidores, cooperativas e associações, industriais e agroindustriais, atacadistas e varejistas, importadores e exportadores, empresários e quaisquer outros operadores do agronegócio, ao longo da cadeia de produção, são responsáveis pela garantia de que a sanidade e a qualidade dos produtos de origem animal e vegetal, e a dos insumos agropecuários não sejam comprometidas. 4 o A realização de controles oficiais nos termos deste Regulamento não exime os participantes da cadeia produtiva da responsabilidade legal e principal de garantir a saúde dos animais, a sanidade dos vegetais, a segurança, a qualidade e a identidade dos produtos de origem animal e vegetal, e dos insumos agropecuários, nem impede a realização de novos controles ou isenta da responsabilidade civil ou penal decorrente do descumprimento de suas obrigações. 5 o Os produtores rurais e os demais integrantes das cadeias produtivas cooperarão com as autoridades competentes para assegurar maior efetividade dos controles oficiais e melhoria da sanidade agropecuária. 6 o Os processos de controle sanitário incluirão a rastreabilidade dos produtos de origem animal e vegetal, dos insumos agropecuários e respectivos ingredientes e das matérias-primas, ao longo da cadeia produtiva. 7 o As normas complementares de defesa agropecuária decorrentes deste Regulamento serão fundamentadas em conhecimento científico. 8 o A importação e a exportação de animais e vegetais, de produtos de origem animal e vegetal, dos insumos agropecuários e respectivos ingredientes e das matérias-primas respeitarão as disposições deste Regulamento. 9 o O Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária respeitará as especificidades regionais de produtos e das diferentes escalas de produção, incluindo a agroindústria rural de pequeno porte.(incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) Art. 3 o A área municipal é a unidade geográfica básica para a organização do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária e para o funcionamento dos serviços oficiais de sanidade agropecuária. Art. 4 o Este Regulamento se aplica a todas as fases da produção, transformação, distribuição e dos serviços agropecuários, sem prejuízo de requisitos específicos para assegurar a sanidade agropecuária, a qualidade, a origem e identidade dos produtos e insumos agropecuários. Art. 5 o Os participantes da cadeia produtiva estão obrigados a cientificar à autoridade competente, na forma por ela requerida: I - nomes e características dos estabelecimentos sob o seu controle, que se dedicam a qualquer das fases de produção, transformação, distribuição e dos serviços agropecuários; II - informações atualizadas sobre os estabelecimentos, mediante a notificação de qualquer alteração significativa das atividades e de seu eventual encerramento; e III - ocorrência de alterações das condições sanitárias e fitossanitárias registrada em seus estabelecimentos, unidades produtivas ou propriedades. Art. 6 o Este Regulamento estabelece as regras destinadas aos participantes do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária e as normas para a realização de controles oficiais destinados a verificar o cumprimento da legislação sanitária agropecuária e a qualidade dos produtos e insumos agropecuários, levando em consideração: I - a garantia da saúde dos animais e sanidade dos vegetais; II - a garantia da sanidade, qualidade e segurança dos produtos de origem animal e vegetal ao longo da cadeia produtiva, a partir da produção primária; III - a manutenção da cadeia do frio, em especial para os produtos de origem animal e vegetal congelados ou perecíveis que não possam ser armazenados com segurança à temperatura ambiente; IV - a aplicação geral dos procedimentos baseados no sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle - APPCC e análises de riscos; V - o atendimento aos critérios microbiológicos; VI - a garantia de que os animais, vegetais, insumos agropecuários e produtos de origem animal e vegetal importados respeitem os mesmos padrões sanitários e de qualidade exigidos no Brasil, ou padrões equivalentes; VII - a prevenção, eliminação ou redução dos riscos para níveis aceitáveis; VIII - o cumprimento das normas zoossanitárias e fitossanitárias; IX - a observação dos métodos oficiais de amostragens e análises; e X - o atendimento aos demais requisitos estabelecidos pela legislação sanitária agropecuária. 1 o Os métodos oficiais de amostragem e análise utilizados como referência serão estabelecidos observando norma específica. 2 o Enquanto não forem especificados os métodos oficiais de amostragem ou de análise, podem ser utilizados métodos que sejam cientificamente validados em conformidade com regras ou protocolos internacionalmente reconhecidos. Art. 7 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento estabelecerá normas específicas relativas à defesa agropecuária para: 91
I - produção rural primária para o autoconsumo e para a preparação, manipulação ou armazenagem doméstica de produtos de origem agropecuária para consumo familiar; II - venda ou fornecimento a retalho ou a granel de pequenas quantidades de produtos da produção primária, direto ao consumidor final, pelo agricultor familiar ou pequeno produtor rural que os produz; e III - agroindustrialização realizada em propriedade rural da agricultura familiar ou equivalente. Parágrafo único. A aplicação das normas específicas previstas no caput está condicionada ao risco mínimo de veiculação e disseminação de pragas e doenças regulamentadas. Art. 8 o Este Regulamento não desobriga o atendimento de quaisquer disposições específicas relativas a outros controles oficiais não relacionados com defesa agropecuária da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Parágrafo único. Entre os controles oficiais da União mencionados no caput estão as disposições relativas ao controle higiênico-sanitário estabelecidas pelo Sistema Único de Saúde - SUS. CAPÍTULO II DO SISTEMA UNIFICADO DE ATENÇÃO À SANIDADE AGROPECUÁRIA Seção I Das Instâncias Art. 9 o As atividades do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária serão executadas pelas Instâncias Central e Superior, Intermediárias e Locais. 1 o A Instância Central e Superior responderá pelas atividades privativas do Governo Federal, de natureza política, estratégica, normativa, reguladora, coordenadora, supervisora, auditora, fiscalizadora e inspetora, incluindo atividades de natureza operacional, se assim determinar o interesse nacional ou regional. 2 o As Instâncias Intermediárias serão responsáveis pela execução das atividades de natureza estratégica, normativa, reguladora, coordenadora e operativa de interesse da União, e também as privativas dos Estados ou do Distrito Federal, em seus respectivos âmbitos de atuação e nos termos das regulamentações federal, estadual ou distrital pertinentes. 3 o As Instâncias Locais responderão pela execução de ações de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, no âmbito de sua atuação, nos termos das legislações federal, estadual, distrital ou municipal pertinentes. 4 o Cabe aos integrantes do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária zelar pelo pleno cumprimento das legislações especificas vigentes, que regulamentam as atividades de defesa agropecuária, as obrigações e os compromissos assumidos pelos acordos internacionais. 5 o Atos de controle realizados por autoridades competentes das três Instâncias são considerados atos diretos do Poder Público. 6 o Incumbe às autoridades competentes das três Instâncias assegurar: I - a eficácia e a adequação dos controles oficiais em todas as fases das cadeias produtivas; II - a contratação, por concurso público, do pessoal que efetua os controles oficiais; III - a ausência de quaisquer conflitos de interesses por parte do pessoal que efetua os controles oficiais; IV - a existência ou o acesso a laboratórios com capacidade adequada para a realização de testes, com pessoal qualificado e experiente em número suficiente, de forma a realizar os controles oficiais com eficiência e eficácia; V - a disponibilidade, a adequação e a devida manutenção de instalações e equipamentos, para garantir que o pessoal possa realizar os controles oficiais com segurança e efetividade; VI - a existência dos poderes legais necessários para efetuar os controles oficiais e tomar as medidas previstas neste Regulamento; e VII - a existência de planos de emergência e de contingência, e a preparação das equipes para executar esses planos. 7 o As autoridades competentes das três Instâncias garantirão imparcialidade, qualidade e coerência dos controles oficiais. Art. 10. As três Instâncias assegurarão que os controles oficiais sejam realizados regularmente, em função dos riscos sanitários agropecuários existentes ou potenciais e com freqüência adequada para alcançar os objetivos deste Regulamento, sobretudo: I - riscos identificados ou associados; II - antecedentes dos responsáveis pela produção ou pelo processamento; III - confiabilidade de autocontroles realizados; e IV - indícios de descumprimento deste Regulamento ou da legislação específica. Art. 11. A critério da autoridade competente, os controles oficiais poderão ser efetuados em qualquer fase da produção, da transformação, do armazenamento, do transporte e da distribuição e abrangerão o mercado interno, as exportações e as importações. 1 o As autoridades competentes de cada Instância verificarão o cumprimento da legislação mediante controles não-discriminatórios. 2 o Para a organização dos controles oficiais, as autoridades competentes de cada Instância solicitarão aos produtores documentos e informações adicionais sobre seus produtos. 3 o Caso seja constatado qualquer descumprimento durante um controle efetuado no local de destino, ou durante a armazenagem ou o transporte, as autoridades competentes de cada Instância tomarão as medidas adequadas. 4 o As auditorias, inspeções e fiscalizações serão efetuadas sem aviso prévio, exceto em casos específicos em que seja obrigatória a notificação prévia do responsável pelo estabelecimento ou pelos serviços. Art. 12. A adequação, formulação ou as alterações de normas de defesa agropecuária observarão as disposições deste Regulamento, para o contínuo aprimoramento do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária. 92
Seção II Da Instância Central e Superior Art. 13. As atividades da Instância Central e Superior são exercidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e seus órgãos colegiados, constituídos e disciplinados pelo Conselho Nacional de Política Agrícola, nos termos do art. 5 o da Lei n o 8.171, de 17 de janeiro de 1991. 1 o Cabe ao Conselho Nacional de Política Agrícola assegurar que órgãos colegiados sejam constituídos com participação de representantes dos governos e da sociedade civil, garantindo funcionamento democrático e harmonizando interesses federativos e de todos os participantes do sistema, e aprovar os regimentos internos dos órgãos colegiados. 2 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, institucionalizará os órgãos colegiados no prazo máximo de noventa dias após a constituição pelo Conselho Nacional de Política Agrícola. 3 o As Unidades Descentralizadas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Superintendências Federais de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Laboratórios Nacionais Agropecuários - são integrantes da Instância Central e Superior. 4 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, constituirá, no prazo definido no 2 o, Comitês Executivos para apoiar a gestão de defesa agropecuária de responsabilidade da Instância Central e Superior. Art. 14. À Instância Central e Superior do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária compete: I - a vigilância agropecuária de portos, aeroportos e postos de fronteira internacionais e aduanas especiais; II - a fixação de normas referentes a campanhas de controle e de erradicação de pragas dos vegetais e doenças dos animais; III - a aprovação dos métodos de diagnóstico e dos produtos de usos veterinário e agronômico; IV - a manutenção do sistema de informações epidemiológicas; V - a regulamentação, regularização, implantação, implementação, coordenação e avaliação das atividades referentes à educação sanitária em defesa agropecuária, nas três Instâncias do Sistema Unificado; VI - a auditoria, a supervisão, a avaliação e a coordenação das ações desenvolvidas nas Instâncias intermediárias e locais; VII - a representação do País nos fóruns internacionais que tratam de defesa agropecuária; VIII - a realização de estudos de epidemiologia e de apoio ao desenvolvimento do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária; IX - o aprimoramento do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária; X - a cooperação técnica às outras instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária; XI - a manutenção das normas complementares de defesa agropecuária; e XII - a execução e a operacionalização de atividades de certificação e vigilância agropecuária, em áreas de sua competência. Art. 15. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, é responsável por: I - elaborar os regulamentos sanitários e fitossanitários para importação e exportação de animais, vegetais e suas partes, produtos e subprodutos, matérias orgânicas, organismos biológicos e outros artigos regulamentados em função do risco associado à introdução e à disseminação de pragas e doenças; II - organizar, conduzir, elaborar e homologar análise de risco de pragas e doenças para importação e exportação de produtos e matérias- -primas; III - promover o credenciamento de centros colaboradores; IV - participar no desenvolvimento de padrões internacionais relacionados ao requerimento sanitário e fitossanitário, e à análise de risco para pragas e doenças; V - gerenciar, compilar e sistematizar informações de risco associado às pragas e doenças; e VI - promover atividades de capacitação nos temas relacionados ao risco associado às pragas e doenças. Art. 16. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, estabelecerá as normas operacionais, contemplando o detalhamento das atividades do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, no âmbito de sua competência. Art. 17. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios fornecerão as informações solicitadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. Art. 18. Para operacionalização e controle do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, deverá: I - organizar e definir as relações entre as autoridades do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária; II - estabelecer os objetivos e metas a alcançar; III - definir funções, responsabilidades e deveres do pessoal; IV - estabelecer procedimentos de amostragem, métodos e técnicas de controle, interpretação dos resultados e decisões decorrentes; V - desenvolver os programas de acompanhamento dos controles oficiais e da vigilância agropecuária; VI - apoiar assistência mútua quando os controles oficiais exigirem a intervenção de mais de uma das Instâncias Intermediárias; VII - cooperar com outros serviços ou departamentos que possam ter responsabilidades neste âmbito; 93
VIII - verificar a conformidade dos métodos de amostragem, dos métodos de análise e dos testes de detecção; e IX - desenvolver ou promover outras atividades e gerar informações necessárias para o funcionamento eficaz dos controles oficiais. Seção III Das Instâncias Intermediárias Art. 19. As atividades das Instâncias Intermediárias serão exercidas, em cada unidade da Federação, pelo órgão com mandato ou com atribuição para execução de atividades relativas à defesa agropecuária. 1 o As atividades das Instâncias Intermediárias poderão ser exercidas por instituições definidas pelos Governos Estaduais ou pelo Distrito Federal, podendo representar: I - regiões geográficas; II - grupos de Estados, Estado ou o Distrito Federal, individualmente; III - pólos produtivos; e IV - região geográfica específica. 2 o As Instâncias Intermediárias designarão as autoridades competentes responsáveis pelos objetivos e controles oficiais previstos neste Regulamento. 3 o Quando uma das Instâncias Intermediárias atribuir competência para efetuar controles oficiais a uma autoridade ou autoridades de outra Instância Intermediária, ou a outra instituição, a Instância que delegou garantirá coordenação eficiente e eficaz entre todas as autoridades envolvidas. Art. 20. Às Instâncias Intermediárias do Sistema Unificado de Atenção competem as seguintes atividades: I - vigilância agropecuária do trânsito interestadual de vegetais e animais; II - coordenação e execução de programas e campanhas de controle e erradicação de pragas dos vegetais e doenças dos animais; III - manutenção dos informes nosográficos; IV - coordenação e execução das ações de epidemiologia; V - coordenação e execução dos programas, dos projetos e das atividades de educação sanitária em sua área de atuação; e VI - controle da rede de diagnóstico e dos profissionais de sanidade credenciados. Art. 21. A Instância Intermediária tomará as medidas necessárias para garantir que os processos de controle sejam efetuados de modo equivalente em todos os Municípios e Instâncias Locais. 1 o A autoridade competente da unidade da Federação de destino deve verificar o cumprimento da legislação mediante controles não- -discriminatórios. 2 o Caso seja constatado qualquer descumprimento durante o controle efetuado no local de destino, ou durante a armazenagem ou o transporte, a Instância Intermediária tomará as medidas adequadas. Art. 22. As Instâncias Intermediárias coordenarão e compilarão as informações referentes às atividades de sanidade agropecuária em seu âmbito de atuação. Seção IV Das Instâncias Locais Art. 23. As atividades da Instância Local serão exercidas pela unidade local de atenção à sanidade agropecuária, a qual estará vinculada à Instância Intermediária, na forma definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, e poderá abranger uma ou mais unidades geográficas básicas, Municípios, incluindo microrregião, território, associação de Municípios, consórcio de Municípios ou outras formas associativas de Municípios. 1 o A Instância Local dará, na sua jurisdição, plena atenção à sanidade agropecuária, com a participação da sociedade organizada, tratando das seguintes atividades: I - cadastro das propriedades; II - inventário das populações animais e vegetais; III - controle de trânsito de animais e vegetais; IV - cadastro dos profissionais atuantes em sanidade; V - execução dos programas, projetos e atividades de educação sanitária em defesa agropecuária, na sua área de atuação; VI - cadastro das casas de comércio de produtos de usos agronômico e veterinário; VII - cadastro dos laboratórios de diagnósticos de doenças; VIII - inventário das doenças e pragas diagnosticadas; IX - execução de campanhas de controle de doenças e pragas; X - educação e vigilância sanitária; XI - participação em projetos de erradicação de doenças e pragas; e XII - atuação em programas de erradicação de doenças e pragas. 2 o As Instâncias Locais designarão as autoridades competentes responsáveis para efeitos dos objetivos e dos controles oficiais previstos neste Regulamento. 94
Art. 24. A Instância Local poderá ter mais de uma unidade de atendimento à comunidade e aos produtores rurais em defesa agropecuária. Art. 25. As Instâncias Locais, pelos escritórios de atendimento à comunidade e pelas unidades locais de atenção à sanidade agropecuária, são os órgãos de notificação dos eventos relativos à sanidade agropecuária. CAPÍTULO III DOS PROCESSOS DAS INSTÂNCIAS DO SISTEMA UNIFICADO DE ATENÇÃO À SANIDADE AGROPECUÁRIA SEÇÃO I DA ERRADICAÇÃO E DOS CONTROLES DE PRAGAS E DOENÇAS Art. 26. As estratégias e as políticas de promoção da sanidade e da vigilância agropecuária serão ecossistêmicas e descentralizadas, por tipo de problema sanitário, visando ao alcance de áreas livres de pragas e doenças, conforme previsto em acordos e tratados internacionais subscritos pelo País. 1 o Sempre que recomendado epidemiologicamente, é prioritária a erradicação das doenças e pragas na estratégia de áreas livres. 2 o Na impossibilidade de erradicação, serão adotados os programas de prevenção, controle e vigilância sanitária e fitossanitária visando à contenção da doença ou praga para o reconhecimento da condição de área de baixa prevalência ou para o estabelecimento de sistema de mitigação de risco. Art. 27. Para todos os casos relevantes, será adotado plano de contingência ou plano emergencial ajustado ao papel de cada Instância do Sistema. Art. 28. As campanhas nacionais ou regionais de prevenção, controle e erradicação serão compatíveis com o objetivo de reconhecimento da condição de área, compartimento, zona ou local livre ou área de baixa prevalência de praga ou doença. Art. 29. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, estabelecerá e atualizará os requisitos sanitários e fitossanitários para o trânsito nacional e internacional de animais e vegetais, suas partes, produtos e subprodutos de origem animal e vegetal, resíduos de valor econômico, organismos biológicos e outros produtos e artigos regulamentados, que possam servir de substrato, meio de cultura, vetor ou veículo de disseminação de pragas ou doenças. Art. 30. As Instâncias Intermediárias e Locais implantarão sistema de alerta e comunicação para notificação de riscos diretos ou indiretos à saúde animal e sanidade vegetal, e para troca de informações que facilitem ação de avaliação e gestão dos riscos, rápida e adequada, por parte dos integrantes do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária. Art. 31. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, disciplinará mecanismos que viabilizem a participação de consórcios de entidades públicas e privadas, institutos e fundos, para a implementação de política sanitária ou fitossanitária comuns, de forma a garantir maior inserção da microrregião nos mercados regional, nacional e internacional. Art. 32. As três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária desenvolverão mecanismos de mobilização, articulação e organização da comunidade local, na formulação, implementação e avaliação das políticas sanitárias ou fitossanitárias. Art. 33. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, elaborará planos de contingência, de controle e de emergência para doenças e pragas de impacto, e institucionalizará Grupos Nacionais de Emergências Sanitária e Fitossanitária. 1 o Os planos de contingência, de controle e de emergência para doenças e pragas de impacto serão elaborados de forma preventiva e constituirão prioridade para as três Instâncias. 2 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, coordenará os Grupos Nacionais de Emergências Sanitária e Fitossanitária e definirá as normas para sua constituição, seu funcionamento, seus programas de capacitação, treinamento, hierarquia e competências específicas. 3 o Os Grupos Nacionais de Emergências Sanitária e Fitossanitária serão constituídos, preferencialmente, por tipo de problema sanitário ou fitossanitário. 4 o Para o funcionamento dos Grupos Nacionais de Emergências Sanitária ou Fitossanitária, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, garantirá equipes mínimas, capacitação permanente e condições de mobilização para atuar nas ações de controle de emergências sanitárias e fitossanitárias. 5 o Os Grupos Nacionais de Emergências Sanitária ou Fitossanitária poderão ser auxiliados por equipes técnicas especializadas, na forma definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. Art. 34. As Instâncias Intermediárias institucionalizarão e coordenarão os Grupos Estaduais ou Regionais de Emergências Sanitária e Fitossanitária. 95
Parágrafo único. Para sua atuação, os Grupos Estaduais ou Regionais de Emergências Sanitária e Fitossanitária deverão ser reconhecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. Art. 35. Os Grupos Nacionais, Estaduais ou Regionais de Emergências Sanitária e Fitossanitária atuarão como órgãos operativos e auxiliares às atividades das autoridades competentes, apoiados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, funcionando como força-tarefa. 1 o Os Grupos Nacionais, Estaduais ou Regionais de Emergência Sanitária e Fitossanitária iniciarão suas atividades de campo com a declaração de estado de alerta ou de emergência sanitária ou fitossanitária, na forma definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 2 o Os Grupos Nacionais, Estaduais ou Regionais de Emergência Sanitária e Fitossanitária estarão permanentemente articulados e em estado de prontidão, independentemente das declarações de emergência, podendo realizar as ações preventivas e corretivas recomendadas à contenção do evento sanitário ou fitossanitário. Art. 36. Os programas de capacitação e treinamento dos Grupos Nacionais, Estaduais ou Regionais de Emergência Sanitária e Fitossanitária serão coordenados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, observando planos de contingência, de controle e de emergência. Seção II Da Saúde Animal Art. 37. O Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária manterá serviço de promoção de saúde animal, prevenção, controle e erradicação de doenças que possam causar danos à produtividade animal, à economia e à sanidade agropecuária, e desenvolverá as seguintes atividades, respeitando as atribuições de cada Instância do Sistema, de acordo com a legislação vigente: I - avaliação de riscos e controle de trânsito de animais, seus produtos, subprodutos, resíduos e quaisquer outros produtos ou mercadorias que possam servir de substrato, meio de cultura, vetor ou veículo de doenças; II - elaboração de políticas, normas e diretrizes para os programas de prevenção, controle e erradicação de doenças, objetivando o estabelecimento de área livre ou controlada; III - programação, coordenação e execução de ações de vigilância zoossanitária, especialmente a definição de requisitos sanitários a serem observados no trânsito de animais, produtos, subprodutos e derivados de origem animal; IV - elaboração de planos de contingência, de controle e de emergência para doenças de impacto, definindo as autoridades administrativas que intervirão, os respectivos poderes e responsabilidades, e os canais e procedimentos para troca de informações entre os diferentes intervenientes; V - planejamento, coordenação e implementação do sistema de informação zoossanitária e banco de dados correspondente, com o objetivo de facilitar a coordenação das atividades, o intercâmbio de informações e a elaboração e execução de projetos comuns; VI - planejamento, coordenação e realização de estudos epidemiológicos para doenças de interesse em saúde animal; VII - realização de estudos e análises de dados zoossanitários e investigações epidemiológicas correspondentes, para subsidiar as ações de planejamento, avaliação e controle relacionadas aos programas sanitários e às estratégias para o desenvolvimento da política nacional em saúde animal; VIII - programação, coordenação e execução da fiscalização do trânsito de animais, de produtos veterinários, de materiais de multiplicação animal, de produtos destinados à alimentação animal, produtos, subprodutos e derivados de origem animal, incluindo a aplicação de requisitos sanitários a serem observados na importação e exportação; IX - planejamento, coordenação e execução de ações relacionadas às quarentenas animais e respectivos estabelecimentos quarentenários; X - planejamento, coordenação e execução de ações relacionadas com a realização de exposições, feiras, leilões e outras aglomerações animais; XI - estabelecimento de procedimentos de controle, inclusive por meio de auditorias, em qualquer Instância do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, que auxiliem a gestão em saúde animal, a supervisão das atividades e a revisão do planejamento; XII - designação e habilitação, em trabalho conjunto com o sistema de vigilância agropecuária internacional, de pontos específicos de entrada no território brasileiro de animais e produtos importados que exijam notificação prévia à chegada, considerando o risco associado, acesso às instalações de controle, armazenamento, local apropriado para quarentena e presença de laboratório de apoio; XIII - articulação com a rede de laboratórios credenciados, oficiais e acreditados nas atividades relacionadas à saúde animal, visando a elevar a qualidade e uniformidade dos resultados; e XIV - coordenação do sistema de alerta zoossanitário para notificação de riscos para a saúde animal e para informações que facilitem ação de gestão dos riscos rápida e adequada. Parágrafo único. A importação de animais, seus produtos, derivados, subprodutos e resíduos de valor econômico, e de materiais de multiplicação animal, órgãos, tecidos e células animais, atenderão aos preceitos definidos por meio de análise de risco e procedimentos definidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 96
Seção III Da Sanidade Vegetal Art. 38. O Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária manterá serviço de promoção da sanidade vegetal, prevenção, controle e erradicação de pragas que possam causar danos à produtividade vegetal, à economia e à sanidade agropecuária, e desenvolverá as seguintes atividades, respeitando as atribuições de cada Instância do Sistema, de acordo com a legislação vigente: I - avaliação de riscos e controle de trânsito de vegetais, seus produtos, subprodutos, resíduos, material orgânico e organismos biológicos, e quaisquer outros produtos, insumos ou mercadorias que possam servir de substrato, meio de cultura, vetor ou veículo de pragas; II - elaboração de políticas, normas e diretrizes para os programas de prevenção, controle e erradicação de pragas, objetivando a erradicação ou o estabelecimento de área livre, local livre, área de baixa prevalência ou sistema de mitigação de risco de pragas regulamentadas; III - programação, coordenação e execução de ações de vigilância fitossanitária, especialmente a definição de requisitos a serem observados no trânsito de vegetais, produtos, subprodutos, resíduos, material orgânico e organismos biológicos, e quaisquer outros produtos, insumos ou mercadorias que possam servir de substrato, meio de cultura, vetor ou veículo de pragas; IV - elaboração de planos de contingência, de controle e de emergência para pragas regulamentadas, definindo as autoridades administrativas que intervirão, os respectivos poderes e responsabilidades e os canais e procedimentos para troca de informações entre os diferentes intervenientes; V - planejamento, coordenação e implementação do sistema de informação fitossanitária e banco de dados correspondente, com o objetivo de facilitar a coordenação das atividades, o intercâmbio de informações e a elaboração e execução de projetos comuns; VI - estabelecimento dos requisitos fitossanitários para a autorização de importação e exportação de vegetais e seus produtos e subprodutos, e quaisquer outros itens regulamentados, com finalidade comercial, científica, cultural e diplomática; VII - realização de estudos e análises de dados e investigações fitossanitários correspondentes, para subsidiar as ações de planejamento, avaliação e controle relacionadas aos programas e às estratégias para o desenvolvimento da política nacional em sanidade vegetal; VIII - programação, coordenação e execução da fiscalização do trânsito de vegetais, produtos, subprodutos, resíduos, material orgânico, material de propagação e multiplicação, organismos biológicos e quaisquer outros produtos, insumos ou mercadorias que possam servir de substrato, meio de cultura, vetor ou veículo de pragas, incluindo a aplicação de requisitos fitossanitários a serem observados na importação e exportação; IX - planejamento, coordenação, execução das atividades relacionadas à quarentena vegetal e respectivos estabelecimentos quarentenários; X - estabelecimento de procedimentos de controle, inclusive por meio de auditorias, em qualquer Instância do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, que auxilie a gestão em sanidade vegetal, a supervisão das atividades e a revisão do planejamento; XI - designação e habilitação, em trabalho conjunto com o sistema de vigilância agropecuária internacional, de pontos específicos de entrada no território brasileiro de vegetais e produtos importados que exijam notificação prévia à chegada, considerando o risco associado, acesso às instalações de controle, armazenamento, local apropriado para quarentena e presença de laboratório de apoio; XII - articulação com a rede de laboratórios credenciados, oficiais e acreditados nas atividades relacionadas à sanidade vegetal, visando a elevar a qualidade e uniformidade dos resultados das análises; XIII - regulamentação dos critérios e diretrizes para prestação de serviços de tratamentos fitossanitários e quarentenários por empresas credenciadas, centros colaboradores e estações quarentenárias, na forma da legislação pertinente; e XIV - coordenação do sistema de alerta fitossanitário para notificação de riscos para a fitossanidade e para o ambiente, e para informações que facilitem ação de gestão dos riscos rápida e adequada. Parágrafo único. A importação de vegetais, seus produtos, derivados, subprodutos e resíduos de valor econômico, e de materiais orgânicos, biológicos, de multiplicação vegetal, atenderão a procedimentos definidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. Seção IV Da Educação Sanitária Art. 39. A educação sanitária é atividade estratégica e instrumento de defesa agropecuária no Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, para garantir o comprometimento dos integrantes da cadeia produtiva agropecuária e da sociedade em geral, no cumprimento dos objetivos deste Regulamento. 1 o Para fins deste Regulamento, entende-se como educação sanitária em defesa agropecuária o processo ativo e contínuo de utilização de meios, métodos e técnicas capazes de educar e desenvolver consciência crítica no público-alvo. 2 o As três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária disporão de estrutura organizada para as ações de educação sanitária em defesa agropecuária. 3 o As três Instâncias poderão apoiar atividades de educação sanitária realizadas por serviços, instituições e organizações públicas e privadas. Art. 40. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, desenvolverá, de forma continuada, gestão de planos, programas e ações em educação sanitária em defesa agropecuária, de forma articulada com as demais Instâncias e com os Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários. 1 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, instituirá, regulamentará, coordenará e avaliará periodicamente o Programa Nacional de Educação Sanitária em Defesa Agropecuária. 2 o O Programa Nacional terá, entre outras, as seguintes diretrizes: I - promoção da compreensão e aplicação da legislação de defesa agropecuária; 97
II - promoção de cursos de educação sanitária; III - formação de multiplicadores; IV - promoção de intercâmbios de experiências; e V - utilização dos meios de comunicação como instrumento de informação e de educação. Art. 41. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, apoiará as ações de educação sanitária em defesa agropecuária dos segmentos públicos e privados da cadeia produtiva agropecuária e da sociedade em geral, e das instituições de ensino e de pesquisa, desde que estejam em conformidade com o que determina o Programa Nacional de Educação Sanitária em Defesa Agropecuária. Seção V Da Gestão dos Laboratórios Art. 42. As autoridades competentes, em cada Instância do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, designarão os laboratórios credenciados para análise das amostras de controles oficiais, na forma definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 1 o Os Laboratórios Nacionais Agropecuários são os laboratórios oficiais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 2 o Os Laboratórios Nacionais Agropecuários e os laboratórios públicos e privados credenciados constituem a Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, coordenada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 3 o Os Laboratórios serão organizados em rede, de forma hierarquizada e regionalizada, tendo como fundamento para a sua estruturação: I - o nível de complexidade de suas instalações laboratoriais; II - os critérios epidemiológicos, sanitários, demográficos e geográficos que orientem a delimitação de suas bases territoriais; e III - as atividades na sua respectiva jurisdição. 4 o O credenciamento de laboratórios atenderá à demanda por análises ou exames, aos grupos de análises ou espécimes específicos, segundo critérios definidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 5 o A autoridade competente das três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária que credenciar o laboratório poderá, a qualquer tempo, cancelar este credenciamento quando deixarem de ser cumpridas as condições previstas no sistema de credenciamento. 6 o Qualquer laboratório, seja público ou privado, uma vez credenciado por uma das três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, pode ser designado como referência, por um ou mais escopos, atendendo aos requisitos exigidos. 7 o A Instância Intermediária, ao designar um laboratório como referência, por escopo, para atuar na sua esfera de competência, empregará procedimento documentado para verificar o cumprimento de critérios definidos por essa Instância, visando a reconhecer e a aceitar formalmente a competência analítica desse laboratório. 8 o As Instâncias Intermediárias e Locais podem estabelecer acordo de cooperação técnica com laboratórios de referência situados em outras unidades da Federação. Art. 43. Fica proibida a manipulação de qualquer organismo patogênico de alto risco sem a existência de laboratório com nível de biossegurança adequado e sem prévia autorização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. Seção VI Do Trânsito Agropecuário Art. 44. É obrigatória a fiscalização do trânsito nacional e internacional, por qualquer via, de animais e vegetais, seus produtos e subprodutos, qualquer outro material derivado, equipamentos e implementos agrícolas, com vistas à avaliação das suas condições sanitárias e fitossanitárias, e de sua documentação de trânsito obrigatória. 1 o A fiscalização e os controles sanitários agropecuários no trânsito nacional e internacional de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal, equipamentos e implementos agrícolas, nos termos deste Regulamento, serão exercidos mediante procedimentos uniformes, em todas as Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária. 2 o As autoridades responsáveis por transporte aéreo internacional e doméstico, navegação internacional e de cabotagem, ferrovias, hidrovias e rodovias assegurarão condições de acesso das equipes de fiscalização sanitária agropecuária às áreas de embarque e desembarque de passageiros e recebimento e despacho de cargas. 3 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, estabelecerá as normas e coordenará a fiscalização do trânsito nacional e internacional, por qualquer via, de animais e vegetais, seus produtos e subprodutos, ou qualquer outro material destes derivado. 4 o As Instâncias Intermediárias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária atuarão na fiscalização agropecuária do trânsito interestadual, com base nas normas fixadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 5 o As Instâncias Intermediárias regulamentarão e coordenarão a fiscalização agropecuária do trânsito intermunicipal e intramunicipal, com base nas normas fixadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 98
6 o As Instâncias Locais do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária atuarão na fiscalização agropecuária no âmbito de sua atuação. 7 o As Instâncias Locais do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária regulamentarão e coordenarão o trânsito intramunicipal, com base nas normas fixadas pelas Instâncias Intermediárias e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. Art. 45. A fiscalização do trânsito agropecuário nacional e internacional incluirá, entre outras medidas, a exigência de apresentação de documento oficial de sanidade agropecuária emitido pelo serviço correspondente, o qual conterá a indicação de origem, destino e sua finalidade, e demais exigências da legislação. Seção VII Da Vigilância do Trânsito Agropecuário Interestadual Art. 46. Os critérios técnicos para estabelecer a classificação ou categorização de risco de disseminação e estabelecimento de pragas e doenças regulamentadas, por unidade da Federação ou região geográfica, os quais orientarão a fiscalização do trânsito interestadual, serão definidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, com base nos seguintes fatores: I - características epidemiológicas específicas das pragas e doenças; II - histórico da ocorrência de casos ou focos das pragas ou doenças; III - histórico das inconformidades verificadas na fiscalização do trânsito; IV - definição da área geográfica incluída no programa a que se aplica a classificação ou categorização; V - avaliação da condição zoossanitária ou fitossanitária nas áreas geográficas e das respectivas fronteiras, a serem classificadas ou categorizadas; VI - estrutura, operacionalização e desempenho dos programas de prevenção, erradicação e controle de pragas e doenças; VII - organização do sistema de vigilância sanitária agropecuária; VIII - condições e eficiência da fiscalização do trânsito agropecuário; e IX - grau de articulação das estruturas de apoio institucional, incluindo a rede laboratorial. Art. 47. O planejamento das ações e a aplicação de medidas sanitárias e fitossanitárias para cada doença ou praga, e a definição das normas de controle do trânsito para movimentação de vegetais, animais, seus produtos e quaisquer outros produtos ou mercadorias estarão baseadas na classificação ou categoria de risco efetuada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. Art. 48. A critério do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, serão definidas rotas de trânsito e pontos específicos de ingresso e egresso de vegetais, animais, produtos básicos e outros artigos regulamentados, que possam atuar como vetor ou veículo de disseminação ou dispersão de determinada praga ou doença. 1 o As Instâncias Intermediárias instalarão postos de fiscalização sanitária e fitossanitária interestaduais ou inter-regionais, fixos ou móveis, para fiscalização do trânsito, incluindo, entre outras medidas, os mecanismos de interceptação e exclusão de doenças e pragas, destruição de material apreendido, em estreita cooperação com outros órgãos, sempre que necessário. 2 o Nos casos de identificação de pragas, doenças ou vetores e veículos de pragas ou doenças de alto potencial de disseminação, o material infestado será imediatamente destruído ou eliminado, conforme definido em norma específica. 3 o As instâncias responsáveis pelo controle de trânsito, em sua área de abrangência, identificarão e informarão ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, os locais e instalações destinados a operações de fiscalização, inspeção, desinfecção, desinfestação, destruição ou eliminação do material apreendido. Art. 49. As autoridades competentes das Instâncias Intermediárias e Locais, ao controlar o trânsito agropecuário, verificarão o cumprimento das obrigações definidas neste Regulamento e nos demais atos normativos pertinentes. 1 o A autoridade competente das Instâncias Intermediárias organizará sua atuação e a das Instâncias Locais, com base nos planos plurianuais elaborados nos termos deste Regulamento e com base na categorização ou classificação de riscos. 2 o Os controles abrangerão todos os aspectos da legislação sanitária para animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal. 3 o Os controles serão realizados em todas as rotas de trânsito de vegetais, animais, seus produtos e quaisquer outros produtos, mercadorias, equipamentos e implementos agrícolas que possam atuar como vetor ou veículo de disseminação de praga ou doença. 4 o Os servidores públicos das Instâncias Intermediárias, observando as exigências previstas no 6 o do art. 9 o deste Regulamento, serão autoridades competentes para fiscalizar o trânsito de vegetais, animais, seus produtos e quaisquer outros produtos ou mercadorias, equipamentos e implementos agrícolas que possam atuar como vetor ou veículo de disseminação de praga ou doença, na circulação entre as unidades da Federação. Art. 50. Os controles sanitários agropecuários oficiais incluirão, a critério da autoridade competente, o controle documental, de origem e físico, conforme norma definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 1 o A freqüência e a natureza desses controles serão fixadas em normas específicas das três Instâncias. 2 o A freqüência com que os controles físicos serão efetuados dependerá dos: I - riscos associados aos animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal; II - antecedentes em matéria de cumprimento dos requisitos aplicáveis ao produto em questão; e 99
III - controles efetuados pelos produtores de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, produtos de origem animal e vegetal. 3 o As amostras retiradas pela fiscalização do trânsito agropecuário serão manuseadas de forma a garantir a sua validade analítica. Art. 51. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, definirá e divulgará lista de produtos agropecuários de risco associado a pragas e doenças, e que exigem controles e notificação prévia de trânsito entre Instâncias de origem e de destino. Parágrafo único. As Instâncias responsáveis pela administração das barreiras de fiscalização sanitária agropecuária suprirão as condições mínimas de funcionamento das atividades de vigilância agropecuária no trânsito interestadual, intermunicipal e intramunicipal. Art. 52. Em caso de indícios de descumprimento da legislação ou de dúvidas quanto à identidade ou o destino da produção, carga ou remessa, ou à correspondência entre a produção, carga ou remessa e as respectivas garantias certificadas, a autoridade competente nos postos sanitários agropecuários poderá reter a remessa ou partida, até que sejam eliminados os indícios ou as dúvidas. 1 o A autoridade competente reterá oficialmente os animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal transportados, que não cumpram os requisitos da legislação. 2 o A autoridade competente notificará oficialmente os responsáveis pela carga sobre a inconformidade constatada, cabendo recurso, na forma definida em norma específica. 3 o A autoridade competente adotará, a seu critério, as seguintes medidas: I - ordenar que os animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, produtos de origem animal e vegetal sejam submetidos a tratamento especial ou quarentenário, devolvidos, sacrificados ou destruídos; e II - destinar os animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal para outros fins que não aqueles a que inicialmente se destinavam, dependendo do risco associado. 4 o No caso de equipamentos e implementos agrícolas que possam disseminar doenças e pragas, a autoridade competente condicionará a liberação à sua desinfecção ou desinfestação. 5 o No caso da detecção de inconformidades, a autoridade competente notificará as demais Instâncias envolvidas e prestará informações definidas em normas específicas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 6 o A autoridade competente assegurará que os tratamentos especial ou quarentenário sejam realizados em conformidade com as condições estabelecidas neste Regulamento e nas normas específicas aplicáveis. 7 o O prazo máximo para retenção de cargas ou partidas, por motivo de controle sanitário agropecuário, será de quinze dias. 8 o O prazo de que trata o 7 o poderá ser ampliado, a critério da autoridade competente, nos casos previstos em normas específicas. 9 o Decorrido o prazo de quinze dias, se a reexpedição não tiver sido feita, salvo demora justificada, a remessa deve ser devolvida, sacrificada ou destruída. Art. 53. A autoridade competente cientificará o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, das suas decisões, preferencialmente mediante sistema eletrônico oficial. Art. 54. Os responsáveis pela contratação dos serviços de transporte e o transportador de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, produtos de origem animal e vegetal, equipamentos e implementos agrícolas responderão pelas despesas incorridas em decorrência das decisões das autoridades competentes. Seção VIII Da Vigilância do Trânsito Agropecuário Internacional Art. 55. As atividades de vigilância sanitária agropecuária de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, produtos de origem animal e vegetal, e embalagens e suportes de madeira importados, em trânsito aduaneiro e exportados pelo Brasil, são de responsabilidade privativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 1 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento coordenará e executará as atividades do sistema de vigilância agropecuária internacional. 2 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento institucionalizará o comitê gestor do sistema de vigilância agropecuária internacional e os subcomitês do sistema de vigilância agropecuária internacional dos aeroportos internacionais, portos organizados, postos de fronteira e aduanas especiais, os quais atuarão como órgãos consultivos junto às autoridades competentes. 3 o Os Fiscais Federais Agropecuários são as autoridades competentes para atuar na área da fiscalização da sanidade agropecuária das importações, exportações e trânsito aduaneiro de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal. 4 o As normas gerais de vigilância agropecuária internacional previstas neste Regulamento e nas legislações específicas são aplicáveis aos controles oficiais de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal importados e exportados. 5 o Os controles oficiais abrangerão todos os aspectos da legislação sanitária agropecuária para animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal. 100
6 o Os controles oficiais serão realizados em locais definidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, incluindo pontos de ingresso e saída das mercadorias em território nacional, entrepostos, instalações de produção, em regimes aduaneiros ou destinadas a zonas francas, em entrepostos especiais, unidades especiais de reexportação ou outros pontos da cadeia de produção e distribuição, incluindo reembarques. Art. 56. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, definirá as zonas primárias de defesa agropecuária e estabelecerá os corredores de importação e exportação de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal, com base em análises de risco, requisitos e controles sanitários, status zoossanitário e fitossanitário, localização geográfica e disponibilidade de infra-estrutura e de recursos humanos. Art. 57. Os controles sanitários agropecuários oficiais para exportação e importação de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal incluirão, a critério da autoridade competente, o controle documental, de identidade e físico, conforme norma definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 1 o A freqüência e a natureza desses controles serão fixadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, e dependerá: I - dos riscos associados aos animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal; II - dos controles efetuados pelos produtores ou importadores; e III - das garantias dadas pela autoridade competente do país exportador. 2 o As amostras devem ser manuseadas de forma a garantir a sua validade analítica. 3 o Para organização dos controles oficiais de vigilância agropecuária internacional, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, poderá exigir que os importadores ou responsáveis pelas importações de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal, notifiquem previamente a sua chegada e natureza, conforme norma específica. Art. 58. Os responsáveis pela administração das áreas alfandegadas suprirão as condições adequadas e básicas de funcionamento das atividades de vigilância agropecuária internacional, para o funcionamento dos pontos de entrada e saída no território nacional, em portos, aeroportos, aduanas especiais, postos de fronteiras e demais pontos habilitados ou alfandegados, na forma definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. Art. 59. Em caso de indícios de descumprimento ou de dúvidas quanto à identidade, à qualidade, ao destino ou ao uso proposto dos produtos importados, ou à correspondência entre a importação e as respectivas garantias certificadas, a autoridade competente, nas unidades de vigilância agropecuária internacional, poderá reter a remessa ou partida, até que sejam eliminados os indícios ou as dúvidas. 1 o A autoridade competente notificará oficialmente os responsáveis pela carga sobre a inconformidade constatada, cabendo recurso, na forma definida em norma específica. 2 o A autoridade competente poderá, a seu critério e conforme a legislação pertinente: I - ordenar que os animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal, sejam sacrificados ou destruídos, sujeitos a tratamento especial ou quarentenário, devolvidos ou reexportados; II - ordenar que os animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal sejam destinados para outros fins que não aqueles a que inicialmente se destinavam, dependendo do risco associado; e III - notificar os demais serviços aduaneiros das suas decisões de rechaço e fornecer informações sobre o destino final da importação, no caso da detecção de não-conformidades ou da não-autorização da introdução de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal. 3 o As medidas descritas no inciso I do 2 o, a critério da autoridade competente e conforme a legislação pertinente, serão: I - tratamento ou transformação que coloque os animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal, em conformidade com os requisitos da legislação nacional, ou com os requisitos de um país exportador de reexpedição, incluindo, se for o caso, a descontaminação, excluindo, no entanto, a diluição; e II - transformação, por qualquer outra forma adequada, para outros fins que não o consumo animal ou humano, desde que atenda à legislação pertinente. 4 o A autoridade competente assegurará que o tratamento especial ou quarentenário seja efetuado em estabelecimentos oficiais ou credenciados e em conformidade com as condições estabelecidas neste Regulamento e nas normas específicas aprovadas. 5 o A autoridade competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, permitirá a reexportação de uma remessa, desde que: I - o novo destino tiver sido definido pelo responsável pela partida; e II - o país de destino tenha sido informado, previamente, sobre os motivos e as circunstâncias que impediram a internalização dos animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal em questão no Brasil. 6 o O prazo máximo para retenção de cargas ou partidas, por motivo de controle sanitário agropecuário, será de quinze dias. 7 o O prazo de que trata o 6 o poderá ser ampliado, a critério da autoridade competente, nos casos previstos em normas específicas. 8 o Decorrido o prazo de quinze dias, caso não tenha sido efetuada a reexportação, salvo demora justificada, a partida ou remessa deverá ser destruída. 101
9 o A autoridade competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, notificará os serviços aduaneiros das suas decisões, preferencialmente mediante a utilização de sistema informatizado. 10. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, adotará medidas necessárias para prevenir a introdução no território nacional das partidas rejeitadas ou rechaçadas, na forma definida em legislação. 11. Os responsáveis pela importação de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal proverão as despesas decorrentes das decisões das autoridades competentes. Art. 60. As autoridades competentes de vigilância agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, e os demais serviços aduaneiros, públicos e privados, cooperarão estreitamente na organização dos controles oficiais referidos neste Regulamento. 1 o Os serviços aduaneiros não permitirão a introdução ou o manuseio, em zonas primárias, zonas francas e em aduanas especiais, de remessas de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal, sem a concordância da autoridade competente de vigilância agropecuária internacional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 2 o A autoridade competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, informará, por meio de documentos previstos em normas específicas e próprias, aos serviços aduaneiros e aos importadores, se os lotes podem ou não ser introduzidos em território nacional. 3 o A autoridade competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento notificará, por meio de documentos previstos em normas específicas e próprias, aos serviços aduaneiros e aos importadores e indicará se as mercadorias podem ou não ser colocadas no território nacional antes de serem obtidos os resultados das análises das amostras, desde que esteja garantida a rastreabilidade das importações. Art. 61. Serão estabelecidas, nos termos deste Regulamento, medidas necessárias para garantir a execução uniforme dos controles oficiais da introdução de animais, vegetais, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal. Seção IX Das Certificações Art. 62. Compete às três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária e aos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários, em suas áreas de competência, implantar, monitorar e gerenciar os procedimentos de certificação sanitária, fitossanitária e de identidade e qualidade, que têm como objetivo garantir a origem, a qualidade e a identidade dos produtos certificados e dar credibilidade ao processo de rastreabilidade. 1 o Os processos de controles assegurarão as condições para identificar e comprovar o fornecedor do material certificado na origem e no destino dos produtos, que serão identificados por códigos que permitam a sua rastreabilidade em toda a cadeia produtiva, na forma definida em norma específica. 2 o Compete, na forma da lei, aos Fiscais Federais Agropecuários a emissão dos certificados oficiais agropecuários exigidos pelo comércio internacional. Art. 63. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, instituirá e coordenará bancos de dados de informações relativas à certificação. Parágrafo único. Os requisitos sanitários e fitossanitários para o trânsito agropecuário intermunicipal, interestadual e internacional de animais, vegetais, produtos e subprodutos de origem animal ou vegetal, e outros produtos que possam servir de substrato, meio de cultura, vetor ou veículo de doenças ou pragas regulamentadas, serão definidos em normas específicas de informações relativas à certificação. Art. 64. Será implantado o cadastro nacional dos responsáveis técnicos habilitados a emitir a certificação sanitária de origem, fitossanitária de origem, de identidade e de qualidade, a permissão de trânsito de vegetais e guias de trânsito de animais, na forma definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, e pela legislação pertinente. Art. 65. Sem prejuízo dos requisitos gerais adotados para a sanidade agropecuária e de normas brasileiras e internacionais, o processo de certificação observará: I - os modelos de certificados previstos nas normas vigentes; II - os requisitos sanitários e fitossanitários e o respaldo legal para Certificação; III - as qualificações dos responsáveis pela certificação; IV - as garantias e a confiabilidade da certificação, incluindo a certificação eletrônica; V - os procedimentos para emissão, acompanhamento, desdobramento, cancelamento, retificação e substituição de certificados; e VI - os documentos que devem acompanhar a partida, remessa ou carga, após a realização dos controles oficiais. Art. 66. Nos casos em que for exigida certificação, deverá ser assegurado que: I - existe relação e rastreabilidade garantida entre o certificado e a remessa, o lote, o item ou a partida; II - as informações constantes do certificado são exatas e verdadeiras; e III - os requisitos específicos relativos à certificação foram atendidos. 102
Seção X Dos Cadastros e Dos Registros Art. 67. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, na forma por ele definida, promoverá a articulação, a coordenação e a gestão de banco de dados, interligando as três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária para o registro e cadastro único, com base em identificação uniforme. Art. 68. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, definirá os procedimentos a serem observados para o cadastro de estabelecimentos ou organizações. 1 o O cadastro é obrigatório e será efetuado pelos serviços oficiais da esfera competente do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, na forma definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 2 o O cadastro conterá identificação individual única no Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, que identificará o interessado em todos os processos de seu interesse. 3 o Sempre que existirem cadastros oficiais previstos para outros fins, serão utilizadas, preferencialmente, suas informações e bases de dados para subsidiar o cadastro único, e as informações do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, para o efeito normalizado neste Regulamento. 4 o As autoridades competentes, nas três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, manterão atualizado o cadastro de estabelecimentos e produtores de animais, vegetais, insumos agropecuários, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal, sejam pessoas físicas ou jurídicas, empresas, prestadores de serviços ou organizações. Art. 69. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, definirá os procedimentos a serem observados para o registro de estabelecimentos, organizações ou produtos nas formas previstas neste Regulamento. 1 o A concessão do registro pelo Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária envolverá fiscalização e auditoria oficial, com o objetivo de verificar se as exigências legais e os requisitos deste Regulamento foram atendidos. 2 o O registro será utilizado exclusivamente para a finalidade para a qual foi concedido, sendo proibida a sua transferência ou utilização em outras unidades ou em outros estabelecimentos. 3 o O estabelecimento registrado fica obrigado a adquirir apenas material que esteja em conformidade com as exigências da legislação vigente. 4 o O estabelecimento registrado fica obrigado a cooperar e a garantir o acesso às instalações de pessoas habilitadas para realização de inspeção, fiscalização, auditoria, colheita de amostras e verificação de documentos. Seção XI Do Credenciamento de Prestadores de Serviços Técnicos e Operacionais Art. 70. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, definirá procedimentos a serem observados no credenciamento de empresas ou organizações interessadas na prestação de serviços técnicos ou operacionais, conforme legislação pertinente. 1 o Sempre que receber pedido de credenciamento, a autoridade competente efetuará visita ao local e emitirá laudo de vistoria e relatórios pertinentes na forma regulamentada. 2 o A autoridade competente credenciará o prestador de serviço, desde que esteja demonstrado o cumprimento dos requisitos pertinentes da legislação sanitária agropecuária e das demais exigências legais. 3 o Cabe à autoridade competente avaliar se o prestador de serviço atende aos requisitos de procedimentos, pessoal, infra-estrutura, equipamentos, conhecimento técnico e outras exigências legais, na forma definida neste Regulamento e na legislação sanitária e fitossanitária específica. Art. 71. A autoridade competente, na forma definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, auditará e fiscalizará, a seu critério, as atividades do prestador de serviço. 1 o Caso detecte deficiências ou inconformidades, a autoridade competente adotará medidas corretivas previstas em norma específica, podendo, a seu critério, suspender a prestação dos serviços credenciados até a correção das deficiências, em prazo definido. 2 o Decorrido o prazo definido no 1 o e mantidas as deficiências e inconformidades, será iniciado processo de descredenciamento da empresa ou organização, assegurando o direito de defesa, sem prejuízo da aplicação das penalidades definidas na legislação pertinente. 3 o Na reincidência de inconformidades ou deficiências e nos casos de constatação de inconformidades e deficiências consideradas graves, na forma definida em norma específica, a autoridade competente suspenderá o credenciamento imediatamente e iniciará processo de descredenciamento. Art. 72. As autoridades competentes manterão cadastros atualizados, preferencialmente em meio eletrônico, dos prestadores de serviço credenciados, disponibilizando-os a todas as Instâncias do Sistema Unificado de Atenção Sanitária Agropecuária e ao público em geral, no que couber. 103
Art. 73. Ao prestador de serviço credenciado competirá: I - atender aos critérios, diretrizes, parâmetros e especificações de serviços, materiais e produtos, instalações físicas, componentes de equipamentos e modalidades de aplicação dos tratamentos e procedimentos, e medidas de segurança, conforme normas específicas; II - colocar à disposição da fiscalização sanitária agropecuária, das três Instâncias, sempre que solicitada, documentação que comprove o credenciamento, a relação de produtos e equipamentos utilizados, e o histórico das atividades e dos serviços realizados; III - assegurar o acesso às suas instalações, para que a autoridade competente efetue visita ao local e emita laudo de vistoria e relatórios pertinentes, na forma regulamentada, quando da solicitação de credenciamento ou a qualquer tempo; IV - comunicar à Instância correspondente quaisquer alterações das informações apresentadas em seu credenciamento, as quais serão submetidas à análise para aprovação e autorização; V - manter os registros e controles dos processos e serviços prestados e realizados, por um período mínimo de cinco anos; e VI - garantir supervisão por responsável técnico, observando legislação sanitária agropecuária vigente. Art. 74. Norma específica editada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, definirá os processos de credenciamento, os serviços cujos credenciamentos serão obrigatoriamente homologados e as regras específicas para a homologação, observando legislação setorial. Seção XII Da Habilitação de Profissionais e Reconhecimentos Art. 75. As três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária poderão habilitar profissionais para prestar serviços e emitir documentos, conforme a legislação vigente, na forma definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 1 o Caberá às respectivas Instâncias promover e fiscalizar a execução das atividades do profissional habilitado. 2 o A emissão de documentos e prestação de serviços por profissionais privados habilitados será permitida em casos especiais regulamentados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, observando as demais legislações específicas. Seção XIII Do Atendimento aos Compromissos Internacionais Art. 76. As três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária são responsáveis pelo atendimento aos compromissos e obrigações decorrentes de acordos internacionais firmados pela União, relativos às atividades de sanidade agropecuária. 1 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, coordenará e acompanhará a implementação de decisões relativas ao interesse do setor agropecuário nacional, de organismos internacionais e de acordos com governos estrangeiros. 2 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, sem prejuízo dos seus direitos e obrigações nos foros internacionais, deverá: I - contribuir para a formulação consistente de normas técnicas internacionais relativas aos produtos agropecuários e alimentos para animais, e de normas sanitárias e fitossanitárias; II - promover a coordenação dos trabalhos sobre normas propostas por organizações internacionais relativas à defesa agropecuária, quando justificada; III - contribuir, sempre que relevante e adequado, para a elaboração de acordos sobre o reconhecimento da equivalência de medidas específicas relacionadas com os produtos de origem animal e vegetal, e os alimentos para animais; IV - prestar especial atenção às necessidades específicas de desenvolvimento e às necessidades financeiras e comerciais das unidades da Federação, com vistas a garantir que as normas internacionais não criem obstáculos às suas exportações; e V - promover a coerência entre as normas técnicas internacionais e a legislação de atenção à sanidade agropecuária, assegurando simultaneamente que o nível de proteção não seja reduzido. Seção XIV Da Formação de Pessoal Art. 77. As três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária serão responsáveis pela capacitação do seu corpo de profissionais. 1 o Os eventos de capacitação serão utilizados para desenvolver abordagem harmônica dos controles oficiais, nas três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária. 2 o O programa de capacitação e treinamento abordará, entre outros, os seguintes temas: I - legislações nacional e internacional relativas à sanidade agropecuária; II - métodos e técnicas de controle, a exemplo da auditoria de sistemas concebidos pelos operadores, para dar cumprimento à legislação sanitária agropecuária; 104
III - métodos e técnicas de produção e comercialização de insumos, inclusive de alimentos para animais, e de produtos de origem animal e vegetal; IV - meios, métodos e técnicas pedagógicas e de comunicação, para execução das atividades dos educadores sanitaristas com os componentes da cadeia produtiva e da sociedade em geral; e V - outras ações específicas de competência de cada instância, a serem definidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 3 o Os eventos de capacitação podem ser abertos a participantes de outros países. Art. 78. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, proporá a política de capacitação, ouvidas as Instâncias Intermediárias e Locais. Art. 79. A autoridade competente das três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária garantirá que todo o seu pessoal encarregado dos controles oficiais: I - tenha formação profissional exigida para as atividades de sanidade agropecuária; II - receba, na respectiva esfera de atuação, capacitação e mandatos adequados para exercer as suas funções com competência, independência e isenção; III - mantenha-se atualizado na sua esfera de competência e, se necessário, receba regularmente formação suplementar; e IV - esteja apto a trabalhar em cooperação multidisciplinar. CAPÍTULO IV DA METODOLOGIA E DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS Seção I Da Análise de Risco Art. 80. A análise de risco será o método básico utilizado na definição dos procedimentos de atenção à sanidade agropecuária. 1 o As análises de risco serão elaboradas utilizando as referências e os conceitos harmonizados internacionalmente e aprovadas em acordos firmados pelo Brasil. 2 o Para alcançar o objetivo geral de elevado nível de proteção à saúde animal e à sanidade vegetal, a garantia da inocuidade dos produtos de origem animal e vegetal, as medidas sanitárias e fitossanitárias serão baseadas em análise de risco, exceto quando não for adequado às circunstâncias ou à natureza da medida. 3 o Nas análises de risco, serão levadas em consideração as informações científicas disponíveis, os processos e métodos de produção pertinentes, os métodos para testes, amostragem e inspeção pertinentes, a prevalência de pragas ou doenças específicas, a existência de áreas e locais livres de pragas ou doenças, as condições ambientais e ecológicas e os regimes de quarentena. 4 o A determinação da medida a ser aplicada para alcançar o nível adequado de proteção sanitária e fitossanitária, para determinado risco, deverá considerar o dano potencial à saúde animal e à sanidade vegetal, as perdas econômicas no caso do ingresso, estabelecimento e disseminação de uma praga ou doença, os custos de controle e erradicação no território, e a relação custo e benefício de enfoques alternativos para limitar os riscos. Art. 81. As autoridades competentes das três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária deverão estabelecer procedimentos para identificação de riscos, nas áreas de sua competência. Art. 82. Sempre que uma autoridade suspeitar que existe risco sanitário ou fitossanitário, solicitará informações adicionais às outras Instâncias do Sistema Unificado de Atenção Agropecuária, que deverão transmitir com urgência todas as informações pertinentes de que disponham. Art. 83. As medidas corretivas necessárias para determinar nível adequado de proteção sanitária e fitossanitária para um local, Município, região ou Estado, para um risco identificado, serão compatíveis com o objetivo de reduzir ao mínimo os efeitos negativos para o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária e para o comércio entre as áreas e localidades envolvidas. 1 o Nos casos em que a evidência científica for insuficiente para as análises de risco, a critério da autoridade competente poderão ser adotadas, provisoriamente, medidas sanitárias ou fitossanitárias de proteção, com base em outras informações disponíveis, incluindo as oriundas de organizações internacionais de referência e também de medidas sanitárias e fitossanitárias aplicadas por outros países. 2 o Serão realizadas análises de risco para autorização de importação de animais, vegetais e produtos, sempre que a condição sanitária ou fitossanitária do país de origem, ou de seus países vizinhos, assim determinar, ou em caso de descumprimento das condições sanitárias ou fitossanitárias estabelecidas. 3 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, analisará as regiões brasileiras, formulará diagnósticos e proporá linhas de ação como estratégia para o desenvolvimento do agronegócio local, regional ou nacional, com base nos estudos de análise de risco. 105
Seção II Da Análise de Perigo e Ponto Crítico de Controle Art. 84. Os produtores de animais, vegetais, insumos agropecuários, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal observarão os princípios do sistema de Análises de Perigos e Pontos Críticos de Controle - APPCC, conforme normas específicas. 1 o Os produtores de animais, vegetais, insumos agropecuários e produtos de origem animal e vegetal, conforme normas específicas, devem: I - fornecer à autoridade competente as provas da observância do requisito estabelecido, sob a forma por ela exigida, considerando a natureza e a dimensão de sua atividade; II - assegurar que todos os documentos que descrevem os processos desenvolvidos estejam sempre atualizados; e III - conservar quaisquer outros documentos e registros, durante o período definido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 2 o Serão definidas condições especiais para pequenos produtores de animais e vegetais, estabelecendo a utilização de processos citados nas diretrizes, para aplicação dos princípios do APPCC ou dos sistemas equivalentes. 3 o As condições devem especificar o período em que os produtores de animais e vegetais deverão conservar documentos e registros. 4 o Serão reconhecidos no Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, em atos específicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, ações, programas e projetos implantados com o objetivo de valorizar as atividades de controle relacionadas com o sistema APPCC. CAPÍTULO V DAS NORMAS COMPLEMENTARES DA DEFESA AGROPECUÁRIA Seção I Do Compromisso com o Consumidor e com o Produtor Art. 85. As normas complementares nacionais e estaduais de defesa agropecuária serão elaboradas com base nas diretrizes deste Regulamento, buscando proteger os interesses dos consumidores, da produção agropecuária e dos produtores, no que se refere à qualidade de matérias- -primas, aos insumos, à proteção contra fraudes, às adulterações de produtos e práticas que possam induzir o consumidor a erro, contemplando a garantia da sanidade de animais e vegetais e a inocuidade de produtos de origem animal e vegetal. Parágrafo único. Nas normas complementares referidas no caput, serão definidas e enfatizadas as responsabilidades do produtor em colocar no mercado produtos e serviços seguros, o autocontrole da produção e os pontos críticos de controle de cada processo aprovado. Seção II Da Elaboração de Normas Complementares de Boas Práticas Art. 86. As três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária elaborarão normas complementares de boas práticas para a sanidade agropecuária, incluindo procedimentos-padrão de higiene operacional para viabilizar a aplicação dos princípios de análise de risco de pragas e doenças, e análise de perigos e pontos críticos de controle, em conformidade com este Regulamento. 1 o O Conselho Nacional de Política Agrícola aprovará as normas complementares nacionais e estaduais, e determinará suas revisões periódicas. 2 o O objetivo da revisão é assegurar que as normas complementares continuem a ser aplicadas objetivamente e incorporem os desenvolvimentos científicos e tecnológicos. 3 o Os títulos e as referências das normas complementares nacionais serão publicados e divulgados em todo o território nacional 4 o As normas complementares nacionais de boas práticas serão elaboradas por cadeia produtiva, e com a participação dos produtores e demais agentes dessa cadeia, considerando também as normas complementares de práticas pertinentes dos organismos internacionais de referência. Art. 87. As Instâncias Intermediárias poderão elaborar, a seu critério e observando interesses específicos, as suas próprias normas complementares de boas práticas, as quais serão enviadas para o conhecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, e das demais Instâncias Intermediárias. CAPÍTULO VI DA OPERACIONALIZAÇÃO E DO CONTROLE Seção I Do Controle Laboratorial Art. 88. Os métodos de análise devem obedecer aos seguintes critérios: I - exatidão; II - aplicabilidade (matriz e gama de concentrações); 106
III - limite de detecção; IV - limite de determinação; V - precisão; VI - recuperação; VII - seletividade; VIII - sensibilidade; IX - linearidade; X - incerteza das medições; e XI - outros critérios que possam ser selecionados, consoante as necessidades. 1 o Os valores que caracterizam a precisão referida no inciso V devem ser obtidos a partir de ensaio coletivo, conduzido de acordo com protocolos nacionalmente ou internacionalmente reconhecidos e, quando tenham sido estabelecidos critérios de desempenho para os métodos analíticos, a precisão será baseada em testes de conformidade. 2 o Os resultados do ensaio coletivo serão publicados ou acessíveis sem restrições. 3 o Os métodos de análise uniformemente aplicáveis a vários grupos de produtos serão preferidos em relação aos métodos aplicáveis unicamente a produtos específicos. 4 o Serão definidas normas e diretrizes especiais, buscando harmonização, para as situações em que: I - os métodos de análise só possam ser validados em laboratórios credenciados ou de referência; e II - os critérios de desempenho para os métodos analíticos forem baseados em testes de conformidade. Art. 89. Os métodos de análise adaptados nos termos deste Regulamento serão formulados de acordo com as especificações e os métodos de análise preconizados nacional ou internacionalmente. Seção II Das Amostras Art. 90. Os métodos de amostragem e de análise utilizados nos controles oficiais devem respeitar as normas brasileiras aplicáveis. 1 o Os métodos de análise serão validados em laboratório, observando regra nacional ou protocolo internacionalmente recomendado. 2 o Na ausência de normas nacionais, ou de normas ou protocolos reconhecidos internacionalmente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, aprovará normas ou instruções, definindo métodos adequados para cumprir o objetivo pretendido. 3 o Os métodos de análise serão caracterizados pelos critérios definidos por este Regulamento. Art. 91. As autoridades competentes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, regulamentarão os procedimentos de contraprovas e estabelecerão procedimentos adequados para garantir o direito de os produtores de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, produtos de origem animal e vegetal, cujos produtos sejam sujeitos à amostragem e à análise, solicitarem o parecer de outro perito credenciado, na forma regulamentada, sem prejuízo da obrigação das autoridades competentes tomarem medidas rápidas, em caso de emergência. Parágrafo único. Não se aplicam os procedimentos de contraprova e parecer de outro perito, quando se tratar de riscos associados a animais, vegetais e produtos agropecuários perecíveis. Art. 92. As amostras serão adequadamente coletadas, manuseadas, acondicionadas, identificadas e transportadas, de forma a garantir a sua validade analítica. Seção III Dos Controles do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária Art. 93. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, realizará auditorias gerais e específicas nas demais Instâncias, com o objetivo de avaliar a conformidade dos controles e atividades efetuados com base nos planos nacionais de controle plurianuais. 1 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, pode nomear peritos das Instâncias Intermediárias ou Locais, se necessário, para executar ou apoiar as auditorias gerais e específicas nas demais Instâncias. 2 o As auditorias gerais e específicas serão organizadas em articulação e cooperação com as autoridades competentes das Instâncias Intermediárias e Locais. 3 o As auditorias gerais serão efetuadas regularmente, com base nos planos de controle plurianuais. 4 o A critério do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, poderão ser solicitadas, antes das auditorias gerais, informações atualizadas dos controles sanitários agropecuários elaborados pelas Instâncias Intermediárias e Locais. Art. 94. As auditorias gerais serão complementadas por auditorias e inspeções específicas em uma ou mais áreas determinadas. 1 o As auditorias e inspeções específicas destinam-se a: 107
I - avaliar a aplicação do plano nacional de controle plurianual, da legislação em matéria de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, produtos de origem animal e vegetal e da legislação em matéria de sanidade vegetal e saúde dos animais, e podem incluir, se for o caso, inspeções no local dos serviços oficiais e das instalações associadas à cadeia produtiva objeto da auditoria; II - avaliar as condições de funcionamento e a organização dos trabalhos das Instâncias Intermediárias e Locais; III - identificar, avaliar e propor planos de contingência ou de emergência, para problemas relevantes, críticos ou recorrentes nas Instâncias Intermediárias e Locais; e IV - investigar situações de emergência, problemas emergentes, resolução de planos de contingências ou aperfeiçoamentos adotados nas Instâncias Intermediárias e Locais. 2 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, elaborará relatório sobre os resultados de cada auditoria de que participar. 3 o Os relatórios conterão, se for o caso, recomendações dirigidas às Instâncias Intermediárias e Locais, para a melhoria do cumprimento da legislação em matéria de defesa agropecuária. 4 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, fornecerá à autoridade competente o projeto de relatório, para que a Instância auditada formule, no prazo de trinta dias, parecer e observações. 5 o As manifestações das Instâncias Intermediárias e Locais farão parte do relatório final, desde que sejam encaminhadas no prazo definido no 4 o. 6 o Os relatórios serão divulgados observando a forma regulamentada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. Art. 95. As Instâncias Intermediárias e Locais deverão: I - participar das auditorias gerais e específicas, realizadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior; II - realizar suas próprias auditorias gerais e específicas; III - adotar medidas corretivas, atendendo às recomendações resultantes das auditorias; IV - prestar toda a assistência necessária e fornecer toda a documentação e qualquer outro apoio técnico solicitados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior; e V - garantir aos auditores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, o acesso a todas as instalações ou partes de instalações e às informações, incluindo sistemas de informação, relevantes para a auditoria. Art. 96. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como instância central e superior, avaliará, a qualquer tempo, a condição sanitária ou fitossanitária, ou a equivalência dos sistemas sanitários agropecuários, adotadas pelas instâncias intermediárias e locais. (Redação dada pelo Decreto nº 7.216, de 2010) Seção IV Do Controle de Importação e Exportação Art. 97. Os importadores de animais, vegetais, insumos agropecuários, inclusive alimentos para animais, produtos de origem animal e vegetal e outros produtos que possam constituir risco de introdução e disseminação de doenças e pragas, ficam obrigados a observar os requisitos deste Regulamento e das normas definidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. Art. 98. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, elaborará e atualizará lista de pragas e doenças, animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal, com base em análise de risco, as quais estarão sujeitas a controles oficiais nos pontos de ingresso do território nacional, a critério das autoridades. Art. 99. As autoridades competentes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, realizarão controles oficiais para verificar a conformidade com os aspectos da legislação em matéria de importação e exportação, definidos neste Regulamento. Art. 100. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, definirá, em normas específicas, por país, controles especiais prévios à exportação para o Brasil de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal, para verificar o atendimento dos requisitos e demais exigências deste Regulamento. 1 o A aprovação será aplicável aos animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal originários de país, desde que tenha acordo sanitário com o Brasil, e será concedida para um ou mais produtos. 2 o Sempre que tenha sido concedida a aprovação de que trata o 1 o, os controles na importação dos animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal serão simplificados e expeditos em conformidade com o risco associado e com as regras específicas definidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 3 o Os controles prévios à exportação realizados no país de origem permanecem eficazes, podendo, a critério da autoridade competente, ser solicitada a realização de novos controles oficiais para certificar a sanidade, a fitossanidade e a qualidade dos animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal importados. 108
4 o A aprovação referida no 1 o será concedida, desde que: I - auditorias ou procedimentos oficiais, realizados com base em especificações definidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, comprovem que os animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal, exportados para o Brasil, cumprem os requisitos deste Regulamento ou requisitos equivalentes; e II - controles efetuados no país de origem, antes da expedição, sejam considerados suficientemente eficientes e eficazes para substituir ou reduzir os controles documentais, de identidade e físicos previstos neste Regulamento. 5 o A aprovação identificará a autoridade competente do país de origem, sob cuja responsabilidade os controles prévios à exportação são efetuados. 6 o A autoridade competente ou o organismo de controle especificado na aprovação do país exportador são responsáveis pelos contatos com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 7 o A autoridade competente ou o organismo de controle do país exportador assegurarão a certificação oficial de cada remessa controlada, antes da respectiva entrada em território nacional. 8 o A aprovação especificará modelo para os certificados. 9 o Quando os controles oficiais das importações sujeitas ao procedimento referido revelarem qualquer descumprimento deste Regulamento, as autoridades do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, ampliarão as verificações e os controles, observando a gravidade do descumprimento, realizando novas análises de riscos e notificando, de imediato, os países exportadores, segundo os acordos sanitários agropecuários. 10. Persistindo o descumprimento referido no 9 o, ou constatado que o descumprimento coloca em risco os objetivos deste Regulamento, inclusive a sanidade agropecuária, deixa de ser aplicável, imediatamente, o regime de controle simplificado ou expedito. Art. 101. No que se refere à exportação ou reexportação de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, produtos de origem animal e vegetal, deverão ser observados os requisitos deste Regulamento e da legislação sanitária agropecuária vigente, além das exigências legais dos países importadores. Art. 102. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, estabelecerá normas específicas para a execução dos controles da importação para: I - animais e vegetais sem valor comercial, quando for utilizado meio de transporte internacional; II - isenções ou condições específicas aplicáveis a determinados procedimentos de processamento, industrialização e imediata reexportação; III - produtos de origem animal e vegetal, para abastecimento da tripulação e dos passageiros de meios de transporte internacionais; IV - insumos, inclusive alimentos para animais e produtos de origem animal e vegetal, encomendados por via postal, pelo correio, por telefone ou pela rede mundial de computadores, e entregues ao consumidor; V - alimentos para animais e produtos de origem animal e vegetal, transportados por passageiros e pela tripulação de meios de transporte internacionais; VI - remessas de origem brasileira, que sejam devolvidas por países importadores; e VII - documentos que devem acompanhar as remessas, quando tiverem sido recolhidas amostras. Art. 103. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, poderá, a qualquer tempo, avaliar a condição sanitária ou de equivalência da legislação e dos sistemas sanitários agropecuários de países exportadores e importadores, em relação à legislação de defesa agropecuária brasileira. 1 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, poderá nomear, a seu critério, peritos ou especialistas para tarefas específicas e definidas no caput deste artigo. 2 o As avaliações incluirão, entre outras: I - consistência e coerência da legislação de defesa agropecuária do país exportador; II - organização e funcionamento dos serviços oficiais, das autoridades competentes do país exportador, suas competências e sua independência; III - qualificação do pessoal e equipe para o desempenho dos controles oficiais; IV - infra-estrutura disponível, incluindo laboratórios e instalações de diagnóstico; V - existência e funcionamento de procedimentos de controle; VI - situação dos controles de saúde animal, zoonoses e no domínio fitossanitário, e procedimentos de notificação de surtos, focos ou eventos de doenças de animais e vegetais; e VII - garantias que podem oferecer para o cumprimento dos requisitos nacionais ou para a equivalência sanitária. 3 o A freqüência da avaliação sobre as condições sanitárias agropecuárias vigentes nos países exportadores para o Brasil será determinada com base em: I - análise de risco dos produtos exportados; II - disposições da legislação brasileira; III - volume e natureza das importações do país em questão; IV - resultados das avaliações anteriores, efetuadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior; 109
V - resultados dos controles na importação; VI - informações recebidas de outros organismos; VII - informações recebidas de organismos internacionalmente reconhecidos, como a Organização Mundial de Saúde, o Codex Alimentarius, Convenção Internacional de Proteção de Vegetais e a Organização Mundial de Saúde Animal; VIII - detecção de doenças e pragas no país exportador; IX - identificação de riscos associados a animais, vegetais e produtos agropecuários perecíveis; e X - necessidade de investigar situações de emergência num país exportador. Art. 104. Quando forem identificados riscos associados a animais, vegetais e produtos agropecuários perecíveis, na análise de risco, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, adotará, de imediato, medidas de emergência nos termos deste Regulamento ou nas disposições de proteção à sanidade agropecuária previstas na legislação pertinente. Art. 105. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, elaborará relatório sobre os resultados de cada avaliação efetuada, incluindo recomendações pertinentes. Art. 106. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, poderá solicitar aos países exportadores informações sobre a organização e a gestão dos sistemas de controle sanitário agropecuário. 1 o As informações referidas estarão relacionadas aos resultados dos controles do país exportador. 2 o Se um país exportador não fornecer essas informações ou se essas informações não forem corretas, o Brasil exigirá, unilateralmente e de imediato, a aplicação dos controles plenos de importação, sem quaisquer concessões. 3 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, estabelecerá a forma como as informações serão coletadas, preparadas, organizadas e apresentadas, e as medidas de transição destinadas a dar tempo aos países exportadores para preparar tais informações. Art. 107. Os acordos de equivalência reconhecem que as medidas aplicadas no país exportador oferecem garantias equivalentes às aplicadas no Brasil. 1 o Para a determinação de equivalência, serão avaliados: I - natureza e conteúdo dos certificados que devem acompanhar os produtos; II - requisitos específicos aplicáveis à exportação para o Brasil; e III - resultados de auditorias. 2 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, elaborará e manterá atualizadas listas de regiões ou estabelecimentos dos quais são permitidas importações pelo Brasil, observando o sistema de equivalência. 3 o O reconhecimento de equivalência será revogado, de imediato e de forma unilateral, sempre que deixem de ser cumpridas quaisquer das condições estabelecidas. Art. 108. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, fica autorizado a executar ações conjuntas e apoiar os países vizinhos, em matéria de sanidade dos animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal, a fim de desenvolver a capacidade institucional necessária para cumprir as condições referidas neste Regulamento. CAPÍTULO VII DA COOPERAÇÃO E DA ASSISTÊNCIA Art. 109. A pedido das autoridades competentes das Instâncias Locais e em colaboração com elas, a Instância Intermediária prestará cooperação e assistência às Instâncias Locais. Art. 110. A pedido das autoridades competentes das Instâncias Intermediárias e em colaboração com elas, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, prestará cooperação e assistência às Instâncias Intermediárias. Parágrafo único. A cooperação e assistência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, contemplará, em especial: I - esclarecimentos sobre a legislação nacional de defesa agropecuária; II - informações e dados disponíveis, em nível nacional, que possam ser úteis para o controle nas Instâncias Intermediárias e Locais para garantir a universalidade, a harmonização, a eqüidade e a efetividade dos controles e das ações de sanidade agropecuária; e III - suporte operacional necessário aos controles de responsabilidade das Instâncias Intermediárias e Locais no Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária. Art. 111. A Instância Intermediária adotará medidas de assistência emergencial e temporária, em caso de descumprimento, por parte das Instâncias Locais, de obrigações estabelecidas na legislação sanitária agropecuária e neste Regulamento, que comprometa os objetivos do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária. 110
Art. 112. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, adotará medidas de assistência emergencial e temporária em caso de descumprimento, por parte das Instâncias Intermediárias, de obrigações estabelecidas neste Regulamento e na legislação sanitária agropecuária, que comprometam os objetivos do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária. 1 o Sempre que a autoridade competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, identifique descumprimento, tomará medidas que garantam que as Instâncias Intermediárias ou Locais possam resolver a situação. 2 o Ao decidir pela assistência, em função da incapacidade operacional ou temporal das Instâncias Intermediárias em cumprir o que estabelece o 1 o, a autoridade competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, levará em consideração os antecedentes e a natureza do descumprimento. 3 o A ação de assistência referida no caput pode incluir uma ou mais das seguintes medidas: I - adoção de procedimentos sanitários ou de quaisquer outras medidas consideradas necessárias para garantir a segurança dos animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, produtos de origem animal e vegetal, e das normas relativas à saúde dos animais; II - restrição ou proibição da colocação de produtos no mercado; III - acompanhamento e, se necessária, determinação de recolhimento, retirada ou destruição de produtos; IV - autorização de utilização de insumos, inclusive alimentos para animais, produtos de origem animal e vegetal, para fins diferentes daqueles a que inicialmente se destinavam; V - suspensão do funcionamento ou encerramento da totalidade ou de parte das atividades de produção ou de empresas; VI - suspensão ou cancelamento do credenciamento concedido; e VII - quaisquer outras medidas consideradas adequadas pela autoridade competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. 4 o O ônus decorrente das ações estabelecidas no 3 o será de responsabilidade dos produtores de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal, cabendo recurso, na forma regulamentada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior. Art. 113. As sanções às infrações relacionadas com a sanidade agropecuária serão aplicadas na forma definida em legislação específica, nas esferas federal, estadual e municipal. Art. 114. Todos os procedimentos do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária deverão ser documentados. Art. 115. No caso de descumprimento das normas de sanidade agropecuária, os produtores de animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, produtos de origem animal e vegetal, serão formalmente notificados pela autoridade competente. Seção I Dos Controles de Crises Art. 116. O Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária disporá de Manual de Procedimentos de Gestão de Crises e de Grupos Especiais de Ação Emergencial para Sanidade Agropecuária, que observarão normas específicas definidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Art. 117. Para a implementação das orientações contidas no Manual de Procedimentos de Gestão de Crises, as três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária elaborarão, de forma proativa, planos de contingência e de emergência que definam as medidas aplicáveis imediatamente, sempre que se verifique risco para a sanidade agropecuária, quer diretamente, quer por intermédio do ambiente. 1 o Os planos de contingência e de emergência especificarão as autoridades administrativas que devem intervir, os respectivos poderes e responsabilidades, os canais e os procedimentos para a troca de informações entre os diferentes intervenientes. 2 o As Instâncias Intermediárias, em suas áreas de abrangência, revisarão e adequarão os planos de contingência e de emergência às suas condições específicas. Art. 118. As Instâncias Intermediárias prestarão assistência mútua, mediante pedido ou por iniciativa própria, sempre que os resultados dos controles oficiais impliquem adoção de medidas emergenciais em mais de uma Instância Intermediária. Parágrafo único. A assistência mútua das Instâncias Intermediárias pode incluir, se for o caso, a participação em controles no local, efetuados pela autoridade competente de outras Instâncias Intermediárias. Art. 119. Sempre que uma autoridade competente das três Instâncias tome conhecimento de caso de descumprimento e esse caso possa ter implicações para o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária para outra Instância Intermediária, transmitirá imediatamente essas informações ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, e à outra Instância Intermediária, sem necessidade de pedido prévio. 1 o As Instâncias que receberem as referidas informações procederão a investigações e informarão à Instância que as prestou os resultados das investigações e, se for caso, as medidas adotadas, em especial a aplicação de assistência, sem pedido prévio. 2 o Se as autoridades competentes das Instâncias envolvidas tiverem motivos para supor que essas medidas não são adequadas, devem procurar, em conjunto, as formas e os meios de solucionar o descumprimento. 111
3 o As Instâncias Intermediárias informarão ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, se não conseguirem chegar a um acordo sobre as medidas adequadas e se a não-conformidade afetar o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária como um todo. 4 o Constatada que a não-conformidade pode afetar a sanidade agropecuária em âmbito regional ou nacional, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, realizará assistência, sem pedido prévio, na área identificada. Art. 120. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, suspenderá a aplicação de medidas sanitárias ou fitossanitárias injustificadas, ou contrárias à legislação de sanidade agropecuária, entre instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, adotando medidas pertinentes. CAPÍTULO VIII DO PLANEJAMENTO Art. 121. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, institucionalizará Planos Plurianuais de Atenção à Sanidade Agropecuária, estratégicos e executivos, articulados entre as três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, os quais serão: I - elaborados de cinco em cinco anos, com a participação dos segmentos sociais e dos governos envolvidos, com atualizações anuais; II - referências para a elaboração do Plano Plurianual do Governo Federal, planos equivalentes dos Governos estaduais e do Distrito Federal e dos Municípios, e seus respectivos programas de ação; e III - organizados e executados em função dos perigos identificados e relacionados com animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, e produtos de origem animal e vegetal. 1 o Os Planos Plurianuais de Atenção à Sanidade Agropecuária definirão as metas, as responsabilidades respectivas de cada Instância, os recursos necessários, inclusive contrapartidas financeiras, e fontes de financiamento. 2 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento definirá a forma de aplicação dos recursos da União, observando a legislação pertinente. 3 o As três Instâncias assumem a responsabilidade pela aplicação dos recursos e total observância dos Planos Plurianuais de Atenção à Sanidade Agropecuária, acordados conjuntamente. Art. 122. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, estabelecerá calendário de elaboração e atualização dos Planos Plurianuais de Atenção à Sanidade Agropecuária, de forma a subsidiar a elaboração do Plano Plurianual do Governo Federal. 1 o O Plano Plurianual de Atenção à Sanidade Agropecuária deve conter informações gerais sobre: I - objetivos estratégicos do plano e a forma como estes se refletem na atribuição de prioridades e de recursos; II - categoria ou classificação de riscos das atividades; III - designação das autoridades competentes e respectivas funções, nos diversos níveis de atuação, e os recursos de que dispõem; IV - organização e gestão dos controles oficiais, incluindo controles oficiais nos diferentes estabelecimentos; V - sistemas de controle aplicados e coordenação entre as autoridades competentes, responsáveis pelos controles oficiais; VI - eventual delegação de tarefas; VII - métodos para assegurar o respeito aos critérios operacionais; VIII - formação do pessoal encarregado dos controles oficiais; IX - procedimentos documentados; X - organização e funcionamento de planos de contingência e de emergência, em caso de doenças e pragas de impacto, e de outros riscos; XI - organização da cooperação e da assistência mútua; XII - mecanismos de articulação institucional; e XIII - órgãos colegiados e de cooperação e assistência, a exemplo da extensão rural. 2 o Os Planos Plurianuais de Atenção à Sanidade Agropecuária podem ser alterados durante a sua aplicação. 3 o As alterações serão efetuadas levando em consideração, entre outros: I - aparecimento de novas doenças ou pragas de impacto, ou de outros riscos; II - nova legislação e ajustes definidos pela Instância Central e Superior; III - alterações significativas na estrutura, na gestão ou no funcionamento das autoridades competentes; IV - resultados dos controles oficiais efetuados no Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária; V - descobertas científicas; VI - sugestões de consultorias técnicas realizadas pelas três Instâncias ou de missões técnicas internacionais; e VII - resultado das auditorias efetuadas pela Instância Central e Superior. 4 o Os Planos Plurianuais de Atenção à Sanidade Agropecuária contemplarão: I - abordagem coerente, global e integrada da legislação; II - prioridades em função de riscos; III - critérios para categoria ou classificação de riscos das atividades; 112
IV - procedimentos de controle e correção; V - compromissos internacionais, multilaterais ou bilaterais, relativos à sanidade agropecuária; VI - indicadores nas fases da cadeia produtiva que fornecerão as informações representativas do cumprimento da legislação sanitária agropecuária; VII - sistemas de boas práticas, em todas as etapas das cadeias produtivas; VIII - sistemas de controle da rastreabilidade; IX - sistemas de avaliação de desempenho e dos resultados das ações de controle, com indicadores de desempenho; X - normas e recomendações dos organismos internacionais de referência; XI - critérios para realização das auditorias; e XII - estrutura dos relatórios anuais e informações que neles devem ser incluídas. Art. 123. Após o primeiro ano do início da execução dos Planos Plurianuais de Atenção à Sanidade Agropecuária e, posteriormente, a cada ano, serão preparados e publicados relatórios indicativos da evolução dos trabalhos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, com as seguintes indicações: I - alterações propostas ou introduzidas nos Planos Plurianuais de Atenção à Sanidade Agropecuária; II - resultados dos controles e das auditorias realizados no ano anterior, conforme disposições dos Planos Plurianuais de Atenção à Sanidade Agropecuária; III - tipo e número de casos de descumprimento identificados, e localização geográfica dos principais eventos, preferencialmente utilizando mapas eletrônicos; e IV - recomendações para o aperfeiçoamento da execução das atividades previstas nos Planos Plurianuais de Atenção à Sanidade Agropecuária subseqüentes. Art. 124. O relatório deverá ser submetido ao Conselho Nacional de Política Agrícola, que o encaminhará, com suas recomendações, ao Ministro de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que o divulgará ao público em geral. CAPÍTULO IX DOS RECURSOS E DO FINANCIAMENTO Art. 125. É responsabilidade das três Instâncias garantir os recursos necessários para as atividades do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, em suas respectivas jurisdições, observando a legislação pertinente. 1 o As Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária podem cobrar taxas ou encargos, conforme suas respectivas legislações pertinentes, para cobrir as despesas ocasionadas pelos controles oficiais, vedada a duplicidade de cobrança pelos serviços prestados. 2 o Sempre que efetue simultaneamente vários controles oficiais no mesmo estabelecimento, a autoridade competente deve considerá-los como uma única atividade e cobrar uma única taxa. 3 o No ato do recolhimento de qualquer taxa relativa ao Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, será, obrigatoriamente, emitido um comprovante do pagamento, na forma regulamentada. Art. 126. As Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária podem fixar, com base em legislação própria, taxas diferenciadas para os serviços que prestam ou isentá-las em situações específicas. Art. 127. As Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária devem tornar pública a tabela de taxas cobradas por serviços ou atividades. Art. 128. As Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária podem cobrar as despesas decorrentes de controles adicionais, sempre que a detecção de uma não-conformidade dê origem a controles oficiais ou medidas corretivas que excedam as atividades normais da autoridade competente, observando legislação pertinente. Parágrafo único. As atividades que excedem as atividades normais de controle incluem medidas corretivas e outros controles adicionais, para verificar a dimensão e a solução do problema. Art. 129. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, poderá suspender repasses de recursos para as Instâncias Intermediárias e Locais nos seguintes casos: I - descumprimento deste Regulamento e das demais normas específicas de sanidade agropecuária; II - descumprimento das atividades e metas previstas nos Planos Plurianuais de Atenção à Sanidade Agropecuária, e em projetos específicos, quando não acatadas as justificativas apresentadas pela autoridade das Instâncias Intermediárias ou Local responsável; III - falta de comprovação da contrapartida de recursos correspondente; IV - emprego irregular dos recursos financeiros transferidos; V - falta de comprovação da regularidade e oportunidade da alimentação e retroalimentação dos sistemas de informação epidemiológica; e VI - falta de atendimento tempestivo a solicitações formais de informações. 113
Parágrafo único. Após análise das justificativas apresentadas pelas Instâncias Intermediárias e Locais que motivaram a suspensão dos repasses, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como Instância Central e Superior, com base em parecer técnico fundamentado, poderá restabelecer o repasse dos recursos financeiros, providenciar assistência sem pedido, manter a suspensão do repasse de recursos, ou sustar o reconhecimento da instância inadimplente. CAPÍTULO X DA INSPEÇÃO DE PRODUTOS E INSUMOS AGROPECUÁRIOS Art. 130. Como parte do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária e com o objetivo de inspecionar e fiscalizar os produtos de origem animal e vegetal e os insumos agropecuários, ficam constituídos os Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários, na seguinte forma: I - Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal; II - Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal; e III - Sistemas Brasileiros de Inspeção de Insumos Agropecuários. 1 o Os Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários desenvolverão atividades de: I - auditoria, fiscalização, inspeção, certificação e classificação de produtos de origem vegetal, seus derivados, subprodutos e resíduos de valor econômico; II - auditoria, fiscalização, inspeção, certificação e classificação de produtos de origem animal, seus derivados, subprodutos, e resíduos de valor econômico; e III - auditoria, fiscalização, inspeção e certificação dos insumos e dos serviços usados nas atividades agropecuárias. 2 o As atividades dos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários serão executadas conforme a legislação vigente de defesa agropecuária e os compromissos internacionais firmados pela União. 3 o As auditorias, inspeções e fiscalizações serão efetuadas sem aviso prévio, exceto em casos específicos em que seja obrigatória a notificação prévia do responsável pela produção. 4 o As auditorias, inspeções e fiscalizações serão efetuadas em qualquer fase da produção, da transformação, do armazenamento e da distribuição. 5 o Excetuam-se das auditorias, inspeções e fiscalizações previstas no 4 o as relacionadas com alimentos, bebidas e água para o consumo humano, que estão a cargo das instituições de vigilância sanitária integrantes do Sistema Único de Saúde - SUS. 6 o Na inspeção, a critério da autoridade competente, poderá ser adotado o método de análise de riscos e pontos críticos de controle. 7 o As auditorias, inspeções e fiscalizações abrangem todos os produtos de origem animal e vegetal e insumos agropecuários importados ou produzidos em território nacional, destinados ou não às exportações. 8 o A critério das autoridades competentes, as inspeções poderão ser realizadas de forma permanente, nas próprias instalações industriais ou agroindustriais. Art. 131. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento coordenará os Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários. 1 o Os Estados e o Distrito Federal, por adesão, poderão integrar os Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários. 2 o Os Municípios, por adesão, poderão integrar o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal e o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal. 3 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento estabelecerá, no prazo de cento e vinte dias da publicação deste Regulamento, os requisitos e demais procedimentos necessários para a adesão aos Sistemas Brasileiro de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários. (Redação dada pelo Decreto nº 5.830 de 2006) 4 o Para aderir aos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários, as unidades da Federação deverão adequar seus processos e procedimentos de inspeção e fiscalização. Art. 132. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios que ainda não tenham aderido ou decidirem pela não-adesão aos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários terão suas inspeções e fiscalizações de produtos de origem animal e vegetal, e insumos agropecuários, reconhecidas apenas no âmbito de sua jurisdição. 1 o Desde que haja solicitação formal, a União poderá cooperar tecnicamente com os Estados e com o Distrito Federal, da mesma forma que os Estados poderão cooperar com os Municípios. 2 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento realizará auditorias anualmente nos serviços de inspeção dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios. 3 o Os Estados realizarão auditorias anuais nos Municípios em sua jurisdição. Art. 133. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios que aderirem aos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários assegurarão: I - eficácia e adequação das inspeções e fiscalizações, em todas as fases das cadeias produtivas; II - que o pessoal técnico e auxiliar que efetua as inspeções e fiscalizações seja contratado por concurso público; 114
III - que o pessoal técnico e auxiliar que efetua as inspeções e fiscalizações não tenha quaisquer conflitos de interesses; IV - existência ou acesso a laboratórios oficiais ou credenciados, com capacidade adequada para realização de testes, com pessoal qualificado e experiente, em número suficiente, de forma a realizar os controles oficiais com eficiência e eficácia; V - existência de instalações e equipamentos adequados e sua manutenção, de forma a garantir que o pessoal possa realizar as inspeções e fiscalizações com segurança e efetividade; VI - previsão dos poderes legais necessários para efetuar as inspeções e fiscalizações, e adoção das medidas previstas neste Regulamento; VII - realização de controles e ações de educação sanitária; VIII - que nenhum estabelecimento industrial ou entreposto poderá funcionar no País, sem que esteja previamente registrado no órgão competente, para a fiscalização da sua atividade; IX - ação efetiva de combate a atividades clandestinas; e X - que os produtores rurais, industriais e fornecedores de insumos, distribuidores, cooperativas, associações, industriais e agroindustriais, atacadistas e varejistas, importadores, exportadores, empresários e quaisquer outros operadores ao longo da cadeia de produção se submetam a qualquer inspeção ou fiscalização efetuada nos termos deste Regulamento e apóiem o pessoal da autoridade competente no desempenho da sua missão. Parágrafo único. Para integrar os Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários, os Estados e os Municípios ficam obrigados a seguir a legislação federal ou dispor de regulamentos equivalentes para inspeção de produtos de origem animal e vegetal, e de insumos, aprovados na forma definida por este Regulamento e pelas normas específicas. Art. 134. Os Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários terão a responsabilidade de assegurar que os procedimentos e a organização da inspeção de produtos de origem animal e vegetal, e dos insumos agropecuários, se façam por métodos universalizados e aplicados eqüitativamente em todos os estabelecimentos inspecionados. Art. 135. Auditorias e avaliações técnicas serão realizadas para organizar, estruturar e sistematizar adequadamente as ações de inspeção e fiscalização no território nacional e para buscar o aperfeiçoamento dos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários, sendo observados os seguintes procedimentos: I - os serviços públicos de inspeção dos Estados e do Distrito Federal serão avaliados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; e II - os serviços públicos de inspeção dos Municípios serão avaliados pelos Estados, observando sua área de atuação geográfica. 1 o O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deverá orientar os serviços públicos de inspeção dos Estados, do Distrito Federal e do Município para o cumprimento dos dispositivos legais estabelecidos neste Regulamento. 2 o Eventuais medidas de correção adotadas serão comunicadas às organizações representativas da sociedade, da região ou setores afetados. Art. 136. As atividades dos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários que cabem aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios serão exercidas por instituições públicas e reconhecidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Art. 137. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios designarão servidores públicos para integrar as equipes para as funções de autoridades responsáveis pelas inspeções e fiscalizações previstas neste Regulamento. Art. 138. A autoridade competente dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios pode delegar competências relacionadas com inspeção e fiscalização a uma ou mais instituições públicas. Art. 139. As autoridades competentes dos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários garantirão a imparcialidade, a qualidade e a coerência dos controles oficiais. Art. 140. Sempre que as funções de controle oficial forem atribuídas a diferentes instituições públicas, a autoridade competente que delegou as funções assegurará a coordenação e a cooperação entre elas. Art. 141. Serão criados mecanismos de inter-relacionamento entre os Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários, instituições de ensino e pesquisa, para a formação, capacitação e educação continuada dos profissionais integrantes. Seção I Da Inspeção e da Fiscalização de Produtos de Origem Animal Art. 142. A inspeção higiênico-sanitária, tecnológica e industrial dos produtos de origem animal é da competência da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 1 o Fica estabelecida a obrigatoriedade prévia de fiscalização, sob o ponto de vista industrial e sanitário, de todos os produtos de origem animal, comestíveis ou não-comestíveis, sejam ou não adicionados de produtos vegetais. 115
2 o A inspeção abrange a inspeção ante e post mortem dos animais, recebimento, manipulação, transformação, elaboração, preparo, conservação, acondicionamento, embalagem, depósito, rotulagem, trânsito e consumo de quaisquer produtos, subprodutos e resíduos de valor econômico, adicionados ou não de vegetais, destinados ou não à alimentação humana. Art. 143. Nenhum estabelecimento industrial ou entreposto de produtos de origem animal poderá funcionar no País, sem que esteja previamente registrado no órgão competente, para fiscalização da sua atividade. Art. 143-A. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão editar normas específicas relativas às condições gerais das instalações, equipamentos e práticas operacionais de estabelecimento agroindustrial rural de pequeno porte, observados os princípios básicos de higiene dos alimentos, tendo como objetivo a garantia da inocuidade dos produtos de origem animal, bem como em relação ao art. 7 o, incisos I, II e III, deste Regulamento. (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) Parágrafo único. Entende-se por estabelecimento agroindustrial rural de pequeno porte o estabelecimento de propriedade de agricultores familiares, de forma individual ou coletiva, localizada no meio rural, com área útil construída não superior a duzentos e cinquenta metros quadrados, destinado exclusivamente ao processamento de produtos de origem animal, dispondo de instalações para: (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) I - abate ou industrialização de animais produtores de carnes; (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) II - processamento de pescado ou seus derivados; (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) III - processamento de leite ou seus derivados; (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) IV - processamento de ovos ou seus derivados; ou (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) V - processamento de produtos das abelhas ou seus derivados. (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) Art. 143-B. Fica instituído, no âmbito do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Comitê Técnico Consultivo do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal. (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) Art. 143-C. Ao Comitê Técnico Consultivo do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal compete: (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) I - avaliar periodicamente as diretrizes e as condições técnicas e operacionais do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal; (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) II - apreciar e propor modificações nas normas que regulamentam o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal; e (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) III - emitir pareceres técnicos para subsidiar a tomada de decisões relacionadas às regras e procedimentos do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal. (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) Art. 143-D. O Comitê Técnico Consultivo do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal será composto pelos seguintes membros: (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) I - dois representantes do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) II - dois representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário; (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) III - um representante da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; e (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) IV - representantes da sociedade civil, indicados, em ato próprio, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) 1 o Os membros do Comitê poderão indicar técnicos dos Serviços Oficiais de Inspeção, bem como representantes de entidades afins para participar das reuniões. (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) 2 o A coordenação do Comitê caberá ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, que deverá organizar duas reuniões ordinárias por ano. (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) 3 o Os membros do Comitê e seus respectivos suplentes serão indicados pelos titulares dos órgãos que representam e designados pelo Secretário de Defesa Agropecuária. (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) Seção II Da Inspeção e Fiscalização de Produtos de Origem Vegetal Art. 144. A inspeção higiênico-sanitária, tecnológica e industrial dos produtos de origem vegetal é da competência da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Art. 145. O Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal tem por objetivo assegurar a identidade, a qualidade, a conformidade, a idoneidade e a segurança higiênico-sanitária e tecnológica dos produtos de origem vegetal, seus subprodutos, derivados e resíduos de valor econômico, por meio das ações de inspeção, fiscalização e classificação de produtos, sistemas, ou cadeia produtiva, conforme o caso. 116
Seção III Da Inspeção e Fiscalização de Insumos Agropecuários Art. 146. A inspeção e a fiscalização de insumos agropecuários são da competência da União, dos Estados e do Distrito Federal, observando as atribuições definidas em lei específica. Art. 147. Ficam instituídos o Sistema Brasileiro de Inspeção e Fiscalização de Insumos Agrícolas e o Sistema Brasileiro de Inspeção e Fiscalização de Insumos Pecuários, estruturados e organizados sob a coordenação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, responsáveis pelas atividades de inspeção e fiscalização de insumos agropecuários. Art. 148. O Sistema Brasileiro de Inspeção e Fiscalização de Insumos Agrícolas e o Sistema Brasileiro de Inspeção e Fiscalização de Insumos Pecuários têm por objetivo assegurar a identidade, a qualidade, a conformidade, a idoneidade e a segurança higiênico-sanitária e tecnológica dos insumos agropecuários, por meio das ações de inspeção, fiscalização e classificação de produtos, sistemas, processos ou cadeia produtiva, conforme o caso. Seção IV Da Equivalência dos Serviços Art. 149. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, os Estados da Federação, o Distrito Federal e os Municípios adotarão medidas necessárias para garantir que inspeções e fiscalizações dos produtos de origem animal e vegetal, e dos insumos, sejam efetuadas de maneira uniforme, harmônica e equivalente em todos os Estados e Municípios. Parágrafo único. Para fins deste Regulamento, considera-se equivalência de serviços de inspeção o estado no qual as medidas de inspeção higiênico-sanitária e tecnológica aplicadas por diferentes serviços de inspeção permitem alcançar os mesmos objetivos de inspeção, fiscalização, inocuidade e qualidade dos produtos. (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) Art. 150. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento cuidará que as inspeções e fiscalizações sejam realizadas mediante regras e critérios de controles predefinidos nos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários. Art. 151. Os serviços públicos de inspeção vinculados aos Estados da Federação, ao Distrito Federal e aos Municípios solicitarão ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a verificação e o reconhecimento de sua equivalência para a realização do comércio interestadual, na forma definida pelos procedimentos de adesão aos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários. Parágrafo único. Após a análise e aprovação da documentação prevista, serão realizadas auditorias documentais e operacionais nos serviços de inspeção estaduais, distritais ou municipais, pelas autoridades competentes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para reconhecer a adesão ao Sistema. Art. 152. Os serviços de inspeção dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que aderirem aos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários serão reconhecidos como equivalentes, para suas atividades e competências, desde que sigam as normas e regulamentos federais e que atendam aos requisitos estabelecidos pelo Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária e implantados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, conservando suas características administrativas originais. 1 o Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios garantirão que todos os produtos, independentemente de estarem destinados ao mercado local, regional ou nacional, sejam inspecionados e fiscalizados com o mesmo rigor. 2 o As autoridades competentes nos destinos devem verificar o cumprimento da legislação de produtos de origem animal e vegetal, por meio de controles não-discriminatórios. 3 o Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios podem solicitar informações técnicas específicas aos serviços oficiais que tenham procedido à entrega de mercadorias provenientes de outros Estados, Distrito Federal ou Municípios. 4 o Os Estados, o Distrito Federal ou os Municípios que, nos termos da sua legislação, aprovarem estabelecimentos situados no seu território, devem informar ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e aos demais Estados e Municípios. Art. 153. São condições para o reconhecimento da equivalência e habilitação dos serviços de inspeção de produtos nos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários: I - formalização do pleito, com base nos requisitos e critérios definidos pelo Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária; (Redação dada pelo Decreto nº 7.216, de 2010) II - apresentação de programa de trabalho de inspeção e fiscalização; e III - comprovação de estrutura e equipe compatíveis com as atribuições. 1 o A solicitação de reconhecimento da equivalência dos serviços de inspeção dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios será analisada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que realizará auditorias técnico-administrativas. (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) 2 o O serviço de inspeção solicitante apresentará lista com os estabelecimentos que servirão como base para aferição da eficiência e eficácia do Serviço de Inspeção. (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) 3 o Os Serviços de Inspeção que obtiverem o reconhecimento de sua equivalência terão autonomia na indicação de novos estabelecimentos para integrar o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal. (Incluído pelo Decreto nº 7.216, de 2010) 117
4º O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento terá prazo de sessenta dias, a contar do protocolo do requerimento de reconhecimento de equivalência e habilitação do serviço de inspeção devidamente instruído, para analisar a documentação entregue, realizar as auditorias técnico-administrativas de que trata o 1º e manifestar-se quanto ao deferimento do pedido. (Incluído pelo Decreto nº 7.524, de 2011) 5º O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento poderá solicitar a realização de diligências, o que ensejará a interrupção do prazo de que trata o 4º, que será reaberto a partir do protocolo da documentação que comprove seu atendimento. (Incluído pelo Decreto nº 7.524, de 2011) Art. 154. Os serviços públicos de inspeção dos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários serão desabilitados, na comprovação dos seguintes casos: I - descumprimento das normas e das atividades e metas previstas e aprovadas no programa de trabalho, que comprometam os objetivos do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária; II - falta de alimentação e atualização do sistema de informação; e III - falta de atendimento tempestivo a solicitações formais de informações. Art. 155. Para cumprir os objetivos dos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento desenvolverá, de forma continuada, o planejamento e o plano de gestão dos programas, ações, auditorias e demais atividades necessárias à inspeção animal, vegetal e de insumos. CAPÍTULO XI DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 156. As autoridades competentes das três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária e dos serviços públicos vinculados aos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários assegurarão que as suas atividades sejam realizadas com transparência, devendo, para esse efeito, facultar ao público o acesso às informações relevantes que detenham, em especial as atividades de controle. Parágrafo único. As três Instâncias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária e as autoridades responsáveis pelos serviços públicos vinculados aos Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários disporão de mecanismo para impedir que sejam reveladas informações confidenciais a que tenham tido acesso na execução de controles oficiais e que, pela sua natureza, sejam abrangidas pelo sigilo profissional. Art. 157. Fica o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, na forma da lei e no âmbito de sua atuação, autorizado a celebrar convênios com entes públicos, para apoiar, subsidiariamente, as ações no campo da defesa agropecuária. INDICADORES DE SAÚDE. Aspectos Conceituais Uma das grandes dificuldades do profissional de saúde é medir o padrão de vida, ou nível de vida, da população com a qual trabalha. Essa questão tem sido muito estudada internacionalmente, pela necessidade de comparar níveis de vida entre diferentes países, ou num mesmo país numa série temporal. A Organização Mundial da Saúde formou, nos anos 50, um Comitê para definir os métodos mais satisfatórios para definir e avaliar o nível de vida. Na impossibilidade de construir um índice único, o Comitê sugeriu que fossem considerados separadamente 12 componentes passíveis de quantificação: 01. Saúde, incluindo condições demográficas. 02. Alimentos e nutrição. 03. Educação, incluindo alfabetização e ensino técnico. 04. Condições de trabalho. 05. Situação de emprego. 06. Consumo e economia gerais. 07. Transporte. 08. Moradia, incluindo saneamento e instalações domésticas. 09. Vestuário. 10. Recreação. 11. Segurança social. 12. Liberdade humana. 118
Assim, vale reconhecer a importância, na busca da explicação de uma dada situação de saúde, de recorrer a indicadores intersetoriais, como a evolução do nível de emprego, a renda média do trabalhador, ou o consumo de energia elétrica. Vamos nos deter, porém, nos indicadores de Saúde, incluindo condições demográficas. 1. Terminologia Para o Professor Maurício G. Pereira, o indicador de saúde deve revelar a situação de saúde de um indivíduo ou de uma população. Indicador é em geral usado para medir aspectos não sujeitos à observação direta: saúde, normalidade, felicidade. Um indicador indica um aspecto: a mortalidade, por exemplo. Um índice expressa situações multidimensionais: índice de Apgar, índice de desenvolvimento humano. No fundo, porém, deve prevalecer indicadores de saúde para designar todo este campo de conhecimento. 2. Critérios para Avaliação e Seleção de Indicadores Dada a complexidade do conceito de saúde, a tarefa de mensurá-la também é complexa: são muitos ângulos de aproximação, como a mortalidade, a morbidade, a incapacidade física, o grau de autonomia das pessoas (idosos), a estrutura etária da população, a qualidade da prestação de determinado cuidado de saúde, etc. A escolha dos indicadores depende dos objetivos da avaliação, bem como dos aspectos metodológicos, éticos e operacionais da questão em estudo. 2.1. Validade O passo inicial na seleção do indicador é delimitar o problema, evento, tema, a ser observado ou medido. Feito isso, escolhe-se o indicador e elabora-se a definição operacional. A validade refere-se à adequação do indicador para medir ou representar, sinteticamente, o fenômeno estudado. O indicador deve ser capaz de discriminar um evento de outros e de detectar mudanças ocorridas ao longo do tempo. Exemplo: o diagnóstico de anemia pela dosagem da hemoglobina no sangue periférico. Nesse caso, a proporção de adultos com Hb inferior a 12 g/dl de sangue será a frequência da anemia. A questão é saber se o ponto de corte fixado no nível 12 g/dl reflete corretamente a presença de anemia. Vale lembrar que, em função de novas evidências empíricas, esses pontos de corte podem mudar, para obter maior validade. É o caso, atualmente, da taxa de colesterol no sangue periférico. Baixá-lo de 250 mg/dl para 200 mg/dl pode ter significado um aumento de milhões de doentes na fase prépatogênica da doença cardiovascular (hipercolesterolemia), mas o novo ponto de corte reflete melhor o risco que as pessoas estão correndo. Exemplo: miocardiopatia chagásica. A questão de validade aqui é saber se o ECG ou outro exame é o teste indicado para inquéritos epidemiológicos 2.2. Confiabilidade (ou reprodutibilidade ou fidedignidade) Diz respeito à obtenção de resultados semelhantes, quando a mensuração é repetida. Nos exemplos anteriores, é saber se a repetição da dosagem de Hb na mesma amostra de sangue, ou o ECG repetido no mesmo indivíduo apresentam concordância de resultados. Outro exemplo: Peso ao nascer / comprimento ao nascer. Este último tem menor confiabilidade. A baixa confiabilidade de um indicador torna-o praticamente inútil. A alta confiabilidade só faz sentido se também a validade for elevada. Ex: dosagem de Hb para avaliar o risco de infarto do miocárdio. 2.3. Representatividade ou cobertura Um indicador é tanto mais confiável quanto maior a cobertura. Exemplo: as estatísticas vitais. Em muitos Estados do Brasil a baixa cobertura e regularidade do SIM e do Sinasc impedem a utilização de dados diretos (apenas RJ, ES, SP, PR, SC, RS e MS usam dados diretos; para os demais usa-se estimativas do IBGE). Quando o indicador provém de uma amostra, sua representatividade depende da adequação do processo de amostragem. 2.4. Aspectos éticos A coleta de dados não pode acarretar malefícios ou prejuízos às pessoas (ex: um estudo de prevalência de cirrose hepática que exija a realização de biópsia hepática). A questão do sigilo é mais importante em Clínica, mas também deve ser considerada (Portaria 196/96 do Ministério da Saúde). 2.5. Aspectos técnico-administrativos Simplicidade Flexibilidade Facilidade de obtenção Custo operacional Oportunidade 119
3. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS 3.1. Frequência absoluta Saem frequentemente na imprensa notícias como: Houve 3 casos de hepatite em Rondonópolis. Se foram todos na mesma semana ou todos na mesma escolinha maternal, pode ser muito sério. Mas se foram 3 casos na Região de Rondonópolis nos últimos 5 anos, o significado talvez não seja grande. Muitas vezes, porém, a apresentação em números absolutos pode ter o seu valor. Ex: a recente epidemia de dengue mostrou como o número de casos novos da doença aumentou rapidamente de 5 por semana a 20, depois 50 casos até centenas de casos por semana. Ex: óbitos por febre amarela no Rio de Janeiro (adaptado de Oswaldo Cruz apud Pereira) Ano óbitos ano óbitos 1891 4456 1900 344 1892 4312 1901 299 1893 825 1902 984 1894 4852 1903 584 1895 1818 1904 48 1896 2929 1905 289 1897 159 1906 42 1898 1078 1907 39 1899 731 1908 4 Foi possível verificar que medidas saneadoras tomadas no final do século XIX conseguiram controlar a epidemia. 3.2. Frequência relativa Facilita as comparações e interpretações. Ex: Os óbitos por febre amarela no Rio de Janeiro podem ser mostrados ainda de 3 maneiras: A em relação à população: número de pessoas falecidas num dado ano entre os que residiam na cidade nesse ano. Essa forma é o coeficiente ou taxa. B em relação ao total de óbitos: é a proporção de óbitos por febre amarela na mortalidade geral. C em relação a um outro evento: mortes por febre amarela em relação às mortes por cólera. ATENÇÃO: somente a situação A o coeficiente é que informa o risco de ocorrer um evento. Nesse caso, de uma pessoa residente no Rio de Janeiro morrer de febre amarela. MUITO CUIDADO com as situações B e C, chamadas de índices. Essas frequências devem ser interpretadas cautelosamente. O aumento ano a ano, por exemplo, da mortalidade proporcional por doenças cardiovasculares pode ser devido simplesmente ao fato de óbitos por outras causas estarem diminuindo mais rapidamente que esses. (IMPDC = número de óbitos por doenças cardiovasculares x100 ) Total de óbitos pelas demais causas 3.2.1. Coeficiente ou taxa A estrutura é a seguinte: Coeficiente = número de casos de doença/de incapacidade/ de morte x constante População em risco de adoecer/de morrer/de ficar incapacitado A constante é a base qualquer múltiplo de 10 (100, 1000, 10000, 100000, etc.). Escolhe-se uma constante que evite muitas casas decimais. É melhor falar em 57 óbitos por cem mil nascidos vivos do que 0,57 por mil. Em alguns casos a constante é, por costume, sempre a mesma. Ex: a mortalidade infantil, sempre por mil nascidos vivos. O intervalo de tempo geralmente é um ano. Em Vigilância Epidemiológica pode ser de uma semana ou um grupo de semanas. Deve-se ter cuidado com números pequenos (intervalos curtos ou populações pequenas). O melhor é estender o período de observação ou aumentar o tamanho da amostra, estudando uma microrregião ao invés de um único município. Questão importante é obter a população sob risco. Numa investigação isso pode ser relativamente fácil. Num estudo de coorte, a população sob risco é a do início do estudo, imaginando-se que não haverá perdas de casos ao longo do tempo. Como quase sempre há perdas, pode-se trabalhar com o conceito de pessoas-período: 2 pessoas acompanhadas cada uma por 6 meses, valem ½ pessoa-período cada uma e somadas valem uma pessoa-período. 120
Na maioria das vezes não se sabe quanto tempo cada pessoa esteve exposta a um risco. É o que acontece com as estatísticas vitais. A aproximação possível é a população existente ou estimada para a metade do período. No caso do ano, seria a população de 10 de julho. A população sob risco pode ser toda a população ou a parcela mais apropriada: mulheres adultas e não toda a população estão expostas ao risco de apresentar câncer de colo uterino. 3.2.2. Índice - Indicador multidimensional (índice de Apgar, IDH) - Frequência relativa Casos incluídos no numerador são também incluídos no denominador IMP por idade = número óbitos pessoas 50 anos e mais x 100 Total de óbitos Casos incluídos no numerador não são incluídos no numerador. Razão de masculinidade = número de homens na população x 1000 (Ratio) número de mulheres na população 4. Principais Modalidades de Indicadores de Saúde Uma crítica comum é que, ao procurar medir saúde, avalia-se doença ou morte (ausência definitiva de saúde). Certo seria usar indicadores positivos de saúde. A dificuldade é como entender alguns indicadores como natalidade e fecundidade: positivos ou negativos? Alta natalidade num país subdesenvolvido é vista como indicador negativo. Já numa clínica de reprodução assistida... Muitos indicadores ditos positivos são de difícil senão impossível mensuração e trazem em seu bojo enorme subjetividade: bem-estar, qualidade de vida, normalidade. Ex: percepção da violência por moradores de SP e RJ frente à percepção de moradores de outras capitais com menores índices de violência. Ou o conceito de normal sobre o diâmetro do pescoço em áreas endêmicas de bócio: Tadinha de D. Emerenciana, tem o pescoço fino... As principais modalidades de indicadores de saúde são: - Mortalidade / sobrevivência - Morbidade / gravidade / incapacidade - Nutrição / crescimento e desenvolvimento - Aspectos demográficos - Condições socioeconômicas - Saúde ambiental - Serviços de saúde. 4.1. Mortalidade Foi o primeiro indicador usado. É fácil de operar: a morte é clara e objetivamente definida e cada óbito tem de ser registrado (nem sempre ainda há cemitérios clandestinos em muitos pequenos municípios e especialmente óbitos de recém-nascidos deixam de ser registrados). Há numerosos indicadores baseados na mortalidade. Limitações - A morte é o último evento do processo saúde/doença e reflete imperfeitamente o processo. - Agravos/danos de baixa letalidade (dermatologia, oftalmologia, doença mental) são mal representados nas estatísticas de mortalidade. - Somente uma pequena parcela da população morre a cada ano (em geral, menos de 1%). Ao se estudar, por exemplo, a saúde escolar, morrem pouquíssimas crianças matriculadas na rede escolar. - Mudanças nas taxas ao longo do tempo são em geral muito pequenas e a mortalidade é pouco útil nas avaliações de curto e médio prazo. 4.2. Morbidade É um conhecimento essencial, que permite: - Inferir os riscos de adoecer a que as pessoas estão sujeitas. - Obter indicações para investigações de seus fatores determinantes. - A escolha de ações adequadas. - Conhecer mudanças numa situação de saúde no curto prazo (febre amarela no RJ). Fontes de dados Dependem do momento na cadeia de eventos que se pretende estudar: 121
Registros clínicos Alcançam somente os dois últimos ou no máximo os 3 últimos eventos da cadeia. São o caminho mais fácil para conhecer a saúde da população: resumos de altas hospitalares, registros de consultas externas, arquivos de dados de doentes: prontuários, protocolos, atestados, laudos, notificações compulsórias, resultados de exames. - Nem sempre são completos ou confiáveis. - São de baixo custo e permitem rapidez na investigação. - As pessoas percebem a doença em graus diferentes, portanto muitas podem estar doentes e não estar representadas num registro. - A existência ou não do atendimento (e, portanto, do registro) depende do tipo de agravo, do sexo, da idade, da classe social. - Sua existência depende, como é óbvio, da existência de serviços. Inquéritos Na falta de sistemas rotineiros adequados ou quando não se costuma registrar a informação desejada é necessário ouvir e/ou examinar diretamente as pessoas, seja por recenseamento (todas as pessoas) ou por amostragem. Nos diferentes inquéritos de morbidade, as frequências de morbidade não são as mesmas, mas são semelhantes: a maioria da população não teve problemas no período estudado, uma parte relatou problemas; dessas pessoas, apenas uma parte procurou atendimento. Dessas, uma pequena parte chegou a ser internada. No inquérito nacional de morbidade da Colômbia, de cada mil pessoas apenas 2 foram hospitalizadas. Pode-se perceber, daí, a dificuldade do ensino de Medicina se realizado apenas em hospitais. Quais as causas das diferenças nos resultados dos inquéritos de morbidade? - Variação regional da morbidade - Aspectos conceituais e metodológicos (pontos de corte, por exemplo) - Se é morbidade referida, ou se houve exame clínico ou laboratorial - Fonte (paciente internado ou entrevista domiciliar) - Tempo sobre o qual o inquérito é feito - Definição de caso - Forma de seleção da amostra Gravidade do dano O tipo de agravo, a mortalidade, a letalidade, a incidência de complicações, sequelas, o órgão ou aparelho acometido. Para avaliar a gravidade, vale saber se se trata de agravo infeccioso ou não-infeccioso. Em regiões menos desenvolvidas prevalecem doenças infecciosas, carenciais e perinatais. Já em áreas mais desenvolvidas o predomínio é de doenças crônico-degenerativas. Assim, a estrutura da morbidade (o perfil patológico) permite inferir o nível de saúde e até mesmo o grau de desenvolvimento de uma região. Servem também para avaliar gravidade a restrição de atividades, a hospitalização, o absenteísmo, o confinamento ao leito, a incapacidade permanente. Os indicadores de gravidade são geralmente escalas de risco ou protocolos que atribuem pontos a certos aspectos da evolução do quadro clínico. 4.3. Indicadores nutricionais As diferentes medidas de avaliação podem ser agrupadas em: Avaliação indireta do estado nutricional - mortalidade de crianças de 1 a 4 anos - mortalidade infantil - mortalidade infantil tardia - renda per capita - disponibilidade de alimentos Avaliação direta do estado nutricional - avaliações dietéticas (inquéritos dietéticos e cálculo de consumo de nutrientes) - avaliações clínicas (antropometria: peso, comprimento/estatura, perímetro cefálico, pregas cutâneas, IMC) - avaliações laboratoriais (metabolismo do ferro, vitaminas lipossolúveis ou de acumulação) 122
A dificuldade geral nestas últimas e estabelecer o padrão de referência ou o ponto de corte para os indicadores. 4.4. Indicadores demográficos Além da mortalidade, as grandes variáveis demográficas são a natalidade, a fecundidade e as migrações. Os indicadores mais usados são a esperança de vida ao nascer, fecundidade, natalidade, a estrutura etária e a distribuição por sexo da população. A simples divisão da população nas faixas etárias zero a 14 anos (pop. jovem); 15 a 64 anos (pop. economicamente ativa) e 65 anos e mais (pop. idosa) serve de base para inferir o nível de vida: predomínio da população jovem sobre a idosa indica piores condições de vida e de saúde. Já o predomínio da população idosa sobre a jovem ocorre em populações de melhor nível de vida e saúde. Permite também estimar demandas: no primeiro caso por serviços de saúde materno-infantil, pré-natal, saúde da criança, unidades do ensino fundamental, ao passo que no segundo caso, a expectativa é uma maior demanda por serviços de atenção cardiovascular, hospitalizações, medicamentos de uso contínuo, etc.. 4.5. Indicadores ambientais Condições de moradia e do peridomicílio são estreitamente ligadas com o nível socioeconômico da população. Isso também se aplica em relação à cobertura e qualidade do saneamento básico (abastecimento de água, coleta de esgotos, de lixo e destinação das águas pluviais). É muito usada como indicador de saúde a proporção da população que dispõe de um sistema adequado de água, esgoto e lixo. 4.6. Indicadores relativos a serviços de saúde São muitos os indicadores relativos ao que ocorre na assistência à saúde. Eles podem ser agrupados em indicadores de insumos, de processo e de impacto. Indicadores de insumo: - Recursos humanos e materiais: número de médicos, dentistas, enfermeiros, leitos gerais, leitos de UTI, em geral por mil habitantes. Leitos de UTI neonatal por mil nascimentos. - Recursos financeiros: gastos com saúde no Brasil. Em geral calculam-se os gastos como porcentagem do PIB ou dividindo os gastos per capita. A maioria dos países do terceiro mundo (Brasil inclusive) gasta menos de 5% do PIB com saúde. - Distribuição dos recursos financeiros. Calcula -se qual a proporção dos recursos que vai para a atenção primária e qual a que vai para os demais níveis. Entre nós, enorme porção dos recursos vão para ações especializadas (curativas), nos hospitais de maior complexidade. Indicadores de processo Referem-se a detalhes do processo que conduz à manutenção da saúde ou à recuperação da doença. Exs: proporção de gestantes que fazem pré-natal, proporção de gestantes com 6 consultas e mais na gravidez, proporção de gestantes inscritas no primeiro trimestre. Indicadores de impacto (ou de resultado) Muitas das ações e serviços de saúde têm validade intrínseca, indiscutível, porém cada vez mais os planejadores e gestores buscam evidências de quais benefícios decorrem dos investimentos no setor. É muito difícil distinguir e controlar o impacto dos serviços de saúde na melhoria das condições de saúde. Nos anos 80 e 90, a grande diminuição da mortalidade infantil, com ênfase nas mortes causadas pelas gastroenterites, deveu-se principalmente ao aumento da cobertura de saneamento básico, e neste, acesso à água tratada de boa qualidade (e, portanto, fatores externos ao setor saúde). Ainda hoje o efeito da disponibilização de água tratada sobre a mortalidade infantil pode ser visto nos estados menos desenvolvidos da Região Nordeste. Para finalizar, há que mencionar, neste capítulo, a necessidade de buscarmos indicadores positivos de saúde, não esquecendo a dificuldade de operacionalizar conceitos como bem-estar e normalidade. Dispomos de muitos dados sobre doenças, doentes, seqüelas, incapacidades, mortes, porém ainda não somos capazes de obter e trabalhar com informações que nos permitam, por exemplo, avaliar a fase pré-patológica das doenças. Os horizontes se ampliaram enormemente com os recursos da informática, a construção e o acesso facilitado às grandes bases de dados. O que se espera é que o aumento da expertise dos trabalhadores de saúde leve a uma utilização e uma capacidade de análise da realidade cada vez melhor e mais abrangente de modo a beneficiar a toda a comunidade. 123
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E SANITÁRIA. LEGISLAÇÃO PERTINENTE. Vigilância em Saúde A Atenção Básica (AB), como primeiro nível de atenção do Sistema Único de Saúde (SUS), caracteriza-se por um conjunto de ações no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e visa à manutenção da saúde. Deve ser desenvolvida por equipes multiprofissionais, de maneira a desenvolver responsabilidade sanitária sobre as diferentes comunidades adscritas à territórios bem delimitados, deve considerar suas características sócio-culturais e dinamicidade e, de maneira programada, organizar atividades voltadas ao cuidado longitudinal das famílias da comunidade. A Saúde da Família é a estratégia para organização da Atenção Básica no SUS. Propõe a reorganização das práticas de saúde que leve em conta a necessidade de adequar as ações e serviços à realidade da população em cada unidade territorial, definida em função das características sociais, epidemiológicas e sanitárias. Busca uma prática de saúde que garanta a promoção à saúde, à continuidade do cuidado, a integralidade da atenção, a prevenção e, em especial, a responsabilização pela saúde da população, com ações permanentes de vigilância em saúde. Na Saúde da Família, os profissionais realizam o cadastramento domiciliar, diagnóstico situacional e ações dirigidas à solução dos problemas de saúde, de maneira pactuada com a comunidade, buscando o cuidado dos indivíduos e das famílias. A atuação desses profissionais não está limitada à ação dentro da Unidade Básica de Saúde (UBS), ela ocorre também nos domicílios e nos demais espaços comunitários (escolas, associações, entre outros). A Vigilância em Saúde, entendida como uma forma de pensar e agir, tem como objetivo a análise permanente da situação de saúde da população e a organização e execução de práticas de saúde adequadas ao enfrentamento dos problemas existentes. É composta pelas ações de vigilância, promoção, prevenção e controle de doenças e agravos à saúde, devendo constituir-se em um espaço de articulação de conhecimentos e técnicas vindos da epidemiologia, do planejamento e das ciências sociais, é, pois, referencial para mudanças do modelo de atenção. Deve estar inserida cotidianamente na prática das equipes de saúde de Atenção Básica. As equipes Saúde da Família, a partir das ferramentas da vigilância, desenvolvem habilidades de programação e planejamento, de maneira a organizar ações programadas e de atenção a demanda espontânea, que garantam o acesso da população em diferentes atividades e ações de saúde e, desta maneira, gradativamente impacta sobre os principais indicadores de saúde, mudando a qualidade de vida daquela comunidade. O conceito de Vigilância em Saúde inclui: a vigilância e controle das doenças transmissíveis; a vigilância das doenças e agravos não transmissíveis; a vigilância da situação de saúde, vigilância ambiental em saúde, vigilância da saúde do trabalhador e a vigilância sanitária. Este conceito procura simbolizar, na própria mudança de denominação, uma nova abordagem, mais ampla do que a tradicional prática de vigilância epidemiológica, tal como foi efetivamente constituída no país, desde a década de 70. Em um grande número de doenças transmissíveis, para as quais se dispõe de instrumentos eficazes de prevenção e controle, o Brasil tem colecionado êxitos importantes. Esse grupo de doenças encontra-se em franco declínio, com reduções drásticas de incidência. Entretanto, algumas dessas doenças apresentam quadro de persistência, ou de redução, ainda recente, configurando uma agenda inconclusa nessa área, sendo necessário o fortalecimento das novas estratégias, recentemente adotadas, que obrigatoriamente impõem uma maior integração entre as áreas de prevenção e controle e à rede assistencial. Um importante foco da ação de controle desses agravos está voltado para o diagnóstico e tratamento das pessoas doentes, visando à interrupção da cadeia de transmissão, onde grande parte das ações encontra-se no âmbito da Atenção Básica/Saúde da Família. Além da necessidade de promover ações de prevenção e controle das doenças transmissíveis, que mantém importante magnitude e/ou transcendência em nosso país, é necessário ampliar a capacidade de atuação para novas situações que se colocam sob a forma de surtos ou devido ao surgimento de doenças inusitadas. Para o desenvolvimento da prevenção e do controle, em face dessa complexa situação epidemiológica, têm sido fortalecidas estratégias específicas para detecção e resposta às emergências epidemiológicas. Outro ponto importante está relacionado às profundas mudanças nos perfis epidemiológicos das populações ao longo das últimas décadas, nos quais se observa declínio das taxas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias e crescente aumento das mortes por causas externas e pelas doenças crônico-degenerativas, levando a discussão da incorporação das doenças e agravos não-transmissíveis ao escopo das atividades da vigilância epidemiológica. Vigilância Epidemiológica é um conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes da saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos. O propósito da Vigilância Epidemiológica é fornecer orientação técnica permanente para os que têm a responsabilidade de decidir sobre a execução de ações de controle de doenças e agravos. Sua operacionalização compreende um ciclo completo de funções específicas e articuladas, que devem ser desenvolvidas de modo contínuo, permitindo conhecer, a cada momento, o comportamento epidemiológico da doença ou agravo escolhido como alvo das ações, para que as intervenções pertinentes possam ser desencadeadas com oportunidade e efetividade. 124
Tem como função coleta e processamento de dados; análise e interpretação dos dados processados; investigação epidemiológica de casos e surtos; recomendação e promoção das medidas de controle adotadas, impacto obtido, formas de prevenção de doenças, dentre outras. Corresponde à vigilância das doenças transmissíveis (doença clinicamente manifesta, do homem ou dos animais, resultante de uma infecção) e das doenças e agravos não transmissíveis (não resultante de infecção). É na Atenção Básica / Saúde da Família o local privilegiado para o desenvolvimento da vigilância epidemiológica. A Vigilância da Situação de Saúde desenvolve ações de monitoramento contínuo do país/estado/ região/município/equipes, por meio de estudos e análises que revelem o comportamento dos principais indicadores de saúde, dando prioridade a questões relevantes e contribuindo para um planejamento de saúde mais abrangente. As ações de Vigilância em Saúde Ambiental, estruturadas a partir do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental, estão centradas nos fatores não-biológicos do meio ambiente que possam promover riscos à saúde humana: água para consumo humano, ar, solo, desastres naturais, substâncias químicas, acidentes com produtos perigosos, fatores físicos e ambiente de trabalho. Nesta estrutura destaca-se: (1) A Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada à Qualidade da Água para Consumo Humano (VIGIAGUA) consiste no conjunto de ações adotadas continuamente pelas autoridades de saúde pública para garantir que a água consumida pela população atenda ao padrão e às normas estabelecidas na legislação vigente e para avaliar os riscos que a água consumida representa para a saúde humana. Suas atividades visam, em última instância, a promoção da saúde e a prevenção das doenças de transmissão hídrica; (2) À Vigilância em Saúde Ambiental de Populações Potencialmente Expostas a Solo Contaminado (VIGISOLO) compete recomendar e adotar medidas de promoção à saúde ambiental, prevenção e controle dos fatores de risco relacionados às doenças e outros agravos à saúde decorrentes da contaminação por substâncias químicas no solo; (3) A Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada à Qualidade do Ar (VIGIAR) tem por objetivo promover a saúde da população exposta aos fatores ambientais relacionados aos poluentes atmosféricos - provenientes de fontes fixas, de fontes móveis, de atividades relativas à extração mineral, da queima de biomassa ou de incêndios florestais - contemplando estratégias de ações intersetoriais. Outra área que se incorpora nas ações de vigilância em saúde é a saúde do trabalhador que entende-se como sendo um conjunto de atividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho, abrangendo entre outros: (1) assistência ao trabalhador vítima de acidentes de trabalho ou portador de doença profissional e do trabalho; (2) participação em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde existentes no processo de trabalho; (3) informação ao trabalhador e à sua respectiva entidade sindical e às empresas sobre os riscos de acidentes de trabalho, doença profissional e do trabalho, bem como os resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e exames de saúde, de admissão, periódicos e de demissão, respeitados os preceitos da ética profissional. Outro aspecto fundamental da vigilância em saúde é o cuidado integral à saúde das pessoas por meio da Promoção da Saúde. A Promoção da Saúde é compreendida como estratégia de articulação transversal, à qual incorpora outros fatores que colocam a saúde da população em risco trazendo à tona as diferenças entre necessidades, territórios e culturas presentes no país. Visa criar mecanismos que reduzam as situações de vulnerabilidade, defendam a equidade e incorporem a participação e o controle social na gestão das políticas públicas. Nesse sentido, a Política Nacional de Promoção da Saúde prevê que a organização da atenção e do cuidado deve envolver ações e serviços que operem sobre os determinantes do adoecer e que vão além dos muros das unidades de saúde e do próprio sistema de saúde. O objetivo dessa política é promover a qualidade de vida e reduzir a vulnerabilidade e riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionantes modos de viver, condições de trabalho, habitação, ambiente, educação, lazer, cultura e acesso a bens e serviços essenciais. Tem como ações específicas: alimentação saudável, prática corporal/atividade física, prevenção e controle do tabagismo, redução da morbimortalidade em decorrência do uso de álcool e outras drogas, redução da morbimortalidade por acidentes de trânsito, prevenção da violência e estímulo à cultura da paz, além da promoção do desenvolvimento sustentável. Pensar em Vigilância em Saúde pressupõe a não dissociação com a Vigilância Sanitária. A Vigilância Sanitária é entendida como um conjunto de ações capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde. (BRASIL, 1990) Abrange: (1) o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo; (2) o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde. Neste primeiro caderno, elegeu-se como prioridade o fortalecimento da prevenção e controle de algumas doenças de maior prevalência, assim como a concentração de esforços para a eliminação de outras, que embora de menor impacto epidemiológico, atinge áreas e pessoas submetidas às desigualdades e exclusão. O Caderno de Atenção Básica Vigilância em Saúde Volume1, visa contribuir para a compreensão da importância da integração entre as ações de Vigilância em Saúde e demais ações de saúde, universo do processo de trabalho das equipes de Atenção Básica/Saúde da Família, visando a garantia da integralidade do cuidado. São enfocadas ações de vigilância em saúde na Atenção Básica, no tocante aos agravos: dengue, esquistossomose, hanseníase, malária, tracoma e tuberculose. 1.1 Processo De Trabalho Da Atenção Básica E Da Vigilância Em Saúde Apesar dos inegáveis avanços na organização da Atenção Básica ocorrida no Brasil na última década e a descentralização das ações de Vigilância em Saúde, sabe-se que ainda persistem vários problemas referentes à gestão e organização dos serviços de saúde que dificultam a efetiva integração da Atenção Básica e a Vigilância em Saúde, comprometendo a integralidade do cuidado. 125
Para qualificar a atenção à saúde a partir do princípio da integralidade é fundamental que os processos de trabalho sejam organizados com vistas ao enfrentamento dos principais problemas de saúde-doença da comunidade, onde as ações de vigilância em saúde devem estar incorporadas no cotidiano das equipes de Atenção Básica/Saúde da Família. Um dos sentidos atribuídos ao princípio da Integralidade na construção do SUS refere ao cuidado de pessoas, grupos e coletividades, percebendo-os como sujeitos históricos, sociais e políticos, articulados aos seus contextos familiares, ao meio-ambiente e a sociedade no qual se inserem. (NIETSCHE EA, 2000) Para a qualidade da atenção, é fundamental que as equipes busquem a integralidade nos seus vários sentidos e dimensões, como: propiciar a integração de ações programáticas e demanda espontânea; articular ações de promoção à saúde, prevenção de agravos, vigilância à saúde, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde; trabalhar de forma interdisciplinar e em equipe; coordenar o cuidado aos indivíduos-família- -comunidade; integrar uma rede de serviços de maior complexidade e, quando necessário, coordenar o acesso a esta rede. Para a integralidade do cuidado, fazem-se necessárias mudanças na organização do processo de trabalho em saúde, passando a Atenção Básica/Saúde da Família a ser o lócus principal de desenvolvimento dessas ações. 1.2 O Território Os sistemas de saúde devem se organizar sobre uma base territorial, onde a distribuição dos serviços segue uma lógica de delimitação de áreas de abrangência. O território em saúde não é apenas um espaço delimitado geograficamente, mas sim um espaço onde as pessoas vivem, estabelecem suas relações sociais, trabalham e cultivam suas crenças e cultura. A territorialização é base do trabalho das Equipes de Saúde da Família (ESF) para a prática da Vigilância em Saúde. O fundamental propósito deste processo é permitir eleger prioridades para o enfrentamento dos problemas identificados nos territórios de atuação, o que refletirá na definição das ações mais adequadas, contribuindo para o planejamento e programação local. Para tal, é necessário o reconhecimento e mapeamento do território: segundo a lógica das relações e entre condições de vida, saúde e acesso às ações e serviços de saúde. Isso implica um processo de coleta e sistematização de dados demográficos, socioeconômicos, político-culturais, epidemiológicos e sanitários que, posteriormente, devem ser interpretados e atualizados periodicamente pela equipe de saúde. Integrar implica discutir ações a partir da realidade local; aprender a olhar o território e identificar prioridades assumindo o compromisso efetivo com a saúde da população. Para isso, o ponto de partida é o processo de planejamento e programação conjunto, definindo prioridades, competências e atribuições a partir de uma situação atual reconhecida como inadequada tanto pelos técnicos quanto pela população, sob a ótica da qualidade de vida. 1.3 Planejamento E Programação Planejar e programar em um território específico exige um conhecimento das formas de organização e de atuação dos órgãos governamentais e não-governamentais para se ter clareza do que é necessário e possível ser feito. É importante o diálogo permanente com os representantes desses órgãos, com os grupos sociais e moradores, na busca do desenvolvimento de ações intersetoriais oportunizando a participação de todos. Isso é adotar a intersetorialidade como estratégia fundamental na busca da integralidade da atenção. Faz-se necessário o fortalecimento das estruturas gerenciais dos municípios e estados com vistas não só ao planejamento e programação, mas também da supervisão, seja esta das equipes, dos municípios ou regionais. Instrumentos de gestão como processos de acompanhamento, monitoramento e avaliação devem ser institucionalizados no cotidiano como reorientador das práticas de saúde. Os Sistemas de Informações de Saúde desempenham papel relevante para a organização dos serviços, pois os estados e os municípios de posse das informações em saúde têm condições de adotar de forma ágil, medidas de controle de doenças, bem como planejar ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, subsidiando a tomada de decisões. É fundamental o uso de protocolos assistenciais que prevejam ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação, que são dirigidos aos problemas mais frequentes da população. Tais protocolos devem incluir a indicação da continuidade da atenção, sob a lógica da regionalização, flexíveis em função dos contextos estaduais, municipais e locais. Alia-se a importância de adotar o processo de Educação Permanente em Saúde na formação e qualificação das equipes, cuja missão é ter capacidade para resolver os problemas que lhe são apresentados, ainda que a solução extrapole aquele nível de atenção (da resolubilidade, da visão das redes de atenção) e a necessidade de criar mecanismos de valorização do trabalho na atenção básica seja pelos incentivos formais, seja pela co-gestão (participação no processo decisório). Finalmente, como forma de democratizar a gestão e atender as reais necessidades da população é essencial a constituição de canais e espaços que garantam a efetiva participação da população e o controle social. 1.4 Sistema De Informação De Agravos De Notificação Sinan A informação é instrumento essencial para a tomada de decisões, ferramenta imprescindível à Vigilância em Saúde, por ser o fator desencadeador do processo informação-decisão-ação. 126
O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) foi desenvolvido no início da década de 90, com objetivo de padronizar a coleta e processamento dos dados sobre agravos de notificação obrigatória em todo o território nacional. Construído de maneira hierarquizada, mantendo coerência com a organização do SUS, pretende ser suficientemente ágil na viabilização de análises de situações de saúde em curto espaço de tempo. O Sinan fornece dados para a análise do perfil da morbidade e contribui para a tomada de decisões nos níveis municipal, estadual e federal. Seu uso foi regulamentado por meio da Portaria GM/MS nº. 1.882, de 18 de dezembro de 1997, quando se tornou obrigatória a alimentação regular da base de dados nacional pelos municípios, estados e Distrito Federal, e o Ministério da Saúde foi designado como gestor nacional do sistema. O Sinan é atualmente alimentado, principalmente, pela notificação e investigação de casos de doenças e agravos que constam da Lista Nacional de Doenças de Notificação Compulsória em todo Território Nacional - LDNC, conforme Portaria SVS/MS nº. 05, de 21/02/2006, podendo os estados e municípios incluir outros problemas de saúde pública, que considerem importantes para a sua região. 1.5 Ficha De Notificação Individual É o documento básico de coleta de dados, que inclui dados sobre a identificação e localização do estabelecimento notificante, identificação, características socioeconômicas, local da residência do paciente e identificação do agravo notificado. Essa ficha é utilizada para notificar um caso a partir da suspeição do agravo, devendo ser encaminhada para digitação após o seu preenchimento, independentemente da confirmação do diagnóstico, por exemplo: notificar um caso de dengue a partir da suspeita de um caso que atenda os critérios estabelecidos na definição de caso. A ficha de investigação contém, além dos dados da notificação, dados referentes aos antecedentes epidemiológicos, dados clínicos e laboratoriais específicos de cada agravo e dados da conclusão da investigação. A impressão, controle da pré-numeração e distribuição das fichas de notificação e de investigação para os municípios são de responsabilidade da Secretaria Estadual de Saúde, podendo ser delegada à Secretaria Municipal de Saúde. Os instrumentos de coleta padronizados pelo Ministério da Saúde são específicos para cada agravo de notificação compulsória, e devem ser utilizados em todas as unidades federadas. Para os agravos hanseníase e tuberculose são coletados ainda dados de acompanhamento dos casos. As notificações de malária e esquistossomose registradas no Sinan correspondem àquelas identificadas fora das respectivas regiões endêmicas. Esses agravos quando notificados em local onde são endêmicos devem ser registrados em sistemas específicos. Dados dos Inquéritos de Tracoma, embora não seja doença de notificação compulsória no país devem ser registrados no Sinan - versão NET, por ser considerada de interesse nacional. A população sob vigilância corresponde a todas as pessoas residente no país. Cada município deve notificar casos detectados em sua área de abrangência, sejam eles residentes ou não nesse município. As unidades notificantes são, geralmente, aquelas que prestam atendimento ao Sistema Único de Saúde, incluindo as Unidades Básicas de Saúde/Unidades de Saúde da Família. Os profissionais de saúde no exercício da profissão, bem como os responsáveis por organizações e estabelecimentos públicos e particulares de saúde e ensino, têm a obrigação de comunicar aos gestores do Sistema Único de Saúde a ocorrência de casos suspeito/confirmados dos agravos listados na LNDC. O Sinan permite a coleta, processamento, armazenamento e análise dos dados desde a unidade notificante, sendo adequado à descentralização de ações, serviços e gestão de sistemas de saúde. Se a Secretaria Municipal de Saúde for informatizada, todos os casos notificados pelo município devem ser digitados, independente do local de residência. Contudo, caso as unidades de saúde não disponham de microcomputadores, o sistema informatizado pode ser operacionalizado a partir das secretarias municipais, das regionais e da secretaria de estado de saúde. As unidades notificantes enviam semanalmente as fichas de notificação/ investigação ou, se for informatizada, o arquivo de transferência de dados por meio eletrônico para as secretarias municipais de saúde, que enviam os arquivos de transferência de dados, pelo menos uma vez por semana, à regional de saúde ou Secretaria de Estado da Saúde. Os municípios que não têm implantado o processamento eletrônico de dados pelo Sinan encaminham as fichas de notificação/investigação e seguem o mesmo fluxo descrito anteriormente. A SES envia os dados para o Ministério da Saúde, por meio eletrônico, pelo menos uma vez por semana. Dentre as atribuições de cada nível do sistema cabe a todos efetuar análise da qualidade dos dados, como verificar a duplicidade de registros, completitude dos campos e consistência dos dados, análises epidemiológicas e divulgação das informações. No entanto, cabe somente ao primeiro nível informatizado a complementação de dados, correção de inconsistências e vinculação/exclusão de duplicidades e exclusão de registros. As bases de dados geradas pelo Sinan são armazenadas pelo gerenciador de banco de dados PostgreSQL ou Interbase. Para analisá-las utilizando programas informatizados tais como o SPSS, o Tabwin e o Epi Info, é necessário exportá-las para o formato DBF. Esse procedimento é efetuado em todos os níveis, utilizando rotina própria do sistema. Com o objetivo de divulgar dados, propiciar a análise da sua qualidade e o cálculo de indicadores por todos os usuários do sistema e outros interessados, a Secretaria de Vigilância em Saúde SVS do Ministério da Saúde criou um site do Sinan que pode ser acessado pelo endereço www.saude.gov.br/svs - sistemas de informações ou www.saude.gov.br/sinanweb. Nessa página estão disponíveis: Relatórios gerenciais; Relatórios epidemiológicos por agravo; 127
Documentação do sistema (Dicionários de dados - descrição dos campos das fichas e das características da variável correspondente nas bases de dados); Fichas de notificação e de investigação de cada agravo; Instrucionais para preenchimento das Fichas; Manuais de uso do sistema; Cadernos de análise da qualidade das bases de dados e cálculo de indicadores epidemiológicos e operacionais; Produção - acompanhamento do recebimento pelo Ministério da Saúde dos arquivos de transferência de cada UF; Base de dados - uso da ferramenta TabNet para tabulação de dados de casos confirmados notificados no Sinan a partir de 2001. 1.6 Sinan NET Novo aplicativo desenvolvido pela SVS/MS em conjunto ao DATASUS, objetiva modificar a lógica de produção de informação para a de análise em níveis cada vez mais descentralizados do sistema de saúde. Subsidia a construção de sistemas de vigilância epidemiológica de base territorial, que esteja atento ao que ocorre em toda sua área de atuação. Possibilita ao município que estiver interligado à internet, a transmissão dos dados das fichas de notificação diariamente às demais esferas de governo, fazendo com que esses dados estejam disponíveis em tempo oportuno, às três esferas de governo. Já os dados das fichas de investigação somente serão transmitidos quando for encerrado o processo de investigação, conseguindo dessa forma, separar essas duas etapas. Outras rotinas, como o fluxo de retorno, serão implementadas, permitindo que o município de residência tenha na sua base de dados todos os casos, independentemente do local onde foram notificados. A base de dados foi preparada para georreferenciar os casos notificados naqueles municípios que desejem trabalhar com geoprocessamento de dados. A utilização efetiva do Sinan possibilita a realização do diagnóstico dinâmico da ocorrência de um evento na população; podendo fornecer subsídios para explicações causais dos agravos de notificação compulsória, além de vir a indicar riscos aos quais as pessoas estão sujeitas, contribuindo assim, para a identificação da realidade epidemiológica de determinada área geográfica. O desafio não só para o Sinan, mas para todos os demais sistemas de informação de saúde no Brasil, é criar uma interface de comunicação entre si descaracterizando-os como um sistema cartorial de registro, para se transformar em sistemas ágeis que permitam desencadear ações imediatas e realizar análises em tempo oportuno. O uso sistemático dos dados gerados pelo Sistema, de forma descentralizada, contribui para a democratização da informação, permitindo que todos os profissionais de saúde tenham acesso à informação e a disponibilize para a comunidade. É, portanto, um instrumento relevante para auxiliar o planejamento da saúde, definir prioridades de intervenção, além de possibilitar que sejam avaliados os impactos das intervenções. 1.7 O Trabalho Da Equipe Multiprofissional Os diferentes profissionais das equipes de saúde da Atenção Básica/Saúde da Família têm importante papel e contribuição nas ações de Vigilância em Saúde. As atribuições específicas dos profissionais da Atenção Básica, já estão definidas na Política Nacional de Atenção Básica (PNAB). Como atribuição comum a todos os profissionais das equipes, descreve-se: Garantir atenção integral e humanizada à população adscrita; Realizar tratamento supervisionado, quando necessário; Orientar o usuário/família quanto à necessidade de concluir o tratamento; Acompanhar os usuários em tratamento; Prestar atenção contínua, articulada com os demais níveis de atenção, visando o cuidado longitudinal (ao longo do tempo); Realizar o cuidado em saúde da população adscrita, no âmbito da unidade de saúde, no domicílio e nos demais espaços comunitários (escolas, associações, entre outros), quando necessário; Construir estratégias de atendimento e priorização de populações mais vulneráveis, como exemplo: população de rua, ciganos, quilombolas e outras; Realizar visita domiciliar a população adscrita, conforme planejamento assistencial; Realizar busca ativa de novos casos e convocação dos faltosos; Notificar casos suspeitos e confirmados, conforme fichas anexas; Preencher relatórios/livros/fichas específicos de registro e acompanhamento dos agravos/doenças, de acordo com a rotina da UBS; Alimentar e analisar dados dos Sistemas de Informação em Saúde Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB), Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), Sistema de Informação de Nascidos Vivos (SINASC), Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e outros para planejar, programar e avaliar as ações de vigilância em saúde; Desenvolver ações educativas e de mobilização da comunidade relativas ao controle das doenças/agravos em sua área de abrangência; Orientar a comunidade quanto ao uso de medidas de proteção individual e familiar para a prevenção de doenças/agravos; Mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de manejo ambiental para o controle de vetores; Articular e viabilizar as medidas de controle vetorial e outras ações de proteção coletiva; Identificar possíveis problemas e surtos relacionados à qualidade da água, em nível local como a situação das fontes de abastecimento e de armazenamento da água e a variação na incidência de determinadas doenças que podem estar associadas à qualidade da água; Identificar a disposição inadequada de resíduos, industriais ou domiciliares, em áreas habitadas; a armazenagem inadequada de produtos químicos tóxicos (inclusive em postos de gasolina) e a variação na incidência de doenças potencialmente relacionadas a intoxicação; 128
Identificar a poluição do ar derivada de indústrias, automóveis, queimadas, inclusive nas situações intra-domiciliares (fumaça e poeira) e as variações na incidência de doenças, principalmente as morbidades respiratórias e cardiovasculares, que podem estar associadas à poluição do ar. Na organização da atenção, o Agente Comunitário de Saúde (ACS) e o Agente de Controle de Endemias (ACE) desempenham papéis fundamentais, pois se constituem como elos entre a comunidade e os serviços de saúde. Assim como os demais membros da equipe, tais agentes devem ter co-responsabilização com a saúde da população de sua área de abrangência. Por isso, devem desenvolver ações de promoção, prevenção e controle dos agravos, sejam nos domicílios ou nos demais espaços da comunidade, e embora realizem ações comuns, há um núcleo de atividades que é específico a cada um deles. No processo de trabalho, estes dois atores, ACS e ACE, devem ser coresponsáveis pelo controle das endemias, integrando suas atividades de maneira a potencializar o trabalho e evitar a duplicidade das ações que, embora distintas, se complementam. Os gestores e as equipes de saúde devem definir claramente os papéis, competências e responsabilidades de cada um destes agentes e, de acordo com a realidade local, definir os fluxos de trabalho. Cada ACE deverá ficar como referência para as ações de vigilância de um número de ACS. Esta relação entre o número de ACE e de ACS será variável, pois, se baseará no perfil epidemiológico e nas demais características locais (como geografia, densidade demográfica e outras). Na divisão do trabalho entre os diferentes agentes, o ACS, após as visitas domiciliares e identificação dos problemas que não poderão ser resolvidos por ele, deverá transmití-las ao ACE, seu parceiro, que planejará conjuntamente as ações de saúde caso a caso como, por exemplo, quando o ACS identificar uma caixa d água de difícil acesso ou um criadouro que necessite da utilização de larvicida. O ACE deve ser incorporado nas atividades das equipes da Atenção Básica/Saúde da Família, tomando como ponto de partida sua participação no processo de planejamento e programação. É importante que o ACE esteja vinculado a uma Unidade Básica de Saúde, pois a efetiva integração das ações de controle está no processo de trabalho realizado cotidianamente. Um dos fatores fundamentais para o êxito do trabalho é a integração das bases territoriais de atuação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Controle de Endemias (ACE). O gestor municipal, junto às equipes de saúde, deve organizar seus serviços de saúde, e definir suas bases territoriais, de acordo com sua realidade, perfil epidemiológico, aspectos geográficos, culturais e sociais, entre outros. 1.8 Atribuições Específicas Dos Profissionais Da Atenção Básica/Saúde Da Família 1.8.1 Agente Comunitário de Saúde ACS - Identificar sinais e sintomas dos agravos/doenças e encaminhar os casos suspeitos para a Unidade de Saúde; - Acompanhar os usuários em tratamento e orientá-lo quanto à necessidade de sua conclusão; - Desenvolver ações educativas e de mobilização da comunidade relativas ao controle das doenças/agravos, em sua área de abrangência; - Orientar a comunidade quanto ao uso de medidas de proteção individual e familiar para a prevenção de doença; - Mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de manejo ambiental para o controle de vetores; - Planejar/programar as ações de controle das doenças/agravos em conjunto ao ACE e equipe da Atenção Básica/Saúde da Família. 1.8.2 Agente de Controle de Endemias ACE - Identificar sinais e sintomas dos agravos/doenças e encaminhar os casos suspeitos para a Unidade de Saúde; - Acompanhar os usuários em tratamento e orientá-los quanto à necessidade de sua conclusão; - Desenvolver ações educativas e de mobilização da comunidade relativas ao controle das doenças/agravos, em sua área de abrangência; - Orientar a comunidade quanto ao uso de medidas de proteção individual e familiar para a prevenção de doenças; - Mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de manejo ambiental para o controle de vetores; - Realizar, quando indicado a aplicação de larvicidas/moluscocidas químicos e biológicos; a borrifação intradomiciliar de efeito residual; e a aplicação espacial de inseticidas por meio de nebulizações térmicas e ultra-baixo-volume; - Realizar atividades de identificação e mapeamento de coleções hídricas de importância epidemiológica; - Planejar/programar as ações de controle das doenças/agravos em conjunto ao ACS e equipe da Atenção Básica/Saúde da Família. 1.8.3 Médico - Diagnosticar e tratar precocemente os agravos/doenças, conforme orientações, contidas neste caderno; - Solicitar exames complementares, quando necessário; - Realizar tratamento imediato e adequado, de acordo com esquema terapêutico definido neste caderno; - Encaminhar, quando necessário, os casos graves para a unidade de referência, respeitando os fluxos locais e mantendo-se responsável pelo acompanhamento; - Realizar assistência domiciliar, quando necessário; - Orientar os Auxiliares e técnicos de enfermagem, ACS e ACE para o acompanhamento dos casos em tratamento e/ou tratamento supervisionado; - Contribuir e participar das atividades de educação permanente dos membros da equipe quanto à prevenção, manejo do tratamento, ações de vigilância epidemiológica e controle das doenças; 129
- Enviar mensalmente ao setor competente as informações epidemiológicas referentes às doenças/agravo na área de atuação da UBS, analisar os dados para propor possíveis intervenções. 1.8.4 Enfermeiro - Realizar consulta de enfermagem, solicitar exames complementares e prescrever medicações, conforme protocolos ou outras normativas técnicas estabelecidas pelo gestor municipal, observadas as disposições legais da profissão; - Planejar, gerenciar, coordenar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS; - Realizar assistência domiciliar, quando necessário; - Enviar mensalmente ao setor competente as informações epidemiológicas referentes às doenças/agravo na área de atuação da UBS e analisar os dados para possíveis intervenções; - Orientar os auxiliares/técnicos de enfermagem, ACS e ACE para o acompanhamento dos casos em tratamento e/ou tratamento supervisionado; - Contribuir e participar das atividades de educação permanente dos membros da equipe quanto à prevenção, manejo do tratamento, ações de vigilância epidemiológica e controle das doenças. 1.8.5 Auxiliar/Técnico de Enfermagem - Participar das atividades de assistência básica, realizando procedimentos regulamentados para o exercício de sua profissão; - Realizar assistência domiciliar, quando necessária; - Realizar tratamento supervisionado, quando necessário, conforme orientação do enfermeiro e/ou médico. 1.8.6 Cirurgião Dentista, Técnico em Higiene Dental THD e Auxiliar de Consultório Dentário ACD - Identificar sinais e sintomas dos agravos/doenças e encaminhar os casos suspeitos para consulta; - Desenvolver ações educativas e de mobilização da comunidade relativas ao controle das doenças/agravos em sua área de abrangência; - Participar da capacitação dos membros da equipe quanto à prevenção, manejo do tratamento, ações de vigilância epidemiológica e controle das doenças; - Orientar a comunidade quanto ao uso de medidas de proteção individual e familiar para a prevenção de doenças. Epidemiologia A Epidemiologia é a ciência que estuda os padrões da ocorrência de doenças em populações humanas e os fatores determinantes destes padrões (Lilienfeld, 1980). Enquanto a clínica aborda a doença em nível individual, a epidemiologia aborda o processo saúde-doença em grupos de pessoas que podem variar de pequenos grupos até populações inteiras. O fato de a epidemiologia, por muitas vezes, estudar morbidade, mortalidade ou agravos à saúde, deve-se, simplesmente, às limitações metodológicas da definição de saúde. Usos da Epidemiologia Por algum tempo prevaleceu a ideia de que a epidemiologia restringia-se ao estudo de epidemias de doenças transmissíveis. Hoje, é reconhecido que a epidemiologia trata de qualquer evento relacionado à saúde (ou doença) da população. Suas aplicações variam desde a descrição das condições de saúde da população, da investigação dos fatores determinantes de doenças, da avaliação do impacto das ações para alterar a situação de saúde até a avaliação da utilização dos serviços de saúde, incluindo custos de assistência. Dessa forma, a epidemiologia contribui para o melhor entendimento da saúde da população - partindo do conhecimento dos fatores que a determinam e provendo, conseqüentemente, subsídios para a prevenção das doenças. Saúde e Doença Saúde e doença como um processo binário, ou seja, presença/ausência, é uma forma simplista para algo bem mais complexo. O que se encontra usualmente, na clínica diária, é um processo evolutivo entre saúde e doença que, dependendo de cada paciente, poderá seguir cursos diversos, sendo que nem sempre os limites entre um e outro são precisos. 1. Evolução aguda e fatal. Exemplo: estima-se que cerca de 10% dos pacientes portadores de trombose venosa profunda acabam apresentando pelo menos um episódio de tromboembolismo pulmonar, e que 10% desses vão ao óbito (Moser, 1990). 130
2. Evolução aguda, clinicamente evidente, com recuperação. Exemplo: paciente jovem, hígido, vivendo na comunidade, com quadro viral de vias aéreas superiores e que, depois de uma semana, inicia com febre, tosse produtiva com expectoração purulenta, dor ventilatória dependente e consolidação na radiografia de tórax. Após o diagnóstico de pneumonia pneumocócica e tratamento com beta-lactâmicos, o paciente repete a radiografia e não se observa sequela alguma do processo inflamatório-infeccioso (já que a definição de pneumonia implica recuperação do parênquima pulmonar). 3. Evolução subclínica. Exemplo: primo-infecção tuberculosa: a chegada do bacilo de Koch nos alvéolos é reconhecida pelos linfócitos T, que identificam a cápsula do bacilo como um antígeno e provocam uma reação específica com formação de granuloma; assim acontece o chamado complexo primário (lesão do parênquima pulmonar e adenopatia). Na maioria das pessoas, a primo-infecção tuberculosa adquire uma forma subclínica sem que o doente sequer percebe sintomas de doença. 4. Evolução crônica progressiva com óbito em longo ou curto prazo. Exemplo: fibrose pulmonar idiopática que geralmente tem um curso inexorável, evoluindo para o óbito por insuficiência respiratória e hipoxemia severa. As maiores séries da literatura (Turner-Warwick, 1980) relatam uma sobrevida média, após o surgimento dos primeiros sintomas, inferior a cinco anos, sendo que alguns pacientes evoluem para o óbito entre 6 e 12 meses (Stack, 1972). Já a DPOC serve como exemplo de uma doença com evolução progressiva e óbito em longo prazo, dependendo fundamentalmente da continuidade ou não do vício do tabagismo. 5. Evolução crônica com períodos assintomáticos e exacerbações. Exemplo: a asma brônquica é um dos exemplos clássicos, com períodos de exacerbação e períodos assintomáticos. Hoje, sabe-se que, apesar dessa evolução, a função pulmonar de alguns pacientes asmáticos pode não retornar aos níveis de normalidade (Pizzichini, 2001). Essa é a história natural das doenças,que, na ausência da interferência médica, pode ser subdividida em quatro fases: a) Fase inicial ou de susceptibilidade. b) Fase patológica pré-clínica. c) Fase clínica. d) Fase de incapacidade residual. Na fase inicial, ainda não há doença, mas, sim, condições que a favoreçam. Dependendo da existência de fatores de risco ou de proteção, alguns indivíduos estarão mais ou menos propensos a determinadas doenças do que outros. Exemplo: crianças que convivem com mães fumantes estão em maior risco de hospitalizações por IRAS no primeiro ano de vida, do que filhos de mães não-fumantes (Macedo, 2000). Na fase patológica pré-clínica, a doença não é evidente, mas já há alterações patológicas, como acontece no movimento ciliar da árvore brônquica reduzido pelo fumo e contribuindo, posteriormente, para o aparecimento da DPOC. A fase clínica corresponde ao período da doença com sintomas. Ainda no exemplo da DPOC, a fase clínica varia desde os primeiros sinais da bronquite crônica como aumento de tosse e expectoração até o quadro de cor pulmonale crônico, na fase final da doença. Por último, se a doença não evoluiu para a morte nem foi curada, ocorrem as sequelas da mesma; ou seja, aquele paciente que iniciou fumando, posteriormente desenvolveu um quadro de DPOC, evoluiu para a insuficiência respiratória devido à hipoxemia e passará a apresentar severa limitação funcional fase de incapacidade residual. Conhecendo-se e atuando-se nas diversas fases da história natural da doença, poder-se-á modificar o curso da mesma; isso envolve desde as ações de prevenção consideradas primárias até as terciárias, para combater a fase da incapacidade residual. Prevenção As ações primárias dirigem-se à prevenção das doenças ou manutenção da saúde. Exemplo: a interrupção do fumo na gravidez seria uma importante medida de ação primária, já que mães fumantes, no estudo de coorte de Pelotas de 1993, tiveram duas vezes maior risco para terem filhos com retardo de crescimento intra-uterino e baixo peso ao nascer sendo esse um dos determinantes mais importantes de mortalidade infantil (Horta, 1997). Após a instalação do período clínico ou patológico das doenças, as ações secundárias visam a fazê-lo regredir (cura), ou impedir a progressão para o óbito, ou evitar o surgimento de seqüelas. Exemplo: o tratamento com RHZ para a tuberculose proporciona cerca de 100% de cura da doença e impede sequelas importantes como fibrose pulmonar, ou cronicidade da doença sem resposta ao tratamento de primeira linha e a transmissão da doença para o resto da população. A prevenção através das ações terciárias procura minimizar os danos já ocorridos com a doença. Exemplo: a bola fúngica que, usualmente é um resíduo da tuberculose e pode provocar hemoptises severas, tem na cirurgia seu tratamento definitivo (Hetzel, 2001). Causalidade em Epidemiologia A teoria da multicausalidade ou multifatorialidade tem hoje seu papel definido na gênese das doenças, em substituição à teoria da unicausalidade que vigorou por muitos anos. A grande maioria das doenças advém de uma combinação de fatores que interagem entre si e acabam desempenhando importante papel na determinação das mesmas. Como exemplo dessas múltiplas causas chamadas causas contribuintes citaremos o câncer de pulmão. Nem todo fumante desenvolve câncer de pulmão, o que indica que há outras causas contribuindo para o aparecimento dessa doença. Estudos mostraram que, descendentes de primeiro grau de fumantes com câncer de pulmão tiveram 2 a 3 vezes maior chance de terem a doença do que aqueles sem a doença na família; isso indica que há uma suscetibilidade familiar aumentada para o câncer de pulmão. Ativação dos oncogenes dominantes e inativação de oncogenes supressores ou recessivos são lesões que têm sido encontradas no DNA de células do carcinoma brônquico e que reforçam o papel de determinantes genéticos nesta doença (Srivastava, 1995). 131
A determinação da causalidade passa por níveis hierárquicos distintos, sendo que alguns desses fatores causais estão mais próximos do que outros em relação ao desenvolvimento da doença. Por exemplo, fatores biológicos, hereditários e socioeconômicos podem ser os determinantes distais da asma infantil são fatores a distância que, através de sua atuação em outros fatores, podem contribuir para o aparecimento da doença. Por outro lado, alguns fatores chamados determinantes intermediários podem sofrer tanto a influência dos determinantes distais como estar agindo em fatores próximos à doença, como seria o caso dos fatores gestacionais, ambientais, alérgicos e nutricionais na determinação da asma; os fatores que estão próximos à doença os determinantes proximais, por sua vez, também podem sofrer a influência daqueles fatores que estão em nível hierárquico superior (determinantes distais e intermediários) ou agirem diretamente na determinação da doença. No exemplo da asma, o determinante proximal pode ser um evento infeccioso prévio. Determinação de causalidade na asma brônquica. Critérios de causalidade de Hill - Força da associação - Consistência - Especificidade - Sequência cronológica - Efeito dose resposta - Plausibilidade biológica - Coerência - Evidências experimentais - Analogia Somente os estudos experimentais estabelecem definitivamente a causalidade, porém a maioria das associações encontradas nos estudos epidemiológicos não é causal. O Quadro mostra os nove critérios para estabelecer causalidade segundo trabalho clássico de Sir Austin Bradford Hill. Força da associação e magnitude. Quanto mais elevada a medida de efeito, maior a plausibilidade de que a relação seja causal. Por exemplo: estudo de Malcon sobre fumo em adolescentes mostrou que a força da associação entre o fumo do adolescente e a presença do fumo no grupo de amigos foi da magnitude de 17 vezes; ou seja, adolescentes com três ou mais amigos fumando têm 17 vezes maior risco para serem fumantes do que aqueles sem amigos fumantes (Malcon, 2000). Consistência da associação. A associação também é observada em estudos realizados em outras populações ou utilizando diferentes metodologias? É possível que, simplesmente por chance, tenha sido encontrada determinada associação? Se as associações encontradas foram consequência do acaso, estudos posteriores não deverão detectar os mesmos resultados. Exemplo: a maioria, senão a totalidade dos estudos sobre câncer de pulmão, detectou o fumo como um dos principais fatores associados a esta doença. Especificidade. A exposição está especificamente associada a um tipo de doença, e não a vários tipos (esse é um critério que pode ser questionável). Exemplo: poeira da sílica e formação de múltiplos nódulos fibrosos no pulmão (silicose). Sequência cronológica (ou temporalidade). A causa precede o efeito? A exposição ao fator de risco antecede o aparecimento da doença e é compatível com o respectivo período de incubação? Nem sempre é fácil estabelecer a seqüência cronológica, nos estudos realizados quando o período de latência é longo entre a exposição e a doença. Critérios de causalidade de Hill - Força da associação - Consistência - Especificidade - Sequência cronológica - Efeito dose resposta - Plausibilidade biológica - Coerência - Evidências experimentais - Analogia Exemplo: nos países desenvolvidos, a prevalência de fumo aumentou significativamente durante a primeira metade do século, mas houve um lapso de vários anos até detectar-se o aumento do número de mortes por câncer de pulmão. Nos EUA, por exemplo, o consumo médio diário de cigarros, em adultos jovens, aumentou de um, em 1910, para quatro, em 1930, e 10 em 1950, sendo que o aumento da mortalidade ocorreu após várias décadas. Padrão semelhante vem ocorrendo na China, particularmente no sexo masculino, só que com um intervalo de tempo de 40 anos: o consumo médio diário de cigarros, nos homens, era um em 1952, quatro em 1972, atingindo 10 em 1992. As estimativas, portanto, são de que 100 milhões dos homens chineses, hoje com idade de 0-29 anos, morrerão pelo tabaco, o que implicará a três milhões de mortes, por ano, quando esses homens atingirem idades mais avançadas (Liu, 1998). 132
Efeito dose-resposta. O aumento da exposição causa um aumento do efeito? Sendo positiva essa relação, há mais um indício do fator causal. Exemplo: os estudos prospectivos de Doll e Hill (Doll, 1994) sobre a mortalidade por câncer de pulmão e fumo, nos médicos ingleses, tiveram um seguimento de 40 anos (1951-1991). As primeiras publicações dos autores já mostravam o efeito dose-resposta do fumo na mortalidade por câncer de pulmão; os resultados finais desse acompanhamento revelavam que fumantes de 1 a 14 cigarros/dia, de 15 a 24 cigarros/dia e de 25 ou mais cigarros/dia morriam 7,5 para 8 vezes mais, 14,9 para 15 e 25,4 para 25 vezes mais do que os não-fumantes, respectivamente. Plausibilidade biológica. A associação é consistente com outros conhecimentos? É preciso alguma coerência entre o conhecimento existente e os novos achados. A associação entre fumo passivo e câncer de pulmão é um dos exemplos da plausibilidade biológica. Carcinógenos do tabaco têm sido encontrados no sangue e na urina de não-fumantes expostos ao fumo passivo. A associação entre o risco de câncer de pulmão em não-fumantes e o número de cigarros fumados e anos de exposição do fumante é diretamente proporcional (efeito dose-resposta) (Hirayama, 1981). Coerência. Os achados devem ser coerentes com as tendências temporais, padrões geográficos, distribuição por sexo, estudos em animais etc. Evidências experimentais. Mudanças na exposição resultam em mudanças na incidência de doença. Exemplo: sabe-se que os alergênios inalatórios (como a poeira) podem ser promotores, indutores ou desencadeantes da asma; portanto o afastamento do paciente asmático desses alergênios é capaz de alterar a hiperresponsividade das vias aéreas (HRVA), a incidência da doença ou a precipitação da crise. Analogia. O observado é análogo ao que se sabe sobre outra doença ou exposição. Exemplo: é bem reconhecido o fato de que a imunossupressão causa várias doenças; portanto explica-se a forte associação entre AIDS e tuberculose, já que, em ambas, a imunidade está diminuída. Raramente é possível comprovar os nove critérios para uma determinada associação. A pergunta-chave nessa questão da causalidade é a seguinte: os achados encontrados indicam causalidade ou apenas associação? O critério de temporalidade, sem dúvida, é indispensável para a causalidade; se a causa não precede o efeito, a associação não é causal. Os demais critérios podem contribuir para a inferência da causalidade, mas não necessariamente determinam a causalidade da associação. Indicadores de Saúde Para que a saúde seja quantificada e para permitir comparações na população, utilizam-se os indicadores de saúde. Estes devem refletir, com fidedignidade, o panorama da saúde populacional. É interessante observar que, apesar desses indicadores serem chamados Indicadores de Saúde, muitos deles medem doenças, mortes, gravidade de doenças, o que denota ser mais fácil, às vezes, medir doença do que medir saúde, como já foi mencionado anteriormente. Esses indicadores podem ser expressos em termos de frequência absoluta ou como frequência relativa, onde se incluem os coeficientes e índices. Os valores absolutos são os dados mais prontamente disponíveis e, frequentemente, usados na monitoração da ocorrência de doenças infecciosas; especialmente em situações de epidemia, quando as populações envolvidas estão restritas ao tempo e a um determinado local, pode assumir-se que a estrutura populacional é estável e, assim, usar valores absolutos. Entretanto, para comparar a frequência de uma doença entre diferentes grupos, deve-se ter em conta o tamanho das populações a serem comparadas com sua estrutura de idade e sexo, expressando os dados em forma de taxas ou coeficientes. Indicadores de saúde - Mortalidade/sobrevivência - Morbidade/gravidade/incapacidade funcional - Nutrição/crescimento e desenvolvimento - Aspectos demográficos - Condições socioeconômicas - Saúde ambiental - Serviços de saúde Coeficientes (ou taxas ou rates). São as medidas básicas da ocorrência das doenças em uma determinada população e período. Para o cálculo dos coeficientes ou taxas, considera-se que o número de casos está relacionado ao tamanho da população que lhes deu origem. O numerador refere-se ao número de casos detectados que se quer estudar (por exemplo: mortes, doenças, fatores de risco etc.), e o denominador refere-se a toda população capaz de sofrer aquele evento - é a chamada população em risco. O denominador, portanto, reflete o número de casos acrescido do número de pessoas que poderiam tornar-se casos naquele período de tempo. Às vezes, dependendo do evento estudado, é preciso excluir algumas pessoas do denominador. Por exemplo, ao calcular-se o coeficiente de mortalidade por câncer de próstata, as mulheres devem ser excluídas do denominador, pois não estão expostas ao risco de adquirir câncer de próstata. Para uma melhor utilização desses coeficientes, é preciso o esclarecimento de alguns pontos: - Escolha da constante (denominador). - Intervalo de tempo. - Estabilidade dos coeficientes. - População em risco. Escolha da constante: a escolha de uma constante serve para evitar que o resultado seja expresso por um número decimal de difícil leitura (por exemplo: 0,0003); portanto faz-se a multiplicação da fração por uma constante (100, 1.000, 10.000, 100.000). A decisão sobre qual constante deve ser utilizada é arbitrária, pois depende da grandeza dos números decimais; entretanto, para muitos dos indicadores, essa constante já está uniformizada. Por exemplo: para os coeficientes de mortalidade infantil utiliza-se sempre a constante de 1.000 nascidos vivos. 133
Intervalo de tempo: é preciso especificar o tempo a que se referem os coeficientes estudados. Nas estatísticas vitais, esse tempo é geralmente de um ano. Para a vigilância epidemiológica (verificação contínua dos fatores que determinam a ocorrência e a distribuição da doença e condições de saúde), pode decidir-se por um período bem mais curto, dependendo do objetivo do estudo. Estabilidade dos coeficientes: quando se calcula um coeficiente para tempos curtos ou para populações reduzidas, os coeficientes podem tornar-se imprecisos e não ser tão fidedignos. Gutierrez, no capítulo da epidemiologia da tuberculose, exemplifica de que forma o coeficiente de incidência para tuberculose pode variar, conforme o tamanho da população. Para contornar esse problema, é possível aumentar o período de observação (por exemplo, ao invés de observar o evento por um ano, observá-lo por dois ou três anos), aumentar o tamanho da amostra (observar uma população maior) ou utilizar números absolutos no lugar de coeficientes. População em risco: refere-se ao denominador da fração para o cálculo do coeficiente. Nem sempre é fácil saber o número exato desse denominador e muitas vezes recorre-se a estimativas no lugar de números exatos. Morbidade A morbidade é um dos importantes indicadores de saúde, sendo um dos mais citados coeficientes ao longo desse livro. Muitas doenças causam importante morbidade, mas baixa mortalidade, como a asma. Morbidade é um termo genérico usado para designar o conjunto de casos de uma dada afecção ou a soma de agravos à saúde que atingem um grupo de indivíduos. Medir morbidade nem sempre é uma tarefa fácil, pois são muitas as limitações que contribuem para essa dificuldade. Medidas da morbidade Para que se possa acompanhar a morbidade na população e traçar paralelos entre a morbidade de um local em relação a outros, é preciso que se tenha medidas-padrão de morbidade. As medidas de morbidade mais utilizadas são as que se seguem: - Medida da prevalência: a prevalência (P) mede o número total de casos, episódios ou eventos existentes em um determinado ponto no tempo. O coeficiente de prevalência, portanto, é a relação entre o número de casos existentes de uma determinada doença e o número de pessoas na população, em um determinado período. Esse coeficiente pode ser multiplicado por uma constante, pois, assim, torna-se um número inteiro fácil de interpretar (essa constante pode ser 100, 1.000 ou 10.000). O termo prevalência refere-se à prevalência pontual ou instantânea. Isso quer dizer que, naquele particular ponto do tempo (dia, semana, mês ou ano da coleta, por exemplo), a frequência da doença medida foi de 10%, por exemplo. Na interpretação da medida da prevalência, deve ser lembrado que a mesma depende do número de pessoas que desenvolveram a doença no passado e continuam doentes no presente. Assim, como já foi descrito no início do capítulo, o denominador é a população em risco. Por exemplo, em uma população estudada de 1.053 adultos da zona urbana de Pelotas, em 1991, detectaram-se 135 casos de bronquite crônica; portanto, a prevalência de bronquite crônica, seguindo a equação abaixo, foi de (Menezes, 1994): Medida da incidência: a incidência mede o número de casos novos de uma doença, episódios ou eventos na população dentro de um período definido de tempo (dia, semana, mês, ano); é um dos melhores indicadores para avaliar se uma condição está diminuindo, aumentando ou permanecendo estável, pois indica o número de pessoas da população que passou de um estado de não-doente para doente. O coeficiente de incidência é a razão entre o número de casos novos de uma doença que ocorre em uma comunidade, em um intervalo de tempo determinado, e a população exposta ao risco de adquirir essa doença no mesmo período. A multiplicação por uma constante tem a mesma finalidade descrita acima para o coeficiente de prevalência. A incidência é útil para medir a frequência de doenças com uma duração média curta, como, por exemplo, a pneumonia, ou doença de duração longa. A incidência pode ser cumulativa (acumulada) ou densidade de incidência. Incidência Cumulativa (IC). Refere-se à população fixa, onde não há entrada de novos casos naquele determinando período. Por exemplo: em um grupo de trabalhadores expostos ao asbesto, alguns desenvolveram câncer de pulmão em um período de tempo especificado. No denominador do cálculo da incidência cumulativa, estão incluídos aqueles que, no início do período, não tinham a doença. Exemplo: 50 pessoas adquiriram câncer de pulmão do grupo dos 150 trabalhadores expostos ao asbesto durante um ano. Incidência cumulativa = 50/150 = 0,3 = 30 casos novos por 100 habitantes em 1 ano. 134
A incidência cumulativa é uma proporção, podendo ser expressa como percentual ou por 1.000, 10.000 etc. (o numerador está incluído no denominador). A IC é a melhor medida para fazer prognósticos em nível individual, pois indica a probabilidade de desenvolver uma doença dentro de um determinado período. Densidade de Incidência (DI). A densidade de incidência é uma medida de velocidade (ou densidade). Seu denominador é expresso em população-tempo em risco. O denominador diminui à medida que as pessoas, inicialmente em risco, morrem ou adoecem (o que não acontece com a incidência cumulativa). Relação entre incidência e prevalência A prevalência de uma doença depende da incidência da mesma (quanto maior for a ocorrência de casos novos, maior será o número de casos existentes), como também da duração da doença. A mudança da prevalência pode ser afetada tanto pela velocidade da incidência como pela modificação da duração da doença. Esta, por sua vez, depende do tempo de cura da doença ou da sobrevivência. A relação entre incidência e prevalência segue a seguinte fórmula (Vaughan, 1992): Prevalência = Incidência X Duração Média da Doença Mortalidade O número de óbitos (assim como o número de nascimentos) é uma importante fonte para avaliar as condições de saúde da população. Medidas de Mortalidade. Os coeficientes de mortalidade são os mais tradicionais indicadores de saúde. Principais coeficientes de mortalidade: - Coeficiente de mortalidade geral - Coeficiente de mortalidade infantil - Coeficiente de mortalidade neonatal precoce - Coeficiente de mortalidade neonatal tardia - Coeficiente de mortalidade perinatal - Coeficiente de mortalidade materna - Coeficiente de mortalidade específico por doença Coeficiente de mortalidade geral. Obtido pela divisão do número total de óbitos por todas as causas em um ano pelo número da população naquele ano, multiplicado por 1.000. Exemplo: no RS, houve 63.961 óbitos e a população estimada era de 9.762.110; portanto o coeficiente de mortalidade geral para o estado, foi de 6,55 (Estatísticas de Saúde). Coeficiente de mortalidade específico por doenças respiratórias. É possível obterem-se os coeficientes específicos por determinada causa, como, por exemplo, o coeficiente por causas externas, por doenças infecciosas, por neoplasias, por AIDS, por tuberculose, dentre outros. Da mesma forma, pode-se calcular os coeficientes conforme a idade e o sexo. Estes coeficientes podem fornecer importantes dados sobre a saúde de um país, e, ao mesmo, tempo fornecer subsídios para políticas de saúde. Exemplo: o coeficiente de mortalidade por tuberculose no RS foi de 51,5 por 100.000 habitantes. O coeficiente de mortalidade infantil refere-se ao óbito de crianças menores de um ano e é um dos mais importantes indicadores de saúde.o coeficiente de mortalidade perinatal compreende os óbitos fetais (a partir de 28 semanas de gestação) mais os neonatais precoces (óbitos de crianças de até seis dias de vida). Outro importante indicador de saúde que vem sendo bastante utilizado, nos últimos anos, é o coeficiente de mortalidade materna, que diz respeito aos óbitos por causas gestacionais (Estatísticas de Saúde). Letalidade A letalidade refere-se à incidência de mortes entre portadores de uma determinada doença, em um certo período de tempo, dividida pela população de doentes. É importante lembrar que, na letalidade, o denominador é o número de doentes. Padronização dos coeficientes Como, na maioria das vezes, a incidência ou prevalência de uma doença varia com o sexo e o grupo etário, a comparação das taxas brutas de duas ou mais populações só faz sentido se a distribuição por sexo e idade das mesmas for bastante próxima. Sendo essa uma situação absolutamente excepcional, o pesquisador frequentemente vê-se obrigado a recorrer a uma padronização (ou ajustamento), a fim de eliminar os efeitos da estrutura etária ou do sexo sobre as taxas a serem analisadas. 135
Para um melhor entendimento, examinemos, por exemplo, os índices de mortalidade da França e do México. Caso a análise limite-se à comparação das taxas brutas - 368 e 95 por 100.000 habitantes/ano, respectivamente, pode parecer que há uma grande diferença entre os padrões de mortalidade dos dois países. Entretanto, ao considerar-se a grande diferença na distribuição etária dos mesmos, com o predomínio no México de grupos com menor idade, torna-se imprescindível a padronização. Uma vez efetuada a padronização por idade, o contraste entre os dois países desaparece, resultando taxas de 164 e 163 por 100.000 habitantes/ano, respectivamente. Esses índices ajustados são na verdade fictícios, prestando-se somente para fins de comparação. Há duas maneiras de realizar-se a padronização. Método direto: este método exige uma população padrão que poderá ser a soma de duas populações a serem comparadas (A e B) ou uma população padrão. É obtido multiplicando-se a distribuição da população padrão conforme a idade pelos coeficientes de mortalidade (por exemplo) de cada uma das populações a serem estudadas (A e B). Método indireto: utiliza-se o método indireto quando os coeficientes específicos por idade da população que se quer estudar não são conhecidos, embora se saiba o número total de óbitos. Empregando-se uma segunda população (padrão) - semelhante à população que se quer estudar - cujos coeficientes sejam conhecidos, multiplica-se o coeficiente por idades da população padrão pelo número de óbitos de cada categoria de idade, chegando, assim, ao número de mortes que seria esperado na população que está sendo estudada. O número total de mortes esperado dessa população é confrontado com o número de mortes efetivamente ocorridas nessa população, resultando no que se convencionou chamar de razão padronizada de mortalidade (RPM). Rpm = Óbitos Observados/Óbitos Esperados A RPM maior ou menor do que um indica que ocorreram mais ou menos mortes do que o esperado, respectivamente. Resumindo, as taxas brutas são facilmente calculadas e rapidamente disponíveis; entretanto são medidas difíceis de interpretar e de serem comparadas com outras populações, pois dependem das variações na composição da população. Taxas ajustadas minimizam essas limitações, entretanto são fictícias e sua magnitude depende da população selecionada. 15 Tipologia dos Estudos Epidemiológicos Os estudos epidemiológicos constituem um ótimo método para colher informações adicionais não-disponíveis a partir dos sistemas rotineiros de informação de saúde ou de vigilância. Os estudos descritivos são aqueles em que o observador descreve as características de uma determinada amostra, não sendo de grande utilidade para estudar etiologia de doenças ou eficácia de um tratamento, porque não há um grupo- -controle para permitir inferências causais. Como exemplo podem ser citadas as séries de casos em que as características de um grupo de pacientes são descritas. Entretanto os estudos descritivos têm a vantagem de ser rápidos e de baixo custo, sendo muitas vezes o ponto de partida para um outro tipo de estudo epidemiológico. Sua grande limitação é o fato de não haver um grupo-controle, o que impossibilita seus achados serem comparados com os de uma outra população. É possível que alguns desses achados aconteçam simplesmente por chance e, portanto, também aconteceriam no grupo-controle. Já os estudos analíticos pressupõem a existência de um grupo de referência, o que permite estabelecer comparações. Estes, por sua vez, de acordo com o papel do pesquisador, podem ser: - Experimentais (serão discutidos no capítulo epidemiologia clínica). - Observacionais. Nos estudos observacionais, a alocação de uma determinada exposição está fora do controle do pesquisador (por exemplo, exposição à fumaça do cigarro ou ao asbesto). Eles compreendem: - Estudo transversal. - Estudo de coorte. - Estudo de caso-controle. - Estudo ecológico. A seguir, cada um desses estudos serão abordados nos seus principais pontos. Estudo Transversal (Cross-Sectional) É um tipo de estudo que examina as pessoas em um determinado momento, fornecendo dados de prevalência; aplica-se, particularmente, a doenças comuns e de duração relativamente longa. Envolve um grupo de pessoas expostas e não expostas a determinados fatores de risco, sendo que algumas dessas apresentarão o desfecho a ser estudado e outras não. A ideia central do estudo transversal é que a prevalência da doença deverá ser maior entre os expostos do que entre os não-expostos, se for verdade que aquele fator de risco causa a doença. As vantagens do estudo transversal são a rapidez, o baixo custo, a identificação de casos e a detecção de grupos de risco. Entretanto algumas limitações existem, como, por exemplo, a da causalidade reversa exposição e desfecho são coletados simultaneamente e frequentemente não se sabe qual deles precedeu o outro. Nesse tipo de estudo, episódios de doença com longa duração estão sobre-representados e doenças com duração curta estão sub-representadas (o chamado viés de sobrevivência). Outra desvantagem é que se a prevalência da doença a ser avaliada for muito baixa, o número de pessoas a ser estudado precisará ser grande. A medida de ocorrência dos estudos transversais é a medida da prevalência, expressa da seguinte maneira: 136
Para obter-se uma melhor estimativa da medida da prevalência, utiliza-se a medida do intervalo de confiança de 95% (IC 95%). Ao estudar- -se uma amostra da população, e, não todos os habitantes, a medida da prevalência pode ter uma variação. No exemplo da bronquite crônica, essa prevalência pode variar de 13,9% a 17,1% dentro de uma margem de 95% de certeza (ver fórmula abaixo para o cálculo do IC 95%). IC 95% = P ± 1.96 A medida de efeito comumente usada em estudos transversais, é a razão de prevalências, ou seja, a expressão numérica da comparação do risco de adoecer entre um grupo exposto a um determinado fator de risco e um grupo não-exposto: Estudo de Coorte É um tipo de estudo em que um grupo de pessoas com alguma coisa em comum (nascimento, exposição a uma gente, trabalhadores de uma indústria etc.) é acompanhado ao longo de um período de tempo para observar-se a ocorrência de um desfecho. Por exemplo, uma coorte de nascimentos pode ser um grupo de pessoas que nasceram no mesmo ano, e, a partir daí são acompanhadas por um período para avaliar-se um desfecho como a mortalidade infantil, as hospitalizações no primeiro ano de vida, a duração da amamentação ou outro desfecho qualquer. Sendo a dimensão tempo a base do estudo de coorte, torna-se possível determinar a incidência de doenças. No início do acompanhamento do estudo de coorte, os participantes devem estar livres da doença ou do desfecho sob estudo, segundo os critérios empíricos usados para medir a doença. O princípio lógico do estudo de coorte é a identificação de pessoas sadias, a classificação das mesmas em expostas e não-expostas ao fator de risco e o acompanhamento destes dois grupos por um período de tempo suficientemente longo para que haja o aparecimento da doença. A análise do estudo será a comparação da incidência da doença em estudo entre os indivíduos expostos e entre os não-expostos. Esse tipo de coorte é a coorte prospectiva. A coorte histórica ou retrospectiva é quando a exposição é medida através de informações colhidas do passado e o desfecho é medido daquele momento em diante. Os estudos de coorte são excelentes para avaliar várias exposições e doenças ao mesmo tempo; estão indicados para doenças frequentes e doenças que levam à seleção dos mais saudáveis; por outro lado, sendo estudos caros e demorados, as perdas de acompanhamento podem distorcer o estudo, não servem para doenças raras e as associações podem ser afetadas por variáveis de confusão. A medida de efeito no estudo de coorte é a razão de taxa de incidência, comumente referida como risco relativo (RR). ORR pode ser interpretado como quantas vezes maior é o risco entre os expostos comparados aos não-expostos. Um risco relativo de 1,5 significa que o risco entre os expostos é 50% maior [(RR - 1) X 100%] do que entre os não-expostos. Quando se estudam fatores de proteção, o RR será menor do que um. Por exemplo, o estudo das hospitalizações por pneumonia até um ano de idade nas crianças da coorte, em Pelotas, mostrou um risco de 0,20 para as crianças da classe social mais elevada (burguesia, segundo a classificação de Bronfman, 1988), em relação às crianças de classes baixas, o que significa que houve uma redução da incidência de 80% nas hospitalizações por pneumonia nessas crianças [(1 - RR) x 100%]. Estudo de Casos e Controles O estudo de casos e controles parte do desfecho (do efeito ou da doença) para chegar à exposição. O grupo, tanto de casos quanto de controles, não precisa ser necessariamente representativo da população em geral. Os casos podem ser um subgrupo de pessoas, desde que atendam aos critérios de elegibilidade previamente estabelecidos pelo pesquisador. Por exemplo, o propósito do investigador pode ser o estudo de pacientes com asma grave que requeiram hospitalização. A população de origem dos casos, portanto, é a população de asmáticos, e desta mesma população devem originar-se os controles. Os controles devem representar a população de onde se originaram os casos, e não a população geral. Definição dos casos A definição dos casos ou eventos necessita de critérios objetivos; se o projeto pretende estudar câncer de pulmão, é preciso que os casos sejam confirmados através de laudos anatomopatológicos, e não casos possíveis ou prováveis. Outro cuidado nesse tipo de estudo, refere-se à duração da doença; se os casos estudados forem casos prevalentes, aqueles que sobrevivem por mais tempo estarão sobre-representados na amostra. Com casos incidentes, não ocorre esse problema. Uma alternativa, se quisermos incluir casos prevalentes, é estipular que somente poderão entrar no estudo casos que tenham sido diagnosticados há, no máximo, por exemplo, seis meses, e não casos diagnosticados há muito tempo. As fontes dos casos podem ser: 137
- Fontes de base populacional: aqui a chance de ocorrer viés de seleção é menor, pois teoricamente todos os casos podem ser incluídos no estudo. As fontes de base populacional podem ser através de: Registros de mortalidade; Registros de morbidade. Exemplo: registros de doenças infecciosas etc. - Fontes ligadas a serviços médicos: Hospitais - incluir todos os hospitais do local; Centros de saúde. Critérios de inclusão e exclusão. Os mesmos critérios de inclusão e exclusão para os casos devem ser aplicados aos controles. Por exemplo, para simplificar o estudo em termos logísticos, decide-se estudar casos de câncer de pulmão somente da zona urbana de uma localidade; os controles também deverão ser apenas da zona urbana. Definição dos controles. Um dos princípios básicos para a escolha dos controles é que a probabilidade de incluir um controle não pode estar associada com o fator de risco em estudo (a exposição), para não ocorrer viés de seleção. Por exemplo, um controle para um caso de câncer de pulmão não deve ser um paciente com câncer de bexiga, já que esse tipo de câncer está bastante ligado ao fumo (fator de exposição). Outro item a considerar é que o controle deve ser alguém, que, se desenvolver a doença, deve ser detectado pelo estudo e participar como caso. As fontes dos controles podem ser: - Controles hospitalares (ou de serviços de saúde): pessoas hospitalizadas nos mesmos hospitais dos casos, mas com outros diagnósticos. - Controles comunitários ou populacionais: as pessoas são selecionadas da mesma comunidade de onde se originaram os casos, de forma aleatória. Os estudos de caso-controle têm como vantagens o fato de que são estatisticamente eficientes, permitem testar hipóteses, podem ser rápidos e baratos, estudarem doenças raras e comuns e, se forem de base populacional, permitirem descrever a incidência e características da doença. A lógica do estudo de caso-controle estabelece que se o fator de risco causa a doença em estudo, o odds de exposição entre os casos será maior do que entre os controles. Odds é uma palavra inglesa que se refere a um quociente. A medida de ocorrência no estudo de caso-controle é a medida da prevalência da exposição {(a/a + c) > (b/b + d)}. Casos Controles Expostos a b Não-expostos c d Total a + c b + d A medida de efeito, no estudo de caso-controle, é a razão de odds (RO) ou razão de produtos cruzados, já que não se pode estimar riscos relativos em estudos de casos e controles; a razão de odds é a probabilidade de um evento dividido pela probabilidade da ausência deste evento. Nesse tipo de estudo, apenas as prevalências das exposições podem ser estimadas. A fórmula para o cálculo dessa medida de efeito é: A interpretação da razão de odds é a mesma do RR, ou seja, RO=1 equivale a um RR=1, RO>1 equivale a um RR>1 e RO<1 equivale a um RR<1. Cabe ressaltar que a RO superestima o RR quando este for maior que 1 e o subestima quando este for menor que 1. Quanto maior for a prevalência da doença entre os não-expostos e quanto maior o risco relativo, maior será a diferença entre a RO e a razão de prevalência ou o RR. Estudo Ecológico Nos estudos ecológicos, a unidade de observação é um grupo de pessoas, e não o indivíduo, como nos outros tipos de estudos até aqui comentados. Esses grupos podem ser turmas de alunos em escolas, fábricas, cidades, países etc. O princípio do estudo é o de que, nas populações onde a exposição é mais frequente, a incidência das doenças ou a mortalidade serão maiores. Incidência e mortalidade são as medidas mais usadas para quantificar a ocorrência de doenças nesse estudo. A análise de correlação mostrará a associação entre o fator de risco e a doença (isso não quer dizer relação de causa-efeito). Os estudos ecológicos são conhecidos como estudos de correlação. É frequente a utilização de dados secundários para os estudos ecológicos, pois seria muito dispendioso e demorado realizar uma pesquisa para obterem-se dados primários em grandes grupos. O estudo ecológico pode utilizar dados primários, quando, por exemplo, o propósito do estudo é averiguar difusão de doenças infecciosas. Fontes dos dados sobre doença - Registros de mortalidade. - Registros de morbidade. - Dados censitários sobre morbi-mortalidade e população. 138
Fontes dos dados sobre exposição - Censos demográficos. - Censos econômicos. - Dados de produção ou consumo. Medidas de Impacto Estas medidas servem para saber quanto de uma doença é ocasionada por um determinado fator de risco e quanto da mesma seria prevenível se o fator de risco fosse eliminado. Risco atribuível populacional (ou fração etiológica) - Calculado conforme a fórmula abaixo. Exemplo: um estudo de casos e controles sobre câncer de pulmão e fumo em Pelotas mostrou um risco atribuível populacional de 71% para fumo. O cálculo foi obtido com os seguintes dados oriundos do estudo: - Frequência do fumo na população estudada - 34%; - Odds ratio (ou risco relativo) para fumantes atuais - 8,0. Isso significa que 71% das mortes por câncer de pulmão foram decorrentes do fumo. No caso de uma exposição que previne a doença, usa-se a medida: EVOLUÇÃO DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA NO BRASIL. As atividades ligadas à vigilância sanitária foram estruturadas, nos séculos XVIII e XIX, para evitar a propagação de doenças nos agrupamentos urbanos que estavam surgindo. A execução desta atividade exclusiva do Estado, por meio da polícia sanitária, tinha como finalidade observar o exercício de certas atividades profissionais, coibir o charlatanismo, fiscalizar embarcações, cemitérios e áreas de comércio de alimentos. No final do século XIX houve uma reestruturação da vigilância sanitária impulsionada pelas descobertas nos campos da bacteriologia e terapêutico nos períodos que incluem a I e a II Grandes Guerras. Após a II Guerra Mundial, com o crescimento econômico, os movimentos de reorientação administrativa ampliaram as atribuições da vigilância sanitária no mesmo ritmo em que a base produtiva do País foi construída, bem como conferiram destaque ao planejamento centralizado e à participação intensiva da administração pública no esforço desenvolvimentista. A partir da década de oitenta, a crescente participação popular e de entidades representativas de diversos segmentos da sociedade no processo político moldaram a concepção vigente de vigilância sanitária, integrando, conforme preceito constitucional, o complexo de atividades concebidas para que o Estado cumpra o papel de guardião dos direitos do consumidor e provedor das condições de saúde da população. A história da Vigilância Sanitária brasileira é a história do País, a história do medo da doença e da morte, um relato de tragédias e heroísmos, de conquistas, desafios e perdas, uma espécie de certificado de resistência às atrocidades do poder, à ignorância dos governantes, ao descaso das autoridades sanitárias que no passado isolavam os doentes como método de cura. E tratavam a população com a habitual truculência da cegueira administrativa, em relação à saúde pública, empregando muitas vezes nas comunidades revoltadas a providencial profilaxia da violência e da brutalidade. Mas essa é uma memória que deveria permanecer guardada a sete chaves, se uma nação não fosse feita também da matéria dos traumas e do sonho de evolução e modernidade (Anvisa, 2006). Em registro numa narrativa de medo, de crenças e de horror, injustiças e vitórias, de renascimento de um povo a partir de medidas políticas e sanitárias inovadoras como as de Oswaldo Cruz, com o combate à febre amarela, e Carlos Chagas em sua dedicação no combate à peste bubônica. Sem dúvida uma memória recuperada e consagrada à saúde pública e a quem a realizou nos preceitos de Hipócrates e de Avicena. Além de tudo isso, conta com introdução do escritor membro da Academia Brasileira de Letras (e médico sanitarista) Moacyr Scliar (A orelha de Van Gogh), o que faz ressaltar sobremaneira o valor da obra. No final do século XIX houve uma reestruturação da vigilância sanitária impulsionada pelas descobertas nos campos da bacteriologia e terapêutico nos períodos que incluem a I e a II Grandes Guerras. Após a II Guerra Mundial, com o crescimento econômico, os movimentos de reorientação administrativa ampliaram as atribuições da vigilância sanitária no mesmo ritmo em que a base produtiva do País foi construída, bem como conferiram destaques ao planejamento centralizado e à participação intensiva da administração pública no esforço desenvolvimentista (De Paula, 1998). A partir da década de oitenta, a crescente participação popular e de entidades representativas de diversos segmentos da sociedade no processo político moldaram a concepção vigente de vigilância sanitária, integrando, conforme preceito constitucional, o complexo de atividades concebidas para que o Estado cumpra o papel de guardião dos direitos do consumidor e provedor das condições de saúde da população (De Paula, 1998). 139
O que é Vigilância Sanitária. Na Lei Orgânica da Saúde, 8.080 de 1990, artigo 6º parágrafo 1 (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005), aparece a nova definição proposta após a reforma sanitária que introduz o conceito de risco e minimiza o caráter burocrático e normativo anterior, a Vigilância Sanitária passa então, perante a lei, a atuar sobre fatores de risco assumindo o papel de promover, proteger, recuperar e reabilitar a saúde da população sendo definida como: Um conjunto de ações capazes de eliminar, diminuir, ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse a saúde, abrangendo: I o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo; e II - o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde. Segundo Costa (2001), as ações de Vigilância Sanitária constituem a mais antiga face da Saúde Pública e a tentativa de estabelecer controle sobre os elementos essenciais da vida, na perspectiva e ótica da melhoria da qualidade de vida. As ações normativas, de fiscalização e de controle da vigilância sanitária são exercidas de acordo com o poder de polícia, e, segundo Frazão, L., O poder de polícia, como atributo do Estado, tem função reguladora dos direitos individuais e coletivos para garantir, a estes, absoluta predominância sobre aqueles. Impõe-se dentro da lei sendo, portanto, o seu exercício limitado ao permissivo que o acompanha para balizar a ordem econômica e social (Anvisa, 2002). Poder de Polícia é intrínseco à natureza da vigilância sanitária e é necessário ao exercício do controle sanitário, para prevenir e impedir irregularidades. Entretanto, é importante ressaltar que as ações não estão reduzidas à aplicação do poder de polícia e de fiscalização e devem ser vistas dentro de uma perspectiva mais ampla e capaz de fomentar os processos de melhoria da qualidade de vida. A partir da 8ª. Conferência de Saúde, em 1986, com o surgimento das propostas de ações integradas de saúde, a vigilância sanitária começou a ser pensada dentro de prioridades e diretrizes voltadas para o planejamento, programação de ações e capacitação de recursos humanos nos vários níveis hierárquicos. Nesse processo ficou evidenciada a necessidade de promover a descentralização das ações como forma de, efetivamente, garantir uma melhor qualidade de vida aos cidadãos. O processo de mudança na forma de entender a vigilância sanitária começou a acontecer, principalmente, após a Lei Orgânica da Saúde, lei 8.080/90, que define o Sistema Único de Saúde. Atualmente, as ações desenvolvidas pela Vigilância Sanitária são de caráter educativo, normativo, preventivo, fiscalizador e de controle e, se necessário, punitivo. As ações de educação, informação e comunicação apresentam enfoque pedagógico e educacional. Estas são de fundamental importância social para a conscientização e priorização das ações de caráter preventivo, focadas na avaliação de riscos à saúde. A Vigilância Sanitária no contexto do SUS O Estado Brasileiro organizado sob a forma de Federação caracteriza-se por uma reunião indissolúvel de Estados e um poder central, denominado União. A repartição de competências entre a União, o Distrito Federal, os Estados-membros e os Municípios, ocorre de acordo com o estabelecido pela Constituição Federal de 1988, que define: A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. A Lei Orgânica da Saúde, Lei 8080/90, no seu artigo segundo, define Saúde como um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis para o seu exercício. Após o ordenamento jurídico das Leis 8.080/90 e 8.142/90, iniciou-se o processo de descentralização da atenção à saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde, SUS. Este ordenamento reivindica a descentralização das políticas sociais e de saúde visando à completa democratização e integração das instituições e à diminuição da distância entre centros decisórios e cidadãos. A respeito da Vigilância Sanitária, cada esfera de Governo tem uma competência e cabe aos municípios a execução de todas as ações, desde que assegurados nas leis federais e estaduais. Esse é o processo chamado de municipalização das ações de VISA, onde está previsto que o Estado e a União devem atuar em caráter complementar quando o risco epidemiológico, a necessidade profissional e a necessidade tecnológica assim exigirem. A perspectiva da descentralização / municipalização aparece, nesse contexto, como um instrumento adequado para o uso e a redistribuição mais eficiente dos escassos orçamentos públicos e para busca de maior eficiência e resolutividade dos serviços prestados. O princípio da descentralização nos diz que, quanto mais próximo do problema estiver a possível solução, mais rapidamente ele será combatido e eliminado. Considerando o caráter regional das ocorrências, entende-se que o município é quem melhor conhece seus problemas. Sendo assim, as tomadas de decisão e ações devem ser priorizadas no âmbito dos municípios, entendendo que a municipalização possibilita a construção e fortalecimento da vigilância com impacto direto na estruturação e operacionalização do SUS. VIGILÂNCIA SANITÁRIA; Vigilância Sanitária é a parcela do poder de polícia do Estado destinado à defesa da saúde, que tem como principal finalidade impedir que a saúde humana seja exposta a riscos ou, em última instância, combater as causas dos efeitos nocivos que lhe forem gerados, em razão de alguma distorção sanitária, na produção e na circulação de bens, ou na prestação de serviços de interesse à saúde. No Brasil, a definição legal de vigilância sanitária é consentida pela lei federal nº 8.080 de 19 de setembro de 1.990: Entende-se, por vigilância sanitária, um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo: o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo; e o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde. A vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras não é um dever exclusivo ao SUS podendo ser executada juntamente com a participação cooperativa da União. 140
As ações do campo da vigilância sanitária constituem a antiga face da saúde pública. As primeiras ações desse campo não foram instituídas com o modo de produção capitalista, tampouco sob o domínio da medicina; muito antigas, visitavam, desde a sua origem, exercer um controle sobre o exercício das práticas de cura, o meio ambiente e alguns produtos relacionados com doenças/saúde objetos de trocas comerciais. As origens da vigilância sanitária remontam a preocupação das organizações sociais com o nocivo, noção social e historicamente definida como fundamento para imposição de medidas de controle. Mesmo sem referência explícita ao direito à saúde, cuja construção emerge com a modernidade, os problemas decorrentes da vida em sociedade impõem às organizações sociais o desenvolvimento de atividades ligadas à saúde da população e o estabelecimento de regras para modelar comportamentos que podem resultar em riscos e danos à saúde da coletividade. O campo da saúde, em particular, tem sido historicamente objeto de normatização; normas sobre a saúde e sanções para os casos de descumprimento fora inseridas em antigos códigos. A ancestralidade dessas práticas, desenvolvidas pelas organizações sociais sob os mais diversos modos de produção da vida social e variadas concepções, consta dos relatos, como esforços no enfrentamento das doenças e mecanismo de controle social. A intensificação dessas práticas se dá com o avanço das forças produtivas e incremento da função regulatória por necessidades decorrentes de ampliação da produção de interesse da saúde, vindo a diferenciar-se em termos institucionais organizativos com o crescimento e a diversificação da produção e maior complexidade na divisão social do trabalho. As propostas de sistema de vigilância epidemiológica e de vigilância sanitária surgiram no Brasil em meados da década de 70, no bojo de intervenções na questão saúde e na legislação sanitária, como respostas do governo militar ao agravamento da questão social e às profundas contradições nas relações produção-consumo no setor farmacêutico. Os Projetos de Lei, elaborados separadamente em espaços distintos do ministério da saúde, seriam aprovados em leis que viriam a contribuir de forma terminante na conformação de noção equivocada da existência de duas vigilâncias. Conquanto fossem novas a denominação- exclusiva do país- e a espacialização institucional que adquiriu naquele momento o status de secretaria ministerial, em substituição ao antigo serviço nacional de fiscalização da medicina e farmácia, criado em 1941, e incorporando o serviço de saúde dos portos, criado em 1937, a vigilância sanitária não surgiu na década de 70. Esse órgão viria a desempenhar função estratégica na economia agroexportadora mantendo-se como estrutura específica até 1976, quando nova concepção organizacional de controle sanitário unificou, no mesmo espaço institucional, vários campos de riscos, recebendo ambos, ação e espaço, a denominação vigilância sanitária. As ações do campo da vigilância sanitária configuram a mais complexa forma de existência da saúde pública, cuja abrangência se estende atualmente com o alargamento do campo dos interesses difusos, cujo conceito gira em torno da noção de qualidade de vida; noção que é ontologicamente ligada ao homem, enquanto ser humano: alguém que, tendo nascido, passa a ser titular de certos interesses relacionados com sua existência digna. A vigilância sanitária conforma um campo singular de articulações complexas entre o domínio econômico, o jurídico e o médico-sanitário. As múltiplas conexões com o sistema produtivo e sua inserção no campo regulatório das relações produção-consumo de bens e serviços são aspectos que lhe conferem certa especificidade conceitual e técnico-operativa em relação a outras práticas sanitárias. A vigilância sanitária inscreve-se no campo do direito da saúde pública, que, é a parte do direito administrativo, pois sempre referido a atuações do estado sob orientação exaustiva da sociedade por meio do aparelho legislativo estatal; e mais ainda, configura campo de interseção de vários ramos do direito, entre os quais, o direito sanitário internacional, ramo do direito público internacional, o direito econômico, o direito ambiental, etc. Por um lado revela-se a natureza jurídica da vigilância sanitária como questão de administração pública, pela qual suas práticas devem pautar-se pelos princípios fundamentadores do direito administrativo. Por outro lado, como ação de saúde, suas práticas não se encerram nos limites da política administrativa- aspecto essencial e intransferível da função pública que lhe é inerente para disciplinar e restringir direitos e liberdades individuais em prol dos interesses públicos - mas insuficiente para abarcar as complexibilidades do seu campo, cuja reflexão abrange outros elementos. Embora a qualidade em saúde seja objeto de sua ação, a vigilância sanitária não pode ser confundida com a certificação de produtos obviamente inclui a dimensão sanitária sob pena de sua subsunção à lógica de mercado. Conquanto a dimensão agigantada da função fiscalizadora, por questões decorrentes do mercado, tampouco deve ser resumida ao dever-poder da função pública de fazer cumprir as normas estabelecidas. O poder, ressalta-se, é instrumento para o cumprimento do dever. O modelo institucional de vigilância sanitária desenvolvido no país, isolado das demais ações de saúde e pouco permeável aos movimentos sociais, vem mantendo-se calcado no poder de polícia, perceptível na ação fiscalizatória, mesmo insuficientemente exercida. Isto produziu um viés que se manifesta na redução da vigilância sanitária ao próprio poder de polícia, expressando-se na assimilação dessas práticas sanitárias limitadas à fiscalização e/ou à função normatizadora. Tal redução acaba traduzindo-se em certa rejeição a esse aspecto da função pública e em simplificação do longo processo histórico de construção do seu objeto, como também de desconhecimento de outros instrumentos, fundamentais à efetividade das ações. Objetivos e Funções da Vigilância Sanitária Riscos e danos à saúde relacionados com o consumo de produtos, tecnologias e serviços de interesse sanitário podem ser decorrentes de defeitos ou falhas de fabricação, falhas de diagnóstico, inadequação da prescrição etc., e de ilicitudes intencionais de fabricantes, comerciantes ou prestadores de serviços. Determinados produtos e serviços já cotem, por si mesmos, um certo grau de risco intrínseco ou certa periculosidade, que impõe a observância rigorosa de cuidados na produção, distribuição e uso e na deposição de seus resíduos no ambiente. Com a produção em grande escala e intensa circulação das mercadorias numa economia mundializada, os riscos a saúde decorrentes de produto defeituoso colocado no mercado podem afetar a saúde da população em dimensões que extrapolam as fronteiras de um país. 141
Mas os riscos e danos também podem resultar da insuficiente produção de conhecimentos ou de dificuldades de acesso ao saber já produzido, à medida que as ações de vigilância sanitária lidam diretamente com o conhecimento científico e o desenvolvimento tecnológico, que são fundamentais para o estabelecimento e a permanente atualização das normas, técnicas e jurídicas. O saber é uma das dimensões críticas da vigilância sanitária. Chamam a atenção para a distribuição desigual do conhecimento cientifico e desenvolvimento tecnológico entre as nações, daí que as mesmas limitações que o consumidor individualmente enfrenta para reconhecer a qualidade, eficácia e utilidade de um produto, enfrentam-nas correlativamente as organizações sociais públicas ou privadas. Dessa desigualdade entre os centros produtores de saberes e tecnologias e os centros consumidores, junto com práticas de aliciamento político pelos interesses comerciais, resultam fraudes em escala coletiva. As ações de vigilância sanitária abrangem várias categorias de objetos de cuidado, partilhando competências com órgãos e instituições de outros setores que também desenvolvem ações de controle sanitário. A vigilância sanitária um campo transdisciplinar, compondo-se de um conjunto de saberes de natureza multidisciplinar e práticas de interferência nas relações sociais produção consumo para prevenir diminuir ou eliminar riscos e danos á saúde relacionados com objetos historicamente definidos como de interesse da saúde. Tendo por objeto a proteção e defesa da saúde individual e coletiva, à vigilância sanitária cabe desenvolver ações dinamizando um conjunto de instrumentos, compondo políticas publicas para a qualidade de vida. Os modelos institucionais de organização da proteção da saúde são os mais variados entre os países, podendo-se descrever para o Brasil as seguintes funções de vigilância sanitária: - Normatização e controle de bens, da produção, armazenamento, guarda, circulação, transporte, comercialização e consumo de substancias e produtos de interesse da saúde, suas matérias-primas, coadjuvantes de tecnologias, processos e equipamentos. - Normatização e controle de tecnologias médicas, procedimentos e equipamentos e aspectos da pesquisa em saúde. - Normatização e controle de serviços direta ou indiretamente relacionados com a saúde, prestados pelo estado e modalidades do setor privado. - Normatização e controle específico de portos, aeroportos e fronteiras, contemplando veículos, cargas e pessoas. - Normatização e controle de aspectos do ambiente, e processos de trabalho, e saúde do trabalhador. A natureza dessas ações é eminentemente preventiva, perpassando todas as práticas médico-sanitárias, da produção a proteção, recuperação e reabilitação da saúde, devendo atuar sobre fatores de riscos e danos e seus determinantes associados a produtos, insumos e serviços relacionados com a saúde, com o ambiente e o ambiente do trabalho, com a circulação internacional de transportes, cargas e pessoas. A natureza dessas questões confere às ações do campo da vigilância sanitária um caráter universal de certos aspectos das práticas médico-sanitárias necessárias à reprodução e manutenção da vida, inserindo-a numa lógica normativa e ética internacional. A atuação nesse campo se dá com base em legislação específica, cujo cumprimento é assegurado pelo poder público. O exercício do poder público ou poder de policia concretiza-se na produção normativa e na fiscalização sanitária, obrigando os particulares a submeterem-se aos preceitos jurídico-administrativos limitantes das liberdades individuais, que são condicionadas aos interesses coletivos, sob imposições estabelecidas em lei, que também garantem os direitos e liberdades individuais. A instrumentalização legal no fazer da vigilância sanitária é essencial, pela natureza jurídico-politica de sua intervenção disciplinadora da vida em sociedade e pelos aspectos técnico-sanitários; as normas técnicas, congregando o direito e a norma, compõem códigos para assegurar os princípios de saúde pública, acompanhando a evolução do conhecimento científico e desenvolvimento tecnológico. LEI N 9.782/1999 E SUAS ALTERAÇÕES - DEFINE O SISTEMA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, CRIA A AGÊN- CIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. LEI Nº 9.782, DE 26 DE JANEIRO DE 1999. D.O.U. de 27.1.1999 Define o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, cria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e dá outras providências. Faço saber que o Presidente da República adotou a Medida Provisória nº 1.791, de 1998, que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Antonio Carlos Magalhães, Presidente, para os efeitos do disposto no parágrafo único do art. 62 da Constituição Federal, promulgo a seguinte Lei: CAPÍTULO I DO SISTEMA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA Art. 1º O Sistema Nacional de Vigilância Sanitária compreende o conjunto de ações definido pelo 1º do art. 6º e pelos arts. 15 a 18 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, executado por instituições da Administração Pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que exerçam atividades de regulação, normatização, controle e fiscalização na área de vigilância sanitária. Art. 2º Compete à União no âmbito do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária: I - definir a política nacional de vigilância sanitária; II - definir o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária; III - normatizar, controlar e fiscalizar produtos, substâncias e serviços de interesse para a saúde; IV - exercer a vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras, podendo essa atribuição ser supletivamente exercida pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios; V - acompanhar e coordenar as ações estaduais, distrital e municipais de vigilância sanitária; VI - prestar cooperação técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; 142
VII - atuar em circunstâncias especiais de risco à saúde; e VIII - manter sistema de informações em vigilância sanitária, em cooperação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. 1º A competência da União será exercida: I - pelo Ministério da Saúde, no que se refere à formulação, ao acompanhamento e à avaliação da política nacional de vigilância sanitária e das diretrizes gerais do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária; II - pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVS, em conformidade com as atribuições que lhe são conferidas por esta Lei; e III - pelos demais órgãos e entidades do Poder Executivo Federal, cujas áreas de atuação se relacionem com o sistema. 2º O Poder Executivo Federal definirá a alocação, entre os seus órgãos e entidades, das demais atribuições e atividades executadas pelo Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, não abrangidas por esta Lei. 3º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios fornecerão, mediante convênio, as informações solicitadas pela coordenação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. CAPÍTULO II DA CRIAÇÃO E DA COMPETÊNCIA DA AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA Art. 3º Fica criada a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, autarquia sob regime especial, vinculada ao Ministério da Saúde, com sede e foro no Distrito Federal, prazo de duração indeterminado e atuação em todo território nacional.(vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) Parágrafo único. A natureza de autarquia especial conferida à Agência é caracterizada pela independência administrativa, estabilidade de seus dirigentes e autonomia financeira. Art. 4º A Agência atuará como entidade administrativa independente, sendo-lhe assegurada, nos termos desta Lei, as prerrogativas necessárias ao exercício adequado de suas atribuições. Art. 5º Caberá ao Poder Executivo instalar a Agência, devendo o seu regulamento, aprovado por decreto do Presidente da República, fixar- -lhe a estrutura organizacional. Parágrafo único. A edição do regulamento marcará a instalação da Agência, investindo-a, automaticamente, no exercício de suas atribuições.(vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) Art. 6º A Agência terá por finalidade institucional promover a proteção da saúde da população, por intermédio do controle sanitário da produção e da comercialização de produtos e serviços submetidos à vigilância sanitária, inclusive dos ambientes, dos processos, dos insumos e das tecnologias a eles relacionados, bem como o controle de portos, aeroportos e de fronteiras. Art. 7º Compete à Agência proceder à implementação e à execução do disposto nos incisos II a VII do art. 2º desta Lei, devendo: I - coordenar o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária; II - fomentar e realizar estudos e pesquisas no âmbito de suas atribuições; III - estabelecer normas, propor, acompanhar e executar as políticas, as diretrizes e as ações de vigilância sanitária; IV - estabelecer normas e padrões sobre limites de contaminantes, resíduos tóxicos, desinfetantes, metais pesados e outros que envolvam risco à saúde; V - intervir, temporariamente, na administração de entidades produtoras, que sejam financiadas, subsidiadas ou mantidas com recursos públicos, assim como nos prestadores de serviços e ou produtores exclusivos ou estratégicos para o abastecimento do mercado nacional, obedecido o disposto no art. 5º da Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, com a redação que lhe foi dada pelo art. 2º da Lei nº 9.695, de 20 de agosto de 1998; VI - administrar e arrecadar a taxa de fiscalização de vigilância sanitária, instituída pelo art. 23 desta Lei; VII - autorizar o funcionamento de empresas de fabricação, distribuição e importação dos produtos mencionados no art. 6º desta Lei;(Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) VIII - anuir com a importação e exportação dos produtos mencionados no art. 8º desta Lei; IX - conceder registros de produtos, segundo as normas de sua área de atuação; X - conceder e cancelar o certificado de cumprimento de boas práticas de fabricação; XI - exigir, mediante regulamentação específica, a certificação de conformidade no âmbito do Sistema Brasileiro de Certificação - SBC, de produtos e serviços sob o regime de vigilância sanitária segundo sua classe de risco; (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) XII - exigir o credenciamento, no âmbito do SINMETRO, dos laboratórios de serviços de apoio diagnóstico e terapêutico e outros de interesse para o controle de riscos à saúde da população, bem como daqueles que impliquem a incorporação de novas tecnologias; (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) XIII - exigir o credenciamento dos laboratórios públicos de análise fiscal no âmbito do SINMETRO; (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) 143
XIV - interditar, como medida de vigilância sanitária, os locais de fabricação, controle, importação, armazenamento, distribuição e venda de produtos e de prestação de serviços relativos à saúde, em caso de violação da legislação pertinente ou de risco iminente à saúde; XV - proibir a fabricação, a importação, o armazenamento, a distribuição e a comercialização de produtos e insumos, em caso de violação da legislação pertinente ou de risco iminente à saúde; XVI - cancelar a autorização de funcionamento e a autorização especial de funcionamento de empresas, em caso de violação da legislação pertinente ou de risco iminente à saúde; XVII - coordenar as ações de vigilância sanitária realizadas por todos os laboratórios que compõem a rede oficial de laboratórios de controle de qualidade em saúde; XVIII - estabelecer, coordenar e monitorar os sistemas de vigilância toxicológica e farmacológica; XIX - promover a revisão e atualização periódica da farmacopéia; XX - manter sistema de informação contínuo e permanente para integrar suas atividades com as demais ações de saúde, com prioridade às ações de vigilância epidemiológica e assistência ambulatorial e hospitalar; XXI - monitorar e auditar os órgãos e entidades estaduais, distrital e municipais que integram o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, incluindo-se os laboratórios oficiais de controle de qualidade em saúde; XXII - coordenar e executar o controle da qualidade de bens e produtos relacionados no art. 8º desta Lei, por meio de análises previstas na legislação sanitária, ou de programas especiais de monitoramento da qualidade em saúde; XXIII - fomentar o desenvolvimento de recursos humanos para o sistema e a cooperação técnico-científica nacional e internacional; XXIV - autuar e aplicar as penalidades previstas em lei. XXV(Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) a) (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) b) (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) c) (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) d) (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) XXVI (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) XXVII (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) 1º A Agência poderá delegar aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a execução de atribuições que lhe são próprias, excetuadas as previstas nos incisos I, V, VIII, IX, XV, XVI, XVII, XVIII e XIX deste artigo. 2º A Agência poderá assessorar, complementar ou suplementar as ações estaduais, municipais e do Distrito Federal para o exercício do controle sanitário. 3º As atividades de vigilância epidemiológica e de controle de vetores relativas a portos, aeroportos e fronteiras, serão executadas pela Agência, sob orientação técnica e normativa do Ministério da Saúde. 4º (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) 5º (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) 6º (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) Art. 8º Incumbe à Agência, respeitada a legislação em vigor, regulamentar, controlar e fiscalizar os produtos e serviços que envolvam risco à saúde pública. 1º Consideram-se bens e produtos submetidos ao controle e fiscalização sanitária pela Agência: I - medicamentos de uso humano, suas substâncias ativas e demais insumos, processos e tecnologias; II - alimentos, inclusive bebidas, águas envasadas, seus insumos, suas embalagens, aditivos alimentares, limites de contaminantes orgânicos, resíduos de agrotóxicos e de medicamentos veterinários; III - cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes; IV - saneantes destinados à higienização, desinfecção ou desinfestação em ambientes domiciliares, hospitalares e coletivos; V - conjuntos, reagentes e insumos destinados a diagnóstico; VI - equipamentos e materiais médico-hospitalares, odontológicos e hemoterápicos e de diagnóstico laboratorial e por imagem; VII - imunobiológicos e suas substâncias ativas, sangue e hemoderivados; VIII - órgãos, tecidos humanos e veterinários para uso em transplantes ou reconstituições; IX - radioisótopos para uso diagnóstico in vivo e radiofármacos e produtos radioativos utilizados em diagnóstico e terapia; X - cigarros, cigarrilhas, charutos e qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco; XI - quaisquer produtos que envolvam a possibilidade de risco à saúde, obtidos por engenharia genética, por outro procedimento ou ainda submetidos a fontes de radiação. 2º Consideram-se serviços submetidos ao controle e fiscalização sanitária pela Agência, aqueles voltados para a atenção ambulatorial, seja de rotina ou de emergência, os realizados em regime de internação, os serviços de apoio diagnóstico e terapêutico, bem como aqueles que impliquem a incorporação de novas tecnologias. 3º Sem prejuízo do disposto nos 1º e 2º deste artigo, submetem-se ao regime de vigilância sanitária as instalações físicas, equipamentos, tecnologias, ambientes e procedimentos envolvidos em todas as fases dos processos de produção dos bens e produtos submetidos ao controle e fiscalização sanitária, incluindo a destinação dos respectivos resíduos. 4º A Agência poderá regulamentar outros produtos e serviços de interesse para o controle de riscos à saúde da população, alcançados pelo Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. 5º (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) 144
6º (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) 7º (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) 8º (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) CAPÍTULO III DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DA AUTARQUIA SEÇÃO I DA ESTRUTURA BÁSICA Art. 9º A Agência será dirigida por uma Diretoria Colegiada, devendo contar, também, com um Procurador, um Corregedor e um Ouvidor, além de unidades especializadas incumbidas de diferentes funções. Parágrafo único. A Agência contará, ainda, com um Conselho Consultivo, na forma disposta em regulamento.(vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) SEÇÃO II DA DIRETORIA COLEGIADA Art. 10. A gerência e a administração da Agência serão exercidas por uma Diretoria Colegiada, composta por até cinco membros, sendo um deles o seu Diretor-Presidente. Parágrafo único. Os Diretores serão brasileiros, indicados e nomeados pelo Presidente da República após aprovação prévia do Senado Federal nos termos do art. 52, III, f, da Constituição Federal, para cumprimento de mandato de três anos, admitida uma única recondução. Art. 11. O Diretor-Presidente da Agência será nomeado pelo Presidente da República, dentre os membros da Diretoria Colegiada, e investido na função por três anos, ou pelo prazo restante de seu mandato, admitida uma única recondução por três anos. Art. 12. A exoneração imotivada de Diretor da Agência somente poderá ser promovida nos quatro meses iniciais do mandato, findos os quais será assegurado seu pleno e integral exercício, salvo nos casos de prática de ato de improbidade administrativa, de condenação penal transitada em julgado e de descumprimento injustificado do contrato de gestão da autarquia. Art. 13. Aos dirigentes da Agência é vedado o exercício de qualquer outra atividade profissional, empresarial, sindical ou de direção político-partidária. 1º É vedado aos dirigentes, igualmente, ter interesse direto ou indireto, em empresa relacionada com a área de atuação da Vigilância Sanitária, prevista nesta Lei, conforme dispuser o regulamento. 2º A vedação de que trata o caput deste artigo não se aplica aos casos em que a atividade profissional decorra de vínculo contratual mantido com entidades públicas destinadas ao ensino e à pesquisa, inclusive com as de direito privado a elas vinculadas. 3º No caso de descumprimento da obrigação prevista no caput e no 1 o deste artigo, o infrator perderá o cargo, sem prejuízo de responder as ações cíveis e penais cabíveis. Art. 14. Até um ano após deixar o cargo, é vedado ao ex-dirigente representar qualquer pessoa ou interesse perante a Agência. Parágrafo único. Durante o prazo estabelecido no caput é vedado, ainda, ao ex-dirigente, utilizar em benefício próprio informações privilegiadas obtidas em decorrência do cargo exercido, sob pena de incorrer em ato de improbidade administrativa. Art. 15. Compete à Diretoria Colegiada:(Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) I - exercer a administração da Agência; II - propor ao Ministro de Estado da Saúde as políticas e diretrizes governamentais destinadas a permitir à Agência o cumprimento de seus objetivos; III - editar normas sobre matérias de competência da Agência; IV - aprovar o regimento interno e definir a área de atuação, a organização e a estrutura de cada Diretoria; V - cumprir e fazer cumprir as normas relativas à vigilância sanitária; VI - elaborar e divulgar relatórios periódicos sobre suas atividades; VII - julgar, em grau de recurso, as decisões da Diretoria, mediante provocação dos interessados; VIII - encaminhar os demonstrativos contábeis da Agência aos órgãos competentes. 1º A Diretoria reunir-se-á com a presença de, pelo menos, quatro diretores, dentre eles o Diretor-Presidente ou seu substituto legal, e deliberará com, no mínimo, três votos favoráveis. 2º Dos atos praticados pela Agência caberá recurso à Diretoria Colegiada, com efeito suspensivo, como última instância administrativa. Art. 16. Compete ao Diretor-Presidente: (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) I - representar a Agência em juízo ou fora dele; II - presidir as reuniões da Diretoria Colegiada; III - cumprir e fazer cumprir as decisões da Diretoria Colegiada; 145
IV - decidir ad referendum da Diretoria Colegiada as questões de urgência; V - decidir em caso de empate nas deliberações da Diretoria Colegiada; VI - nomear e exonerar servidores, provendo os cargos efetivos, em comissão e funções de confiança, e exercer o poder disciplinar, nos termos da legislação em vigor; VII - encaminhar ao Conselho Consultivo os relatórios periódicos elaborados pela Diretoria Colegiada; VIII - assinar contratos, convênios e ordenar despesas. XI (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) SEÇÃO III DOS CARGOS EM COMISSÃO E DAS FUNÇÕES COMISSIONADAS Art. 17. Ficam criados os Cargos em Comissão de Natureza Especial e do Grupo de Direção e Assessoramento Superiores - DAS, com a finalidade de integrar a estrutura da Agência, relacionados no Anexo I desta Lei. Parágrafo único. Os cargos em Comissão do Grupo de Direção e Assessoramento Superior serão exercidos, preferencialmente, por integrantes do quadro de pessoal da autarquia. CAPÍTULO IV DO CONTRATO DE GESTÃO Art. 19. A administração da Agência será regida por um contrato de gestão, negociado entre o seu Diretor-Presidente e o Ministro de Estado da Saúde, ouvido previamente os Ministros de Estado da Fazenda e do Orçamento e Gestão, no prazo máximo de noventa dias seguintes à nomeação do Diretor-Presidente da autarquia.(vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) Parágrafo único. O contrato de gestão é o instrumento de avaliação da atuação administrativa da autarquia e de seu desempenho, estabelecendo os parâmetros para a administração interna da autarquia bem como os indicadores que permitam quantificar, objetivamente, a sua avaliação periódica. Art. 20. O descumprimento injustificado do contrato de gestão implicará a exoneração do Diretor-Presidente, pelo Presidente da República, mediante solicitação do Ministro de Estado da Saúde. CAPÍTULO V DO PATRIMÔNIO E RECEITAS SEÇÃO I DAS RECEITAS DA AUTARQUIA Art. 21. Constituem patrimônio da Agência os bens e direitos de sua propriedade, os que lhe forem conferidos ou que venha adquirir ou incorporar. Art. 22. Constituem receita da Agência: I - o produto resultante da arrecadação da taxa de fiscalização de vigilância sanitária, na forma desta Lei; II - a retribuição por serviços de quaisquer natureza prestados a terceiros; III - o produto da arrecadação das receitas das multas resultantes das ações fiscalizadoras; IV - o produto da execução de sua dívida ativa; V - as dotações consignadas no Orçamento Geral da União, créditos especiais, créditos adicionais e transferências e repasses que lhe forem conferidos; VI - os recursos provenientes de convênios, acordos ou contratos celebrados com entidades e organismos nacionais e internacionais; VII - as doações, legados, subvenções e outros recursos que lhe forem destinados; VIII - os valores apurados na venda ou aluguel de bens móveis e imóveis de sua propriedade; e, IX - o produto da alienação de bens, objetos e instrumentos utilizados para a prática de infração, assim como do patrimônio dos infratores, apreendidos em decorrência do exercício do poder de polícia e incorporados ao patrimônio da Agência nos termos de decisão judicial. X (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) Parágrafo único. Os recursos previstos nos incisos I, II e VII deste artigo, serão recolhidos diretamente à Agência, na forma definida pelo Poder Executivo. Art. 23. Fica instituída a Taxa de Fiscalização de Vigilância Sanitária. 1º Constitui fato gerador da Taxa de Fiscalização de Vigilância Sanitária a prática dos atos de competência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária constantes do Anexo II. 2º São sujeitos passivos da taxa a que se refere o caput deste artigo as pessoas físicas e jurídicas que exercem atividades de fabricação, distribuição e venda de produtos e a prestação de serviços mencionados no art. 8ºdesta Lei. 146
3º A taxa será devida em conformidade com o respectivo fato gerador, valor e prazo a que refere a tabela que constitui o Anexo II desta Lei. 4º A taxa deverá ser recolhida nos prazos dispostos em regulamento próprio da Agência.(Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) 5º A arrecadação e a cobrança da taxa a que se refere este artigo poderá ser delegada aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, a critério da Agência, nos casos em que por eles estejam sendo realizadas ações de vigilância, respeitado o disposto no 1º do art. 7º desta Lei. 6º (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) 7º (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) 8º (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) Art. 24. A Taxa não recolhida nos prazos fixados em regulamento, na forma do artigo anterior, será cobrada com os seguintes acréscimos: I - juros de mora, na via administrativa ou judicial, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% ao mês, calculados na forma da legislação aplicável aos tributos federais; II - multa de mora de 20%, reduzida a 10% se o pagamento for efetuado até o último dia útil do mês subsequente ao do seu vencimento; III - encargos de 20%, substitutivo da condenação do devedor em honorários de advogado, calculado sobre o total do débito inscrito como Dívida Ativa, que será reduzido para 10%, se o pagamento for efetuado antes do ajuizamento da execução. 1º Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora. 2º Os débitos relativos à Taxa poderão ser parcelados, a juízo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, de acordo com os critérios fixados na legislação tributária. Art. 25. A Taxa de Fiscalização de Vigilância Sanitária será devida a partir de 1º de janeiro de 1999. Art. 26. A Taxa de Fiscalização de Vigilância Sanitária será recolhida em conta bancária vinculada à Agência. SEÇÃO II DA DÍVIDA ATIVA Art. 27. Os valores cuja cobrança seja atribuída por lei à Agência e apurados administrativamente, não recolhidos no prazo estipulado, serão inscritos em dívida ativa própria da Agência e servirão de título executivo para cobrança judicial, na forma da Lei. Art. 28. A execução fiscal da dívida ativa será promovida pela Procuradoria da Agência. CAPÍTULO VI DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS Art. 29. Na primeira gestão da Autarquia, visando implementar a transição para o sistema de mandatos não coincidentes: I - três diretores da Agência serão nomeados pelo Presidente da República, por indicação do Ministro de Estado da Saúde; II - dois diretores serão nomeados na forma do parágrafo único, do art. 10, desta Lei. Parágrafo único. Dos três diretores referidos no inciso I deste artigo, dois serão nomeados para mandato de quatro anos e um para dois anos. Art. 30. Constituída a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com a publicação de seu Regimento Interno, pela Diretoria Colegiada, estará extinta a Secretaria de Vigilância Sanitária.(Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) Art. 31. Fica o Poder Executivo autorizado a: I - transferir para a Agência o acervo técnico e patrimonial, obrigações, direitos e receitas do Ministério da Saúde e de seus órgãos, necessários ao desempenho de suas funções; II - remanejar, transferir ou utilizar os saldos orçamentários do Ministério da Saúde para atender as despesas de estruturação e manutenção da Agência, utilizando como recursos as dotações orçamentárias destinadas às atividades finalísticas e administrativas, observados os mesmos subprojetos, subatividades e grupos de despesas previstos na Lei Orçamentária em vigor. Art. 32. Fica transferido da Fundação Oswaldo Cruz, para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, bem como suas atribuições institucionais, acervo patrimonial e dotações orçamentárias.(vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) Parágrafo único. A Fundação Osvaldo Cruz dará todo o suporte necessário à manutenção das atividades do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, até a organização da Agência. Art. 33. A Agência poderá contratar especialistas para a execução de trabalhos nas áreas técnica, científica, econômica e jurídica, por projetos ou prazos limitados, observada a legislação em vigor. 147
Art. 35. É vedado à ANVS contratar pessoal com vínculo empregatício ou contratual junto a entidades sujeitas à ação da Vigilância Sanitária, bem como os respectivos proprietários ou responsáveis, ressalvada a participação em comissões de trabalho criadas com fim específico, duração determinada e não integrantes da sua estrutura organizacional. Art. 38. Em prazo não superior a cinco anos, o exercício da fiscalização de produtos, serviços, produtores, distribuidores e comerciantes, inseridos no Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, poderá ser realizado por servidor requisitado ou pertencente ao quadro da ANVS, mediante designação da Diretoria, conforme regulamento. Art. 39. Os ocupantes dos cargos efetivos de nível superior das carreiras de Pesquisa em Ciência e Tecnologia, de Desenvolvimento Tecnológico e de Gestão, Planejamento e Infra-Estrutura em Ciência e Tecnologia, criadas pela Lei nº 8.691, de 28 de julho de 1993, em exercício de atividades inerentes às respectivas atribuições na Agência, fazem jus à Gratificação de Desempenho de Atividade de Ciência e Tecnologia - GDCT, criada pela Lei nº 9.638, de 20 de maio de 1998. (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) 1º A gratificação referida no caput também será devida aos ocupantes dos cargos efetivos de nível intermediário da carreira de Desenvolvimento Tecnológico em exercício de atividades inerentes às suas atribuições na Agência.(Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) 2º A Gratificação de Desempenho de Atividade de Ciência e Tecnologia - GDCT, para os ocupantes dos cargos efetivos de nível intermediário da carreira de Gestão, Planejamento e Infra-Estrutura em Ciência e Tecnologia, criada pela Lei nº 9.647, de 26 de maio de 1998, será devida a esses servidores em exercício de atividades inerentes às atribuições dos respectivos cargos na Agência.(Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) 3º Para fins de percepção das gratificações referidas neste artigo serão observados os demais critérios e regras estabelecidos na legislação em vigor.(vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) 4º O disposto neste artigo aplica-se apenas aos servidores da Fundação Osvaldo Cruz lotados no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde em 31 de dezembro de 1998, e que venham a ser redistribuídos para a Agência.(Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) Art. 40. A Advocacia Geral da União e o Ministério da Saúde, por intermédio de sua Consultoria Jurídica, mediante comissão conjunta, promoverão, no prazo de cento e oitenta dias, levantamento das ações judiciais em curso, envolvendo matéria cuja competência tenha sido transferida à Agência, a qual substituirá a União nos respectivos processos. 1º A substituição a que se refere o caput, naqueles processos judiciais, será requerida mediante petição subscrita pela Advocacia-Geral da União, dirigida ao Juízo ou Tribunal competente, requerendo a intimação da Procuradoria da Agência para assumir o feito. 2º Enquanto não operada a substituição na forma do parágrafo anterior, a Advocacia-Geral da União permanecerá no feito, praticando todos os atos processuais necessários. Art. 41. O registro dos produtos de que trata a Lei nº 6.360, de 1976, e o Decreto-Lei nº 986, de 21 de outubro de 1969, poderá ser objeto de regulamentação pelo Ministério da Saúde e pela Agência visando a desburocratização e a agilidade nos procedimentos, desde que isto não implique riscos à saúde da população ou à condição de fiscalização das atividades de produção e circulação. Parágrafo único. A Agência poderá conceder autorização de funcionamento a empresas e registro a produtos que sejam aplicáveis apenas a plantas produtivas e a mercadorias destinadas a mercados externos, desde que não acarrete riscos à saúde pública.(vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) Art. 41-A (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) Art. 41-B (Vide Medida Provisória nº 2.190-34, de 23.8.2001) Art. 42. O art. 57 do Decreto-Lei nº 986, de 21 de Outubro de 1969, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 57. A importação de alimentos, de aditivos para alimentos e de substâncias destinadas a serem empregadas no fabrico de artigos, utensílios e equipamentos destinados a entrar em contato com alimentos, fica sujeita ao disposto neste Decreto-lei e em seus Regulamentos sendo a análise de controle efetuada por amostragem, a critério da autoridade sanitária, no momento de seu desembarque no país. (NR) Art. 43. A Agência poderá apreender bens, equipamentos, produtos e utensílios utilizados para a prática de crime contra a saúde pública, e a promover a respectiva alienação judicial, observado, no que couber, o disposto no art. 34 da Lei nº 6.368, de 21 de outubro de 1976, bem como requerer, em juízo, o bloqueio de contas bancárias de titularidade da empresa e de seus proprietários e dirigentes, responsáveis pela autoria daqueles delitos. Art. 44. Os arts. 20 e 21 da Lei nº 6.360, de 23 de setembro de 1976, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 20.... Parágrafo único. Não poderá ser registrado o medicamento que não tenha em sua composição substância reconhecidamente benéfica do ponto de vista clínico ou terapêutico. (NR) Art. 21. Fica assegurado o direito de registro de medicamentos similares a outros já registrados, desde que satisfaçam as exigências estabelecidas nesta Lei. (NR) 1º Os medicamentos similares a serem fabricados no País, consideram-se registrados após decorrido o prazo de cento e vinte dias, contado da apresentação do respectivo requerimento, se até então não tiver sido indeferido. 2º A contagem do prazo para registro será interrompida até a satisfação, pela empresa interessada, de exigência da autoridade sanitária, não podendo tal prazo exceder a cento e oitenta dias. 3º O registro, concedido nas condições dos parágrafos anteriores, perderá a sua validade, independentemente de notificação ou interpelação, se o produto não for comercializado no prazo de um ano após a data de sua concessão, prorrogável por mais seis meses, a critério da autoridade sanitária, mediante justificação escrita de iniciativa da empresa interessada. 148
4º O pedido de novo registro do produto poderá ser formulado dois anos após a verificação do fato que deu causa à perda da validade do anteriormente concedido, salvo se não for imputável à empresa interessada. 5º As disposições deste artigo aplicam-se aos produtos registrados e fabricados em Estado-Parte integrante do Mercado Comum do Sul - MERCOSUL, para efeito de sua comercialização no País, se corresponderem a similar nacional já registrado. Art. 45. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 46. Fica revogado o art. 58 do Decreto-Lei nº 986, de 21 de outubro de 1969. Congresso Nacional, em 26 de janeiro de 1999; 178º da Independência e 111º da República. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES PRESIDENTE ANEXO I (VIDE MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.190-34, DE 23.8.2001) QUADRO DEMONSTRATIVO DE CARGOS EM COMISSÃO E FUNÇÕES COMISSIONADAS DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA UNIDADE CARGOS/ FUNÇÕES Nº DENOMINAÇÃO CARGO/FUNÇÃO NE/ DAS/ FG DIRETORIA 5 Diretor NE 5 Assessor Especial 102.5 3 Auxiliar 102.1 GABINETE 1 Chefe de Gabinete 101.4 1 Procurador 101.5 1 Corregedor 101.4 1 Ouvidor 101.4 1 Auditor 101.4 17 Gerente-Geral 101.5 38 Gerente 101.4 QUADRO DEMONSTRATIVO DE FUNÇÕES COMISSIONADAS DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA DA AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA CÓDIGO/FCVS QTDE. VALOR FCVS-V 42 1.170,00 FCVS-IV 58 855,00 FCVS-III 47 515,00 FCVS-II 58 454,00 FCVS-I 69 402,00 TOTAL 274 177.005,00 149
ANEXO II (VIDE MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.190-34, DE 23.8.2001) TAXA DE FISCALIZAÇÃO DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA Fatos Geradores Valores em R$ Prazos para Renovação 1. Autorização de funcionamento de empresa, para cada tipo de atividade 1.1. Sobre a indústria de medicamentos 40.000 anual 1.2. Sobre equipamentos e correlatos 20.000 anual 1.3. Distribuidores de medicamentos, drogarias e farmácias 15.000 anual 1.3. Demais 10.000 anual 2. Alteração ou acréscimo na autorização (tipo de atividade, dados cadastrais, 6.600 indeterminado Fusão ou incorporação empresarial) 3. Substituição de representante legal, resp. técnico ou cancelamento de autorização Isento indeterminado 4. Certificação de boas práticas de fabricação e controle para cada estabelecimento ou unidade fabril, tipo de atividade e linha de produção/ comercialização 4.1. No País e Mercosul 4.1.1. Medicamentos 30.000 anual 4.1.2. Equipamentos e correlatos 12.000 anual 4.1.3. Demais 4.000 anual 4.2. Outros países 37.000 anual 150
5. Registro de 5.1. Cosméticos 3.700 três anos 5.2. Saneantes 11.700 três anos 5.3.1. Equipamentos, Aparelhos e Instrumentos 65.000 três anos 5.3.2. Outros (conj. de diagn. e bolsas de sangue) 16.300 três anos 5.4. Medicamentos 5.4.1. Novos 80.000 cinco anos 5.4.2. Similares 35.000 cinco anos 5.4.3. Genéricos 10.600 cinco anos 5.5. Alimentos e Bebidas 10.000 cinco anos 5.6. Tobaco e Similares 100.000 anual 6. Acréscimo ou Modificação no Registro 6.1. Apresentação 1.800 indeterminado 6.2. Concentração e Forma Farmacêutica 4.500 indeterminado 6.3. Texto de bula, formulário de uso e rotulagem 2.200 indeterminado 6.4. Prazo de validade ou cancelamento Isento indeterminado 6.5. Qualquer outro 8.100 indeterminado 151
7. Isenção de registro 2.200 indeterminado 8. Certidão, atestado, classificação toxicológica, extensão de uso, cota de comercialização por empresa de produto controlado demais atos declaratórios 10.000 indeterminado 9. Desarquivamento de processo e 2ª via de documento 2.200 indeterminado 10. Anuência na notificação de publicidade de produtos para veiculação máxima de 6 meses 8.800 indeterminado 11. Anuência em processo de importação ou exportação para pesquisa clínica 10.000 12. Anuência para isenção de imposto e em processo de importação ou exportação de produtos. sujeito a Vigilância Sanitária. Isento indeterminado 13. Anuência em processo de importação e exportação para fins de comercialização de produto sujeito a Vigilância Sanitária 14. Colheita e transporte de amostras para análise de controle de produtos importados. - dentro do município - outro município no mesmo Estado - outra Estado 100 indeterminado 150 300 600 Indeterminado 15. Vistoria para verificação de cumprimento de exigências sanitárias 500 indeterminado 16. Atividades de Controle Sanitário de Portos, Aeroportos e Fronteiras 16.1. Emissão de Certificado de Desratização e Isenção de Desratização de Embarcação 1000 Indeterminado 16.2. Emissão de Guia de Desembarque de Passageiros e Tripulantes de Embarcações Aeronaves e Veículos Terrestre de Trânsito internacional. 500 16.3. Emissão de Certificado de Livre Prática 600 Indeterminado 16.4. Emissão de Guia Traslado de Cadáver- em Embarcações Aeronaves e veículos terrestres em trânsito interestadual e internacional 150 indeterminado Os valores da tabela ficam reduzidos, exceto 16.1, 16.2, 16.3, 16.4, em: a) 30% no caso de empresas médias tal qual definido pela Lei 9531 de 10 de dezembro de 1997; b) 60% no caso das pequenas empresas tal qual definido na Lei 9317de 5 de dezembro de 1996; c) 90% no caso das micro empresas tal qual definido na Lei 9317 de 5 de dezembro de 1996. 152
Obs: No caso de empresas que estejam em processo de instalação, a cobrança se realizará por auto-declaração, a ser comprovada no ano subsequente, sem a qual o valor descontado passará a ser devido. TÉCNICAS DE MANUSEIO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NUM LABORATÓRIO. Equipamentos de laboratório Almofariz com Pistilo: Usado na trituração e pulverização de sólidos. Alonga: Serve para conectar o condensador ao frasco coletor nas destilações, direcionando o fluxo de líquido. Anel ou Argola: Usado como suporte do funil na filtração. Aparelhagem de Destilação: Montagem de aparelhos para uma destilação. É utilizado, um condensador reto, uma alonga, um balão volumétrico, um adaptador para destilação e uma manta aquecedora. Balança Digital: Para a medida de massa de sólidos e líquidos não voláteis com grande precisão. A balança analítica é um dos instrumentos de medida mais usados no laboratório e dela dependem basicamente todos os resultados analíticos. As balanças analíticas modernas, que podem cobrir faixas de precisão de leitura da ordem de 0,1 µg a 0,1 mg, já estão bastante aperfeiçoadas a ponto de dispensarem o uso de salas especiais para a pesagem. Mesmo assim, o simples emprego de circuitos eletrônicos não elimina as interações do sistema com o ambiente. Destes, os efeitos físicos são os mais importantes, pois não podem ser suprimidos. As informações contidas neste texto visam indicar os pontos mais importantes a serem considerados nas operações de pesagem. Localização da Balança A precisão e a confiabilidade das pesagens estão diretamente relacionadas com a localização da balança analítica. Os principais itens a serem considerados para o seu correto posicionamento são: Características da sala de pesagem - Ter apenas uma entrada. - Ter o mínimo de janelas possível, para evitar a luz direta do sol e correntes de ar. - Ser pouco susceptível a choques e vibrações. As condições da bancada Ficar firmemente apoiada no solo ou fixada na parede, de modo a transmitir o mínimo de vibrações possível. - Ser rígida, não podendo ceder ou vergar durante a operação de pesagem. Pode-se usar uma bancada de laboratório bem estável ou uma bancada de pedra. - Ficar localizada nas posições mais rígidas da construção, geralmente nos cantos da sala. - Ser antimagnética (não usar metais ou aço) e protegida das cargas eletrostáticas (não usar plásticos ou vidros). As condições ambientais - Manter a temperatura da sala constante. - Manter a umidade entre 45% e 60% (deve ser monitorada sempre que possível). - Não permitir a incidência de luz solar direta. - Não pesar próximo a irradiadores de calor. - Colocar as luminárias distantes da bancada, para evitar distúrbios devido à radiação térmica. O uso de lâmpadas fluorescentes é menos crítico. - Evitar pesar perto de equipamentos que usam ventiladores (ex.: ar condicionado, computadores, etc.) ou perto da porta. 153
Cuidados operacionais Cuidados básicos - Verificar sempre o nivelamento da balança. - Deixar sempre a balança conectada à tomada e ligada para manter o equilíbrio térmico dos circuitos eletrônicos. - Deixar sempre a balança no modo stand by, evitando a necessidade de novo tempo de aquecimento (warm up). O frasco de pesagem - Usar sempre o menor frasco de pesagem possível. - Não usar frascos plásticos, quando a umidade estiver abaixo de 30-40%. - A temperatura do frasco de pesagem e seu conteúdo devem estar à mesma temperatura que a do ambiente da câmara de pesagem. - Nunca tocar os frascos diretamente com os dedos ao colocá-los ou retirá-los da câmara de pesagem. O prato de pesagem - Colocar o frasco de pesagem sempre no centro do prato de pesagem. - Remover o frasco de pesagem do prato de pesagem tão logo termine a operação de pesagem. A leitura - Verificar se o mostrador indica exatamente zero ao iniciar a operação. Tare a balança, se for preciso. - Ler o resultado da operação tão logo o detector automático de estabilidade desapareça do mostrador. Calibração Calibrar a balança regularmente, principalmente se ela estiver sendo operada pela primeira vez, se tiver sido mudada de local, após qualquer nivelamento e após grandes variações de temperatura ou de pressão atmosférica. Manutenção - Manter sempre a câmara de pesagem e o prato de pesagem limpos. - Usar somente frascos de pesagem limpos e secos. Influências Físicas sobre as Pesagens Quando o mostrador da balança ficar instável seja por variação contínua da leitura para mais ou para menos ou simplesmente se a leitura estiver errada ATENÇÃO: Você estará observando influências físicas indesejáveis sobre a operação. As mais comuns são: Temperatura - Efeito Observado: O mostrador varia constantemente em uma direção. - Motivo: A existência de uma diferença de temperatura entre a amostra e o ambiente da câmara de pesagem provoca correntes de ar. Estas correntes de ar geram forças sobre o prato de pesagem fazendo a amostra parecer mais leve (chamada flutuação dinâmica). Este efeito só desaparece quando o equilíbrio térmico for estabelecido. Além disso, o filme de umidade que cobre qualquer amostra, e que varia com a temperatura, é encoberto pela flutuação dinâmica. Isto faz com que um objeto frio pareça mais pesado ou um objeto mais quente mais leve. - Medidas corretivas: - Nunca pesar amostras retiradas diretamente de estufas, muflas, ou refrigeradores. - Deixar sempre a amostra atingir a temperatura do laboratório ou da câmara de pesagem. - Procurar sempre manusear os frascos de pesagens ou as amostras com pinças. Se não for possível, usar uma tira de papel. - Não tocar a câmara de pesagem com as mãos. - Usar frascos de pesagem com a menor área possível. Variação de massa - Efeito Observado: O mostrador indica leituras que aumentam ou diminuem, continua e lentamente. - Motivo: Ganho de massa devido a uma amostra higroscópica (ganho de umidade atmosférica) ou perda de massa por evaporação de água ou de substâncias voláteis. 154
Medidas corretivas: - Usar frascos de pesagem limpos e secos e manter o prato de pesagem sempre livre de poeira, contaminantes ou gotas de líquidos. - Usar frascos de pesagem com gargalo estreito. - Usar tampas ou rolhas nos frascos de pesagem. Eletrostática - Efeito Observado: O mostrador da balança fica instável e indica massas diferentes a cada pesagem da mesma amostra. A reprodutibilidade dos resultados fica comprometida. - Motivo: O seu frasco de pesagem está carregado eletrostaticamente. Estas cargas formam-se por fricção ou durante o transporte dos materiais, especialmente os pós e grânulos. Se o ar estiver seco (umidade relativa menor que 40%) estas cargas eletrostáticas ficam retidas ou são dispersadas lentamente. Os erros de pesagem acontecem por forças de atração eletrostáticas que atuam entre a amostra e o ambiente. Se a amostra e o ambiente estiverem sob o efeito de cargas elétricas de mesmo sinal [+ ou -] ocorrem repulsões, enquanto que sob o efeito de cargas opostas [+ e -], observam-se atrações. - Medidas corretivas: - Aumentar a umidade atmosférica com o uso de um umidificador ou por ajustes apropriados no sistema de ar condicionado (umidade relativa ideal: 45-60%). - Descarregar as forças eletrostáticas, colocando o frasco de pesagem em um recipiente de metal, antes da pesagem. - Conectar a balança a um terra eficiente. Magnetismo - Efeito Observado: Baixa reprodutibilidade. O resultado da pesagem de uma amostra metálica depende da sua posição sobre o prato da balança. - Motivo: Se o material for magnético (ex.: ferro, aço, níquel, etc.) pode estar ocorrendo atração mútua com o prato da balança, criando forças que levam a uma medida errônea. - Medidas corretivas: - Se possível, desmagnetize as amostras ferromagnéticas. - Como as forças magnéticas diminuem com a distância, separar a amostra do prato usando um suporte não-magnético (ex.: um béquer invertido ou um suporte de alumínio). - Usar o gancho superior do prato da balança, se existir. Gravitação - Efeito Observado: As pesagens variam de acordo com a latitude. Quanto mais próximo do equador maior a força centrífuga devido à rotação da Terra, que se contrapõe à força gravitacional. Desta forma, a força atuando sobre uma massa é maior nos pólos que no equador. As pesagens dependem também da altitude em relação ao nível do mar (mais exatamente, em relação ao centro da Terra). Quanto mais alto, menor a atração gravitacional, que decresce com o quadrado da distância. - Medidas corretivas: - Pesagens diferenciais ou comparativas ou de precisão, efetuadas em diferentes latitudes ou altitudes (ex.: no térreo e em outros andares de mesmo prédio) devem ser corrigidas. Balão de Fundo Chato: Utilizado como recipiente para conter líquidos ou soluções, ou mesmo fazer reações com desprendimento de gases. Pode ser aquecido sobre o TRIPÉ com TELA DE AMIANTO. Balão de Fundo Redondo: Utilizado principalmente em sistemas de refluxo e evaporação a vácuo, acoplado a ROTAEVAPORADOR. Balão Volumétrico: Possui volume definido e é utilizado para o preparo de soluções em laboratório. 155
Béquer: É de uso geral em laboratório. Serve para fazer reações entre soluções, dissolver substâncias sólidas, efetuar reações de precipitação e aquecer líquidos. Pode ser aquecido sobre a TELA DE AMIANTO. Bico de Bunsen: É a fonte de aquecimento mais utilizada em laboratório. Mas contemporaneamente tem sido substituído pelas MANTAS E CHAPAS DE AQUECIMENTO. O bico de Bunsen é um dispositivo usado em química para efetuar aquecimento de soluções em laboratório. O bico de Bunsen foi aperfeiçoado por Robert Wilhelm Bunsen, a partir de um dispositivo desenhado por Michael Faraday. Em biologia, especialmente em microbiologia e biologia molecular, é usado para manutenção de condições estéreis quando da manipulação de microorganismos, DNA, etc. O bico de Bunsen queima em segurança um fluxo contínuo de gás sem haver o risco da chama se propagar pelo tubo até o depósito de gás que o alimenta. Normalmente o bico de Bunsen queima gás natural, ou alternativamente um GPL, tal como propano ou butano, ou uma mistura de ambos. (O gás natural é basicamente metano com uma reduzida quantidade de propano e butano). Diz-se que a área estéril do bico de bunsen seja de 10 cm. Quando a janela do Bico de Bunsen está fechada sua chama é igual à de uma vela, pois apenas queima o oxigênio que esta em volta e sua chama fica mais fraca. Os bicos de Bunsen estão sendo substituídos hoje em dia por outros sistemas de aquecimento usando energia elétrica. Sistemas elétricos são mais seguros, pois não produzem chamas, eliminando assim o risco de reações não controladas. Também são mais eficientes que os bicos de Bunsen pois conseguem atingir temperaturas muito mais altas, e em uma área muito mais abrangente do que a chama atingiria. Os bicos de Bunsen ainda são muito usados em laboratórios devido à velocidade com que conseguem atingir altas temperaturas e também para esterilização de materiais. Bureta: Aparelho utilizado em análises volumétricas. Uma bureta é um instrumento de medição e transferência rigorosa de volumes líquidos. Cadinho: Peça, geralmente de porcelana, cuja utilidade é aquecer substâncias a seco e com grande intensidade, por isto pode ser levado diretamente ao BICO DE BUNSEN. Cápsula de Porcelana: Peça de porcelana usada para evaporar líquidos das soluções. Chapa Elétrica e Agitador: É utilizada para o aquecimento de substâncias de uma forma em geral, principalmente as substâncias inflamáveis. Esta é a forma mais comum e segura de aquecimento em um laboratório de química, atualmente. Ela também pode ser utilizada para o agitamento de soluções, aquecidas ou não. Condensador: Utilizado na destilação, tem como finalidade condensar vapores gerados pelo aquecimento de líquidos. Dessecador: Usado para guardar substâncias em atmosfera com baixo índice de umidade. Um dessecador é um recipiente fechado que contém um agente de secagem chamado dessecante. A tampa é engraxada (com graxa de silicone) para que feche de forma hermética. É utilizado para guardar substancias em ambientes com baixo teor de umidade. O agente dessecante mais utilizado é a sílica, que deve estar na coloração azul (seca). Quando a sílica fica na coloração avermelhada, significa que já está saturada de água, impossibilitando que a mesma absorva a água do interior do dessecador. Como auxílio ao processo de secagem de substâncias, é comum o acoplamento de uma bomba de vácuo para reduzir a pressão no interior do dessecador, quando o mesmo apresenta uma válvula para esta finalidade na tampa. Após o vácuo desejado, a válvula é fechada e a bomba de vácuo desacoplada. Seu uso mais comum se dá nas etapas de padronização de soluções, onde um sal de uma determinada substância é aquecido em estufa e posteriormente posto para esfriar sob pressão reduzida no interior do dessecador. O resfriamento a pressão reduzida e no interior do dessecador impede a absorção de água pelo sal enquanto sua temperatura se iguala à ambiente, para que seja posteriormente pesado. Erlenmeyer: Utilizado em titulações, aquecimento de líquidos e para dissolver substâncias e proceder reações entre soluções. Estante para Tubo de Ensaio: É usada para suporte de os TUBOS DE ENSAIO. Funil de Büchner: Utilizado em filtrações a vácuo. Pode ser usado com a função de FILTRO em conjunto com o KITASSATO. Funil de Haste Longa: Usado na filtração e para retenção de partículas sólidas. Não deve ser aquecido. Funil de Separação: Utilizado na separação de líquidos não miscíveis e na extração líquido/líquido. Garra de Condensador: Usada para prender o condensador à haste do suporte ou outras peças como balões, erlenmeyers etc. Kitassato: Utilizado em conjunto com o FUNIL DE BUCHNER em FILTRAÇÕES a vácuo. 156
Manta Aquecedora: Equipamento usado juntamente com um balão de fundo redondo; é uma fonte de calor que pode ser regulada quanto à temperatura. Pinça de Madeira: Usada para prender o TUBO DE ENSAIO durante o aquecimento. Pinça Metálica: Usada para manipular objetos aquecidos. Pipeta: Há dois tipos clássicos de pipetas: - pipetas graduadas: possuem uma escala para medir volumes variáveis; - pipetas volumétricas: possuem apenas um traço final, para indicar o volume fixo e final indicado por ela, sendo estas mais rigorosas que as graduadas. Para utilizar uma destas pipetas é também necessário uma própipeta ou pompete, um pipet-aid ou um macro-filler. Estes podem ser colocados na ponta superior da pipeta, produzindo um abaixamento da pressão de seu interior e provocando a aspiração do líquido de tal forma a preencher a pipeta no volume desejado. Um outro tipo de pipetas, usado especialmente em laboratórios de biologia, bioquímica ou quando há a necessidade de se transferir volumes muito reduzidos, é a micropipeta (imagem acima). Esta permite medir pequenos volumes, da ordem de microlitros, porém, com precisão e exatidão geralmente inferiores às obtidas pelas pipetas graduadas e volumétricas de maior volume. Este tipo de pipeta utiliza pontas (no Brasil chamadas de ponteiras) descartáveis, feitas de polipropileno. O líquido aspirado por elas não entra ou não deve entrar no corpo principal da micropipeta, sob risco de adulterá-la e descalibrá-la. Para biologia molecular, são utilizadas pontas com um filtro de polipropileno para não haver uma contaminação da micropipeta. A micropipeta pode ser digital e eletrônica. A maioria das micropipetas são monocanais mas também existem micropipetas multicanais (8 e 12 canais). A micropipeta mais precisa do mundo é uma pipeta que mede zeptolitros e foi inventada pelo Brookhaven National Laboratory. Pisseta ou Frasco Lavador: Usada para lavagens de materiais ou recipientes através de jatos de água, álcool ou outros solventes. Proveta ou Cilindro Graduado: Serve para medir e transferir volumes de líquidos. Não pode ser aquecida. Suporte Universal: Utilizado em operações como: Filtração, Suporte para Condensador, Bureta, Sistemas de Destilação etc. Serve também para sustentar peças em geral. Tela de Amianto: Suporte para as peças a serem aquecidas. A função do amianto é distribuir uniformemente o calor recebido pelo BICO DE BUNSEN. Tubo de Ensaio: Empregado para fazer reações em pequena escala, principalmente em testes de reação em geral. Pode ser aquecido com movimentos circulares e com cuidado diretamente sob a chama do BICO DE BÜNSEN. Tripé: Sustentáculo para efetuar aquecimentos de soluções em vidrarias diversas de laboratório. É utilizado em conjunto com a TELA DE AMIANTO. Vidro de Relógio: Peça de Vidro de forma côncava é usada em análises e evaporações. Não pode ser aquecida diretamente. VIDRARIA LABORATORIAL O químico é um profissional que investiga a composição das substâncias, as suas propriedades, suas transformações, os efeitos dessas transformações em novas substâncias e o desenvolvimento de modelos que possam explicar esses fenômenos. Além disso, ele atua no desenvolvimento de processos de análise, síntese de substâncias e materiais, bem como na separação de misturas. Mas para realizar esse trabalho de modo eficaz, os cientistas dependem cada vez mais da construção de aparelhos e equipamentos que tenham a maior precisão possível. Entre esses equipamentos, os mais usados pelos químicos são as vidrarias, que recebem esse nome exatamente porque são feitas de vidro temperado, dessa forma aguentam temperaturas muito elevadas. Cada vidraria é usada com uma finalidade específica. Já os mais estreitos, como as pipetas e os balões volumétricos, identificam facilmente a variação de pequenas gotas no volume do recipiente, sendo, portanto, mais precisos. Veja as vidrarias mais usadas nos laboratórios de Química e suas aplicações: Tubo de ensaio: Esse é um dos mais usados em laboratório, pois serve para testar reações em pequena escala, com poucos reagentes; 157
Béquer: Também é um dos mais usados em laboratório, servindo para diversas finalidades, tais como preparar soluções dissolvendo substâncias sólidas no solvente, aquecer líquidos ou soluções, realizar reações e misturas. Em algumas situações, ele é usado para se estimar o volume de líquido ou soluções, mas visto que ele é um recipiente mais largo, ele será impreciso na medida; Erlenmeyer: Usado principalmente para preparar e guardar soluções, e em titulações, onde fica o titulado, isto é, a solução que queremos descobrir a concentração, com algum indicador ácido-base adicionado. Todas as funções exercidas pelo béquer também podem ser realizadas com o erlenmeyer, porém, essa última vidraria tem a vantagem de seu formato ser mais afunilado, o que permite agitação manual sem que haja risco de perda do material; Balão volumétrico: Utilizado para preparar volumes de soluções. Por ser mais estreito, o volume medido por ele é mais preciso; Balão de fundo chato: Para preparar soluções, aquecê-las e realizar reações em que gases se desprendem; Balão de fundo redondo: Tem os mesmos usos que o anterior, porém, pode ser aquecido de uma forma mais abrangente e é apropriado aos processos de destilação, em sistemas de refluxo e evaporação a vácuo; Proveta: É um cilindro graduado usado para medir e transferir líquidos e soluções por escoamento. Não possui muita precisão; Pipeta graduada: Todas as pipetas são usadas para medir e transferir volumes de líquidos ou soluções, em que se coloca o líquido por um orifício na extremidade inferior através da sucção. Para realizar essa sucção, geralmente, usa-se uma pera de borracha. Sua precisão é muito boa; Pipeta volumétrica: Mesma aplicação da anterior, porém, o volume que é medido e transferido é fixo; Bureta: Mede volumes de líquidos e soluções que são colocados pela abertura na parte superior. Eles são transferidos por escoamento, na parte inferior. Seu principal benefício é possuir uma torneira que permite escoar com precisão a quantidade desejada, até mesmo gota a gota. Visto que ela possui graduações em toda a sua extensão, é possível realizar a leitura de volume escoado. A bureta é muito usada em titulações, onde fica o titulante; Vareta de vidro (ou bastão de vidro): Usada para agitar ou misturar soluções; MEDIDAS DE PESO E VOLUME. Sistema de Medidas Decimais Um sistema de medidas é um conjunto de unidades de medida que mantém algumas relações entre si. O sistema métrico decimal é hoje o mais conhecido e usado no mundo todo. Na tabela seguinte, listamos as unidades de medida de comprimento do sistema métrico. A unidade fundamental é o metro, porque dele derivam as demais. Unidades de Comprimento km hm dam m dm cm mm quilômetro hectômetro decâmetro metro decímetro centímetro milímetro 1000m 100m 10m 1m 0,1m 0,01m 0,001m Há, de fato, unidades quase sem uso prático, mas elas têm uma função. Servem para que o sistema tenha um padrão: cada unidade vale sempre 10 vezes a unidade menor seguinte. Por isso, o sistema é chamado decimal. E há mais um detalhe: embora o decímetro não seja útil na prática, o decímetro cúbico é muito usado com o nome popular de litro. As unidades de área do sistema métrico correspondem às unidades de comprimento da tabela anterior. São elas: quilômetro quadrado (km 2 ), hectômetro quadrado (hm 2 ), etc. As mais usadas, na prática, são o quilômetro quadrado, o metro quadrado e o hectômetro quadrado, este muito importante nas atividades rurais com o nome de hectare (ha): 1 hm 2 = 1 ha. No caso das unidades de área, o padrão muda: uma unidade é 100 vezes a menor seguinte e não 10 vezes, como nos comprimentos. Entretanto, consideramos que o sistema continua decimal, porque 100 = 10 2. 158
Unidades de Área km 2 hm 2 dam 2 m 2 dm 2 cm 2 mm 2 quilômetro quadrado hectômetro quadrado decâmetro quadrado metro quadrado decímetro quadrado centímetro quadrado milímetro quadrado 1000000m 2 10000m 2 100m 2 1m 2 0,01m 2 0,0001m 2 0,000001m 2 Agora, vejamos as unidades de volume. De novo, temos a lista: quilômetro cúbico (km 3 ), hectômetro cúbico (hm 3 ), etc. Na prática, são muitos usados o metro cúbico e o centímetro cúbico. Nas unidades de volume, há um novo padrão: cada unidade vale 1000 vezes a unidade menor seguinte. Como 1000 = 10 3, o sistema continua sendo decimal. Unidades de Volume km 3 hm 3 dam 3 m 3 dm 3 cm 3 mm 3 quilômetro cúbico hectômetro cúbico decâmetro cúbico metro cúbico decímetro cúbico centímetro cúbico milímetro cúbico 1000000000m 3 1000000m 3 1000m 3 1m 3 0,001m 3 0,000001m 3 0,000000001m 3 A noção de capacidade relaciona-se com a de volume. Se o volume da água que enche um tanque é de 7 000 litros, dizemos que essa é a capacidade do tanque. A unidade fundamental para medir capacidade é o litro (l); 1l equivale a 1 dm 3. Cada unidade vale 10 vezes a unidade menor seguinte. Unidades de Capacidade kl hl dal l dl cl ml quilolitro hectolitro decalitro litro decilitro centímetro mililitro 1000l 100l 10l 1l 0,1l 0,01l 0,001l O sistema métrico decimal inclui ainda unidades de medidas de massa. A unidade fundamental é o grama. Unidades de Massa kg hg dag g dg cg mg quilograma hectograma decagrama grama decigrama centigrama miligrama 1000g 100g 10g 1g 0,1g 0,01g 0,001g Dessas unidades, só têm uso prático o quilograma, o grama e o miligrama. No dia a dia, usa-se ainda a tonelada (t): 1t = 1000 kg. LEI FEDERAL Nº 8.027, DE 12 DE ABRIL DE 1990, E DECRETO FEDERAL Nº 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994 - CÓDIGO DE ÉTICA DOS SERVIDORES PÚBLICOS. LEI Nº 8.027, DE 12 DE ABRIL DE 1990. Conversão da Medida Provisória nº 159/90 Dispõe sobre normas de conduta dos servidores públicos civis da União, das Autarquias e das Fundações Públicas, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Art. 1º Para os efeitos desta lei, servidor público é a pessoa legalmente investida em cargo ou em emprego público na administração direta, nas autarquias ou nas fundações públicas. 159
O artigo 1º traz o conceito de funcionários públicos para os fins desta lei. Art. 2º São deveres dos servidores públicos civis: Tomam-se como base os ensinamentos de Lima 1 a respeito destes deveres, aliados a comentários pessoais: I - exercer com zelo e dedicação as atribuições legais e regulamentares inerentes ao cargo ou função; Zelo quer dizer cuidado, cautela, para que as atividades sempre sejam desempenhadas do melhor modo. Eficácia remete ao dever de fazer com que suas atividades atinjam o fim para o qual foram praticadas, isto é, que não sejam abandonadas pela metade. II - ser leal às instituições a que servir; Significa desempenhar suas funções com transparência, de forma honesta e responsável, sendo leal à instituição. Lealdade não significa acobertar ilegalidades. O funcionário deve se portar de forma digna, exteriorizando virtudes em suas ações. III - observar as normas legais e regulamentares; O Direito é uma das facetas mais relevantes da Ética porque exterioriza o valor do justo e o seu cumprimento é essencial para que a gestão ética seja efetiva. IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais; Dentro do serviço público há uma hierarquia, que deve ser obedecida para a boa execução das atividades. Seria uma desordem se todos mandassem e se cada qual decidisse que função iria desempenhar. Por isso, cabe o respeito ao que o superior determina, executando as funções da melhor forma possível. V - atender com presteza: a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas pelo sigilo; b) à expedição de certidões requeridas para a defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal; Este dever foi insculpido na lei para que o servidor público trabalhe diuturnamente no sentido de desfazer a imagem desagradável que o mesmo possui perante a sociedade. Exige-se que atue com presteza no atendimento a informações solicitadas pela Fazenda Pública. Esta engloba o fisco federal, estadual, municipal e distrital. O servidor público tem que ser expedito, diligente, laborioso. Não há mais lugar para o burocrata que se afasta do administrado, dificultando a vida de quem necessita de atendimento rápido e escorreito. Entretanto, há um longo caminho a ser percorrido até que se atinja um mínimo ideal de atendimento e de funcionamento dos órgãos públicos, o que deve necessariamente passar por critérios de valorização dos servidores bons e de treinamento e qualificação permanente dos quadros de pessoal. VI - zelar pela economia do material e pela conservação do patrimônio público; Esse deve é basilar. Se o agente não zelar pela economia e pela conservação dos bens públicos presta um desserviço à nação que lhe remunera. E como se verá adiante poderá ser causa inclusive de demissão, se não cumprir o presente dever, quando por descumprimento dele a gravidade do fato implicar a infração a normas mais graves. VII - guardar sigilo sobre assuntos da repartição, desde que envolvam questões relativas à segurança pública e da sociedade; O agente público deve guardar sigilo sobre o que se passa na repartição, principalmente quanto aos assuntos oficiais. Pela Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, hoje está regulamentado o acesso às informações. Porém, o servidor deve ter cuidado, pois até mesmo o fornecimento ou divulgação das informações exigem um procedimento. Maior cuidado há que se ter, quando a informação possa expor a intimidade da pessoa humana. As informações pessoais dos administrados em geral devem ser tratadas forma transparente e com respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas, bem como às liberdades e garantias individuais, segundo o artigo 31, da Lei nº 21.527, 2011. A exceção para o sigilo existe, pois, não devemos tratar a questão em termos de cláusula jurídica de caráter absoluto, podendo ter autorizada a divulgação ou o acesso por terceiros quando haja previsão legal. Outra exceção é quando há o consentimento expresso da pessoa a que elas se referirem. No caso de cumprimento de ordem judicial, para a defesa de direitos humanos, e quando a proteção do interesse público e geral preponderante o exigir, também devem ser fornecidas as informações. Portanto, o servidor há que ter reserva no seu comportamento e fala, esquivando-se de revelar o conteúdo do que se passa no seu trabalho. Se o assunto pululante é uma irregularidade absurda, deve então reduzir a escrito e representar para que se apure o caso. Deveriam diminuir as conversas de corredor e se efetivar a apuração dos fatos através do processo administrativo disciplinar. Os assuntos objeto do serviço merecem reserva. Devem ficar circunscritos aos servidores designados para o respectivo trabalho interno, não devendo sair da seção ou setor de trabalho, sem o trâmite hierárquico do chefe imediato. Se o assunto ou o trabalho, enfim, merecer divulgação mais ampla, deve ser contatado o órgão de assessoria de comunicação social, que saberá proceder de forma oficial, obedecendo ao bom senso e às leis vigentes. VIII - manter conduta compatível com a moralidade pública; O ato administrativo não se satisfaz somente com o ser legal. Para ser válido o ato administrativo tem que ser compatível com a moralidade administrativa. O agente deve se comportar em seus atos de maneira proba, escorreita, séria, não atuando com intenções escusas e desvirtuadas. Seu poder-dever não pode ser utilizado, por exemplo, para satisfação de interesses menores, como realizar a prática de determinado ato para beneficiar uma amante ou um parente. Se o agente viola o dever de agir com comportamento incompatível com a moralidade administrativa, poderá estar sujeito a sanção disciplinar. Seu ato ímprobo ou imoral configura o chamado desvio de poder, que é totalmente abominável no Direito Administrativo e poderá ser anulado interna corporis ou judicialmente através da ação popular, ação de ressarcimento ao erário e ação civil pública se o ato violar direito coletivo ou transindividual. 1 LIMA, Fábio Lucas de Albuquerque. O regime disciplinar dos servidores federais. Disponível em: <http://www.sato.adm.br/ artigos/o_regime_disciplinar_dos_servidores_federais.htm>. Acesso em: 11 ago. 2013. 160
IX - ser assíduo e pontual ao serviço; Dois conceitos diferentes, porém parecidos. Ser assíduo significa ser presente dentro do horário do expediente. O oposto do assíduo é o ausente, o faltoso. Pontual é aquele servidor que não atrasa seus compromissos. É o que comparece no horário para as reuniões de trabalho e demais atividades relacionadas com o exercício do cargo que ocupa. Embora sejam conceitos diferentes, aqui o dever violado, seja por impontualidade, seja por inassiduidade (que ainda não aquela inassiduidade habitual de 60 dias ensejadora de demissão), merece reprimenda de advertência, com fins educativos e de correção do servidor. X - tratar com urbanidade os demais servidores públicos e o público em geral; No mundo moderno, e máxime em nossa civilização ocidental, o trato tem que ser o mais urbano possível. Urbano, nessa acepção, não quer dizer citadino ou oriundo da urbe (cidade), mas, sim, educado, civilizado, cordato e que não possa criar embaraços aos usuários dos serviços públicos. XI - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder. Parágrafo único. A representação de que trata o inciso XI deste artigo será obrigatoriamente apreciada pela autoridade superior àquela contra a qual é formulada, assegurando-se ao representado ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Caso o funcionário público denuncie outro servidor, esta representação será encaminhada a alguém que seja superior hierarquicamente ao denunciado, que terá direito à ampla defesa. O servidor tem obrigação legal de dar conhecimento às autoridades de qualquer irregularidade de que tiver ciência em razão do cargo, principalmente no processo em que está atuando ou quando o fato aconteceu sob as suas vistas. Não é concebível que o servidor se defronte com uma irregularidade administrativa e fique inerte. Deve provocar quem de direito para que a irregularidade seja sanada de imediato. Caso haja indiferença no seu círculo de atuação, i.e., no seu setor ou seção, deverá representar aos órgãos superiores. Assim é que o dever de informar acerca de irregularidades anda de braço dado com o dever de representar. Não surtindo efeito a notícia da irregularidade, não corrigida esta, sobrevém o dever de representar. O dever de representação não deixa de ser uma prerrogativa legal, investindo o servidor de um múnus público importante, constituindo o servidor em um curador legal do ente público. O mais humilde servidor passa a ser um agente promotor de legalidade. É claro o inciso XII do art. 116 quando diz que é dever do servidor representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder. De modo que também a omissão pode ensejar a representação. A omissão do agente que ilegalmente não pratica ato a que se acha vinculado pode até configurar o ilícito penal de prevaricação. O dever de representação deve ser privilegiado, mas deve ser usado com o devido equilíbrio, não podendo servir a finalidades egoísticas, político-partidárias, induzido por inimizades de cunho pessoal, o que de pronto trespassará o representante de autor a réu por prática de abuso de poder ou denunciação caluniosa. Art. 3º São faltas administrativas, puníveis com a pena de advertência por escrito: I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do superior imediato; Violação do dever de assiduidade. II - recusar fé a documentos públicos; É dever do servidor público conferir fé aos documentos públicos, revestindo-lhes da autoridade e confiança que seu cargo possui. Violação do dever de transparência. III - delegar a pessoa estranha à repartição, exceto nos casos previstos em lei, atribuição que seja de sua competência e responsabilidade ou de seus subordinados. Art. 4º São faltas administrativas, puníveis com a pena de suspensão por até 90 (noventa) dias, cumulada, se couber, com a destituição do cargo em comissão: I - retirar, sem prévia autorização, por escrito, da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da repartição; II - opor resistência ao andamento de documento, processo ou à execução de serviço; III - atuar como procurador ou intermediário junto a repartições públicas; IV - aceitar comissão, emprego ou pensão de Estado estrangeiro, sem licença do Presidente da República; V - atribuir a outro servidor público funções ou atividades estranhas às do cargo, emprego ou função que ocupa, exceto em situação de emergência e transitoriedade; VI - manter sob a sua chefia imediata cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil; VII - praticar comércio de compra e venda de bens ou serviços no recinto da repartição, ainda que fora do horário normal de expediente. Parágrafo único. Quando houver conveniência para o serviço, a penalidade de suspensão poderá ser convertida em multa, na base de cinquenta por cento da remuneração do servidor, ficando este obrigado a permanecer em serviço. Art. 5º São faltas administrativas, puníveis com a pena de demissão, a bem do serviço público: I - valer-se, ou permitir dolosamente que terceiros tirem proveito de informação, prestígio ou influência, obtidos em função do cargo, para lograr, direta ou indiretamente, proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública; II - exercer comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como acionista, cotista ou comanditário; III - participar da gerência ou da administração de empresa privada e, nessa condição, transacionar com o Estado; 161
IV - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares; V - exercer quaisquer atividades incompatíveis com o cargo ou a função pública, ou, ainda, com horário de trabalho; VI - abandonar o cargo, caracterizando-se o abandono pela ausência injustificada do servidor público ao serviço, por mais de trinta dias consecutivos; VII - apresentar inassiduidade habitual, assim entendida a falta ao serviço, por vinte dias, interpoladamente, sem causa justificada no período de seis meses; VIII - aceitar ou prometer aceitar propinas ou presentes, de qualquer tipo ou valor, bem como empréstimos pessoais ou vantagem de qualquer espécie em razão de suas atribuições. Parágrafo único. A penalidade de demissão também será aplicada nos seguintes casos: I - improbidade administrativa; II - insubordinação grave em serviço; III - ofensa física, em serviço, a servidor público ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou de outrem; IV - procedimento desidioso, assim entendido a falta ao dever de diligência no cumprimento de suas atribuições; V - revelação de segredo de que teve conhecimento em função do cargo ou emprego. Art. 6º Constitui infração grave, passível de aplicação da pena de demissão, a acumulação remunerada de cargos, empregos e funções públicas, vedada pela Constituição Federal, estendendo-se às autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e fundações mantidas pelo Poder Público. Art. 7º Os servidores públicos civis são obrigados a declarar, no ato de investidura e sob as penas da lei, quais os cargos públicos, empregos e funções que exercem, abrangidos ou não pela vedação constitucional, devendo fazer prova de exoneração ou demissão, na data da investidura, na hipótese de acumulação constitucionalmente vedada. 1º Todos os atuais servidores públicos civis deverão apresentar ao respectivo órgão de pessoal, no prazo estabelecido pelo Poder Executivo, a declaração a que se refere o caput deste artigo. 2º Caberá ao órgão de pessoal fazer a verificação da incidência ou não da acumulação vedada pela Constituição Federal. 3º Verificada, a qualquer tempo, a incidência da acumulação vedada, assim como a não apresentação, pelo servidor, no prazo a que se refere o 1º deste artigo, da respectiva declaração de acumulação de que trata o caput, a autoridade competente promoverá a imediata instauração do processo administrativo para a apuração da infração disciplinar, nos termos desta lei, sob pena de destituição do cargo em comissão ou função de confiança, da autoridade e do chefe de pessoal. Art. 8º Pelo exercício irregular de suas atribuições o servidor público civil responde civil, penal e administrativamente, podendo as cominações civis, penais e disciplinares cumular-se, sendo umas e outras independentes entre si, bem assim as instâncias civil, penal e administrativa. 1º Na aplicação das penas disciplinares definidas nesta lei, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração e os danos que dela provierem para o serviço público, podendo cumular-se, se couber, com as cominações previstas no 4º do art. 37 da Constituição. Segundo Carvalho Filho 2, a responsabilidade se origina de uma conduta ilícita ou da ocorrência de determinada situação fática prevista em lei e se caracteriza pela natureza do campo jurídico em que se consuma. Desse modo, a responsabilidade pode ser civil, penal e administrativa. Cada responsabilidade é, em princípio, independente da outra. É possível que o mesmo fato gere responsabilidade civil, penal e administrativa, mas também é possível que este gere apenas uma ou outra espécie de responsabilidade. Daí o fato das responsabilidades serem independentes: o mesmo fato pode gerar a aplicação de qualquer uma delas, cumulada ou isoladamente. O instituto da responsabilidade civil é parte integrante do direito obrigacional, uma vez que a principal consequência da prática de um ato ilícito é a obrigação que gera para o seu auto de reparar o dano, mediante o pagamento de indenização que se refere às perdas e danos. Afinal, quem pratica um ato ou incorre em omissão que gere dano deve suportar as consequências jurídicas decorrentes, restaurando-se o equilíbrio social. 3 A responsabilidade civil, assim, difere-se da penal, podendo recair sobre os herdeiros do autor do ilícito até os limites da herança, embora existam reflexos na ação que apure a responsabilidade civil conforme o resultado na esfera penal (por exemplo, uma absolvição por negativa de autoria impede a condenação na esfera cível, ao passo que uma absolvição por falta de provas não o faz). Genericamente, os elementos da responsabilidade civil se encontram no art. 186 do Código Civil: aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Este é o artigo central do instituto da responsabilidade civil, que tem como elementos: ação ou omissão voluntária (agir como não se deve ou deixar de agir como se deve), culpa ou dolo do agente (dolo é a vontade de cometer uma violação de direito e culpa é a falta de diligência), nexo causal (relação de causa e efeito entre a ação/omissão e o dano causado) e dano (dano é o prejuízo sofrido pelo agente, que pode ser individual ou coletivo, moral ou material, econômico e não econômico). Prevê o artigo 37, 6 da Constituição Federal: As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. 2 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010. 3 GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. 162
Este artigo deixa clara a formação de uma relação jurídica autônoma entre o Estado e o agente público que causou o dano no desempenho de suas funções. Nesta relação, a responsabilidade civil será subjetiva, ou seja, caberá ao Estado provar a culpa do agente pelo dano causado, ao qual foi anteriormente condenado a reparar. Direito de regresso é justamente o direito de acionar o causador direto do dano para obter de volta aquilo que pagou à vítima, considerada a existência de uma relação obrigacional que se forma entre a vítima e a instituição que o agente compõe. Assim, o Estado responde pelos danos que seu agente causar aos membros da sociedade, mas se este agente agiu com dolo ou culpa deverá ressarcir o Estado do que foi pago à vítima. O agente causará danos ao praticar condutas incompatíveis com o comportamento ético dele esperado. 4 A responsabilidade civil do servidor exige prévio processo administrativo disciplinar no qual seja assegurado contraditório e ampla defesa. Trata-se de responsabilidade civil subjetiva ou com culpa. Havendo ação ou omissão com culpa do servidor que gere dano ao erário (Administração) ou a terceiro (administrado), o servidor terá o dever de indenizar. A responsabilidade penal do servidor decorre de uma conduta que a lei penal tipifique como infração penal, ou seja, como crime ou contravenção penal. O servidor poderá ser responsabilizado apenas penalmente, uma vez que somente caberá responsabilização civil se o ato tiver causado prejuízo ao erário (elemento dano). Os crimes contra a Administração Pública se encontram nos artigos 312 a 326 do Código Penal, mas existem outros crimes espalhados pela legislação específica. Quando o servidor pratica um ilícito administrativo, a ele é atribuída responsabilidade administrativa. O ilícito pode verificar-se por conduta comissiva ou omissiva e os fatos que o configuram são os previstos na legislação estatutária. Por exemplo, as sanções aplicadas pela Comissão de Ética por violação ao Decreto n 1.171/94 são administrativas. Se as responsabilidades se cumularem, também as sanções serão cumuladas. Daí afirmar-se que tais responsabilidades são independentes, ou seja, não dependem uma da outra. Determinadas decisões na esfera penal geram exclusão da responsabilidade nas esferas civil e administrativa, quais sejam: absolvição por inexistência do fato ou negativa de autoria. A absolvição criminal por falta de provas não gera exclusão da responsabilidade civil e administrativa. A absolvição proferida na ação penal, em regra, nada prejudica a pretensão de reparação civil do dano ex delicto, conforme artigos 65, 66 e 386, IV do CPP: art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito (excludentes de antijuridicidade); art. 66. não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato ; art. 386, IV estar provado que o réu não concorreu para a infração penal. Entendem Fuller, Junqueira e Machado 5 : a absolvição dubitativa (motivada por juízo de dúvida), ou seja, por falta de provas, (art. 386, II, V e VII, na nova redação conferida ao CPP), não empresta qualquer certeza ao âmbito da jurisdição civil, restando intocada a possibilidade de, na ação civil de conhecimento, ser provada e reconhecida a existência do direito ao ressarcimento, de acordo com o grau de cognição e convicção próprios da seara civil (na esfera penal, a decisão de condenação somente pode ser lastreada em juízo de certeza, tendo em vista o princípio constitucional do estado de inocência). 2º A competência para a imposição das penas disciplinares será determinada em ato do Poder Executivo. 3º Os atos de advertência, suspensão e demissão mencionarão sempre a causa da penalidade. 4º A penalidade de advertência converte-se automaticamente em suspensão, por trinta dias, no caso de reincidência. 5º A aplicação da penalidade de suspensão acarreta o cancelamento automático do valor da remuneração do servidor, durante o período de vigência da suspensão. 6º A demissão ou a destituição de cargo em comissão incompatibiliza o ex-servidor para nova investidura em cargo público federal, pelo prazo de cinco anos. 7º Ainda que haja transcorrido o prazo a que se refere o parágrafo anterior, a nova investidura do servidor demitido ou destituído do cargo em comissão, por atos de que tenham resultado prejuízos ao erário, somente se dará após o ressarcimento dos prejuízos em valor atualizado até a data do pagamento. 8º O processo administrativo disciplinar para a apuração das infrações e para a aplicação das penalidades reguladas por esta lei permanece regido pelas normas legais e regulamentares em vigor, assegurado o direito à ampla defesa. 9º Prescrevem: I - em dois anos, a falta sujeita às penas de advertência e suspensão; II - em cinco anos, a falta sujeita à pena de demissão ou à pena de cassação de aposentadoria ou disponibilidade. 10. A falta, também prevista na lei penal, como crime, prescreverá juntamente com este. Art. 9º Será cassada a aposentadoria ou a disponibilidade do inativo que houver praticado, na ativa, falta punível com demissão, após apurada a infração em processo administrativo disciplinar, com direito à ampla defesa. 4 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. ed. São Paulo: Método, 2011. 5 FULLER, Paulo Henrique Aranda; JUNQUEIRA, Gustavo Octaviano Diniz; MACHADO, Angela C. Cangiano. Processo Penal. 9. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2010. (Coleção Elementos do Direito) 163
Parágrafo único. Será igualmente cassada a disponibilidade do servidor que não assumir no prazo legal o exercício do cargo ou emprego em que for aproveitado. Art. 10. Essa lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 11. Revogam-se as disposições em contrário. Brasília, 12 de abril de 1990; 169º da Independência e 102º da República. DECRETO Nº 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994 Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, e ainda tendo em vista o disposto no art. 37 da Constituição, bem como nos arts. 116 e 117 da Lei n 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e nos arts. 10, 11 e 12 da Lei n 8.429, de 2 de junho de 1992, DECRETA: Art. 1 Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, que com este baixa. Art. 2 Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta implementarão, em sessenta dias, as providências necessárias à plena vigência do Código de Ética, inclusive mediante a Constituição da respectiva Comissão de Ética, integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente. Parágrafo único. A constituição da Comissão de Ética será comunicada à Secretaria da Administração Federal da Presidência da República, com a indicação dos respectivos membros titulares e suplentes. Art. 3 Este decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 22 de junho de 1994, 173 da Independência e 106 da República. ITAMAR FRANCO Romildo Canhim Este texto não substitui o publicado no DOU de 23.6.1994. ANEXO Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal CAPÍTULO I Seção I Das Regras Deontológicas I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos. II - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput, e 4, da Constituição Federal. III - A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal, devendo ser acrescida da ideia de que o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo. IV- A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou indiretamente por todos, até por ele próprio, e por isso se exige, como contrapartida, que a moralidade administrativa se integre no Direito, como elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade, erigindo-se, como consequência, em fator de legalidade. V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão, integrante da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser considerado como seu maior patrimônio. VI - A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional. VII - Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior do Estado e da Administração Pública, a serem preservados em processo previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade, ensejando sua omissão comprometimento ético contra o bem comum, imputável a quem a negar. VIII - Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la, ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou da mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação. IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando-o, por descuido ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado, mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas esperanças e seus esforços para construí-los. 164
X - Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que compete ao setor em que exerça suas funções, permitindo a formação de longas filas, ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço, não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade, mas principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos. XI - 0 servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus superiores, velando atentamente por seu cumprimento, e, assim, evitando a conduta negligente. Os repetidos erros, o descaso e o acúmulo de desvios tornam-se, às vezes, difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo imprudência no desempenho da função pública. XII - Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de desmoralização do serviço público, o que quase sempre conduz à desordem nas relações humanas. XIII - 0 servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional, respeitando seus colegas e cada concidadão, colabora e de todos pode receber colaboração, pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da Nação. Seção II Dos Principais Deveres do Servidor Público XIV - São deveres fundamentais do servidor público: a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego público de que seja titular; b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento, pondo fim ou procurando prioritariamente resolver situações procrastinatórias, principalmente diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na prestação dos serviços pelo setor em que exerça suas atribuições, com o fim de evitar dano moral ao usuário; c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu caráter, escolhendo sempre, quando estiver diante de duas opções, a melhor e a mais vantajosa para o bem comum; d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição essencial da gestão dos bens, direitos e serviços da coletividade a seu cargo; e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços aperfeiçoando o processo de comunicação e contato com o público; f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que se materializam na adequada prestação dos serviços públicos; g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a capacidade e as limitações individuais de todos os usuários do serviço público, sem qualquer espécie de preconceito ou distinção de raça, sexo, nacionalidade, cor, idade, religião, cunho político e posição social, abstendo-se, dessa forma, de causar-lhes dano moral; h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar contra qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal; i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes, interessados e outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais, ilegais ou aéticas e denunciá-las; j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas da defesa da vida e da segurança coletiva; l) ser assíduo e freqüente ao serviço, na certeza de que sua ausência provoca danos ao trabalho ordenado, refletindo negativamente em todo o sistema; m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato contrário ao interesse público, exigindo as providências cabíveis; n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, seguindo os métodos mais adequados à sua organização e distribuição; o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do exercício de suas funções, tendo por escopo a realização do bem comum; p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função; q) manter-se atualizado com as instruções, as normas de serviço e a legislação pertinentes ao órgão onde exerce suas funções; r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores, as tarefas de seu cargo ou função, tanto quanto possível, com critério, segurança e rapidez, mantendo tudo sempre em boa ordem. s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito; t) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe sejam atribuídas, abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos usuários do serviço público e dos jurisdicionados administrativos; u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, poder ou autoridade com finalidade estranha ao interesse público, mesmo que observando as formalidades legais e não cometendo qualquer violação expressa à lei; v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência deste Código de Ética, estimulando o seu integral cumprimento. Seção III Das Vedações ao Servidor Público XV - E vedado ao servidor público; a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e influências, para obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem; b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de cidadãos que deles dependam; c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro ou infração a este Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão; 165
d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de direito por qualquer pessoa, causando-lhe dano moral ou material; e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu conhecimento para atendimento do seu mister; f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores; g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira, gratificação, prêmio, comissão, doação ou vantagem de qualquer espécie, para si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua missão ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim; h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para providências; i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em serviços públicos; j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular; l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente autorizado, qualquer documento, livro ou bem pertencente ao patrimônio público; m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros; n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente; o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, a honestidade ou a dignidade da pessoa humana; p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendimentos de cunho duvidoso. CAPÍTULO II DAS COMISSÕES DE ÉTICA XVI - Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, indireta autárquica e fundacional, ou em qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições delegadas pelo poder público, deverá ser criada uma Comissão de Ética, encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética profissional do servidor, no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público, competindo-lhe conhecer concretamente de imputação ou de procedimento susceptível de censura. XVII - (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007) XVIII - À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos organismos encarregados da execução do quadro de carreira dos servidores, os registros sobre sua conduta ética, para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para todos os demais procedimentos próprios da carreira do servidor público. XIX - (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007) XX - (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007) XXI - (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007) XXII - A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de censura e sua fundamentação constará do respectivo parecer, assinado por todos os seus integrantes, com ciência do faltoso. XXIII - (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007) XXIV - Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se por servidor público todo aquele que, por força de lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, preste serviços de natureza permanente, temporária ou excepcional, ainda que sem retribuição financeira, desde que ligado direta ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal, como as autarquias, as fundações públicas, as entidades paraestatais, as empresas públicas e as sociedades de economia mista, ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse do Estado. XXV - (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007) QUESTÕES 01. (ASPERH - 2010 - Professor auxiliar ética profissional) Referente a principio constitucional da moralidade administrativa e administração publica é incorreto afirmar: a) O principio constitucional da moralidade administrativa configura um vigoroso instrumento à função de controle de legalidade, legitimidade e economicidade dos atos administrativos dos quais resultam despesas públicas b) O principio atua positivamente, impondo à Administração Publica o dever de bem gerir e aumentando os demais deveres de conduta administrativa, tais como os de agir impessoalmente, garantir a ampla publicidade de seus atos, pautar-se com razoabilidade, motivar seus atos e decisões, agir com eficiência e observar a compatibilidade entre o objetivo de suas ações e o ato praticado para operacionalizar tal objetivo ou finalidade. Bem assim, configura cânone de interpretação e integração de norma jurídicas e/ou atos administrativos c) O princípio atua negativamente, impondo limites ao exercício da discricionariedade e permitindo a correção dos atos praticados em desvio de finalidade, mediante o seu expurgo do mundo jurídico através da invalidação d) O princípio geralmente aplicável isoladamente, compondo-se e articulando-se, algumas vezes, com outros princípio jurídicos e) O princípio consubstancia norma jurídica e, portanto, ao utilizá-lo no exercício das funções constitucionais de controle dos atos administrativos que geram despesas públicas sob os prismas de legalidade e da legitimidade, não desborda o Tribunal de Contas de sua competência constitucional R: D. O princípio da moralidade administrativa deve sempre ser lido em conjunto com os demais princípios constitucionais, notadamente os aplicáveis à Administração Pública: legalidade, impessoalidade, publicidade e eficiência. 166
02. (FCC - 2010 - TRT 8ª Região) O servidor público que deixa de acatar as ordens legais de seus superiores e a sua fiel execução, infringe o dever de a) conduta ética. b) eficiência. c) obediência. d) lealdade. e) fidelidade. R: C. Dever de obediência é o que se liga diretamente à hierarquia que deve ser respeitada dentro das instituições públicas, garantindo a melhor prestação do serviço. Os demais princípios são mais abrangentes, referindo-se ao cargo como um todo, não apenas à relação hierárquica. 03. (FCC - 2010 - TRT 22ª Região) O princípio da administração pública que tem por fundamento que qualquer atividade de gestão pública deve ser dirigida a todos os cidadãos, sem a determinação de pessoa ou discriminação de qualquer natureza, denomina-se a) Eficiência. b) Moralidade. c) Legalidade. d) Finalidade. e) Impessoalidade. R: E. Todos os princípios da administração pública se ligam, por isso, ao menos indiretamente todos acabam se fazendo presentes. Contudo, é preciso se atentar ao mais específico: o preâmbulo da questão descreve exatamente o conceito do princípio da impessoalidade, que veda distinções indevidas entre os administrados. 04. (FGV - 2010 - PC-AP - Delegado de Polícia) Com relação à responsabilidade civil, penal e administrativa decorrente do exercício do cargo, emprego ou função pública, analise as afirmativas a seguir: I. O funcionário público, condenado na esfera criminal, poderá ser absolvido na esfera civil e administrativa, prevalecendo a regra da independência entre as instâncias. II. A absolvição judicial do servidor público repercute na esfera administrativa se negar a existência do fato ou excluí-lo da condição de autor do fato. III. A Administração Pública pode demitir funcionário público por corrupção passiva antes de transitado em julgado da sentença penal condenatória. IV. A absolvição do servidor público, em ação penal transitada em julgado, por não provada a autoria, implica a impossibilidade de aplicação de pena disciplinar administrativa, porém permite a ação regressiva civil para ressarcimento de dano ao erário. Assinale: a) se somente a afirmativa I estiver correta. b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. c) se somente as afirmativas II e IV estiverem corretas. d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. e) se todas as afirmativas estiverem corretas. R: D. I está incorreta porque a condenação na esfera criminal é dotada de tal força que não faria sentido a absolvição na esfera cível e administrativa, que requerem menor arcabouço probatório para a condenação; II está correta porque as absolvições criminais por negativa da autoria ou inexistência do fato geram necessariamente absolvição cível e administrativa; III está correta porque a pena de demissão pode ser aplicada antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória ao final do processo administrativo disciplinar, que corre de maneira independente; IV está incorreta porque no exemplo também se dá exclusão da responsabilidade civil. 05. (FGV - 2011 - SEFAZ-RJ) A respeito do regime de responsabilidade dos servidores públicos em âmbito federal, é correto afirmar que a) o servidor público responde penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições, ao passo que a responsabilidade civil é exclusiva da Administração Pública. b) embora as instâncias penal e administrativa sejam independentes, a decisão penal absolutória por insuficiência de provas vincula a instância administrativa. c) as sanções administrativas não podem cumular-se com as sanções civis decorrentes de uma mesma infração funcional, sob pena de bis in idem. d) a ação disciplinar prescreve em 2 (dois) anos, seja qual for a natureza da infração administrativa cometida pelo servidor. e) a responsabilidade do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria. R: E. Quando comprovada a inexistência do fato ou a negativa de autoria na esfera criminal, tradicionalmente reconhecida por apurar com maior rigor e arcabouço probatório os fatos levados a seu conhecimento (em defesa do direito à liberdade e em respeito à presunção de inocência), entende-se que uma esfera menos rigorosa não poderia afirmar o contrário. Somente cabe condenação cível ou administrativa em caso de absolvição criminal quando esta se der por falta de provas. 06. (VUNESP - 2012 - SPTrans - Advogado Pleno - Administrativo) Sobre a responsabilidade dos servidores públicos, é correto afirmar que 167
a) em face da presunção de inocência, garantida pela Constituição Federal, a Administração deve aguardar o desfecho de processo criminal antes de proceder à punição disciplinar do servidor pela mesma falta. b) a absolvição criminal afastará o ato punitivo no âmbito administrativo se ficar provada, na ação penal, a inexistência do fato ou que o acusado não foi o seu autor. c) a condenação do servidor no âmbito civil implica automaticamente o reconhecimento das responsabilidades administrativa e criminal, posto que a primeira é mais ampla que as duas últimas. d) a extinção da pena administrativa pode se dar pelo seu cumprimento ou pela prescrição, sendo vedada extinção por meio do perdão por parte da Administração Pública. e) o entendimento, atualmente, é que, nas ações de reparação de danos contra a Fazenda Pública, por responsabilidade objetiva, esta é obrigada a denunciar à lide o servidor que causou os danos. R: B. Quando comprovada a inexistência do fato ou a negativa de autoria na esfera criminal, tradicionalmente reconhecida por apurar com maior rigor e arcabouço probatório os fatos levados a seu conhecimento (em defesa do direito à liberdade e em respeito à presunção de inocência), entende-se que uma esfera menos rigorosa não poderia afirmar o contrário. Logo, ficará afastado o ato punitivo nos âmbito administrativo e cível. Pois bem. Chegamos ao final. Espero que você tenha feito bom proveito do pouco que pude colaborar na sua preparação para este concurso. A batalha é árdua. Muitas vezes você seguirá sozinho e sem muitos estímulos externos. Mas não desista. Siga seu caminho com perseverança. Com dedicação e com um pensamento muito forte, sempre mentalizando: vou passar, não vou desanimar e vou lutar contra tudo e contra todos, lembrando que os demais candidatos não são inimigos, são concorrentes. Seu maior inimigo é a falta de dedicação, o desencorajar no meio do caminho. Boas provas e muito sucesso pra você. Se quiser, entre neste link para ter um momento de reflexão. Eu adoro esta música e a levo muito a sério. http://www.youtube.com/watch?v=vpaxwfosbqc ANOTAÇÕES 168