Halitose. Tratamento do mau hálito



Documentos relacionados
PRODUZINDO AUTOESTIMA DESDE 1990

Segundo pesquisa realizada pelo Prof. Daniel Van Steemberg (1999), juntamente com

LINHA ADULTO PROFISSIONAL

Quem sofre de mau hálito geralmente não percebe. Veja como tratar Beber bastante água e investir em uma alimentação fibrosa ajuda a evitar o problema

Qual é a função do cólon e do reto?

MEDICINA PREVENTIVA SAÚDE BUCAL

[LEPTOSPIROSE]

Diabetes. Hábitos saudáveis para evitar e conviver com ela.

UNIDADE 2 Alimentação e Digestão

HALITOSE HALITOSE. O que é Halitose? Principais causas da Halitose. Por Dra. Maria Cristina Moscatello

ODONTOLOGIA PREVENTIVA. Saúde Bucal. Diga adeus ao mau hálito!

31 de Maio - Dia Mundial Sem Tabaco

Localização da Celulite

14 de novembro. O que você sabe sobre o diabetes tipo II?

Bactérias anaeróbias proteolíticas digerem as proteínas acumuladas, compostos sulfurados voláteis, ricos em enxofre, causando o mau hálito.

Existe uma variedade de cápsulas, pós, chás e outros produtos no mercado com uma só promessa: acelerar o metabolismo para emagrecer mais rápido.

São causas de mau hálito:

Porque nos alimentamos?

Março/2016 Março/2016

Dr. Ruy Emílio Dornelles Dias

SOCIEDADE informações sobre recomendações de incorporação de medicamentos e outras tecnologias no SUS RELATÓRIO PARA A

7. Hipertensão Arterial

Hipertensão Arterial. Promoção para a saúde Prevenção da doença. Trabalho elabora do por: Dr.ª Rosa Marques Enf. Lucinda Salvador

Dormindo em pé. Pesquisa feita com 43 mil pessoas mostra que mais da metade da população brasileira apresenta problemas na qualidade do sono

O QUE É? O RETINOBLASTOMA

Perdi peso: emagreci???

PARABÉNS!! Você conseguiu amamentar exclusivamente o seu filho!

Profª Drª Carmita Abdo Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Projeto Sexualidade (ProSex)

ALIMENTOS E NUTRIENTES

UNIMED JOINVILLE - SC

Pesquisa de Avaliação dos Serviços Públicos de Florianópolis

DISTÚRBIOS SISTÊMICOS E O PERIODONTO

Sal de Andrews. Pó efervescente. Sulfato de magnésio(0,8825g) GlaxoSmithKline

Higiene Oral - Brasil - Maio COMPRE ESTE Relatório agora

THE BLACK BOOK OF FASHION

CAMOMILINA C. Theraskin Farmacêutica Ltda. Cápsulas. extrato de camomila 25mg, extrato de alcaçuz 5mg, vitamina C 25mg, vitamina D3 150UI

COLÉGIO XIX DE MARÇO excelência em educação 2ª PROVA PARCIAL DE CIÊNCIAS

SAÚDE BUCAL. Cuidados Problemas Tratamento Dicas

CIRURGIA PERIODONTAL

As Idéias e os Avanços da Biotecnologia

DENGUE. Jamila Rainha Jamila Rainha é cientista social e consultora de Pesquisa /

3 Informações para Coordenação da Execução de Testes

Programa Saúde e Longevidade

OFICINA DE BOAS PRÁTICAS DE MANIPULAÇÃO DE ALIMENTOS

Projeto: Cadê meu dente?a culpa é da maça? Daniela Laveli de Souza Elaine Cristina Florêncio Sala Juliana Francisca Garcia

Ouvidoria Unimed-Rio Seminário de Atualização e Implantação de Ouvidoria do Sistema Unimed

Cuide bem do seu seguro-saúde. Veja o que fazer para que o seu seguro-saúde possa cuidar sempre bem de você.

Incontinência urinária e estudos urodinâmicos

e a parcela não linear ser a resposta do sistema não linear com memória finita. Isto é, a

PCERJ- DGPE- DCAV A CRIANÇA E O ADOLESCENTE QUAIS MEDIDAS DEVEMOS TOMAR PARA EVITAR QUE SEJAM VÍTIMAS DE PEDOFILIA?

III POR QUE ENGORDAMOS?

Indicadores do Estado de Saúde de uma população

[ESPOROTRICOSE]

Como transformar o lanche das cinco em um lanche saudável? Nutricionista: Patrícia Souza

ALERGIA INTOLERÂNCIA ALIMENTAR. Laíse Souza. Mestranda Programa de Pós Graduação em Alimentos e Nutrição PPGAN / UNIRIO

Método para determinação de risco para cáries e doenças periodontais. Este é um método criado para a determinação de risco para o

DNA, o nosso código secreto

PARECER TÉCNICO COREN-MA 19/2015 FISCALIZAÇÃO

Programa Competências Transversais

r o d e s e m p r e. r o d e c o m a v o l v o.

4.2.2 Filtrando Macro filtro

LISTA DE EXERCÍCIOS EXTRA GENÉTICA 3º A/B PROFª CLAUDIA LOBO

CONCEITO DE DEPENDÊNCIA QUÍMICA

A leitura inspira, transforma e abre horizontes

A importância do equilíbrio

Rejuvenescimento da Pele com Laser

Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo Coordenação da Atenção Básica ÁREA TÉCNICA DE SAÚDE BUCAL

HIGIENE BUCAL SAIBA A IMPORTÂNCIA E AS VANTAGENS DE UMA BOA HIGIENE ORAL

Plano da Apresentação. Correlação e Regressão linear simples. Correlação linear. Associação entre hábitos leitura e escolaridade.

Correlação e Regressão linear simples

dicloridrato de betaistina Biosintética Farmacêutica Ltda. comprimido 16 mg e 24 mg

Análise de Regressão. Notas de Aula

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PARÁ DALGLISH GOMES ESTRUTURAS CRISTALINAS E MOLECULARES NA PRÁTICA PEDAGÓGICA

Receita de Geleia de Morango Caseira

O que é o controlo da asma

Equipamentos de Proteção Individual Quais as evidências para o uso? Maria Clara Padoveze Escola de Enfermagem Universidade de São Paulo

Acesso às Consultas Externas do Serviço de Estomatologia do Hospital de Santa Maria do Centro Hospitalar Lisboa Norte

CARTILHA DOS PROCEDIMENTOS DA BIOMETRIA

Erros e Incertezas. Rafael Alves Batista Instituto de Física Gleb Wataghin Universidade Estadual de Campinas (Dated: 10 de Julho de 2011.

SOLUÇÕES N item a) O maior dos quatro retângulos tem lados de medida 30 4 = 26 cm e 20 7 = 13 cm. Logo, sua área é 26 x 13= 338 cm 2.

Lição 5 Medidas Descritivas Medidas de Dispersão

Como escolher os nossos alimentos?

:: ALOJAMENTO :: :: EQUIPAMENTO ::

ANDRITZ Soluções em bombas para a indústria açucareira

A ANSIEDADE NOS EXAMES

Introdução à patologia. Profª. Thais de A. Almeida 06/05/13

Filariose Linfática. - Esses vermes, chamados de filarídeos, não são geo-helmintos. Eles precisam de um vetor (mosquito) para completar seu ciclo.

PROGRAMA DE MEDICINA PREVENTIVA. Saúde Bucal

Tema 8 Exemplos de Conflitos de Uso de Água em Ambientes Urbanos

Pagamento de complemento de salário-maternidade, considerando que este valor deve ser deduzido da guia de INSS, pois é pago pelo INSS.

PROVA DE REDAÇÃO. A partir da leitura dos textos 1 e 2, desenvolva o seguinte tema: A GERAÇÃO NEM-NEM E O FUTURO DO PAÍS

EDITAL DE SELEÇÃO DE ACADÊMICO DO CURSO DE NUTRIÇÃO PARA AS ATIVIDADES DO PROJETO DE PESQUISA E EXTENSÃO COMER,

QUALIDADE E SEGURANÇA ALIMENTAR / GESTÃO DE RECLAMAÇÕES. Susana Sousa Consultoria e Formação

FISIOLOGIA ANIMAL - UERJ

Pesquisa de Percepção dos Serviços Públicos de Blumenau

TP043 Microeconomia 16/11/2009 AULA 20 Bibliografia: PINDYCK capítulo 11 Determinação de Preços e Poder de Mercado.

Transcrição:

Halitose. Tratamento do mau hálito O mau halito não é uma doença e sim um sintoma ocasionado pelo habito incorreto da higiene bucal que pode estar combinado com outros fatores emocionais ou não. Alguém já comentou que você tem mal hálito? Você já tentou espionar a si mesmo para tentar identificar se tem o tal do mau hálito? Você desconfiou que logo pela manhã mesmo após escovar os dentes você sente um odor desagradável e acha que é da sua boca? A melhor coisa a fazer é procurar um profissional que possa diagnosticar se o problema existe. Pois na maioria dos casos as pessoas mais próxima como, amigos e familiares podem não se sentir confortáveis suficiente para lhe falar sobre a presença do mal hálito, pois além de ser uma assunto delicado as pessoas bom ter medo de magoar. Pesquisa sobre as causa do mau hálito Veja que de acordo com a pesquisa realizada pelo Prof. Daniel Van Steemberg (1999), juntamente com uma equipe de gastroenterologistas, otorrinolaringologistas, psiquiatras e periodontistas da Universidade de Leuven/Bélgica, 87% das causas da halitose são de ordem bucal - sendo que 32% estão relacionadas a problemas periodontais. Com o resultado desta pesquisa ficou mais fácil diagnosticar e solucionar o problema do mau hálito. Não tenha vergonha, procure um dentista! Geralmente os pacientes portadores de halitose buscam o tratamento odontológico na expectativa de resolver o seu problema de mau hálito, porém muitas vezes o constrangimento o impede de dizer ao dentista o verdadeiro motivo de sua consulta. Somente com a realização de uma criteriosa analise odontológica é que o profissional propiciará condições para que o paciente sinta-se à vontade para relatar o problema de halitose e detalhar quais as possíveis causas do problema. Por qual motivo posso ter halitose? Os fatores podem ser diferentes porém afirma-se que em alguns casos as conseqüências emocionais são fatores que devem ser considerados, pois verifica-se que o portador do mau hálito está, com freqüência, emocionalmente abalado criando um ambiente conveniente para a halitose. Outros fatores como períodos muito longos em jejum resultam redução da saliva que colabora na formação da placa bacteriana sobre a língua conhecido como saburra lingual (língua branca), que ocorre devido a uma combinação de resto de alimentos e células que se desprendem da mucosa bucal. Onde as bactérias que geram o mau hálito se alimentam destes resíduos e liberando o enxofre em formato de sulforado voláteis que corresponde pela sigla CSV. É neste processo que ocorre a halitose que irá gerar o mau cheiro bucal. 1 / 7

Alguns pensam, imaginam ou houve falar que o mau hálito é gerado pelo estômago. Apos muitos estudos ficou claro que são raros os problemas de halitose gerados pelo sistema gástrico, porém não pode ser descartada a hipótese, caso o paciente tenha problemas de refluxo gástrico, o que facilita na formação da saburra lingual. Em alguns casos problemas como: diabete, intestino preso, disfunção renal grave e ausência de vitamina C, podem ocasionar na halitose. Não deixe um simples problema lhe afetar O mau hálito altera o padrão de comportamento na sua vida social, familiar e de trabalho, levando o paciente a apresentar uma tendência ao isolamento e distanciamento das pessoas queridas. O medo de ferir aqueles que o cerca com o seu mau hálito é um fantasma constante em suas atividades, afetando drasticamente sua qualidade de vida. Durante a anamnese, deve-se abordar questões relacionadas à história médica, odontológica, hábitos alimentares e sociais do paciente, etc. A halitose é de origem multifatorial e geralmente está relacionada a fatores sistêmicos, psicogênicos e bucais. Sabe-se hoje que a Gastrite e a Úlcera, que tanta culpa levaram pelas alterações dos odores bucais, foram vítimas de uma grande injustiça! Como posso melhorar meu mau hálito que acontece só de vez em quando? Quando o mau hálito não é crônico, mas apenas esporádico, devemos observar uma higiene bucal e lingual adequadas, estimular a salivação de maneira fisiológica, sem o uso de medicamentos podendo ser através do uso de balas sem açúcar, gomas de mascar, gotas de suco de limão com um pouco de sal. Além dessas opções existe uma ameixa japonesa, conhecida como "umebochi" que é muito saudável e ajuda muito. Além disso cuidar da alimentação, tomar água com mais freqüência numa média 4 horas, evitar comer gorduras, condimentos, alimentos com odor carregado, o excesso de proteína ajudam a evitar a proliferação da halitose. Escovar os dentes após as refeições, usar fio dental e visitar o seu dentista regularmente a cada 6 meses é um ótimo habito. Pois irá preveni-lo não somente do mau hálito como de outras doenças odontológicas Então, o uso de gomas de mascar melhora o hálito? Sim. Em primeiro lugar, age como um mascarado do hálito e, em segundo, o que é mais importante, aumenta a salivação. O mau hálito está relacionado ao estomago? Com base em diversas pesquisas pode-se afirmar que apenas 1% das causas da Halitose está associada a problemas gástricos. Para o atendimento do paciente portador de halitose, deve-se dispor não só de recursos científicos e tecnológicos como o halímetro, mas 2 / 7

principalmente de tempo para compreender e ajudar o paciente a expressar suas queixas e identificar quais os possíveis hábitos que ocasionam no mau hálito. Como é feito o diagnóstico da halitose? Cada detalhe poderá ser de grande valia no diagnóstico e tratamento. A halitose não é uma doença e sim um sintoma de uma possível alteração patológica (ex.: doença periodontal, alterações hepáticas, etc), variação fisiológica (ex.: menstruação) ou mesmo de um processo adaptativo do organismo (ex.: jejum prolongado). O profissional deve estar capacitado para fazer o diagnóstico diferencial entre uma halitose real, uma halitose imaginária e um distúrbio quimiossensitivo. O não conhecimento dos mecanismos de formação da halitose poderá levar o profissional ao erro de subjugar uma queixa do paciente, a qual está afetando o perfil comportamental do mesmo. Qual é a causa do mau hálito? A halitose não pode ser explicada por um único mecanismo. Existem casos de origem fisiológica (que requerem apenas orientação), patológica (que requerem tratamento), por razões locais (feridas cirúrgicas, cáries, doenças periodontais e outros) ou ainda por razões sistêmicas (diabetes, distúrbios renais, prisão de ventre e outros).são várias as causas e muitas vezes apresentam vários fatores ao mesmo tempo. Halitose tem cura? Claro que tem cura. As vezes, atingir a cura demanda um pouco mais de tempo, mas sempre existe a possibilidade de controle. A maior parte das pessoas crê que qualquer dentista está amplamente informada respeito de mau hálito, o que nem sempre é verdade. O mesmo pode-se dizer em relação aos médicos. O atendimento nessa área é diferente do atendimento odontológico de rotina. Atualmente, muitos estão bastante interessados e estão investindo em conhecimentos sobre o assunto. Assim, se o seu dentista não se achar em condições de lhe oferecer um excelente atendimento, com certeza saberá encaminhá-lo para um colega que tenha feito esse tipo de treinamento. Qual é a importância de curar a halitose? São diversos os motivos. Além da questão da saúde geral do paciente - saúde sistêmica e local - há de se observar a questão social. O indivíduo portador da halitose sofre discriminação em seu grupo social. Ele é vítima freqüente de distanciamento em sua relação afetiva. A halitose agride as pessoas que convivem com o portador privando-o de uma vida melhor. Por que o portador da halitose não sente o seu próprio hálito? Porque o olfato se adapta ao odor, por tolerância. O epitélio olfatório rapidamente se cansa ou fadiga, se acostumando ao odor e falhando na percepção (fadiga olfatória). Em pouco tempo, o paciente com halitose se acostuma ao próprio mau hálito. 3 / 7

Após tratamento de úlcera e gastrite, por que o paciente continua com mau hálito? Problemas gástricos causarão halitose quando houver refluxo. Segundo pesquisa desenvolvida por equipe multidisciplinar de gastroenterologistas, otorrinolaringologistas e periodontistas da Bélgica, 87% das causas da halitose estão localizadas na região da boca. Quem são os pacientes com maior tendência a halitose? Respiradores bucais, pacientes com sangramento gengival (doença periodontal), saburra lingual, alterações sistêmicas (por exemplo diabetes, doenças hepáticas, etc), em dieta ou ainda aqueles que apresentam baixo fluxo salivar. O que é a saburra lingual? É um material viscoso e esbranquiçado ou amarelado, que adere ao dorso da língua em maior proporção na região do terço posterior. A saburra equivale a uma placa bacteriana lingual, micro em que os principais organismos presentes são do tipo anaeróbios proteolíticos, os quais, conforme foi explicado para a halitose da manhã, produzem componentes de cheiro desagradável no final de seu metabolismo. É uma película composta de células descamadas, bactérias e detritos alimentares que aderem à superfície da língua. Ela é responsável por grande parte das halitoses. O grande desafio é saber por que ela está se formando, pois mesmo realizando limpeza correta da língua, alguns pacientes poderão continuar apresentando formação acentuada. Como saber se sou portador de halitose? A melhor forma é perguntar a uma pessoa sobre seu convívio e de confiança se o seu hálito está alterado e ou costuma ser forte. O portador que é consciente de sua halitose tem um perfil receoso e angustiado. Há pessoas que apenas acreditam possuir halitose. Para ambas as situações é importante o exame e um perfeito diagnóstico. A halitose é fruto de má higiene? A halitose é um sinalizador de que algo no organismo não está bem. Ou seja, nem sempre a halitose ocorre por falta da melhor higiene bucal. Um paciente que mantenha boa higiene oral mas encontre-se estressado, poderá apresentar um fluxo salivar baixo. Isto compromete a auto-limpeza favorecendo a formação da saburra lingual e possibilitando a manifestação da halitose. E se o problema não for bucal? Se a causa identificada for outra que não a odontológica, o especialista encaminhará o paciente a um médico pertinente. É de fundamental importância essa integração entre as áreas médicas, paramédicas e odontológicas. Grande parte do insucesso nos tratamentos ocorre justamente pelo não conhecimento abrangente dos fatores causais da halitose. Todas as pessoas têm mau hálito? Se considerássemos o hálito desagradável ao acordar, praticamente 100% da população seria 4 / 7

portadora de halitose. Por isso, o hálito da manhã é considerado fisiológico. Ele acontece devido à leve hipoglicemia, à redução do fluxo salivar para virtualmente zero durante o sono e ao aumento da flora bacteriana anaeróbia proteolítica. Quando esses microrganismos atuam sobre restos epiteliais descamados da mucosa bucal e sobre proteínas da própria saliva, geram componentes de cheiro desagradável (metilmercaptana, dimetilsulfeto e principalmente sulfidreto, que tem cheiro de ovo podre). São os compostos sulfurados voláteis, conhecidos abreviadamente por CSV. Após a higiene dos dentes (com fio dental e escova), da língua (com limpador lingual) e após a primeira refeição (café da manhã), a halitose matinal deve desaparecer. Caso isso não aconteça, podemos considerar que o indivíduo tem mau hálito e que este precisa ser investigado e tratado. É possível que eu tenha mau hálito e não saiba disso? Sim. As pessoas que têm um mau hálito constante, por fadiga olfatória, não percebem seu próprio hálito. Somente as pessoas que têm períodos de halitose e períodos de normalidade conseguem percebê-lo. Como eu posso saber se tenho ou não mau hálito? A maneira mais simples de identificá-lo é pedir a um familiar ou a um amigo de confiança que faça essa avaliação para você. Caso você identifique o problema ou caso você se sinta constrangido a pedir a alguém que o avalie, pode procurar um dentista para que este possa ajudá-lo no diagnóstico e no tratamento da halitose. Atualmente, e cada vez mais, existem dentistas interessados no assunto, e muitos deles até já dispõem de um aparelho para medir e avaliar seu potencial de halitose. Então, dá para se medir o hálito? Sim, atualmente existe à disposição dos profissionais interessados um aparelho chamado Halimeter@, que é capaz de medir compostos sulfurados voláteis e que serve para orientar quanto à gravidade da halitose e quanto à melhora e à cura durante o tratamento. Também é útil para demonstrar claramente para certos pacientes que eles não possuem nenhum cheiro desagradável na boca, quando este é o caso. Certos pacientes halitofóbicos ficam muito apreensivos, com medo de terem halitose e desconhecerem o fato. Qual a causa do mau hálito? É muito bom que se diga que os casos de halitose não podem ser explicados por um único mecanismo. Existem casos de halitose tanto por razões fisiológicas (que requerem apenas orientação) como por razões patológicas (que requerem tratamento); por razões locais (feridas cirúrgicas, cárie, doença periodontal etc.) ou sistêmicas (diabetes, uremia, prisão de ventre etc.). Por isso, pode-se concluir que todas as possíveis causas devem ser investigadas e que o tratamento será direcionado de acordo com a causa identificada. No entanto, 96% ou mais dos casos de halitose se devem à presença de saburra lingual e, assim, devem ser tratados. Se a saburra é formada microrganismos, o mau hálito é contagioso? Não. A saburra somente se forma em pessoas com predisposição à sua formação. Por isso, é 5 / 7

muito comum observarmos casais em que apenas um dos parceiros apresenta hálito muito desagradável, a ponto de incomodar o outro. O que predispõe à formação de saburra? A causa primária da formação de saburra é a leve redução do fluxo salivar, com a presença de uma saliva muito mais rica em mucina ("gosmenta") e que facilita a aderência de microrganismos e de restos epiteliais e alimentares sobre o dorso da língua. É bom que se diga que existem vários graus de redução do fluxo saliva; quando a redução é severa (de 0 a 0,3 ml/minuto, sob estímulo mecânico), já não encontramos saburra, mas sim, outros tipos de desconforto. A medida do fluxo salivar (sialometria) deve ser feita por um profissional habilitado para isso. Também é importante a avaliação das causas da redução do fluxo salivar para que se possa decidir sobre o tratamento. Uma causa bastante comum é o "stress" constante. Como se livrar da saburra e do mau hálito? Existem pelo menos 3 abordagens: 1. Remoção mecânica da saburra por meio de limpadores linguais. Existem vários modelos de limpadores linguais disponíveis no mercado americano; no Brasil, encontramos um limpador lingual muito eficiente (modelo em forma de "V"). 2. Manutenção da superfície lingual o mais oxigenada possível, com o uso de oxidantes. Existem vários oxidantes no mercado que podem ser úteis para esse fim; desde a água oxigenada (usada diluída), o Amosan, até os de última geração (geralmente formulações com um componente antimicrobiano e um oxidante potente). Provavelmente, em pouco tempo, encontraremos no mercado, à disposição apenas dos profissionais, um desses produtos, com o nome de "SaudBucal". 3. Identificação da causa da redução do fluxo salivar para que se possa estabelecer o tratamento adequado. As duas primeiras abordagens garantem um hálito agradável; porém, exigem a manutenção desses cuidados. A terceira abordagem, uma vez realizada com sucesso, garante resultados mais duradouros, sem a necessidade de manutenção do uso de produtos para o controle de saburra, porque esse procedimento corresponde à eliminação da causa primária. Tenho gastrite. Acho que é por isso que tenho mau hálito. 0 mau hálito pode vir do estômago? Não. É muito comum os pacientes pensarem dessa forma incorreta. Também é muito comum pacientes com gastrite terem mau hálito. Vamos explicar melhor esse mecanismo: à medida que a saburra se forma, ela passa a ser um meio propício também à instalação e à proliferação de microrganismos patogênicos cuja porta de entrada é a boca. São exemplos os microrganismos causadores de doenças pulmonares, gastrintestinais e até mesmo de amigdalites e de doenças periodontais. No caso da relação halitose versus gastrite, a redução do fluxo salivar propicia a formação de saburra, a qual permite que o Helicobacterpilor se instale no dorso lingual, prolifere e aumente em número, podendo chegar ao estômago e desencadear a gastrite. Na verdade, a manutenção do fluxo salivar em 6 / 7

condições normais não evita apenas a formação de saburra e mau hálito, mas também previne a possibilidade de o paciente se tomar predisposto a gastrite, pneumonia, amigdalite, periodontite etc. 7 / 7