URBANISMO Reabilitação da margem Sul terá 750 milhões do Estado Arco Ribeirinho Sul deverá gerar 95 milhões de euros de receita fiscal
MIGUEL PRADO miguelprado@negocios.pt A reabilitação urbana nos concelhos de Almada, Barreiro e Seixal, anunciada há um ano sob a designação Arco Ribeirinho Sul, prevê um investimento público global de 756 milhões de euros, só para preparar infra-estruturas e terrenos. 0 investimento privado que aí se juntará, para construir habitação, comércio, escritórios, fábricas e até uma marina, é para jáuma incógnita. As câmaras municipais têmmotivos para sorrir.comas receitas fiscais a somarem 95 milhões de euros, segundo o plano estratégico. No fim de Julho, na Quimiparque, o Governo fez o lançamento oficial do Arco Ribeirinho Sul. O ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, Francisco Nunes Correia, afirmou então que o investimento público será compensado. "Estima-se que as receitas que o Estado tirará destes terrenos será igual ou superior" ao investimento, disse Nunes Correia Com efeito, no plano estratégico as receitas previstas com a intervenção na Siderurgia Nacional, Quimiparque e Margueira ascendem a 761 milhões de euros, acima do investimento total Com uma intervenção mais ampla do que a da Parque Expo, na zona Oriental de Lisboa, o Arco Ribeirinho Sul (a sociedade gestora estatal arranca com capital social de cinco milhões de euros) não é projecto para uma só legislatura O Governo estima que as obras comecem dentro de um ano e se arrastem por 15 anos na Margueira (Almada), 12 na Siderurgia Nacional (Seixal) e 18 na Quimiparque (Barreiro). As receitas virão da venda de terrenos para que os investidores aí possam desenvolver os seus projectos. No mercado há, todavia, alguma desconfiança. "Estamos num momento do mercado emqueháexcessode capacidade instalada. Vemos hoje projectos em queaequação económica não funcionou", comenta Luís Rocha Antunes, director da área de investimento da consultora Cushman & Wakefield. Este responsável lembra que "é preciso uma disciplina muito forte" para que o dinheiro dos contribuintes não seja desperdiçado. Mas o próprio plano estratégico já prevê "imprevistos". É esta mesma a expressão utilizada no documento já publicado em Diário da República, para admitir em cada rubrica de despesa em empreitadasumamargemdelo% relativa a., imprevistos. Para as empresas de construção e imobiliário, o Arco Ribeirinho Sul traz terrenos para explorar por mais de uma década O investimento privado deverá ir bem além dos 750 milhões de euros, nas contas do Governo. Mas sobram muitas incógnitas. Embora o projecto seja apresentado como uma requalificação de "mais de 900 hectares de terrenos públicos das antigas zonas industriais", há também várias parcelas deterrenosprivados.namargueira (antiga Lisnave), em Almada, há 75 hectares nessa situação. O plano estratégico do Arco Ribeirinho Sul não esclarece, por exemplo, se comprará esses terrenos e por que verba Na Quimiparque estão previstos 25 milhões de euros para resgate de direitos de superfície. 0 Governo está a dizer o que quer fazer em 900 hectares. Agora falta saber se os promotores imobiliários querem entrar no jogo.
O deserto a Sul de Lisboa As áreas antes ocupadas por indústria pesada terão novas casas, comércio e logística.
INTERVENÇÃO PREVÊ USOS MISTOS EM TODAS AS ÁREAS Almada terá mais seis mil habitantes Seixal tem menor intervenção Barreiro espera 29 mil empregos Na Margueira (Almada) haverá demolições, novas infra- -estruturas e equipamentos, num trabalho cujo impacto final se traduzirá em mais seis mil habitantes e 14.740 postos de trabalho directos. A intervenção prevê um investimento total de 289 milhões de euros. A receita estimada é de 269,8 milhões e inclui a venda de 57 hectares de terrenos para habitação, lojas e escritórios, bem como a concessão de uma marina. Para a Câmara de Almada é esperada uma receita de 71 milhões de euros (29,5 milhões de licenças e 41,5 de IMO. A zona da Siderurgia Nacional, no Seixal, é a que terá o impacto económico mais limitado no âmbito do Arco Ribeirinho Sul. Investimentos na ordem dos 160 milhões de euros irão preparar o Seixal para receber imóveis de uso misto, bem como indústria e armazéns. As vendas de lotes, que no conjunto somarão 147 hectares, deverão gerar 142,8 milhões de receita. Para a Câmara Municipal do Seixal reverterão 8 milhões de euros de taxas e licenças e 18 milhões de IMI. No final haverá mais 2.900 habitantes e 11.830 empregos na área requalificada. A Quimiparque, no Barreiro, é a única área de intervenção que apresenta um saldo positivo entre investimento projectado (307 milhões de euros) e as receitas previstas (349 milhões). A sociedade gestora do Arco Ribeirinho Sul gastará 53 milhões na compra de terreno e 25 milhões com resgate de direitos de superfície e deslocalizações. Mas as receitas da venda de 110 hectares de lotes para habitação, comércio, serviços e logística deverá compensar. A área poderá acolher 8.200 habitantes e assistirá à criação de mais 28.880 empregos.
OS NÚMEROS DO PROJECTO 55.000 Número de empregos directos a criar na região, onde se espera que passem a habitar mais 17 mil pessoas. 95,4 Previsão, em milhões de euros, das receitas fiscais (IMI) que os três projectos centrais poderão gerar. 761,2 Estimativa, em milhões de euros, das receitas que o Arco Ribeirinho Sul terá com a venda de terrenos a privados. 5 0 capital social da empresa pública Arco Ribeirinho Sul, gestora de todo o projecto, é de cinco milhões de euros.