Identificação dos Custos Logísticos

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Transcrição:

Universidade Cruzeiro do Sul www.cruzeirodosul.edu.br

Unidade - Identificação dos Custos Logísticos MATERIAL TEÓRICO Responsável pelo Conteúdo: Prof. Esp. Washington Luís Reis Revisão Textual: Profa. Esp. Márcia Ota Campus Virtual Universidade Cruzeiro do Sul www.cruzeirodovirtual.com.br 2

1. Introdução: A partir desta unidade, iremos identificar os custos logísticos dentro da cadeia de abastecimento. A figura a seguir ilustra uma sequência de processos onde estão inseridos estes custos. Os custos logísticos a serem abordados nesta unidade são: 1. Armazenagem e Movimentação; 2. Transporte; 3. Embalagem. 2. Custos de Armazenagem e Movimentação: As atividades de armazenagem e movimentação estão entre os fornecedores, a produção e os clientes de uma indústria. Segundo Moura (1989, p.4), define-se Armazenagem e Movimentação como: 3

As decisões operacionais de armazenagem (acondicionamento de estoques) contemplam decisões relativas ao arranjo do Layout, envolvendo as embalagens e estruturas que irão acomodar os estoques e facilitar a movimentação dos materiais. A utilização de equipamentos e estruturas adequadas pode contribuir para boas decisões, tais como: 1) Porta-pallets 2) Cantilever 2) Roletes 4) Drive-in 4

5) Mezaninos 6) Estantes 7) Flowracks Quanto à movimentação de materiais, as decisões operacionais incluem todo o percurso entre o recebimento (aquisição de materiais), estocagem e ponto de carregamento para inicio da distribuição até os clientes. Definir o melhor fluxo dos materiais é o objetivo maior e devem considerar questões como: áreas e equipamentos disponíveis, condições e métodos operativos, inspeção e devolução de materiais, rotas e tempos de movimentação e manuseio. Quanto menor for a movimentação dos materiais, menores serão os custos envolvidos. Portanto, os pontos de estocagem devem estar próximos aos locais de uso, os retrocessos não devem existir, o controle visual deve ser sempre estimulado. Fonte: http://migre.me/62wgx 5

As empresas podem optar entre duas alternativas para estocagem de materiais: Armazenagem própria: quando se utilizar de instalações próprias ou alugadas para fazer as operações; Armazenagem pública/geral: quando se utilizar de espaço físico temporário, diretamente ou através de operador logístico. O objetivo é minimizar o uso dos locais de estocagem, sincronizando o abastecimento, a produção e a distribuição dos produtos, diminuindo os estoques ao longo da cadeia, com carregamentos e descarregamentos mais frequentes e giros de estoques mais rápidos. Os custos envolvidos podem ser visualizados a seguir: 6

Os custos de armazenagem e movimentação são considerados fixos (não variam com os volumes fabricados/vendidos/movimentados) quando ocorrem em armazém próprio. Por outro lado, podem ser considerados variáveis (variam com volumes fabricados/vendidos/movimentados) quando ocorrem em armazém geral com ou sem operador logístico. Fonte: http://migre.me/62vyj neste link veja a operação de um Armazém Geral. Os custos de armazenagem e movimentação podem ser reduzidos com as seguintes decisões: Minimização das movimentações. Aumento da quantidade movimentada (lotes maiores). Reduções: das distâncias percorridas (layout); da mão-de-obra (equipamentos, sistemas); de tarifas (para armazéns gerais). Volume de estoque por tipo de material. A utilização de um armazém geral ou operador logístico permite o conhecimento antecipado e preciso dos custos por unidade estocada ou movimentada. Muitas empresas optam por esta decisão visando transformar custos fixos de armazenagem movimentação em custos variáveis. 7

Os principais trade-offs de custos (trocas compensatórias) possíveis nas atividades de armazenagem e movimentação ocorrem com as atividades de estoque e de transporte. Em geral, tem-se a redução dos custos de armazenagem e movimentação com a redução do volume dos estoques e do número de instalações. Mas, o volume dos estoques e número de instalações afetam também os custos de transporte e o nível de serviço ofertado ao cliente. O quadro a seguir mostra como considerar tais situações na busca de um menor custo logístico total. Variação dos CUSTOS Maior número de INSTALAÇÕES Maior volume de ESTOQUE Armazenagem e movimentação MAIOR MAIOR Transporte MENOR INDIFERENTE Estoques MAIOR MAIOR Nível de serviço MELHOR MELHOR 8

3. Custos De Transporte: Dentro da cadeia de abastecimento, a função transporte tem um alto grau de importância. Ela é a responsável pelos deslocamentos dos produtos acabados e materiais entre: fornecedores e indústrias; as instalações da indústria; e da indústria para os clientes. A função transporte deve buscar os seguintes objetivos: Produto entregue sem avarias Produto entregue no prazo Produto entregue no local certo Facilidades no processo de descarga Processos ágeis e flexíveis Minimização de custos Nível de serviço para o cliente 9

As empresas podem manter um serviço de transporte próprio ou terceirizado. Para esta decisão, alguns aspectos devem ser considerados: Comparação dos custos: próprio x terceirizado. Qualidade dos serviços: próprio x terceirizado. Resultado financeiro entre alternativas (retorno do capital investido). Tamanho da operação. Capacitação: interna da empresa; do setor de transporte. Cargas de retorno. Tipo de modal a ser utilizado. Além do aspecto custo e retorno do capital investido em equipamentos e veículos, as empresas devem sempre focar o nível de serviço a ser oferecido aos clientes. Para tanto, deve-se comparar a capacidade de prestar bom atendimento através de serviços próprio ou terceirizado. A capacitação do setor de transportes do mercado (bons operadores logísticos) e a vocação da empresa em ter um serviço próprio, devem ser comparadas. O modal a ser utilizado (rodoviário, ferroviário, etc.) também deve ser considerado, além da questão do frete de retorno, principalmente em uma operação com frota própria. Vale ressaltar que a utilização de ferramentas de otimização (roteirizadores) e a integração entre todos os componentes da cadeia logística podem racionalizar a função transporte. Fonte: http://migre.me/6319y link: operadores logísticos Os custos de transporte são influenciados pelos seguintes condicionantes: 10

Distância: fator de maior influência pois afeta os custos variáveis (combustíveis, peças, etc.). Quanto maior a distância, maior serão os custos variáveis. Por outro lado, os custos fixos (depreciação, mão de obra) se diluem gradualmente com a maior distância. Volume: o custo de transporte diminui com o aumento dos volumes pois desta forma é possível ocupar o veículo/frota na sua plena capacidade. Densidade: é a relação peso x volume. Em geral, os veículos tem mais restrição quanto ao espaço do que em relação ao peso. Portanto, quanto maior a densidade do produto menor será o custo de transporte. Acondicionamento: refere-se a facilidade de se acomodar a carga no veículo em relação à sua forma, permitindo um melhor aproveitamento dos espaços. Sem padronização de formas os custos de transporte aumentam. Manuseio: a utilização de equipamentos para carga/descarga, tipo empilhadeiras, também podem reduzir os custos de transporte. Riscos: produtos sensíveis, caros, perecíveis, com riscos de combustão/explosão, exigem maiores apólices de seguro que encarecem o custo de transporte. Mercado: fatores como sazonalidades, cargas de retorno, condições de tráfego nas vias e rodovias, afetam os custos de transporte. 11

Os modais de transporte são definidos geralmente pelos seguintes fatores: custo; tempo de atendimento entre a origem e o destino; integridade da carga; frequência de transporte disponível. No Brasil e nos EUA, a matriz de transporte esta assim constituída: Fonte: Instituto ILOS Apesar de possuírem características geográficas semelhantes, a matriz dos dois países difere principalmente nos modais rodoviário e ferroviário. No Brasil, onde os principais produtos transportados são de baixo valor agregado (agrícolas e minerais) e modo ferroviário deveria ser privilegiado. O modo dutoviário também carece de maiores investimentos em nossos pais, já que produtos como álcool e gás poderiam se beneficiar de custos de transportes mais baixos através deste modal. 12

Na tabela abaixo, podemos comparar as principais características de cada modal de transporte: Item/Modo Rodoviário Ferroviário Aéreo Dutoviário Aquaviário Volumes Médios Médios Menores Maiores Maiores Velocidade Média Menor Maior Menor Menor Preço Médio Menor Maior Menor Menor Estoques Médio Maior Menor Maior Maior Custo fixo Baixo Alto Alto Alto Médio Custo variavel Médio Baixo Alto Baixo Baixo Fonte: Faria (2010, p. 89) A seguir é apresentado um resumo com as principais características e classificação de custos de cada modal de transporte: Rodoviário: utilizado para pequenas e médias cargas e para curtas e médias distâncias. Beneficiado pela vasta rede de rodovias possibilita atendimento amplo, porta a porta e flexível. As rodovias são públicas e não impactam o custo fixo deste modal. Custos fixos: salários, manutenção, depreciação, licenciamentos/taxas, seguro, custo de capital. Fonte: transporte rodoviario 03571.jpg Custos Variáveis: peças e acessórios, combustível, lubrificantes, pedágios, pneus, lavagens 13

Fonte: colunadleitor.blogspot.com Ferroviário: utilizado para grandes volumes de cargas a em deslocamentos logos ou curtos, mas que são atendidos em baixas velocidades. Recomendado para produtos de baixo valor agregado (agrícolas, minérios, granéis). Pouca flexibilidade de frequência e de trajetos. Altos custos em armazenagem e movimentação. Custos fixos e variáveis: tem estrutura semelhante ao modo rodoviário, ressaltando-se os grandes investimentos de capital em locomotivas, vagões, vias férreas, estações, etc. Aeroviário: pelo seu alto custo este modo só se justifica nos casos de transporte de produtos de alto valor agregado e para médias e grandes distâncias, além de um alto grau de nível de serviço pactuado com o cliente. Ponto forte é a rapidez no atendimento. Custos fixos e variáveis: tem estrutura semelhante ao modo rodoviário, ressaltando-se os grandes investimentos de capital em aeronaves, terminais aeroportuários, combustível, ações preventivas de acidentes, taxas aeroportuárias e seguros. Dutoviário: também conhecido como gasoduto, oleoduto, este meio de transporte é ideal para transporte de grandes volumes de produtos gasosos e líquidos. Riscos de perdas e vazamentos são raros. Este modal além de seguro e limpo é pontual. Fonte: dutos_transpetro.jpg Custos fixos: elevado pelo direito de uso, construção de estações de bombeamento e tubulações Custos variáveis: baixos relativos à energia das estações de bombeamento e mão de obra para sua operação. 14

Aquaviário: este modal utiliza rios, lagoas oceanos para transportar através de barcos, navios e chatas, matérias primas de baixa valora agregado até produtos de alto valor agregado. Apresenta baixa velocidade e necessita de integração como outros meios de transporte para atender os destinos finais. Custos fixos: médios em relação a outros modais, caracterizados pelos custos com embarcações, mão de obra para manuseio de cargas Fonte: aquaviario.jpeg Custos variáveis: baixos em função dos altos volumes transportados. Taxas de utilização de terminais são características deste modal. Intermodalidade (1): os modais de transporte podem se combinar para atender um par origem/destino. Com suas dimensões continentais, o Brasil pode se aproveitar dessa possibilidade já que possui uma ampla malha rodoviária, uma rede ferroviária crescente, uma contínua bacia hidrográfica além da grande extensão da nossa costa marítima. Com isso, pode reduzir custos de transporte e otimizar o nível de serviço. Para operacionalizar esta gama de possibilidades de integração entre um ou mais modais as empresas podem se utilizar de roteadores de veículos, pool de cargas, pesquisa operacional, além de sistemas que evitam o transbordo de mercadorias tipo piggiback (2), roll-on-roll-of (3). (1) Intermodalidade é a integração dos serviços de mais de um modo de transporte, utilizados para que determinada carga percorra o caminho entre o remetente e seu destinatário, entre os diversos modais existentes, sendo emitido apenas um único conhecimento de transporte pelo único responsável pelo transporte, que é o OTM - Operador de Transporte Multimodal. (2) Piggiback refere-se ao transporte combinado entre os modais ferroviário e rodoviário. Consiste, em outras palavras, no transporte de carretas ou semirreboques sobre vagões ferroviários. 15

Fonte: goldcoaststation.com Fonte: skyscrapercity.com (3) Roll-on-roll-of refere-se ao transporte combinado entre os modais rodoviário e Aquaviário. Consiste, no transporte de carretas ou semirreboques dentro de navios, de modo a que estes entrem e saiam do navio pelos seus próprios meios. Fonte: arianespace.com Fonte: shippipedia.com A definição de uma rede de transporte deve levar em consideração os trade-offs de custos (trocas compensatórias). As decisões envolvem: Custos de armazenagem/movimentação: ao adotar um modal que não tenha uma padronização de carga os custos de armazenagem/movimentação crescem. Deve-se, portanto, buscar modais que padronizem o carregamento. 16

Custos de estoque: ao optar por um modal que transporte grandes volumes (Ferroviário ou Aquaviário) os níveis de estoque precisam ser altos para possibilitar grandes remessas o que aumentam os custos de capital. Custos de tecnologia da informação: para o gerenciamento de uma rede de transporte moderna (roteadores de veículos, localizadores por GPS, comunicação por rádios/celulares, administração de pools, integração de modais, etc.) os investimentos em tecnologia são imprescindíveis aumentos assim os custos. Custo de embalagens: para uma melhor ocupação dos volumes de transporte oferecidos por cada tipo de modal é necessário um investimento em embalagens. Trade Offs 17

4. Custos De Embalagem As embalagens são necessárias para o processo logístico, pois possibilitam: Otimizar a ocupação dos veículos de transporte Reduzir as avarias nas mercadorias Facilitar as atividades de movimentação e armazenagem 18

As embalagens podem ser classificadas em: Embalagens para o consumidor, com ênfase em marketing: Fonte: wvi3.com Fonte: chocoladesign.com Embalagens logísticas, com ênfase no manuseio e movimentação, do tipo: a) Caixas, sacas, tambores: Fonte: solostocks.com.br Fonte: es.gov.br Fonte: replantambores.com.b b)pallets de madeira, plástico ou metal: Fonte: picasaweb.google.com Fonte: sellplast.com.br Fonte: tootoo.com 19

c) Contêineres: Fonte: container.com.br Fonte: teletronic.com.br As embalagens podem ser do tipo retornáveis ou descartáveis. As descartáveis geralmente são mais baratas e não necessitam de controle de retorno como nas retornáveis. Os custos das embalagens são compostos por: A utilização de embalagens deve levar em consideração os trade-offs de custos (trocas compensatórias). As decisões envolvem: Custos de armazenagem e movimentação podem ser reduzidos pela facilidade de se movimentar as mercadorias e pela melhor ocupação de espaços nos depósitos. Custos de transporte podem ser reduzidos pela melhor ocupação dos veículos. Custos Variáveis: matérias (madeira, papelão, ferro, plástico). Custos fixos: mão de obra para fabricação, pesquisa e desenvolvimento, depreciação e manutenção, custos capital. Custos de perdas e avarias são minimizados melhorando sensivelmente o nível de serviço oferecido aos clientes. Cabe ao gestor logístico decidir levando em consideração que os custos advindos da adoção de embalagens devem ser menores que os ganhos adquiridos com o uso das mesmas. Em resumo, o gestor logístico deve decidir por um modal ou pela intermodalidade de transportes que possa trazer o menor custo logístico para compensar os custos decorrentes nas melhorias de embalagem, na sofisticação da tecnologia da informação, no incremento dos estoques e na armazenagem e movimentação dos materiais. 20

Anotações 21

Referências FARIA, Ana Cristina de. Gestão de Custos Logísticos. São Paulo: Atlas, 2010. BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: Estratégia, Planejamento e Operações. 4. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. TAYLOR, David A. Logística na Cadeia de Suprimentos uma perspectiva gerencial. São Paulo: Pearson Addison-Wesley, 2005. MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas, 1998. CHOPRA, Sunil. Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento. São Paulo: Pearson, 2003. SIMONE LETICIA RAIMUNDINI ET AL. Aplicabilidade de custeio baseado em atividades e análise de custos em hospitais. Rausp. São Paulo, v. 41, n. 4, p. 453-465; SCHIER, C. U. Gestão de Custos. 2.ed.rev. e ampl. e atual. Curitiba: Ibpex, 2011. 22

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