EDUCAÇÃO E SUSTENTABILIDADE



Documentos relacionados
BOLETIM DO LEGISLATIVO Nº 11, DE 2012

O Sr. ÁTILA LIRA (PSB-OI) pronuncia o seguinte. discurso: Senhor Presidente, Senhoras e Senhores. Deputados, estamos no período em que se comemoram os

Necessidade e construção de uma Base Nacional Comum

ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO (PME)

1º Seminário Estadual de Educação Profissional e Tecnológica novos desafios para o desenvolvimento regional Diretrizes da Educação Profissional

9. EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO RESOLUÇÃO CNE/CP 1, DE 18 DE FEVEREIRO DE 2002 (*)

CURSO: EDUCAR PARA TRANSFORMAR. Fundação Carmelitana Mário Palmério Faculdade de Ciências Humanas e Sociais

DELIBERAÇÃO Nº 02/2015-CEE/PR. Dispõe sobre as Normas Estaduais para a Educação em Direitos Humanos no Sistema Estadual de Ensino do Paraná.

Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Estadual de Educação Ambiental e dá outras providências.

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA Gabinete de Consultoria Legislativa

ANEXO 8 RESOLUÇÃO CNE/CP 1, DE 18 DE FEVEREIRO DE (*)

Plano Nacional de Educação: uma dívida histórica do Estado brasileiro

TEXTO PRODUZIDO PELA GERÊNCIA DE ENSINO FUNDAMENTAL COMO CONTRIBUIÇÃO PARA O DEBATE

MUNICIPALIZAÇÃO. Prof. Rodolfo Joaquim Pinto da Luz Secretário Municipal de Educação de Florianópolis e Presidente da UNDIME/SC

difusão de idéias A formação do professor como ponto

PROJETO DE VIVÊNCIA

Documento Base do Plano Estadual de Educação do Ceará. Eixo Temático Educação Infantil

PROJETO DE LEI DO SENADO FEDERAL Nº 2015

EDUCAÇÃO INFANTIL E LEGISLAÇÃO: UM CONVITE AO DIÁLOGO

COMISSÃO DE EDUCAÇÃO. PROJETO DE LEI N o 5.218, DE 2013 I - RELATÓRIO

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 221, DE 2015

Prefeitura Municipal de Santos

EIXO V 348. Gestão Democrática, Participação Popular e Controle Social 349. A articulação e mobilização da sociedade civil e de setores do Estado

Lei nº de 04/04/2013

PEDAGOGO E A PROFISSÃO DO MOMENTO

PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO: DESAFIOS E PERSPECTIVAS

UMA NOVA EDUCAÇÃO PARA O BRASIL COM O PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

COMISSÃO DIRETORA PARECER Nº 522, DE 2014

PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO. Prof. Msc Milene Silva

O IDOSO EM QUESTÃO: ALUNOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS MOSTRAM SUA VISÃO SOBRE O QUE É SER IDOSO NA ATUALIDADE

PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO ATRIBUIÇÕES E PRAZOS INTERMEDIÁRIOS DA LEI Nº , DE 2014

MANUAL DE ATIVIDADES COMPLEMENTARES

PNE NO EVENTO ACERCA DO PDI PROEG-16/9/2015

ENSINO SUPERIOR: PRIORIDADES, METAS, ESTRATÉGIAS E AÇÕES

A REGULAMENTAÇÃO DA EAD E O REFLEXO NA OFERTA DE CURSOS PARA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

IMPLANTANDO O ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS NA REDE ESTADUAL DE ENSINO

Universidade Estadual do Centro-Oeste Reconhecida pelo Decreto Estadual nº 3.444, de 8 de agosto de 1997

CAPÍTULO I DAS DIRETRIZES DO CURSO

Carta Aberta aos Estudantes e Trabalhadores dos Cursos de Graduação a Distância em Serviço Social no Brasil

Diário Oficial Diário Oficial Resolução SE 52, de

COMISSÃO DE EDUCAÇÃO, CULTURA E DESPORTO PROJETO DE LEI Nº 7.222, DE 2002

Plano Nacional de Educação 201? 202?: Desafios e Perspectivas. Fernando Mariano fmariano@senado.leg.br Consultoria Legislativa

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO CÂMARA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR RESOLUÇÃO Nº 1, DE 6 DE JANEIRO DE 2015

1-O que é Contexto normativo Articulação com outros instrumentos Conteúdos do projeto educativo Diagnóstico estratégico..

RESOLUÇÃO CEPE/CA N 0245/2009

OS SENTIDOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA CONTEMPORANEIDADE Amanda Sampaio França

PROJETO DE LEI Nº de (Do Sr. Chico Lopes) Art. 1º - Fica criada a profissão de Educador e Educadora Social, nos termos desta Lei.

POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL

A Sustentabilidade e a Inovação na formação dos Engenheiros Brasileiros. Prof.Dr. Marco Antônio Dias CEETEPS

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 321, DE 2014

PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO E SUAS 20 METAS. Palestra: Campo Grande MS

ANEXO 1. Programas e Ações do Ministério da Educação - MEC. 1. Programas e Ações da Secretaria da Educação Básica SEB/2015

META PNE SUBSTITUTIVO PNE PEE 1.7 Fomentar o atendimento populações do campo, comunidades

13 Nesse sentido, são profissionais da educação: I professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação

CENTRO UNIVERSITÁRIO CAPITAL

A PRÁTICA INVESTIGATIVA NO CURSO DE PEDAGOGIA: AVANÇOS E DESAFIOS A FORMAÇÃO DO PEDAGOGO NO CONTEXTO ATUAL

O PAPEL DOS MUNICÍPIOS DO RIO GRANDE DO SUL NA AMPLIAÇÃO DO ATENDIMENTO EM CRECHE ÀS CRIANÇAS DE 0 A 3 ANOS

PROJETO PEDAGÓGICO. 2.3 Justificativa pela escolha da formação inicial e continuada / qualificação profissional:

O PNE E OS DESAFIOS ATUAIS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Projeto Educativo do Brasil Marista

Constituição Federal - CF Título VIII Da Ordem Social Capítulo III Da Educação, da Cultura e do Desporto Seção I Da Educação

Objetivo. Letras Profa. Dra. Leda Szabo. Prática de Ensino de Língua Portuguesa. Prática de ensino: uma prática social

Maria Clarisse Vieira (UnB) Maria Emília Gonzaga de Souza (UnB) Denise Mota Pereira da Silva (UnB)

Projeto de Gestão pela Qualidade Rumo à Excelência

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO CÂMARA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR RESOLUÇÃO Nº 2, DE 27 DE SETEMBRO DE

Conheça as 20 metas aprovadas para o Plano Nacional da Educação _PNE. Decênio 2011 a Aprovado 29/05/2014

EIXO II EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE: JUSTIÇA SOCIAL, INCLUSÃO E DIREITOS HUMANOS PROPOSIÇÕES E ESTRATÉGIAS

PARECER HOMOLOGADO(*) (*) Despacho do Ministro, publicado no Diário Oficial da União de 29/07/2008

WONCA IBEROAMERICANA CIMF

A Sua Excelência o Senhor Deputado Enio Tatto, 1º Secretário da Egrégia Mesa da Assembleia Legislativa do Estado.

PLANO ESTADUAL DE CULTURA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO PLANO SETORIAL DO LIVRO E LEITURA

CAPÍTULO II DOS DIREITOS SOCIAIS

O CONCEITO DE EDUCAÇÃO PERMANENTE E EDUCAÇÃO AO LONGO DA VIDA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: CONSIDERAÇÕES PARA O NOVO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO.

REGULAMENTO DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO DO CURSO DE LICENCIATURA EM LETRAS PORTUGUÊS INGLÊS.

GT Base Nacional Comum Curricular da Educação Infantil

CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO ENCONTRO DOS CONSELHOS DE EDUCAÇÃO DE SERGIPE

11. EDUCAÇÃO PROFISSIONAL

DESENVOLVIMENTO INTEGRAL NA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR

PROGRAMA DE EXTENSÃO PROEX

Educação Integral Desafios para a implementação

GUIA DE CERTIFICAÇÃO. Exame Nacional do Ensino Médio. Brasília-DF. Guia de Certificação Exame Nacional do Ensino Médio Enem

MELHORIA DA INFRAESTRUTURA FÍSICA ESCOLAR

A PRÁTICA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR DE PEDAGOGIA DA FESURV - UNIVERSIDADE DE RIO VERDE

AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS PRÁTICAS EDUCATIVAS: O PROCESSO DE TRANSIÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

REGULAMENTO ESTÁGIO SUPERVISIONADO CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA FACULDADE DE APUCARANA FAP

DESAFIOS PARA A EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS NA CONTEMPORANEIDADE. Aida Monteiro

PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA -PIBID-FAAT

ESTRUTURA, POLÍTICA E GESTÃO EDUCACIONAL AJUDA

OS SABERES PROFISSIONAIS PARA O USO DE RECURSOS TECNOLÓGICOS NA ESCOLA

PROJETO DE LEI Nº 015/2015, DE 29 DE ABRIL DE 2015.

Agrupamento de Escolas de Arronches. Metas Estratégicas para a Promoção da Cidadania ACTIVA e do Sucesso Escolar

Síntese do Projeto Pedagógico do Curso de Sistemas de Informação PUC Minas/São Gabriel

Transcrição:

EDUCAÇÃO E SUSTENTABILIDADE Tatiana Feitosa de Britto 1 A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) tem como tema o futuro que queremos, proporcionando uma oportunidade ímpar para a renovação de compromissos políticos nacionais e internacionais e a definição de um quadro institucional global que favoreça a sustentabilidade e a inclusão social. Frente a esse desafio, cabe perguntar: de que educação precisamos para chegar ao futuro que queremos? A resposta deve ter duas vertentes, ligadas aos dois pilares da Rio+20. A primeira vertente diz respeito à perspectiva da inclusão social. Não se pode falar de inclusão em um contexto em que ainda há 793 milhões de jovens e adultos no mundo que não sabem ler e escrever. Não se pode falar de inclusão quando 67 milhões de crianças em todo o planeta não frequentam a escola. Não se pode falar de inclusão quando, dessas 67 milhões de crianças, a metade, mantidas as tendências atuais, provavelmente nunca será matriculada em um estabelecimento de ensino 2. Não se pode falar de inclusão se, entre os que têm acesso à educação escolar, grande parte deixa de aprender as competências e habilidades fundamentais para desenvolver capacidades básicas de funcionamento no mundo atual. A segunda vertente refere-se à formação cidadã voltada para um novo padrão de consumo, uma nova ética de solidariedade e convivência e uma nova ordem socioambiental que garantam o desenvolvimento de sociedades sustentáveis. Essas transformações requerem uma abordagem articulada, que traga a perspectiva ambiental para os cursos de formação docente, para os currículos em todos os níveis educacionais, para as instalações físicas das 1 2 Mestre em Políticas e Gestão Pública, com foco em Política Social, pelo Instituto de Estudos Sociais da Erasmus University (Holanda), Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental pela Escola Nacional de Administração Pública e Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília. Consultora Legislativa do Senado Federal para a área de educação. Dados do Instituto de Estatísticas da UNESCO, referentes a 2011 (www.uis.unesco.org).

escolas e universidades, para a prática pedagógica no dia a dia em cada instituição de ensino. Trata-se, na essência, de ultrapassar uma visão utilitarista da educação escolar, que reduz o processo educativo à função de formar mão de obra, para alcançar uma visão holística, que entende a escola como instituição disseminadora de valores, estimuladora do pensamento crítico e comprometida com a coletividade. De modo geral, temos tido avanços nessas duas vertentes no Brasil, mas ainda há um longo caminho a percorrer. No que se refere ao acesso à educação, chegamos ao ano 2000 com uma taxa de frequência à escola de 94,5% da população de 7 a 14 anos, que correspondia à idade teórica do ensino fundamental obrigatório naquela data 3. Ao longo da década, ampliamos o ensino fundamental para atender as crianças de 6 anos (Lei nº 11.114, de 2005) e asseguramos o dever do Estado para com a universalização do ensino médio gratuito (Lei nº 12.061, de 2009). Com a Emenda Constitucional nº 59, também de 2009, expandimos a educação obrigatória para a faixa de 4 a 17 anos, intervalo correspondente a quase toda a educação básica, da pré-escola ao ensino médio. Nos termos da Constituição, a universalização do atendimento escolar desse público tem como prazo o ano de 2016. Hoje, o Brasil ainda contabiliza um contingente de cerca de 14 milhões de analfabetos, 9,6% da população maior de 15 anos. Conseguimos matricular na escola praticamente 97% das crianças de 6 a 14 anos. Entretanto, ainda há desafios importantes para atingir a meta de 2016: quase 15% dos adolescentes de 15 a 17 anos e quase 20% das crianças de 4 e 5 ainda não estudam 4. Ao todo, são 3,8 milhões de crianças e adolescentes que precisam ser incluídos no sistema educacional nos próximos quatro anos. No que se refere à qualidade do ensino, as deficiências nacionais são bastante conhecidas. O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) mostrou que a maior proporção de alunos brasileiros encontra-se nos níveis mais rudimentares de proficiência em 3 4 Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo Demográfico de 2010 (IBGE).

leitura, matemática e ciências 5. As avaliações nacionais não revelam uma situação muito diferente: pouco mais de 30% dos alunos do 5º ano obtiveram rendimento acima do mínimo esperado para sua série em língua portuguesa e matemática. No ensino médio, apenas 11% dos alunos ultrapassaram a pontuação esperada em matemática 6. No que se refere à dimensão da educação ambiental e da transformação das práticas pedagógicas rumo à sustentabilidade, vale mencionar alguns avanços legais recentes. Em 1999, foi sancionada a Lei nº 9.795, que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental. Segundo esse normativo, a educação ambiental é entendida como os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. Engloba, portanto, ações desenvolvidas no contexto do ensino formal (educação escolar) e não formal. A lei estabelece, ainda, que a educação ambiental é componente essencial e permanente da educação nacional, e define seus princípios, objetivos, linhas de ação e órgãos responsáveis por sua execução. No contexto da educação escolar, esclarece que a educação ambiental deve ser desenvolvida como prática educativa integrada, facultando-se a criação de disciplina específica apenas nos cursos de pós-graduação, extensão e nas áreas voltadas ao aspecto metodológico da educação ambiental. Determina, também, que a dimensão ambiental seja inserida nos currículos de formação docente e que seja oferecida formação complementar na área para os professores em atividade. Em 2002, a Política Nacional de Educação Ambiental foi regulamentada. Sua coordenação foi incumbida a órgão gestor dirigido pelos Ministérios da Educação e do Meio Ambiente. A regulamentação reafirmou a abordagem transversal, contínua e permanente do 5 6 OECD (2010). PISA 2009 Results: What Students Know and Can Do Student Performance in Reading, Mathematics and Science (Volume I). Dados divulgados pelo Movimento Todos pela Educação.

tema, que obteve o mesmo tratamento nas Diretrizes Curriculares Nacionais editadas pelo Conselho Nacional de Educação. Em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305, de 2010) foi instituída em articulação com a Política Nacional de Educação Ambiental. Nessa norma, a educação ambiental encontra-se destacada entre os instrumentos destinados a promover a não geração, a redução, a reutilização e a reciclagem dos resíduos sólidos. Em maio de 2012, foi sancionada a Lei nº 12.633, que instituiu o Dia Nacional da Educação Ambiental, a ser comemorado anualmente no dia 3 de junho, em todo o território nacional. O simbolismo da data escolhida refere-se ao dia de abertura dos trabalhos da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992. Também em 2012, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB Lei nº 9.394, de 1996) passou a contar com dispositivo especificamente relacionado ao tema, que determina que os currículos do ensino fundamental e médio incluam os princípios da educação ambiental de forma integrada aos conteúdos obrigatórios. A explicitação na LDB, embora não inove frente ao que já estava estabelecido desde 1999, traz a educação ambiental para um novo patamar de importância na elaboração dos currículos da educação básica. Anteriormente subentendida entre as diretrizes que devem nortear os currículos desse nível de ensino, a educação ambiental adquire maior visibilidade no desenvolvimento dos projetos pedagógicos das escolas e dos docentes. Essa perspectiva torna-se ainda mais relevante quando consideramos que, conforme a experiência internacional, as escolas constituem a principal fonte de informação sobre questões ambientais para os jovens estudantes 7. O projeto de Plano Nacional da Educação (PNE) para o próximo decênio, por sua vez, em tramitação no Congresso Nacional, sinaliza para a crescente importância do tema. 7 OECD (2012). Pisa in Focus nº 15. Disponível em http://www.oecd.org/dataoecd/63/27/50150271.pdf

Entre as diretrizes do PNE consta a promoção da sustentabilidade sócio-ambiental. A questão da sustentabilidade aparece, ainda, de maneira explícita, na estratégia relacionada à educação no campo, de populações tradicionais, de populações itinerantes e de comunidades indígenas e quilombolas. Seria interessante que, ao longo dos debates no Poder Legislativo, a educação ambiental e a promoção do desenvolvimento sustentável ecoassem em sentido mais amplo no PNE, sem se circunscreverem às políticas direcionadas para públicos-alvo específicos. Em suma, os avanços já alcançados no plano normativo no tocante à educação ambiental são importantes. Mas as transformações necessárias para atingir o futuro que queremos certamente ultrapassam as medidas legais e a ação escolar. Trata-se de mudanças que se concretizam na prática cotidiana de cada cidadão, de cada estabelecimento de ensino e, sobretudo, das empresas e dos governos. A mobilização social e a educação ao longo da vida têm papel crucial nesse processo. Nos termos da própria LDB, a educação abrange os aspectos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. As preocupações ambientais e a inclusão social devem permear cada uma dessas instâncias para que possamos alcançar a meta de um futuro próspero, seguro e sustentável para todos, cerne da realização da Rio+20.