1 UM NOVO ESTILO DE VIDA A Dieta de South Beach sempre se propôs a ser mais do que uma dieta. Na verdade, ela foi desenvolvida para ajudar meus pacientes diabéticos e cardíacos a emagrecer e a se prevenir contra infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs). Escrevi o livro original em 2003 porque queria contribuir para a mudança da alimentação de um modo geral. Sempre acreditei mais na busca de uma vida longa, saudável e ativa do que no simples emagrecimento. Hoje, meu objetivo é outro: quero mudar o estilo de vida das pes soas, não apenas por meio de uma alimentação saudável e de um corpo magro, mas também melhorando seu nível de condicionamento físico. Isso significa eliminar os maus hábitos alimentares e o sedentarismo que nos tornam mais gordos e doentes. Nas últimas décadas, uma epidemia de obesidade tomou conta dos Estados Unidos e de muitos outros países. As estatísticas mostram que 51% da população não pratica exercícios físicos regularmente. Além disso, um terço dos americanos adultos com mais de 20 anos está obeso e dois terços estão acima do peso. O número de crianças com sobrepeso triplicou. Os resultados são alarmantes porque a obesidade é responsável por várias doenças. Além de despertar preocupações estéticas, o excesso de peso favorece uma série de problemas, como ataque cardíaco, AVC, pré-diabetes, diabetes, diversos tipos de câncer, doença de Alzheimer, degeneração macular, artrite, osteoporose, psoríase, acne, depressão e transtorno do déficit de atenção. E essa é apenas uma pequena amostra.
Um novo estilo de vida 11 Se não revertermos essa tendência, o custo do excesso de peso em termos humanos e econômicos alcançará proporções críticas. A alimentação inadequada e o estilo de vida sedentário já estão nos cobrando um preço alto no que diz respeito a mortalidade e dinheiro. Esses dois fatores são responsáveis por cerca de 300 mil mortes prematuras por ano nos Estados Unidos. A má notícia é que não estamos sozinhos nesse cenário desolador. Ao exportarmos o estilo sedentário e a comida tipo fast-food para todas as partes do mundo, fazemos com que os problemas que eles causam afetem outros povos. A boa notícia é que, por entendermos melhor o que está acontecendo, podemos começar a criar soluções. O sedentarismo na berlinda Estudando as estratégias para deter e reverter a epidemia de obesidade, descobri que, se as pessoas forem colocadas a par dos problemas, podem se tornar os melhores parceiros na busca por soluções. Usei minha formação em história para investigar as origens dessa si tuação e entender como chegamos a essa crise. Embora os maus hábitos alimentares e o estilo de vida prejudicial não sejam novos, as mudanças mais nocivas cresceram muito nos últimos anos. Já não vivemos mais na selva nem queimamos calorias caçando e coletando alimentos, mas nosso DNA é projetado para viver, comer e se exercitar da mesma forma que faziam nossos ancestrais caçadores-coletores. Isso não mudou quase nada desde então. O que, de fato, há de novo é o ritmo acelerado do avanço tecnológico e das invenções cada vez mais incríveis que favoreceram a redução gradual dos níveis de atividade física em nosso cotidiano. Hoje, tanto no trabalho quanto em casa, passamos horas sentamos diante do computador. Máquinas e equipamentos movimentam e transportam as coisas para nós, e a comunicação por e-mail faz com que muitas pessoas nem sequer se levantem da cadeira para conversar com colegas sentados no outro lado da sala. A preponderância de equipamentos que poupam trabalho e esforço físico de tratores e empilhadeiras ao controle remoto e ao computador
12 Um novo estilo de vida tem enorme impacto sobre o número de calorias que gastamos diariamente. Os efeitos disso são devastadores para nossos músculos, ossos, tendões e ligamentos. Sentar-se curvado diante do computador por horas a fio não faz bem à saúde. Trato desse problema no capítulo 5 e também na parte dois, seções em que apresento o programa de atividade física de 20 minutos que ajuda a queimar calorias e também a fortalecer os músculos do abdômen, das costas, da pélvis e dos quadris, para evitar dores nas costas e outros problemas provocados pelo sedentarismo. Ausência de nutrientes A alimentação inadequada é o outro pilar desse estilo de vida pouco saudável. Desde que começamos a cultivar grãos, frutas e hortaliças, há cerca de 10 mil anos, o conteúdo nutricional dos alimentos sofreu grande deterioração. Investimos na durabilidade, no sabor e na aparência da comida em detrimento de sua capacidade de nutrir. As frutas e as hortaliças disponíveis na maior parte dos supermercados são maiores, mais doces e mais bonitas do que as que nossos ancestrais coletavam. O problema é que elas contêm menos fibras, vitaminas e mi nerais do que o recomendável para a saúde. Felizmente, os produtos orgânicos, cultivados com métodos sustentáveis e que recuperam o estado mais natural e nutritivo dos alimentos, estão cada vez mais populares. No capítulo 7, recomendo alguns itens poderosos em termos nutricionais que ajudam a manter a saúde e prevenir doenças crônicas e degenerativas. Alimentos excessivamente processados Além do desejo de cultivar e produzir alimentos quase que exclusivamente para torná-los agradáveis ao paladar, precisamos considerar também os aspectos sociais e tecnológicos envolvidos na baixa qualidade da comida que consumimos hoje. Até poucas décadas atrás, a maior parte das pessoas
Um novo estilo de vida 13 costumava andar diariamente até o mercado local para comprar os produtos que não cultivavam, bem como pão fresco e outros itens. O surgimento do automóvel e da geladeira, porém, permitiu que elas adquirissem comida suficiente para alimentar a família por uma semana ou mais. Mas, para que essa mudança de hábito fosse possível, foi necessário aumentar a durabilidade dos alimentos na prateleira. Pena que esse processo tenha eliminado nutrientes importantes e, ao mesmo tempo, acrescentado substâncias como sódio e gorduras trans. No capítulo 3, abordo os efeitos prejudiciais dessas novidades tecnológicas sobre a saúde e o que fazer para evitá-los. Está na hora de mudar Hoje sabemos que o aumento de peso, a falta de condicionamento físico e a deterioração da saúde não são questões isoladas, mas parte do mesmo problema. Aprendemos também que o que é bom para manter a boa forma é melhor ainda para o coração, para o cérebro e para a saúde de modo geral. O próximo passo é começar a exigir que a indústria alimentícia, inclusive as redes de restaurantes e lanchonetes do tipo fastfood, ofereçam opções mais saudáveis. Temos que proporcionar às crianças em idade escolar refeições ricas em nutrientes, e incorporar a educação nutricional ao currículo escolar. Na realidade, o ideal seria voltarmos a fazer as refeições à mesa, com a família, e, apesar da correria do dia-a-dia, dar um jeito de oferecer alimentos frescos aos nossos filhos. Essas medidas são a garantia de uma sociedade mais saudável, mais feliz, mais motivada e mais produtiva. Tenho certeza disso. Não importa se você está com 2 ou 9 quilos a mais, se é ativo ou sedentário, o objetivo deste livro é ajudá-lo a se tornar saudável e recuperar a boa forma. Portanto, continue lendo e conheça os benefícios proporcionados pelo programa de alimentação e de condicionamento físico. Nas partes dois e três mostro detalhadamente como chegar lá. Torne-se parte da solução.
14 Um novo estilo de vida CINCO ANOS DE SUCESSO DEBORAH M., 43 ANOS: SOU MAIS FELIZ DESDE QUE MUDEI MEU ESTILO DE VIDA. Foi em 2003. Eu e meu marido éramos hipertensos e, mesmo com o uso de medicação, não conseguíamos controlar a pressão. Eu estava acima do peso e nós dois sabíamos que precisávamos mudar. A Dieta de South Beach tinha acabado de sair e fui até a livraria dar uma olhada. Folheei o livro e fiquei entusiasmada com a parte das receitas. Adoro cozinhar e não conseguiria abrir mão disso. Depois de ler o livro, percebi que passava o dia comendo maus carboidratos (biscoitos doces e salgados). Assim que parei de consumir farinha branca refinada notei uma mudança completa, inclusive no humor e na energia. Emagreci 20 quilos ao longo de um ano, e meu marido, 9 quilos. Embora ele continue tomando remédio para hipertensão, sua pressão está sob controle. Virei uma especialista em alimentação saudável. Nos almoços com os amigos, todos sabem que podem contar comigo para preparar um prato nutritivo, pois aprendi a substituir os maus carboidratos das receitas por bons carboidratos. Também faço questão de ensinar as pessoas a ler os rótulos para se certificarem de que estão comprando produtos feitos de grãos integrais, e não com farinha de trigo refinada. Em 2005, hospedamos um menino de 11 anos pelo sistema de adoção temporária. Ele estava acima do peso e tomava medicação para hipertensão, pois vivia à base de junk food. Decidimos levá-lo ao médico, que recomendou não só uma mudança na alimentação como no estilo de vida. Essa criança passou então a comer da mesma maneira que nós e a praticar exercícios físicos. Ao fim de quatro meses, já não precisava mais tomar o remédio e, 18 meses depois, quando deixou nossa casa, havia perdido 15 quilos. Estou feliz por ter emagrecido, mas me sinto ainda melhor por ter adotado um estilo de vida saudável.