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Transcrição:

Projeto VER-SUS Comunidades Tradicionais: Uma abordagem ecossistêmica na formação da novas lideranças comunitárias em defesa dos territórios tradicionais. Autores: Rafael Dall Alba, Bárbara Andres e Alcindo Antônio Ferla Eixo: A função social da ciência, ecologia de saberes e outras experiências de produção compartilhada de conhecimento Palavras-Chave: Saúde Coletiva, Educação, Sustentabilidade, Território. Resumo: Este trabalho abrange o relato de experiência de construção e execução do projeto Vivências e Estágios na Realidade do SUS (VER-SUS Comunidades Tradicionais). Abordando uma questão histórica na problemática da equidade às comunidades tradicionais e entendendo essas como populações vulneráveis, o projeto visa o empoderamento e formação de novas lideranças comunitárias. Para isso foi construída uma proposta de vivência conjuntamente com Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) que é um movimento social que engloba as comunidades tradicionais de Paraty, Angra dos Reis e Ubatuba tendo como integrantes Caiçaras, Guaranis e Quilombolas. Esta atividade tem como objetivo proporcionar vivênciasna realidade do SUS conjuntamente com os desafios e potencialidades dos territórios tradicionais, fazendo a conexão entre saúde e ambiente no fortalecimento destes atores. O projeto foi realizado no caráter de imersão durante 11 dias, no mês de Março de 2014, tendo como participantes jovens dessas comunidades, vivenciando e discutindo a gestão, as redes de atenção à saúde contextualizando com a realidade de seus territórios e práticas como agroecologia, turismo de base comunitária e permacultura. Após um intenso período de atividades que propiciaram uma verdadeira práxis na Ecologia dossaberes o grupo formou o núcleo Jovem do FCT com proposta de elaboração de ações para dar continuidade a seu processo de educação diferenciada e empoderamento para continuar a luta em defesa de seus territórios. INTRODUÇÃO O VER-SUS, Vivências e Estágios na Realidade do SUS, é um projeto desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com a Rede Unida, com a Rede Governo Colaborativo em Saúde/UFRGS e com o CONASEMS com o objetivo de proporcionar a estudantes universitários a oportunidade de vivenciarem a realidade do SUS, estimulando a formação de trabalhadores para o SUS, comprometidos eticamente com os princípios e diretrizes do sistema e que se entendam como atores sociais, agentes políticos, capazes de promover transformações. O projetoé desenvolvido através de vivências, onde os estudantes (viventes) permanecem entre 7 a 15 dias em caráter de imersão, vivenciando e discutindo as redes de

atenção à saúde tendo contato com os mecanismos de gestão e redes de assistência à saúde.(ferla et al., 2013). A partir de uma nova configuração do projeto, preocupando-se com aspectos transdisciplinares da saúde o VER-SUS lançou-se a novos desafios na inclusão de cursos técnicos e na participação de movimentos sociais nas vivências. Nesta perspectiva ampliada entende-se que as vias pelas quais o social e o econômico, o político e o cultural influem sobre a saúde de uma população são múltiplas e diferenciadas, segundo a natureza das condições socioeconômicas, o tipo de população, as noções de saúde, doença e os agravos enfrentados. Neste âmbito, abordando uma questão histórica na problemática da equidade às comunidades ou populações tradicionais o projeto voltou sua atenção para tal tema entendendo esses cidadãos como populações vulneráveis. Em parceria com a Fiocruz, através do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis (OTSS), foi articulada uma vivência no Mosaico da Bocaina, nos municípios de Paraty/RJ, Angra dos Reis/RJ e Ubatuba/SP, em que os viventes seriam os moradores de comunidades tradicionais que compõem o Fórum de Comunidades Tradicionais do Mosaico da Bocaina (FCT). O território do Mosaico da Bocaina abriga importantes maciços florestais totalizando cerca de 222.000 hectares, sob condições especiais de manejo e proteção legal. Dentro deste território, existem quarenta comunidades tradicionais de três segmentos (vinte e oito caiçaras, sete indígenas e cinco quilombolas), estimando-se 120 famílias Indígenas Guaranis, 280 famílias Quilombolas e 240 famílias Caiçaras (BRASIL 2014). Devido principalmente aos efeitos climáticos, às pressões decorrentes da especulação fundiária e imobiliária e à precarização das políticas públicas em educação, saneamento, saúde e soberania alimentar, este território é caracterizado como um de vulnerabilidade socioambiental(gallo; SETTI, 2012). De acordo com o Mapa de Vulnerabilidade da população do Rio de Janeiro aos impactos das mudanças climáticas nas áreas social, saúde e ambiente (INEA, 2011), a Costa Verde apresentou o maior Índice de Vulnerabilidade Ambiental, com destaque para Paraty e Angra dos Reis. A região também apresentou a média regional mais alta referente ao índice de vulnerabilidade geral, composto pelos índices relativos ao ambiente, aspectos sociais das famílias e da saúde. Assim, o território da Bocaina expressa contradições do modo de produção e consumo hegemônico, com impactos sobre os três pilares do desenvolvimento sustentável ambiente, economia e social. Ao mesmo tempo em que vetores do capital atuam e impactam negativamente, há um movimento social organizado que tenta conservar sua cultura e avançar

em um modelo de desenvolvimento cooperativo, justo e sustentável que é o Fórum de Comunidades Tradicionais movimento criado pelas comunidades tradicionais abrangendo Angra dos Reis (RJ), Paraty (RJ) e Ubatuba (SP) cujo objetivo de ser um espaço onde as comunidades da região possam dialogar sobre suas experiências e juntas discutir estratégias e soluções para questões comuns, tais como: o território, turismo, educação, cultura, pesca, agricultura, agroecologia, mercado solidário, dentre outras.a expressão comunidades ou populações tradicionais surgiu no seio da problemática ambiental, no contexto da criação das unidades de conservação (UCs) [áreas protegidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)], para dar conta da questão das comunidades tradicionalmente residentes nestas áreas: Povos Indígenas, Comunidades Remanescentes de Quilombos, Extrativistas, Pescadores, dentre outras. Eles são grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais; que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição (Silva 2007). O significado do termo vulnerabilidade segundo Ayres, refere-se à chance de exposição das pessoas ao adoecimento, como resultante de um conjunto de aspectos que ainda que se refiram imediatamente ao indivíduo, o recoloca na perspectiva da dupla-face, ou seja, o indivíduo e sua relação com o coletivo. O indivíduo não prescinde do coletivo: há relação intrínseca entre os mesmos. Essa interpretação da vulnerabilidade incorpora, necessariamente, o contexto como lócus de vulnerabilidade, o que pode acarretar maior suscetibilidade à infecção e ao adoecimento e, de modo inseparável, à maior ou menor disponibilidade de recursos de todas as ordens para a proteção das pessoas contra as enfermidades (AYRES et al., 1999). Aprofundando no tema da vulnerabilidade temos uma caracterização sugerida pelo mesmo autor que retrata a Vulnerabilidade Programática, que consiste na avaliação dos programas para responder ao controle de enfermidades, além do grau e qualidade de compromisso das instituições, dos recursos, da gerência e do monitoramento dos programas nos diferentes níveis de atenção. Abordando esta caracterização de vulnerabilidade como questão histórica na deficiência dos programas em gerar equidade para com as comunidades tradicionais, essa espécie de racismo institucional, coloca as pessoas de determinados grupos raciais ou étnicos em situação de desvantagem no acesso aos benefícios gerados pela ação das instituições e organizações. Na saúde, as desigualdades se refletem nos dados epidemiológicos que evidenciam a diminuição da qualidade e expectativa de vida, tanto pelas altas taxas de morte

materna e neonatal, como pela violência vivenciada por essas. Na esfera cultural, a influência do multiculturalismo globalizado hegemônico acaba por enfraquecer as raízes tradicionais através de seu caráter uniformizante(jullien, 2009). Na esfera socioeconômica o acesso dificultado aos meios de comunicação, mecanismos de geração de renda, educação e empoderamento político enfraquece ainda mais o poder da cidadania e representação dessas populações nas disputas de espaço nas agendas de governo. Pensando nestas questões e, seguindo um dos objetivos do OTSS foiproposto o VER- SUS Comunidade Tradicionais. A vivência foi articulada no sentido de aproximar as comunidades do FCT, fortalecendo o mesmo, além de promover a formação de novas lideranças para o Fórum e a aproximação com o Sistema Único de Saúde (SUS). Neste processo, as comunidades foram condutoras da construção do projeto dessa vivência, sendo protagonistas nas visitas aos serviços de saúde e territórios, bem como nos debates gerados a partir da experiência vivida. A inovação desta vivência foi a discussão territorializada de questões concernentes à agenda do FCT. Esta proposta vem sendo discutida desde 2013 entre membros da Secretaria Executiva da Coordenação Nacional do Projeto VER-SUS, integrantes do FCT e membros do OTSS. Nestes encontros foi delineado de forma coletiva o cronograma da vivência, a partir das demandas e sugestões dos representantes das diferentes instituições.o foco da ação foi concentrado em três municípios de atuação do fórum, contemplando a visitação aos territórios dos participantes e serviços de saúde da atenção básica (AB), controle social e gestão, além de debates sobre temas de saúde coletiva e das principais potencialidades e desafios das comunidades. Para a seleção dessesviventes o FCT propôs a inclusão paritária preferencial respeitando critérios proporcionais de etnia (indígena, caiçara e quilombola), gênero e município (Angra dos Reis, Ubatuba e Paraty), em uma configuração de aposta para a formação de novas lideranças comunitárias. A listagem final contemplou: 3 indígenas, 6 caiçaras e 2 quilombolas das referidas comunidades. Participaram também da vivência algumas lideranças do Fórum de Comunidades Tradicionais, membros da equipe do OTSS e 3 membros da Coordenação Nacional do VER-SUS. RELATANDO A VIVÊNCIA As vivências ocorreram durante 11 dias, através da visitação de serviços e territórios. No fim do dia, no alojamento os temas eram retomados em atividades de debate ou através de conversas e dinâmicas. Começamos pela Conferência Municipal de Saúde de Paraty que proporcionou a sensibilização para a temática do controle social. A participação na Conferência foi importante por se tratar do momento de construção do plano de saúde do município sendo

possível observar a dinâmica processual da plenária da conferênciacom suas disputas pela ocupação da representação política dos conselheiros e a importância do controle social no SUS.Contextualizando essa experiência realizou-se uma atividade de apresentação da temática do SUS e o controle social com o filme da 8ª Conferência Nacional de Saúde com a fala de Sérgio Aroucaabordando a saúde não só como assistência médica no momento adequado e com a qualidade necessária, mas também como uma série de condições para que a população não adoeça reforma agrária, educação, lazer, liberdade, condições de habitação dignas, transporte entre outras. Redes do SUS Foram visitados desde serviços da AB como as equipes de saúde da família(esf) e realizadas conversas com os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem sobre as questões do território. Os viventes destacaram o contato e acolhimento como qualificador do processo de cuidado na comunidade. O direito à saúde foi amplamente debatido pois muitas das comunidades, principalmente aquelas que compões o panorama da região Costeira apresentam um vazio assistencial no que tange a atenção básica. O ACS foi destacado com uma importante peça de empoderamento na comunidade para articular com as demandas tanto da gestão em saúde como as do território. A temática da atenção hospitalar foi contemplada através da visita aohospital Municipal São Pedro de Alcântara em Paraty, que é o serviço de referência em alta complexidade do município. O gestor do serviço nos recebeu e conversou sobre o serviço e sua integração na rede de saúde ressaltando a importância de fortalecer a rede básica de saúde como principal estratégia de promoção da saúde da população, valorizando o trabalho das ESF e deuênfase no contexto da AB com sua potência de resolução de 95% dos casos recebidos no hospital e que poderiam ser evitados.dentro dos desafios que o serviço enfrenta, ele também comentou sobre a falta de orientação da população acerca do acesso aos serviços e convidou os viventes a participarem na elaboração de estratégias de educação popular para qualificar o funcionamento dos serviços. A vigilância em saúde foi abordada no aspecto de fortalecer a visão de um SUS não apenas constituído por serviços ambulatoriais. Houve uma introdução ao tema visando a construção da vigilância através da história e o seu contexto atual no SUS. Após, a turma foi dividida em dois grupos onde uma parte foi conhecer o serviço municipal de vigilância com a apresentação dos programas desenvolvidos e indicadores monitorados e a outra parte participou de uma dinâmica de reconhecimento do cenário de Paraty levantando relatos dos moradores do centro de Paraty e anotando suas próprias impressões de forma a contextualizar

a vigilância com o território.essas abordagens tiveram por objetivo introduzir as principais ações e dos serviços de vigilância ambiental e epidemiológica e a relação destes com a rede de atenção em saúde. Como discussão dessa etapa o grupo levantou questões acerca da relação entre a conservação do ambiente e o aspecto do adoecer que as comunidades enfrentam. No município de Ubatuba tivemos a oportunidade de participar de atividades da gestão da secretaria municipal de saúde através da apresentação do relatório anual de gestão no demonstrativo das ações em saúde no âmbito da AB. Foram apresentados os avanços e desafios da AB na qualificação do cuidado da rede. O grupo também realizou uma conversa com o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Nesta atividade foram abordados os temas da territorialização do cuidado em saúde e o papel de matriciamento do NASF junto as equipes de ESF. Saúde, Ambiente nos Territórios Tradicionais Além dos serviços de saúde e estruturas da gestão a equipe pode conhecer os diversos cenários que compõem as comunidades tradicionais. Pudemos conhecer o território do Quilombo do Campinho conhecendo os seus dispositivos comunitários como é o caso do restaurante comunitário que aborda a cultura e gastronomia quilombola como elemento diferencial promovendo um turismo de base comunitária e incentivando a economia solidaria como modo de fortalecimento das comunidades tradicionais. No espaço desse restaurante também são realizadas as reuniões do FCT. Neste território tivemos relatos dos mecanismos sociais da comunidade abrangendo mutirões para construção de casas ou plantio da horta comunitária. Vivenciamos também o território do Pouso da Cajaíba, comunidade caiçara que possui como principal atividade a pesca e o turismo. Nesta atividade as lideranças locais e moradores que também compunham o grupo de vivência conduziram a visitação do território. Questões problemáticas como a escola da comunidade, que é subsidiada por um projeto de cunho privado da Fundação Roberto Marinho que fornece um modelo de educação hegemônico e bancário que não corresponde com a demanda de sustentabilidade de uma educação diferenciada da comunidade caiçara. Debaixo de uma árvore centenária que serve também como local de reuniões para a comunidade foram expostos os desafios do território sendo um deles a falta de perspectiva ao terminar o ensino fundamental e falta do ensino médio que além da sua importância indiscutível é formação necessária para a regulamentação da atividade de pesca. Assim, essa contradição das normas impostas pelo estado para certas atividades e ao mesmo tempo um vazio assistencial do mesmo, configuram um cenário de conflitos acentuados

por um dos aspectos do racismo ambiental e institucional que são temas geradores dessa proposta VER-SUS.Conhecemos o Ponto de Cultura e as fundações inacabadas de uma unidade de saúde, que nunca chegou a ser finalizado. Fomos apresentados a uma potente experiência de resistência da cultura Caiçara, o Instituto de Permacultura Caiçara (IPECA), fundado e gerido por um caiçara local que possui uma proposta deações de educação diferenciada através da cultura caiçara e de permacultura, construindo projetos de educação ambiental e agroecológicos para as comunidades tradicionais. Esta iniciativa dialoga com o FCT e está inclusa na agenda estratégica sendo incorporada como tecnologia norteadora para projetos de saneamento ecológico em parceria com a Fiocruz e Funasa. Compondo a diversidade do mosaico da Bocaina fomos recebidos pelo Pajé da aldeia Guarani Paraty-Mirim que nos ilustrou a história da região através do ponto de vista indígena. Dois dos participantes do grupo do VER-SUS vivem nessa aldeia e nos apresentaram o território.visitamos a horta comunitária, a casa de reza e pudemos debater com a equipe sobre o desafio da implantação de políticas públicas que não apenas atendam às necessidades da comunidade, mas que dialoguem com a cultura indígena integralmente. Também vimos intervenções pontuais e inacabadas como é o exemplo dos banheiros que nunca haviam sido finalizados por falta de água resultante de um projeto mal elaborado que não considerou o relevo da aldeia.terminamos nossa visita conhecendo a ESF da aldeia, onde fomos recebidos pela ACS indígena que relatou sobre a organização do serviço e do seu trabalho, e do desafio constante que é o cuidado à saúde indígena na integração com a rede de saúde. O grupo destacou a importância do ACS especialmente neste contexto, para, literalmente, dialogar na língua guarani com a comunidade e intermediar o cuidado à saúde com a cultura local. Foi relatada a difícil transição da atenção à saúde do índio recentemente ocorrida que passou da gestão da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) para a Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) alocada no Ministério de Saúde. Essa nova configuração tende a favorecer algumas questões de valorização da cultura da saúde indígena porém, por outro lado, acaba muitas vezes isolando as aldeias da rede de saúde e não reconhecendo os índios em outros espaços, por exemplo, em hospitais e demais serviços de saúde.outra questão observada é que a aldeia não possui escola no território, fazendo com que as crianças tenham que sair muito cedo das comunidades para estudar no centro da cidade, onde a educação corrente não acolhe as demandas e a cultura tradicional. Além da riqueza do reconhecimento do território indígena, esta visita reforçou a importância de promover que a condução das vivências seja feita pelos próprios viventes, empoderando-os no processo da vivência.

Outro território vivenciado foi a Praia do Sono, outra comunidade caiçara que compõe o FCT. Na sede da associação de moradores da comunidade, que também cede espaço para os atendimentos de saúde, já que a comunidade não possui espaço físico para o serviço de saúde, aconteceu a atividade de acolhimento do grupo pelas lideranças comunitárias que relataram a histórica jornada de lutas da população para garantir a permanência no seu território, alvo da especulação imobiliária. Para chegarmos até a comunidade tivemos que passar por um condomínio privado que limita a passagem além de visitantes os próprios moradores além ilegalmente privar o uso da faixa litorânea que é um bem coletivo. Nessa comunidade acontece o pilotodo projeto de saneamento ecológico junto com a OTSS que vem sido desenvolvidocom o intuito de implantar um sistema de saneamento para a escola da comunidade e para algumas residência que ficam próximas ao leito de um riacho, que enfrentam problemas sanitários devido à ausência de sistema de tratamento do esgoto. A proposta inclui o empoderamento da comunidade acerca da tecnologia utilizada através da participação ativa de moradores na construção dos módulos sanitários.durante a imersão no território,conhecemos a Rádio Comunitária da comunidade do Sono fundada e operada por morador que, sozinho e portador de deficiência visual, realiza programação musical e divulgaas atividades da associação de moradores, das condições climáticas na região (informação essencial, pensando que o principal meio de acesso à comunidade é através de barco), e presta um importante de informações junto à comunidade. No município de Ubatuba visitamos o Quilombo da Fazenda,onde a vivência fora conduzida por um vivente do VER-SUS local. Na sua fala frisou a ação dos órgãos ambientais de fiscalização sobre as atividades desenvolvidas pela comunidade enfatizando a falta de sensibilidade destes órgãos em entender o papel das comunidades tradicionais na própria conservação e sustentabilidade dos territórios. A situação de saúde está fragilizada pois as obras de conclusão da UBS da comunidade está parada pois há divergências entre o financiamento municipal destinado a esse fim. Visitamos a casa de farinha, antigo engenho adaptado para produzir farinha de mandioca. Após a explanação sobre o funcionamento e a história da casa de farinha, tivemos a belíssima oportunidade de conversar com o griô da comunidade (liderança guardiã da memória de uma comunidade) que nos contou sobre a história do Quilombo, da resistência quilombola e de como a comunidade resiste ainda hoje. Ainda em Ubatuba fomos até a comunidade caiçara Ubatumirim, onde conhecemos a família de outra liderança comunitária. Fomos recepcionados na casa da família, que que também é espaço para atendimento de demandas de saúde da comunidades. A matriarca da família é técnica de enfermagem e trabalhou como agente comunitária de saúde e exercendo

uma forte liderança comunitária inclusive na na construção da unidade de saúde de Ubatumirim. Sua atuação vai muito além da assistência de enfermagem, sendo reconhecida e respeitada por todos como conselheira dos moradores e em seu relato pudemos vivenciar um verdadeiro tratado de saúde coletiva, na simplicidade da sua fala, abordando conceitos de acolhimento, cuidado, integralidade, relatando um pouco de sua enorme contribuição para a comunidade. Nesta comunidade fomos apresentados a práticas agroecológicas como a produção de diversos alimentos como frutas e verduras atuando em parceria com umaagroindústria comunitária deprocessamento de Juçara.A agroindústria é um projeto integrante da Rede Juçaraque articula produtores que trabalham com o uso sustentável da Palmeira Juçara, espécie nativa da Mata Atlântica similar ao Açaí. Esse empreendimento comunitário está atrelado ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) fornecendo a polpa de Juçara para a merenda escolar dos municípios de Ubatuba e Paraty. Essa experiência foi debatida como um ótimo exemplo de sustentabilidade pois integra ostrês pilares da proposta: 1) Aspecto econômico,em que os alimentos orgânicos da agrofloresta possuem um incentivo do PNAE que valoram os produtos da agricultura familiar acima do preço de marcado, gerando além de um bom retorno financeiro, a fixação dos jovens nessas comunidades; 2) Aspecto ambiental, onde a agroecologia tece uma harmônica relação entre o homem, natureza e a utilização dos recursos naturais promovendo a conservação não só da natureza mas como da cultura dos povos tradicionais; 3) Aspecto social, essa rede de produção sustentável não privilegia o ciclo viciado atrelado ao mercado e consumo e insere o bem coletivo como a escola como consumidor final. O benefício à saúde da qualidade desse produto agroecológico é compartilhado com a comunidade e não só com quem possui poder aquisitivo para consumi-lo. O impacto social pode ser entendido como melhoras nas condições de vida e saúde dos produtores rurais bem como preservação de seu patrimônio cultural pela possibilidade de resistir no território com dignidade.no último dia de visitações, nos deslocamos até o município de Angra dos Reis, onde visitamos o Quilombo do Bracuí. Na comunidade fomos recebidos com uma roda de conversa sobre a comunidade e seus principais desafios, que dialogam bastante com os desafios e potencialidades das outras comunidades como a proposta da educação diferenciada, a resistência a especulação imobiliária e o descaso do estado perante a comunidade.na conversa os quilombolas locais apresentaram o curso de educação no campo como importante ferramenta para a estratégia de educação diferenciada. Considerações finais Como resultado de intenso período de vivências o grupo relatou a importância do VER- SUS como ferramenta de aprendizagem, principalmente, na apresentação do conceito

ampliado de saúde e rede de saúde. A vivência foi descrita como essencial para, não apenas conhecer o SUS, mas para reconhecer as redes que compões o tecido social da comunidade, proporcionando a oportunidade de inserção e incrementar o componente de luta no território. Um dos efeitos imediatos do VER-SUS foi a criação do núcleo jovem do Fórum de Comunidades Tradicionais e que já articulou através da agenda do FCT as próximas atividades de formação, tendo como sugestão do grupo uma oficina de permacultura no IPECA.Desde a concepção desta vivência, pudemos nos aproximar e desdobrar este rico território e encarar o desafio de estar em um espaço de diálogo e embates entre a academia e as comunidades. O processo de construção dessa vivência a partir de sua incorporação pela própria agenda do FCT como demanda na formação de novas lideranças desencadeou uma série de reflexões acerca da construção de propostas voltadas aos movimentos sociais. Pudemos conviver e aprender com os diferentes tempos que são apresentados e ter sensibilidade dentro desse processo de exercício de alteridade para construir de fato um projeto coletivo não hierarquizado pela esfera hegemônica do saber acadêmico. A opção pela Ecologia dos Saberes e a Praxis Freireana como orientadores pedagógicos da construção e facilitação da vivência criou uma simbiose epistemológica que derivou a proposta muitas vezes uniformizante da proposição e execução dos projetos para um movimento universalizante. O projeto foi apropriado pela comunidade e moldado pelas suas próprias demandas e não o contrário, que usualmente é ofertado pela maioria das iniciativas que já vem com o pacote de ação uniformizante.dentro do território das comunidades tradicionais, o principal encaminhamento desta vivência além da construção coletiva de saberes, foi a criação do Núcleo Jovem do FCT, formado pelos jovens que participaram deste momento, assim formalizando sua efetiva participação no Fórum e encaminhamento das demandas levantadas durante a vivência. A equipe de facilitadores da Rede Unida bem como o OTSS foram desafiados na continuidade desse processo de educação diferenciada tendo como protagonistas essas novas lideranças do Núcleo Jovem do Fórum de Comunidades Tradicionais para agregarem na luta em defesa de seus territórios. Referências AYRES, J. R. DE C. M. et al. Sexualidades pelo avesso: direitos, identidades e poder. p. s.p, 1999. FERLA, A. A. et al. Vivências e Estágios na Realidade do SUS: educação permanente em saúde e aprendizagem de uma saúde que requer integralidade e trabalho em redes colaborativas - DOI: 10.3395/reciis.v7i4.892pt. Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde, v. 7, n. 4, 2013.

GALLO, E.; SETTI, A. F. F. Abordagens ecossistêmica e comunicativa na implantação de agendas territorializadas de desenvolvimento sustentável e promoção da saúde. Ciência & Saúde Coletiva, v. 17, n. 6, p. 1433 1446, jun. 2012. INSTITUTO ESTADUAL DO AMBIENTE. Mapa de Vulnerabilidade da População do Estado do Rio de Janeiro aos Impactos das Mudanças Climáticas nas Áreas: Social, Saúde e Ambiente. Rio de Janeiro: [s.n.]. Disponível em: <http://download.rj.gov.br/documentos/10112/364217/dlfe-40943.pdf/rel_vulbilidade.pdf>. JULLIEN, F. O diálogo entre as culturas: do universal ao multiculturalismo. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. p. 29